Curso de bacharelado em teologia



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SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA DO CEARÁ - STBC

CURSO DE BACHARELADO EM TEOLOGIA

MAX ROSBERG XIMENES FEIJÃO

A PREGAÇÃO EXPOSITIVA COMO UM INSTRUMENTO DE CRESCIMENTO SAUDÁVEL PARA AS IGREJAS BATISTAS DO CEARÁ.

Fortaleza

2016

Max Rosberg Ximenes Feijão

A PREGAÇÃO EXPOSITIVA COMO UM INSTRUMENTO DE CRESCIMENTO SAUDÁVEL PARA AS IGREJAS BATISTAS DO CEARÁ.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel, pelo curso de Bacharelado em Teologia do Seminário Teológico Batista do Ceará – STBC.

Orientador: Prof. José Wendel Cavalcante Ferreira

Fortaleza

2016

Max Rosberg Ximenes Feijão

A PREGAÇÃO EXPOSITIVA COMO UM INSTRUMENTO DE CRESCIMENTO SAUDÁVEL PARA AS IGREJAS BATISTAS DO CEARÁ.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel, pelo curso de Bacharelado em Teologia do Seminário Teológico Batista do Ceará – STBC.

Aprovada em: ____/____/____

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________________

Prof. José Wendel Cavalcante Ferreira – Orientador

Seminário Teológico Batista do Ceará - STBC

_____________________________________________

Prof. Pr.

Seminário Teológico Batista do Ceará – STBC

_____________________________________________

Prof. Pr.

Seminário Teológico Batista do Ceará - STBC

DEDICATÓRIA




Dedico este trabalho ao Diácono Arnóbio Lira da Primeira Igreja Batista de Groaíras. Homem íntegro, piedoso, coluna na igreja local e de uma grande visão de Reino. Irmão amado e precioso que tem sido uma bênção em minha caminhada ministerial. Sustentador dos meus estudos teológicos e do meu serviço integral na igreja local.





AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus o autor e consumador de minha fé que me amou em Cristo Jesus. Porque todas as coisas são Dele, por Ele e para Ele. A Ele seja toda Honra, louvor e gloria eternamente!
À minha família a base de tudo que está sempre presente do meu lado em todos os momentos da minha vida. À minha irmã Maria do Rosário por me hospedar em sua casa em minhas viagens à Fortaleza e pelo seu cuidado de mãe.
À minha namorada e futura esposa, Jamile Portela, por seu amor, cuidado e compreensão. À sua mãe Rosa Borges por suas orações e cuidado para comigo.
À Primeira Igreja Batista em Groaíras por ter me enviado ao seminário. Igreja que foi a base de todo esse caminhar. Pelo o sustento financeiro e espiritual de cada irmão querido. A Congregação Batista de Corrégo dos Matos onde tenho o privilégio de servir no ministério da Palavra.
Ao Pastor Eronildo Braga, principal incentivador do meu chamado. Por suas orientações, conselhos e cuidado para com o ministério.
Ao ministério Pregue a Palavra na pessoa do Coordenador do Nordeste Pastor Nelson Galvão. Pela a oportunidade concedida de estudar sobre Exposição Bíblica que deu origem a este trabalho.
Aos meus queridos irmãos e companheiro de jornada Jhonathan e Jonas. Ao irmão Francisco de Assis Oliveira (Petter) que esteve sempre me incentivando aos estudos.
Ao Seminário Teológico Batista do Ceará pela a oportunidade de se capacitar para a excelente obra do Ministério Pastoral.



Eu te exorto diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino, prega a palavra, insiste a tempo e fora de tempo, aconselha, repreende e exorta com toda paciência e ensino.

(2 Timóteo 4.1,2—Almeida Século 21).

RESUMO




Esta monografia é uma análise da pregação expositiva como um instrumento para o crescimento saudável da igreja. O objetivo é mostrar à importância desse estilo de pregação para pastores, líderes e a igreja como sendo um estilo eficaz para um crescimento saudável que as Igrejas Batistas do Ceará podem está se utilizando. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica com fontes sobre Homilética, História da igreja, Exegese, Teologia Bíblica e Eclesiologia. A abordagem qualitativa buscando trazer o significado dos temas e dados dos autores sobre a pregação expositiva. O objetivo exploratório visando trazer o conhecimento do tema proposto da maneira mais clara possível. A definição de pregação expositiva mostra como esse estilo de pregação é totalmente bíblico. Todo o conteúdo do sermão expositivo emana unicamente das Escrituras. Comparando a pregação expositiva com outros estilos de pregação é possível perceber que a pregação expositiva é mais bíblica e consequentemente mais eficaz na tarefa de pregar a Palavra de Deus. Esse estilo de pregação esteve presente em toda a história. Desde os tempos bíblicos no Antigo e Novo Testamento bem como na historia da igreja cristã. No período dos pais da igreja, na reforma protestante, no período puritano e até a era contemporânea. Por fim, a pregação expositiva é importante para a igreja devida sua eficácia e relevância para um crescimento tanto numérico como saudável. Pesquisas apontam na prática como esse método de pregação traz resultados surpreendentes. Igrejas onde seus pastores são expositores experimentaram um crescimento genuíno. Portanto, a pregação expositiva é eficaz para dar um crescimento saudável as igrejas Batista do Ceará por sua centralidade nas Escrituras.


Palavras–Chave:

Pregação Expositiva, Crescimento Saudável, Bíblica Sequencial.





ABSTRACT
This monograph is an analysis of expository preaching as an instrument for the healthy growth of the church. The main objective is to show the importance of this style of preaching for pastors, leaders and the church. Likewise, it is an effective style to utilize for the healthy growth that the Baptist churches of Ceará. To is bibliographic research from homiletics, church history, exegesis, Biblical theology and Ecclesiology. This is a qualitative approach, seeking to bring understanding from the themes and facts of those authors concerning expository preaching. The desired outcome for this monograph seeks to bring the reader to a clear cognitive familiarity with the theme and purpose. The definition of expository preaching demonstrates how this style of preaching is completely biblical. All of the content for expository preaching emanates only from the Scriptures. In comparing expository preaching with other styles of preaching, it is possible to conclude that expository preaching is more biblical and consequently more effective in the task of preaching the Word of God. This style of preaching was present throughout all of history, since biblical times, in the Old Testament and the New Testament, as well as throughout Christian church history. From the period of the early Church Fathers, through the Protestant Reformation, moving through the Puritan period all the way to our contemporary era, expository preaching has made its mark. Therefore, expository preaching is important for the church because of its effectiveness and relevance for healthy spiritual growth, both quantitative and qualitative. Research points to the practice of this method of preaching yielding amazing results. Churches where the pastors are expositors consistently experience genuine growth. So in like manner, expository preaching is effective and important for that same healthy growth in the Baptist churches of Ceará, because of its centrality and basis in the Scriptures.
Key words:

Expository Preaching, Healthy Growth, Biblical Sequence.







