Cristiano rodrigues dos santos



Baixar 230,47 Kb.
Página1/3
Encontro27.09.2018
Tamanho230,47 Kb.
  1   2   3
FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA ASSOCIAÇÃO CRISTÃ DE MOÇOS DE SOROCABA

A INFLUÊNCIA DOS JOGOS ESCOLARES NA SOCIALIZAÇÃO DE ALUNOS DOS 6º E 7º ANOS NA MODALIDADE FUTSAL NA CATEGORIA PRÉ-MIRIM.

CRISTIANO RODRIGUES DOS SANTOS

SOROCABA

2014

FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA ASSOCIAÇÃO CRISTÃ DE MOÇOS DE SOROCABA

A INFLUÊNCIA DOS JOGOS ESCOLARES NA SOCIALIZAÇÃO DE ALUNOS DOS 6º E 7º ANOS NA MODALIDADE FUTSAL NA CATEGORIA PRÉ-MIRIM.

AUTOR: CRISTIANO RODRIGUES DOS SANTOS

ORIENTADOR: VALENTIM LUIZ VIEIRA


Trabalho de Conclusão do Curso de Educação Física apresentado à Faculdade de Educação Física da Associação Cristã de Moços de Sorocaba, como parte dos requisitos para obtenção do Diploma de Graduação de Licenciatura em Educação Física.

.

SOROCABA



2014

SUMÁRIO

  1. INTRODUÇÃO.......................................................................................... 1

  2. REVISÃO DE LITERATURA................................................................ 3

    1. Jogo.................................................................................................. 3

      1. Jogos Escolares Municipais.................................................4

      2. Jogos Escolares Estaduais.................................................... 6

      3. Jogos Escolares Brasileiros..................................................6

    2. Socialização....................................................................................11

      1. Socialização Pré-Mirim......................................................11

    3. Criança...........................................................................................13

    4. Futsal..............................................................................................14

      1. História do Futsal...............................................................14

      2. Características da Modalidade...........................................17

3. MATERIAL E MÉTODOS.....................................................................19

3.1 Tipo de Pesquisa............................................................................19

3.2 População......................................................................................19

3.3 Amostra.........................................................................................19

3.3.1 Escola Estadual Prof.ª Maria Paula Ramalho Paes................19

3.3.2 Histórico................................................................................19

3.3.3 Origem do Nome...................................................................20

3.3.4 Aspectos Físicos....................................................................20

3.3.5 Esportes – Destaque para o Futsal.........................................20

3.4 Instrumentos Para Coleta de Dados..............................................21

3.5 Estratégia Para Coleta de Dados...................................................21

3.6 Análise de Dados...........................................................................21



4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE RESULTADOS.....................22

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................26

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................27

7. ANEXOS...................................................................................................32

7.1 Modelo de Questionário................................................................32

7.2 Autorização Para Pesquisa de Campo...........................................34

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho à minha mãe e meu padrasto, pelo apoio que me conceberam em todas as etapas da minha vida e em especial a partir da minha escolha pelo curso de Educação Física, a minha irmã mais próxima, a quem sempre pude partilhar de ideias e contar em momentos de solidão e a todos os meus professores e amigos que impulsionaram o desenvolvimento de meus conhecimentos e sentimentos que auxiliaram na construção de meu ser.



AGRADECIMENTO

A Deus por todas as oportunidades e pessoas que colocou em minha vida.

A Faculdade pelo acolhimento e apoio por parte de todos os seus colaboradores.

Em especial ao meu orientador Valentim Luiz Vieira, que em sua disponibilidade me auxiliou da melhor forma possível, permitindo-me desenvolver este trabalho.

Também ao diretor Maurício Massari e às professoras Gisele, Sandra, Sylvia por suas contribuições no conteúdo de minha pesquisa.

Ao professor Maurício Cobianchi, em particular, por todo auxílio na elaboração dessa monografia.

