Círculo do Medo Robyn Anzelon



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Capitulo XVII
A viagem de volta de Armadale foi marcada por um silêncio tenso e, chegando em Glenclair,Barbara ficou sozinha e sem nada para fazer.Garrath passou a tarde trancado no escritório;Janet estava na casa da amiga e Charlie tinha ido a uma fazenda vizinha ajudar a consertar um telhado.
A sra.MacGuigan estava na cozinha,preparando um bolo de amêndoas encomendado para a festa daquela noite.Então resolveu oferecer ajuda,mais foi praticamente enxotada:
- Fora daqui! Não quero ninguém me perturbando agora!
Fechou a porta correndo,entendendo logo a razão daquela reação explosiva.A sra.MacGuigan estava usando óculos para ler a receita.
Assim, passou a tarde toda descansando, até chegar a hora de se arrumar para a festa.Decidiu usar o conjunto que Garrath lhe dera.Era a roupa mais adequada que tinha para a ocasião e não via nenhum motivo para não usá-la.Prendeu o cabelo de um jeito sofisticado e desceu.
Encontrou o casal MacGuigan esperando.Garrath também estava pronto,mais atraente do que nunca, de smoking e o sorriso em seus lábios era sensual e cheio de admiração.
Barbara se arrependeu de ter decidido usar aquela roupa.Um olhar de Garrath bastou para se lembrar daquelas mãos desabotoando a blusa,dos beijos ardentes que trocaram e desejou que tudo se repetisse.Sufocou essas sensações sem piedade,assumindo uma expressão fria e arrogante.
Se não fosse por Janet, a ida até o lugar da festa teria sido insuportável. A Irmã de Garrath aliviou a tensão,contando as últimas novidades e fofocas da ilha, enquanto a sra.MacGuigan reclamava da futilidade e do desperdício de tempo das festas em geral.
Quando chegaram, a casa já estava cheia de convidados rindo,dançando e bebendo o legítimo uísque escocês.O ambiente era muito animado e Barbara teria se divertido muito mais se não ficasse o tempo todo pensando em Garrath St. Clair.
A ruiva que encontraram em Armadale veio cobrar a dança prometida por Garrath logo depois de sua chegada e não foi a única mulher da festa a querer chamar sua atenção.
Barbara seguiu os dois com o olhar até a pista de dança, remoendo o ciúme.
Mas para sua surpresa, Garrath se aproximou quando a música terminou e a convidou para a proxima dança.
- Eu...eu não conheço danças escocesas...
Estava em pânico.Sabia que se fosse abraçada outra vez por aquele homem,seu corpo trairia suas emoções e seu bom senso seria dominado por desejos irracionais, que não conseguiria esconder por muito tempo.
- É uma valsa,Barbara.E certamente não tem nada de escocês nisso - Garrath zombou e estendeu a mão,não lhe deixando outra alternativa senão aceitar.
Garrath a apertou nos braços, fazendo os dois corpos se tocarem.Barbara sentia-lhe a respiração quente e sua reação foi imediata.Cada parte de seu ser dizia que aquele era o seu lugar.
- Gosto de ter você nos meus braços - Garrath sussurou enquanto suas mãos deslizavam sobre a seda macia da blusa, trazendo o corpo dela para mais perto ainda. - Principalmente, como ontem à noite.Mas isto é bom também.
- Parecia realmente estar gostando de dançar com aquela moça.
-Está com ciúme,gatinha?
- Ciúme! Por que deveria?
- Realmente, por que? - Garrath apertou o abraço, interrompendo a conversa.
Barbara ficou remoendo a raiva pelo resto da dança.Como ele ousava sugerir que estava com ciúme daquela ruiva assanhada! Que homem mais presunçoso! Na certa, pensava que podia conquistar qualquer mulher.Pois não seria mais uma em sua lista!