Sumário

Sumário 9

1 INTRODUÇÃO 12

2 O QUE É A PREGAÇÃO EXPOSITIVA 14

2.1 DEFINIÇÃO DE PREGAÇÃO EXPOSITIVA 15

2.2 O ESTILO DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA 18

2.2.1 A NATUREZA DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA 19

2.2.2 O PROCESSO DA PREGAÇÃO EXPOSIÇÃO 21

2.3 A DIFERENÇA DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA PARA OS OUTROS ESTILOS DE PREGAÇÃO 27

2.3.1 O SERMÃO TEMÁTICO OU TÓPICO 28

2.3.2 O SERMÃO TEXTUAL 28

2.3.3 O SERMÃO EXPOSITIVO 29

2.3.4 COMPARAÇÃO DO SERMÃO EXPOSITIVO COM O TEMÁTICO 30

2.3.5 COMPARAÇÃO DO SERMÃO EXPOSITIVO COM O TEXTUAL 31

2.3.6 PERIGOS E DESVANTAGEM DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA 32



3 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NA HISTORIA 35

3.1 AS EVIDÊNCIAS DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA NOS TEMPOS BÍBLICOS 36

3.1.1. A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NO ANTIGO TESTAMENTO 37

3.1.2 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NO NOVO TESTAMENTO 41

3.2 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NA ERA DOS PAIS DA IGREJA 48

3.3 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NO PERÍODO DA REFORMA PROTESTANTE 51

3.4 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NO SÉCULO XVII AO SÉCULO XX 54

4 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA COMO INSTRUMENTO PARA O CRESCIMENTOSAUDÁVEL DA IGREJA. 60

4.1 A NECESSIDADE DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA 61

4.2 OS BENEFÍCIOS DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA PARA O CRESCIMENTO SAUDÁVEL 64

4.2.1 A IGREJA CRESCE NUMERICAMENTE 65

4.2.2 A IGREJA CRESCE SAUDAVELMENTE 68

4.2.2.1 BENEFÍCIOS NA VIDA DOS PASTORES 70

4.2.2.2 BENEFÍCIOS PARA IGREJA 72

5 CONCLUSÃO 78

REFERÊNCIAS 80


1 INTRODUÇÃO 11

2 O QUE É A PREGAÇÃO EXPOSITIVA 13

2.1 DEFINIÇÃO DE PREGAÇÃO EXPOSITIVA 14

2.2 O ESTILO DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA 17

2.2.1 A Natureza da Pregação Expositiva 18

2.2.2 O Processo da Pregação Exposição 19

2.3 A DIFERENÇA DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA PARA OS OUTROS ESTILOS DE PREGAÇÃO 26



2.3.1 O Sermão Temático ou Tópico 27

2.3.2 O Sermão Textual 27

2.3.3 O Sermão Expositivo 28

2.3.4 Comparação do Sermão Expositivo com o Temático 29

2.3.5 Comparação do Sermão Expositivo com o Textual 31

2.3.6 Perigos e Desvantagem da Pregação Expositiva 32

3 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NA HISTORIA 34

3.1 AS EVIDÊNCIAS DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA NOS TEMPOS BÍBLICOS 35



3.1.1 A Pregação Expositiva no Antigo Testamento 36

3.1.2 A Pregação Expositiva no Novo Testamento 40

3.2 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NA ERA DOS PAIS DA IGREJA 47

3.3 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NO PERÍODO DA REFORMA PROTESTANTE 49

3.4 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NO SÉCULO XVII AO SÉCULO XX 53



4 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA COMO INSTRUMENTO PARA O CRESCIMENTOSAUDÁVEL DA IGREJA. 58

4.1 A NECESSIDADE DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA 59

4.2 OS BENEFÍCIOS DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA PARA O CRESCIMENTO SAUDÁVEL 62

4.2.1 A Igreja Cresce Numericamente 63

4.2.2 A Igreja Cresce Saudavelmente 66

4.2.2.1 BENEFÍCIOS NA VIDA DOS PASTORES 68

4.2.2.2 BENEFÍCIOS PARA IGREJA 70

5 CONCLUSÃO 76

6 REFERÊNCIAS 78



1 INTRODUÇÃO

A pregação da palavra de Deus é o acontecimento mais importante do culto público e de toda a vida da igreja cristã. Dargan (1905, p.12, vol 1) escreve: “A pregação é uma parte essencial e uma característica distintiva do cristianismo”. Diante dessa afirmação quão necessária conhecer sobre a importância da pregação bíblica e sua eficácia para dar o crescimento saudável que a igreja precisa.

O método de Deus que levou a igreja crescer durante toda historia foi à pregação da Palavra, mas, ultimamente a pregação bíblica tem sido desprezada na maioria das igrejas. O Movimento de Crescimento de Igrejas influenciou bastante o evangecalismo das ultimas décadas. A busca por um crescimento numérico levou muitos pastores a abrirem mão dos métodos bíblicos em função dos métodos pragmáticos. A pregação se tornou secundaria como um instrumento para crescimento da igreja. Os sermões bíblicos foram sendo desprezados e tomando seu lugar mensagens artificiais sem nenhum compromisso com a supremacia das Escrituras. Sermões cheios de emocionalismo, autoajuda, utilizando técnicas psicológicas para atrair a atenção das pessoas desprezando a interpretação correta das Escrituras são cada vez mais comuns.

Esse movimento ensina métodos pragmáticos de crescimento dando ênfase no crescimento numérico a todo custo em detrimento do crescimento saudável. Esse crescimento a qualquer custo ensinado pelos métodos pragmáticos embora trouxe um crescimento numérico, também produziu uma fé artificial nas pessoas. Lopes (2008, p.216) diz: “A visão pragmática tenta manter os sermões curtos, simples e os tópicos cuidadosamente escolhidos para enfatizar o pessoal em detrimento do doutrinário e o relacional em detrimento do abstrato”. Agradando sempre os ouvintes, a pregação permanece superficial, com muitos cristãos recebendo apenas uma leve dieta semanal de evangelismo. Como hoje em dia o importante é o crescimento numérico muitos pastores não se preocupam com o crescimento saudável da igreja. Esse é o maior problema no movimento de crescimento de igrejas, a ênfase no crescimento numérico a todo custo. Consequentemente à igreja não está experimentando um crescimento sadio. Mesmo essas igrejas crescendo numericamente os malefícios da falta de prioridade de uma pregação bíblica são enormes como analfabetismo bíblico e a falta de crescimento da maturidade dos crentes. Isto tem permitindo a entrada de varias doutrinas herética como: O misticismo, sincretismo religioso e o liberalismo teológico que atrapalham a igreja de crescer saudavelmente. Tudo isto pela a falta de uma pregação bíblica.

Para trazer um crescimento numérico e saudável é preciso uma compreensão da pregação bíblica e sua prioridade. A pregação foi e tem sido o instrumento que Deus se utiliza para que a igreja avance. O método dos apóstolos foram se dedicar a oração e o ministério da Palavra (At 6, 4). A igreja primitiva experimentou um crescimento numérico e saudável. A prioridade da igreja para o crescimento deve ser a pregação. Utilizando da pregação expositiva, a igreja cresce numericamente e saudavelmente. Lopes (2008, p.13) diz: “A pregação expositiva é a mais bíblica e mais eficaz para produzir o crescimento sadio da igreja”. Ela está comprometida com a supremacia das Escrituras arraigada com infabilidade, inerrância e suficiência das Escrituras. A pregação expositiva é um instrumento vital para igreja porque cultiva o compromisso mais profundo dos crentes com a Palavra de Deus.

Na primeira seção deste trabalho trata sobre o que é a pregação expositiva dando as melhores definições sobre o assunto bem como mostrando quais as ferramentas utilizadas para preparar uma mensagem expositiva e comparando esse estilo de pregação com outros. Na segunda seção analisa que a pregação expositiva esteve presente em toda a história. A Bíblia traz evidências desse estilo de pregação em alguns períodos bíblicos. A história da igreja também comprova que ela era o estilo preferido de grandes expositores desde os pais da igreja passando pelo os reformadores e chegando ao século XXI. Por fim, o trabalho mostra como a pregação expositiva é um instrumento para dar o crescimento saudável as igrejas. Pesquisas feitas mostram que a pregação expositiva é uma ferramenta que traz crescimento numérico como saudável. Entende-se que uma igreja deve crescer em quantidade quanto em qualidade esse é o desejo de todo pastor que ama a igreja. Diante desse quadro a pregação expositiva é o instrumento mais eficaz para dar o crescimento equilibrado para as igrejas Batistas do Ceará. A pregação expositiva traz de volta a centralidade da pregação como a supremacia da Escritura porque Deus opera através de sua palavra e ela é poderosa para atingir os corações.