As funcionárias e amigas Ana, Rose, Sandra e Telma, por todo momento de descontração e companheirismo extraclasse.

Enfim, agradeço a todos os meus professores, amigos e colegas de turma, por estarem comigo até o momento, até mesmo os que ficaram no meio dessa jornada, que deixaram um pouco de seu melhor comigo, me servindo de exemplo de ser humano e profissional que pretendo ser.

À TODOS ESSES E AOS QUE ESTÃO POR VIR, MUITO OBRIGADO E SUCESSO.

EPÍGRAFE

A competição não é apenas para determinar quem ganhou ou perdeu mas para refletir o que você fez de melhor.

André Tavares.

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo geral esclarecer como a competição de futsal na categoria pré-mirim dos jogos escolares torna-se elemento chave na construção social do indivíduo. Os jogos escolares promovem um intercâmbio entre futuros atletas, estimulando a prática esportiva e hábitos saudáveis. Sendo o futsal um esporte coletivo, existem regras, táticas e condições físicas necessárias para seu desenvolvimento. Pelo fato de ser uma modalidade coletiva e muito popular, devido a facilidade para sua prática e um baixo custo ao participante, este esporte permite que a socialização ocorra de uma forma natural. Fundamentando-se em Bee (1997), Tenroller (2004) e Voser (2004) entre outros, este estudo apresenta resultados de um questionário aplicado a vinte praticantes de futsal da categoria pré-mirim, quanto a socialização. Podemos concluir que o futsal é uma modalidade que auxilia seus praticantes em uma convivência harmoniosa, devido a sua velocidade e a necessidade da reciprocidade do jogo coletivo de uma forma mais enfática.



Palavras chave: Futsal. Socialização. Pré-mirim.

  1. INTRODUÇÃO

A intenção deste trabalho é observar as formas com que a competição afeta alunos no aspecto social, levando em conta a faixa etária em que se enquadram, sendo a em que se inicia a escolha por uma modalidade específica. É também a fase em que ocorre uma transição de ciclo escolar, muitas vezes de escola e/ou turno quando as relações interpessoais vão ou podem vir a ser alteradas ou adequadas por intermédio da mesma.

A Socialização caracteriza a aquisição de conhecimentos através de diferentes meios e relações interpessoais que podem ser estimuladas através da competição de caráter coletivo, correlacionando a ideia de se conquistar mais de um objetivo, em curto prazo à determinada premiação e em longo prazo às atitudes que envolverão comportamentos da vida adulta.

Castelanni Filho (2002) afirma que a competição esportiva dentro do espaço escolar tende a distinguir-se daquela realizada em outros campos, pois deve comprometer-se com os objetivos da instituição escolar e não com o da instituição esportiva.

Para Girardi e Chalvin (2001), a escola é um tipo societário que apresenta relações mais pensadas; onde tudo gira em torno da racionalização.

Vale salientar que um dos focos deste trabalho está em apresentar as competições de modalidades coletivas, pois segundo Moura (2009), as técnicas individualizadas podem afastar os alunos uns dos outros impossibilitando a socialização de conhecimentos.

A competição é caracterizada pelo confronto em busca de alguma bonificação através do rendimento do participante, que compete em número de vezes de acordo com a estrutura denominada, geralmente em categoria e gênero semelhantes. Pode ser dividida em torneio, de caráter eliminatório, geralmente realizado em curto período de tempo, ou em campeonato, no qual todos os concorrentes se enfrentam ao menos uma vez, durante um período mais longo, enfatizando uma melhor performance do competidor (CAPINUSSÚ, 1986; BARBANTI, 1994; PAES, 1996).

Com isso, procura-se solucionar a seguinte questão: Qual a influência da competição na socialização de alunos da categoria pré-mirim?

Têm-se como objetivo geral esclarecer como a competição de futsal na categoria pré-mirim torna-se elemento chave na construção social do indivíduo.

