Círculo do Medo Robyn Anzelon



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Encontro28.10.2017
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Capitulo XI

O helicoptero deu uma guinada e iniciou seu percurso.Mas a imagem de Miles continuou na memoria de Barbara, que virou para trás para ver se Garrath também tinha visto a figura solitária testemunhando sua partida.


Não tinha. A atenção dele estava concentrada em uma pasta de couro cheia de documentos. O olhar de Barbara se demorou mais do que pretendia e todos os pensamentos sobre Miles desapareceram.
Notava alguma coisa diferente em Garrath, embora não soubesse dizer exatamente o que era. A oportunidade de estudar sua fisionomia enquanto estava distraído era tentadora demais. Os traços daquele rosto eram menos severos agora e a tensão também parecia ter desaparecido do corpo dele.
Talvez fosse apenas impressão sua, influenciada pela distância cada vez maior de sithein Um. Seria possivel Garrath mudar quando se afastava das responsabilidades e tensões da plataforma? Era pouco provável. Mas continuava a achar que existia alguma diferença...
Não sabia determinar o que, mais isso não importava realmente. Logo estaria livre de Garrath St. Clair e de volta para os braços seguros de Richard.Não deveria levar mais do que dois dias para fazer aquele serviço extra, e então, nunca mais veria Garrath. Apenas dois dias...
Ou...talvez três.
Recostou no assento e um suspiro escapou de seu peito antes de cair no sono. Um leve sorriso se esboçava em seus lábios.
O sorriso continuava em seus lábios horas depois quando foi acordada por um toque no ombro. Virou para o outro lado, resistindo. Precisava repor o sono perdido na noite anterior.
Ouviu uma voz sussurada ao seu ouvido:
- É melhor acordar, princesa, ou perderá uma das vistas mais bonitas do mundo.
Princesa...
Arregalou os olhos e endireitou-se no banco.Procurou a origem daquela voz e deparou com olhos castanhos cheios de calor. Garrath a tinha chamado de princesa... Da outra vez, tinha achado que era um sonho. Mas agora...
- O que foi que você disse?
Garrath estava debruçado no banco de Barbara, com um sorriso irônico. A mão dele se infiltrou por baixo de seu casaco e acariciou seu pescoço. Era uma caricia íntima, e antes, que ela pudesse protestar ele lhe segurou o queixo.
- Olhe para lá.
Era mais fácil ceder do que resistir e Barbara olhou pela janela.
- Oh, Garrath!
Era uma vista espetacular. Num primeiro plano, os trabalhos idênticos das casas estavam alinhadas e espalhadas pelas encostas das colinas. Aqui e ali, torres de igrejas se projetavam ´para o céu cinzento. E no ponto mais alto, havia uma rocha enorme, a pedra fundamental de um castelo majestoso. Um pouco mais além, despontava uma enorme colina verdejante.
Era uma paisagem encantadora e definitivamente não era Aberdeen. Pelo pouco que tinha visto do helicoptero antes de partir para a plataforma, tinha certeza de que aquele cenário adoravel não era Aberdeen.

- Onde estamos, Garrath?


- Estamos em Edimburgo. É a capital da Escócia e a cidade mais prospera do país.
- Edimburgo! Por que viemos para cá e não para Aberdeen?
- Porque a matriz da St. Clair Corporation fica aqui. Só os escritórios do setor de petroleo fica em Aberdeen.
- Então, é aqui que você quer a conexão do computador? Por que não me disse antes?
- Humm, bem... Olhe, estamos chegando no aeroporto - Garrath voltou ao seu banco e apertou o cinto de segurança para a aterrissagem.
Era uma atitude muito típica dele. Primeiro, agia com uma arbitrariedade irritante e depois, quando era colocado contra a parede, simplesmente evitava a pergunta!
