Círculo do Medo Robyn Anzelon



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Capitulo XXI
Tinha perdido o pouco apetite que ainda lhe restava e levou os pratos para a cozinha. A sra. MacGuigan estava fazendo massa para pão e estreitou os olhos para ver quem estava entrando.Quando a reconheceu, sorriu,numa atitude muito rara.
- Vocês dois gostaram da refeição?
- Estava deliciosa
- Humm...E conseguiram resolver suas diferenças?
- Diferenças?
- Sim, foi o que eu disse, menina.Ou o que quer que esteja acontecendo entre vocês.Depois de todos esses anos, sei quando o meu rapaz está com problemas.Não é normal sair de madrugada sem se despedir direito de mim, de Charlie ou da irmã.E quando você decide, na mesma época, fazer greve de fome e se enterrar no trabalho, além de ficar chorando pelos cantos da casa, acho que não é preciso ser muito esperta para deduzir que o problema é entre vocês dois, não é? Só quero saber se já fizeram as pazes.
- Bem...realmente tivemos uma discussão,mas foi por causa do trabalho.Nada importante.
- A experiência me diz que não é nada relacionado com o trabalho. E sim com o amor.
- Amor! - Barbara quase derrubou os pratos que colocava na pia. - o amor não tem nada a ver com isso.
- Só espero que saiba mentir melhor para si mesma do que para mim.
- Não estou mentindo. Não estou apaixonada por Garrath e a reciproca é verdadeira.Na verdade é o contrário disso.
- O contrário, não é? Tem certeza de que não está deixando o orgulho ferido falar por você, Barbara Christensen?
- Não! Confesso que existe uma atração, mas não é amor. O amor é diferente. É terno, racional, baseado em confiança, respeito e compreensaõ.E seja qual for o meu relacionamento com Garrath, não é isso.
A sra. MacGuigan balançava a cabeça.
- Acho que tem muito a aprender sobre o amor, mocinha.Terno e racional? Conheço o amor. É violento como um vendaval,agitado como o mar sob uma tempestade e tão bonito quanto uma urze em flor. Mas nunca descobrirá isso se deixar a teimosia interferir no coração.Lembre disso.Sempre.
Teimosia! Não estava sendo teimosa, só racional.Garrath não a amava e nunca amaria, então por que procurar mais motivos para sofrer admitindo que o amava? Não , precisava se proteger.
- Por que a senhora não contou a Garrath sobre Andy?
- Porque não vi necessidade de deixar Garrath nervoso antes da hora.tudo a seu tempo.
- Ainda não entendi o que Garrath tem contra Andy.É um rapaz tão bom.
- sim e muito apaixonado por nossa bela janet. Mas Garrath foi magoado uma ou duas vezes quando era mais jovem por mulheres mais interessadas na fortuna da familia do que nele e está com medo que a irmã sofra também. está tão cego com essa possibilidade que não percebe como os dois estão apaixonados.Agora,não tenho mais tempo para conversar. Tenho muito trabalho e imagino que você também tenha.
Barbara corou e concordou, saindo em seguida.Na certa, a sra.MacGuigan achava que iria correndo fazer as pazes com Garrath.Mas isso era impossivel. Só esperava poder sobreviver a vingança de Garrath, fosse qual fosse.Seu primeiro impulso foi ignorar aquela ameaça,mas não podia fazer isso.A conta da St.Clair era muito importante para a computec e o cancelamento dos contratos seria um duro golpe para Richard. Mas não seria fácil.
Garrath estava no escritório e seu olhar era de expectativa quano ela entrou.Não disse nada e parecia ansioso por uma palavra,mas Barbara não estava disposta a se render antes da hora.Sentou na frente do computador para terminar os testes e o ignorou.
Não sabia se ria ou chorava quando os testes foram positivos.Se por um lado estava mais perto de partir de Glenclair;por outro chegava o momento de concordar com a chantagem de Garrath. Foi até a sua mesa.
- O sistema está pronto.Podemos começar as lições agora.Isto é,se estiver disposto.
- Estou mais do que disposto.
