Curso: licenciatura em história



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Encontro05.01.2017
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Aluna: GRAZIELE RODRIGUES TINELI

Curso: LICENCIATURA EM HISTÓRIA

Período: 4º

Filme: Os Miseráveis - Direção: Tom Hooper

Produção: Tim Bevan, Eric Fellner, Debra Hayward e Cameron Mackintosh

Distribuição: Universal Studios

Local/Ano: Reino Unido, 2012

Indioma original: Inglês

Gênero: Musical/Drama/Romance

Música: Claude-Michel Schönberg

Duração: 158 minutos. Color.

Prêmios: Oscar de: melhor maquiagem, melhor atriz coadjuvante, melhor mixagem de som.

Os contrastes resultantes da Revolução Francesa

You will be forever slave...” (você vai ser para sempre escravo), eram assim considerados os prisioneiros na França do século XIX. Talvez não só na França, talvez em qualquer lugar do mundo, principalmente na Europa, já que o pessoal dos “direitos humanos” ainda não fazia parte da rotina administrativa das penitenciárias daquela época. Esse trecho é retirado da primeira cena do filme Os Miseráveis, uma adaptação das quase duas mil páginas da obra de Victor Hugo (1802-1885), um francês que conheceu de perto toda a inspiração para seu livro.



A trama do musical se passa em dois momentos específicos da história francesa: a Batalha de Waterloo, em 1815, que representou o fim do sonho imperialista de Napoleão Bonaparte, e os motins de junho de 1832, em Paris, quando estudantes republicanos tentaram, em vão, derrubar o regime do rei Luís Filipe I. Tem como personagem principal Jean Valjean, um homem em prisão condicional condenado severamente a dezenove anos de prisão e trabalhos



forçados na penitenciária de Toulon, por ter roubado um pão. Crimes leves e crimes hediondos não tinham distinção naquela época, “crime é crime” assim pensavam. Após sair em liberdade condicional, Jean Valjean passa a viver na rua até encontra um abrigo na casa de um bispo, porem o medo de voltar para a penitenciária e a pobreza o fez a tomar decisões surpreendentes ao longo do filme, uma delas é a de roubar a prataria do bispo que lhe deu abrigo. Após fugir Valjean é pego pelos policiais e entregue ao bispo que confirma ter lhe dado os talheres e outros objetos de prata, deixando o fugitivo impressionado com a sua generosidade.

Depois disso, Jean Valjean começa uma vida nova, com uma identidade falsa, e vira prefeito de uma cidade e dono de uma indústria de confecção. Porém ele é surpreendido por Javert, um velho policial conhecido deste que era prisioneiro e que estava à procura dele, porém não o reconheceu de imediato. Assim que começa a desconfiar que o prefeito seja um fugitivo, Javert começa a investiga-lo. Paralelo a isso, Fantine, uma mulher bonita e que é mãe solteira, trabalha na indústria de Valjean, porém ao descobrir o encarregado geral da fábrica a demite sem o dono saber. Ser mãe solteira era um perigo para as demais funcionárias, poderia servir de mal exemplo as demais além de poder trazer algum problema para a “empresa”.

Fantine em busca de conseguir algum dinheiro para mandar para a filha e que estava doente, é obrigada a passar por humilhações, onde naquela época mulheres vendiam seus cabelos, se prostituiam e até vendiam seus dentes para obter algum lucro. Levando uma vida miserável, a moça fica doente. Ao ser atacada por um homem, Valjean intervém e a ajuda levando-a ao médico, se sente culpado, porém o caso dela era grave, e acaba morrendo. Sua filha Cosete, que estava aos cuidados de um casal de pilantras passa a ser criada por Valjean, que está nessa hora fugindo com parte de sua fortuna de Javert, após ele ter a certeza que ele era um prisioneiro que havia inferido a condicional. A pequena e seu novo responsável se estabelecem em Paris, e conseguem desviar o policial.

Passam-se anos, Cosete já crescida se apaixona “à primeira vista” por Marius, um estudante burguês revolucionário que participa de um grupo de manifestantes que lutam pelo reestabelecimento da Republica, contra a atual monarquia. “There was a day when we kill a king, but this new king is no different” (Houve um dia em que nós matamos um rei, porém



este novo rei não é diferente), diz o pequeno Gavroche, lembrando a Revolução Francesa em que o rei Luís XVI foi decapitado. Mas as condições da França pós-revolução não mudaram muito, isso é bem nítido nas cenas em que mostram a total miséria da maior parte da população, um povo sujo, com fome e tendo que se humilhar para ganhar algum dinheiro.

O sossego Valjean não durou muito, e logo se encontrou novamente com Javert. Os ânimos na França estão exaltados, e os jovens começam a fazer barricadas pelas ruas, o policial tenta se infiltrar entre os revolucionários, porém é descoberto. Seu ex-prisoneiro tem a chance de mata-lo, mas não faz, deixando-o ir embora. Após a população se omitir a ajudar, os jovens são massacrados, e boa parte deles morrem, menos Marius que é retirado ferido do local por Valjean. Os dois fogem, e se deparam mais uma vez com Javert, que após conversarem deixam escapar. O policial reflete o quanto tempo ele passou sem inferir as leis, selando pela ordem, e num surto de culpa ou em busca da paz, ele se joga em um rio. Valjean que já estava velho conta toda sua história para Cosete, após esta ter se casado com Marius, e morre( se encontra com Fantine). Uma enorme barricada está erguida, e todos catam “Let the wine of friendship never dry"(Que o vinho da amizade nunca seque), o povo não deixou de ter esperança por dias melhores.

O filme retrata bem as condições precárias da França, a miséria social e a pobreza de espírito de uma época, expõe uma sociedade ainda com o pensamento medieval. O contraste é muito grande entre a burguesia e a população mais pobre. Apesar de o filme terminar sem o sucesso dos revolucionários, nos mostra que sem sacrifícios, sem guerra, sem morte, sem sangue, não há revoluções nas civilizações. E no caso da França, a luta continuou, não está retratado no filme, mas quando eclodiu a revolução de 1848, que destronou Luís Filipe I, instaurou-se uma república bonapartista na França, mais tarde transformada em novo império, com Napoleão III. Todos esses processos são exemplos de luta, insatisfação popular e ideologia. Faz-nos pensar como uma época sem tecnologia sofisticada, as pessoas acreditavam que eram capazes, buscavam seus ideais, e mesmo que não os conseguissem não desistiam e quando alcançavam mudavam o mundo. Por isso são chamadas de Revoluções, e hoje se tem uma certeza, que ninguém mais as fazem “como antigamente”, literalmente, e isso será que é bom ou ruim?


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