Quando a música terminou,Barbara ficou o mais longe possivel de Garrath.Ainda estava furiosa com aquela insinuação ridicula quando uma nova rodada de uísque foi servida para brindarem aos noivos.No momento em que levava o copo à boca, viu Garrath do outro lado a sala,junto com a ruiva.
Quando Garrath a viu, chegou mais perto da ruiva e cochichou alguma coisa em seu ouvido. A moça olhou para Barbara e depois para Garrath,sorrindo.
Foi a gota d'agua para fazer a raiva explodir nas veias dela.
Tomou todo o uísque de um só trago e os garçons passavam constantemente, cuidando para que seu copo nunca ficasse vazio.
Não estava acostumada a beber e logo começou a sentir o corpo entorpecido.
Em homenagem aos noivos, um rapaz começou a cantar uma tradicional balada escocesa, sendo acompanhado pelos demais convidados.Barbara ficou surpresa em ver até a sra.MacGuigan particpando do coro.
Apesar das reclamações no carro, a governanta parecia estar se divertindo.Estava abraçada ao marido,os olhos brilhando com lágrimas nostálgicas.Talvez estivesse lembrando de quando ela era a noiva homenageada.
Os convidados fizeram um círculo em volta do rapaz e continuaram a cantar.A maioria das baladas era cantada na lingua dos montanheses da Escócia,o gaélico.Mas não era preciso entender o significado das palavras para sentir a emoção das melodias.
Barbara não sabia como,mas Garrath estava a seu lado quando começaram a cantar e acabaram sentando juntos no chão.Garrath a abraçou e estando sob os efeitos da bebida, ela não ligou.
Tinha a vaga lembrança de ter motivos para estar furiosa com aquele homem, mais isso não tinha a menor importância agora.Aquelas canções antigas embalaram sua alma e recostou a cabeça pesada no ombro de Garrath.
Foi então que ouviu o som melancólico de uma gaita de gole, vindo de fora.Os convidados foram para a varanda e Barbara levantou para ir também quando a sala começou a girar e teria caído no chão se Garrath não estivesse do seu lado.
- Ora,minha pobre princesa...- Garrath sorria - Terá uma dor de cabeça daquelas amanhã!
Não ouviu essas palavras.Tudo que sabia era que o aconchego daqueles braços fortes era o lugar mais confortável em que poderia estar para ouvir o som da gaita de fole.
O gaiteiro era um velhinho baixo ,de rosto enrugado.estava usando o tradicional saiote escocês e marchava para frente e para trás, tocando seu instrumento.Quando a última nota desapareceu no ar,a festa acabou.
A volta para casa passou numa confusão indistinta na mente de Barbara.ouviu a sra.MacGuigan sugerir que Charles dirigisse e ficou agradecida,porque assim poderia continuar com a cabeça no ombro de Garrath.Quando chegaram em Glenclair, teve que ser carregada até o quarto.
- Tem certeza de que não precisam de ajuda? - A voz era de Garrath.
- Não se preocupe,não precisamos - O tom da sra.MacGuigan era severo - Quando quiser despir a moça, terá que ser com o consentimento dela, Garrath St.Clair. E esta não está em condições de dizer sim ou não agora.Portanto, se já acendeu esse fogo, suma daqui!.
Janet ria, enquanto ajudava a tirar a roupa de Barbara.
- Não consigo achar a camisola.
- Bem, acho que não fará mal dormir sem nada por uma noite - foi a resposta da governanta,enquanto tirava os grampos da cabeça e a fez deitar,cobrindo bem com o cobertor.
- Devia ter usado óculos esta noite,sra.Macguigan, só para ver Garrath dançando com ela - a voz de Janet mal penetrava em sua mente entorpecida - Formavam um par perfeito.
- Não preciso de óculos para enxergar bem, senhorita.E quem é você para julgar se um par é perfeito ou não? Vá já para a sua cama e pare de pensar em bobagens.
