Dias de antes da enchente



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Rio Grande/RS, Brasil, 23 a 25 de outubro de 2013.


O FANTÁSTICO E O ABSURDO PRESENTE NO CONTO “DIAS DE ANTES DA ENCHENTE” DE OLAVO AMARAL

GOULARTE, Ana Luiza.

analugoularte@hotmail.com
PÓVOAS, Mauro Nicola.

analugoularte@hotmail.com


Evento: Congresso de Iniciação Científica

Área do conhecimento: 8.02.05.00-3 Teoria Literária

Palavras-chave: conto; absurdo; fantástico.
1. INTRODUÇÃO

Durante esta exposição pretende-se analisar o conto “Dias de antes da enchente”, extraído do livro Estática de Olavo Amaral. A obra Estática é composta de quinze contos de temáticas diversificadas que reproduzem o ambiente frequentado por seu autor, em especial laboratórios de pesquisa. Olavo Amaral é formado em medicina e também é roteirista de cinema. Participou na Oficina de Criação Literária do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS, sob a orientação do escritor Luiz Antonio de Assis Brasil.

“Dias de antes da enchente” é um conto narrado em primeira pessoa. O personagem-narrador é um menino inominado que ao longo da trama relata eventuais acontecimentos de episódios que se sucedem em torno das imediações da casa. A trama se passa numa casa de três andares com nove quartos todos amplos. Mas apenas quatro dentre, os nove, são acessíveis a caminhos normais. Os personagens secundários são compostos pelos demais integrantes da família: sua irmã Naná, seu irmão Martín, sua mãe, seu pai e seu avô também inominados, sua tia Amália, a governanta Frida, seu filho Frederico, a cozinheira Hilda e os animais de estimação – o pastor alemão Calisto, o tigre e os dobermanns.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

Nesta comunicação, serão exploradas questões em torno do fantástico e do absurdo no conto “Dias de antes da enchente”, da obra Estática, de Olavo Amaral. A partir da leitura do conto mencionado, será feito também um levantamento de questões acerca da teoria do conto. Este conto é uma criação engenhosa, pois envolve uma série de mistérios e curiosidades reveladoras que aparecem confidenciadas em um diário, onde Frida relata uma porção de eventos bizarros que se manifestam dentro da casa. E esses, ao serem descobertos pelo garoto, geram inúmeras inquietações, como o fato de existir um quarto na casa que está coberto de sangue até a altura dos joelhos. A ação, retardando seu desfecho, mantém o espectador, o ouvinte ou o leitor na expectativa angustiante do que vai acontecer.


Nádia Battella, em Teoria do Conto, diz que o conto caracteriza-se por ser uma sucessão de acontecimentos, de interesse humano, que são narrados na unidade de uma mesma ação. Partindo deste pressuposto, entendemos o conto como sendo um conjunto de impressões que vão sendo desenhadas ao decorrer da história. Neste conto serão destacados elementos relativos à teoria do conto de Poe, tais como a unidade de efeito provocada no leitor e a questão da brevidade. Através da leitura, compreensão e análise do conto mencionado, podemos perceber a relação do natural e do sobrenatural, que envolve o convívio dos personagens na trama, levando a um estado de espírito provocado por incertezas e/ou expectativa, que são marcados pela tensão.

A questão do sobrenatural gera uma série de dúvidas no leitor, que de fato não consegue explicar o motivo de tais eventos. Mas é correto supor que o leitor imagina que a resposta para todas as perguntas se dá pela presença de uma entidade misteriosa.


3. RESULTADOS e DISCUSSÃO

A pesquisa tem por objetivo estudar a literatura contemporânea do Rio Grande do Sul, especificamente o gênero conto. O projeto esta inserido no projeto de pesquisa coordenado pelo Prof. Dr. Mauro Nicola Póvoas, do Instituto de Letras e Artes da FURG, e que tem por intenção estudar vários escritores gaúchos contemporâneos. Este trabalho vem sendo desenvolvido desde o ano passado, a fim de se verificar as manifestações do fantástico e do absurdo no conto sul-rio-grandense da novíssima geração. Nesta comunicação se abordam esses aspectos somente da obra de Olavo Amaral, e os resultados ainda são preliminares.


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por conseguinte, podemos afirmar que o conto em questão, de autoria de Olavo Amaral, é uma criação bastante envolvente que prende o leitor do início ao fim, pois é um conto marcado pelo estranhamento, pelo bizarro, por situações que fogem ao padrão comum. Tudo que o que é estranho e/ou absurdo incomoda, por isso que o conto “Dias de antes da enchente”, é todo ele imprevisível, deixando o leitor à mercê da dúvida. Como já havia mencionado anteriormente, este trabalho é fruto do estudo sobre o conto de autores gaúchos contemporâneos, de modo que os resultados obtidos neste trabalho ainda são parciais.



REFERÊNCIAS
AMARAL, Olavo. Estática. Porto Alegre: Instituto Estadual do Livro, 2006.
GOTLIB, Nádia Battella. Teoria do conto. São Paulo: Ática, 2006.
TODOROV, Tzvetan. Introdução à Literatura Fantástica. São Paulo: Perspectiva, 1977.


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