Dons espirituais 13 – o dom de profecia pesquisa bíblica no antigo testamento – parte 7



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DONS ESPIRITUAIS 13 – O DOM DE PROFECIA

PESQUISA BÍBLICA NO ANTIGO TESTAMENTO – parte 7

(por Keila Guimarães de Campos)
Avançando, vamos aos livros de Crônicas!


  1. Apenas observando os Livros de Crônicas, podemos dizer que (leia os textos citados abaixo para completar a sentença):

O profetismo não era exclusividade dos reconhecidamente considerados profetas, aconteceu também com um _____________________ (I Cr 12.19), um ______________________ (II Cr 24.20) e com _________________ (II Cr 20.14). Tanto _______________ como _____________________ são descritos como videntes (II Cr 29.30; 35.15). (RAD, 2006, p.105).
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2. Leia I Cr 25.1 e os comentários abaixo:

v. 1 – “Profetizarem com harpas. É interessante notar que o canto dos louvores a Deus é aqui chamado de profecia. Muitos dos salmos ou cânticos foram compostos por profetas e são de natureza profética, como alguns dos de Davi, e seu canto visava à edificação do povo de Deus, bem como a Sua glória (ver I Sm 10.5).” (SHEDD, 1997, p.605).
“A tarefa dos músicos inesperadamente é descrita como profetizar. O contexto indica que essa atividade envolvia tocar instrumentos musicais, e que era realizada pela supervisão do rei (v.2,6). Essas duas características são incomuns na profecia israelita. Duas explicações dessa profecia levítica são possíveis. Ou eles traziam mensagens diretas de Deus como faziam os profetas clássicos, do que o levita Jaaziel (2Cr 20.14-17) proporciona uma analogia óbvia, ou seu louvor era em si mesmo visto como “profecia” porque proclamava a palavra de Deus com a autoridade de Deus. Outros exemplos desse último caso encontram-se em vários livros proféticos. (...)

O uso que os levitas fazem da profecia com música é, muitas vezes, visto como uma continuação pós-exílica do ministério dos chamados profetas cúlticos pré-exílicos. Alternativamente, esse uso pode ser um desenvolvimento direto, embora não escatológico, da profecia clássica. No entanto, toda a evidência restante do Antigo Testamento para a profecia acompanhada de música em Israel provém de várias partes do período pré-exílico (Ex 15.20; I Sm 10.5,10; 2Rs 3.15). Parece mais provável, portanto, que Crônicas proporcione um importante pano de fundo cúltico a um elemento que aparece apenas ocasionalmente na atividade profética.

(...) O termo vidente (v.5) é um sinônimo de ‘profeta’ no Antigo Testamento e, portanto, deveria ser entendido do mesmo modo como as referências a profetizar (v.1-3). Tanto Asafe (2Cr 29.3) como Jedutum (2Cr 35.15) também receberam esse título” (SELMAN, 2006, p.198-199).
Que lição você pode retirar deste texto?

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O último comentário falou sobre profetismo cúltico e clássico, então, vamos recapitular algumas coisas e aprender ainda mais!
RESUMO DO PROFETISMO NO A.T.

Profetismo antes do povo de Israel

Existem relatos de profetas (muhhûm = “cair em transe”) que recebiam suas mensagens em cultos, através de transes extáticos, sonhos, audições, etc.., no reino de Mari, uma cidade localizada às margens do rio Eufrates, hoje Tell Hariri, na Síria. Em Mari também existiam profetas leigos.


...há um outro grupo de textos que nos reconduz aos primeiros tempos do segundo milênio, tempo, portanto, em que Israel ainda não existia como povo. Consiste numa série de cartas provenientes do grande arquivo de Mari, cidade situada às margens do Eufrates. (...) Entre as ruínas do palácio do último rei de Mari, o rei Zimrilim, que viveu pelo ano 1700 a.C., foi encontrado um arquivo com cerca de 20.000 tabuinhas de argila (...), escritas em cuneiforme (...).