Janet saiu do quarto, rindo.Enquanto pendurava as roupas, a sra.MacGuigan murmurava para si mesma:
- Um par perfeito...É possivel...Pois não ouvi Garrath pronunciar o nome da moça de um jeito especial? É...talvez...
A esta altura,Barbara já estava num sono profundo.
Acordou com uma terrivel dor de cabeça.A atitude mais sensata seria ficar naquela cama o dia todo.Não estava em condições de levantar e enfrentar os outros depois da primeira ressaca de sua vida.
Mas Garrath parecia ter outros planos.Quando Barbara ouviu alguem bater na porta e entrar no quarto sem a menor cerimônia, não precisou nem tirar a cabeça debaixo do travesseiro para saber quem era.Quem mais poderia ser?
- Vá embora - murmurou quando Garrath tirou o travesseiro de seu rosto.
- Vamos, princesa.imagino como está se sentindo, mas prometo que farei você melhorar num minuto.
- Amanhã
-Hoje.Já está tudo arranjado.
- Arranjado...tudo? -Arregalou os olhos.O que Garrath estaria planejando?
- Assim que você levantar e se vestir,iremos dar um passeio.
- Um passeio? Você deve estar louco! No estado em que estou,duvido que consiga parar em pé.
- É exatamente por isso que precisa de um pouco de exercício.Já pedi para a sra.Macguigan preparar um lanche...
- Não me fale em comida! Acho que nunca mais vou querer comer.
- Aposto como estará faminta depois de alguns minutos de caminhada.O que você precisa é de ar fresco.
- O que preciso é...
Garrath segurou o rosto dela com as duas mãos e olhou bem no fundo de seus olhos:
- Você precisa de ar fresco.Prometo que ficará muito melhor depois do passeio.Confie em mim,Barbara.
Não sabia por que,mas confiava naquele homem.
E deu certo. O ar fresco começou a fazer efeito logo depois que iniciaram a caminhada pelas colinas de Glenclair. A dor de cabeça sumiu como num passe de mágica e Barbara sentiu o apetite voltar.

Não queria dar o braço a torcer, mas não aguentava mais de fome e perguntou:


- O que será que a sra.Macguigan preparou para o lanche?
-Ora, pensei que não fosse comer nunca mais - Garrath zombou, parando perto de uma rocha para estender a toalha para o piquenique.
- Bem, talvez só um pouquinho... - Sorriu, e covinhas apareceram nas faces.
Nem parecia a mesma que tinha acordado tão mal.A manhã estava radiante e a vista que se tinha do alto daquelas colinas era digna de um cartão postal.O azul forte do céu se refletia nas águas tranquilas do lago aninhado no lençol verde do vale.
Só uma coisa não encaixava naquele cenário paradisíaco.Nos fundos da casa, havia uma clareira,e em seu centro, um helicoptero.
- É para casos de emergência - Garrath explicou - Tanto eu quanto Janet sabemos pilotar.
- Janet sabe mexer nessa geringonça.
- Claro.É muito habilidosa.
Fez uma pausa para engolir um pedaço de pão,antes de comentar.
- Garrath,não entendo...
- O quê?
- Você confia na habilidade de Janet e deixa que tome decisões importantes na companhia, mas não lhe dá liberdade para amar quem quiser.Isso não faz sentido.
- Suponho que esteja falando de Andy Walker.
- Suponhamos que sim.E daí? Pelo que sei, você considera Andy um trabalhador responsável e a prova disso está nas promoções que lhe deu.É um bom rapaz e gosta realmente de Janet. Portanto,não vejo por que...
- Simplesmente porque sei o que é melhor para minha irmã -Garrath pareceu perceber o absurdo que acabava de dizer e tentou se retratar: - Ouça,Barbara.Janet é uma moça muito rica e também muito influente na companhia.E aprendi com a vida que dinheiro e poder nem sempre atraem sentimentos sinceros.
