Círculo do Medo Robyn Anzelon



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Capitulo XXIII
Foi buscar Andy no quarto e voltaram alvoroçados para o escritório, para reler a mensagem do computador.
-Será possivel - Andy estava pálido.
- Receio que sim. -Barbara contou sobre a possibilidade de Miles ter sabotado o sistema e sobre a advertência de Garrath contra qualquer interferência.
- Desconfiei, uma vez ou outra, que Miles estava com algum problema pessoal, mas nunca imaginei que chegasse a esse ponto. É melhor ligarmos para a plataforma.
Andy falou com o chefe do turno da noite que, até aquele momento, não tinha notado nenhum movimento anormal.Então, explicou a situação e o homem foi até a unidade da computec, voltando com a informação de que a porta estava trancada e ninguém respondia.Deviam arrombar?
Andy olhou para Barbara e tapou o bocal do telefone.
- Acha que Miles fará alguma coisa?
- Não sei,Andy.
- Ele desobedeceu outra vez as ordens de Garrath e isso não é um bom sinal.
- É verdade.Mas quem poderá dissuadir Miles,se estiver realmente com intenções de destruir tudo?
- Só Garrath. Miles não ouvirá mais ninguém.
- MAs Garrath só poderá ir amanhã!
-Acha que poderemos ir de helicoptero até a cabana.?
-Tenho uma melhor sugestão. Você sabe pilotar aquela geringonça, não sabe?
- Sei, mas...
- Então, vamos já para a plataforma.
- Nós dois?
- Sim. Acho que posso convencer Miles, inventando que descobrimos realmente um problema no sistema e fui lá para paralisar as operações.
- Não sei se dará certo. Miles pode não acreditar e ninguém sabe qual será sua reação.Poderá transferir a raiva que tem do sistema para você.
- Sei que é arriscado.Mas o equipamento e, o que é mais importante, um funcionário da computec estão em perigo.Qualquer risco será válido.
- Levaremos umas duas horas para chegar na plataforma e não sabemos o que poderá acontecer nesse meio tempo.
- Poderá ser pior se alguém tentar arrombar a porta. Miles deve estar emocionalmente descontrolado e Walter poderá sofrer as consequências.Sei que é nossa única saída e não adianta tentar me convencer do contrário.
Sou muito teimosa.
Andy sorriu.
-Desconfiei disso no nosso primeiro encontro.VAmos.
Cerca de duas horas depois,estavam quase chegando e Barbara não sabia mais se aquela era a decisão mais certa.O chefe tinha ordens para manter um vigia na porta da sala da computec e não tomar nenhuma atitude, a menos que fosse estritamente necessário.
Charlie ficou encarregado de avisar Garrath e o heicoptero extra que tinham pedido já devia estar em Glenclair.Todas as precauções possiveis estavam tomadas,mas era impossivel prever o desenrolar dos acontecimentos.
No bolso do casaco,Barbara achou um pedaço de plástico.Era o circuito defeituoso que tinha tirado do computador da plataforma.Devia ter tomado uma atitude mais enérgica na época.Agora,poderia ser tarde demais.
Finalmente, avistaram a chama do alto da torre de Sithein.Barbara suspeitava,pela determinação na fisionomia, que Andy estava planejando assumir o risco dela.Quando chegassem na plataforma, ele teria autoridade suficiente para organizar tudo á sua maneira.
Por isso, estava preparada.Assim que o helicoptero pousou,tirou o cinto e pulou para fora.Ouviu Andy chamar,mas não parou.Correu para as escadarias, mas consciente do que nunca dos sons e trepidações da plataforma.
Quando chegou na porta da sala da computec,encontrou vários homens de guarda.Não tinha tempo a perder, já que Andy deveria estar vindo atrás.Assumiu um ar autoritário e pediu licença, dizendo que era da computec e prentendia entrar.