No decurso da lenta publicação dessa correspondência de Mari foram aparecendo, há mais de vinte anos, cinco cartas que imediatamente chamaram a atenção dos pesquisadores. Em todas essas cartas, um governador conta que um homem se dirigiu a ele, disse-lhe ter recebido uma mensagem de um deus para o rei de Mari e perguntou se o governador podia transmiti-la ao rei. A carta contém literalmente a mensagem divina para o rei. A estas cinco cartas foram acrescentadas agora outras quatro, publicadas recentemente, que são perfeitamente semelhantes pelo conteúdo e que completam, assim, o quadro. É possível que se encontrem, em futuro próximo, outros textos relativos a esse argumento. Todavia, já podemos dizer alguma coisa de certo sobre o “profetismo” de Mari (LOHFINK, 1979, p.21-22)


Em primeiro lugar, quem são aqueles que vão aos governadores do rei? É evidente que em Mari não há nenhuma denominação fixa para essas pessoas. Uma delas parece ser mesmo um funcionário, pois há diversos homens que pertencem ao pessoal do templo, mais precisamente, os chamados muhhu, que quer dizer “aqueles que respondem”, embora nos dois casos não saibamos exatamente qual fosse sua função no templo. Das nove cartas, porém, uma se refere a um jovem escravo, uma outra a uma mulher de um cidadão da classe média e outra, ainda, a um homem de desconhecida condição social. É claro, portanto, que em Mari a proclamação desse gênero de mensagens divinas era totalmente independente de profissão, idade, sexo e condição social. Realmente, não está dito que os homens portadores de tais mensagens se apresentem sempre imediatamente ao governador do rei. (...) Esses homens, entretanto, de elevada ou baixa condição, se apresentam diante do governador com plena consciência e intenção decidida. Uma dessas cartas diz, por exemplo: ‘O muhhu – sacerdote de Dagan veio a mim e me expôs o seguinte: deus me mandou! Apressai-vos a escrever ao rei’. (LOHFINK, 1979, p.22-23)
Eis o milênio antes de Moisés, e todo um milênio antes que o profetismo israelita atingisse seu apogeu, não há dúvida de que houve em Mari homens que – diferentes do ponto de vista individual – se comportavam de maneira semelhante aos profetas de Israel que aparecem mais tarde. (...) Ora, devemos ter presente, com seriedade, que o profetismo de Israel teve, de fato, fora de Israel e sobretudo antes de seu início em Israel, uma pré-história (LOHFINK, 1979, p.25-26).
Profetismo fora do povo de Israel

Havia profetas na Babilônia, chamados de barû, que “percebiam” as mensagens de suas divindades através da observação de entranhas de animais, de voos de aves, de observação de óleo, entre outros, desde o terceiro milênio da era pré-cristã.

Fora do mundo semita (egípcios, hititas, etc...) a vontade dos deuses era revelada através de oráculos (BINGEMER, YUNES, 2002, p.39).
“Um fenômeno como o profetismo não deve estar circunscrito ao povo da revelação? Todavia, a própria Bíblia encara abertamente as coisas com muita largueza. No livro de Jeremias, o profeta se dirige aos reis dos outros países vizinhos de Israel, nestes termos: Jr 27.9. Junto aos representantes da antiga arte de adivinhação e magia, Jeremias se refere a profetas, nos países limítrofes com Israel – pelo menos aí ele emprega com desprezo a mesma palavra nabi, com a qual eram indicados em Israel os verdadeiros profetas – esta mesma palavra é usada no livro dos Reis, sem hesitação, até mesmo para referir-se aos profetas do deus Baal e da deusa Ashera, contra os quais o profeta israelita Elias tem de lutar. Provavelmente a rainha Jesabel, originária de Tiro, os levou consigo daquela cidade. Por fim, o quarto livro de Moisés descreve minuciosamente o comportamento de Balaão, da mesma forma como em outras passagens é descrito na Bíblia o comportamento de profetas e videntes. Mas Balaão vinha de Petor, na Mesopotâmia, e não era israelita. Desse modo, vemos que a própria Bíblia não teme reconhecer que há personagens mesmo fora de Israel que devem ser chamados profetas” (LOHFINK, 1979, p.16-17).
Profetas Cúlticos

A Septuaginta traduziu a palavra hebraica nabî por profetas, mas este termo, no original, indicava apenas um tipo de profetismo: o profetismo coletivo. “Os membros de uma corporação profética, que agiam em grupos e atuavam nos templos”. Faziam parte de uma instituição oficial e eram legitimados por essa instituição (BINGEMER, YUNES, 2002, p.40).

