Eco crendices populares e o decréscimo populacional das corujas garutti, Selson uepg resumo



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Eco crendices populares e o decréscimo populacional das corujas

GARUTTI, Selson

UEPG

RESUMO: Este estudo objetivou levantar a produção e disseminação de lendas brasileiras sobre corujas tendo como objetivo analisar os mitos construídos a respeito dessas corujas. O referencial teórico utilizado foi etnografia, sendo uma pesquisa qualitativa - etnográfica. Os achados envolveram tantas lendas publicadas pela internet, sendo pesquisadas através do buscador Google, colocando três termos para a busca: 1º) biologia; 2º) lenda; 3º) coruja. Diante deste resultado, foram selecionadas, para analise critica as lendas encontradas, entre lendas brasileiras e estrangeiras. Esta analise empreendida permitiu, dentre outras, constatar que estas têm relação com as questões da prática profissional dos sujeitos envolvidos (biólogos). Os autores Pierre Clastres e Curt Unkel foram as referenciais utilizadas para a pesquisa. Os resultados da pesquisa desenvolvida são passiveis de aplicação na prática diária. Conclui-se que seja importante para os biólogos continuarem a desenvolver pesquisas desse âmbito para aprofundarem os estudos, a partir dessa perspectiva cultural, conhecendo melhor o cotidiano das pessoas e contribuindo para solucionar os problemas que repercutem diretamente na vida dos seres humanos.

Palavras-chave: Antropologia; Coruja; História.
THE INFLUENCE OF POPULAR SUPERSTITIONS IN DECLINES OF OWLS

ABSTRACT: this study sought to raise the production and dissemination of Brazilian legends about owls aiming to analyze the myths built about these owls. The theoretical reference used was ethnography, being a qualitative-ethnographic research. The findings involved so many legends published by internet, being searched through Google searcher, putting three terms to the search: 1st) biology; 2) legend; 3) OWL. On this result, were selected for review criticizes the legends found among foreign and Brazilian legends. This review has undertaken, among others, noted that these relate to the issues of professional practice of subject involved (biologists). The authors Pierre Clastres and Curt Unkel were the benchmarks used for the search. The search results are developed in daily practice repeated application. It is concluded that it is important to biologists continue to develop research that scope for deepening the studies, from this cultural perspective, knowing better the daily lives of people and contributing to solve the problems that impact directly on the lives of human beings

DESCRIPTORS: cultural anthropology; Owl; Biology.

INTRODUÇÃO

As corujas compõem a ordem Strigiformes, são aves predadoras, a maioria das espécies é noturna (SICK, 1997). São especialistas na caça em ambientes com pouca luminosidade, para isso possuem adaptações especiais: apresenta uma plumagem extremamente macia que garante um voo silencioso, adaptação especial das penas que eliminam os ruídos durante o voo (SICK, 1997; BURTON, 1994). Seus olhos são extremamente grandes se comparado ao crânio, capturando o mínimo de luz possível, devido ao grande tamanho do campo orbital, os Strigiformes não conseguem mover os olhos, limitação que é compensada pela grande flexibilidade do pescoço que permite girar a cabeça a quase 360º (BURTON, 1994; SICK, 1997; SANTOS, 2010). Outra adaptação para a caça é sua audição, apuradíssima, possui discos faciais que as ajudam a localizar a origem dos ruídos, o que permite, por exemplo, detectar um roedor caminhando nas folhagens na completa escuridão. A maioria das espécies são noturnas, embora existam espécies diurnas como é o caso da Coruja-buraqueira Athene cunicularia e da Caburé Glaucidium brasilianum (SICK, 1997). As corujas são encontradas em todo o mundo habitando os mais variados habitats, inclusive algumas espécies se adaptaram aos centros urbanos onde conseguem alimento em fartura e poucos predadores (BURTON, 1994; SICK, 1997; SANTOS, 2010).

As corujas, por causa dos seus hábitos noturnos, estranhas habilidades, à voz lúgubre e aparência assustadora (devido aos grandes olhos), elas acabam sendo associadas a sinais de infortúnio, criaturas sombrias e de mau agouro, alguns povos acreditam que as corujas são emissárias de bruxas e agentes de poderes maléficos, tais superstições acabam comprometendo a existência dessas espécies (ICMBio, 2008). Na cultura grega, a coruja era símbolo de sabedoria, símbolo do conhecimento racional, em oposição ao conhecimento intuitivo da natureza (MIKICH & BÉMILS, 2004; SICK, 1997; SANTOS, 2010).