2 O QUE É A PREGAÇÃO EXPOSITIVA

A Bíblia é a Palavra de Deus inspirada, inerrante e suficiente para o seu povo. Paulo em sua segunda carta a Timóteo (2 Tm 3, 16-17), afirma que as Escrituras são inspiradas por Deus: “Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; a fim de que o homem de Deus tenha capacidade e pleno preparo para realizar toda boa obra”. (2 TIMÓTEO, 2011, p. 1102). O Apostolo Pedro em sua carta (2 Pe 1, 19-21), confirma a inspiração da Escritura quando escreve:

Assim, temos ainda mais firme a palavra profética. E fazeis bem em estar atentos a ela, como a uma candeia que ilumina um lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vosso coração. Sabei antes de tudo que nenhuma profecia das Escrituras é de interpretação particular. Pois a profecia nunca foi produzida por vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, conduzidos pelo Espírito Santo. (2 PEDRO, 2011, p.1131 ).

A Bíblia por ser inspirada por Deus tem a supremacia em todas as questões de fé e Deus fala mediante a sua Palavra ao seu povo. Paulo dando instruções ao jovem Timóteo (2 Tm 4, 1-2), escreve para ele pregar unicamente a Palavra: “Eu te exorto diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino, prega a palavra, insiste a tempo e fora de tempo, aconselha, repreende e exorta com toda paciência e ensino”. (2 TIMÓTEO, 2011, p. 1102). Lopes (2008, p.71) diz: “A Escritura é o conteúdo da pregação, e a pregação é o instrumento para proclamar a Escritura”. Deus opera através da proclamação de sua Palavra por que ela é poderosa para cumprir seus propósitos transformador a todos os que ouvem. O autor aos Hebreus (Hb 4, 12) testifica que a Palavra é poderosa quando disse:

Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que qualquer espada de dois gumes; penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é capaz de perceber os pensamentos e intenções do coração. (HEBREUS, 2011, p. 1109).

Paulo em (Rm 10, 17) ainda diz: “Portanto, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Cristo”. (ROMANOS, 2011, p. 1031). Chapel (2002, p.19) afirma: “A Palavra de Deus é poderosa porque ele está presente nela e opera por meio Dela”. Se a Escritura é a Palavra de Deus e é poderosa para transformar vidas dar-se a necessidade de proclamar essa Palavra com fidelidade. Essa transformação não é mediante as habilidades dos pregadores mais sim do poder de Deus operando através de sua proclamação. Chapel (2002, p.19) diz:

“Pregação que é fiel à Escritura converte, convence e amolda o espírito de homens e mulheres, pois ela apresenta o instrumento da compulsão divina, e não que pregadores tenham em si mesmos qualquer poder transformador”.

A Pregação Expositiva é esse instrumento fiel pelo qual Deus opera. Ela é o estilo mais fiel devido a sua abordagem em transmitir o texto das Escrituras colocando-a como suprema em toda pregação.


2.1 DEFINIÇÃO DE PREGAÇÃO EXPOSITIVA

Muitos têm um entendimento errado do que seja uma pregação expositiva. Pregação expositiva em primeiro lugar não é um comentário continuo de uma passagem. Lachler (1990, p.46) comenta:

O comentário contínuo não tem um conceito central unificador que possa ser compreendido de forma prática. O simples ato de papagaiar livremente palavras e frases de um texto bíblico quase sempre se torna um comentário fluente que não se estende para outro lugar a não ser o final da passagem.

Exposição não é proferir comentário sobre uma passagem e nem fazer um estudo de palavras unificadas e explicadas por ilustrações. Também não retirar uma doutrina especifica da passagem. Tudo isso deve ser feito, mais ainda não é exposição. Outros creem pelo fato da passagem ter muitos versículos e ser preparado um sermão se torna uma pregação expositiva. Em segundo lugar pregação expositiva não é fazer uma exegese da passagem no púlpito. Por mais que a pregação expositiva se utiliza da exegese não pode ser confundida com a exposição. A exegese serve como um auxílio para a preparação do sermão expositivo ela está totalmente ligada com a preparação do sermão, pois, ela é uma ferramenta que dar as bases para a interpretação correta da Escritura. Para Chapel (2002, p.50) “lição de gramática não é sermão. Um sermão não é um resumo textual, um discurso sistemático ou uma preleção sobre História

”.

Para alguns autores dar uma definição a pregação expositiva em termos técnicos pode muitas vezes destruir o seu conceito real. Como Robinson (2002, p.21) disse que o menino que dissecou uma rã, para descobrir o que levava a pular, aprendeu algo sobre as partes, mas matou a rã. Outros acham que dar uma definição tendem a limitar demais as coisas. Lachler (1990, p.45) comenta: “definições restritivas não permitem que o assunto seja expandido de forma prática; definições muito amplas não permitem uma concentração exequível. Nenhuma das duas é boa”. Autores chegam a dizer que não se deve busca uma definição de imediato, mas primeiro compreender as partes conceituais básicas de um sermão expositivo. Mas, pela a clareza sua definição prática deve ser dada. Uma definição de pregação expositiva está na de Vines (1985, apud, Lopes 2008, p.143): “O sermão expositivo é aquele que explica uma passagem das Escrituras, organiza-a ao redor de um tema central e pontos principais e, em seguida, aplica decididamente a sua mensagem aos ouvintes”. Há muitas definições sobre o que é uma pregação expositiva mais a melhor definição para Lopes (2008, p.144), quanto para Lachler (1990, p.51), está na definição de Robinson (2002, p.22) que diz:



A pregação expositiva é a comunicação de um conceito bíblico, derivado de, e transmitido através de estudo histórico, gramatical e literário de uma passagem em seu contexto, que o Espírito Santo primeiramente aplica à personalidade e experiência do pregador, e depois, através dele, a seus ouvintes.

É comunicar o que realmente o texto quer dizer revelando o conceito bíblico que envolve toda a passagem depois de ter feito um estudo profundo do contexto histórico, contexto literário e da gramatica e que deve ser aplicado na vida de todos os ouvintes contemporâneos. Essa definição resume tudo o que está entorno da preparação e da entrega do sermão expositivo. Ainda existe certa confusão com relação às palavras “Bíblica” e “expositiva”. Uma pregação pode ser chamada de bíblica devido ela se relacionar mais ou menos com a Bíblia, mais mesmo assim não ser expositiva. Lachler (1990, p.45) explica:

Sermões textuais e tópicos podem se relacionar com a Bíblia sem serem expositivos, assim como maçãs se relacionam com as frutas sem serem peras. Segundo penso, um sermão textual ou tópico pode, na verdade, se relacionar com a Bíblia em graus variados. Mas, em essência, o sermão expositivo não pode ser nada menos do que diretamente bíblico, gerando a partir do texto bíblico e projetando um assunto (tema) inerente a partir daquele texto.

É de grande importância à definição da palavra expositiva para dar um entendimento melhor e desfazer toda a confusão entre outras formas de pregação. Lachler (1990, p.46) descreve: “A definição da palavra exposição traz em seu sentido fundamental a ideia de colocar algo em lugar aberto e tornar acessível àquilo que é obscuro ou está fora de alcance”. Lopes (2008, p.21) dar o significado da palavra: “Exposição” que quer dizer trazer a luz o que existe. A palavra exposição deriva-se do termo latino expositivo, que significa “divulgar, publicar” ou “tornar acessível”. O Sermão expositivo traz à luz a mensagem diretamente do texto da Escritura, tornando-o acessível aos ouvintes. Para elucidar mais ainda a questão de expositivo outro termo que tem a ver com a essência da exposição é a “explicação”. Explicação traz a ideia fundamental de revelar alguma coisa. Os sermões expositivos têm essa tarefa de revelar as verdades teológicas de cada parte das Escrituras para os ouvintes. Outra palavra que traz uma ideia de expositiva é a palavra “explanação”. Explanação como Lachler (1990, p.46) diz que em “seu sentido fundamental é o de aplanar alguma coisa enrugada”. Liefeld (apud 1985, Lachler 1990, p.46) explica:

A exposição da passagem bíblica é caracterizada por um discurso lógico que “aplana” o texto e o torna compreensível. Assim, explanação é uma forma clara de expressar pensamentos espirituais, de modo que os ouvintes possam aplica-los a situações práticas da vida. Desta forma, a explanação vai além de descrições prolixas de palavras e construções gramaticais.