Mas aquela mudança de destino não fazia a menor diferença. Contanto que estivesse fora da plataforma ,tanto fazia para que cidade iria. E certamente Edimburgo era atraente. Apenas o fato de não ter sido avisada, mais uma vez, a irritava.
Sua irritação, porém, passou assim que aterrissaram e foram para o centro da cidade de táxi. A magnifica paisagem vista de cima era ainda mais grandiosa de perto. E não poderia ficar ressentida com Garrath quando estava sendo o guia perfeito.
- A maioria das cidades antigas da Grã-Bretanha nasceram ao longo dos vales. Edimburgo foi fundada no topo de uma colina vulcânica e se alastrou a partir do castelo.
A imagem do castelo era imponente, e parecia que a construção montava guarda sobre a cidade, transmitindo severidade e serenidade ao mesmo tempo.
- É tudo tão...tão... - Barbara não encontrava as palavras. - Gostaria de ter tempo par ver tudo.
- Gostaria mesmo? - Quando ela confirmou com a cabeça, Garrath não hesitou em ordenar: - Motorista, pare aqui, por favor!
O motorista de táxi obedeceu prontamente e deu uma guinada brusca, jogando-a para o outro lado do banco. Quando caiu em si, estava praticamente no colo de Garrath. Sentia os braços firmes em sua cintura e , não sabendo onde colocar as mãos, segurou nas coxas dele.
- Ora essa, srta. Christensen! - Garrath ria as custas dela, que fazia um esforço tremendo para não gritar de raiva.
Garrath a ajudou a se endireitar e ficou com os braços em seus ombros. Barbara ficou tensa e sentiu uma mão erguer seu queixo.
- Parece que está virando um hábito você cair nos meus braços.
Barbara estava fervendo de raiva, mas o sorriso de Garrath era contagiante. Então ,se deu conta de como aquela cena era ridicula e riu até seus olhos verdes se encherem de lágrimas.
o riso de Garrath era vibrante e ele a segurou pela mão, enquanto lhe enxugava as lágrimas.
- Vamos. Quero te mostrar uma coisa.
Saíram do táxi e Garrath enfiou a cabeça pela janela para falar com o motorista. Ela não prestou atenção no que diziam, embriagada pela paisagem. As poças na calçada e o cheiro de umidade no ar indicavam chuva recente. Estavam diante de um parque enorme, onde se detacava uma torre gótica.
- É isso que você queria me mostrar? - comentou quando Garrath voltou para o seu lado e pegou sua mão.
- Uma parte. Pelo menos, é bom lugar para começar. Este é o Princess Street Garden e aquele é o monumento a Walter Scott, um poeta e romancista escocês. Você quer subir ou continuar?
- Continuar? De que você está falando?
- Edimburgo. Você terá a honra de fazer a mundialmente famosa excursão de St. Clair pela capital escocesa, incluindo um passeio por Royal Mile, um almoço numa taberna aconchegante e o castelo, é claro. Além de outros pontos turísticos, se sobrar tempo.
- Você está brincando...- Nesse instante, notou que o táxi foi embora com sua bagagem. - Você está falando sério!
- É claro que estou. Não aprendeu ainda que sempre falo sério?
- Mas não pode ser! Não tenho tempo para passear. Tenho que trabalhar.
- Por quê?
- Como, por quê? Porque... porque tenho que voltar...Quero dizer, é meu trabalho, e tenho que...
- Você tem o quê? Está trabalhando para mim por enquanto e não estou com pressa, não vejo por que você não possa adiar um pouco o trabalho.
Garrath parecia não entender...Uma excursão como aquela não estava em seus planos.
Tinha de voltar o mais rápido possivel para a segurança e o bom senso de sua vida em São Francisco.
Por outro lado, as muralhas do castelo pareciam acenar ao longe e ela queria muito conhecer as famosas catedrais da cidade. Seria uma pena voltar para casa sem conhecer pelo menos alguns pontos turisticos da Escócia. Que mal poderia haver em aceitar a sugestão de Garrath? Certamente, não teriam oportunidade para situações românticas no meio da cidade.