Demonstrar como os Jogos Escolares tornam-se um meio de socialização, observar quais padrões comportamentais podem ser adquiridos através das modalidades coletivas, definir a integração entre família, escola e profissional de Educação Física como agente importante na construção biológica, psicológica e social da criança ligada ao esporte competitivo e esclarecer como a competição através de modalidades coletivas torna-se elemento chave na construção social do indivíduo, e são os objetivos específicos a serem alcançados.

Os Jogos Escolares do Estado de São Paulo (JEESP), antiga Olimpíada Colegial, tem como objetivo o intercâmbio entre futuros atletas, com estímulo à prática esportiva e a hábitos saudáveis.

Conforme o Regulamento Geral dos Jogos Escolares do Estado de São Paulo de 2013 na categoria pré-mirim se enquadram as crianças até 12 anos de idade (SÃO PAULO, 2013).

O estudo da socialização então passa a ser um auxiliar preparatório na construção de um ser pró-ativo, que possa ser mais bem encaminhado e incluso nas atividades relacionadas à vida cotidiana adulta, desde que, seu embasamento siga às normas às quais a comunidade habitual se submete. Através dela as crianças aprendem a se comportar de acordo com os padrões culturais, de cooperação e basicamente para estabelecer sua sobrevivência (LIMA, 1980; GERRIG, 2005; MANNING, 2006).




  1. REVISÃO DE LITERATURA



    1. Jogo

Quem vai ao jogo, leva, para sua prática, as coisas que já possui que pertencem ao seu campo de conhecimento, que foram aprendidas de antemão em procedimentos de adaptação, de suprimento de necessidades que lhe são objetivas (FREIRE, 2002).

O jogo é para criança, em primeiro lugar, brincadeira sendo também, uma atividade séria em que o faz de conta, as estruturas ilusórias, o geometrismo infantil, a euforia, entre outros fatores, têm importância considerável. O Jogo possibilita a percepção total da criança fazendo-a com que desenvolva as possibilidades emergentes de sua estrutura particular, concretizando as potencialidades que afloram a essência do seu ser, assimilando, desenvolvendo, unindo, combinando e lhe dando vigor. O verdadeiro jogo tem caráter sério, tendo sempre regras rígidas, incluindo fadigas e em vezes levando ao esgotamento, sendo mais que um mero divertimento, compreendendo-se que o jogo pode ser evasão e compensação. O jogo torna-se sério por envolver o copo todo, pois é uma manifestação global de sua personalidade. O jogo é uma antecipação à vida adulta (CHATEAU, 1954).

A transmissão lúdica é rápida e fácil nas crianças, até porque elas se adaptam em função do seu nível de desenvolvimento e não de traços culturais: qualquer jogo lhes serve, desde que adequado à sua psicomotricidade. Os jogos são uma bela forma inter subjetiva de atividade social. Enquanto o neurótico, não é social, pois entre ele e as formações coletivas se cavou um fosso, o participante nos jogos entra em relação com o outro como pessoa e, enquanto joga, se o jogo for bem conduzido, define e enriquece a sua própria personalidade. Joga-se, quando se pode ganhar ou perder; brinca-se, quando esse não é o desfecho, tendo em vista apenas o prazer do divertimento. Até a idade escolar o jogo é de fato a mais séria e exaustiva ocupação da criança. A partir dos sete anos, o jogo já é competição, embora não implique em treino ou em regulamentações rígidas, como acontecer no desporto, há os que ganham e os que perdem, ficando os primeiros contentes e estimulados e os outros um pouco abatidos, mas se repararmos, as crianças facilmente esquecem os resultados do jogo e fazem de seus adversários parceiros (CABRAL, 1998).

