Curso de tecnologia da fotografia black faces



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CENTRO UNIVERSITÁRIO FACVEST – UNIFACVEST

CURSO DE TECNOLOGIA DA FOTOGRAFIA


BLACK FACES:

O negro na fotografia

DANIELA PADILHA RODRIGUES

LAGES, 2016/2


BLACK FACES: O NEGRO NA FOTOGRAFIA

DANIELA PADILHA RODRIGUES


NOTA: ____________________________________

OBSERVAÇÕES: ____________________________________________________

___________________________________________________________________

AVALIADOR: _______________________________________________________

ASSINATURA: _____________________________­_________________________

LAGES, 2016/2


BLACK FACES: O NEGRO NA FOTOGRAFIA

Daniela Padilha Rodrigues1


Resumo:
A partir da leitura das imagens da obra Black Faces da fotógrafa Marta Azevedo, com base na pesquisa bibliográfica sobre conceitos de Roland Barthes em sua obra O óbvio e o obtuso, identificamos as simbologias dos retratos analisados e sua ligação com a identidade do negro, sendo ela cultural, religiosa, histórica e contemporânea.
Palavras-chaves: Retratos. Negro. Identidade. Black faces.
ABSTRACT:
From now with the Reading of the images of the Black Faces work‘s, of the photographer Marta Azevedo, with base in the bibliography about concepts of Roland Barthes in his work. The obvious and the obtuse, we can identify the symbologies found in the portraits analyzed. The black identity reproduced through the photography, be cultural, religious, historical and contemporary.
Key-words: Portraits. Black. Identity. Black Faces.

Introdução
Alternando luz e sombra revelam-se muitas faces, retratos de negros brasileiros e norte-americanos registrados ao longo de 10 anos pela fotógrafa Martha Azevedo, que deram origem ao seu livro Black Faces, e nele uma etnia se destaca. Em cada retrato é contada uma história: o negro e sua origem, fé e o negro na atualidade.

A partir de um olhar barthesiano, será apresentada a leitura de alguns desses retratos, e a análise das poses e suas expressividades, apresentadas na obra da fotógrafa.

Martha Azevedo nasceu no Rio de Janeiro e cresceu no subúrbio carioca, cercada pela cultura negra: jongo, umbanda e samba. E por isso queria retratar a beleza da cultura negra tão presente na sua vida, através da fotografia.

Deu início ao projeto em 2003, usando luz natural, poses tradicionais e em cor. Em 2004 mudou-se para os Estados Unidos e recomeçou o projeto, também decidiu mudar completamente o seu estilo. Passou a usar elementos ligados a cultura negra/africana, como palha, argila e miçangas. E incluiu no seu projeto o negro americano e o africano residente na América.

A expressão facial foi sua prioridade durante o projeto, além da escolha pelo preto e branco, luz e sombra, brilho e contrastes.

De acordo com Silveira (2005, p. 171):

A fotografia em preto-e-branco é vista de uma maneira especial por supostamente não ter as cores do mundo visível real. Quando uma fotografia em preto-e-branco é observada, as texturas e formas dos objetos são mais facilmente percebidas, tornando-se “chaves” perceptivas para a memória da sua cor.
Ou seja, uso do preto e branco foi escolhido com a intenção de dar mais dramaticidade às expressões de cada face, olhar e revelando a história que cada negro carrega dentro de si: sua essência. (AZEVEDO, 2012, s.p.).
Black Faces
Na origem, seu ponto de partida, sua procedência, seu começo. Através do retrato a fotógrafa faz um resgate histórico da origem do negro. Segundo Serres (1845 apud MAROCCO, 2009, s.p.), “a grande utilidade do retrato prometia ao estudo das raças humanas.”. Através do retrato são registradas características singulares da raça negra, sua identidade cultural e histórica. Existem diversas teorias sobre a origem do negro, sendo elas religiosas, antropológicas, sociológicas e biológicas.

Segundo a etimologia negros2, negroides ou povo negro são termos usados em sistemas de classificação racial para os seres humanos com fenótipos de pele escura, em relação a outros grupos raciais. Desse modo, um dos primeiros sentidos da palavra “negro” era “escravo”.




Figura 01: por Martha Azevedo.3
Para analisar uma imagem é necessário buscar sua interpretação o que Barthes (1995) denominou de óbvio, em contraposição a leitura “cultural” efetuada a partir da compreensão dos códigos impressos ou sobre o primeiro, isto é, aquilo que o próprio autor denominou de obtuso.

Na imagem acima a fotógrafa escolheu a melhor forma de reproduzi-la para passar a mensagem que remete a origem do negro. Nesse caso é a escravidão, pois na imagem um homem negro aparece com suas mãos acorrentadas, isso remete-nos aos maus tratos sofridos durante a escravidão. Conforme Luna (1976, p. 95): “O negro ao contrário do que se costuma dizer nunca se submeteu pacificamente a escravidão.”.