- Está bem. Quero uma passagem para essa fabulosa excursão por Edimburgo, por favor.
- Será um prazer escoltar a senhorita - Garrath sorriu, fazendo uma reverência, e começou a andar antes que Barbara mudasse de idéia.
Tudo vai dar certo, era o que ela repetia para si mesma. Garrath não tentaria nenhuma aproximação mais íntima e não tinha com que se preocupar. Nesse instante, Garrath passou o braço por sua cintura e quando abriu a boca para protestar recebeu um beijo na testa.
- Cobrarei a passagem mais tarde...
- O quê? - Sentiu um calafrio e tentou se soltar do braço em sua cintura.
Garrath soltou a cintura, mais ainda lhe segurava a mão.
- Vamos indo. Seu guia não gosta de gente vagarosa. - disse, apertando o passo. Barbara não tinha outra alternativa senão ir adiante, imaginando em que encrenca estava se metendo desta vez. Mas sua inquietação foi passageira porque Garrath voltou a agir com naturalidade depois daquele comentário insinuante. Ela relaxou, aproveitando o passeio, sem se preocupar com o preço da passagem.
Aquele passeio não tinha nada de uma excursão formal. Enquanto caminhavam, Garrath contava um pouco da história do lugar, mas na maior parte do tempo comentou sobre suas proprias impressões. E era disso que Barbara mais gostava.
Nos jardins, viram turistas andando de lá para cá para escolher o melhor ângulo para suas fotos.
- Acho que não saberão dizer onde estiveram até as fotos serem reveladas - Garrath comentou.
Ela sorriu, de total acordo. Nunca levava uma câmera em suas viagens, preferindo observar bem cada lugar, em vez de se preocupar em acertar uma máquina.Quando voltava para casa, levava suas lembranças e alguns cartões postais.]Os jardins também estavam repletos de crianças de faces rosadas, passeando com suas mães ou babás. Era curioso notar que o tom das roupas das crianças era escuro, variando do marrom para o azul-marinho e até preto; e não rosa e azul-claro como de costume.
-As mães escocesas são muito práticas para vestir seus filhos com roupas de cor clara - foi a resposta de Garrath ao comentário dela - Sujam com muita facilidade.
- E o que você entende sobre crianças e roupas sujas?
- O suficiente. Tinha quinze anos quando Janet nasceu e, como minha mãe morreu logo depois, tive que ajudar a criar minha irmã.
" Tive que ajudar a criar minha irmã". Barbara ficou sensibilizada. A frase lhe criou uma imagem totalmente incompatível com aquela que tinha do Garrath adulto.
Tomaram uma ruazinha íngreme para sair dos jardins e subir até a parte velha da cidade. Enquanto isso, Garrath, contava um pouco da história.
- A cidade nova foi planejada no século XVIII para permitir a expansão de Edimburgo. Mas, no começo, as pessoas tinham medo de deixar a proteção segura das muralhas que cercavam o primeiro núcleo de povoação para se aventurar por um territorio desconhecido.Tiveram que oferecer uma recompensa para o primeiro que construísse uma casa lá. Já imaginou tudo isso desabitado e desprotegido? Você aceitaria a recompensa? Seria uma pioneira?
- Não sei... E você?
- É claro que aceitaria. Pense só na chance de construir e criar!Pense no desafio! E acho que você também teria se aventurado. Seria a escolha mais lógica e vou lhe mostrar por quê.
Passaram por ruas muito estreitas, onde as casas se amontoavam. Até o ar parecia pesado.
- A falta de espaço obrigava a expansão para cima e não para os lados - Garrath explicou - Foi por isso que optaram de vários andares, incomuns na época.A aglomeração excessiva de pessoas resultava em muita promiscuidade e doenças.