Garrath puxou a cadeira e ia sentar-se quando Barbara fez um sinal negativo com a cabeça, apontando para a cadeira na frente do computador.
- O aluno deve sentar ali.
- Gosto desta cadeira. Prefiro...observar você.
Ela não queria ninguem debruçado em seu ombro como tinha acontecido de manhã.
- esta é uma aula prática sr.St Clair.Agora, sente na cadeira da frente.
Garrath resmungou , mas obedeceu e a batalha começou.Barbara começou a aula com os fundamentos básicos para operar um computador. Falava como se estivesse lecionando para um garotinho do primário, esperando aborrecer Garrath para que voltasse atrás naquela decisão ridicula.
- Primeiro, ligamos a máquina. O botão está aqui. Agora,vejamos se você consegue fazer isso...Muito bem. Tente de novo, só para ter certeza de que aprendeu direito. Qual é o primeiro passo?
- Sei como ligar essa geringonça,droga! Passe para frente.
- Não posso ensinar sem sua colaboração. Mas se não estiver satisfeito com os meus métodos, pode arrumar outro professor...
Para sua decepção, Garrath obedeceu as instruções e foi a sua vez de tirar a desforra com perguntas bobas.
- Como vou saber se o disco está acionado adequadamente.? Acho que não entendi - Seu ar era de inocência.
- É simples. Você não está tentando.
- Já disse que não sou esperto para aprender.Foi obrigada a se inclinar para frente e ilustrar como o disco encaixava no lugar.Mas Garrath se mexeu no mesmo instante, fazendo o braço roçar em seu peito.
Não foi preciso muito para o coração começar a disparar, mas seu consolo era ver a irritação crescente de seu aluno, e esgotar a paciencia dele seria apenas uma questão de tempo.
fizeram uma pausa para o almoço e continuaram com as lições à tarde.As cenas da manhã se repetiram, com os dois cada vez mais irritados.Foi quando Barbara estava mostrando como operar as mensagens do computador que a tensão chegou ao ponto maximo.
- Você poderá passar mensagens para os outros computadores ligados a este. Por exemplo,poderá passar instruções para Diana em Edimburgo, como marcar e cancelar compromissos, ditar cartas, etc,O computador também poderá receber recados e acionará uma luzinha vermelha no fim da tela, se houver algum urgente. É facil escrever as mensagens - Mostrou as diversas teclas -Pode inserir ou tirar palavras,formar frases e paragrafos inteiros.Por que não experimenta escrever qualquer coisa?
Ela se arrependeu de fazer essa sugestão quando viu as palavras surgindo na tela:
“Algumas mulheres têm sentimentos superficiais”

Aceitou o desafio e modificou a frase para:

“Alguns homens não têm nenhum sentimento”

A resposta veio em seguida:

“Algumas mulheres preferem homens seguros, apesar de maçantes”

E assim o duelo de palavras, continuou:



“Alguns homens só pensam em sexo”
“Algumas mulheres são volúveis”
“Alguns homens acham que uma mulher é volúvel só porque agem como eles”
“Algumas mulheres tem um computador no lugar do coração”
“Alguns homens sentem prazer em quebrar computadores”
Esperou a resposta, mas não teve nenhuma. olhou para Garrath e não viu mais o ar de zombaria no seu olhar. Parecia confuso e procupado, além de esperançoso.Ou seria impressão sua?
- O que você quer dizer com isso, Barbara?
Subitamente, percebeu que tinha cometido um deslize.Não prentendia admitir que Garrath tinha partido seu coração, mas a confissão simplesmente escapou.
- Eu...bem,acho que...Ora, Garrath, não sei!
Garrath a segurou pelos ombros para que ficassem frente a frente.
- Barbara, diga o que você quis dizer .Preciso saber.
Aquele toque, além da tensão e do desejo acumulados o dia todo, foi demais para ela.Sabia que declarar seu amor e admitir a mágoa por ter sido rejeitada só aumentaria seu sofrimento,ms estava disposta a contar tudo.
