Deus e maior



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Elaborado no século XVII pela famosa Assembléia de Westminster (Inglaterra), o Breve Catecismo forma, juntamente com o Catecismo Maior e a Confissão de Fé de Westminster, a tríade teológica dos símbolos de fé ou padrões doutrinários das igrejas reformadas e presbiterianas.

Segundo o Breve Catecismo, o que é um sacramento? De que maneira ele se torna eficaz para a salvação? Quantos e quais são os sacramentos do Novo Testamento? Para muitos evangélicos é provável que não haja dificuldade em responder essas perguntas. Mas para outros é possível existir uma vaga lembrança acerca do presente tema ou, até mesmo, desconhecimento total.

Os sacramentos não devem ser vistos como mera formalidade pública. Estudá-los (e principalmente vivenciá-los) é uma das tarefas mais gratificantes e enriquecedoras que possa existir. Portanto, o estudo dos sacramentos deve ser feito no intuito de crescermos na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (cf. 2Pe 3.18). Que o Espírito de Deus nos oriente nesse sentido.

Definição, importância e bênçãos dos sacramentos

Muitas definições poderiam ser dadas sobre um sacramento, mas nenhuma é tão direta e objetiva quanto a definição do Breve Catecismo: "Um sacramento é uma santa ordenança, instituída por Cristo, na qual, por sinais sensíveis, Cristo e as bênçãos do novo pacto são representados, selados e aplicados aos crentes" (Resposta 92). As referências bíblicas que sustentam a excelente definição do Breve Catecismo são: Mateus 26.26-28; 28.19; Romanos 4.11, dentre outras. A importância do sacramento está no fato de ser "uma santa ordenança, instituída por Cristo".

Indubitavelmente a Palavra de Deus é o mais importante meio de graça, porém, não podemos subestimar ou diminuir o valor de um sacramento, visto que foi o próprio Deus quem instituiu os dois (a Palavra e os sacramentos) como meios de graça.

Cristo é o conteúdo central tanto da Palavra quanto dos sacramentos. E do modo como recebemos a Cristo em nosso coração pela fé, assim devemos receber a Palavra e os sacramentos. E receber a Palavra de Deus e os sacramentos pela fé é, segundo Berkhof, "o único modo no qual o pecador pode chegar a ser participante da graça que nos é oferecida na Palavra e nos sacramentos". [1].

O sacramento, além de ser um privilégio do crente, é um meio de bênçãos espirituais. É por isso que a negligência voluntária dos sacramentos, por parte do crente, resulta em sérios prejuízos espirituais, conforme 1Coríntios 11.29,30.

De que maneira somos beneficiados pelos sacramentos? O Breve Catecismo nos ensina que "por sinais sensíveis, Cristo e as bênçãos do novo pacto são representados, selados e aplicados aos crentes". Segundo Agostinho (354-430), os elementos sensíveis dos sacramentos são "sinais visíveis de uma graça invisível", pois representam a purificação espiritual que é feita no sangue de Cristo, o sacrifício remidor (cf. At 22.16; 1Jo 1.7). Os sacramentos selam a nossa união e vivificação com Cristo. Aplicam as bênçãos da promessa de pertencermos ao Senhor e nos sustentam, alimentando-nos de Cristo.

A eficácia dos sacramentos

"Como os sacramentos se tornam meios eficazes para a salvação? Os sacramentos tornam-se meios eficazes para a salvação, não por alguma virtude que eles ou aqueles que os ministram tenham, mas somente pela bênção de Cristo e pela obra do seu Espírito naqueles que pela fé os recebem" (Pergunta e Resposta 91; cf. 1Pe 3.21; Rm 2.28,29; 1Co 12.13; 10.16,17).

Veja que antes de dizer em que consiste a eficácia dos sacramentos, o Breve Catecismo é cuidadoso ao nos informar sobre o que não torna os sacramentos eficazes. Em primeiro lugar, os elementos sensíveis ou visíveis dos sacramentos não têm, em si mesmos, virtude ou poder algum.