Garrath parecia conhecer muito bem aqueles becos que mais pareciam labirintos. Barbara sentia-se perdida depois da primeira esquina,mas não ficou preocupada. Seguia Garrath de bom grado por lojas, galérias e vários museus.
Finalmente, chegou a hora de comer e entraram numa taberna muito aconchegante, do século XVII, onde teve a oportunidade de experimentar um cozido tipicamente escocês . Era um caldo feito á base de cevada e legumes, acompanhado por pão caseiro.
Um leve tilintar de sinos anunciou a entrada dos dois e foram recebidos por um homem corpulento, de cabelos arruivados. Tinha uma barba abundante que escondia todo o rosto, deixando apenas os olhos azuis de fora. Usava o típico saiote escocês. Garrath, como todo o seu tamanho, perdeu-se no abraço caloroso daquele homem.
- Ora essa, que bons ventos o trazem? - o sotaque escocês era tão forte que suas palavras soaram quase ininteligíveis. O homem se aproximou de Barbara e a segurou pela cintura, erguendo-a para que seus olhos se cruzassem - Vejo que está seguindo meu conselho,Garrath meu velho amigo.
- Que conselho, Alexander Duncan?
- Ora, que você encontrasse uma garota com fogo em vez de gelo na alma. - O escocês a colocou de volta no chão e deu um tapa nas costas de Garrath, que teria sido atirado para o outro lado da taberna se fosse menos forte.
Sentaram numa mesa e foram logo servidos com o cozido, pão e chá quente. Tiveram também a companhia do anfitrião.
- A familia de Alex mora perto de Genclair e estudamos juntos quando eramos crianças.- Garrath fez a apresentação - Está no meu pé desde então.
- Sim, foi preciso - O escocês concordou, cruzando os braços - Sabe, era dificil manter o pequeno senhor das terras na linha.
Barbara observou Garrath.Será que tinha sido um menino convencido com a riqueza da familia?
Era pouco provável. Garrath podia ser arrogante, mas não por esse motivo. Sua arrogância vinha do poder e da autoridade conseguida por sua propria capacidade e não pela fortuna da familia.
Alex confirmou suas deduções:
- Era um garoto muito rebelde, que não queria aceitar sua posição. Sempre fez questão de ser igual aos outros. Foi um custo fazer com que desistisse da idéia de morar com minha familia. Lembra daquela vez, Garrath, em que quis trocar suas roupas pelas camisas simples feita por minha mãe?
Alex continuou a contar as histórias de sua infância, saciando a curiosidade dela e deixando Garrath visivelmente constrangido, a situação piorou quando terminaram a refeição e mudaram de assunto.
- Por falar nisso,Janet e Andy já marcaram a data? Estou ansioso para receber o convite de casamento.
Garrath ficou imeditamente tenso.
- Casamento? Quando os viu? Estavam mesmo falando sobre casamento?
Alex alisou a barba com ar pensativo antes de responder:
- Bem, não exatamente. Os dois vieram almoçar aqui um dia desses e conversamos um pouco. Gostei do rapaz e é óbvio que Janet está apaixonada. Então achei que...
- Pois achou errado! Não haverá nenhum casamento. Pelo menos não entre esses dois.
- E por quê? Qualquer um pode ver que foram feitos um para o outro.
- O que Janet sente é uma empolgação passageira, propria de adolescentes. E Andy Walker é um... - Garrath não terminou a frase - Eles não vão se casar.
- Não sei, não... - Alex deu um sorriso bem-humorado.
Mas Barbara não aceitava aquela atitude autoritária de Garrath e não conseguiu ficar de boca fechada.
- Não sei como pode ter tanta certeza. E também não acho que você tenha o direito de determinar quem Janet deve ou não amar.
- Tenho certeza de que esse relacionamento não tem futuro e tenho todo o direito de interferir porque sou o irmão mais velho. Janet fará o que eu mandar.
