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Elaborado no século XVII pela famosa Assembléia de Westminster (Inglaterra), o Breve Catecismo forma, juntamente com o Catecismo Maior e a Confissão de Fé de Westminster, a tríade teológica dos símbolos de fé ou padrões doutrinários das igrejas reformadas e presbiterianas.

Segundo o Breve Catecismo, o que é um sacramento? De que maneira ele se torna eficaz para a salvação? Quantos e quais são os sacramentos do Novo Testamento? Para muitos evangélicos é provável que não haja dificuldade em responder essas perguntas. Mas para outros é possível existir uma vaga lembrança acerca do presente tema ou, até mesmo, desconhecimento total.

Os sacramentos não devem ser vistos como mera formalidade pública. Estudá-los (e principalmente vivenciá-los) é uma das tarefas mais gratificantes e enriquecedoras que possa existir. Portanto, o estudo dos sacramentos deve ser feito no intuito de crescermos na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (cf. 2Pe 3.18). Que o Espírito de Deus nos oriente nesse sentido.

Definição, importância e bênçãos dos sacramentos

Muitas definições poderiam ser dadas sobre um sacramento, mas nenhuma é tão direta e objetiva quanto a definição do Breve Catecismo: "Um sacramento é uma santa ordenança, instituída por Cristo, na qual, por sinais sensíveis, Cristo e as bênçãos do novo pacto são representados, selados e aplicados aos crentes" (Resposta 92). As referências bíblicas que sustentam a excelente definição do Breve Catecismo são: Mateus 26.26-28; 28.19; Romanos 4.11, dentre outras. A importância do sacramento está no fato de ser "uma santa ordenança, instituída por Cristo".

Indubitavelmente a Palavra de Deus é o mais importante meio de graça, porém, não podemos subestimar ou diminuir o valor de um sacramento, visto que foi o próprio Deus quem instituiu os dois (a Palavra e os sacramentos) como meios de graça.

Cristo é o conteúdo central tanto da Palavra quanto dos sacramentos. E do modo como recebemos a Cristo em nosso coração pela fé, assim devemos receber a Palavra e os sacramentos. E receber a Palavra de Deus e os sacramentos pela fé é, segundo Berkhof, "o único modo no qual o pecador pode chegar a ser participante da graça que nos é oferecida na Palavra e nos sacramentos". [1].

O sacramento, além de ser um privilégio do crente, é um meio de bênçãos espirituais. É por isso que a negligência voluntária dos sacramentos, por parte do crente, resulta em sérios prejuízos espirituais, conforme 1Coríntios 11.29,30.

De que maneira somos beneficiados pelos sacramentos? O Breve Catecismo nos ensina que "por sinais sensíveis, Cristo e as bênçãos do novo pacto são representados, selados e aplicados aos crentes". Segundo Agostinho (354-430), os elementos sensíveis dos sacramentos são "sinais visíveis de uma graça invisível", pois representam a purificação espiritual que é feita no sangue de Cristo, o sacrifício remidor (cf. At 22.16; 1Jo 1.7). Os sacramentos selam a nossa união e vivificação com Cristo. Aplicam as bênçãos da promessa de pertencermos ao Senhor e nos sustentam, alimentando-nos de Cristo.

A eficácia dos sacramentos

"Como os sacramentos se tornam meios eficazes para a salvação? Os sacramentos tornam-se meios eficazes para a salvação, não por alguma virtude que eles ou aqueles que os ministram tenham, mas somente pela bênção de Cristo e pela obra do seu Espírito naqueles que pela fé os recebem" (Pergunta e Resposta 91; cf. 1Pe 3.21; Rm 2.28,29; 1Co 12.13; 10.16,17).

Veja que antes de dizer em que consiste a eficácia dos sacramentos, o Breve Catecismo é cuidadoso ao nos informar sobre o que não torna os sacramentos eficazes. Em primeiro lugar, os elementos sensíveis ou visíveis dos sacramentos não têm, em si mesmos, virtude ou poder algum.