Estava procurando as palavras certas quando ouviu passos e risos no corredor.E no outro instante a porta do escritorio se abriu:
- Barbara, voltamos!
- Puxa, que dia! - Andy acrescentou logo em seguida.
Ao ver o rapaz Garrath pulou da cadeira
- Tex! algum problema na plataforma?
Janet e Andy ficaram paralisados na porta.
-Ah...não,senhor.Pelo menos,não que eu saiba.
- então o que está fazendo aqui? - Garrath olhou para as mãos entrelaçadas dos dois.
Foi Janet quem respondeu.
- Eu o convidei
-Enquanto o gato está fora, não é? Que azar eu resolver voltar tão cedo.
- Garrath! não seja bobo! Não planejamos nada disso.
- Não foi assim - Andy acrescentou - Na verdade, vim pra cá com a intenção de lhe falar sobre Janet e eu. Mas, não estava e ...
- e resolveu ficar a vontade. Mas não temos nade a conversar,Tex. Acho que ´já deixei bem clara a minha opinião sobre qualquer relacionamento entre você e minha irmã, não foi?
-Realmente deixou.Mas eu e Janet tinhamos esperanças de que fosse sensato.
- Sensato? Se eu fosse sensato,teria expulsado você da minha casa e do emprego quando percebi suas intenções com Janet. Mas pensei que minha irmã fosse esperta o suficiente para descobrir sua falsidade e perceber que você não é do tipo que leva mulheres a serio, a menos que...tenha um bom motivo para isso.
- Tem razão.E o motivo que tenho para levar Janet a serio é o amor que sentimos um pelo outro.Tudo que queremos agora é prmissão para casar.
- só isso? - Garrath deu uma risada sarcástica - Tenho certeza de que isso é tudo que você quer na vida.Afinal se me lembro bem, seu sonho era ser sustentado por uma mulher rica. E Janet certamente tem todas as qualificações para isso.
- Eu disse isso? - Andy soltou a mão de Janet e se aproximou de Garrath.
- Ora essa não diga que já esqueceu! Não se lembra de uma noite, dois meses atrás em Aberdeen, depois de deixar duas garotas com promessar de ligar qualquer dia, e perguntei se ligaria mesmo? Você disse qualquer coisa sobre existir muito peixe no mar e e não desperdiçar isca com um que já foi fisgado.Disse também que aproveitaria a vida até encontrar uma mulher rica que o sustentasse pelo resto da vida.Pelo menos até colocar a aliança e ter uma conta bancária respeitável. Será possivel que já esqueceu essa conversa?
- Garrath, não pode acreditar que eu estava falando serio.estavamos um pouco altos naquela noite, se bem me lembro.Aquilo foi conversa fiada, só isso.

- Foi o que pensei na época, até ver você interessado na minha irmã rica, solteira e ingênua.Não achei que fosse capaz de uma sujeira dessas, principalmente por sermos amigos.Acho que foi por isso que não coloquei um ponto final nessa história antes.Não acreditei que tivesse a audácia de levar esse relacionamento adiante e chegar a pensar em casamento.mas vejo que estava enganado.Seja como for,o jogo está acabado agora. Não terá minha permissão para estragar a vida de Janet.Nunca!


Andy olhou para trás,mas não teve chance de desmentir aquela palavras porque Janet já estava correndo para seu lado.
- Não acredito no que Garrath disse. Sei que você me ama.
Andy sorriu e encarou Garrath,falando com uma segurança espantosa:
- Tem certeza de que não quer reconsiderar? Janet é maior de idade e estamos pedindo sua permissão...digamos, apenas por delicadeza.Não precisamos realmente disso, como deve saber.
Garrath ergueu o braço para lhe dar um soco, mas Barbara o impediu a tempo.
- Não,Garrath! Não faça isso!
Depois do que pareceu uma eternidade,Garrath abaixou o braço.Mas a cena não estava terminada ainda.
- Quero você fora de Glenclair.Já!
-Não sairei daqui sem acertarmos isto... -Andy começou mas foi interrompido por Janet.
- Por favor, vá agora. Vá para a casa de Eileen e me deixe conversar com Garrath a sós.Será melhor assim, Por favor, Andy.
