Custo de Vida e Salários para as Regiões Metropolitanas Brasileiras



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Custo de Vida e Salários para as Regiões Metropolitanas Brasileiras
Maria Cristina Galvão1

Alexandre Nunes de Almeida 2

Humberto F. S. Spolador 3

Carlos R. Azzoni 4


Resumo: Este artigo tem como objetivo analisar a relação entre o custo de vida e a renda do trabalho de onze regiões metropolitanas brasileiras, tendo como base o modelo de Winters (2009) e a hipótese de full-compensation, na qual aumentos nos custos de vida causariam aumentos de mesma magnitude nos salários dos trabalhadores. Para isso, foram utilizadas estimativas recentes de custo de vida para regiões metropolitanas calculadas por Almeida e Azzoni (2013). Devido à endogeneidade presente entre salários e custos, que são simultaneamente determinados no mercado, utilizou-se o método dos momentos generalizados (GMM) e mínimos quadrados em dois estágios (2SLS), com o intuito de obterem-se estimativas consistentes e eficientes. Os resultados encontrados indicam que a hipótese de completa compensação (full-compensation) não é satisfeita para nenhum dos custos considerados. Os custos que mais impactam nos salários, são os custos de saúde, habitação e transporte, nessa ordem respectivamente. Para as variáveis de custo educação e alimentação não são possíveis estabelecer relações conclusivas, uma vez que suas estimativas não foram significativas. Portanto, os trabalhadores ao migrarem para regiões mais caras do país, enfrentam maiores custos de vida e ao não possuírem uma completa compensação, no caso para os custos de saúde, habitação e transporte na forma de salários mais altos, podem obter diminuição na qualidade de vida e menores níveis de bem-estar.
Palavras-chave: Custo de vida, salários, regiões metropolitanas, GMM, 2SLS.
Abstract: This article aims to analyze the relationship between the cost of living and labor income of eleven Brazilian metropolitan regions, based on the model of Winters (2009) and in the assumption of full-compensation, which increases in living costs cause increases of the same magnitude in wages. For this, recent estimates of cost of living were used to metropolitan areas calculated by Almeida and Azzoni (2013). Due the endogeneity between wages and costs, which are simultaneously determined in the market, was used the method of generalized moment (GMM) and least squares in two stages (2SLS), in order to obtain consistent and efficient estimates. The results indicate that the hypothesis of full compensation is not satisfied for any of the costs considered. The costs that impact most on wages, are health care costs, housing and transportation, in that order respectively. For cost variables education and food are not possible to establish conclusive links, since their estimates are not significant. So workers to migrate to more expensive regions of the country face greater living costs and do not have full compensation in the case for health care costs, housing and transport in the form of higher wages, can get decrease in quality life and lower welfare levels.
Keywords: Cost of living, wages, metropolitan regions, GMM, 2SLS.

JEL code: R20, J30

Área 10 - Economia Regional e Urbana

Custo de Vida e Salários para as Regiões Metropolitanas Brasileiras

1. Motivação
Na última década, o país obteve um crescimento econômico moderado que colaborou de modo significativo para mudanças econômicas estruturais em termos de emprego, crescimento populacional e renda. Após o sucesso das reformas implementadas para combater o alto processo inflacionário, a combinação de crescimento econômico e controle sustentado da inflação permitiram as famílias a capacidade de ajustar seus orçamentos domésticos no longo prazo, a fim de melhorar seu bem-estar. Em acréscimo a isso, a consolidação das políticas de proteção social, como programas de transferência de renda (Bolsa Família, Benefícios de Prestação Continuada, etc.) favoreceu a redução significativa da pobreza e alterações da cesta de consumo de bens e serviços das famílias, bem como os preços relativos. Vale ressaltar que a abertura da economia nos anos 90, também permitiu as famílias acesso a novas variedades de produtos, enriquecendo assim os bens disponíveis para a composição da cesta de consumo. Adicionalmente, o aumento de produtividade fez com que houvesse crescimento substancial da oferta agrícola, ocasionando mudanças nos preços relativos, especialmente dos alimentos (Azzoni et al., 2009).

