Diretor: Leonardo Thomé



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Encontro20.08.2017
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A moralista”

Adaptado do conto “A moralista” de Dina Silveira de Queiroz

Diretor: Leonardo Thomé

Diretor de arte: Artur Spalding

Mãe: Sofia Forcellini

Pai: Daniel Cunha

Empregado: Gustavo Trentin

Filha: Anna Piovesan

Espírita: Evandro Guerrero

Empregada: Gabriele Vanin

Figurante 1: Charles Kichel

Figurante 2: Rafaella Machado

Fazendeiro: Luiz Henrique Fransiscatto



ROTEIRO – CURTA “A MORALISTA”

INT. SALA DE JANTAR – NOITE

Filha (narrando): Se me falam em virtude ou em tudo que se relacione com o bem e o mal, eu vejo Mamãe em minha ideia. O sorriso de Mamãe, o seu sorriso branco e cândido. Esse sorriso ela dava principalmente à noite, quando vinha jantar como se fosse a um baile, tão perfumada... Ela não se pintava nunca, mas não sei como fazia para ficar com a pele tão linda.

Pai (Daniel):

- O que fez hoje, meu amor?



Mãe (Sofia):

- Fui ao centro espírita que lhe falei.



INT. CENTRO ESPÍRITA

Mãe (Sofia):

- Então, o que o senhor tem para me dizer?



Espírita (Evandro):

- Creio que a senhora tem um poder extraordinário sobre os outros, mas não sabe. Deve aconselhar. Seus conselhos não falharão nunca. Eles vem de sua mediunidade.



INT. CASA – DIA

Filha (narrando):Se alguém precisava de ajuda, lá aparecia em casa para tomar conselhos. Nessas ocasiões, Mamãe, que era morena e pequenina, parecia que ficava maior. Mamãe ouvia as partes, aconselhava, moralizava. E papai, no pequeno negócio, sentia afluir a confiança que se propagava até seus domínios.

INT. IGREJA – NOITE

Filha (narrando): Foi nessa ocasião que Laterra ficou sem padre. Mas, para seus terços o povo contava com minha Mãe. De repente, todos ficaram mais religiosos. Ela ia para a reza da noite de véu de renda e, todos diziam que parecia, e era mesmo, uma verdadeira santa.

INT. JANTA – NOITE

Pai e mãe conversando

Mãe (Sofia):

- Hoje, depois do terço, um morador me chamou de padra. Eu não gosto disso. Nunca fui uma fanática, só quero ajudar o próximo.



Pai (Daniel):

- Tudo bem... e sobre o conselho do meu compadre de você fazer as prosas de domingo?



Mãe (Sofia):

- Estou pensando no assunto, creio que farei, mas se continuarem me chamando assim, eu não farei as prosas e nunca mais puxo o terço.



Pai (Daniel):

- Querida, suas prosas atrairiam até pessoas de longe, porque a doçura de suas palavras conforta qualquer um que estiver sofrendo. Eu acredito mais do que ninguém em você.



INT. BAR – DIA

Mãe (Sofia):

- Hoje me trouxeram um caso difícil, um rapaz viciado. Ele me veio pedir auxílio e eu tenho que ajudar. O pobre chorou tanto, implorou contando a sua miséria. É um desgraçado! Quero que você me ajude. Acho que ele deve trabalhar aqui.



Pai (Daniel):

- Tudo o que você quiser, você sempre sabe o que faz.



(Continua no bar)

Filha (narrando): O novo empregado parecia uma moça bonito. Era corado, tinha uns olhos azuis e andava sem fazer barulho.

Mãe (Sofia):

- Tire a mão da cintura. Você já parece uma menina, e assim, então...



Empregado (Gustavo):

- Preciso de sua ajuda para aprender a me portar. Tenho receio do que os outros vão pensar.



Mãe (Sofia):

- Não há ninguém melhor do que você. Por que é que tem medo dos outros?