Sem dúvida a Assembléia de Westminster tinha católicos e luteranos em mente quando fez a afirmação acima. Porque ambos (católicos e luteranos) defendem, quanto ao batismo, a chamada "regeneração batismal", atribuindo poder regenerador à água do batismo. Quanto à ceia do Senhor, os primeiros falam de uma "transubstanciação", isto é, uma transformação do pão em carne de Cristo e do vinho em sangue de Cristo. Os luteranos, mais amenos, mas não menos equivocados, enfatizam uma "consubstanciação", isto é, ensinam que os elementos da ceia não se transformam em substâncias de carne e sangue, porém, Cristo está com e nos elementos da ceia, humanamente glorificado.

Em segundo lugar, a eficácia dos sacramentos também não está na virtude daqueles que os ministram (ex: os pastores). Para os católicos romanos, que consideram o batismo absolutamente essencial para a salvação, é cruel fazer a salvação de alguém depender da presença ou ausência acidental de um sacerdote; então, permitem em caso de emergência que outros batizem, particularmente as parteiras. Nós evangélicos consideramos válido um batismo quando é celebrado por um ministro devidamente credenciado. Mas a eficácia do batismo não está nele e não depende dele. Os sacramentos tornam-se meios eficazes para a salvação "somente pela benção de Cristo e pela obra do seu Espírito naqueles que pela fé os recebem" (Resposta 91). E assim os sacramentos fortalecem, confirmam e aumentam a nossa fé e dão testemunho de nossa religião perante os homens.

Os sacramentos do Novo Testamento

Quando se fala em sacramentos do Novo Testamento, subentende-se que há também os sacramentos do Antigo Testamento. Os sacramentos do Velho Testamento foram a páscoa e a circuncisão. "Os sacramentos do Novo Testamento são o Batismo e a Ceia do Senhor" (Resposta 93, cf. At 10.47,48; 1Co 11.23-26). A igreja romana aumentou, de maneira injustificada, o número dos sacramentos para sete. Além dos que foram instituídos por Cristo acrescentaram a confirmação, a penitência, as ordens, o matrimônio e a extrema-unção. As igrejas evangélicas não reconhecem os sacramentos de Roma, porque não existe ordem expressa do Senhor para a prática dos mesmos como sacramentos. Por exemplo: O crente pode casar-se, mas não recebeu uma ordem de Cristo, através do Evangelho, para se casar. E embora o matrimônio tenha sido instituído por Deus, não tem a finalidade de ser um meio de graça. O sacramento verdadeiro exige uma cerimônia externa, ordenada por Cristo para confirmação de alguma promessa.

Devemos entender que entre os sacramentos do Antigo e Novo Testamentos existe uma diferença de grau e não de essência. Os sacramentos do Antigo Testamento tiveram um caráter nacional, apesar de sua significação espiritual. Apontavam para frente, para Cristo, e eram selos de uma graça que ainda seria adquirida; enquanto que os sacramentos do Novo Testamento apontam para trás, para Cristo, e para Sua obra consumada. Os sacramentos do Novo Testamento transmitem aos crentes uma medida ainda mais rica de graça espiritual. [2].

Qual a aplicação prática dos sacramentos para a nossa vida? Coates interpreta bem o pensamento do Breve Catecismo quando diz: "Os sacramentos, quando administrados de conformidade com os princípios estabelecidos nas Escrituras, nos fazem relembrar continuamente a grande base de nossa salvação, a saber, Jesus Cristo em Sua morte e ressurreição, e nos fazem lembrar as obrigações que temos de andar de modo digno da chamada mediante a qual fomos chamados". [3].

NOTAS


[1] Louis Berkhof, Teología Sistemática. 7a ed. Mexico: La Antorcha , 1987, p. 736. [2] Quanto à unidade essencial dos sacramentos do Antigo e Novo Testamentos, veja o testemunho do apóstolo Paulo em Romanos 4.11; 1Coríntios 5.7; 10.1-4 e Colossenses 2.11. [3] R. J. Coates, Sacramentos. In: O Novo Dicionário da Bíblia. Vol. II. São Paulo: Vida Nova, 1986, p. 1435.

Os Sacramentos no Breve Catecismo de Westminster - II


(O Batismo)
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Elaborado no século XVII pela famosa Assembléia de Westminster (Inglaterra), o Breve Catecismo forma, juntamente com o Catecismo Maior e a Confissão de Fé de Westminster, a tríade teológica dos símbolos de fé ou padrões doutrinários das igrejas reformadas e presbiterianas.

