Círculo do Medo Robyn Anzelon



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Capitulo XIX
As feições antes marcadas pela felicidade estavam sombrias e o sorriso de Garrath era acusador.
- E você deve ser St.Clair.Muito prazer.-Richard estendeu a mão. -Trouxe o equipamento que pediu.
Garrath apertou-lhe a mão com muita relutância enquanto o olhar se fixava no outro braço de Richard, ainda na cintura de Barbara.
- Não esperava um serviço tão pessoal.Estou honrado.
- Devo admitir que não é o procedimento normal,mas quando Barbara me me ligou de Edimburgo,resolvi abrir uma exceção para este caso.
- Oh,Barbara telefonou e o convenceu a vir para cá? Entendo.
Ela queria explicar que tinha ligado apenas por estar desesperada para fugir dele e de seus sentimentos.Mas não podia fazer nada na frente de Janet e Richard.
Tentou inutilmente conseguir um momento a sós com Garrath durante o dia todo.por ou lado,Garrath parecia estar evitando isso e,por outro lado,Richard não saía do seu lado.E isso era o mais perturbador.
Sempre tinham mantido seu relacionamento pessoal estritamente á parte dos negócios.Richard nunca demonstrava seus sentimentos em público e era reservado até quando estavam sozinhos.Barbara não se importava e só agora entendia por quê.O amor que sentia por Richard não era o de uma mulhe para um homem,mas de uma irmã para um irmão.
A chegad a Glenclair,porém parecia ter afetado Richard.Aquele beijo no hall foi só o começo.Desde aquele momento, estava sempre junto dela, com o braço em seus ombros ou em sua cintura.
Depois do jantar,sentaram diante da lareira para tomar um último drinque.Richard falou sobre sua viagem,fez perguntas sobre Sithein e Janclair, sempre incluindo algum comentário pessoal sobre seu relacionamento com Barbara.
Até que chegou o pior momento do dia.Richard já tinha tomado dois copos de uísque e Barbara começaca a imaginar se não deveria aconselhar cautela,baseada em sua propria experiência, quando ele levantou e segurou sua mão.
- Acho que Janet e Garrath nos darão licença agora, não é,querida? Depois de uma longa viagem, estou ansioso para ...dormir cedo.
Mal podia acreditar no que ouvia.O Richard Perry que conhecia jamais diria uma frase tão insinuante! A resposta de Garrath veio á altura:
- É claro.Entendemos perfeitamente que esteja precisando de uma boa noite de sono.E Barbara também está precisando,já que não dormimos muito a noite passada...Um ambiente estranho,sabe como é.
Tinha sido assim o dia todo.Para cada insinuação sutil de Richard, Garrath tinha uma resposta sarcástica.Algumas mulheres ficariam satisfeitas em ver dois homens adultos agindo como idiotas por sua causa,mas não era esse o caso dela.Estava furiosa e achava aquela atitude imperdoavel.Era hora de colocar um ponto final naquilo.
- Richard, se não se importa, vou ficar mais um pouco aqui embaixo.Nos veremos de manhã.
- Ora, se prefere assim,posso espera...
- Não, você está cansado.Por favor,vá na frente. Teremos muito tempo para conversar amanhã.
Richard não teve outra alternativa senão ir,Barbara lançou um olhar fulminante para Garrath.Janet levantou da poltrona:
- Vou dormir também.Até amanhã, meus amores.
Ficou agradecida pela perspicácia de Janet, pois queria realmente ficar sozinha com Garath, mas seus planos foram frustrados:
- Vou subir com você.Boa noite,Barbara. - Garrath saiu, ignorando o olhar suplicante da irmã e impedindo qualquer outra forma de protesto.
Furiosa,ela foi tomar banho.No dia seguinte tentaria a qualquer custo fazer Garrath ouvir o que pensava sobre aquele ciúme injusto.Mas antes teria que falar com Richard.
Não seria fácil contar o que tinha descoberto sobre seus sentimentos, mas teria que fazer isso, e quanto mais rápido,melhor.Saiu do banho e os cabelos soltos sobre os ombros nus traziam lembranças que preferia evitar, já que passaria uma noite muito diferente do que tinha imaginado.Sozinha e infeliz,em vez de estar novamente nos braços de Garrath.
Vestiu o robe branco e foi para o quarto.Quando entrou,teve uma surpresa.
- O que você está fazendo aqui, Richard?
- Quero falar com você.Em primeiro lugar,para pedir desculpas pelo meu comportamento desta noite.
- foi realmente lamentável,Richard.
-Sinceramente, não sei o que me deu.Nunca agi assim na minha vida e principalmente com um cliente tão importante e influente quanto Garrath.Sinto muito.
Barbara sorriu.Richard pedia desculpas, mas certamente estava mais sentido com o dano causado ao seu relacionamento com Garrath.O que era típico do Richard que conhecia.
- Está bem, eu entendo.
- Então, podemos conversar?
- Conversar? O que temos para conversar que não pode esperar até amanhã? Não estou mais ressentida com você, mas estou exausta.
- Seria muito dificil encontrarmos um momento a sós amanhã, como hoje. E é importante .Por favor.
Queria ter mais tempo para pensar na melhor maneira de explica tudo, mas o tom de voz de Richard dizia que seria forçada a contar tudo já.
Seus pés pareciam pesados como chumbo enquanto ia até a cama onde Richard estava sentado.Sentou, ainda indecisa se devia contar tudo.MAs como? Como dizer que estava apaixonada por outro homem?
- Quero me casar com você,Barbara - Richard foi direto ao assunto - Imediatamente. Assim que terminarmos este trabalho e voltarmos para casa.
- Casar?Mas eu...Nós decidimos esperar mais um pouco,para não tomar uma decisão precipitada.
- Mudei de idéia.Não quero mais esperar, não vejo razão para isso. Nos amamos e faz tempo que nos conhecemos.Quero que seja minha esposa agora.
- Oh, Richard! - Ficou desesperada.Como dizer que não o amava, pelo menos não para casar,sem magoá-lo?
- Podemos vender seu apartamento e morar no meu, que é maior.Acho que a mobília poderá ser aproveitada e as despesa com a manutençao de uma casa será muito menor do que de duas.
- Do modo como você fala, até parece uma aliança comercial.
- estava esperando flores,um anel e me ver de joelhos?
-Não,Richard.Não é isso. É que ...não posso casar com você.
- Mas não vejo motivo para esperar...
- Não estou falando em esperar.Não posso casar com você...nunca.
Pronto, estava dito.Mas Richard não perguntou por que, como Barbara esperava.
Seu olhar ra calculista e passou o braço pela cintura dela,enquanto a outra mão acariciava seu joelho.
- Richard... - Foi interrompida por um beijo com gosto de uísque.
Richard a segurou com força, enquanto a outra mão subia audaciosamente pela coxa.Seu beijo era insistente, forçando uma passagem pelos lábios de Barbara, que estava mais preocupada em achar palavras certa para dizer que amava Garrath. Isso certamente o traria de volta a razão.
Mas a reação de Richard foi muito diferente do que ela esperava.Empurrou-a para a cama,imobilizando-a com o peso de seu corpo.
-Richard, pare com isso! Me solte! Precisamos conversar.
- Não quero conversar.Já conversamos demais. Eu te amo, Barbara.Quero você e estou cansado de esperar.
- Não pode estar falando sério - Deu uma risada histérica,mas logo percebeu que aquilo não era uma brincadeira.
Richard continuava a segurar-lhe a nuca com força, enquanto lhe beijava o pescoç.Quando sentiu uma mão tentando desamarrar a faixa do robe, entrou em pânico.
Não sabia o que fazer.Nunca estivera tão vulnerável e confusa.Empurrar naõ estava dando nenhum resultado e o peso do corpo de Richard impedia que fugisse.Não podia gritar para não correr o risco de Garrath ouvir e presenciar aquela cena.
A faixa na cintura cedeu com facilidade e Richard abriu o roupão,soltando um murmurio selvagem.Suas mãos foram para os seios,pressionando com força.
- Barbara...Barbara preciso de você.Você me pertence...Provarei isso agora.
Ela agarrou o pulso de Richard e fincou as unhas nele, mas não adiantou.Estava desesperada e lágrimas encheram seus olhos.
- Não...Richard, por favor, não!
Ele não ouvia nem via suas lágrimas.Com a respiração ofegante, apisionou os lábios dela outra vez,enquanto a mão se movia para baixo.
Barbara sentiu repugnância.Aquilo não podia estar acontecendo.Não com Richard, que sempre cuidara dela,protegendo-a e amando-a.Não era possivel.
Foi então que ouviu a porta ranger.
- Barbara, está dormindo? Uma hora sozinho na cama me fez sentir um idiota...

