Da Madre Mariana de Jesus Torres mística confidente de Nossa Senhora do Bom Sucesso



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Vida admirável da Rev.da Madre Mariana de Jesus Torres

mística confidente de Nossa Senhora do Bom Sucesso

Escrita pelo Rev.do Padre Manuel Sousa Pereira da Ordem Seráfica dos Menores



do Convento Máximo de S. Francisco de Assis de Quito, Equador

Tomo II
Quarta aparição de Nossa Senhora do bom sucesso à Madre Mariana de Jesus Torres (20 de janeiro de 1610)
Uma grande crise durará até pouco mais da metade do século XX
"Porque te faço saber que, do término do século XIX até um pouco mais da metade do século XX, na hoje colônia e então República do Equador, extravasarão as paixões e haverá uma total corrupção de costumes por reinar quase Satanás nas seitas maçônicas, a qual visará principalmente a infância, a fim de manter com isto a corrupção geral.

Ai dos meninos deste tempo! Dificilmente receberão o sacramento do batismo, nem o da confirmação. O sacramento da confissão, só enquanto permanecerem nas escolas católicas, que o Diabo porá todo empenho em destruir, valendo-se de pessoas autorizadas. O mesmo sucederá com a sagrada Comunhão.

Mas, ai! Quanto sinto ao te manifestar que haverá muitos e enormes sacrilégios, públicos e também ocultos, de profanações à sagrada Eucaristia! Muitas vezes, nessa época, os inimigos de Jesus Cristo, instigados pelo demônio, roubarão nas cidades as hóstias consagradas, com o único fim de profanar as eucarísticas espécies! Meu Filho santíssimo se verá jogado ao chão e pisoteado por pés imundos.

"Mas neste mosteiro conservar-se-ão almas fiéis, esposas amantes e fervorosas que o desagravarão com amorosa ternura, sofrendo por vê-lo assim odiado por seus ingratos irmãos, os pecadores, cujos corações parecerão não ser mais humanos. Por eles rezarão e farão grandes penitências de todos os modos, outras carregarão também a pesada cruz das enfermidades com as quais Deus lavra suas almas, e com isso desagravarão tantos crimes e sacrilégios cometidos no mundo. Até isto o astuto demônio procurará impedir, pondo na imaginação de minhas sofridas filhas ideias desesperadoras com o intuito de fazê-las perder o mérito.

“Mas nesses tempos já te conhecerão a ti, e conhecerão os favores que te tenho dispensado. — quanto amo aos felizes moradores deste recinto sagrado! — e junto com este conhecimento virá também o amor e culto à minha sagrada imagem, que te ordeno hoje terminantemente: manda fazê-la tal qual me vês e coloca-a sobre a sede abacial, para que dali eu governe e dirija minhas filhas e sustente este meu mosteiro, pois satanás, valendo-se dos bons e dos maus, empreenderá dura batalha para destruí-lo.

"E o mais pungente nesse combate dar-se-á em razão de algumas religiosas incautas, que sob aparência de virtude e zelo mal intencionado, corroerão a existência de sua mãe, a religião, que as aconchegou em seu seio. Assumirão elas sobre si grandíssimas responsabilidades, as quais, só por compaixão divina, o fogo do purgatório poderá purificar.

“Tremam todas estas quando disso souberem! E caindo em si, esforcem-se por reformar a sua comunidade, reformando-se a si mesmas, tendo antes de tudo uma heroica caridade, guardando, com cuidado e amor, dentro do coração, as fraquezas que descobrirem em suas irmãs. Sem esta divina caridade não pode jamais existir virtude alguma, nem caridade, nem profunda humildade, as quais são os únicos fundamentos sólidos da perfeição religiosa. Faltando isto, não haverá senão simulacro de virtude, deixando à vista a putrefação das almas.

"Por este tempo o sacramento da extrema-unção, posto que faltará nesta pobre Pátria o espírito cristão, será pouco considerado. Muitas pessoas morrerão sem recebê-lo — seja por descuido das famílias, seja por um mal entendido afeto para com seus enfermos, outros também por irem contra o espírito da Igreja católica, impelidos pelo maldito demônio —, privando as almas de inumeráveis graças, consolos e força, para darem o grande salto do tempo à eternidade. Contudo, algumas pessoas morrerão sem recebê-lo por justos e secretos castigos de Deus.