Todas as definições apontam para o mesmo sentido. A Palavra de Deus deve ser o começo e o fim de todo o sermão expositivo. Sem essas características os sermões não podem ser classificados como expositivos. Há uma sequência natural de como transmitir a mensagem real na passagem escolhida. Se essa forma de abordar a Escritura não for observada será difícil preparar um sermão expositivo. Lopes (2008, p.144) cita alguns elementos que são indispensáveis para identificar a pregação expositiva:

(1) A mensagem busca na Escritura a sua única fonte; (2) a mensagem é extraída da Escritura mediante cuidadosa exegese; (3) a preparação da mensagem interpreta corretamente a Escritura em seu sentido e contexto originais; (4) a mensagem explica claramente o sentido original da Escritura pretendido por Deus; e (5) a mensagem aplica o sentido da Escritura para hoje.

Todas essas definições e conceitos se aplicam ao sermão expositivo que tem como objetivo tornar a Bíblia útil e informativa. Se todos os conceitos forem bem aplicados na preparação do sermão teremos uma exposição da Palavra.


2.2 O ESTILO DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA

A Pregação expositiva está fundamentada totalmente na Palavra de Deus. Toda sua essência emana das Escrituras e unicamente dela. Para muitos a pregação expositiva é mais um método entre outros na preparação de mensagens. Para Robinson (2002, p.22), a pregação expositiva em seu âmago é, “mais uma filosofia do que um método”. Essa afirmação ensina que a pregação expositiva aborda as Escrituras como realmente ela é. Se Deus fala em sua Palavra então precisamos transmiti-la com o proposito ao qual ela foi escrita em seus contextos de forma que seja aplicável ao mundo contemporâneo. Robinson (2002, p.22), acrescenta que para alguém ser um expositor dependerá de sua resposta á pergunta: “Você, como pregador, procura curvar seu pensamento às Escrituras, ou emprega as Escrituras para apoiar seu pensamento”? Lachler (1990, p.50) comentando a afirmação de Robinson diz:

Neste caso, minha percepção de seu termo “filosofia” aproxima-se das ideias de “ministério” e “teologia”. O ministério do sermão expositivo surge da natureza singular de Deus e de sua Palavra. A teologia da pregação expositiva está no Deus real que, em condescendência, revela-se a nós, através de sua Palavra proposicional [...]. Deus é, e ele está falando a nós. Sua Palavra tem valor real no espaço e no tempo, à semelhança de Deus. O sermão expositivo é uma expressão prática desta convicção geradora de vida. Se Deus não é, então não há Palavra. Se não Palavra, então não há sermão expositivo.

Diante das afirmações chega-se a conclusão que pregadores expositivos podem pregar tematicamente e textualmente mais sendo expositivo. O que vai classificar como uma pregação expositiva ou não é a sua forma de abordar os textos das Escrituras. Nesse mesmo sentido Lopes (2008, p.18), concorda ao escrever:

Todavia, independentemente do estilo – tópica, textual, ou lectio continua -, a pregação pode ter caráter expositivo desde que tenha o compromisso de explicar o texto da Escritura, segundo o seu significado histórico, contextual e interpretativo, transmitindo aos ouvintes contemporâneos a clara mensagem da Palavra de Deus com aplicação pertinente. Seria perfeitamente possível classificar a pregação expositiva como pregação expositiva textual, pregação expositiva tópica e pregação expositiva lectio continua.

Begg (2014, p.39) diz que é um caminho errado se pensar que a pregação expositiva é meramente um estilo de pregação escolhido de uma lista (tópica, devocional, evangelística, textual, apologética, profética, expositiva). A questão não é tanto de estilo mais de essência. O princípio está em como o pregador se dirigi as Escrituras. Antes mesmo de se preparar uma mensagem deve-se saber o que vai transmitir. A pregação expositiva aponta para o que se deve ser dito pelo o pregado que unicamente o conteúdo da Escritura. Clements (1998, apud, Begg 2014, p.40) diz:

A pregação expositiva não é uma questão de estilo, de maneira alguma. De fato, o passo determinante que decide se um sermão será expositivo ou não acontece, em minha opinião, antes que uma única palavra tenha sido escrita ou falada. Antes e acima de tudo, o adjetivo ‘expositiva’ descreve o método pelo o qual o pregador decide o que dizer não como dizê-lo.

Por isso, pregação expositiva é colocar as Escrituras no centro confiando plenamente no poder transformador que ela produz.

A pregação expositiva pode ser utilizada através da exposição bíblica sequencial. Essa metodologia é chamada de exposição contínua ou o método do comentário corrido, MATHEWSON (2009, p.503); ou mesmo de lectio continua Lopes (2008, p.147). A exposição bíblica sequencial aborda livros ou seções das Escrituras e é exclusiva desse estilo de pregação. Essa forma de pregar livros, capítulos ou seções das Escrituras traz vantagens que são de grande beneficio tanto para o ministério pastoral como para a vida espiritual da igreja. A lectio continua abordará as sequências naturais dos livros a serem expostos. O pregador escolhe um livro para pregar e segue a sequência dos capítulos e versículos naturalmente. Essa forma de pregar é única da Pregação expositiva. Diferentemente de outro estilo de pregação que abordam apenas pequenos texto ou porções da Palavra. Além da Pregação sequencial, pode se utilizar da seleção de passagens. Pregar em passagens selecionadas e expô-la. Neste trabalho será abordando a pregação bíblica sequencial ou lectio Continua.
2.2.1 A NATUREZA DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA

A natureza da pregação expositiva consiste em três pontos básicos de sua mensagem. Ler o texto, explicar o texto e aplicar o texto. Nas escrituras encontramos um texto básico para a natureza da pregação expositiva que segundo Begg (2014, p.37), se refere à cena impressionante relatada em Neemias (Ne 8, 1.3.7.8):

Então, como se fosse um só homem, todo o povo se reuniu na praça, diante da porta das Águas. E pediram a Esdras, o escriba, que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, que o SENHOR dera a Israel. [...] E a leu em voz alta de frente para a praça diante da porta das Águas desde o alvorecer até o meio-dia, na presença dos homens e das mulheres e dos que podiam entender. E todo o povo estava atento à leitura do Livro da Lei. [...] Os levitas Jesua, Bani, Serebias, Jamim, Acube, Sabetai, Hodias, Maaseias, Quelita, Azarias, Jozabade, Hanã e Pelaías explicavam a Lei ao povo. E o povo permanecia em pé no seu lugar. Desse modo leram no livro, na Lei de Deus, esclarecendo o que liam e explicando o seu sentido para que o povo entendesse a leitura. (NEEMIAS, 2011, p. 466).

No momento em que Esdras e os levitas trazem a Palavra é demonstrado que o texto foi lido, explicado e aplicado na vida dos seus ouvintes. A pregação expositiva possui esse padrão de explicação e aplicação do texto. Lopes (2008, p.146) diz que: “Esdras ligou o texto (Ne 8, 1-8) a vida de seus ouvintes”. O pregador aplica a mensagem antiga da Escritura aos ouvintes contemporâneos, mostrando a sua relevância. Begg (2014, p.39-42), ao comentar sobre a natureza da pregação expositiva, lista três princípios chaves:

(1) A pregação expositiva sempre começa com o texto da Escritura; (2) A pregação expositiva procura fundir os horizontes do texto bíblico e do mundo contemporâneo; (3) a pregação expositiva encoraja o ouvinte a entender a relevância contemporânea da Escritura.

Os elementos básicos da pregação expositiva podem ser visto em Neemias capítulo 8. Chapel (2002, p.87), escrevendo sobre o padrão da pregação expositiva comenta que Jesus quando explicou pela primeira vez seu ministério na sinagoga, ele leu a Escritura (Lc 4, 11-19), explicou a importância do que fora lido (Lc 4, 21) e, depois, tornou claras as implicações (Lc 4, 23-27). Chapel (2002, p.87- 89) diz que:

A apresentação da Palavra, a explicação e a exortação permanecem proeminentes no modelo de proclamação do Novo Testamento. Embora os elementos nem sempre obedeçam à mesma ordem, eles permanecem presentes. [...] apresentar a Palavra, explicar o que ela diz; e exortar fundamentado no que ela significa. Isso é pregação expositiva.