- Miles! Miles! É Barbara Christensen.Quero falar com você. - Teve a impressão de ouvir sons do outro lado da porta e tentou outra vez: - Miles, está me ouvindo? Existe realmente um problema com o sistema, como você pensou.Tenho ordens para paralisar as atividades do computador.
A porta se abriu o suficiente para um par de olhos azuis espiar.
- Olá, Miles.Posso entrar? Está muito frio aqui fora.
- Você veio fechar o sistema?
-É isso mesmo.Não está funcionando direito.
- Então...eu estava certo?
- Sim,estava.Agora,me deixa entrar e fazer meu trabalho.
Miles hesitou, passando a mão pelo queixo.
- Não sei...Não quero...
- Miles, por favor. - Ficou alarmada ao ouvir passos, provavelmente de Andy e forçou a entrada.
Miles não resistiu, mas trancou a porta imediatamente depois que ela entrou.
- Não quero ser interrompido. Não até decidir...o que fazer.
Barbara forçou um sorriso, disfarçando o medo.Onde estava com a cabeça para se meter numa situação como aquela?Talvez fosse ingenuidade achar que conseguiria dissuadir Miles com uma ou duas palavras.
Pois Miles não estava apenas descontrolado.Estava muito estranho.Sua fala era indistinta e não era mais o homem afetado de uma semana atrás.Parecia subitamente envelhecido e mentalmente desequilibrado.Barbara não sabia o que dizer.
- Onde está Walter?
-Walter? Walter estava contrariado comigo por... algum motivo.Não me lembro qual.Conversamos um pouco sobre...paralisar o sistema.E então...Mas você está aqui agora para fazer isso, não é?
Ficou em pânico e olhou ao seu redor, encontrando Walter num canto da sala.Estava inconsciente e sangrava na cabeça.O rosto pálido parecia o de um defunto.
- oh,Walter! - Correu para seu lado e sentiu sua pulsação.Pelo menos, ainda estava vivo.
- Ele ...ah...ele está assim há algum tempo. Não queria machucar você sabe.Mas ele não quis fechar o sistema...disse que não sabia como fazer.Depois, começou a tentar...tirar essa idéia da minha cabeça, acho.E está deitado ali desde então.
Barbara pensava num modo de trazer ajuda para Walter o mais rápido possivel. O pobre homem estava imóvel e frio, mas não teve muito tempo para pensar.Miles agarrou-lhe o braço e seu olhar era desnorteado.
- Walter não importa mais , agora que você está aqui.Você pode paralisar o sistema, não pode?
- É claro que sim.Não será dificil, mas gostaria de tomar um café antes.Que tal? Prometo não derramar o seu como fiz da outra vez.
- Não, temos que terminar aqui primeiro.
-Por que a pressa? Podemos fazer isso depois do café.Por favor,Miles - O tom era suplicante.
- Não...não,tenho que terminar o que comecei.Tenho um motivo,sabe? Só que...não lembro direito qual é, mas sei que tenho... - Miles foi interrompido por uma súbita batida na porta. - Não podem entrar.Só quando eu deixar. - Seu rosto tinha algo de diabolico.
- Miles, abra esta porta! Sou eu Garrath!
Não podia ser,Barbara pensou.Como tinha conseguido chegar tão rápido? Mas aquela voz autoritária era inconfundivel e seu coração se encheu de esperança.Se alguém podia chegar até Miles, era Garrath.
Miles certamente também reconheceu a voz, mas sua reação não foi imediata.Barbara ficou desesperada.
- É Garrath, Miles. Ele quer falar com você.Vou abrir a porta, está bem?
- Não! Garrath não quer falar comigo, quer se livrar de mim.Costumávamos conversar muito e ele ouvia meus conselhos, me respeitava.Até você e sua máquina chegarem.Não posso deixar que me mandem embora assim.É por isso que preciso destruir suas máquinas.Assim, voltarão a precisar de mim.