"Quanto ao sacramento do matrimônio, que simboliza a união de Cristo com a Igreja, será atacado e profanado em toda a extensão da palavra. O maçonismo, que então reinará imporá leis iníquas com o objetivo de extinguir esse sacramento, facilitando a todos o viverem mal, propagando-se a geração de filhos malnascidos, sem a bênção da Igreja. Irá decaindo rapidamente o espírito cristão, apagar-se-á a luz preciosa da fé até chegar a uma quase total e geral corrupção de costumes. Acrescidos ainda os efeitos da educação laica, isto será motivo para escassearem as vocações sacerdotais e religiosas. O sagrado sacramento da ordem sacerdotal será ridicularizado, oprimido e desprezado, porque neste sacramento se oprime e conspurca a Igreja de Deus, e a Deus mesmo, representado em seus sacerdotes. O demônio procurará perseguir os ministros do Senhor de todos os modos, e trabalhará com cruel e sutil astúcia para desviá-los do espírito de sua vocação, corrompendo a muitos deles. Estes, que assim escandalizarão o povo cristão, farão recair sobre todos os sacerdotes o ódio dos maus cristãos e dos inimigos da Igreja católica apostólica romana. Com este aparente triunfo de Satanás, atrairão sofrimentos enormes aos bons pastores da Igreja, e à excelente maioria de bons sacerdotes e ao Pastor supremo e Vigário de Cristo na terra, que, prisioneiro no Vaticano, derramará secretas e amargas lágrimas na presença de seu Deus e Senhor, pedindo luz, santidade e perfeição para todo o clero do universo, do qual é rei e pai.

"Ademais, nesses infelizes tempos haverá um luxo desenfreado que, por ser laço de pecado para os demais, conquistará inúmeras almas frívolas e as perderá. Quase não se encontrará inocência nas crianças, nem pudor nas mulheres, e, nessa suprema necessidade da Igreja, calar-se-á aquele a quem competia a tempo falar".



Capítulo XIV
Começa a aparição de Nossa Senhora do bom sucesso a 2 de fevereiro de 1634
Transcorria o ano de 1634. Madre Mariana rezava com redobrado fervor de alma, no dia 2 de fevereiro, às três horas da manhã no coro superior do convento e dizia, com os olhos fixos no sacrário, a seu amor sacramentado:

"Jesus, meu divino amor, minha alma desfalece de amor por vós, único senhor de meu coração; compadecei-vos de mim e levai-me a vós, porque o meu desterro se prolonga demasiadamente. Os meus anelos são de ver-vos, possuir-vos e engolfar-me nesse amor tão próprio dos bem-aventurados. Oh! Quando chegará o momento em que, deixando a vida mortal voarei célere para região da feliz eternidade?

"Reconheço-me indigna do céu e mais ainda de possuir-vos, meu dulcíssimo bem, porque, ingrata a vossos benefícios e delicadezas, não sou o que deveria ser. Mas, prostrada no pó, adoro-vos como a meu Deus, como a meu juiz supremo. Apoderam-se de mim o temor e o tremor, mas como a meu pai e esposo amo-vos; o este amor sai vitorioso, na confiança dos vossos merecimentos e de que serei purificada com vosso preciosíssimo sangue, pelas mãos da Imperatriz do céu, Maria santíssima, minha Mãe, a quem peço o bom sucesso no transe de minha morte e na sentença definitiva da qual depende minha feliz eternidade.

"Ao concluir meu desterro da vida mortal, entrego-vos, amor meu, esta casa e convento, com todas suas moradoras, não só as atuais, mas também as que haverão de vir, porque amo minhas religiosas dos séculos futuros com o mesmo amor com que amo as de hoje. São minhas filhas, minhas queridas filhas, irmãs e sucessoras. Amo, sobretudo, aquelas que, em todos os tempos se vejam em sofrimento, prostradas e perseguidas pelos de casa como por estranhos.