Aquela era outra faceta de Garrath St. Clair. O homem autoritário que gostava de mandar na vida dos outros e esperava sempre ser obedecido.
Arrogante, presunçoso e tirãnico; era aquele Garrath que detestava.
Ia lhe dizer isso quando foi interrompida por Alex. Ignorando a ligeira tensão no ar, encaminhou a conversa para outros rumos. Lembrou de velhos amigos e contou piadas sobre a vida de um dono de taberna.
Quando Garrath pediu a conta, o clima de tensão voltou. O escocês negava e Garrath insistia.:
- Alex, você me deu sua palavra da última vez. Não vamos discutir mais sobre isso. Por favor, me dê a conta.
- Mas isso não está certo. Foi você quem me ajudou a começar este negocio. Não teria conseguido nada se não fosse por você.
- Aquilo foi um negócio que você fez com a companhia,foi simplesmente um negócio . Por favor, Alex.
Depois de muita discussão, Alex cedeu e Garrath mudou de assunto. na hora da despedida, Barbara foi envolvida por um abraço afetuoso do escocês robusto.
- Você é uma mocinha muito bonita, sabia? - Alex sorria e virou para Garrath - Não deixe esta escapar, ouviu bem?
Ela ficou vermelha e procurou desesperadamente fazer um comentário espirituoso para mostrar que não tinha levado aquilo a sério, mas não conseguiu pensar em nada. E Garrath respondeu:
- Não deixarei, Alex.
É claro que isso não significava nada. Era apenas a resposta mais natural para a provocação de Alex. Mas Barbara sentiu um impulso de querer sair correndo pela ruas estreitas de Edimburgo, para bem longe dos braços de Garrath. Pois, por um segundo, desejou que aquela resposta fosse sincera. E isso era loucura!
Capitulo XII

Barbara perdeu o entusiasmo pela excursão. Garrath insistiu para que visitassem o castelo de Edimburgo e ela acabou concordando por falta de uma boa desculpa para não irem. Mas seu humor, não melhorou em nada enquanto caminhavam pelos corredores escuros e desolados do castelo.


O passado encerrado naquelas paredes de pedra era muito trágico. No Paço das Bruxas, por exemplo, mais de trezentas feiticeiras tinham sido queimadas vivas entre 1479 e 1722.E na sala Real, onde se exibia a beleza das coroas, cetros e espadas da realeza escocesa, havia a marca sombria da longa luta daquele país pela independencia.
O que mais a impressionou foi o pequeno quarto onde a malfadada Maria Stuart tinha dado á luz a Jaime VI. Pobre mulher, que sempre deixava o coração falar mais alto que a razão e teve um final trágico: a decapitação.
Do terraço do castelo, viram que nuvens cinzentas cobriam o céu e um vento gelado soprava da rampa íngreme de Royal Mile.
- Acho melhor irmos embora - Garrath sugeriu - Vai chover logo. Você prefere pegar um táxi ou quer arriscar ir a pé?
Barbara decidiu arriscar e Garrath indicou o caminho pelas ruas amplas e arborizadas da nova cidade.As casas eram sofisticadas, em estilo georgiano, com escadas de mármore e colunas clássicas, certamente muito diferentes daquelas na parte velha.
Tiveram sorte. A chuva começou a cair como uma garoa fina, e foi aumentando até um aguaceiro, um minuto depois de chegarem a um prédio com o unicórnio branco da St. Clair pintado na porta de vidro.
- Gostou?
Barbara concordou com a cabeça, realmente impressionada.
- muito. Mas não pensei que viéssemos direto para cá. Não estou adequadamente vestida, e com essa chuva... - Tirou os cabelos molhados do rosto.
- Você está bem. Além do mais, não vamos trabalhar. Só preciso falar com minha secretária e ver que tipo de crises me esperam. Então, iremos para casa. - Enquanto falava, abriu a porta e entraram.