Antes que pudesse responder, Miles pegou uma cadeira e atirou contra a tela de um dos computadores, provocando faíscas.Houve uma explosão e uma chuva de estilhaços de vidro, seguida de um forte cheiro de queimado.
As chamas que saíam do computador atingiram uma pilha de papeis e o fogo se alastrou , chegando cada vez mais perto do corpo inconsciente de Walter.
- Miles, me ajude! - Barbara gritou,mas Miles estava paralisado , parecendo fascinado com os resultados de sua destruição.A fumaça enchia a pequena sala.
Walte era uma hoem pequeno, mas um peso morto, e Barbara precisou reunir todas as forças para arrastar seu corpo para longe do perigo.As batidas na porta continuavam mas,quando abriu a boca para pedir socorro, foi sufocada pela fumaça.
Assim que afastou Walter do perigo imediato,Barbara começou a procurar o extintor.Para seu desespero, estava inatingível,cercado pelo fogo.Seus olhos lacrimejavam e não parava de tossir.Foi quando lembrou do gerador de emergência ...a gás.!
- Miles, temos que sair daqui!

Miles continuou imóvel.Estava com as mãos na cabeça, pressionando como se sentisse dor.As chamas estavam quase atingido o bujão de gás e Barbara estava puxando o corpo de Walter para mais perto da porta quando houve a explosão e foi atirada contra a parede, batendo a cabeça.


Seu pesadelo virara realidade.A fumaça e o calor dificultavam sua respiração, fazendo seu desespero aumentar.Sabia que estava perdida.Não tinha para onde fugir e nunca mais veria Garrath...
Nesse instante, ouviu um estrondo.Por mais inacreditável que fosse,a porta foi derrubada e Garrath correu para tirá-la mais uma vez do pesadelo,para a segurança de seus braços.Como prometeu que faria.
- Garrath... - Com um suspiro de alívio, desmaiou.
Capitulo XXIV
Aos poucos, Barbara voltava a si, sentindo dores em todo o corpo e na cabeça.Lembrou do que tinha acontecido, e um gemido escapou dos seus lábios.
- Ela está com dor, doutor - A voz era de Garrath - Não pode lhe dar algum sedativo?
- Não,até tirarmos algumas chapas.A pancada na cabeça não parece séria, mas esse tipo de ferimento requer cuidados.Chegaremos logo no hospital.
Não! Não queria ir para o ambiente frio de um hospital.Tudo que precisava era de Garrath.Estava melhor só de ouvir sua voz e sentir o toque de suas mãos.Não podia ser separada do que mais precisava.
- Garrath...quero ir para casa.Por favor...para casa. - Depois de um longo silêncio repetiu a súplica, com medo de não ter sido ouvida - Quero ir para casa...Por favor,Garrath.
- Está bem, meu amor.Você irá para casa.Logo, eu prometo.
Barbara ficou mais aliviada com essa promessa, mas teve a nítida impressão de que o tom de Garrath era triste.Que motivos ele teria para não querer levá-la para casa? Ainda intrigada,voltou a mergulhar na inconsciência.
- Garrath - foi a primeira palavra de Barbara quando voltou a si.
A enfermeira que tomava sua pulsação teve um sobressalto.
- Ah...que bom ter voltado a si, srta.Christensen.Que susto me deu!
O médico foi chamado e encontrou Barbara com os olhos verdes alertas,as faces rosadas e as sobrancelhas franzidas.
- Ora,você me parece muito bem.Mas vamos ter certeza, antes que comece com o bombardeio de perguntas.
Conteve a torrente de perguntas enquanto o médico fazia os exames.Depois de alguns minutos,ele puxou uma cadeira e sentou:
- Pronto - E antes que a paciente pudesse falar, começou a dar as informações básicas. - Você está no hospital de Aberdeen porque recebeu uma pancada na cabeça, mas felizmente não é nada sério.Está aqui há trinta e seis horas, e ficará pelo menos mais um dia em observação,não importa o quanto esperneie.