“O texto de 2 Crônicas 20 pressupõe que os profetas cúlticos estavam ligados ao santuário, trabalhando juntamente com o sacerdote, e estavam incumbidos do aspecto sacrifical da adoração (2 Cr 29.21-24). Jaaziel era um levita, oficial do culto, dotado de uma capacidade profética (2 Cr 20.14)” (BENTHO, 2010).
Exs:


Reinado de Davi: Gad e Natan

Reinado de Salomão e de Jeroboão: Aías de Silo

Reinado de Jeroboão: Profetas sem nome e Aías de Silo

Reinado de Basa: Jeú

Reinado de Acab, Ocozias, Jorão, Jeú, Joacaz: Elias e Eliseu

Reinado de Josias: Hulda


Profetas Clássicos (ou Individuais, ou Escritores)

Ao lado dos profetas cúlticos, surgiram a partir do século IX os profetas individuais (não chamados de nabi inicialmente). Esses são os profetas que se preocuparam em registrar por escrito suas profecias, ou que assim fizeram seus discípulos. Não estavam ligados a uma instituição e sentiam-se chamados por Deus a falar em Seu nome. Posteriormente o termo nabi sofreu uma evolução e passou a denominar todo aquele que fala em nome de Deus (BINGEMER, YUNES, 2002, p.40).

Para reconhecê-los é fácil, são os que possuem livros na Bíblia que levam seus nomes: Amós, Oséias, Miquéias, Isaías, Jeremias, Sofonias, Naum, Habacuque.  
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  1. Leia II Cr 36.11-19

  1. Observe os comentários abaixo:

v. 12,13 – “Os rebeldes não quiseram ouvir a Palavra de Deus, nem atender às mensagens que Deus lhes mandava, conforme as circunstâncias.” (SHEDD, 1997, p.666).
v.15 – “A graça de Deus acompanhou Seu povo até a última hora. Madrugada. Pode se referir ao horário predileto da oração dos profetas, ou ao fato que desde a aurora da existência nacional houve profetas fiéis. A resposta que Deus recebeu era uma verdadeira zombaria (16), uma ofensa à santidade e à justiça divinas, que exigia um castigo bem severo” (SHEDD, 1997, p.666).
v.16 – “Não houve remédio algum. Estas palavras tristes mostram que o grande Médico desenganara Sua nação, depois de oferecer-lhe todos os remédios: profetas, pragas, perseguições e reformas” (SHEDD, 1997, p.666).


  1. Que lições você pode retirar para sua vida?

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Fontes:

BENTHO, Esdras Costa. Profetismo e profetas bíblicos. 2010. Disponível em: <http://teologiaegraca.blogspot.com.br/2010/07/profetismo-e-profetas-biblicos.html>. Acesso em fev/2014.


Bíblia Shedd. 2ª. ed. rev. e atual. São Paulo: Vida Nova; Brasília: Sociedade Bíblica do Brasil, 1997.
BINGEMER, Maria Clara L.; YUNES, Eliana. Profetas e profecias: numa visão interdisciplinar e contemporânea. _____: Loyola, 2002.

Disponível em: . Acesso em fev/2014.


LOHFINK, Norbert. Profetas Ontem e Hoje. Edições Paulinas: São Paulo, 1979.
SELMAN, Martin. 1 e 2 Crônicas: introdução e comentário. Série Cultura Bíblica. vol10. São Paulo: Vida Nova, 2006.


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