- Não vamos trabalhar? Mas...preciso, Garrath. Só quero trocar de roupa primeiro.
- Bem...Barbara, preciso te explicar uma coisa sobre esse serviço...
Garrath não teve chance de explicar. Foi cercado por um grupo de funcionários sorridentes. Eram jovens e velhos,homens e mulheres, todos com uma expressão calorosa e respeitosa no rosto. Como Andy aquelas pessoas adoravam o chefe.
Alguns olhares curiosos se voltaram para ela,que assumiu o ar mais profissional que conseguiu e que nunca falhava para colocar seus clientes no devido lugar...exceto uma vez, com o homem parado ao seu lado agora.
Garrath não se deu ao trabalho de apresentá-la ou explicar o que estava fazendo ali. Depois de receber os cumprimentos, foi até o elevador, sem soltar o braço dela , como se temesse que fugisse.
Não trocaram uma palavra dentro do elevador.
- Boa tarde, sr. St.Clair - A voz sensual combinava perfeitamente com a morena que veio receber o chefe.
- Diana! - Garrath só disse o nome e sorriu, antes de fazer as apresentações - Está é Barbara Christensen da Computec. Diana Mills, minha secretária.
- Muito prazer, srta. Christensen.
Barbara retribuiu o cumprimento, enquanto xingava Garrath em silêncio. Quando tinha chegado em Aberdeen vestida para uma reunião no escritório, ele a mandou direto para a plataforma. Agora, molhada e usando calça jeans desbotada, uma malha simples e sapatos com sola de borracha, era trazida para aquele escritorio luxuoso.
Como se não bastasse, ainda a apresentava a uma criatura que mais parecia uma modelo da revista Vogue. Daria tudo por uma escova, uma toalha, roupas secas e suas sandálias de salto alto!
Diana Mills era alta e tinha um corpo muito bem proporcionado. O decote da blusa de seda mostrava discretamente a fenda dos seios volumosos. Sua maquilagem, impecável, acentuava os olhos acinzentados.
- Algum problema, sr. St. Clair? Esperavamos que chegasse mais cedo.
- Não, nenhum problema. Demorei um pouco porque estava mostrando a cidade para Barbara.
- Entendo - o tom da secretária era impessoal, mas deu uma olhada rápida para Barbara e para o braço de Garrath, ainda segurando o dela.
Garrath tirou a mão. Seria por causa do olhar de Diana? Foi o que Barbara se perguntou.
- Bem, quais são os recados?
Enquanto seguiam pelo corredor, Diana abriu a agenda e começou a dizer nomes e recados. Garrath resolvia cada item sem vacilar e a secretária tomava nota das instruções:
- Peça para Thomas cuidar disso... Janet pode resolver isso... Marque uma hora... Dê uma resposta afirmativa por carta...
Não...
Garrath não diminuiu o passo nem quando entrou no escritório jogando a pasta e a jaqueta sobre um sofá de couro. parecia ter esquecido completamente de Barbara, enquanto sentava na cadeira e dedicava sua atenção ao item seguinte da lista da secretária.
Atrair a atenção do chefe parecia ser o objetivo principal de Diana. Estava parada ao lado de Garrath, deixando o busto roçar no braço dele cada vez que se inclinava para apontar qualquer coisa em algum documento. Seus rostos estavam bem proximos e Diana falava num tom afetado enquanto segurava o braço dele. Garrath, por sua vez, não fazia nenhuma objeção.
Barbara afundou no sofá de couro e começou a acariciar inconscientemente a gola de pele de carneiro da jaqueta de Garrath, enquanto percorria o olhar pelo escritório. a decoração combinava objetos antigos com modernos, revelando um extremo bom gosto.
A vista magnífica que se tinha da enorme janela de vidro fazia parte dos dois mundos, o antigo e o moderno. Mas nada, nem mesmo esse cenário podia desviar os olhos de Garrath. Enquanto olhava para aquele homem sentado atrás da mesa, tentava imaginar o menino assustado descrito por Miles.