Existem ao todo 185 espécies de corujas (Strigiformes, famílias Tytonidae e Strigidae), no Brasil de acordo com o Comitê Brasileiro de registros ornitológicos, existem 23 espécies (CBRO, 2009). Nenhuma espécie Brasileira consta na lista nacional de animais ameaçados de extinção, pois existe uma deficiência de dados da história natural das corujas, falta de estudos quanto à distribuição e abundância, que pode colocar algumas aves dessa lista como ameaçadas (IBAMA, 2003).

No estado do Paraná a principal ameaça verificada ao grupo das corujas é a descaracterização de seus habitats naturais, supressão das florestas das regiões interioranas do estado e do litoral. Tal ameaça decorre da expansão de áreas urbanas sobre as paisagens naturais e da abertura de espaço à agropecuária e ao plantio de arbóreas exóticas natureza (MIKICH & BÉMILS, 2004). No noroeste paranaense, em especial na região do Parque Estadual Vila Rica do Espírito Santo, em Fênix, existem algumas espécies raras como é o caso da Coruja-preta Strix huhula, da Coruja-do-mato Strix virgata, Coruja-orelhuda Rhinoptynx clamator e Corujinha-sapo Otus atricapillus (ITCF, 1987). Muitas dessas espécies raras até as mais comuns sofrem com abates devido a moradores que acreditam em ataques fortuitos a animais de criação e em decorrência de crendices populares (ICMBio, 2008). De acordo com Santos & Copatti (2009) em um trabalho realizado no município de Peabiru, a caça e perseguição influenciaram consideravelmente a riqueza de espécies mais sensíveis no noroeste paranaense.

As principais medidas a serem tomadas para a conservação desta espécie consistem na criação e ampliação de unidades de conservação, e no fomento financeiro e técnico para sua melhor operacionalização. Por fim, a prática de educação ambiental é de extrema importância para que se evitem danos ocasionados por atividades humanas, caça e perseguição indiscriminada por causa das crendices populares e mostrar por meio da conscientização o papel importante que essas aves exercem na natureza (MIKICH & BÉMILS, 2004; ICMBio, 2008).



MATERIAL E MÉTODOS

Considerando como etnográficos trabalhos que evidenciam os princípios que norteiam a pesquisa etnográfica, referindo-se aos autores Pierre Clastres (1990) e Curt Unkel (1987) que pesquisam com perspectiva do contexto cultural, no ambiente natural dos informantes estudados, e que possa estabelecer um intercâmbio de apreensão de conhecimento. Assim espera-se constituir uma justificativa para a inclusão dos trabalhos em que os autores referem bases antropológicas e os caracterizam como pesquisa etnográfica.

Para a boa consecução dessa proposta foi realizado um trabalho de 1º) levantamento da produção científica a respeito da questão cultural sobre as corujas; em princípio a seleção foi feita a partir dos resumos publicados por artigo; 2º) informações sobre a pesquisa em outras fontes possíveis; 3º) depois na terceira parte a pesquisa propriamente dita nos bancos de dados da internet através do site www.google.com.

Apresentando a seguir a produção científica em ordem cronológica e em forma de referência bibliográfica para facilitar aos interessados pela pesquisa etnográfica para ter noção do que esta sendo produzido obedecendo a uma sequência cronológica.



RESULTADOS

  • ÁSIA:

  • No Ásia, assim como no norte da Europa acredita-se que o espírito de aves como a coruja, a águia e o corvo entram no corpo do xamã para inspirá-los;

  1. CHINA

  • Acredita-se que as corujas jovens removiam os olhos da mãe a bicadas, ligadas ao lado Yang (yin Yang), com conotações negativas e destrutivas;

  • Corujas eram oferecidas como sacrifício religioso e usadas para ornamentar os cantos externos da casa a fim de proteger todos os moradores de coisas maléficas, principalmente do fogo;

  • Sinal de desgraça iminente.