Andy hesitava.Era Obvio que não queria deixar Janet enfrentar a fúria de Garrath sozinha, mas acabou percebendo a sensatez daquela sugestão.
- Tem certeza de que ficará bem?
-É claro.Ligo para você assim que puder.
Com um último olhar amoroso Andy saiu.Ninguém se mexeu no escritório até ouvir a porta da frente bater.
O som trouxe Barbara de volta a realidade.Não tinha nada a ver com aquela discussão. Sentia muito por Janet e até mesmo por Garrath, mas era melhor não se intrometer.Ia saindo quando Janet chamou:
-Barbara, por favor, fique! Você sabe que Garrath está errado sobre Andy e tem que me ajudar a convence-lo.
- Não, não posso.Isto é um assunto entre vocês dois.Não precisam de palpites de um estranho...
- Ora essa, está tudo bem, Barbara - Garrath interrompeu - Pode ficar, mas não espere conseguir me convencer.E já que estava disposta a dar cobertura a esses dois para planejarem tudo nas minhas costas, pode ficar para ver o resultado final.
Ficou muda com a injustiça daquela acusação.Foi Janet que protestou:
- Ninguém estava planejando nada pelas costas.Por que insiste em distorcer os fatos? Por que está fazendo isto?
- Por que amo você, Janet. E não quero que uma empolgação passageira destrua a sua vida.Não quero que você sofra. É só por isso.
- Mas é você que está me fazendo sofrer.Será que não vê isso?
- Não interessa ,Janet.Não deixarei que se case com esse sujeito e ponto final.
- Não,Garrath. Não é ponto final.Vou me casar com Andy com ou sem sua permissão. Eu...eu gostaria de ter o seu consentimento...porque também amo você.
Mas o fato de não aceitar o meu casamento não mudará nada.
Garrath certamente não esperava ser desafiado e muito menos que Janet colocasse seu Amor por Andy em primeiro lugar.Seu rosto estava desfigurado pela raiva e pela mágoa.
- Você não verá Tex...Andy Walker, outra vez. Não te ama o tanto quanto diz.Porque, se fizer isso,ele não terá mais emprego na St.Clair Corporation e também farei com que não seja contratado por nenhuma outra companhia de petróleo. Sua carreira no ramo do petróleo estará arruinada.
- Garrath ! - Barbara não se conteve - Não pode estar falando sério!
-Estou sim e Janet sabe disso.
Aqueles dois pares de olhos castanhos tão parecidos travaram uma batalha silenciosa antes de Janet responder:
- Sei que você é capaz de fazer isso,mas está errado.E nunca o perdoarei por isso, Garrath St. Clair.!
Janet saiu correndo, com a mão nos lábios pálidos.
Capitulo XXII
Depois que Janet saiu,Garrath evitou olhar para Barbara e voltou a sentar na frente do computador.
- Vamos continuar com a lição.
- Não, Garrath.A lição terminou.Estou indo embora.
-Mas você...
- Se está pensando em fazer chantagem outra vez, esqueça.Pode cancelar os contratos, se quiser.A computec sobreviverá melhor do que eu, se ficar aqui mais um dia.
Saiu correndo e estava no meio da escada quando Garrath a alcançou e segurou o seu braço.
- E o que você queria que eu fizesse? Que aceitasse com naturalidade o fato de Andy e Janet terem passado um dia na cabana, só Deus sabe fazendo o quê?
- Então é isso que está incomodando você, não é? Está preocupado com o que os dois estavam fazendo na cabana.
- É claro que estou!
-Engraçado...Você não parecia nem um pouco preocupado com o que nós estavamos fazendo quando estivemos lá.
- Era diferente
- Diferente como? Talvez a única diferença é que tivemos uma noite inteira, enquanto eles tiveram apenas uma tarde.
- A situação não era a mesma.Nós estavamos...Não era a mesma coisa.
- Por que não? Como pode achar certo para nós e errado para eles? O que torna nossa situação diferente? O que Garrath? Diga?
- Porque eu te amava, droga! E pensei que me amasse também! É essa a diferença.