- Não vou espernear - prometeu.Estava tão fraca que não ousaria contradizer o médico.
- Vejo que está mudada.No helicoptero, você pedia para ir para casa toda vez que recuperava um pouco a consciência.
- Acho que me lembro disso...- Queria, mais do que nunca, o conforto de Garrath para apagar o choque daquele acidente horrivel na plataforma. - Onde está Garrath?
- Em Sithein, provavelmente.Deve estar trabalhando muito, não o vejo desde que trouxemos você para cá.
- A plataforma sofreu muitos danos?
- Não, nenhum.O fogo ficou retido na sala, graças ao excelente trabalho de construção da computec.
Barbara ficou atônita, custando a acreditar nas palavras do médico.Garrath tinha voltado para a plataforma, em vez de ficar ao seu lado , sendo que Sithein não tinha sofrido nenhum dado maior.Podia ter ficado no hospital, mas não ficou. Por quê?
Outras perguntas martelavam em sua cabeça e o médico respondeu sem omitir nada.Walter estava bem tinha a cabeça mais dura que ela, e já tinha sido liberado.Ninguém mais tinha se ferido, além de Miles...
- Ele ...está morto.
Barbara sentiu náuseas e fechou os olhos para conter as lágrimas. A última imagem que tivera dele era com as mãos pressionadas contra a cabeça.Devia ter feito alguma coisa.
- Você não podia fazer nada - o médico pareceu advinhar os pensamentos de sua paciente. - Não foi o fogo que o matou.Foi um ataque cardíaco.
- Um ataque?
- Deve ter tido outros mais leves antes,que podem ter causado as mudanças na personalidade e até a loucura no final. E não resistiu a um ataque mais sério.Quando foi retirado da sala, já estava morto.
- Pobre Miles...Mas como Garrath conseguiu chegar tão rápido na plataforma?Estava na cabana...
O médico ergueu a mão em protesto.
- Chega de perguntas.Precisa descansar agora,se quiser receber visitas esta tarde.Está bem?
Ela concordou, mas não conseguiu descansar.A decepção dilacerava seu coração.A única pessoa que queria ver não estava ali,mas numa plataforma de petróleo. Por quê?
A primeira visita a receber foi de Walter, que chegou antes do horario , trazendo flores.
- Achei que gostaria de violetas.São delicadas como você.-Sentou do lado da cama e começou a contar sobre os acontecimentos daquela noite, a pedido de Barbara. - Quando voltei para a sala, a noite,para checar uma coisa, encontrei Miles com a lâmpada ultavioleta.Devia estar tentando fazer o mesmo que das outras vezes. E a culpa é minha.
- Sua?
-Miles sempre fazia muitas perguntas sobre o sistema e lembro de ter contado, certa vez,como os programas poderiam ser apagados com raios ultravioleta.Mas nunca pensei que estivesse planejando prejudicar o sistema.
- Ele também me fez várias perguntas, mas nunca desconfiei de suas segundas intenções.O que aconteceu depois?
- Pensei em avisar o chefe de obras,mas Miles ameaçou quebrar tudo , se fizesse isso,Então,entrei e tentei argumentar, mas ele estava fora de controle e foi por isso que mandei aquela mensagem.Sinto muito.Quase causei sua morte.
- Não,Walter.Se alguém tem culpa, sou eu.Devia ter pressionado Garrath quando tive as primeiras suspeitas de sabotagem. Seu único erro foi tentar proteger o equipamento colocando sua propria vida em perigo.Nenhum computador vale isso.
Janet apareceu logo depois que Walter saiu,trazendo biscoitos amanteigados mandados pela sra.MacGuigan.Estava usando um pequeno anel de brilhantes, e seu relacionamento com Andy parecia estar as mil maravilhas.
- O único problema é que aquele bobo acha que devemos esperar um pouco mais para casar.Disse que sou muito jovem! Mas sou persistente e vencerei pelo cansaço.