Dessa forma a expressão facial do negro na imagem demonstra desespero, clamor e revolta. Com os olhos fechados e sua boca a aberta interpretamos essa expressão como um pedido de socorro.

Sua pele escura, mãos alongadas, lábios grossos e dentes brancos são algumas das características que constituem o estereótipo do negro, seus braços fortes que segundo Luna (1976, p.74): “Eram estes fortes braços feitos ao trabalho.”. Possuindo esta fotografia o sentido conotativo-denotativo.




Figura 02: por Martha Azevedo.4
A palavra fé (fides) significa em termos cristãos “confiança” e “fidelidade”. Para a fotógrafa é na fé que o negro traz consigo sua esperança e na fé expressa sua maior força. Seja através da linguagem conotativo e denotativo, ou ainda, nos signos de representação.

Para representar a fé do negro a fotógrafa teve como inspiração os orixás, nas quais ela retrata a força de uma crença rica em preceitos e simbologias que cultuam a natureza e os orixás. Segundo Gaardan, Hellern e Notaker (2000, s.p.): “Os orixás vieram da África com os escravos. A cada orixá cabe reger e controlar as forças da natureza assim como certos aspectos da vida humana”.

Sendo assim, cada orixá é simbolizado por um santo. No caso da imagem o orixá é representado pela imagem do São Jorge, considerado o deus da caça e da fauna. A palha que cobre o rosto e o corpo do negro representa que aquele orixá ao qual segura em suas mãos é o “senhor” da sua cabeça, mente e corpo. Os búzios representam que para que saiba a qual orixá se pertence deve jogar os búzios , e isso é feito somente pelos babalorixá (pai-de-santo) ou pela iolorixá (mãe–de–santo).

Para Gaardan, Hellern e Notaker (2000, s.p.): “Por meio de uma riquíssima narrativa mítica, a religião dos orixás, modelam e legitimam o comportamento dos fiéis.” Assim eles passam a assumir para si a personalidade do orixá ao qual representam.





Figura: 03: por Martha Azevedo.5
O negro de hoje demonstra um olhar muito atento, que através de câmeras e lentes, uma nova abordagem apresenta, a imagem de alguém conquistou sua liberdade e ainda luta para garantir os direitos igualitários. Reconhecendo essas mudanças, conquistas e lutas, a fotógrafa retrata um negro da contemporaneidade e seu rosto iluminou o black.

Através da análise da sua pose, olhar, posição de suas mãos e braços, o negro lutador demonstra empoderamento. A pose vai definir a partir de atitudes estereotipadas que constituem elementos de significação. Na imagem o estereótipo do negro atual assume características da modernidade, com tatuagens pelo corpo, um lutador em pose de luta que passa a mensagem que ainda luta pela conquista de seu espaço na sociedade.

Dada à complexidade da linguagem humana, seus signos e respectivas significações, Roland Barthes, além de definir a semiótica como sendo a ciência que se ocupa do estudo de qualquer sistema de signo, considerando suas substâncias e/ou limites. Também refuta Saussure (apud BARTHES, 2006, p. 13) quando diz que: “A Lingüística não é uma parte, mesmo privilegiada, da ciência dos signos: a Semiologia é que é uma parte da Lingüística; mais precisamente, a parte que se encarregaria das grandes unidades significantes do discurso”. Através das tatuagens a imagem passa uma leitura da personalidade, gostos, uma mensagem é passada através de palavras e símbolos tatuados em sua pele.
Considerações Finais
As imagens aqui apresentadas representam a identidade do negro, reproduzida através da fotografia, retratos que revelam as marcas de um povo, uma raça, a construção de estereótipos para representar o negro e sua história. A fotógrafa Marta Azevedo aprofundou técnicas fotográficas, tais como: luz e sombra, contrastes, a dramaticidade do preto e branco, uso de palha, adereços, tatuagens, enquadramentos. A expressão corporal e facial foram as prioridades da fotógrafa, possibilitando ao ler as imagens, identificar as emoções retratadas em suas faces e em seus corpos que iluminam o black.

Os gestos, poses, olhares e suas expressões, revelaram sentimentos e emoções. Contaram histórias através dos retratos, percepções de identidade em cada expressão facial traduzindo clamor, raiva, zelo, devoção, raízes com sua origem, sua história de luta, de sofrimento e hoje de empoderamento.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



ALBUQUERQUE, Wlamyra R. de.; FRAGA FILHO, Walter. Uma história do Negro no Brasil. Brasília: Fundação Cultural dos Palmares, 2006.
AZEVEDO, Marta. Black Faces. 1ª ed. Rio de Janeiro: KBMK, 2012.
BAPTISTA, Iria C. Q.; ABREU, Karen C. Fotografia na imprensa: a mensagem visual publicizada. Disponível em:
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