Sem dúvida a Assembléia de Westminster tinha católicos e luteranos em mente quando fez a afirmação acima. Porque ambos (católicos e luteranos) defendem, quanto ao batismo, a chamada "regeneração batismal", atribuindo poder regenerador à água do batismo. Quanto à ceia do Senhor, os primeiros falam de uma "transubstanciação", isto é, uma transformação do pão em carne de Cristo e do vinho em sangue de Cristo. Os luteranos, mais amenos, mas não menos equivocados, enfatizam uma "consubstanciação", isto é, ensinam que os elementos da ceia não se transformam em substâncias de carne e sangue, porém, Cristo está com e nos elementos da ceia, humanamente glorificado.

Em segundo lugar, a eficácia dos sacramentos também não está na virtude daqueles que os ministram (ex: os pastores). Para os católicos romanos, que consideram o batismo absolutamente essencial para a salvação, é cruel fazer a salvação de alguém depender da presença ou ausência acidental de um sacerdote; então, permitem em caso de emergência que outros batizem, particularmente as parteiras. Nós evangélicos consideramos válido um batismo quando é celebrado por um ministro devidamente credenciado. Mas a eficácia do batismo não está nele e não depende dele. Os sacramentos tornam-se meios eficazes para a salvação "somente pela benção de Cristo e pela obra do seu Espírito naqueles que pela fé os recebem" (Resposta 91). E assim os sacramentos fortalecem, confirmam e aumentam a nossa fé e dão testemunho de nossa religião perante os homens.

Os sacramentos do Novo Testamento

Quando se fala em sacramentos do Novo Testamento, subentende-se que há também os sacramentos do Antigo Testamento. Os sacramentos do Velho Testamento foram a páscoa e a circuncisão. "Os sacramentos do Novo Testamento são o Batismo e a Ceia do Senhor" (Resposta 93, cf. At 10.47,48; 1Co 11.23-26). A igreja romana aumentou, de maneira injustificada, o número dos sacramentos para sete. Além dos que foram instituídos por Cristo acrescentaram a confirmação, a penitência, as ordens, o matrimônio e a extrema-unção. As igrejas evangélicas não reconhecem os sacramentos de Roma, porque não existe ordem expressa do Senhor para a prática dos mesmos como sacramentos. Por exemplo: O crente pode casar-se, mas não recebeu uma ordem de Cristo, através do Evangelho, para se casar. E embora o matrimônio tenha sido instituído por Deus, não tem a finalidade de ser um meio de graça. O sacramento verdadeiro exige uma cerimônia externa, ordenada por Cristo para confirmação de alguma promessa.

Devemos entender que entre os sacramentos do Antigo e Novo Testamentos existe uma diferença de grau e não de essência. Os sacramentos do Antigo Testamento tiveram um caráter nacional, apesar de sua significação espiritual. Apontavam para frente, para Cristo, e eram selos de uma graça que ainda seria adquirida; enquanto que os sacramentos do Novo Testamento apontam para trás, para Cristo, e para Sua obra consumada. Os sacramentos do Novo Testamento transmitem aos crentes uma medida ainda mais rica de graça espiritual. [2].

Qual a aplicação prática dos sacramentos para a nossa vida? Coates interpreta bem o pensamento do Breve Catecismo quando diz: "Os sacramentos, quando administrados de conformidade com os princípios estabelecidos nas Escrituras, nos fazem relembrar continuamente a grande base de nossa salvação, a saber, Jesus Cristo em Sua morte e ressurreição, e nos fazem lembrar as obrigações que temos de andar de modo digno da chamada mediante a qual fomos chamados". [3].
NOTAS
[1] Louis Berkhof, Teología Sistemática. 7a ed. Mexico: La Antorcha , 1987, p. 736. [2] Quanto à unidade essencial dos sacramentos do Antigo e Novo Testamentos, veja o testemunho do apóstolo Paulo em Romanos 4.11; 1Coríntios 5.7; 10.1-4 e Colossenses 2.11. [3] R. J. Coates, Sacramentos. In: O Novo Dicionário da Bíblia. Vol. II. São Paulo: Vida Nova, 1986, p. 1435.
SÁBADO OU DOMINGO: A OPÇÃO CRISTÃ
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Milhares de estudos já foram realizados sobre esse tema de certa forma polêmico. As opiniões se dividem: de um lado, os que defendem a sacralidade do sábado, exemplo dos Adventistas do Sétimo Dia; do outro, os demais cristãos, que consideram o domingo como o dia do Senhor, tendo como principal razão a ressurreição de Jesus, nesse dia. Vejamos quais os principais argumentos apresentados pelos dois grupos (sábado, do hebraico shabbath, dia de cessação do trabalho, de descanso). Em primeiro lugar vamos conhecer o que dizem os pró-sabáticos:

