Dia 19 de Abril de 2012. Desde as 16 horas que na cidade da Maia, mais especificamente, na periferia do estádio Dr



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Encontro03.07.2017
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Dia 19 de Abril de 2012. Desde as 16 horas que na cidade da Maia, mais especificamente, na periferia do estádio Dr. Costa Lima, a agitação se sente, a energia dos adeptos adivinhava um belíssimo sábado de futebol – nem a final da liga dos campeões que teria hora marcada para as 19.45 horas agitava tanto estes ansiosos adeptos. Talvez por ser um confronto que toda a “terra” gostaria de presenciar. União Desportiva Valonguense – Campeão da Primeira Divisão Série 2 da AF Porto – e Futebol Clube de Perafita – Campeão da Primeira Divisão Série 1 da AF Porto - encontravam-se num campo neutro para disputar o campeão da Primeira Divisão Distrital da AF Porto. Jogo marcado para as 17 horas. Pelas 16.20 horas entra para o aquecimento a equipa da União Desportiva Valonguense, já com os mais madrugadores adeptos nas bancadas a aplaudir, o que animou os jogadores ainda mais para o jogo que se aproximava: via-se facilmente que os jogadores estavam também orgulhosos por conseguirem chegar a esta final e levar consigo tantos adeptos que gastavam o seu tempo para os apoiar. Poucos minutos depois, pisa o campo a equipa proveniente de Perafita, com menos adeptos na bancada (encontravam-se no estádio cerca de 40), o que não impediu de apreciar a alegria dos jogadores que troteavam para o aquecimento. Os adeptos foram chegando minuto a minuto, registando-se, uma maior massa simultânea entre as 16.45 e as 17 horas. Adeptos esses que se faziam acompanhar de equipamentos do seu clube, bandeiras, tambores e toda a panóplia de instrumentos que fizessem ruído. Tudo isto animava a festa, alegrava os planteis e poluía ruidosamente, embora por uma boa razão, a zona de Castêlo da Maia. “Ui, isto vai ser um jogo fácil.” afirmava um adepto valonguense que se fazia acompanhar dum adepto da equipa do Perafita, que respondeu à provocação de imediato: “O último a rir é que ri melhor.” Bancadas cheia à hora do encontro, mais preenchida por vermelho e branco (U.D.V) que por azul e branco (F.C.P). Oito minutos depois da hora dá-se o apito inicial ao tão esperado jogo que definiria o campeão. Começam os ruídos desportivos dos adeptos e respectivos instrumentos, as palmas, os insultos e todas as formas como se exprimem emoções num jogo de futebol. Como já se havia reparado, a chuva não teria qualquer influência na festa, o jogo estava destinado a ser emocionante. “Como é que esta equipa consegue ser campeã de alguma série e ainda por cima se atrever a vir disputar uma final com o campeão de outra série” dizia um a confiante adepto valonguense nos primeiros vinte minutos do encontro. “Parece uma equipa de café. E só bombardear a bola. Na nossa série não ficavam em quinto lugar”, acentuava a confiança nas fragilidades do adversário, outro adepto de Valongo. Os adeptos do Perafita mostravam-se relaxados ao assistir ao jogo e não pareciam muito confiantes, mostravam desagrado em relação à equipa que os fez deslocar àquele estádio. “Assim não vamos lá. Não estamos a fazer frente ao Valongo” confirmava a má prestação da equipa, um dos adeptos. Nos últimos 10 minutos da primeira parte do jogo, os adeptos já se mostravam impacientes com a ausência de golos e já haviam trocas de insultos entre as duas facções. Os comportamentos com pouco fair-play e alguns maus juízos dos árbitros já eram motivo de discussão, de irritação e outros sentimentos dos menos relaxados, principalmente. E na verdade, quanto à primeira parte, pouco havia a acrescentar, além dos poucos lances de perigo que as equipas criaram. Uma primeira parte sem golos e, já mais para o final, sem chuva. “Pode cair para os dois lados, mas o Valonguense está a jogar melhor” afirmou na bancada