- Não é possivel que você ache que Andy é um caça-dotes!
- Digamos apenas que sei como Andy era com as mulheres quando veio trabalhar na plataforma.Só queria diversão e nunca teve dificuldade em conseguir passatempó.Aquele ar de menino abandonado irresistivel conquistava muitas mulheres.
Barbara lembrou de Janet ter dito que os dois costumavam se divertir juntos,mas foi sensata o suficiente para não comentar nada.
- E por isso acho dificil acreditar que tenha abandonado aquela vida porque descobriu o verdadeiro amor.Mas por algumas ações da St. Clair...seria bem possivel.
- Garrath! Isto é...Isto é repulsivo! Tenho certeza de que Andy não é assim.Mas mesmo que você estivesse certo,ainda acho que Janet deveria ter o direito de tomar suas próprias decisões e arcar com seus erros.O máximo que você poderia fazer era expressar seus sentimentos e dúvidas. Se continuar querendo mandar na vida de sua irmã,acabará sendo odiado.
- Janet nunca vai odiar.Entenderá que só estou fazendo isso para seu próprio bem.
- Pois são exatamente as pessoas que dizem querer o nosso bem que mais odiamos!.
Acabaram de comer em silêncio e,quando Barbara estava inteiramente satisfeita, recomeçaram a caminhada.Garrath explicou que todo ano as equipes de resgate eram chamadas para salvar pessoas apanhadas por uma súbita mudança de tempo ou falta de habilidade em escalar montanhas.
- As vezes, a equipe de resgate chega tarde demais.
Barbara se arrepiou.Os picos daquelas montanhas pareciam realmente traiçoeiros e perigosos.Mais adiante,encontraram um córrego com uma pequena cascata,onde salmões lutavam contra a correnteza.
- Não são os únicos habitantes dessas águas - Garrath comentou - Existem "Kelpies" também.
- Kelpies? É algum tipo de peixe?
- Não, embora vivam na água.São seres que aparecem principalmente para moças bonitas, disfarçados em forma de garanhões de pêlo muito lustroso.Aquelas que montam no cavalo são arrastadas para o fundo das águas e ...
Barbara estava agachada na margem,batendo os dedos na água.
- ... e nunca mais reaparecem! - Garrath nem bem terminou de falar e Barbara jogou um punhado de água gelada em seu rosto - Ora, sua diabinha!
- Você estava zombando de mim!
- Sabe o que você merece? Umas boas palmadas, você sabe onde.
- Não se atreva!
- Não? - Garrath deu risada e a fez ficar de pé,segurando seus ombros.Mas foi outra parte de sua anatomia que recebeu a atenção dele.
Garrath a beijou.Foi um beijo molhado da água do córrego,mas provocante e tão inesperado que ela não teve tempo de pensar se deveria ou não resistir.O fato era que estava correspondendo.
Estavam perdidos em emoções extasiantes e não notaram a neblina densa e repentina que os envolveu.O sol logo foi encoberto por nuvens escuras.
- Droga! - Garrath murmurou quando sentiu a queda brusca na temperatura - Desculpe,deveria ter percebido isso antes, mas você sempre me distrai!.
Barbara ficou vermelha e olhou à sua volta para disfarçar o embaraço.Nuvens cinzentas avançavam cada vez mais no céu e as montanhas eram vultos sombrios no meio da cerração.Mas o mais alarmante era que não viam nenhum sinal de Glenclair.Estavam ilhados num mar de neblina.
Barbara batia os dentes de frio e Garrath tirou o casaco.
- Vista isto,depressa.Temos que sair daqui.
Ela entrou em pânico.Como poderiam andar no meio daquela cerração, se não enxergavam nada a um palmo diante do nariz? Mas foi só Garrath segurar sua mão para o medo passar.
- Segure firme e não solte em hipótese alguma, entendeu?