O sétimo dia foi abençoado e santificado por Deus e marcou o término de toda a Sua obra criadora (Gn 2.2-3).

O Quarto Mandamento declara que "o sétimo dia é sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho...pois em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, mas no sétimo dia descansou" (Êx 20.8-11).

Jesus não aboliu a Lei Moral, os Dez Mandamentos, escrita por Deus (Êx 31.18). A que foi cravada na cruz (Ef 2.15) foi a lei cerimonial composta de ordenanças e ritualismo, escrita por Moisés num livro (Dt 31.24-26; 2 Cr 35.12; Lc 2.22-23). Os mandamentos morais são irrevogáveis porque perpétuos. Os mandamentos cerimoniais, para observância de certos ritos, foram ab-rogados (holocaustos, incenso, circuncisão).

O fato de estarmos sob a graça não nos desobriga da observância da Lei de Deus. Não é correto dizermos que a graça existiu apenas a partir de Jesus: "... e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos" (2 Tm 1.9). Não existisse a graça no Antigo testamento, teriam sido salvos pelas obras Adão, Noé, Moisés, Abraão, Enoque, Isaías, Daniel e outros?

O novo mandamento dado por Jesus (Jo 13.34) não ocupa o lugar do Decálogo, mas provê os crentes com um exemplo do que é o amor altruísta. Jesus, na qualidade do grande EU SOU, proclamou Ele próprio a Lei Moral do Pai, no Monte Sinai (Jo 8.58). Ao jovem curioso, Ele disse: "Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos" (Mt 19.17).

Os que defendem a sacralização do primeiro dia da semana - o domingo - como um dia santo, de descanso, dedicado ao Senhor, apresentam os seguintes argumentos:

Com a Sua morte Jesus inaugurou uma Nova Aliança. Durante Sua vida terrena, Ele, judeu nascido sob a lei (Gl 4.4), foi circuncidado e apresentado ao Senhor (Lc 2.21-22)) cumpriu a Páscoa (Mt 26.18-19), e assim por diante. Todavia, a partir da cruz, a lei não mais tem domínio sobre nós.

A lei serviu para nos conduzir a Cristo: "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber ou por causa dos dias de festas, ou de lua nova, ou de sábados. Estas coisas são sombras das coisas futuras; a realidade, porém, encontra-se em Cristo" (Cl 2.16-17). "Mas, antes de chegar o tempo da fé, a Lei nos guardou como prisioneiros, até ser revelada a fé que devia vir. Portanto, a lei tomou conta de nós até que Cristo viesse para podermos ser aceitos por Deus por meio da fé. Agora chegou o tempo da fé, e não precisamos mais da Lei para tomar conta de nós" (Gl 3.23-25, Bíblia Linguagem de Hoje).

Diversas passagens bíblicas são citadas pelos defensores da adoração dominical, para reforçar sua tese de que vivemos sob uma Nova Aliança. A antiga Aliança cumpriu sua finalidade. Exemplo: "O mandamento anterior é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus" (Hb 7.18-19). E mais: "Pois se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, nunca se teria buscado lugar para a Segunda... ela não será segundo a aliança que fiz com seus pais no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porque não permaneceram naquela minha aliança, e eu para eles não atentei, diz o Senhor. Dizendo nova aliança, ele tomou antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido, perto está de desaparecer" (Hb 8.7-13).

Prestem atenção no seguinte: "Pois Ele [Cristo Jesus] é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um, e destruiu a parede de separação, a barreira de inimizade que estava no meio, desfazendo na sua carne a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem..." (Ef 2.14-15). Os pró-sabáticos vêem aí uma distinção entre as leis cerimoniais de Moisés, e os Dez Mandamentos. Estes não teriam sido revogados. Os anti-sabáticos, regra geral, não fazem diferença, mas consideram que os princípios morais dos Dez Mandamentos continuam sendo pertinentes aos crentes de hoje, porém em outro contexto. Dizem, ainda, que em diversas ocasiões "mandamentos cerimoniais" eram chamados de lei do Senhor. São exemplos: holocaustos dos sábados e das Festas da Lua Nova (2 Cr 31.3-4); Festa dos Tabernáculos (Nm 8.13-18); consagração do primogênito (Lc 2.23-24).

Não prevalece o argumento da perpetuidade da guarda do sábado ("Os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua" - Êxodo 31.16-17). Outras leis foram classificadas de "perpétuas" e nem por isso se perpetuaram, como exemplo: a páscoa (Êx 12.24), a queima de incenso (Êx 30.21), o sacerdócio Levítico (Êx 40.15), ofertas de paz (Lv 3.17), sacrifício anual de animais (Lv 16.29,31,34), e outros.

Os anti-sabáticos levantam ainda os seguintes argumentos a seu favor: a) os primeiros cristãos se reuniam e adoravam no domingo (At 20.7; 1 Co 16.1-2); b) Cristo ressuscitou no primeiro dia da semana (Mc 16.9); c) as aparições de Jesus pós-ressurreição ocorreram seis vezes no primeira dia da semana (Mt 28.1-8, Mc 16.9-11, 16.12-13, Lc 24.34, Mc 16.14, Jo 20.26-31); d) a visão apocalíptica de João se deu no dia do Senhor, assim considerado o primeiro dia da semana (Ap 1.10); o Espírito Santo desceu sobre a Igreja no domingo (At 2.1-4).

Nove dos Dez Mandamentos foram ratificados no Novo Testamento, mas a guarda do sábado foi excluída. Vejamos: 1) "Não terás outros deuses diante de mim"(Êx 20.3) = "Convertei-vos ao Deus vivo"(At 14.15); 2) "Não farás para ti imagem de escultura"(Êx 20.4) = "Filhinhos, guardai-vos dos ídolos"(1 Jo 5.21); 3) "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão"(Êx 20.7) = "Não jureis nem pelo Céu, nem pela terra"(Tg 5.12); 4) "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar"(Êx 20.8) = Sem ratificação no NT; 5) "Honra teu pai e a tua mãe"(Êx 20.12) = "Filhos, obedecei vossos pais"(Ef 6.1); 6) "Não matarás"(Êx 20.13) = "Não matarás"(Rm 13.9); 7) "Não adulterarás"(Êx 20.14) = "Não adulterarás"(Rm 13.9); 8) "Não furtarás"(Êx 20.15) = "Não furtarás"(Rm 13.9); 9) "Não dirás falso testemunho"(Êx 20.16) = "Não mintais uns aos outros"(Cl 3.9)); 10) "Não cobiçarás"(Êx 20.17) = "Não cobiçarás"(Rm 13.9). Diante disso, os anti-sabáticos afirmam que a Nova Aliança não indica um dia especial da semana para o descanso.

Há quem divide o Decálogo em duas partes: 1) Leis cerimoniais ou religiosas, as que tratam dos deveres dos homens para com Deus (não ter outros deuses; não fazer imagens, nem adorá-las; não blasfemar, e lembrar do sábado. 2) Leis morais ou sociais, as que tratam da relação dos homens entre si (honrar os pais; não matar; não adulterar; não furtar; não proferir falso testemunho, e não cobiçar os bens e mulher do próximo. A guarda do sábado, como cerimônia, fora anulada na cruz (Ef 2.14-15; Cl 2.14).

As leis do Antigo testamento, de um modo geral, foram feitas para os judeus, especialmente para eles. São exemplos: a) "Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados, porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações"(Êx 31.12-18); b) "O Senhor, nosso Deus, fez conosco concerto, em Horebe...com todos os que hoje aqui estamos vivos" (Dt 5.2-3).