Será que aquela era a mesma cadeira que seu pai usara? podia apostar que tudo naquele escritorio estava exatamente como nos tempos do pai. Talvez justamente para lembrar Garrath do que esperavam dele.
No final das contas, Garrath acabou vencendo os obstáculos e podia ser considerado um homem bem-sucedido no mundo dos negócios. Certamente, fazia jus a posição que ocupava agora.

Ainda estava olhando para Garrath quando se percebeu observada por Diana. O olhar da moça era fulminante, e quando desviou do rosto de Barbara se fixou na mão que acariciava a jaqueta de Garrath. Barbara puxou a mão e chegou a conclusão de que não gostava nem um pouco de Diana.


Não era da sua conta se os dois tinham um relacionamento fora do escritorio, e dispensava os olhares de advertência da moça. Era uma atitude tão...tão pouco profissional! Garrath merecia uma coisa melhor...
Ou não? Já tivera provas da disposição de Garrath em misturar negócios com prazer. De acordo com suas conveniências, é claro. Garrath merecia aquilo. Alias, Diana e seu chefe pareciam feitos um para o outro.
- Barbara...- A voz de Garrath a tirou dos devaneios.
- Sim?
- Parece que vou levar mais algum tempo para resolver certos negócios que não podem esperar.
- Não tem problema. Gostaria de começar com as preliminares da instalação e se você pudesse me dizer onde...
- Agora não, Barbara. Diana levará você até a lanchonete para tomar uma xicara de chá e eu irei assim que terminar aqui. Não vou demorar, prometo.
- Mas, Garrath,prefiro...
- O chá é uma bebida tradicional na Grã-Bretanha e recusar é uma ofensa. Vá com Diana. Irei logo.
Fosse tradicional ou não, teria protestado se não tivesse notado o efeito que as ordens de Garrath tiveram sobre a secretaria. Era evidente que estava fervendo de raiva e qualquer coisa que irritasse a srta.Diana Mills seria um prazer para ela.
Sorriu com uma candura exagerada.
- Está bem. Vamos, então, Diana?
Sentiu água na boca enquanto passava a geléia de laranja num bolinho de aveia.Pelo menos, iria satisfazer sua gula.
Embora achasse que não conseguiria comer nada tão logo depois do almoço, a variedade de bolinhos, biscoitos e tortas, além do chá quentinho, a fizeram mudar de idéia. A comida e todo o resto naquele lugar era impecável. O ambiente era espaçoso e decorado com muito bom gosto. Só uma coisq estragava o prazer daquele momento: sua companhia.
Não tinha trocado uma palavra até sentarem na mesa, mas agora Diana parecia disposta a fazer um interrogátorio completo. Era óbvio que queria obter informações, mas o tom de sua primeira pergunta fez barbara decidir que não revelaria nada que pudesse ser do interesse daquela moça.
- Você parece tão jovem e inexperiente. Trabalha há muito tempo na Computec?
- Tempo suficiente.
- O tipo de trabalho que a Computec faz sempre me pareceu tão frio, e se me permite dizer, pouco feminino.
- É mesmo? Pois você está enganada. Não existe nada de pouco feminino. Isto é, não para uma mulher com inteligência suficiente para lidar com o negócio. E quanto a ser frio...bem, acho que nada pode ser frio quando se trata de alguém tão fascinante quanto Garrath.
A guerra fria estava declarada e continuou durante todo o chá, que Barbara sempre considerou uma tradição muito civilizada.
- Imagino que deve estar ansiosa para voltar para casa. Sei como dever ser solitário ficar num país estranho, onde não se conhece ninguém. Dá uma sensação de peixe fora d'agua, não é?
- Você acha? Para falar a verdade, não estou com a menor pressa. Janet St. Clair me convidou para visitar Genclair e acho que vou aceitar. Desde o começo ela e Garrath fizeram tudo para me deixar a vontade. Você conhece a irmã de Garrath, não?