Além dos limites temporais e espaciais, todo jogo é organizado com base em regras, que podem ser explícitas, implícitas, flexíveis ou rígidas, porém, fixas, obrigatórias e devem ser respeitadas por todos os jogadores, sendo previamente aceitas pelos mesmos, tornando-os cientes das consequências do resultado final. Não se trata da preparação para algo maior, mas apenas, repetições de condutas, que visam a superação do que está sendo apresentado, além da auto-superação individual. O impulso dessa auto-superação se caracteriza como catalisador do prazer decorrente do jogo, proporcionando liberdade de expressão de quem o joga, em virtude de seu entendimento, evidenciando o seu caráter lúdico. O jogo ao mesmo tempo é lúdico e sério, apresentando inúmeras outras características, tais como: ordem, desordem, tensão, movimento, mudança, solenidade, ritmo e entusiasmo, tornando-se uma suspensão da realidade, uma forma de manipulação de algo que não é de sua vida corrente, nem real, sendo um momento de deformação da vida cotidiana, que quando consciente leva em conta o nível de desenvolvimento cognitivo do jogador. Enfim, essas características fazem do jogo um fenômeno cultural, carregado de valores éticos, transformando-se em legado ao ser passado de uma geração para outra (VENÂNCIO, 2005).



      1. Jogos Escolares Municipais

De acordo com Barbieri (2007), objetivando uma política de esporte de rendimento, procurando formar atletas com representatividade futura ao país, geraram-se distorções significativas no âmbito dos Sistemas Estaduais de Educação, tendo como consequência a realização, com as mesmas características, de um enorme número dos conhecidos "Jogos Estaduais" e "Jogos Municipais", como etapas, indispensáveis, para a seleção dos alunos aos Jogos nacionais, o que, sem dúvida, apresentou iguais consequências seletivas e discriminadoras na grande maioria das Escolas deste País.

Ainda segundo Barbieri (2007), o esporte pautado na manifestação conhecida como "de Rendimento" ou "de Alto Nível", vem sendo há vários anos uma única e equivocada estratégia utilizada, pela maioria dos professores, principalmente, e por muitos Secretários Estaduais e Municipais de Educação ou de Esporte, como forma de Educação, principalmente, de crianças e adolescentes.

Para Piauí (2002), os Jogos Municipais são um tipo de competição nos quais, geralmente, se inicia a participação de crianças na categoria pré-mirim. Ao planejar uma política de esportes a principal matriz que o dirigente municipal deve contemplar é do princípio da livre escolha e participação espontânea, com incentivo à criatividade e a busca da ocupação prazerosa do tempo disponível, sendo trabalhadas de forma interdisciplinar, atendendo a todas as manifestações culturais do esporte: físico-esportivo, intelectual, social e turístico.

Barbieri (2007) afirma que se deve tomar muito cuidado com a prática esportiva para faixas etárias de iniciação para que nessas competições esportivas, também no âmbito da Educação, não nos deparemos com um contexto onde o individualismo, a rivalidade, o antagonismo, a tensão, a contração, a clausura, a pressão psicológica dêem o tom e a forma do cenário e das relações entre os participantes. Não raras vezes tais variáveis chegam a exercer enorme influência até mesmo entre os participantes de uma mesma equipe, gerando, quase sempre, a desunião entre seus integrantes, os quais, em sua maioria, num breve tempo, começam a perceber o seu companheiro de equipe como o seu primeiro, e mais próximo, adversário.

Segundo Piauí (2002), o Município deve oferecer, atividades de caráter permanente como escolinhas de iniciação e aperfeiçoamento, que configuram a base do desenvolvimento das atividades de esporte e lazer, além do apoio, que incentivem e sustentem os permanentes e também de impacto e eventos especiais, que mobilizam grande parcela da sociedade através de experiências lúdicas, como exemplo comemorações e festas.

Os Jogos Municipais devem ser implantados, quando relacionados ao lazer, como veículo e objeto de educação, propondo ações para e pelo lazer esportivo (PIAUI, 2002).