CONCLUSÃO


Na sua Carta Apostólica DIES DOMINI, João Paulo II adota uma postura conciliadora. Ele não toma partido na discussão dos aspectos moral e cerimonial dos mandamentos; não alimenta a tese da revogação do sábado na cruz, e sintetiza: "Mais que uma substituição do sábado, portanto, o domingo é seu cumprimento, em certo sentido sua extensão e expressão completa no encomendado desenvolvimento da história da salvação, que alcança real culminância em Cristo".

Samuele Bacchiocchi, Ph.D., professor de História da Igreja e de Teologia, na Universidade Andrews, Estados Unidos, questionou a posição do papa, com o seguinte comentário: "Nenhuma das alocuções do Salvador ressurreto revela alguma intenção de instituir o domingo como o novo dia cristão de repouso e culto. Instituições bíblicas tais como sábado, batismo e ceia têm origem em um ato divino que as estabeleceu. Mas não existe ato semelhante para sancionar um domingo semanal como memorial da ressurreição".

O mandamento do sábado está associado à obra da criação, à saída do povo de Israel do Egito, e à necessidade de descanso do homem. Vejam: "Pois em seis dias fez o Senhor o céu e a terra...mas no sétimo dia descansou"(Êx 20.11); "Seis dias trabalharás...mas no sétimo dia não farás nenhuma obra"(Êx 20.9-10); "Lembra-te de que foste servo na terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou dali...e te ordenou que guardasses o dia de sábado"(Dt 5.15).

Sabemos que Deus manifestou sua vontade e promulgou suas leis de forma gradual, escrevendo-as na consciência (Rm 2.15), em tábuas de pedra (Ex 24.12), mediante Cristo, a Palavra vivente (Jo 1.14), nas Escrituras (Rm 15.4; 2 Tm 3.16-17), e em nós, como cartas vivas (2 Co 3.2-3). Tudo dentro do seu tempo e dentro do contexto do Seu superior plano de salvação. Era imperioso que a saída daquele povo do Egito e os grandiosos feitos de Deus fossem lembrados de geração em geração. De igual modo a instituição da páscoa serviu para idêntica recordação.

Em nenhum momento o Novo Testamento ordena o descanso sabático, apesar de ratificar os demais mandamentos. Aliás, não nomeia diretamente qualquer dia da semana para adoração e culto. Jesus em várias ocasiões passou por cima da lei sabática, curando enfermos e permitindo que seus discípulos colhessem espigas para comer, no dia santo (Lc 13.14; 14.1-6; Mt 12.1,10). Interrogado por isso, Ele disse: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem por causa do sábado" (Mc 2.27). Também disse: "Porque o Filho do homem até do sábado é Senhor'' (Mt 12.8).

Os primeiros cristãos adotaram o domingo para descanso, recolhimento espiritual e adoração a Deus, e chamaram-no de "o dia do Senhor" (At 20.7; 1 Co 16.1-2; Ap 1.10), clara referência ao dia em que o "Senhor do sábado" ressuscitou. Nada melhor do que seguirmos o exemplo dos apóstolos, guiados como foram pelo Espírito Santo.

Se judeus ainda não convertidos recolhem-se no sábado para recordarem a libertação do Egito, motivos bem maiores temos nós para nos recolhermos em Cristo, no dia de Sua vitória sobre a morte, para darmos graças pela remissão de nossos pecados e libertação de nossas almas do domínio do diabo.

Sopesados os prós e os contras, entendemos que o dia de descanso e culto pode recair no sábado ou no domingo, observado o princípio de trabalhar seis dias e descansar um. Não vemos pecado na consagração do sábado ou do domingo, desde que o dia escolhido não seja apenas um formalismo. Sábado ou domingo, sem propósito, não passam de mais um dia de lazer. Da mesma forma, jejum sem propósito é dieta. Julgamos que a opção pela escolha do dia ficou manifesta nas seguintes palavras de Paulo:



"Mas agora, conhecendo a Deus, ou antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos"

(Gl 4.9-10). "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber ou por causa dos dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados. Estas são sombras das coisas futuras; a realidade, porém, está em Cristo" (Colossenses 2.16-17).


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