"Eu sei o que é sofrer na vida do claustro. Por isso, muita ternura se apodera de meu coração para que todas, fiéis a vós e a sua divina vocação sofram, e com os sofrimentos sustentem a comunidade e a fé nos desditosos períodos que virão. Como débeis criaturas, sentirão as forças desfalecerem, mas o poder de vosso braço e o amor de vosso divino coração sejam o seu consolo e amparo nas horas de amarga tribulação. Amor meu! Que nunca faltem santas ocultas neste meu amado convento, para o qual vos peço conservação e vida!"
A lamparina que se apaga
Pronunciadas estas palavras, viu a lamparina que ardia diante de Jesus sacramentado, apagar-se, ficando o altar-mor inteiramente às escuras. Madre Mariana quis levantar-se, deixando a oração, para acender uma vela que substituísse a lamparina. Mas não pôde: estava completamente sem sentidos.
Nossa Senhora aparece e explica os significados do fato de a lamparina ter-se apagado.
Nesta situação ela viu uma luz celeste alumiar toda a igreja. E apareceu a Rainha dos céus que, acendendo a lamparina, pôs-se diante dela, dizendo:

"Filha querida do meu coração, sou Maria do Bom Sucesso, tua Mãe e Protetora que, trazendo meu Filho santíssimo no braço esquerdo e o báculo no direito, venho dar-te a alegre notícia de que dentro de dez meses e alguns dias cerrarás por fim teus olhos à luz material deste mundo para abri-los à claridade da luz eterna.

“Meu Filho santíssimo ouviu teus clamores e vai, enfim, pôr termo ao teu desterro. Prepara tua alma para que, purificada mais e mais, entre na plenitude do gozo de teu Senhor.

"Oh, se todos os mortais, e em particular as almas religiosas, o céu conhecessem, o que é a posse de Deus! Como viveriam de outro modo e jamais poupariam qualquer sacrifício para possuí-lo. Mal gravíssimo que tanto dano causa aos conventos: a tibieza.

"Entretanto, a uns cega o falso brilho das honras e das grandezas humanas e a outros o amor próprio não domado, origem da tibieza, mal gravíssimo que tantos danos causa nos claustros religiosos. Tu, ao despedir-te de tuas filhas, inculca-lhes o fervor, a humildade, o desprezo de si mesmo e a prática incessante das virtudes religiosas associadas a essa simplicidade infantil que torna as almas muito amadas por meu Filho santíssimo e por mim, que delas sou a Mãe.

"Em todas as épocas esta minha casa será combatida com furor infernal e procurarão destruí-la e aniquilá-la. Mas eu e a Providência divina velaremos por sua conservação, com a cooperação das virtudes praticadas pelas moradoras desta casa, porque, ai! Se isto faltasse.

"Faço-te saber também, minha dileta, que meu amor maternal velará sobre os conventos de toda a Ordem de minha Imaculada Conceição, porque esta ordem me dará muita glória nas santas filhas que terei. Cuidarei, essencialmente, dos conventos fundados nestas terras pelas filhas desta casa. Muitas vezes eles estarão a ponto de extinguir-se, mas por milagre subsistirão. Um só perecerá por altos desígnios de Deus, que saberás quando estiveres no céu.
Primeiro significado: a propagação de heresias nos séculos XIX e XX
"A lamparina que arde diante do altar e que viste apagar-se, possui muitos significados".

"O primeiro é que no fim do século XIX, avançando por grande parte do século XX, várias heresias se propagarão nestas terras, então, República livre. E com o domínio delas, apagar-se-á nas almas a luz preciosa da fé, pela quase total corrupção dos costumes. Nesse período haverá grandes calamidades físicas e morais, públicas e privadas.

"O pequeno número de almas que conservará oculto o tesouro da fé e das virtudes sofrerá um cruel, indizível e prolongado martírio. Muitas delas descerão ao túmulo pela violência do sofrimento e serão contadas como mártires que se sacrificaram pela Igreja e pela Pátria.

"Para a libertação da escravidão destas heresias, aqueles a quem o amor misericordioso de meu Filho santíssimo destinará para esta restauração, necessitarão de grande força de vontade, constância, valor e muita confiança em Deus. Para por à prova esta fé e confiança dos justos, haverá ocasiões em que tudo parecerá perdido e paralisado. Será, então, o feliz princípio da restauração completa".


Segundo significado: catástrofe espiritual no Convento da Imaculada Conceição
"O segundo motivo é que esta minha comunidade, estando com reduzido número de pessoas, será submergida no mar insondável de indizíveis amarguras e parecerá afogar-se nestas diversas águas de tribulações.