o Vice-Presidente do União Desportiva Valonguense, João Pedro Catarino. Intervalo. Altura de pausa desportiva que todos os adeptos, mesmo os mais ansiosos e apaixonados, gostavam de aproveitar. Manter a conversa a conversa em dia, trocar impressões sobre o jogo, comer um bifana (ou uns salgados) e beber uma cerveja (ou para os mais cautelosos que conduzem, um refrigerante) e ir à casa de banho são algumas das muitas atividades que são feitas no intervalo dos jogos de futebol e que todos os adeptos não dispensam e usufruem com todo o agrado. “Oh rapaz o que é um jogo de futebol sem comer uma bifana e beber umas cervejas?”, questionava retoricamente um adepto do Perafita que se fazia acompanhar da sua esposa no seu lado direito e de um copo com cerveja na sua mão esquerda. Pelas 18.11 horas deu-se inicio a segunda parte da partida. Os jogadores mostravam-se entusiasmados e com vontade de resolver o jogo o mais rapidamente possível pois sabiam que não havia prolongamento caso existisse empate. O jogo seria assim desempatado pela lotaria das grandes penalidades. Mais adeptos chegaram ao intervalo, mas no que toca ao resultado, não perderam nada, já que o jogo se encontrava como no inicio: 0-0. A bancada estava definitivamente sobrelotada, muitos dos que chegaram tarde ao jogo, tiveram de assistir de pé. Alguns atrás da baliza. Mas nem o facto de estar de pé e da presença de alguns chuviscos que obrigou a abrir por vezes o guarda-chuva, impediu a barulheira e o apoio dos adeptos. Na verdade, por muito que chovesse, o calor do jogo emanava do corpo dos adeptos, não eram só os jogadores a suar dentro do campo. O jogo continuava, os minutos passavam, as oportunidades de golo eram poucas e tanto jogadores como adeptos começavam a desesperar. Os jogadores continuavam a lutar pela vitória, mas o cansaço era notável. Duas equipas que se mostraram as mais regulares durante toda a época, mostravam que sabiam que não podiam arriscar demasiado para não sofrerem dissabores, o que tornou o jogo desesperante para os adeptos que não percebiam a cautela que os jogadores revelavam ter que ter. Os adeptos, com o aproximar do final do encontro, já desesperavam por as duas equipas não marcarem um único golo, não lhes permitirem o festejo que tanto ansiavam. Já se discutia pelo simples prazer de discutir, já haviam trocas de piropos e insultos entre as duas bancadas sem razão. Questionavam-se sobre o desempenho dos jogadores, apontava-se constantemente o dedo à equipa de arbitragem. Uma simples falta já era motivo para irritação. De facto notava-se que os adeptos queriam ver o jogo resolvido rapidamente, não queriam mesmo os penalties, principalmente os adeptos que vieram de Valongo. “Não temos guarda-redes para os penalties. Se o resultado não for resolvido até ao final dos 90 minutos não temo grandes hipóteses. Mas vamos acreditar no Dida (guarda-redes do União Desportiva Valonguense), pode ser que hoje esteja num dia “sim””, dizia um adepto desanimado com o que se estava a suceder. No lado da bancada azul e branca, o desespero também tinha um lugar mas mais passivo que na da equipa adversária. “O nosso guarda-redes é meia equipa, tem sangue frio para defender penalties. Se formos a grandes penalidades ganhamos o jogo”, confirmava a confiança no guarda-redes um jovem adepto da equipa do Perafita. Chega o jogo ao fim após um remate ao poste da equipa União Desportiva Valonguense, que pôs neste último lance de jogo, toda a bancada de pé, que acreditava que a bola estaria encaminhada para as redes. Ficaram-se pelo amargo prazer de festejar um quase golo. Desempate por grande penalidade. Foi o estava prestes a suceder-se após os 90 minutos de jogo (com mais 4 de compensação). Enquanto dentro das quatro linhas, os jogadores aproveitavam aquela pequena pausa para respirar, para conversar um pouco sobre o jogo entre eles e com a equipa técnica, e para definir qual a ordem