Sorriu, sabendo que Andy não tinha a menor chance.Não conseguindo conter mais a curiosidade, pediu noticias de Garrath.Janet perdeu o entusiasmo.
- Tem estado muito ocupado, mas acho que está bem.Ele...ele...não veio ver você, não é?
Barbara apenas balançou a cabeça, sentindo um nó na garganta.Janet retomou a palavra:
- Sinceramente, não sei o que está acontecendo.Naquela noite quando foi me buscar na cabana, fizemos logo as pazes.
Então, Garrath disse que o mais sensato seria passar a noite ali,mas queria voltar para Glenclair...para você.Concordei,porque também estava morrendo de saudades de Andy mas, quando voltamos e não encontramos ninguém, Garrath quase ficou maluco.Correu a casa inteira atrás de você. Eu juraria que ele não te deixaria nem por um minuto depois que a encontrasse.
- Mas,então,o que aconteceu Janet?
- Não sei.Tentei conversar com ele a respeito,mas disse apenas que tinha informações periódicas do médico sobre seu estado e que tentaria passar no hospital antes de sua partida,mas que estava muito ocupado,Sinto muito Barbara.
Tinha certeza de que Garrath não estava adiando a visita por considerar a plataforma mais importante.Era óbvio que não queria vê-la.Mais por quê?
O porquê da atitude de Garrath perdeu toda a importância quando Richard telefonou mais tarde de São Francisco.
- Falei com St.Clair e parece que já está tudo arranjado para que volte para casa assim que for liberada do hospital.
Houve uma pausa.Barbara podia sentir Richard imaginando o que tinha acontecido.Mas não tinha a resposta e também não importava mais.O fato era que algo ocorrera e estava sendo praticamente expulsa da vida de Garrath.Talvez ele tivesse descoberto que não a amava tanto assim.
Na manhã seguinte, o médico fez outra série de exames e disse que Barbara teria alta naquela tarde.Logo depois, um funcionário do escritório de St.Clair em Aberdeen veio entregar uma passagem de primeira classe para São Francisco, no vôo daquela noite mesmo, avisando que alguém a levaria até o aeroporto e que sua bagagem seria diretamente enviada para lá.
As mãos dela tremiam quando pegou a passagem.Nenhum bilhete daquela vez.Independente do que Garrath sentia, como podia ser tão frio?Não tinha nem aparecido para se despedir!
A tarde, quando uma enfermeira veio avisar que o carro mandado pela St.Clair estava esperando,Barbara procurou se convencver de que estava pronta para ir.Sabia desde o começo que gostar de Garrath St.Clair só resultaria num coração partido.Era hora de aceitar isso e seguir o seu caminho.
Seu ânimo melhorou quando viu uma figura familiar esperando na recepção.Usava botas, camisa xadrez e chapéu de cowboy.Era Andy.
- Pelo visto, você foi encarregado de mais um trabalho "especial", não é?
- Desta vez,pedi para ser escalado, madame.Tem um novo grupo de rapazes chegando mais tarde e usei isso como desculpa para fazer um serviço duplo.
- Obrigada,Andy.
Entraram no carro e ficaram em silêncio por algum tempo, até Andy resolver falar.
- Sabia que fui promovido...para supervisor geral? No lugar de Miles.
Essa revelação a surpreendeu porque Andy era sempre muito modesto.
- Mas não sei como será.Com novos proprietários e tudo.
-Novos proprietários? De que você está falando?
- Janet não lhe contou? Garrath resolveu vender Sithein Um e toda a unidade de petróleo da St.Clair para um dos grandes conglomerados.
- Não acredito! Aquela plataforma é a paixão de Garrath.
- É verdade.Mas embora tenha exigido no contrato que todos os funcionários sejam mantidos, não sei se gostarei de trabalhar com outro patrão depois de estar acostumado com Garrath.
- Mas por que ele decidiu fazer isso?
- Correm boatos de que foi por causa de Miles,mas não acredito nisso.Deve existir outra razão.