  1. ISRAEL

  • A coruja cinzenta é considerada um bom sinal quando aparece perto da colheita;

  1. INDIA

  • Penas de coruja são colocadas nos travesseiros de crianças inquietas para lhes proporcionar um sono tranquilo;

  1. JAPÃO

  • Povo AINU faz estatuetas de coruja, em madeira, para pregá-las nas portas com intuito de combater fome e peste;

  • Ouvir o grito da coruja da sorte. A coruja dourada traz sorte e felicidade;

  1. EXTREMO ORIENTE

  • A coruja é considerada guardiã sagrada da vida após a morte, governante da morte, vidente detentor de almas em transição de um plano de existência para outro;

  1. BUDISMO

  • Conto da coroação da coruja: uma fabula contada por Buda, diz que um dia todos os seres vivos se reuniram para escolher o seu rei. Entre os pássaros, após muita discussão, finalmente escolheram a coruja sábia para ser sua rainha. O corvo não gostou da escolha e protestou dizendo “como podem escolher para ser nossa rainha um pássaro que possui tanta raiva?”, “Não temos uma escolha mais sábia?”. O corvo olhou para a coruja com o rosto vermelho e duro. A coruja ficou louca de raiva e vendo isto o corvo fugiu. A coruja perseguiu o corvo e desde então corujas e corvos são inimigos. As aves não gostaram do comportamento da coruja e escolheram o cisne como seu novo rei, que era ninguém menos que BUDA.

  • MORAL: A RAIVA FAZ VOCÊ PERDER O CONTROLE SOBRE SI MESMO, CAUSANDO DANO À OUTREM E A SI MESMO.

  1. TRIBOS DO NORTE DA ASIA

  • Era comum o uso de corujas para combater forças malignas;

  • EUROPA

  • Símbolo tanto de morte quanto de sabedoria na Tradição Europeia;

  • Por causa dos padrões espirais de distribuição das penas, observados especialmente ao redor dos olhos, as corujas eram colocadas nas sepulturas do culto dos mortos do Neolítico, que trazia a característica dos padrões espirais;

  • Companheira de toda bruxa, a partilha da comunicação espiritual única entre eles, e partilha dos poderes secretos da noite;

  • Durante a época medieval, corujas eram consideradas bruxas e magos metamorfos, disfarçados em toda a Europa;

  • Existe uma crença popular que explica por que as corujas são mensageiras das bruxas, segundo esta crença desde o inicio percebeu-se que as corujas possuíam um pouco de magia. Por isso estavam sempre presentes nas casas dos bruxos. Utilizavam penas destas aves para seus feitiços e nada mais que isso. Quando descobriram que elas podiam entender a linguagem humana, foi a revolução dos meios de comunicação dos bruxos. Teve inicio o sistema de correio aéreo bruxo, com o tempo os sentidos de busca destas aves foram se aguçando de forma que elas podem encontrar alguém por mais escondida que a pessoa esteja. Isto se deve a relação mágica que há entre o remetente e o destinatário, que fortalece esse sentido do animal. Além disso, estas aves mantém características importantíssimas para o mundo bruxo: são discretas, não desistem no caminho e só entregam a correspondência à pessoa certa;

  • São símbolos da Wicca, uma vez que as bruxas procuram também entender os mistérios, a percepção das corujas atravessa o véu da escuridão e compartilham o dom da visão com as bruxas que as honrá-las;

  • Eram vistas como bruxas, e para afastar o mau que supostamente pudessem causar, eram amarradas em arvores pelos pés, e assim abandonadas para morrer;

  • Éreis vistas como pressagio de morte e bruxaria;

  1. GRÉCIA

  • Era a companheira da deusa Athena, deusa da sabedoria, pois a coruja vê o que os outros não podem ver e revela todos os segredos ocultos;

  • Ave de Athena, deusa da profecia, sabedoria e clarividência. Era considerada a protetora dos artesãos e de todas as pessoas cujo trabalho manual era guiado pela mente. Representada por uma coruja em sua touca, o que a identifica como a deusa dos mistérios mais profundos;

  • A noite era considerada como o momento filosófico, e da revelação intelectual e a coruja, por ser ave noturna, acabou por se tornar símbolo da busca pelo saber;

  • Ovos dessa ave tinham poderes medicinais, uma sopa deles curava epilepsia e recuperava a cor dos cabelos grisalhos. Mas para que tivesse efeito, o voo deveria ser aquele que iria gerar uma coruja macho;