O que é o batismo cristão e qual o modo correto de aplicá-lo? Que critérios são utilizados para se batizar adultos e crianças? De acordo com o Breve Catecismo, "Batismo é um sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo significa e sela a nossa união com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da graça, e a promessa de pertencermos ao Senhor" (Resposta 94; cf. Mt 28.19; Jo 3.5; Rm 6.1-11; Gl 3.27).

Quanto ao modo ou forma de batismo

A forma de batismo indicada pelo Breve Catecismo é "o lavar com água". O uso da preposição "com" ao invés de "em" significa que por "lavar" o Breve Catecismo não quer dizer "banhar-se" ou "imergir". Pelo contrário, a preposição "com" é utilizada propositalmente para reafirmar o batismo por aspersão ou efusão. O que significa dizer, em outras palavras, que "Não é necessário imergir o candidato na água, mas o batismo é corretamente administrado derramando ou aspergindo água sobre a pessoa".[1]. O entendimento da expressão "lavar com água" no Breve Catecismo fica ainda mais claro quando vemos o que a Bíblia diz sobre batismo.

Nas Escrituras o verbo grego baptízo (batizar) não é um verbo de movimento, por isso geralmente é usado com a preposição grega en (dativo instrumental), denotando meio ou método, podendo significar "com", "por" ou "em". Raras vezes é usado com a preposição eis, que indica movimento (1Co 10.2; Gl 3.27). Essa preposição significa "para dentro de", "para". Se o sentido original do termo fosse realmente "imergir", era de se esperar que a preposição usada fosse eis, a indicativa de movimento. Isso, porém, não é o que ocorre.

O verbo baptízo vem de bápto, cujo sentido predominante é "tingir". O sentido de "imergir" vem da implicação de se submergir ou envolver completamente no líquido para o tingimento. Daí vem também a idéia de "purificar", que é o resultado da ação de "lavar" ou "tingir". No seu uso clássico baptízo significa a) lavar um objeto por mergulhá-lo em água ou qualquer outro líquido, para qualquer fim; b) a submersão ou afundamento de algum objeto; c) a cobertura de um objeto pelo derramamento de qualquer líquido sobre ele - daí o uso metafórico de "estar oprimido" ou "coberto", "inundado (de problemas)"; d) molhar (ensopar) completamente um objeto, quer por imersão ou por aspersão. Pelo uso clássico, portanto, não se pode fixar o modo pelo qual o "batismo" é realizado, isto é, como é que o elemento batizante é aplicado ao objeto batizado.

Tudo o que é indicado é que o primeiro está intimamente em contato com o segundo, ou que o segundo está inteiramente no primeiro.

Na Septuaginta (LXX) o verbo baptízo ocorre apenas quatro vezes. Duas vezes nos canônicos (2 Rs 5.14; Is 21.4) e duas nos apócrifos (Judite 12.7; Eclesiástico 34.30). Nestes dois últimos usos o sentido é apenas o de "lavar", sem indicação de qualquer método. Em Números 19.19,20, porém, lemos que essa purificação ou "lavagem" não era feita por imersão, mas por aspersão primeiro, e depois, um banho (verbo lúo). A água purificadora era aspergida (cf. Ez 36.25). No grego da LXX, portanto, baptízo significa "submergir", "banhar", "estar tomado de". Nunca é usado no sentido de descrever o ato de alguém mergulhar um objeto ou uma pessoa em qualquer líquido.

No Novo Testamento a preposição eis mantém seu sentido próprio, indicando a finalidade pela qual uma coisa é feita. Assim, "ser batizado para Moisés" significa ser batizado com o propósito de tornar-se sujeito à lei de Moisés. Ser batizado para Cristo significa ser batizado com o propósito de se tornar um verdadeiro seguidor de Cristo.

Em suma, no uso grego clássico o verbo baptízo pode significar "imergir", "molhar", "estar possuído de". No uso bíblico significa geralmente "purificar" pela aplicação de água. O método de aspersão está ligado às purificações dos judeus, que eram feitas através da aspersão ou borrifamento de água (Is 52.13; Ez 36.25; Hb 9.10,13,14;). Também o modo como as influências do Espírito são descritas como "descendo" sobre as pessoas, está mais de acordo com o "derramamento" como modo de administração do batismo, uma vez que representa ou é sinal dessas influências.[2].