e quem batia as grandes penalidades; fora do relvado, os adeptos já com alguma energia renovada e preparada para ser gasta nas grandes penalidades, descolavam-se para trás da baliza escolhida por um dos capitães das equipas que estavam em confronto (a baliza encontrava-se do lado da entrada do estádio). Atrás da baliza os adeptos das duas equipas já se homogeneizavam, já não se reparava que de um lado estavam os adeptos do Valonguense e do outro do Perafita. Aí se percebia que queriam era todos ver e apoiar de perto as suas equipas, independentemente de estar ao lado de adeptos da sua equipa ou da equipa adversária. Muitos dos que se descolavam, mesmo antes de recomeçar o jogo, se encontravam de costas pois preferiam não ver as grandes penalidades. “É muita ansiedade para o coração. Prefiro não ver” dizia um adepto da equipa vermelha e branca. 19.06 horas começam as grande penalidades. Perafita marca na sua primeira oportunidade. UDV começou logo mal as grande penalidade falhando logo o primeiro. As emoções revelam-se logo dentro e fora do campo para os afectos ao Perafita. Na segunda oportunidade, ambas as equipas marcam, continuando o Perafita a vencer, por 2-1. 3-1 para o Perafita após marcar o terceiro penalty. Na terceira penalidade, o jogo começa a escurecer para a equipa do Valonguense com mais um penalty falhado. Este momento é marcado pela continuação do entusiasmo por parte da equipa azul e branca e o desagrados dos adeptos do Valonguense, sendo que alguns começaram a abandonar o estádio pois o pior se aproximava. Na quarta penalidade, o Perafita falha e a crença dos valonguenses renasce momentaneamente. Valonguense volta a marcar na quarta oportunidade. Caso o F.C.P marque, o jogo dá-se assim por terminado. Caso falhe, serão prosseguidas as grandes penalidade por morte súbita. Futebol Clube de Perafita Campeão. Ao marcar a quinta grande penalidade, o clube azul e branco nem precisou de esperar pelo último remate do jogador do Valonguense, já que nesta última oportunidade, o jogador de Perafita executou com eficácia o penalty. A festa vingou dentro das quatros linhas com os jogadores do Perafita, extasiados com a vitória, aos saltos, orgulhosos do seu trabalho e até com “canções” de campeões. Ao contrário do esperado, os adeptos não festejaram o título com grande entusiasmo, talvez porque o objetivo, que era a subida de divisão, já tinha sido conseguido, independentemente do resultado . Curiosa, foi a atitude dos adeptos valonguenses que em grande quantidade assistiram à recepção das medalhas de vice-campeões por parte dos seus jogadoress, com muitos aplausos. Menos de metade de adeptos azuis e brancos se encontravam no estádio na altura em que o seu clube ergue a taça. Na verdade, a festa do Futebol Clube de Perafita fez-se com os jogadores, a equipa técnica e a direção que festejaram em todas as instalações do estádio e que continuaram os festejos quando se deslocavam até à sua cidade. Prevaleceram à saída do estádio canções e buzinas. “O objetivo foi conseguido. Subimos de divisão. Estamos desagradados por não terminarmos a época com uma vitória mas na verdade, o objetivo proposto foi cumprido” declarou José Manuel Cunha, Treinador da União Desportiva Valonguense. Filipe Ferreira, jogador do Valonguense reforçou ainda as palavras do treinador “ Lutámos muito pela vitória, mas trabalhámos muito a época toda para conseguir ser campeões e subir de divisão. E conseguimos. Este jogo embora fosse para ganhar claro, servia apenas para cumprir calendário. Temos de levantar a cabeça”. Quanto aos adeptos, fora do estádio, deslocaram-se calmamente até às suas viaturas para voltarem às respectivas “terras”. Ambas as equipas mostraram-se assim as duas melhores desta época 2011/2012 da Primeira Divisão da Associação de Futebol do Porto, rumando as duas à Divisão de Honra da A.F. Porto.


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