Outra distinção necessária deve fazer-se entre esporte competitivo de alto rendimento e práticas desportivas de objetivos lúdicos, estas últimas, de forma abrangente a todas as faixas etárias, especialmente as crianças e adolescentes. As atividades físicas e desportivas têm especial importância para os públicos pré-escolar e escolar. No que diz respeito às escolas, a promoção desse tipo de atividade, de ser feita em conjunto com outras que também utilizem e absorvam as expressões culturais da juventude do modo mais amplo possível (PIAUI, 2002).


      1. Jogos Escolares Estaduais

Os jogos escolares estaduais procuram fomentar a prática do desporto educacional, contextualizando-o como meio de educação e visa contribuir para o desenvolvimento integral do educando, como ser social, estimulando-o ao pleno exercício da cidadania, bem como fomentar a ocupação do tempo do educando com a prática esportiva. Essas ações procuram também, incentivar as ações entre as escolas, reforçando o espírito de grupo, amizade, solidariedade e paz. Por meio dos Jogos Escolares, os alunos podem ser direcionados à construção de um mundo melhor, livre de qualquer tipo de discriminação. Através das atividades esportivas, os alunos são induzidos a construir seus valores, conceitos, a se tornarem mais sociáveis e, principalmente a viver com intensidade as suas realidades (FORTUNATI, 2007).

Os Jogos Escolares têm por objetivo promover através da prática esportiva, a integração e o intercâmbio, entre os alunos das unidades escolares da rede de ensino fundamental e médio de todo o Estado, favorecer a descoberta de novos talentos esportivos que possam ser indicados para os programas Bolsa Talento Esportivos e Centro de Excelência Esportiva, além de fomentar o desporto escolar em todo o Estado (SÃO PAULO, 2014).



      1. Jogos Escolares Brasileiros

A partir da guerra fria, a máxima “o importante é competir”, é substituída pelas ideologias políticas (SALDANHA JR, 2010). Desta forma, tendo como um dos principais objetivos a busca e desenvolvimento de "talentos esportivos" para a "Glória do Desporto Nacional", as competições esportivas realizadas nos moldes do Esporte de Rendimento, na forma como são concebidas, planejadas, organizadas e realizadas nas últimas décadas deste século, têm se configurado em verdadeiros "campos de guerra", nos quais o confronto e a figura do adversário são elementos primordiais na escolha das estratégias e comportamentos adotados face ao objetivo da conquista da supremacia, da conquista da vitória. Mesmo que essas competições e vitórias sejam irrelevantes (BARBIERI, 2007).

O esporte de rendimento, a profissionalização de atletas, o marketing esportivo, passa a ser parte da vida esportiva, tornando-se modelos até então praticados, ampliando dessa maneira o conceito de esporte. Neste aspecto o Brasil teve um papel importante após conquistar seu terceiro título mundial de futebol no ano de 1970, no qual se desenvolveu a política de “esporte para todos”. O País ganha uma nova ordem social, na perspectiva de descoberta de novos talentos, pois se pretendia participar do seleto grupo de países considerados desenvolvidos (SALDANHA JR, 2010).

O esporte tinha o papel, além de detectar futuras promessas no contexto esportivo, formar indivíduos fortes e mais preparados para atender as exigências das classes dominantes (MATOS, 2002).

Tal procedimento, totalmente distanciado de um processo de Educação integral, e integradora, contribuiu como corolário, para a realização de ditos Jogos de abrangência nacional, nos quais as Unidades da Federação se fizeram representar por grupos de alunos dos Ensinos de I e II Graus, da época, em sua maioria das escolas particulares, que, após passarem por programas de treinamento esportivo, compuseram as chamadas "Seleções do Desporto Escolar", das diversas modalidades esportivas (BARBIERI, 2007).

Devido à importância dada ao esporte, ele é embasado legalmente pela Constituição Federal de 1988 que em seu artigo 217, estipula: “É dever de o Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um” (SALDANHA JR, 2010, pág. 8).