Embora estivesse se saindo bem das garras de Diana, não estava se divertindo. E o pior: nem sabia por que estava fazendo aquilo. Por que se dava ao trabalho de provocar aquela mulher?
Pensando bem, pareciam dois cachorros brigando por um osso.
Mas Barbara não tinha nenhum interesse no osso em questão. Sabia que era só falar de Richard para deixar Diana sossegada quanto as suas suspeitas. Então, por que não fazia isso?
- Deve ser bom ter um trabalho onde não se importa o que se está vestindo. - O olhar de Diana percorreu as roupas gastas de Barbara com desdém.
- Sim. Aliás, Garrath não parece nem um pouco interessado em aparência, não é mesmo?
Diana ficou vermelha de raiva. Pelo jeito, a guerra fria iria render muito!
- Vou dar um conselho, srta. Christensen. Estava observando o modo como olha para o sr. St. Clair e se existiu algum...flerte casual sob um céu estrelado em Sithein Um e Garrath a convenceu a continuar o ...caso em terra, acho que não deve levar a sério.
- Não?
- Trabalho aqui há muito tempo e já vi muitas mulheres indo e vindo, geralmente com os corações partidos. Garrath é como a maioria dos homens. Quer tirar tudo que puder, mas não está disposto a assumir nenhum compromisso sério. E quando estiver pronto para isso, tenho certeza de que escolherá alguém que entenda e compartilhe de seu trabalho, seus gostos e seu temperamento.
- E na certa você pensa que esse alguém é você - Barbara estava mais controlada do que nunca, agradecendo por não se importar com nada daquilo. O que sentiria se estivesse realmente interessada em Garrath?
- Acho que sim. - A outra respondeu com presunção.
- Meus parabéns, então,srta.Mills. Você e Garrath parecem feitos um para o outro. Mas está enganada a meu respeito. estou aqui para trabalhar. Nada mais.
- Trabalhar?
- Sim. Vou instalar uma conexão da Computec no escritório de Garrath. Assim que termninar esse serviço, irei embora. E sem coração partido.
Diana deu um sorriso enigmático.
- Se quer manter segredo da verdadeira razão de estar aqui,minha querida, é melhor inventar uma desculpa melhor que essa. Talvez não se importe, sei como as americanas são liberais sobre certos assuntos.
Mas se você se importa tanto com o que os outros pensam, não me venha com essa história...
- De que você está falando? Não preciso inventar desculpa nenhuma. Já disse por que estou aqui.
- Para instalar uma conexão da Computec no escritório de Garrath?
- Exatamente.
- Então, o que será que Garrath pretende fazer com aquela outra que já foi instalada?
Barbara perdeu a fala por um momento.
- Não...Não estou entendendo onde você quer chegar.
- Você deve ter visto o painel do unicórnio na parede do escritório, não viu? Pois bem, um sistema completo de computadores foi instalado numa sala especial atrás daquele painel, incluindo um terminal da Computec.
- Mas eu...Garrath disse... Não estou entendendo...
- Não está, srta. Christensen?. Então, deve ser mais inocente do que parece.
Não teve chance de responder. Sua mente ainda estava chocada com a revelação de Diana quando Garrath apareceu na mesa.
- Olá! Estão se diverindo?
- É claro que sim. - Diana a encarou, obviamente querendo que ela tirasse satisfação de Garrath sobre o tal trabalho na sua frente. - Tivemos uma conversa muito...agradável.
Diana levantou e ouviu as instruções do chefe com toda a atenção.
- Ligue para mim na Rose Crescent se aparecer algum problema urgente, está bem? Senão, estarei aqui amanhã ás dez.
- Está bem. Foi um prazer lhe fazer companhia srta. Christensen.- Diana se virou e foi embora, sem esperar resposta.
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