Descritores: Eugenia, aborto eugênico, células tronco. Resumo



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EUGENIA: A OVELHA NEGRA DA CIÊNCIA
Camila Mondini1

Julia Cretella1


Leide da Conceição Sanches2
Descritores: Eugenia, aborto eugênico, células tronco.
Resumo: O artigo Eugenia tem por objetivo definir esse complexo termo e seus pressupostos, apresentar sua repercussão na história - ainda que de forma sucinta - e indagar se sua prática ainda esta presente na ciência dos dias de hoje. Como é um tema pouco discutido, é imprescindível sua exposição e explicação, pois a eugenia teve grande importância histórica, tendo um crescente interesse germânico na época do holocausto. Gerou muitos avanços científicos e junto com eles, muitas questões éticas são levantadas e debatidas até os dias de hoje. Atualmente, as práticas eugênicas são proibidas e se policiar de que elas não serão praticadas novamente é um dos principais deveres dos profissionais da área humana. Francis Galton (1.883), criou uma ideologia que visava o melhoramento da raça humana através da ciência, baseando-se nos pensamentos darwinistas da “Seleção Natural”. Titulou-o como eugenia que significa “bem nascido”. Embora a questão da eugenia tenha se consolidado em Galton, é preciso salientar que a discussão acerca do assunto já era acirrada na época. Através da matemática e biologia buscou-se desenvolver uma ciência seleta sobre a hereditariedade humana que pudesse identificar os melhores. Galton buscou explicações científicas para a sua tese na teoria da pangênese, aceita naquela época, encontrando uma base sólida para explicar a sua hipótese de que as características dos progenitores eram transmitidas à prole. A teoria da pangênese darwiniana especificava que havia existência de uma unidade fisiológica responsável pela transmissão das características dos progenitores à prole: as gêmulas. As gêmulas eram definidas como partículas das partes do corpo que eram inseridas nas células germinativas e assim passadas para os descendentes. Dessa forma, Galton pode aplicar tratamento estatístico nas suas análises, estabelecendo correlações entre as características de diversas gerações de indivíduos. Darwin ao apresentar o seu livro “A origem das espécies”, definiu como sobreviventes os mais bem adaptados e os mais bem “equipados” biologicamente. Com base nas teorias de Darwin, surgiu o Darwinismo Social, resultado da aplicação da teoria de Darwin a outras áreas do conhecimento, com o intuito de estabelecer padrões científico-socias no desenvolvimento da sociedade. Junto com o darwinismo social, os pressupostos eugênicos eram o racismo e o etnocentrismo, apresentando o anglo-saxão como superior a todos os outros. Nos EUA e Alemanha as conferências e palestras realizadas por Galton tiveram maior repercussão e foram colocadas em prática nos princípios da “nova ciência”. Os EUA implementou o mais bem sucedido e organizado plano de eugenização da história, que segue ativo até os dias de hoje. No inicio do século XX eram feitas palestras e discursos com fundo eugenista sobre a hereditariedade, nos quais eram apresentados programas de controle de casamento, para aumentar o número das pessoas “superiores”, e eliminação daqueles considerados “inferiores”. Muitas ideias eugênicas alemãs tiveram seu início antes mesmo do nazismo, contudo foi no Holocausto que ela atingiu seu ápice com o ditador Adolf Hitler no comando. Para promover a superioridade ariana, Hitler colocou em prática a eugenia positiva, incentivando casamentos entre alemães considerados adaptados. Em 1933 assumiu como Chanceler e anuncia a Lei de Esterilização Eugênica. Com a ascensão de Hitler ao poder, a ideologia nazista passou a influenciar também a ciência do país, que se dedicou a inventar teorias supostamente biológicas para o racismo e o anti-semitismo. A eugenia no Brasil se deu de forma mais sutil. Contudo, com os mesmos pressupostos da Alemanha, sendo defendidas as ideias de superioridade de uma raça, as desvantagens das misturas raciais e uma ação política para melhoramento da raça brasileira. Predominantemente no século XX, os pressupostos eugênicos serviram de explicação para a situação do Brasil, considerado atrasado e forneceram uma solução para esta situação. Neste artigo, foram abordados os temas células-tronco e aborto eugênico para analisar se estes praticam os ideais eugênicos. No caso das células-tronco, o fato de não haver terapia gênica, pois não se está mexendo no DNA da célula, não há interferência no destino da célula. A lei diz que não se podem manipular geneticamente as células-tronco embrionárias, pois não é permitido mudar o gene de uma célula-tronco embrionária, por exemplo, com objetivos de eugenia, por ser completamente proibido. O que se pode é trabalhar com essas células em laboratório na diferenciação de uma linhagem. Já no caso do aborto eugênico, o próprio nome já retrata uma prática eugênica, que significa o aborto cometido no caso de um feto ter apresentado alguma forma de anomalia. A ideologia que tem por trás do aborto eugênico continua a ser a de que o “não-doente” vale mais do que o “doente”, e isto é sem dúvida uma forma de eugenia. O legítimo sonho do bebê perfeito se torna eugenia quando justifica o descarte do “bebê” imperfeito. No Brasil, o governo pretende legalizar o aborto de fetos anencefálicos, pois esta gestação gera muito sofrimento tanto pra mãe quanto para o bebê, pois este sofre inúmeras convulsões durante a gravidez. Concluímos que a eugenia está muito presente na história da humanidade e pode ser vista nos dias atuais, pois o ser humano está sempre em busca de formas para melhor a vida das pessoas e de criar critérios para classificá-las. Com isso os ideais eugênicos sempre são indagados quando uma prática científica pode ter ligações com esse ideal proibido.
Referências

DEL CONT, Valdeir. Francis Galton: eugenia e hereditariedade. Sci. stud.[online]. vol.6, n.2, p. 201-218.2008.



DIWAN, Pietra. Eugenia, a biologia como farsa. Disponível em: http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/eugenia_a_biologia_como_farsa.html. Acesso em 25.set.2011.

MATTOS FÁY, Juliana.Aborto eugênico: uma questão a se refletir. Disponível em: http://www.uj.com.br/publicacoes/doutrinas/default.asp?action=doutrina&coddou=1180. Acesso em 18.out.2011.


PRANKE, Patrícia. Células-tronco: o artificial que é benéfico. Disponível em:http://www.adital.com.br/SITE/noticia_imp.asp?lang=PT&img=N&cod=47493. Acesso em 17.out.2011.
SOUZA MACIEL, Maria Eunice. Eugenia no Brasil. Porto Alegre, n.11, 121-143, jun. 1999.

1 Acadêmicas do 2º período de Biomedicina .da disciplina de Momento Integrador II das Faculdades Pequenos Príncipe. Curitiba Paraná 2011. cami_mondini@hotmail.com, juliacretella@hotmail.com.

2 Orientadora, Mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná, Professora de Sociologia, Antropologia e Momento Integrador das Faculdades Pequeno Príncipe, Curitiba/PR., 2011, leidesanches@hotmail.com



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