Não parecia sensato sair andando com o perigo tão óbvio.A cerração ficava mais densa a cada minuto e Barbara seguia Garrath completamente´ás cegas, mal conseguindo enxergar os próprios pés, O terreno era irregular, dificultando mais ainda a caminhada.Mas em nenhum momento sentiu medo.
Não era seguro continuar andando naquelas condições, mas Barbara esqueceu suas diferenças de opinião com aquele homem e acreditava que estaria protegida com ele por perto.Era uma questão de instinto.Confiava nele,sem nenhuma explicação plausível para isso. Apenas confiava.
E assim era com o amor que sentia nascer.
Capitulo XVIII
Subitamente, uma cabana branca apareceu no meio da cerração.Garrath a puxou para lá e entraram.Um lampião de querosene estava pendurado na entrada e logo tiveram luz.
- Fique á vontade,Barbara.Vou acender o fogo.
Toras de madeira e gravetos estavam empilhados ao lado da lareira.A cabana tinha apenas um cômodo, com uma pequena cozinha e um banheiro.Um sofá e duas poltronas dividiam o espaço da sala com uma cama grande.
- Meu pai reformou esta cabana antiga e vinha para cá quando os negócios ou a vida em geral ficava dificil de suportar.Fez questão que não houvesse telefone,televisão ou rádio.Mas nunca conseguia ficar mais de um dia e voltava correndo para a civilização para ver se a St.Clair tinha falido na sua ausência.
- E você? Também costumava vir para cá? Quanto tempo consegue ficar longe dos negócios?
Garrath riu,enquanto riscava um fósforo.
- Sim, também uso este lugar como refúgio.E já fiquei neste buraco por... três ou quatro dias seguidos,- Depois de acender o fogo, olhou para trás e encontrou Barbara parada no mesmo lugar em que a deixou - Ora,mulher,por que ainda está parada aí com essas roupas molhadas? Venha já para perto do fogo!
Estava paralisada, mas não de frio.Era por causa da descoberta que a atingiu como um relâmpago:amava Garrath St.Clair.Tinha sido apanhada de surpresa, num momento de fraqueza, senão teria repelido a idéia como fizera por muito tempo.
Agora,era impossivel mentir para si mesma. O desejo, o pânico e o mal-estar que sentiu quando o viu dançando com outra mulher eram sintomas que qualquer adolescente teria reconhecido.Não era apenas atração física, era amor.
Só não tinha percebido antes porque não queria.Tentava evitar as complicações e as possiveis mágoas que teria amando aquele homem.Mas a partir daquele momento,não podia mais esconder o sentimento forte que invadia seu peito.
Lembrou da acusação de Garrath de estar se escondendo de seus próprios sentimentos.Pura verdade.Mas como Garrath sabia? ´Será que sabia também que era amor?
Continuava incapaz de se mexer e Garrath se aproximou, com ar preocupado.
- Barbara, você está bem? Desculpe,deveria ter percebido como isso tudo afetou você.Cerrações súbitas e densas como esta podem assustar até os que estão acostumados.Imagino o que passou.
- Não...não é isso...Não tive medo...não com você...- Não conseguia falar com os dentes batendo incontrolavelmente.
- Como você está fria! - Garrath a abraçou, levando-a para perto do fogo. - Venha, vamos tirar esse casaco molhado. - Depois, ele a fez sentar no sofá e começou a lhe tirar os sapatos - Não precisa ficar com medo, estamos seguros aqui.Provavelmente teremos que ficar até amanhecer,mas temos provisão de comida e não morreremos de fome.
Garrath pegou a garrafa térmica, servindo chá quente para Barbara.
- Tome isto,vai lhe fazer bem.
-Obrigada.
Garrath tirou o próprio casaco e foi até o banheiro, voltando com uma toalha.Tirou a presilha dos cabelos dela e começou a enxugar os fios molhados.