- Você...me amava? - Barbara sentiu o coração parar.
- Sim, amava você. E ...ainda amo - Garrath a puxou para lhe dar um beijo.
Não era um beijo como os outros.Garrath estava desesperado,exigindo uma resposta que não esperava conseguir.Barbara, por sua vez, não acreditava no que acabara de ouvir e estava desorientada demais para pensar e pesar o certo e o errado.Seguiu apenas o curso de seus pensamentos.
Quando o beijo ficou mais passional e sentiu as maos de Garrath passeando por seu corpo, teve um lampejo de sensatez:
- Não aqui...Por favor.
Garrath puxou Barbara para seu colo e ela aninhou a cabeça no ombro dele, não resistindo beijar aquele pescoço até a orelha.
- Se não parar com isso, deixarei que caia sobre seu lindo traseiro,srta.Christensen.
Garrath a levou para o quarto,onde a única fonte de iluminação era o fogo da lareira, e parou ao lado de algumas almofadas espalhadas sobre um tapete de pele de carneiro.Era um canto aconchegante e sensual.Proprio para o amor.
Colocou-a no chão,apenas para tirarem as roupas, e Barbara logo voltou para os seus braços.O calor do fogo era como uma caricia em seus corpos.
- Eu te amo, Barbara - Garrath sussurou, enquanto a acariciava com as mãos e os lábios.
Deitaram na maciez do tapete e, de repente , o fogo ardia também, dentro de seus corpos.
Mais tarde, consumida a chama da paixão, ficaram recostados nas almofadas e abraçados sob um cobertor.
- Pensei que você me odiasse... - Barbaa murmurou, recebendo um beijo no ombro nu.
- Odiar você! Pensei que vocês tecnocratas fossem mais espertos.
- E somos. Juntei todas as evidências e tirei a conclusaõ mais lógica.
- Que evidências?
- O fato de ter ido direto para os braços de Diana e o bilhete que deixou, dizendo que queria me ver fora de sua vida.
- Que bilhete?
-Aquele que você deixou com a sra.MacGuigan, antes de ir para ...Edimburgo.
-E esse bilhete dizia que queria você fora da minha vida? Barbara,não me lembro exatamente o que escrevi, mas não pode ter sido isso.
- Bem, não foi com essa palavras.Mas isso ficou subentendido naquele pedido para terminar a instalação do computador o mais rápido possivel.
Garrath riu,balançando a cabeça.
- Ora, sua boba!Não quis dizer que terminasse o trabalho e fosse embora.Queria que terminasse logo o serviço par ter um motivo para mandar Richard embora e não você.Na verdade,quase fiquei maluco tentando imaginar meios de manter você comigo até que se apaixonasse por mim.Foi por isso que inventei esse último trabalho.Sabia que isso poderia ser feito a qualquer hora e por qualquer pessoa.
Garrath lhe deu um beijo para que não restasse nenhuma duvida sobre a sinceridade de suas palavras.
Mas, se era assim, por que foi correndo para os braços de Diana?
Por que não ficou e exigiu explicações por me encontrar com Richard depois do que compartilhamos na cabana?
-Não fui me encontrar com Diana.De onde tirou essa idéia? Nem estive em Edimburgo.
-Mas a sra.MacGuigan disse que Diana tinha telefonado...
- E me deu um recado de Walter.
- Walter?
- Sim, antes de deixarmos a plataforma, deixei instruções para que me avisasse de surgisse algum problema. Não estava tranquilo com a possibilidade de sabotagem,como fiz você pensar.
- Por que Walter ligou? Outra tentativa de sabotagem?
- Não exatamente - As feições de Garrath revelavam apreensão - Miles mandou Walter paralisar o sistema computec e Walter, querendo a minha confirmação, ligou para Edimburgo. Fui direto para Sithein e dei um ultimatum a Miles. Não foi facil.
Ela acariciava o rosto de Garrath,tentando suavizar aquelas linhas severas.
- E o que aconteceu?