A pregação expositiva visa ligar o texto Bíblico antigo aos ouvintes contemporâneos, explicando e aplicando o texto para que os ouvintes obedeçam à palavra de Deus. A natureza da pregação expositiva é ler, explicar e aplicar a Escritura.

2.2.2 O PROCESSO DA PREGAÇÃO EXPOSIÇÃO

A preparação do sermão expositivo requer dedicação por parte do pregador. Há um processo de estudo do texto para transmitir fielmente a Palavra de Deus. O texto escolhido, livro, seções ou capítulos devem ser analisados com muito cuidado e dedicação. Na pregação expositiva a passagem governa o sermão. Robinson (2002, p.22) diz que “acima de tudo, o pensamento do escritor bíblico determina a substância de um sermão expositivo”.

O texto é fundamental para todo o processo da pregação. Depois do texto escolhido há passos fundamentais para se transmitir um sermão expositivo. Na definição de Robinson no item 2.2 o processo da pregação expositiva se dar por três passos fundamentais: Primeiro, a pregação expositiva comunica um conceito bíblico. Segundo, através do estudo histórico, gramatical e literário de uma passagem e por ultimo uma aplicação do conceito ao pregador e depois aos ouvintes. É de grande importância uma analise de cada passo para se entender o processo da pregação expositiva.

Primeiro, a comunicação de um conceito bíblico. Robinson (2002, p.37) escreve: “Isso significa que cada sermão é a explicação, interpretação ou aplicação de uma única ideia dominante apoiada por outras ideias; todas extraídas de uma ou de várias passagens da Escritura”. Toda pregação está entorno desse conceito bíblico central da passagem. Para Robinson (2002, p.38), a terminologia pode variar: a ideia central, a proposição, o tema, declaração da tese, o pensamento principal, mas o conceito é o mesmo. Para pregar expositivamente é necessário descobrir esse conceito bíblico. Lopes (2008, p.156) diz que: “Reformular, explicar, provar e aplicar a grande ideia é a essência do sermão”. A grande ideia, ideia central ou proposição, é a parte fundamental do sermão. O pregador deve se esmerar para encontrar no texto essa parte que vai fazer com que todas as outras partes do sermão girem em torno dela. Jowett (1968, p.133, tradução nossa) falando sobre a grande ideia na pregação escreve:

Tenho a convicção de que nenhum sermão está pronto para pregar, nem para ser escrito, até que possamos expressar esse tema em uma frase curta e fecunda (fértil), tão clara como um cristal. Acho que entender esta frase é o trabalho mais difícil, o mais exigente e o mais frutífero em meu estudo. Forçar alguém a ter o hábito dessa frase, evitar toda a palavra que é vaga, imperfeita, ambígua, a pensar através de uma forma de palavras que define o tema com exatidão e cuidado – isto é certamente um dos fatores mais vital e essencial quanto a um sermão: E eu não penso que qualquer sermão deveria ser pregado ou até mesmo escrito, a menos que a frase tenha surgido clara e lúcida como a lua sem nuvens.1

A grande ideia de uma passagem elucida para os ouvintes através da explicação, o que realmente o autor bíblico está dizendo de forma resumida naquela passagem. Ela é importante para pregação, pois traz o centro de tudo que se está sendo falado. Muitos dos pregadores principalmente os mais jovens, não possuem esse entendimento e acabam deixando a pregação confusa ou muitas vezes sem que alguém consiga captar realmente o que foi dito. A grande ideia guia toda pregação para que todos possam entender tudo o que fora dito de forma clara. Lachler (1990, p.103-104) emprega algumas alegorias para mostrar a importância da proposição ou grande ideia:

A proposição é o coração do sermão. Assim como o coração bombeia o sangue, dando vida ao corpo humano, a proposição vitaliza a forma e o conteúdo do sermão. (2) A proposição é o eixo principal do sermão. Assim como o pino central numa dobradiça controla e limita o movimento da porta, a proposição controla e limita o alcance da forma e do conteúdo do sermão. (3) A proposição é a bussola que indica a verdadeira direção do sermão. Através da proposição é possível dizer se as divisões principais, as ilustrações e os argumentos gerais estão apontando na mesma direção do parágrafo. (4) A proposição é uma mola comprimida; ela tem a energia inerente em si para se expandir. A proposição é o sermão em miniatura e contém a essência de sua forma e conteúdo. (5) A proposição é o alicerce da estrutura do sermão.

Para se descobrir e transmitir o conceito bíblico a grande ideia da passagem, é necessário ao expositor o segundo passo do processo da pregação na definição de Robinson. Um estudo histórico, gramatical e literário de uma passagem em seu contexto. Esse passo na preparação da pregação pode também ser chamado de exegese. A exegese está totalmente ligada à pregação expositiva, pois:

É um exame detalhado do texto bíblico. É a busca da aplicação dos princípios hermenêuticos para se chegar a uma definição correta do texto. O prefixo Ex significa (fora de, para fora de). É o estudo do significado das palavras à luz do tempo e do lugar onde originalmente foram escritos (informação verbal) 2.

A exegese analisa todo o texto a ser exposto no púlpito. Através de usas ferramentas o pregador pode se chegar ao significado da passagem. Sem essa analise exegética fica difícil para o pregador chegar ao significado da passagem. Toda sua pregação será defeituosa se não passar pelo crivo da exegese. Exegese anda junto com a exposição. Segundo Grassmick (2009, p.12), “Exegese e exposição são comumente consideradas termos sinônimos em português”. Ele acrescenta:

No uso técnico, a exegese é muitas vezes limitada à interpretação crítica da Escritura na língua original, ao passo que a exposição é a proclamação do significado da Bíblia e sua aplicação ao homem moderno. Sem dúvida, a boa exposição pressupõe boa exegese. Em geral, a exegese está para a exposição como a interpretação está para a aplicação.

Para Grassmick (2009, p.11) “A Exegese é a aplicação dos princípios hermenêuticos ao texto bíblico com o objetivo de entendê-lo e explica-lo”. A pregação expositiva está totalmente relacionada com a Escritura e a analise do texto bíblico antes de expô-lo é de grande importância. Todos os princípios hermenêuticos devem ser praticados antes da exposição bíblica para um entendimento correto do significado da passagem em seu sentido original. O objetivo desse trabalho laborioso da exegese é para que a passagem venha ser compreendida e o expositor tenha segurança do verdadeiro sentido do texto. Robinson (2002, p.25.) diz a esse respeito:

Em seu escritório, o expositor procura o significado objetivo de uma passagem através de seu entendimento da linguagem, pano de fundo e cenário do texto. Depois, no púlpito, apresenta à congregação o resultado do seu estudo, para que o ouvinte possa averiguar, por si mesmo, a interpretação. Em última análise, a autoridade por detrás da pregação reside não no pregador, e sim, no texto bíblico. Por esta razão, o expositor lida principalmente com uma explicação da Escritura, de tal maneira que focaliza na Bíblia a atenção do ouvinte.

É indispensável para um expositor da palavra de Deus o estudo da passagem através da exegese. Para alguns, estudar a passagem com profundidade pode ser perca de tempo devido à falta de entendimento do que seja a exegese. O que se entende de exegese é que seja um estudo apenas das palavras nas línguas originais e que não fará sentido algum entendê-las. Mais a exegese não só analisa as palavras ou a gramática nas línguas originais, como também estuda a passagem em seu todo como os contextos literário e histórico, para se chegar ao entendimento e anunciar seu significa para o povo. Kaiser (1981, apud Lachler, 1991, p.47) escrever sobre isso:

Não “importa como se defina exegese, uma parte básica em seu processo deve ser a “lapidação” da passagem”. Temos aqui um ponto crucial para o sermão expositivo. “Esta “lapidação” da passagem” deve ser mais do que uma concentração nas construções gramaticais. A exposição deve ser o resultado final de uma exploração na passagem, que encontra nela sua verdade prática central. O sermão expositivo explica essa verdade central, de modo a torna-la aplicável à vida e ao contexto do ouvinte. Este deve ser o resultado de um “confronto direto com a passagem”.

Mesmo os pregadores que não tem o conhecimento nas línguas originais são possíveis de fazer o estudo exegético. O expositor estuda os contextos históricos e literários e pode-se utilizar do estudo gramatical no vernáculo. A grande maioria dos pregadores não possui uma formação adequada para se aprofundar nas línguas originais. Isso não é um impedimento para se pregar expositivamente. Lachler (1990, p.93) comenta:

A exegese no vernáculo pode parecer para alguns um atalho ilegítimo e para outros um grande alívio para a difícil tarefa do estudo concentrado da linguística. Todavia, a exegese no vernáculo exigirá energia quanto à outra. Por certo, ela requer uma análise sadia das palavras e frases no parágrafo da pregação.

A dedicação do pregador será de grande importância para se chegar ao entendimento do texto ao ponto de se levar ao púlpito e ser eficaz na vida dos ouvintes. A exegese não consiste apenas da gramatica mais outros aspectos do texto que devem ser observados. Marinho (2008, p.221) diz que:

Deve ser relacionado às informações históricas, identificar os elementos literários como, por exemplo, o gênero literário, destacar os componentes ativos do texto como os personagens principais as ideias que mais se repetem além desses aspectos devem ser relacionados os ensinamentos do texto: conceitos que foram apresentados, as doutrinas que aparecem e finalmente as lições espirituais que podem ser tiradas.

Tudo isso faz parte de um estudo histórico, gramatical e literário de uma passagem para transmitir um conceito bíblico que pode ser chamado de grande ideia ou proposição.

Há muitos recursos disponíveis para ajudar na grande tarefa do estudo de uma passagem. Robinson (2002, p.67) sugere seis recursos ou ferramentas para ajudar a examinar o texto bíblico que são: Léxicos, concordância Bíblica, gramáticas, livros de estudo de palavras, dicionários da Bíblia, enciclopédias e comentários. Diante dessa tarefa parece que a pregação expositiva seja uma forma difícil de pregar devido a essa preparação. Mas o pregador precisa estar disposto a enfrentar todas as dificuldades se quiser utiliza-la para a pregação.

O terceiro passo fundamental da pregação expositiva na definição de Robinson (2002, p.22) é aplicação de toda a mensagem na vida do pregador e depois na vida dos ouvintes. O pregador é um instrumento de Deus para seu povo. Ele primeiramente deve ser confrontado com a mensagem que ele mesmo prepara. Ele deve ter a consciência que o que ele está fazendo não é apenas um estudo para mostrar seus conhecimentos, mas, está lidando com questões espirituais e tudo que ele prepara serve em primeiro lugar para sua vida. Robinson (2002, p.27) diz: “Antes de proclamar aos outros a mensagem da Bíblia, o pregador deve conviver com aquela mensagem”. O pregador deve ser transformado através da mensagem que vem Deus que primeiro vem a sua vida para depois atingir os ouvintes. Robinson (2002, p.28) acrescenta:

Em última análise, Deus está mais interessado em desenvolver mensageiros do que mensagens, e visto que é através da Bíblia que o Espírito Santo nos confronta, precisamos, em primeiro lugar, aprender a escutar a Deus, antes de falarmos em nome dele.

O pregador é o primeiro alvo da mensagem vinda de Deus. A definição ainda diz que além da mensagem ser aplicada a vida do pregador, ela deve ser aplicada a vida dos ouvintes. Isso significa que o sermão expositivo caminha para um objetivo prático: O que os ouvintes devem fazer com o que fora dito? Que diferença faz a mensagem nas vidas pessoais de cada um dos ouvintes? A aplicação é o objetivo maior da pregação expositiva. A mensagem da Palavra de Deus tem o objetivo de transformar vidas. A própria Escritura diz (2 Tm 3, 16), que ela serve para instruir, repreender e corrigir. Para Chapell (2002, p.46), a aplicação deve responder: O “E daí?” da pregação. Depois de ouvir o significo da passagem explicada o pregador deve mostrar o que se deve ser feito com o que ouviram. Que efeito a mensagem faz em suas vidas. Robinson (2002, p.93), traz a seguinte frase: “que diferença faz?”. Qual a diferença que a mensagem faz na vida cotidiana das pessoas. Já para Broadus (2009, p.177), a aplicação traz instruções práticas:

A aplicação, em seu sentido estrito, consiste de uma ou mais partes do discurso em que se mostra como o tema se aplica às pessoas abordadas, que instruções práticas lhes oferecem e que exigências práticas lhes faz.

A pregação expositiva como já foi mencionado, pode ser mal compreendida por muitos, pelo fato de acharem que ela se resume apenas em explicações de termos difíceis e ortodoxos que só servem para enriquecer o conhecimento intelectual dos pregadores como de seus ouvintes, mas, não é bem assim. Toda labuta da exegese deve resultar em uma boa aplicação como Robinson (2002, p.94), escreve:

A exegese é básica para aplicação perceptiva. Não podemos decidir o que uma passagem significa para nós, a não ser que tenhamos determinado primeiro qual é o sentido da passagem, quando a Bíblia foi escrita. Para fazer isso, devemos assentar-nos diante do escritor bíblico e procurar entender aquilo que ele quis transmitir a seus leitores originais. Somente depois de compreendermos aquilo que ele quis dizer em seus próprios termos e para seus próprios dias, é que podemos esclarecer que diferença aquilo deve fazer na vida dos nossos dias.

O pregador expositivo tem esse foco estudar a Escritura para entender seu significado, mais também ele é um arauto que traz uma mensagem que transforma os ouvintes. A aplicação é necessária, pois, mostra as verdades de Deus governando a vida dos ouvintes. As pessoas precisam ver como a verdade do texto opera em suas vidas, sem isso, a exposição permanece incompleta. Lopes (2008, p.159) comenta:

A pregação expositiva não obriga simplesmente os pregadores a explicar o que a Bíblia diz; ela os obriga a explicar o significado bíblico na vida das pessoas hoje. A aplicação é tão necessária para o aprendizado sólido quanto à explicação. De fato, o verdadeiro significado de um texto permanece oculto até discernimos como as suas verdades devem governar nossa vida. A aplicação leva, portanto, a Palavra do Deus vivo para vida do seu povo.

O objetivo da pregação é aplicação devido às necessidades dos ouvintes da Palavra Deus. Nas Escrituras encontramos muitas partes em que os autores bíblicos transmitiam um ensino e logo depois aplicavam a vida de seus leitores como por exemplo, quando o Apostolo Paulo escreveu a Tito (Tt 2, 1-6):

Tu, porém, fala o que está em harmonia com a sã doutrina. Exorta os mais velhos para que sejam equilibrados, respeitáveis, sóbrios, sadios na fé, no amor e na constância; as mulheres mais velhas, de igual modo, sejam reverentes no viver, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras do bem, para que ensinem as mulheres novas a amarem o marido e os filhos, a serem equilibradas, puras, eficientes no cuidado do lar, bondosas, submissas ao marido, para que não se fale mal da palavra de Deus. Exorta de igual modo os jovens para que sejam equilibrados. (TITO, 2011, p.1104).

Paulo ao falar para Tito ensinar a “doutrina” não se referia apenas que ele ensinasse termos teológicos, mais que esse ensino fosse aplicados como ele mesmo demonstra a partir do verso três. Chapel (2002, p.48) comentando sobre essa passagem diz que:

“Paulo conta com a "doutrina" de Tito para dar às pessoas de sua congregação, direção específica para o dia-a-dia da vida delas. Tal instrução não caracteriza apenas essa única passagem; ela reflete o padrão das cartas de Paulo”.

Os ouvintes necessitam dessas instruções práticas para poderem aplicar a vida cristã no seu dia a dia. Através de sua Palavra, Deus quer transformar motivos em condutas. Lopes (2008, p.160) afirma: “Em síntese, a Escritura confronta-nos sobre nosso relacionamento com Deus e uns com os outros”. A aplicação é parte em que o pregador mostra o caminho para que os ouvintes possam ver o poder da Palavra transformando suas vidas. Broadus (2009, p.175-176) comenta:

Aplicação em um sermão não é um mero anexo à discursão ou parte subordinada dele, mas a principal coisa a ser feita. [...] O sermão está sempre se movendo dentro do propósito de tornar a verdade vivamente eficaz.

Sem uma aplicação correta, a pregação não pode ser chamada de pregação expositiva. Lopes (2008, p.160) conclui dizendo: “Sem ela, o sermão fracassa, porque a verdade bíblica só faz sentido quando se relaciona com a vida”. A aplicação é o objetivo maior da pregação expositiva. O sermão expositivo caminha para o resultado prático na vida dos ouvintes.

2.3 A DIFERENÇA DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA PARA OS OUTROS ESTILOS DE PREGAÇÃO

Os sermões podem ser classificados, geralmente pela sua estrutura homilética. Para Lachler (1990, p.49), as partes globais de qualquer sermão são duas “estrutura e conteúdo”. Quanto a suas estruturas os sermões podem ser: Temáticos ou tópico, Textuais e Expositivos. É de grande importância explicar o conceito básico de cada um.

2.3.1 O SERMÃO TEMÁTICO OU TÓPICO

Marinho (2008, p.193) Define: “O sermão temático é aquele em que o pregador determina o assunto que deseja e então busca os textos bíblicos para formar as divisões principais que vão apoiar o assunto escolhido”. O sermão temático é o mais usado por ser o mais comum e mais fácil de preparar. Lopes (2008, p. 137) contribui dizendo que o tópico “pode ser extraído do texto, mas as divisões dependem do assunto”.

O sermão temático pode ser bastante útil em ocasiões práticas para discutir um tema de modo tão abrangente. Dependendo das necessidades da congregação, o pregador que utiliza esse estilo apresenta uma visão completa de alguma doutrina ou algum tópico de moralidade geral. Marinho (2008, p.193) diz que: “esse método é muito útil para sermões doutrinários e evangelísticos, que precisam basear-se em diferentes temas da Bíblia”. Lopes (2008, p.138-139) exemplifica um sermão temático:

Tema: como Deus considera os pecados do seu povo? Texto – Miquéias 7.19

I – Deles não mais se lembrará – Jeremias 31.34

II – Ele os cobriu – Salmos 32.1

III – Ele os removeu de nós – Salmos 103.12

IV –Ele os atirou para traz de si – Isaías 38.17

V – Ele nos purificou dos pecados – 1 João 1.7

VI – Ele os lançou nas profundezas do mar – Miquéias 7.19

Algumas vantagens do sermão temático são a variedade de assuntos, a facilidade do preparo e facilidade de alcançar os objetivos. Para Broadus (2009, p.63) o “sermão tópico é mais agradável a um público culto, já que é mais lógico e também mais convincente”.

2.3.2 O SERMÃO TEXTUAL

Definição de Marinho (2008, p.197) do sermão textual: “O sermão textual é aquele cujo assunto é tirado de um texto bíblico pequeno, geralmente de um só versículo, de onde vêm à ideia central e as divisões principais”. O sermão textual pode também consistir em um versículo todo ou, até mesmo, em dois ou três versículos. Braga (2005, p.34) comenta que: “os autores de livros de homilética não definem especificamente a extensão da passagem no sermão textual, mas, para o proposito, do estudo é limitado ao máximo em três versículos”. Broadus (2009, p.61-62) dá um exemplo de sermão textual:

Salmo 145.16

I – Deus provê a cada um pessoalmente

II – Deus provê com facilidade

III – Deus provê com abundância

Broadus (2009, p.62) comenta sobre o sermão textual dizendo que: “em muitos aspectos, o sermão textual tem um formato mais fácil. As principais divisões estão no texto; no entanto, há considerável liberdade na escolha do material e no desenvolvimento”.


2.3.3 O SERMÃO EXPOSITIVO

O sermão expositivo já foi bastante explicado no item 2.2. Mais é necessário alguns acréscimos para comparar todos os estilos. Marinho (2008, p. 200) escreve:

No sermão expositivo, todas as ideias saem do texto e do contexto. A ideia central as divisões principais e todas as subdivisões originam-se de uma passagem maior da Bíblia e são interpretadas à luz do contexto, o qual fornece o tema e as aplicações do sermão.

Para Broadus (2009, p. 65) “todo o conteúdo de pensamentos do sermão expositivo vem das Escrituras. Isso não exclui a explicação, a ilustração e a aplicação de outras fontes, mas as ideias básicas vêm do texto”. Lopes (2008, p.161) exemplifica um sermão expositivo:

Genesis 3.1-24

Tema: A sedução da serpente e a intervenção de Deus

I – O bote da serpente


  1. Disfarce – v.1

  2. Dúvida –v.1

  3. Inversão da Palavra de Deus v.1

  4. Deus acusado de mentir – v.4

  5. Deus acusado de tirano – v.5

  6. Eva coloca em um pedestal de glória – v.5

II – A estratégia da serpente

  1. Eva estava no lugar errado – v.6

  2. Eva estava falando com a pessoa errada – v.1,2

  3. Eva estava usando a Palavra de Deus de modo errado – vv.2,3

III – As consequências do veneno da serpente

  1. Vergonha – v.5,7

  2. Fobia de Deus – v.8-10

  3. Culpa – v.8

  4. Morte – v.3

IV – O remédio de Deus para salvar-nos do veneno da serpente

  1. A vitória de Jesus sobre a serpente – v.15

  2. A expiação provida por Deus – v.21

2.3.4 COMPARAÇÃO DO SERMÃO EXPOSITIVO COM O TEMÁTICO

Diante dos conceitos e definições básicos sobre os três principais estilos de pregação é importante à comparação entres eles para uma avaliação sobre a pregação expositiva. Primeiro, o sermão temático começa com um tema escolhido pelo pregador e só depois busca um texto que encaixe com sua ideia. Braga (2005, p.20) escreve que: “esse tipo de sermão tem início com um tema ou tópico e que suas partes principais consistem em ideias derivadas desse tema”. Já o sermão expositivo começa com o texto e seu tema ou grande ideia é extraído naturalmente do texto. O pregador expositivo busca no texto o tema do sermão. Segundo, o sermão temático busca textos bíblicos em outras partes da Escritura para formar as divisões principais que vão apoiar o tema escolhido. Braga (2005, p.20) afirma que: “os versículos nos quais se fundamentam as divisões principais devem ser, em geral, extraídos de porções bíblicas mais ou menos distantes umas das outras”. O sermão expositivo retira do próprio texto as divisões e subdivisões propriamente do texto a ser exposto que estão totalmente ligados com o tema ou grande ideia do texto. Uma comparação real sobre os dois tipos de sermão se da nas pregações de dois pastores Batistas que pregaram o mesmo texto:
Quadro 1 – Comparação de dois sermões

1 Pe 5, 1- 4

1 Pe 5, 1- 4

Sermão A

Sermão B

O pastor que eu queria ter

Pastores que pastoreiam o rebanho formam líderes que servem bem

1- Eu queria um pastor que me inspirasse em uma espiritualidade baseada na comunhão com Deus
2- Eu queria um pastor que me inspirasse uma vida de santidade
3- Eu queria um pastor caminhasse comigo nas crises da vida
4- Eu queria um pastor que fosse tão humano quanto eu, sem máscaras
5- Eu queria um pastor que fosse apaixonado por Jesus e o Seu reino.

vs. 1 - Pastores que pastoreiam tratam aos liderados como a iguais.

2- vs. 2 - Pastorear o rebanho significa manter as pessoas reunidas.