Em 1989, desenvolve-se a primeira experiência, de abrangência nacional, objetivando, com a realização dos Jogos Escolares Brasileiros – JEBs, apresentar uma proposta de evento esportivo fundamentado nos novos pressupostos e princípios do esporte que vinham sendo debatidos, principalmente no Brasil. Esses jogos que durante duas décadas foram um dos principais instrumentos para a “revelação de talentos esportivos”, fundamentaram-se nos princípios de participação, cooperação e integração (BARBIERI, 2001).

A busca pelo esporte competitivo podia ser observada, particularmente, em clubes, nas categorias de base, com a especialização precoce, não sendo casos generalizados e, nas escolas, com as turmas de aula treinamento (SALDANHA JR, 2010).

O esporte está presente no cotidiano, inserido em associações, clubes esportivos, entidades especializadas em esportes e principalmente na escola. Pode ser contextualizado em três vertentes. A primeira delas refere se ao esporte desempenho, objetivando o rendimento dentro de uma obediência às regras existentes para cada modalidade esportiva; a segunda ao esporte participação, na qual sua finalidade é o bem estar e participação do praticante; e a terceira vertente ao esporte educação, que possui uma meta de caráter formativo (SALDANHA JR, 2010).

Pode se considerar que esporte praticado na escola ainda é a base para iniciação esportiva e uma atividade de formação, de saúde, de prevenção de distorções sociais (violência, uso de drogas), uma vez que, trata essencialmente, do ser humano e de suas relações consigo mesmo, com o outro e com o mundo em que vive (SALDANHA JR, 2010).

O princípio de participação garante a todos os alunos participarem, efetivamente de todos os jogos e provas das “modalidades coletivas” constantes no evento, eliminando a figura do atleta reserva. Já o princípio de cooperação, aponta para o fato de que a vitória a ser alcançada não é individual, estimulando a contribuição que cada participante pode oferecer ao grupo. A integração como princípio, oferece uma série de outras atividades como construtivas dos jogos, nas quais os alunos afastados do isolamento, próprio das equipes que apenas objetivam uma premiação, possam conhecer-se mutuamente criando laços mais estreitos de amizade e consideração, por intermédio de provas de confraternização, também estimulando a participação de portadores de deficiência física e descendentes de nações indígenas (BARBIERI, 2001).

Segundo Barbieri (2001), partir dos JEBs de 1989, houve grandes mudanças tidas como necessárias tais como: a substituição da tradicional “Comissão Disciplinar” que intervia juridicamente sobre as ações relacionadas ao desporto, por uma comissão de ética, com formação dada por pessoas mais próximas à realidade dos participantes da competição (professores, alunos, árbitros e Dirigentes de Delegações). A criação da “Comissão de Alunos”, coordenada por um educador, composta por alunos participantes dos Jogos, também como estagiários nas diversas Diretorias, Departamentos e Comissões, técnico-administrativas, que compunham a estrutura organizacional dos JEBs. A desmistificação da premiação estendendo-a a outras classificações e re-significando o valor do Troféu da Competição em si, abrindo-o também, a colaboradores que se destacaram durante a mesma. A inclusão, efetiva, dos portadores de deficiência física nas provas de Atletismo, de caráter obrigatório a todas as delegações e como somatória de pontos as equipes participantes. A mudança das regras oficiais, pré-estabelecidas pelas Federações Internacionais de cada modalidade, de forma a permitir a participação mais ampla dos componentes das equipes.

Ainda de acordo com Barbieri (2001), a realização de um “Torneio da Amizade”, no qual participantes de diferentes delegações, pudessem formar equipes e participar das de diferentes jogos, não inseridos no programa oficial. A realização da “I Conferência do Esporte na Escola”, como elemento constitutivo dos Jogos, aberta a todos os participantes e ao público externo contando com a presença de educadores de reconhecida competência. A criação de uma “Comissão de Avaliação” destinada a avaliar os Jogos tendo em vista seus princípios, sua filosofia e objetivos. E por fim, a Cerimônia de Abertura na qual todas as delegações participantes, estariam convidadas a participar, com Alunos de diversas modalidades e gêneros, como forma de confraternização, lazer e incentivo a prática esportiva.