- A sra. MacGuigan vai querer a minha cabeça se deixar que você fique resfriada.Já levei uma bronca ontem a noite por não ter cuidado de você na festa.Acho que ela gosta de você.
- Gosto dela também.
- O quê?
- Disse que...
Não conseguiu terminar a frase.Olhou aqueles olhos castanhos, a linha sensual dos lábios e todo pensamento lógico fugiu de sua cabeça.Sua respiração se alterou e a pulsação acelerou.
Estendeu a mão para tirar uma mecha de cabelo molhado da testa de Garrath, deslizando os dedos pelos fios até chegar na nuca.Sentiu os músculos ficarem tensos ao seu toque.
-Barbara? - Essa única palavra foi dita numa voz rouca.
Ela entendeu o que Garrath estava perguntando.Desta vez,não havia telefone ou a sra.MacGuigan para interromper.Numa cabana isolada,um homem e uma mulher sozinhos na frente de uma lareira...Se caísse naqueles braços não teria escolha.
Colocou a caneca na mesa ao lado do sofá e ficou de frente para Garrath para que seus olhares se cruzassem, deixando a resposta fluir de seus olhos verdes.
Passou os braços pelo pescoço dele e se inclinou,buscando o contato de suas bocas.
Não foi um beijo terno.O gesto de Bárbara foi suave e hesitante, mas não a resposta de Garrath.Os braços dele a envolveram com força,quase esmagando seus lábios.Tudo que importava naquele momento eram as bocas ardentes explorando,provocando e excitando.
Foi diferente para Barbara,agora sem o obstáculo dos sentimentos reprimidos de antes,quando parte de sua energia se desviava para a luta que se travava com as emoções despertadas por aquele homem.Agora,não existia nenhum confito, nada para reprimir.Podia corresponder de corpo inteiro áquela paixão devastadora.
A toalha caiu para o chão,enquanto as mãos de Garrath deslizavam pelos cabelos compridos.
- Parecem fios de ouro... - Garrath sussurou, seus lábios contornando o queixo dela para descer até o pescoço - Quero ver você coberta apenas por esses fios e pela luz do fogo.
Lentamente,Garrath ficou de pé, trazendo junto o corpo dela.Não parava de beijá-la na boca, no rosto e no pescoço.Ele lhe desabotoou a blusa, abriu o zíper da calça e tirou-lhe as transparentes roupas íntimas.Num instante, estava parada diante dele,tendo os cabelos como única proteção.
Garrath se afastou um pouco, devorando aquele corpo feminino com olhar.Jogou os cabelos dela para trás, deixando os seios á mostra e fazendo os bicos ficarem tensos de prazer antes mesmo do toque sedutor das mãos.
As mãos de Garrath deslizaram por aquela pele macia como seda,os dedos provocando carícias eletrizantes nos seios...na cintura...nos quadris.O encanto mágico do desejo deixou o corpo de Barbara lânguido e ela teve que buscar apoio nele.
Garrath a tomou nos braços,capturando seus lábios outra vez.Então,a fez deitar no tapete de pele de carneiro, na frente da lareira,deixando os lábios seguir a trilha deixada pelas mãos.Barbara foi dominada por um desejo tão intenso que chegou no limiar da dor.
- Garrath,por favor...
- Eu sei...
Garrath levantou o suficiente para tirar a roupa e deitou novamente sobre aquele corpo macio.Aprisionou seus lábios,levando-a a um estado de desejo febril.As mãos pareciam deixar marcas de fogo em cada toque.O corpo de Garrath exigia e Barbara cedia.
Era uma dança mística e milenar,mas sempre nova.Coreografados pela paixão e orquestrados pelo desejo,dois corpos seguindo o mesmo compasso davam o que o outro pedia, até a dança virar um redemoinho extasiante de prazer e chegar a realizaçao total.