  • Os gregos eram grandes

  • Crentes de um universo místico em que os seus deuses e criaturas da Terra assumiam grande importância. Varias expressões que faziam referencia à deusa/cidade foram usadas, como “tendo a coruja para Atena” ou “La vai uma coruja”, podendo significar uma declaração de vitória ou previsão de morte;

  • No Panteão, uma serie de placas de bronze retratavam uma coruja com braços humanos fiando lã;

  • A atenta coruja, símbolo da vigilância, constantemente alerta, estava retratada nas mais antigas moedas atenienses. A coruja em grego gláuks “brilhante, cintilante” enxerga nas trevas. Um dos epítetos de Athena é “A de olhos glaucos”;

  • Em latim noctua “ave da noite”, a coruja incorpora o oposto solar. É símbolo da reflexão, conhecimento racional relacionado ao intuitivo que permite dominar as trevas;

  • Havia uma antiga tradição, segundo a qual quem come carne de coruja participa dos seus poderes divinatórios, de seus dons de previsão e presciência. Assim a coruja se tornou atributo tradicional dos mantes, daqueles que praticam a mântica, a arte do divinato, da adivinhação, simbolizando o dom da clarividência;

  • Devido à associação à deusa Athena, a coruja ganhou status de proteção à cidade de Atenas e habitavam a Acrópole em grande numero. Seu simbolismo foi adotado pelos exércitos gregos em seu caminho para a guerra como inspiração para suas vidas diárias. Se antes de uma batalha, uma coruja voou sobre o exército, era um bom presságio de que a vitória era iminente;

  • Foi destaque na sociedade e comércio, sendo retratada no verso de duas moedas de prata (dracmas), simbolizando perspicácia e riqueza; Mantinha um olhar atento sobre o comercio ateniense;

  • Também encena a historia de Demeter, deusa do milho, do grão e da colheita. Perséfone, filha da deusa, foi raptada por Hades para ser sua esposa. Revoltada, Demeter lançou uma maldição sobre a Terra, fazendo com que as plantas murchassem Zeus vendo isto, resolveu intervir r Hades deixou Perséfone voltar desde que não comesse nada no caminho de volta e a presenteou com uma romã, curiosa, ela provou as sementes e Ascolpus vendo que ela não cumpriu o trato, foi rapidamente informar à Hades. Então Hades determinou que Perséfone devesse passar quatro meses por ano em sua presença no submundo, nesses quatro meses Demeter retira seu espírito da Terra e chora a ausência de sua filha – inverno. Demeter, em vingança a Ascolpus, o fofoqueiro, transformou-o numa velha, repugnante e lenta coruja – “Screech-Owl”;

  • Diz-se que Athena tomou forma de coruja quando viajou a Terra. Acredita-se que uma “luz interior”, deu a mágica visão noturna às corujas;

  • Devido aos seus grandes olhos, as corujas eram consideradas pelos gregos antigos a ave da sabedoria;

  1. ROMA

  • Ovidio e Plinio relacionam a coruja com a morte, e seu canto com um sinal sinistro. PLinio dizia que o coração de uma coruja colocado sobreo peito de uma mulher, forçava-a a divulgar seus segredos;

  • Usavam figuras de coruja para combater mal olhado. A antiga palavra romana para coruja é estriges, a mesma usada para bruxa, daí o nome da ordem que abrange tais aves: Strigiformes;

  • Emprestou a cultura do Oriente Médio, como a crença hindu dos Manus em que o primeiro homem é o pai de todos os seres humanos. A partir da combinação dos dois veio a deusa Minerva, que representou a profecia e a sabedoria, com o tempo seu símbolo foi trocado de Lua para a Coruja;

  • Consideravam como um pressagio ruim;

  • Uma coruja morta era pregada na porta de uma casa para evitar todo o mau que supostamente já havia causado. O costume de pregar corujas nas portas dos celeiros para afastar o mal e relâmpagos, persistiu até o sec. XIX. Ouvir o pio da coruja pressagia morte. Segundo a cultura do povo romano, a morte de Júlio Cesar, Augusto, Aurélio Cômodo e Agrippa, foi preditas por corujas;

  • Acreditavam que coruja trazia má sorte, e seu canto anunciava que alguém iria morrer. Muitos ainda diziam que ela traz azar quando sobrevoa uma casa;

  • O que chamamos de agouro vem do romano agurium, provem de agur, avis, ave. O auspício é a forma contratada de avis-specio “eu vejo a ave”. As aves anunciam o futuro na forma de voar, alimentar-se, cantar, apresentar-se deste ou daquele lado, com maior numero de companheiros. Havia em Roma o Colégio Sagrado dos Âugures, encarregado de informar ao governo, antes de todas as serimonias ou reuniões, se havia um mau ou bom auspício, deduzido pelo exame das aves que voavam livres ou que estavam presas. Uma guerra, uma expedição, uma sessão do Senado, uma festa publica interrompiam-se imediatamente se o Augure chegasse declarando ter notado um sinal nefasto no voo de certas aves. Nada podia ser iniciado pelo romano sem a prévia consulta as aves. O que denominamos hoje Inauguração quer dizer apenas, consultar as aves, tomar augúrios às aves, In-Augurare;

  • As aves eram dedicadas aos Deuses. O mocho era pertencente à Minerva, deusa da sabedoria. As aves de presa ou noturna tinham histórias ligadas aos deuses e o povo lhe dava créditos de mistério. Deviam saber muito, pois voavam alto, tinham força nas garras possantes ou viam durante as horas da noite, assistindo o que se passava durante o sono dos homens mortais;

  • A Cantiga do Amigo do Cancioneiro do Vaticano, versos do trovador Estevão Coelho, da primeira metade do século XIV, aparece uma superstição, clara e própria. Uma moça canta versis de amor e alguém que a ouviu cantar anuncia-lhe o fervor da paixão, denunciando pela maneira de entoar a cantiga. A “dona” declara que o interruptor adivinhou por ter comigo carne de avintor, abutre: “Sedia La fremosa seu sirgo lavrando. A voz manselinha fremoso cantando. Cantigas d’amigo. Por Deus de cruz, dona, sei eu que avedes. Amor mui coitado, que tan bem dizedes Cantigas d’amigo. - Avintor comeste, que adevinhades.”

  • Mastigar folhas de loureiro, árvore de Apolo, era receber inspiração poética, então comer carne de mocho, consagrado a Minerva, produzia oráculos, é uma derivação da mesma tradição de ornitomancia religiosa romana. Um ilustre filosofo ainda escreve: “...digo eu que, segundo informação obtida perdura ainda entre o povo a crença de que por meio idêntico se pode adivinhar o futuro, a única diferença está em que, em vez do abutre, figura agora o mocho e velho” è o que diz a canção de 600 anos.

  • Há evidencias do interesse da humanidade pelas corujas desde a idade da pedra, no sul da França há o desenho de uma coruja gravada numa pedra;

  • Quando uma mulher grávida ouve uma coruja indica que ela dará a luz á uma menina;

  • Nos períodos clássicos, era associada às bruxas, principalmente as corujas que piavam alto;

  1. FRANÇA

  • Há evidencias do interesse da humanidade pelas corujas desde a idade da pedra, numa rocha do sul da França há a figura de uma coruja gravada;

  • Quando uma mulher grávida ouve uma coruja indica que ela terá uma menina;

  • Nos períodos clássicos a coruja era associada às bruxas, principalmente aquelas que piavam alto;

  • Normandos, que habitavam o norte da França comiam omeletes de ovos de coruja para curar embriaguez;

  1. ALEMANHA

  • Se uma coruja pia no momento do nascimento de uma criança, esta terá uma vida infeliz;