- Garrath naõ pode fazer isso! - Estava surpresa com sua própria indignação.Afinal,tinha tantas objeções contra a fascinação dele pelo petróleo...Mas não queria que fosse daquele jeito. - Alguém tem que tentar fazê-lo voltar atrás.
- Já tentamos,mas está irredutível.E está agora em Glenclair esperando os papeis para assinar.
- Glenclair?Pensei que estava na plataforma.
- E estava. Trabalhando como um louco até está manhã.Então, depois de receber o telefonema do médico dizendo que você estava bem e já podia voltar para casa, partiu para Glenclair, dizendo que não voltaria mais.
-Depois que soube....
-...que você já podia ir para casa.
A última palavra ficou ecoando em sua mente. Casa...Era para onde queria que Garrath a levasse, e não para o hospital,depois da explosão.E era para onde todos pensavam que ia agora.Todos...inclusive Garrath?
Subitamente, sentiu renascer a esperança.Seria possivel que tudo não passava de um mal-entendido? Andy estacionou o carro e, estavam indo para o terminal, quando ela tomou a decisão.
- Andy, há um helicoptero esperando para levar você e os novos rapazes para a plataforma?
-Sim, mas por quê?
- Quanto tempo você tem antes de os rapazes chegarem?
- Bem...acho que tempo suficiente para levar você até Glenclair e voltar. - Andy deu um sorriso malicioso.
- E não se incomodarão em me esperar um pouco,se me atrasar.
Não sabia se era a decisão certa,mas tinha que tentar.
- Então, vamos!
- Não sei por que,mas esperava que dissesse isso.
Quando o helicoptero pousou em Glenclari, Barbara pulou e Andy não quis descer.
- Os rapazes estão esperando,sabe como é.
Descobriu que a estratégia de Andy tinha sido a mais certa, quando viu Garrath se aproximando.A fúria estava estampada em seu rosto e era óbvio que a colocaria de volta no helicoptero,se ainda estivesse lá.
- Que diabo está fazendo aqui? Devia estar no avião agora!
- Não pude ir. - Enquanto falava,entrava pelos fundos da casa.
- E por que não?
- Esqueci de fazer uma coisa em seu computador.Não podia partir,deixando um seviço inacabado.
- O sistema está funcionando muito bem!
- Ora,se nem chegamos a terminar as aulas, como pode ter certeza de que não existe problemas?
A sra.MacGuigan estava na cozinha, de óculos e tudo,e a recebeu com um sorriso franco.
-Seja bem-vinda ao lar,Barbara.
- Ela não vai ficar.- Garrath resmungou.
- Obrigada,sra.MacGuigan - Barbara ignorou Garrath e foi para o escritório, onde sentou na frente do terminal.
Estava começando a passar as informações quando Garrath entrou,mas não se aproximou.Ficou sentado na escrivaninha,fazendo ruído com os papeis.
- Ouvi dizer que está vendendo Sithein Um - comentou, sem desviar a atenção do computador.
-Sim
- Não me parece uma decisão muito inteligente.
- Não me lembro de ter pedido seu conselho em meus negócios.
- Correm boatos de que a St.Clair Corporation está em dificuldades financeiras.
- Os boatos estão errados, como sempre.
- Então,por que está pensando em vender?
- Isso é problema meu, não seu!
-Talvez não.A menos que sua decisão esteja relacionada comigo e com Miles, ou com o que aconteceu na plataforma. E com o fato de querer me mandar embora...sem ao menos se despedir.
Ficou angustiada com o silêncio que seguiu suas palavras e, quando finalmente veio a resposta de Garrath, não passou de um múrmurio.
- Você quis ir.
Barbara tinha terminado o trabalho e queria correr para o braço de Garrath, mas sentia que não era a hora certa.
- Não quis.
- Quis sim! Ouça, Barbara, sabia desde o começo qual era a sua opinião sobre qualquer negócio ligado com o petroleo.Ficou bem claro quando acordou daquele pesadelo aqui mesmo neste escritorio. E você sempre insistiu em dizer que o que existia entre nós era apenas uma atração fisica.
Garrath fez uma pausa e Barbara lembrou das vezes em que dissera aquilo para si mesma,apenas para se enganar..
- Pensei que pudesse fazer com que mudasse de idéia e, na verdade , cheguei a pensar que tinha conseguido naquela noite em meu quarto, embora você não tivesse dito que me amava.
Barbara não tinha dito em palavras, achando que a resposta de seu corpo era suficiente.Garrath continuou:
- Mas depois da explosão, quando segurei você em meus braços durante todo o trajeto até Aberdeen e tudo que você queria era voltar para casa, entendi tudo.
- Entendeu o quê, Garrath?
-Que você nunca me amaria, apesar da forte atração que sentiamos um pelo outro. E, sabendo o que Sithein Um me custou, resolvi vender para não ter que ir lá nunca mais.
- Se você achava que era o seu negócio com o petroleo que estava nos separando, por que não veio falar comigo? Por que não me contou que estava pensando em vender tudo?
- Porque não prentendia negociar pelo seu amor,Barbara.Aliás,não pretendo.Portanto,sugiro que termine o que está fazendo e saia daqui o mais rápido possivel.
Barbara respirou fundo.Tinham chegado ao ponto que queria.Seu futuro dependia do que acontecesse nos proximos minutos.
- Já acabei e gostaria que viesse até aqui para ver o que fiz.
Garrath deu um suspiro de impaciência, mas se aproximou.
- Muito bem.O que é?
Barbara apertou um botão e três palavras surgiram na tela.Não levaria mais que um segundo para ler,mas Garrath ficou com o olho pregado na tela, como se não acreditasse no que via.
- Garrath, eu te amo há muito tempo.Não sei quando tudo começou,mas admito que lutei contra esse sentimento por causa de seu trabalho.Tive medo que você fosse como meu pai e meu irmão,fascinado pelo petroleo a ponto de excluir qualquer outro interesse ou pessoa de sua vida.
Fez uma pausa.Garrath continuava a olhar para a tela, mas não era mais com descrença.Ela prosseguiu:
- Quando fomos apanhados naquela cerração repentina nas colinas, não senti medo.E quando me perguntei por que,descobri que era por amar você.Tudo , até o seu trabalho, perdeu a importância diante dessa descoberta.E não lutei mais contra esse sentimento depois disso.Garrath, no helicoptero, quando supliquei para ir para casa, estava me referindo a Glenclair. Ou qualquer lugar, desde que você ficasse comigo.Eu te amo e é isso que importa para mim agora e sempre.
Era óbvio o esforço que Garrath fazia para acreditar.
- Você está me dizendo que é capaz de amar, viver e casar com um homem do petroleo?
- Sim, Garrath, contanto que ele me ame realmente também.Mas não o deixarei mergulhar no trabalho e esquecer de nós.Quero ter pelo menos uma dedicação igual.
Garrath riu.Era uma risada espontânea e puxou Barbara para seus braços.
- Não consigo acreditar. tem certeza?
- Deve haver um meio de convencer você.Deixe ver...Será que cem vezes é o suficiente? talvez mil...ou cinco mil?
- De que você está falando, Barbara?
-De convencer você do meu amor. - Voltou para o computador e apertou várias teclas. - Acho que cinco mil será o suficiente.
Enquanto voltou para os braços de Garrath, o computador processou suas instruçoes e a mensagem começou a ser repetida:
" Eu te amo.
Eu te amo.
Eu te amo."
- Essa não era bem a maneira que tinha em mente para me convencer - Garrath sussurou, roçando os lábios nos dela.
- Ótimo...
E nenhum dos dois prestou atenção nas outras quatro mil,novecentas e noventa e sete vezes em que a mensagem foi repetida.Já sabia de cor.

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