- Qualquer um teria sido despedido por desobedecer minhas ordens,mas não podia fazer isso com Miles.Não depois de tantps anos trabalhando para a companhia.Miles dedicou muito de sua vida neste serviço e acho que está sentindo sua posição ameaçada.Parte da culpa é minha,e agora vejo isso.
-Como assim, Garrath?
- Comecei passar muito tempo em Sithein porque gostava,mas nunca pensei que Miles fosse encarar isso como uma ameaça á sua autoridade. E a instalação do sistema da Computec foi a gota d'agua...
- Foi ele quem sabotou o sistema, não foi?
- Sinceramente, não sei.Prefiro não acreditar nisso,mas de qualquer maneira, deixei claro que não toleraria nenhuma outra interferência.Disse também que ,se tivesse que escolher, optaria pelo computador.Não tive outra alternativa, mas acho que tudo correrá bem de agora em diante.
Isso explicava tudo.A partida repentina de Garrath, a apreensão que acabou transferindo para Andy e Janet.Mas Barbara não acreditava na impressã que ele queria dar de que estava tudo bem.Sabia que estava mais preocupado do que aparentava.

- Chega desse assunto - Garrath interrompeu os pensamentos dela - Agora, quero saber o que aconteceu naquela noite.Por que você e Richard estavam...juntos?


Barbara sorriu,Garrath estava perguntando,afinal.Antes tarde do que nunca. De agora em diante, tudo daria certo.
- Richard e eu não estavamos... - Contou exatamente o que aconteceu, incluindo o pedido de desculpas que recebeu no dia seguinte - Menti, quando disse que nos encontrariamos em Londres.Estava magoada porque pensei que estava com Diana e quis ferir você. Desculpe,Garrath.Pode me perdoar?
Garrath estava com as mãos nos quadris de Barbara e puxou aquele corpo bonito para perto do seu.
-Farei um esforço...
Quando acordou, notou que já era noite e cutucou Garrath:
- Acorde, seu preguiçoso! Já é tarde.Por que será que ninguém nos chamou para o jantar?
- Sempre pensando em comida, heim? Mas acho que foi muito bom ninguém nos perturbar não acha? - Garrath acariciou-lhe o seio que estava sob o cobertor.
- Seu insaciável - Ficou vermelha e afastou aquela mão atrevida - Vamos andando!
- Por que essa pressa?
-Temos que...ou melhor, você tem que...falar com Janet.
Garrath ficou sério no mesmo instante e virou para o outro lado.
- Não vamos falar sobre isso agora.
-Temos que falar,Garrath.Pense só no que aconteceu conosco nesses últimos meses. Tantas conclusões precipitadas e mal-entendidos.Não é possivel que seu desejo de proteger Janet esteja interferindo no julgamento sobre Andy?
Garrath ficou calado por um longo instante, com a fisionomia tão impassivel que ela chegou a pensar que seus argumentos não tinham dado resultado.Estava pensando em outro meio,quando Garrath a abraçou e beijou com ternura.
-Você está certa,Barbara.Tenho sido pai e mãe para Janet por muito tempo, e é dificil admitir que não precisa mais da minha proteção.Acho que estava procurando pretextos para não deixar que saísse debaixo da minha asa.
- Eu sei, meu amor.Eu sei.
Quando estavam vestidos,trocaram um último beijo ardente antes de sairem do quarto.
- Não se preocupe,garrath. Janet te ama muito e entenderá sua atitude.
- Espero que sim.
Deixou Garrath na porta do quarto de sua irmã, certa de que fariam as pazes.Conhecia Janet o suficiente para saber que não guardaria rancor do irmão, se naõ tivesse mais motivo para isso.
Mas não estava tão certa sobre a recepção que teria quando descesse.Passava do horario habitual do jantar e tentava imaginar o que a sra.MacGuigan estaria pensando.Tomou coragem e entrou na cozinha.
- Ora,já ia mandar Charlie chamar você e os outros.Resolvi servir o jantar um pouco mais tarde, achando que estariam todos muito ocupados - esta observaçao da sra.MacGuigan a fez corar - Mas está tudo pronto agora.