Barbara acordou de sobressalto.Abriu os olhos e puxou o cobertor até o queixo.Tinha sonhado que estava em casa quando a campainha tocou.Ia abrir a porta quando teve o pressentimento de que alguma coisa horrivel a esperava do outro lado e poderia destruir sua felicidade.
Como se não bastasse o susto com o sonho. estava com os olhos abertos e não via nada.Sabia que estava na cabana e o calor da cama contrastava com o frio do ambiente.Na certa, o fogo na lareira tinha se apagado.
Mas devia existir alguma fonte de luz, por menor que fosse,em algum lugar.E não aquela escuridão total cobrindo tudo.Ficou com medo,lembrando dos temores da infância.
Teve calafrios e começou a tremer.Foi então,que sentiu um movimento ao seu lado.
- Barbara,você está bem?- Garrath sentou na cama e passou o braço por seus ombros sem vacilar. - Teve outro daqueles pesadelos?
- Não...É que...está tão escuro!
- Ah,pobre menina da cidade.Não existem luzes de neon no alto da montanha.Além disso,a neblina está encobrindo a luz das estrelas.Mas eu devia ter lembrado de seus pesadelos e providenciado para o fogo queimar até amanhecer.
- Não, está tudo bem.Não...
- Pss.Não importa.Agora, posso afugentar seus pesadelos como queria fazer naquela primeira noite na plataforma.Abraçar você e não poder ir além disso foi a pior tortura da minha vida.
De repente,a escuridão não importava mais.Era apenas um manto negro envolvendo os dois corpos e criando uma atmosfera mais íntima.Barbara sentiu a respiração quente de Garrath no pescoço, enquanto as mãos incendiavam o resto de seu corpo.
- Vou acabar com esses sonhos,amor.Não terão lugar em suas noites porque todo tempo será tomado por mim e nossa paixão...
Uma luz fraca penetrava pela janela quando ela acordou.Garrath ainda estava dormindo e Barbara ficou imóvel por alguns minutos,adorando a sensação de acordar ao lado daquel homem.Como tinha suportado vinte e cinco anos dormindo sozinha??
Já ouvira falar de comunidades tribais,onde toda a familia dormia junto e agora entendia a razão.Era maravilhoso e reconfortante ter companhia na cama, principalmente do homem que se ama.
- Eu te amo,Garrath St. Clair...- murmurou para si mesma.Ainda não tinha expressado seu amor em palavras, mas a paixão que os consumia dizia tudo.
Tinha consciência dos problemas que teria pela frente,mas pelo menos agora não precisava mais lutar contra seu próprio instinto,contra uma força inexorável.
- Você parece muito satisfeita esta manhã - Uma voz zombeteira a tirou dos devaneios.
- E por que não deveria, se acabo de descobrir a resposta para uma pergunta que me persegue desde que conheci você.
- E que pergunta é essa?
- Qual de seus nomes combina melhor com você.Garrath,que é forte e arrojado;ou St.Clair,meigo e terno.
- E o que você descobriu,minha querida analista?
- Descobri que os dois nomes revelam seu cárater.Você é forte e arrojado,sem deixar de ser meigo e terno.
- E em que se baseou para tirar essa conclusão,dra.Christensen?
- Em experiências pessoais - Passou os braços pelo pescoço dele - Muito pessoais.
Garrath riu e deu uma palmada leve no traseiro dela.
- Bem, doutora, se nao quiser passar por outra experiência dessas agora, é melhor sair dessa cama.
- Isso é uma ameaça...ou uma promessa?
-Barbara...Estou tentando ouvir a voz da razão que me diz para voltar o mais rápido possivel para Glenclair.Janet e os outros devem estar preocupados.Mas se você continuar me provocando...
- Oh,Garrath!Esqueci completamente dos outros!Devem ter ficado preocupados a noite toda, enquanto nós... - Ficou corada de embaraço.
- Devem ter presumido que viemos para esta cabana.Mas não ficarão sossegados enquanto não tiverem a prova concreta de que estamos sãos e salvos.