3- vs. 2 - Pastorear inclui 2 tipos de responsabilidade:

alimentar (instruir)

cuidar 

4- vs. 2,3 - A atitude do pastor que influencia a formação de líderes



a- Não constrangido por algo exterior; ou seja, tem convicção interna, compromisso. Necessidade interior de honrar ao Seu Senhor.

b- "Boa vontade" - com alegria.

c- Como Deus quer. Ele quer pessoas que oram muito pelo seu rebanho.

d- Cuidado com o dinheiro, com a ganância.

e- Desejo de servir.

f- Exemplo para o rebanho.

5- vs. 4 - O pastor que pastoreia receberá o resultado do serviço


Pregador: Pr. Estevam Fernandes

Data: 09-04-14 – Local: Conferencia Internacional de pastores e lideres evangélicos




Pregador: Pr. Russel Shedd

Data: 03-03-14 - Local: Conferência Consciência Cristã



Fonte: material transcrito do Youtube - Postado em: 2014 no You tube por Edson Bezerra. Postado em: 2015 no You Tube por Tonyran Mendes Jr.
Os dois sermões, foram pregados com base no mesmo texto, porém, o sermão A retirou seus pontos principais do tema proposto pelo o pregador. Já o sermão B os pontos e o tema principal foram tirados diretamente do texto. Laclher (1990, p.49) conclui sobre o sermão tópico dizendo que: “Na melhor das hipóteses, o sermão tópico é um discurso bíblico. Na pior das hipóteses, ele pode ser uma opinião pessoal tendenciosa sobre Deus e a religião”.
2.3.5 COMPARAÇÃO DO SERMÃO EXPOSITIVO COM O TEXTUAL

O sermão textual é parecido com o sermão expositivo, mas, com algumas diferenças. Primeiro, O sermão textual geralmente é constituído de uma breve passagem bíblica, ou um único versículo ou dois. Já o expositivo, o texto pode ser uma parte mais ou menos extensa da Bíblia ás vezes um capítulo inteiro ou até mesmo um versículo. Broadus (2009, p.66) contribui dizendo:

Não parece válido definir um sermão expositivo em termos do comprimento do texto, em geral três ou mais versículos. Embora o sermão expositivo parta frequentemente de uma passagem mais longa, ele pode se fundamentar em um único versículo ou menos em uma única palavra. [...] Na realidade, são muitos os diferentes tipos de sermão expositivo. Além da palavra, do texto único e do parágrafo, pode se basear também em um capítulo, livro, episódio, drama, narrativa ou incidente. O método expositivo é limitado pelo tipos de literatura presentes nas Escrituras.

Segundo, o sermão textual as divisões principais é constituído do texto, mais suas subdivisões não. Broadus (2009, p.62) descreve: “Em muitos aspectos, o sermão textual tem o formato mais fácil. As principais divisões estão no texto; no entanto, há considerável liberdade na escolha do material e no desenvolvimento”. No sermão expositivo tanto as divisões principais como as subdivisões provem do texto bíblico. Braga (2005, p.55) escreve:

Na mensagem textual, as divisões oriundas do texto são usadas como linha de sugestão, isto é, indicam a tendência do pensamento a ser seguido no sermão, permitindo que o pregador tire de qualquer parte da Escritura as subdivisões ou ideias para a elaboração do esboço, de acordo com o desenvolvimento lógico dos pensamentos contidos nas divisões principais. O sermão expositivo, por sua vez, obriga o pregador a extrair todas as subdivisões, bem como as divisões principais, da mesma unidade bíblica que pretende expor. Dessa maneira, o sermão todo consiste na exposição de uma passagem bíblica, que se converte no próprio tecido do discurso.

Em terceiro lugar, no sermão textual, o estudo do contexto é importante; no expositivo, é indispensável, pois, do contrário, o sermão deixa de ser expositivo. Lachler (1990, p.50) conclui dizendo:

Na melhor das hipóteses, o sermão textual irá esboçar e trabalha em cima do versículo bíblico escolhido para o sermão. Na pior das hipóteses, o sermão textual pode fazer uso fraudulento das Escrituras para “santificar” tendências religiosas pessoais.

2.3.6 PERIGOS E DESVANTAGEM DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA

A pregação expositiva tem alguns perigos que podem impedir de ser um estilo usado em muitas igrejas. Por falta de uma instrução ou falta de experiências de muitos pregadores expositivos ela pode trazer dificuldades para que os ouvintes possam apreciar uma verdadeira exposição bíblica. Lopes (2008, p.151) lista alguns perigos: “tédio por causa da abordagem repetitiva, irrelevância e excesso de detalhes”. Braga (2005, p.75) diz que: “muitos pregadores podem cometer erros devido ao processo da exegese, pois, perdem-se no acúmulo de detalhes e não conseguem ver a mensagem principal do texto”. Ele ainda comenta que o sermão contém tantos detalhes que é difícil para o ouvinte acompanhar a mensagem. Esses erros devem ser evitados para que a exposição seja relevante.

Os três estilos de pregação podem ser usados na proclamação da Palavra de Deus, mas, a pregação expositiva é a mais bíblica e eficaz de todos. Depois de avaliarem cada sermão os autores são enfáticos em dizer que pregação expositiva é a mais bíblica e eficaz. Broadus (2009, p.65) diz que o sermão expositivo deveria ser o mais usado. Se pregar é da voz a bíblia e proclamara a verdade de Deus, o sermão expositivo seria o mais comumente usado, mas, tem sido o mais negligenciado. Para Marinho (2008, p.202), é o mais bíblico ele diz:

Apesar de ser o mais difícil de preparar, o sermão expositivo é o que penetra na alma com mais poder, porque é o que possui maior volume de conteúdo bíblico. Esse tipo de sermão extrai do texto bíblico não apenas a ideia central, as divisões e as subdivisões, mas o próprio espírito do texto, fazendo o ouvinte reviver as circunstâncias e os sentimentos que produzem aquele texto.

Já para Braga (2005, p.53) o sermão expositivo é o mais eficaz devido formar com o tempo uma congregação que aprendera com seu ensino fundamentado na Escritura. Ao expor a Escritura, o pregador interpreta a verdade bíblica. O que nem sempre pode se dizer dos outros tipos de sermão. A pregação expositiva traz a autoridade e o poder da Palavra de Deus. Lopes (2008, p.19) diz:

Embora Deus possa usar outros métodos de pregação, segundo a Bíblia e a história da igreja, a pregação expositiva é a melhor forma de pregar, com autoridade e poder, a Palavra de Deus. A escritura não erra, é infalível e suficiente. É espada, martelo e fogo. É eficaz para executar o propósito de Deus.

Robinson (2008, p.20 -21) diz que a principal ferramenta que Deus se dirigi as pessoas é através da Bíblia. Através da pregação da Palavra Deus opera transformando vidas e que o tipo de sermão que melhor transmiti a autoridade divina é a pregação expositiva. Lachler (1990, p.34-35) argumenta em favor da pregação expositiva quando escreve:

Na verdade, a pregação expositiva é um elo entre a eternidade, o passado, o presente e o futuro do pregador e do ouvinte. Ela torna possível a miraculosa transformação de caráter que todos necessitamos. Sem este tipo de pregação, os atos de Deus ficam como se estivessem suspensos no passado, inconscientemente identificados com superstição. [...] A exposição da Palavra eterna permite que Deus fale com a menor quantidade possível de empecilhos humanos. A esta altura devemos estar percebendo que o sermão expositivo não é um experimento religioso, pelo qual o pregador propaga suas opiniões pessoais, ou qualquer tipo de palestra teológica precipitada. Como podemos ver, é a combinação da dinâmica da Palavra eterna e do arauto que acredita inteiramente na eficácia dela. Este é nosso argumento até este ponto: a Bíblia é a Palavra de Deus vivo hoje.

A pregação expositiva é bíblica e eficaz para ser utilizado para o crescimento saudável da igreja, pois busca na própria Escritura sua essência. Deus transforma vida através de sua Palavra e a pregação expositiva é a mais fiel para essa transmissão. O pregador que se utiliza dessa forma de pregação tanto será enriquecido como encherá sua congregação da Palavra de Deus.

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