INT. SALA DE JANTAR – NOITE

Pai, mãe e filha jantando

Filha (narrando): O moço passou muito tempo sem falhar nos jantares, mas, em certas noites, aparecia atrasado com os olhos vermelhos, sempre tomando seu lugar ao lado de mamãe. Ficou meu amigo. Sabia das modas, como ninguém. (Empregado escolhe roupa para a filha). Á hora da reza, ele, que era tão humilhado, de olhar batido, já vinha perto de Mamãe, de terço na mão. (Chegam no lugar da reza). Pouco a pouco eu assistia, também, à sua modificação. Menos tímido, menos afeminado.

EXT. RUA – DIA

Empregado e mãe caminham pela rua

Filha (narrador): Laterra tinha orgulho de Mamãe, a pessoa mais importante da cidade. Viam-na passar depressa, o andar firma, um tanto duro, e ele, o moço, atrás, carregando seus embrulhos, ou ao lado levando sua sombrinha. Um franco mal-estar dominava a cidade.

Figurante I (Charles):

- Você não acha essa relação meio estranha?



Figurante II (Rafaella):

- Acho... e acho até que ela consertou ele demais.



INT. PROSA – DIA

Mãe (Sofia):

- A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família. Devemos por nossa família em primeiro lugar, garantindo sua felicidade antes de qualquer coisa, além disso, a fidelidade é a chave para um bom casamento.



(Pessoas olham para o empregado).

INT. APÓS A PROSA – DIA

Pai (Daniel):

- Querida, você não notou que quando falou sobre fidelidade as pessoas voltaram para ele?



Mãe (Sofia):

- Vejam, eu só procurei levantar seu moral, a própria mãe o considerava um perdido – chegou a querer que morresse! Hoje é um moço de bem.



Pai (Daniel):

- Acho melhor que ele vá embora. Parece que o que você queria, que ele mostrasse que poderia ser decente e trabalhador, como qualquer um, afinal conseguiu! Vamos agradecer a Deus e manda-lo para casa. Você é extraordinária!



Mãe (Sofia):

- Mas você não vê que é preciso mais tempo para que se esqueçam dele? Mandar esse rapaz de volta agora até é um pecado, que eu não quero em minha consequência.



Pai (Daniel):

- Tudo bem, por enquanto.

(O pai entra no bar e a mãe continua na reza pensativa).

INT. SALA DE ESTAR – NOITE

Filha sentada no sofá olhando para porta. A mãe entra no quarto.

Filha (narrando): Três dias depois o moço adoeceu de gripe. Numa visita que Mamãe lhe fez, ele disse qualquer coisa que eu jamais saberei. Ouvimos pela primeira vez a voz de Mamãe vibrar algo, furiosa, desencantada.

INT. BAR – DIA

Filha (narrando): Uma semana depois ele estava restabelecido, voltava ao trabalho.

Empregado e o pai trabalhando.

Mãe (Sofia):

- Vim chama-los para o jantar. Com licença. (Fala olhando para o empregado; sai de cena)



Pai e mãe se encontram e conversam.

Mãe (Sofia):

- Você tem razão. É melhor que ele volta para casa.



Pai (Daniel):

- É o melhor de se fazer.



Os dois se abraçam.

INT. SALA DE JANTAR – NOITE

Mãe (Sofia):dirige-se para a empregada (Gabriele)

- Só nós três jantamos em casa. Ponha apenas três pratos...



O pai e a filha sentam.

Quando o empregado vai sentar:

Mãe (Sofia):

- Saia

O empregado sai.

EXT. - NOITE

Filha (narrando): Naquela mesma noite, quando saía de Laterra, um fazendeiro viu como que um longo vulto balançando de uma arvore. Descobriu o moço. Fomos chamados. Eu também vi. Mamãe não. Á luz da lanterna, achei-o mais ridículo do que trágico, frágil e pendente como um judas de cara de pano roxo. Eu me convenci que Laterra toda respirava aliviada. Era a prova! Sua moralista não falhara.

Imagem preta.

INT. SALA DE JANTAR - NOITE

Filha (narrando): Em casa não falamos no assunto. Porém Mamãe, perfeita e perfumada como sempre, durante meses deixou de dar seus sorrisos embora continuasse agora, sem grande convicção a dar os seus conselhos. Todavia punha, mesmo no jantar, vestidos escuros, cerrados no pescoço.


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