- O aroma é apetitoso - Barbara sentia água na boca - Estou faminta.
-Bem,então vamos... - A sra.MacGuigan foi interrompida pelo barulho de passos na escada.Um segundo depois,Garrath entrou na cozinha como um furacão.
- Meu Deus,Barbara,Janet sumiu!
Ninguem tinha visto Janet desde que voltara do passeio com Andy,mas o carro continuava na garagem,Garrath revistou a casa toda,mas não encontrou nenhum sinal da irmã e naõ tinha idéia de seu paradeiro.
- Ela nunca sairir sem avisar - Charlie comentou.
- A menos que estivesse perturbada com alguma coisa - a sra. MacGuigan acrescentou,lançando um olhar fulminante para Garrath.
- Sim, a senhora tem razão...como sempre.Tivemos uma discussão e fui ao seu quarto para pedir desculpas...Para onde Janet terá ido?
- E como? - Barbara acrescentou - Se não levou o carro...
- Talvez tenha ido com alguém...
Parecia a única hipotese viavel.Janet devia estar com Andy,desafiando as ameaças de Garrath.Mas onde estavam? Na casa de Eileen ou já teriam fugido juntos?
- Vamos! - Garrath pegou na mão de Barbara
- Não seria melhor telefonar para ver se...
- Não quero perder tempo.Charlie,por favor, ligue para a casa de Eileen e peça a Janet para me esperar. Diga que...estou pedindo por favor.
- Não vá se matar nessa pressa,Garrath St.Clair - a sra.MacGuigan advertiu - Se Janet estiver lá,esperará mais um pouco.Se não estiver, alguns minutos não farão diferença. Você entendeu?
Garrath saiu correndo,sem responder.Barbára pensou em se oferecer para dirigir, por estar mais calma, mas não foi preciso.Quando saíram , viram os faróis de um carro se aproximando.
- Devem ter decidido voltar! - Bárbara rezava para que fosse verdade.
Em sua impaciência, o carro pareceu levar uma eternidade para chegar na frente da casa, mas viram apenas Andy.
- Onde está Janet? - os dois homens perguntaram ao mesmo tempo.
- De que você está falando? - Andy ficou perplexo - Está aqui, é claro.Como não me ligou , vim ver o que estava acontecendo.
Garrath ficou sem fala, de decepção, e foi Barbara quem explicou:
- Janet desapareceu, Andy. Não temos a menor idéia de onde possa estar.Achamos que estava com você na casa de Eileen.
- A culpa é sua,Garrath! Se acontecer alguma coisa a Janet, juro que...
- Pare com isso, Andy - Barbara interveio - O mais importante agora é achar Janet.Para onde ela pode ter ido? Pense!
Andy dominou a fúria e respondeu sem pestanejar:
- Para a cabana.
- É claro - Garrath concordou - Sempre foi nosso refúgio quando queríamos fugir dos problemas.
Mas a alegria dessa descoberta durou pouco.Já estava escurecendo quando a briga aconteceu, e mesmo que Janet tivesse saído logo em seguida, não conseguirira chegar na cabana antes de anoitecer.E todos sabiam que aquelas colinas eram traiçoeiras demais para serem escalada, sozinha no escuro.
- Vamos! - Andy sugeriu, mas Garrath discordou.
- Irei sozinho.
-De jeito nenhum!
- Janet conhece estas colinas tão bem quanto eu.É uma noite clara, sem neblina e certamente levou lanterna.Tenho certeza de que conseguiu chegar na cabana e irei mais rápido sozinho.
Andy teimava em ir e Garrath tentou outro argumento:
- Ouça, reconheço que agi como um idiota com vocês dois e peço desculpas.Sei que Janet fugiu por minha causa e quero uma chance para consertar a situação, o que farei melhor se estiver sozinho.Por favor, Andy, preciso dessa chance.
Andy ficou pensativo por um instante.
- E se você sofrer algum acidente? Essas colinas podem ser perigosas até para quem conhece bem o lugar.
- Tem razão. Façamos o seguinte: levarei uma pistola de fogo comigo.Devo levar mais ou menos uma hora e meia para chegar na cabana e...digamos, ás dez, darei dois tiros para o alto se encontrar Janet lá, e usarei um se sofrer algum acidente no caminho.Assim, se receberem um sinal ou nenhum, podem chamar as equipes de salvamento.Está bem?
Andy concordou com relutância e Garrath entrou para se preparar para a escalada noturna.Trocou de roupa e apanhou a pistola.Em alguns minutos estava pronto para partir.
- Traga nossa Janet de volta, sã e salva.Deus te acompanhe! - A sra. MacGuigan abraçou Garrath emocionada.
Ficou combinado que Garrath passaria a noite com Janet na cabana e voltariam de manhã.Era a atitude mais sensata, mas Barbara já sentia saudades.
Logo depois da partida de Garrath, a sra. MacGuigan serviu o jantar. Barbara e Andy mal tocaram na comida, embora procurassem aparentar otimismo.Quando foram para a sala,Andy expressou sua surpresa pela mudança na atitude de Garrath.
- Será que estava falando sério? Você acha que Garrath não se oporá ao meu casamento com Janet?
- Acho que não, Andy.Talvez peça apenas que vocês esperem um pouco para casar, por Janet ser tão jovem ainda.
-Concordarei com qualquer coisa,contanto que possa ver Janet sempre.
As nove e meia, os dois já estavam na varanda,congelando de frio.Podiam ficar numa das janelas no andar de cima, como a sra. MacGuigan e Charlie, mas queriam ter uma visão ampla do céu para não correr o risco de perder o sinal.
Eram dez e três quando Barbara começou a ficar preocupada.Onde estava o sinal? E onde estaria Garrath?
Finalmente, viram uma bola de fogo explodir na escuridão do céu e cair como uma estrela cadente.Barbara ficou imóvel, esperando o segundo sinal.Andy segurou sua mão, apertando com força.
Foi grande o alívio quando viram outro cometa de fogo,fazendo o mesmo trajeto do primeiro.Andy a abraçou e começaram a rir e cantar, até a sra.MacGuigan aparecer e mandar que entrassem.
- A senhora viu? - Andy não cabia em si de contentamento - Janet está salva.!
- Vi sim e nunca duvidei de que Janet estivesse bem.Agora, entrem antes de apanhar um resfriado.
Os dois entraram e ficaram conversando na sala por mais algum tempo, tomando chocolate quente. NAdy falaou de seus planos para o futuro, e apesar do entusiasmo pela carreira no ramo do petróleo, não demonstrava nenhuma obsessão pela trabalho. Pretendia ter um lar também, ao lado de Janet.
Barbara estava exausta quando decidiram ir dormir. Tinha passado pelos piores e melhores momentos de sua vida nos últimos dias, e o viavém de emoções foi desgastante.
- Tem certeza de que Garrath não achará ruim quando souber que passei a noite aqui?
- Claro que não,Andy! Por que deveria? Se Janet nem está aqui... - Deu um sorriso malicioso.
Apesar de exausta, não conseguiu dormir.Muita coisa tinha acontecido e muita ainda estava para acontecer.Seu amor era correspondido por Garrath,mas tinham obstáculos a transpor antes de assumirem qualquer relacionamento mais sério.E o principal era a fascinação de Garrath pelo petróleo;um encanto que poderia ser eterno.
Barbara certamente não poderia pedir que Garrath mudasse, não seria justo, alem de inútil.Será que conseguiria esquecer as lembranças do passado e viver com as incertezas, as separações e o perigo?
Não conseguia achar a resposta e, inquieta demais para dormir, resolveu descer e procurar algum livro para se distrair.Mas quando entrou no escritório de Garrath, teve uma surpresa.A luz do computador estava acesa, indicando que havia alguma mensagem.
Com as mãos trêmulas, apertou as teclas para que o computadora revelasse o recado.Seu mau pressentimento foi confirmado quando viu que era da unidade da computec em SitheiUm:
"Emergência.Miles nos trancou na sala.Ameaçando destruição.Precisamos de ajuda.Walter".
Saiu correndo, chamando por Andy.
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