A Política Nacional do Desporto concebia o esporte como elemento fundamental no processo de formação do homem como cidadão, principalmente no âmbito da educação de jovens e adolescentes, tendo em vista a sua importância, no que se refere à interpretação da realidade, pleno desenvolvimento da capacidade humana, desenvolvimento de um processo participativo e integrador, sua relevância social, compreensão melhor do mundo que nos cerca, preparação para atuar na sociedade, ao enriquecimento e aprofundamento das alternativas e possibilidades do homem em situação. Tal política resultou na promulgação da lei nº 8.672, de 06 de julho de 1993, estabelecendo que o Esporte Educacional, evitando-se a seletividade, a competitividade excessiva, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral e formação da cidadania, tem o seu desenvolvimento tanto nos sistemas formais de ensino, como fora deles, tornando-se assim oficial a sua desvinculação do sentido de “esporte rendimento” (BARBIERI, 2001).

A Lei de Diretrizes e Bases de 20 de dezembro de 1996 determina a promoção do desporto educacional, como uma das diretrizes às quais os conteúdos curriculares da Educação Básica deverão observar e pelo início da implantação nos anos de 95 e 96, do Programa Esporte Educacional, que objetiva garantir a prática do esporte prioritariamente às crianças e adolescentes, como um instrumento do processo de desenvolvimento integral e formação da cidadania, em parceria com as secretarias e educação e esporte, estaduais e municipais, com instituições públicas e privadas, com organizações governamentais ou não e também com as universidades, por intermédio de seus programas de extensão (BARBIERI, 2001).

Nesse sentido de Esporte Educativo, através dos Jogos Escolares, as medalhas, os troféus, os cantos e louvores, a fama, o pódio, o recorde, a fama, os milionários contratos publicitários, o já tão praticado doping, o estresse psicológico e físico, a aniquilação do outro, o lucro exacerbado, a competitividade excessiva, a seleção darwiniana e outros valores, estratégias, objetivos e consequências, cedem lugar a preservação da saúde, ao autoconhecimento, à melhoria da auto-estima, ao afeto, à cumplicidade nos êxitos e insucessos de cada um e de todos, ao fortalecimento e preservação da biodiversidade e identidade cultural, à solidariedade fraterna, à prevalência do Ser sobre o Ter (BARBIERI, 2001).

A presença do esporte na escola tem como objetivo a formação do cidadão. Democratizar o acesso à prática e a cultura do esporte como instrumento educacional, visando o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes como meio de formação da cidadania, melhoria da qualidade de vida e correção de distorções sociais, torna-se indispensável na escola (SALDANHA JR, 2010).

Em estudo Shigunov (2002), têm como objetivo, a busca do entendimento da competição como crescimento social dos adolescentes e a sua percepção em relação aos seus aspectos positivos. Pode-se, desta forma, destacar as seguintes evidências que os resultados fizeram salientar:


  • A competição para muitas crianças, principalmente do sexo masculino, é considerada como muito importante em muitos aspectos como vivência, aprendizagem, relacionamento, crescimento pessoal e conhecimento dos outros;

  • A outra questão que merece destaque é a importância do técnico e todos os aspectos subjacentes que envolvem o mundo da competição;

  • Ainda, deve ser apontado como algo positivo é a valorização tanto dos colegas, pais e da escola para com os atletas que disputam as diferentes modalidades;

  • Destaque, também, para as diferentes modificações psíquicas, com a participação em uma competição, elevando os níveis de ansiedade e do nervosismo;

  • Por fim, vale destacar, a grande importância atribuída pelos competidores a serem os campeões gerais nos Jogos em epígrafe.

Considerando que a competição esportiva se constitui em um meio de descoberta pessoal, de formação da personalidade e de afirmação afetiva e emocional, saber manter a sua tradição também é de grande importância para o crescimento das pessoas envolvidas nesse processo.




  1   2   3


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal