CRÔnicas de amores anunciados mauro Ferreira



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CRÔNICAS DE AMORES ANUNCIADOS

Mauro Ferreira

O Dia / Maio de 2000

O quinto CD de Marisa Monte – Memórias, Crônicas e Declarações de Amor (Textos, Provas e Desmentidos) – mantém o estilo classudo da cantora. Não avança em relação à obra da artista, mas fascina pelo habitual requinte com que Marisa seleciona seu repertório e o trabalha no estúdio.

Se o trabalho anterior de estúdio, Cor-de-Rosa e Carvão, tina textura mais brasileira, o atual é pop e, nesse sentido, remete a Mais, o segundo CD da cantora. Há guitarras unidas a uma percussão brasileira em resultado harmonioso.

Se o som incorpora sutis novidades na fórmula, o repertório ratifica o universo musical de Marisa. Os já habituais parceiros Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown estão onipresentes. E justiça seja feita: Amor, I Love You é uma bela canção radiofônica. Pop bem feito e embalado (o arranjo de cordas e metais de Steve Barber é de babar!). Mas o disco vai além. Marisa soa pungente no lirismo de Gotas de Luar, jóia esquecida de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, e ratifica sua intimidade com o samba na regravação de Para Ver as Meninas (1971), de Paulinho da Viola. Como compositora, a cantora evoluiu. Gentileza é linda. Mas há músicas mais fracas, como o antigo Tema de Amor.

Resumo da ópera: o disco faz a crônica dos amores anunciados. Mas com classe.

Memórias de amor

Marisa Monte abre o coração no seu quinto CD, Memórias, Crônicas e Declarações de Amor (Textos, Provas e Desmentidos), que chega hoje às lojas. “Canto o amor, um tema ancestral. Este disco é íntimo, é um close no meu rosto sem maquiagem. Ele revela o caráter pessoal do meu trabalho”, acredita Marisa.

Avessa à exposição de sua intimidade, Marisa desnuda sentimentos a reboque de um repertório que inclui novas regravações das lavras de Tim Maia (O que me Importa, canção de Cury, gravada pelo Síndico em 1972), Paulinho da Viola (Para Ver as Meninas) e Jorge Ben Jor (Cinco Minutos). E ela ainda tira a lírica Gotas de Luar do baú de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito.

“Muitas músicas falam de amor, mas algumas de um amor que transcende o plano pessoal e afetivo”, diz Marisa.

É nesse plano transcendental que Marisa homenageia o “profeta” Gentileza na música homônima, uma das sete que assina no repertório de 13 composições. Morto em 1996, Gentileza era um andarilho carioca que divulgava mensagens de paz pela cidade. A cantora compôs a música Gentileza indignada com o sumiço das mensagens escritas pelo “profeta” no viaduto do Caju. “Fiz a música no mesmo dia. Gentileza deixou um legado e o Rio, violento, precisa dos pensamentos pacíficos de um personagem como ele”, defende Marisa.

Em clima pacífico, Marisa canta a saudade em Abololô e o amor à música em Sou Seu Sabiá, inédita de Caetano Veloso composta para o CD a pedido do co-produtor do álbum, Arto Lindsay. “Achei sensível”, diz a diva.

Show chega ao Rio em junho

Literatura - Na música Amor, I Love You, escolhida para puxar o disco, Marisa Monte inseriu um trecho do livro O Primo Basílio, de Eça de Queiroz. O trecho é lido por seu parceiro Arnaldo Antunes, co-autor de Não Vá Embora. “Quis que Arnaldo lesse um texto de prosa”, explica a cantora. A trama do livro serviu de inspiração para o magistral clipe da música.

Em cena - A turnê de lançamento do disco começa em 2 de junho em Curitiba, no Teatro Guaíra. Ao Rio, o show chega em 7 de julho, no ATL Hall. “Já estou com saudade do palco, do cheiro da gelatina dos holofotes”, conta Marisa. Os ensaios já começaram.



Selo - O disco sai pelo selo de Marisa, o Phonomotor. É a confirmação da independência artística da cantora. “O selo foi um caminho natural, já que nunca submeti meu repertório a qualquer departamento de gravadora”, garante a cantora.

Bahia - Com o amigo e parceiro Carlinhos Brown, Marisa assina músicas como Não É Fácil, Tema de Amor e Água Também É Mar. E foi na Bahia que Marisa gravou as bases percussivas do CD. “O disco é uma tentativa de unir a linguagem da percussão brasileira com a da música pop”, define Marisa.


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