Quanto à fórmula e significado do batismo

O batismo deve ser feito "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Resposta 94; cf. Mt 28.19). Em Mateus 28.19 a preposição grega eis (na expressão eis to onoma = em nome), indica finalidade e pode ser interpretada como "em relação a", ou "na profissão de fé em alguém e na sincera obediência a alguém". A palavra onoma (nome) é usada no mesmo sentido do hebraico shem como indicativo de todas as qualidades por meio das quais Deus se dá a conhecer, e que constitui a soma total de tudo o que Ele é para quem o adora. A fórmula batismal indica que mediante o batismo (isto é, mediante tudo o que o batismo significa) aquele que o recebe encontra-se em uma relação especial com Deus.[3].

Quanto ao seu significado, o batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo (Mt 28.19; Mc 16.16) não só para admitir na igreja visível a pessoa batizada (1Co 12.13; Gl 3.27,28), mas também para que seja para ela um sinal e selo do pacto da graça (Rm 4.11; Cl 2.11,12), de sua união com Cristo (Rm 6.5; Gl 3.27), de sua regeneração (Tt 3.5), da remissão de seus pecados (Mc 1.4; At 2.38; 22.16) e de sua submissão a Deus por meio de Jesus Cristo para andar em novidade de vida (Rm 6.3,4).[4]. O batismo deve representar a morte completa como de uma pessoa que foi sepultada; mas, também, deve representar uma vida inteiramente nova, como de alguém que venha da ressurreição.

Convém salientar que tanto em Romanos 6.4 quanto em Colossenses 2.12, Paulo não trata de um batismo com água (como parece entender a maioria dos imersionistas), mas de um batismo espiritual representado desta maneira, isto é, representa, como já foi mencionado, o novo nascimento sob a figura de sermos sepultados (morrer para o pecado) e ressuscitados (viver para Cristo).

Quanto aos objetos do batismo

"A quem o batismo deve ser ministrado? O batismo não deve ser ministrado àqueles que estão fora da igreja visível, enquanto não professarem sua fé em Cristo e obediência a ele, mas os filhos daqueles que são membros da igreja visível devem ser batizados" (Pergunta e Resposta 95, cf. Gn 17.7-14; At 2.38,39; 18.8; 1Co 7.14).

Depois da extraordinária pregação evangelística de Pedro no dia de Pentecostes (At 2.14-36), Lucas relata a reação dos ouvintes assim: "Ouvindo eles estas cousas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?" (At 2.37). Pedro diz que o critério para serem recebidos como filhos de Deus deveria ser o arrependimento de pecados e o batismo como evidência externa do arrependimento. De acordo com o Breve Catecismo, ninguém pode ser batizado enquanto não professar sua fé em Cristo e obediência a Ele. O batismo exige a pública profissão de fé.

Mas se para alguém ser batizado é necessário primeiro professar a fé, então por que as igrejas presbiterianas batizam crianças? O Breve Catecismo responde parcialmente essa pergunta assim: "... os filhos daqueles que são membros da igreja visível devem ser batizados" (Resposta 95).

Talvez o primeiro passo para se compreender porque as crianças devem ser batizadas, é respondendo a pergunta: Por que os adultos são batizados? É porque são estranhos ao pacto da graça e somente o arrependimento de seus pecados e o selo do batismo introduzem-nos dentro do pacto. Os filhos de pais crentes já estão naturalmente dentro do pacto. O batismo é o sinal e selo externo desse pacto. O batismo é "um sinal da aliança (como a circuncisão, mas sem derramamento de sangue) e, portanto, um sinal da obra de Deus realizada a nosso favor, que antecede e possibilita nossa própria atuação correspondente".[5]. Por isso, "Enquanto houver oração no Espírito e uma disposição de pregar a palavra evangélica quando vier a oportunidade, as crianças pequenas podem ser incluídas dentro da esfera desta obra vivificante da qual o batismo deve ser o sinal e o selo".[6].

A base bíblica para o batismo de infantes está em Gênesis 17. Do mesmo modo como a circuncisão introduzia a criança no pacto, assim o faz o batismo. Não temos certeza se nas casas de Atos 16.15,33 e 1Co 1.16, por exemplo, havia crianças, mas se havia, então com certeza foram batizadas por causa da aliança de Deus. "Visto que o batismo tomou o lugar da circuncisão (Cl 2.11-13), as crianças devem ser batizadas como herdeiras do reino de Deus e de Seu pacto" (Form for the Baptism of Infants). Que os filhos de pais crentes, ou aqueles que têm um dos pais crentes, devem ser batizados sobre a base de suas relações de pacto, pode ser visto ainda em Atos 2.39 e 1Coríntios 7.14.

Portanto, façamos do batismo que recebemos verdadeira expressão de vida cristã para nós e nossos filhos.

NOTAS

[1] Confissão de Fé de Westminster (CFW), XXVIII,3.



[2] Cf. João Alves dos Santos, Comentários de Atos 1.1-8. São Paulo: Obra não publicada, 1981, p. 9-14; Charles Hodge, O Batismo Cristão: Imersão ou Aspersão?. 2a ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003, p. 7-34.

[3] Louis Berkhof, Teología Sistemática. 7a ed. Mexico: La Antorcha , 1987, p. 746-47; Charles Hodge, Teologia Sistemática. São Paulo: Editora Hagnos, 2001, p. 1419-20.

[4] Cf. CFW, XXVIII,1.

[5] G. W. Bromiley, Batismo Infantil. In: Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, vol. I. São Paulo: Vida Nova, 1988, p. 158.

[6] Idem, p. 159. V. t. Elias Dantas Filho, Filhos e Filhas da Promessa. Curitiba: Editora Descoberta, 1998, p. 125-140; Guillermo Hendriksen, El Pacto de Gracia. Grand Rapids: Subcomisión Literatura Cristiana, 1985, p. 55-63.

Os Sacramentos no Breve Catecismo de Westminster - III


(A Ceia do Senhor)
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Elaborado no século XVII pela famosa Assembléia de Westminster (Inglaterra), o Breve Catecismo forma, juntamente com o Catecismo Maior e a Confissão de Fé de Westminster, a tríade teológica dos símbolos de fé ou padrões doutrinários das igrejas reformadas e presbiterianas.


Antes de estudarmos a Ceia do Senhor no Breve Catecismo, propriamente dito, faremos um breve histórico acerca da presença de Cristo na Ceia. Esse pano de fundo nos ajudará a compreender, de certa forma, o que o Breve Catecismo diz sobre a Ceia do Senhor. Em espírito de oração, estudemos este assunto na certeza de sermos ensinados por Deus.

A presença de Cristo na Ceia

As palavras de Cristo "isto é o meu corpo, isto é o meu sangue" (Mt 26.26,28; Mc 14.22,24), foram o ponto de divergência entre os reformadores do século XVI quanto à interpretação da presença de Cristo na Ceia, embora eles fossem unânimes em rejeitar o conceito católico romano sobre este assunto.

• O conceito católico romano

Mediante a consagração do pão e do vinho pelo sacerdote, esses elementos transformam-se na substância da carne e sangue de Cristo, respectivamente.
Objeção: A expressão "isto é o meu corpo, isto é o meu sangue" não pode ser tomada literalmente. Visto que Jesus estava diante dos seus discípulos em carne e osso, Ele não podia dizer que eles estavam com o seu corpo e o seu sangue nas mãos, e que deviam comê-lo e bebê-lo, respectivamente, de forma literal. A expressão "isto é o meu corpo, isto é o meu sangue", deve ser interpretada como "representa", "simboliza". Além disso, "É contrário ao senso comum crer que o que parece, cheira e tem gosto de pão e vinho seja, de fato, carne e sangue".[1].

• O conceito luterano

Objeção: Este conceito não melhora muito a doutrina romana. Faz as palavras de Jesus significar "isto acompanha meu corpo", que é uma interpretação muito estranha.

• O conceito zwingliano

Zwínglio, reformador suíço, rejeitou os dois conceitos anteriores da presença física de Cristo na Ceia. Para ele a Ceia do Senhor é tão somente uma lembrança da morte de Cristo, um memorial. Esse conceito é adotado pelas igrejas batistas.

Objeção: A Ceia não está relacionada apenas à obra passada de Cristo, mas também à sua obra atual de Mediador.