"Quantas vocações autênticas perecerão, por falta de discrição, tino e prudência das mestras de noviças em formá-las! Elas que deveriam ser almas de oração e conhecedoras das diversas vias espirituais. Mas, ai daquelas almas que voltarem à Babilônia do mundo depois de haverem estado no porto seguro deste bendito mosteiro!

“Nessa desditosa época, até neste meu jardim fechado, entrará a injustiça, que revestida com o nome de falsa caridade, fará estragos nas almas. O invejoso demônio procurará semear a discórdia, lançando mão de membros podres, os quais, recobertos com a roupagem aparente das virtudes, não passarão de sepulcros caiados, donde emanará a pestilência da putrefação, causando numas a morte moral, noutras a tibieza e languidez. E em minhas filhas fiéis, em minhas almas ocultas, cravarão uma espada de dois gumes, que lhes farão sofrer um contínuo e lento martírio. Elas chorarão em segredo e se queixarão a seu Deus e Senhor e as lágrimas assim vertidas serão apresentadas por seus anjos da guarda a nosso Pai celeste, pedindo que se abreviem tempos tão funestos por amor ao divino Prisioneiro.
Terceiro significado: a sensualidade que varrerá o mundo
“O terceiro motivo pelo qual se apagou a lamparina é porque nesses tempos estará a atmosfera saturada do espírito de impureza, que a maneira de um mar imundo correrá pelas ruas, praças e logradouros públicos com uma liberdade assombrosa.

"Quase não haverá almas virgens no mundo. A delicada flor da virgindade, tímida e ameaçada de completa destruição, luzirá longe. Refugiando-se nos claustros, encontrará terreno adequado para crescer, desenvolver-se e viver sendo seu aroma o encanto de meu filho santíssimo e o para-raios da ira divina. Sem a virgindade seria preciso, para purificar estas terras, que chovesse fogo do céu.

"O invejoso e pestífero demônio intentará, em sua maliciosa soberba, introduzir-se nestes jardins fechados dos claustros religiosos para fazer murchar esta formosa e delicada flor. Mas eu o enfrentarei e esmagarei sua cabeça sob meus pés.

"Mas, ai dor! Haverá almas incautas que, voluntariamente, se entregarão às suas garras. E outras, voltando para o mundo, serão instrumentos do Diabo para perder as almas".


Quarto significado: a corrupção da inocência infantil.
"O quarto motivo da lamparina ter-se apagado é que a seita, havendo-se apoderado de todas as classes sociais, possuirá tanta sutileza para introduzir-se nos ambientes domésticos que perderá as crianças e o demônio se gloriará de alimentar com o requintado manjar dos corações dos meninos.

"Nesses tempos infaustos mal se encontrará a inocência infantil. Desta forma perder-se-ão as vocações para o sacerdócio, e será uma verdadeira calamidade.

"Restarão as comunidades religiosas para sustentar a Igreja e trabalhar com valoroso, desinteressado empenho na salvação das almas. Porque nesse período a observância da regra resplandecerá nas comunidades, haverá santos ministros do altar, almas ocultas e belas, nas quais meu Filho santíssimo e eu nos deleitaremos, considerando as excelentes flores e frutos da santidade heroica. Contra eles a impiedade fará dura guerra, cumulando-os de vitupérios, calúnias e vexações, para impedir-lhes o cumprimento do ministério. Mas eles, como firmíssimas colunas, permanecerão inabaláveis e enfrentarão a tudo com esse espírito de humildade e sacrifício com que serão revestidos, em virtude dos méritos infinitos de meu filho santíssimo, que os ama como as fibras mais delicadas de seu santíssimo e terníssimo coração.
A crise no clero
"No clero secular haverá, nessa época, muito que desejar, porque os sacerdotes se descuidarão do seu sagrado dever. Perdendo a bússola divina, desviar-se-ão do caminho traçado por Deus para o ministério sacerdotal e apegar-se-ão ao dinheiro, em cuja obtenção porão demasiado empenho.

"E como esta Igreja padecerá nessa ocasião a noite escura da falta de um prelado e pai, que vele com amor paterno, com suavidade, fortaleza, tino e prudência, muitos sacerdotes perderão seu espírito, pondo em grande perigo suas almas.