A literatura econômica mostra que os diferentes salários entre as regiões correspondem a um modo de compensação de salários, especialmente em regiões mais populosas. A existência dessa compensação é devido aos altos custos de deslocamento, poluição e outros fatores que afetam negativamente a qualidade de vida local, afetando assim a produtividade da força de trabalho. Ou seja, os salários não diferem apenas por habilidades e gostos diferentes, mas também por causa das amenidades, condições fiscais e os preços de bens e serviços que diferem entre as cidades (DuMond et al., 1999). Dessa forma, se uma cidade tem altos preços para bens e serviços fornecendo um dado nível de utilidade, trabalhadores vão exigir maiores salários para trabalhar ali. Similarmente, se a cidade possui um bom ambiente, ou seja, boas amenidades, então os trabalhadores serão capazes de aceitar salários menores para residir nesta cidade (Winters, 2009). Ou seja, altos salários poderiam compensar os trabalhadores por amenidades negativas tais como crime, congestionamento e poluição.

No trabalho desenvolvido por Azzoni (2001), o autor encontrou sinais de convergência absoluta entre as regiões brasileiras no período de 1939 a 1995. Mas, apontou que há ciclos de convergência e divergência durante os anos analisados, sendo que este fenômeno pode ser explicado pelo fato de que períodos de expansão econômica favorecem maior crescimento das regiões mais desenvolvidas, enquanto que em períodos de recessão, essas mesmas regiões são afetadas diretamente, impactando negativamente as regiões mais pobres. Entretanto, Menezes et al. (2012) com a utilização de microdados organizados por coortes de idades, concluiu que a desigualdade de renda regional brasileira possui diferentes dinâmicas entre as regiões, e a convergência da renda é observada apenas para as gerações mais velhas e que a maior participação da renda dos jovens produziu uma convergência desacelerada no país (Menezes et al, 2012). Mas, ao desconsiderar qualquer tipo de pensão ou transferência de renda do governo, não se nota convergência também para as gerações mais velhas.

Ao analisar a evolução do PIB per capita para as regiões brasileiras no período de 1985 a 2010, percebe-se que houve significativo aumento para a região centro-oeste. Já as regiões norte e nordeste quase não apresentaram grandes alterações no PIB per capita. As regiões sul e sudeste, tiveram trajetórias semelhantes, seguindo a mesma tendência. A figura 1 mostra o comportamento desta evolução para todas as regiões brasileiras a preços constante de 2000.







Figura 1. PIB per capita – R$ (mil) de 2000

Fonte: IPEADATA.


Desta forma, apesar do crescimento econômico brasileiro, ainda há grande disparidade de renda e nível de bem-estar, bem como o nível de custos de vida entre as regiões brasileiras, como apontado por Almeida e Azzoni (2013). Os autores identificaram os pesos de 41 itens nos respectivos orçamentos das famílias representativas em cada cidade, a partir dos dados da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) para os anos de 1996, 2003 e 2009 para 11 regiões metropolitanas. Esses pesos são mostrados na figura 2. Tem-se que habitação e alimentação são grupos que mais pesam nos orçamentos familiares, representando conjuntamente mais que 50% do total de gastos. Nota-se também que a parcela destinada para gastos com habitação elevou-se em quase todas as regiões consideradas, sendo que em contrapartida a parcela despendida com alimentação, segundo maior gasto, reduziu-se no período da pesquisa.

Já as despesas com transporte corresponde ao terceiro maior gasto dentro do orçamento familiar para quase todas as localidades, sendo que possuiu aumento de participação no orçamento entre os anos de 2003 e 2009. As despesas com vestuário e saúde e despesas pessoais compõe o terceiro e quarto lugares, trocando de posições entre si, no quadro geral. Por fim, o grupo de despesas com educação ocupa o último lugar, variando entre 3% e 8% do orçamento doméstico mensal.












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