  • Existe um conto dos Irmãos Grim que diz que a mais de 300 ou 400 anos atrás, numa noite pouco antes do amanhecer, uma grande coruja com dois tufos de penas que mais pareciam chifres, voou baixinho sobre o celeiro. Ela não gostava de luz e nem de sair durante o dia, pois sofria ataque dos outros pássaros, então como já estava amanhecendo achou melhor passar o dia no escuro do celeiro até que anoitecesse e lá fora se tornasse seguro para ela novamente. Logo o osol se levantou e um empregado da fazenda veio ate o celeiro e ao abrir a porta viu a coruja com os olhos brilhando sob a luz que entrava pela porta. Ficou tão apavorado que correu e fechou a porta do celeiro, o dono da fazenda foi ver o que havia assustado seu empregado e abrindo a porta teve a mesma reação e foi pedir ajuda para os vizinhos. Toda a cidade foi ver o que estava acontecendo naquela fazenda, mas ninguém teve coragem o suficiente para enfrentar tal criatura, que segundo boatos, era tão grande quanto uma casa. O prefeito resolveu então pagar ao proprietário o preço do celeiro, do feno e da palha, para que queimassem o celeiro e matassem o monstro. Segundo a história original a coruja foi queimada miseravelmente e a cidade se viu livre para sempre da fera assustadora, porem há uma variação da historia que diz que a coruja ficou tão incomodada com a situação que resolveu voltar para seu ninho durante o dia mesmo e assim por sorte ela se livrou de ser queimada junto com o celeiro;

  1. EUROPA DO NORTE

  • A coruja era associada com feitiçaria e era vista como um dos seus principais animais totens;

  1. CELTAS

  • A deusa Celta Bloudeweedd foi muitas vezes representada por uma coruja ou por partes desta ave;

  • Bloudeweedd era uma bela deusa celta, designada a casar com Lleu, mas apaixonando-se por outro, Goronw, conspirou juntamente com seu amado para matar Lleu, porém Lleu não morreu e sim se transformou numa águia e Bloudeweedd, por sua punição, transformou-se em coruja;

  • Deusa condenada a assombrar eternamente à noite em solidão e tristeza, sendo evitada por todos os pássaros;

  • A coruja (Cailleach-oidhche) representa a clarividência, sabedoria, iniciação a mudança/incentivo, desapego e discrição. Sempre consciente de seu entorno, a coruja usa a sua intuição associada a coragem, com uma visão verdadeiramente oculta, é um guia entre as criaturas da terra e divindades do Submundo;

  • Nas tradições populares celtas Pais das Fadas e Submundo são habitualmente a mesma coisa, e o Rei deste Submundo representado por uma coruja;

  1. REINO UNIDO

  • Na Escócia e na Irlanda acreditavam que se uma coruja viesse a sua janela três vezes em noites seguidas era um aviso de morte. Se jogar sal no fogo não silenciasse a ave, então a morte era inevitável;

  • Durante os sec. XVIII e XIX, poetas Robert Blair e William Wordworth utilizaram a suindara como o “pássaro da desgraça”. Durante o mesmo período acreditava-se que o grito ou chamado de uma coruja na janela de uma pessoa doente significava morte iminente;

  • Também foi usada para prever o tempo. O grito da coruja avisa que o frio ou tempestade está por vir. Se a ouvir durante o mau tempo significa uma mudança no clima;

  • Uma crença comum é que se você andar em torno de uma coruja numa arvore ela irá virar a cabeça para vê-lo até que ela a arrancará do seu próprio pescoço;

  • Alcoolismo foi tratado com ovos de coruja, ao bebedor foi prescrito ovos crus e para crianças também, para que estas recebessem proteção contra embriaguez;

  • Cinza de ovos de coruja foi utilizada como poção para melhorar a visão e caldo de coruja foi dado a crianças com tosse convulsa;

  • Segundo Odo de Cheeiton, pregador do sec.XII, a coruja é noturna porque roubou a rosa, que era premio concedido pela beleza, e as outras aves só lhe permitem agora sair a noite como forma de punição;

  • No norte da Inglaterra ver uma coruja é sinal de sorte;

  • Essa ave, com olhos grandes e desproporcionais, é também símbolo de feiúra, antigamente era chamada de egla palavra que imita o som emitido por ela, termo que depois deu origem a palavra ugly que significa feio em inglês;

  • Pais de Gales: acredita-se que se uma coruja pia entre duas casas uma moça de uma delas acaba de perder a virgindade;

  • Persistiu até o séc. XIX a pratica de pregar uma coruja de asas abertas, para impedir que raios e trovoes causassem prejuízo àquela casa; em algumas regiões eram pregadas vivas para afastar malefícios;

  • LORDE DO PAÍS DAS FADAS: Gwyn as Nudd, reina sobre os espíritos galeses do Tylwyth Teg (País das Fadas). É um individuo de aspecto sombrio, que corresponde ao Rei dos Mortos, e é representado tradicionalmente por uma coruja;
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