O significado da Ceia do Senhor no conceito presbiteriano


"A Ceia do Senhor é o sacramento no qual, dando-se e recebendo-se pão e vinho, conforme a instituição de Cristo, se anuncia a Sua morte; e aqueles que participam dignamente tornam-se, não de uma maneira corporal e carnal, mas pela fé, participantes do seu corpo e do seu sangue, com todas as suas bênçãos para o seu alimento espiritual e crescimento em graça (Resposta 96; cf. 1Co 10.16; 11.23-26; Ef 3.17).

Os presbiterianos não negam o conceito da presença real de Cristo na Ceia. No entanto, entendem que a presença de Cristo não é em substâncias materiais, porém, presença espiritual, conforme afirmava o reformador francês João Calvino. A presença espiritual de Cristo na Ceia é tão real quanto a presença física do pão e do vinho. Pela fé o crente se alimenta do corpo de Cristo, tão real e verdadeiramente, como come do pão e bebe do cálice.

Quando falamos da "presença espiritual" de Cristo na Ceia, devemos entender que o corpo e o sangue de Cristo não estão espiritualmente presentes nos elementos da Ceia, mas sim, "espiritual e realmente presentes à fé dos crentes nessa ordenança, como estão os próprios elementos aos seus sentidos corporais".[2].

A Ceia é um momento de profunda comunhão com o Senhor (1Co 10.16) e um anúncio ao mundo da morte de Cristo, "até que ele venha" (1Co 11.26). A Ceia é uma dádiva de Deus a nós, ou como a expressou Leon Morris, "Na comunhão recebemos a Cristo. Não O apresentamos nem Seu sacrifício ao Pai. Apresentamos, e podemos apresentar, somente a nós mesmos".[3]. É assim que devemos entender a expressão "dando-se e recebendo-se pão e vinho" no Breve Catecismo.

Finalmente, aqueles que participam da Ceia do Senhor são abençoados com verdadeiro alimento espiritual e crescimento na graça.

Exigência para participar dignamente da Ceia do Senhor "Que se exige para participar dignamente da Ceia do Senhor? Exige-se daqueles que desejam participar dignamente da Ceia do Senhor que se examinem sobre o seu conhecimento em discernir o corpo do Senhor, sobre a sua fé para se alimentarem dele, sobre o seu arrependimento, amor e nova obediência, para não suceder que, vindo indignamente, comam e bebam para si a condenação" (Pergunta e Resposta 97; cf. Rm 6.17,18; 1Co 11.27,31,32).

A Ceia do Senhor é um ato de fé e discernimento, conforme o ensino do Breve Catecismo à luz da Bíblia. A razão pela qual um descrente ou uma criança não possa participar da Ceia do Senhor é porque aquele não tem fé em Cristo e esta não tem discernimento quanto ao corpo e o sangue do Senhor.

Para que o crente participe dignamente da Ceia do Senhor é necessário que ele observe o seguinte: 1) Tenha consciência do valor e importância da Ceia do Senhor (1Co 11.27,29).

Participar com dignidade e discernimento é receber com fé aquele ato solene; 2) Faça um auto-exame de sua pessoa e conduta perante Deus (1Co 11.28). "Antes de tomarmos parte em tal serviço, o mínimo que podemos fazer é um rigoroso auto-exame. Deixar de fazê-lo resultará em comungar 'indignamente' (v27)".[4]. Esse é o momento em que a hipocrisia não tem vez, visto que não se estará julgando os outros, mas cada um a si mesmo, sob os olhares atentos de Deus. É uma ocasião solene de "arrependimento, amor e nova obediência" (Resposta 97); 3) Evite a condenação divina (1Co 11.29-32). Que condenação é essa? Morris diz com muita propriedade: "Paulo não quer dizer que a pessoa que comunga erroneamente incorre na pena eterna, mas cai sob a medida de condenação apropriada a seu ato".[5].

"Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice" (1Co 11.28). Que a nossa participação na Ceia do Senhor promova a glória de Deus.

NOTAS

[1] Louis Berkhof, Manual de Doutrina Cristã. Campinas/Patrocínio: Luz Para o Caminho/Ceibel, 1985, p. 292.


[2] Confissão de Fé de Westminster, XXIX,7.
[3] Leon Morris, 1Coríntios: Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1992, p. 130.
[4] Idem, p. 131.
[5] Ibidem.

PARA UMA ALMA RELIGIOSA, CURIOSA E CONFUSA
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