Cultura portuguesa



Baixar 7,94 Kb.
Encontro14.01.2017
Tamanho7,94 Kb.
UNIVERSIDADE ABERTA

E-FÓLIO A

Nome: António José Estêvão Cabrita
Número: 1002404
Turma: 01

Licenciatura em Ciências de Informação e Documentação



CULTURA PORTUGUESA

Docente: Ana Cristina Assunção

Novembro 2011
A «Questão Coimbrã», mais que uma polémica entre os seus intervenientes releva a contestação de uma geração ao modelo político, à sociedade e à cultura que na altura era por estes tida como estagnada em resultado de um marasmo intelectual, pela falta de ideias, de politicas e de debates renovadores em resultado do período Regenerador, do Marechal Saldanha, imposto em 1851, igualmente estável, que então se vivenciava.

Em Coimbra, os que mais tarde viriam a ser apelidados de Geração de 70, ainda jovens exaltavam as ideias e os géneros literários vindos da Europa, agora mais próxima com a chegada dos Caminhos-de-ferro, fruto do progresso industrial e económico iniciado pelo fontismo, onde se constatava cada vez mais o contraste entre o que por cá se pensava e se fazia quando comparado com o resto da Europa. No entanto, esse “desenvolvimento provinciano”1 deu forma a uma burguesia diletante, a quem pouco interessava esse progresso contando com a sua riqueza. Para tanto, era necessário um certo conformismo e pouca reacção às questões políticas e sociais. A cultura padecia também de tal apoplexia, limitando-se a copiar modelos e a elaborar retóricas elaboradas, com pouca ou nenhuma crítica. Os fluxos migratórios aumentavam, principalmente para o Brasil. Estava assim criado todo um clima de marasmo nacional.

A dita polémica, iniciada por António Castilho, com a publicação de um posfácio em «Poema da Mocidade» de Pinheiro Chagas em1865, onde aproveita para criticar o grupo de jovens escritores. Por parte destes, com Antero de Quental, a resposta com questões de «Bom Senso e Bom Gosto» critica fortemente a “escola do elogio mútuo”2 e a mesquinhez, ou seja, a promiscuidade estabelecida entre as Instituições, os seus representantes e os que ali aspiravam.

Todavia, desde cedo que os jovens de Coimbra contestaram as Instituições dominantes, como a Universidade, cuja doutrina onde a liberdade de pensamentos não é permitida, se não corresponder aos interesses e às oligarquias existentes, onde “preferem imitar a inventar; e a imitar preferem ainda a tradução”3.

Assim, o percurso dos jovens escritores e contestatários daquela “Geração”, de que fazem parte entre outros Antero de Quental, Oliveira Martins, Eça de Queiroz e Teófilo Braga, culminaria nas Conferências Democráticas no Casino Lisbonense em 1871. Tinham estas Conferências por objectivos agitar mentalidades e discutir a sociedade mas sobretudo fazê-la participar com vista a reformá-la por dentro, de uma forma já não apenas restrita a Portugal.

As Conferências foram interrompidas e proibidas pelas autoridades.


Bibliografia

NP 418 (1988)

NP 3715 (1989)

NP 4285-3 (2000)



NP 4285-4 (2000)

1 Machado:1998, 23

2 Saraiva: 2010, 800

3 Quental, Antero. Bom Senso e Bom Gosto. In Machado: 1998, 76-77


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal