Das origens ao Barroco na Dança – Século V ao XVIII aula 1 – a origem da dança cênica ocidental



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A dança no Império Romano

Por volta do século II a.C., na Itália, as celebrações dionisíacas de fertilidade e de fecundação transformaram-se nas festas orgiásticas de Baco, chamadas inicialmente de bacanálias e, mais tarde, de bacanais. Esses cultos coletivos se disseminaram e, no ano 186 a.C., foram proibidos pelo Senado romano sob a alegação de obscenidade.



O cristianismo, ao tornar-se a religião oficial do Império Romano, condenou a dança por suas características sensuais. Assim, de um meio de se comunicar com os








deuses e celebrar a vida nas culturas antigas, passou a representar o pecado em um




mundo que valorizava a espiritualidade em detrimento do corpo. Por isso houve a




necessidade de minimizá-la e até mesmo de apagá-la do imaginário popular.




Entretanto, mesmo censurada, continuou presente nas vilas, praças, e espaços não controlados, sendo executada em festas, comemorações e rituais. O meio encontrado pela Igreja para lidar com essa realidade foi promover alterações na forma e no conteúdo de várias danças, adequando-as aos novos preceitos religiosos.

A sensualidade latente, e até mesmo explícita, transformou-se em performances solenes, nas quais os movimentos realizados expressavam o decoro em respeito à fé cristã. Houve, portanto, uma apropriação dessas práticas, que passaram a representar os valores de uma sociedade em que a devoção espiritual era um dos pontos centrais.

A dança na Idade Média

A queda de Roma, em meados do século V d.C., significou o início de uma nova etapa da história ocidental. Devastada por batalhas e pelas invasões de povos vindos do norte, como os germânicos, os visigodos, os saxões e os hunos, a Europa encontrava-se sem um poder central que organizasse suas relações sociais, políticas e comerciais.










Então, a Igreja Católica e os senhores feudais passaram a assumir esse papel, buscando




estabelecer a ordem no mundo europeu.




Conforme já apontado, é na Idade Média que encontramos a origem da dança




cênica ocidental. É necessário, porém, esclarecer que esse processo se deu lentamente,




em uma série de transformações que ocorreram ao longo do tempo.




O antigo pensamento cristão entendia o corpo como “lugar do pecado”, isto é,




como um obstáculo para a salvação da alma, pois era percebido como a principal causa




da perdição do homem. O corpo deveria ser um veículo para expressão da fé, nada mais,




já que era fonte da perversidade. A alma, por sua vez, foi eleita como o elemento e o meio




para se atingir o sagrado. Nesse sentido, demonstrações opostas a esse pensamento




foram coibidas, dentre elas a dança, pois foi relacionada pela Igreja ao prazer e




identificada com a sexualidade.












A Igreja, no entanto, tolerava esse tipo de manifestação, já que a dança estava




presente em várias comemorações populares. Como as tentativas de proibição




mostraram-se insatisfatórias, a estratégia adotada foi adequar a dança aos rituais e




serviços eclesiásticos e aos cânones católicos.




Além dessa adaptação, criou-se um calendário dos chamados “dias santos”




baseado nas datas das festividades pagãs. Nesses dias era permitido dançar, usar




incensos e velas, demonstrando uma atitude, ao mesmo tempo, de aceitação, desde que




realizada de acordo com os preceitos ditados pela Igreja, e de condenação, se isso não




ocorresse.





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