Ela levantou e colocou os pés para fora da cama.Mas estava muito frio e, notando o olhar interessado de Garrath em seu corpo,voltou para baixo das cobertas.
- Posso convencer você a acender o fogo primeiro?
A expressão de Garrath era maliciosa quando respondeu, deitando possessivamente sobre ela:
- Por um preço.
- Garrath! Sua irmã e sua querida babá estão esperando!
A consciência falou mais alto e Garrath saiu da cama.Barbara o segui com o olhar até a lareira,lembrando do contato íntimos com aquele corpo viril e do prazer que trocaram.Quase o chamou de volta.
Tomaram um café simples com bolachas e leite.Ela nem conseguiu comer direito, com Garrath sentado á sua frente e acariciando seu rosto de vez em quando.
No caminho de volta,mais pareciam dois adolescentes apaixonados.Andaram de maõs dadas,parando com frequencia para trocar abraços e beijos,rindo por nada quando seus olhares se cruzavam.
Levaram mais de uma hora para chegar na colina sobre Glenclair e desceram correndo pela encosta, como duas crianças.Barbara chegou primeiro na porta dos fundos da casa e Garrath pediu um premio de consolaçao.
- Por chegar em segundo.
- Em último - Barbara corrigiu.
- Então,mereço mais consolação ainda. - E se inclinou para receber o premio.O consolo teria durado mais tempo se o estômago dela não escolhesse aquele momento para começae a roncar. - Com fome outra vez? Ou é apenas uma tática para se livrar de uma situação comprometedora?
- Ora, o café da manhã não foi grande coisa.
Garrath riu e a soltou para abrir a porta.
- Está bem. Você vai procurar janet, enquanto vou para a cozinha tentar convencer a sra.MacGuigan a preparar alguma coisa para nós.É claro que antes terei que ouvir um sermão por não ter aparecido para jantar ontem.
Barbara entrou cantarolando, sentindo como se tivesse encontrado uma parte de si, perdida a anos. Na certa, Janet não teria trabalho em descobrir o que tinha acontecido na cabana.Estava estampado em seu rosto.
Passou saltitando pelo corredor,até chegar no hall de entrada onde ficou paralisada ao ver a última pessoa no mundo que esperava encontrar.
- Richard! O que você está fazendo aqui?
- Resolvi fazer surpresa.Agradável espero.
- É claro! - Barbara percebeu a rudeza de seu comentário e forçou um sorriso para se retratar. - Você...me assustou.
- É o risco que corremos quando queremos supreender alguém.
- Vejo que já conheceu Janet.
Tentava ganhar tempo para se recuperar do choque.Não pensava em Richard desde que tinha ligado de Edimburgo, quando sua súplica para voltar a São Francisco não tinha sido atendida.Mas depois da noite passada, quando descobrira um novo universo de emoçoes,São Francisco e Richard tinham deixado de existir.
Mas agora Richarde estava ali.Aquele mesmo homem de olhar calculista, em quem tinha se apoiado nos momentos mais dificeis de sua vida e que jamais pensaria em magoar.
- Sim. - Richard olhou para Janet - Ela estava me contando que você e Garrath estavam nas colinas quando a cerração desceu sobre a ilha e que provavelmente tinham procurado abrigo numa cabana.Você está bem,Barbara?
- Sim... a cabana era muito confortável e Garrath era um bom...guia. - Enquanto falava, rezava para não ficar vermelha.- Não corremos nenhum perigo.
- Que bom.Fiquei preocupado.
Richard que nuncas demonstrava nenhuma intimidade com ela em público, lhe deu um beijo na boca.Teria ficado menos chocada se levasse uma mordida.Aquela atitude era tão inesperada que não pôde fazer mais nada senão esperar que o momento passasse.
Um voz irônica interrompeu o beijo.
-Você deve ser Richard Perry
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