"Em sua mão será posta a balança do santuário".

"Ora com instância, clama sem cansar-te e chora com lágrimas amargas no segredo de teu coração, pedindo a nosso Pai celeste que, por amor ao coração eucarístico de meu santíssimo Filho, pelo preciosíssimo sangue vertido com tanta generosidade e pelas profundas amarguras e dores de sua acerba paixão e morte, ele se compadeça de seus ministros e ponha termo quanto antes a tempos tão nefastos, enviando a esta Igreja o prelado que deverá restaurar o espírito de seus sacerdotes.

“A esse filho meu muito querido, amamos meu Filho santíssimo e eu com amor de predileção, pois o dotaremos de uma capacidade rara, de humildade de coração, de docilidade às divinas inspirações, de fortaleza para defender os direitos da Igreja e de um coração terno e compassivo, para que, qual outro Cristo, assista o grande e o pequeno, sem desprezar ao mais desafortunado que lhe peça luz e conselho em suas dúvidas e amarguras. E para que, com suavidade divina, guie as almas consagradas ao serviço de Deus nos claustros, sem tornar-lhes pesado o jugo do Senhor, que disse: "Meu jugo é suave e meu peso é leve".

"Em sua mão será posta a balança do santuário para que tudo se faça com peso e medida e Deus seja glorificado.

"Para evitar que venha logo este prelado e pai, concorrerá a tibieza de todas as almas consagradas a Deus, no estado sacerdotal e religioso. Esta, aliás, será a causa de o maldito Satanás apoderar-se destas terras, onde ele tudo obterá por meio de gente estrangeira e sem fé, tão numerosa que, como uma nuvem negra, toldará o límpido céu da então República consagrada ao sacratíssimo Coração de meu divino Filho.

"Com essa gente entrarão todos os vícios, que atrairão, por sua vez, toda sorte de castigos, como a peste, a fome, disputas internas e com outras nações e a apostasia, causa da perdição de um considerável número de almas, almas tão caras a Jesus Cristo e a mim.

"Para dissipar esta nuvem negra, que impede a Igreja de gozar o claro dia da liberdade, haverá uma guerra formidável e espantosa, na qual correrá sangue de nacionais e de estrangeiros, de sacerdotes seculares e regulares e também de religiosas. Esta noite será horrorosíssima, porque, humanamente, o mal parecerá triunfante.

"Será chegada, então, a minha hora em que eu, de forma maravilhosa, destronarei o soberbo e maldito Satanás, calcando-o debaixo dos meus pés e acorrentando-o no abismo infernal. Assim a Igreja e a Pátria estarão, por fim, livres de sua cruel tirania".


Quinto e último significado: a indiferença dos ricos diante da Igreja opressa e da virtude perseguida e a apatia do povo
"O quinto motivo porque se apagou a lamparina deve-se a esse desleixo, a essa negligência das pessoas detentoras de grandes riquezas, as quais assistirão com indiferença à Igreja oprimida, à virtude perseguida, a maldade triunfante, sem empregar santamente as riquezas na destruição do mal e na restauração da fé. E deve-se também a essa indiferença do povo em deixar apagar-se, gradualmente, o nome de Deus, aderindo ao espírito do mal, entregando-se, livremente, aos vícios e paixões.

"Ai, minha dileta! Se te fosse dado viver nessa tenebrosa era, morrerias de dor ao ver realizado tudo o que aqui te revelei. Tal é o amor de meu Filho santíssimo e meu a estas terras, herança nossa, que queremos desde já a aplicação de teus sacrifícios e orações para encurtar a duração de catástrofe tão terrível".



Madre Mariana é encontrada sem sentidos após esta admirável visão, em que a rainha do céu mostrou à sua filha predileta o que a pobre pátria devia sofrer, passaram diante dos seus olhos, a maneira de uma representação muda, todos os males narrados por Nossa Senhora. Teve conhecimento do número sem conta de almas que se condenariam pelas razões mencionadas. E seu coração, tão amoroso de Deus e da obra criada por suas mãos, ficou gravemente afetado. Permaneceu como morta ali no coro, e não se deu conta da hora de começar o Ofício Parvo.


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