Garrath tinha dado três passos no quarto iluminado apenas pelo fogo na lareira quando viu Barbara...com Richard. Os três ficaram paralisados.


- Mas agora vejo que não está sozinha.O que me faz sentir duplamente idiota.
Desta vez,o ranger da porta foi seguido de um estrondo.
- Garrath!
Estava disposta a combater Richard com as armas que tivesse, arranhando e mordendo,mas não foi preciso.Estava paralisado e ela não teve dificuldade em escapar, fechando o robe.
Seu primeiro impulso foi correr atrás de Garrath e explicar o que estava acontecendo, mas logo pensou.Como explicar alguma cois que não entendia?
- Barbara...oh,Barbara...
- Saia daqui.Já!
-Mas tenho que...
-Já, Richard!
Richard saiu sem protestar mais.Quando ficou sozinha,Barbara afundou o rosto no travesseiro e chorou.
Apesar da confusão do dia e principalmente da noite anterior,acordou bem disposta.Afinal, era um novo dia e tudo se arrumaria .De um jeito ou de outro.
A manhã não era promissora.Estava garoando e a superficie da lagoa era cinzenta.Estava pronta para descer e quando ouviu batidas na porta.Seu coração disparou.Garrath ou Richard? Qual dos dois teria que enfrentar primeiro?
- Entre!
Não era nenhum dos dois.Janet espiou pela porta.
- A costa está limpa? Sem flechas cruzando o ar ou granadas sendo atiradas?
- Tudo calmo no fronte, pelo menos por enquanto. - Barbara sorria.
- Não parecia muito calmo ontem a noite, com o trafego no corredor.
- O que você está querendo dizer, Janet?
- Ouvi passos e achei que vinham na direção do seu quarto.Acertei?
- Janet St. Clair, você é um terror! Mas pode parar com essas imaginações românticas.A noite não poderia ter sido pior.
- Não é de se admirar, com todas aquelas faíscas soltas no ar ontem.Foi Garrath ou Richard?
- Os dois.
- Os dois! Puxa vida!Você sabe como manipular esses homens,hein?
- Janet! Não manipulei ninguém.Na verdade, estou cheia da estupidez desses dois...Droga!
Não conseguiu segurar as lágrimas e o sorriso zombeteiro de Janet desapareceu.
- Oh,minha querida,desculpe.Nunca aprendo a ficar com a boca fechada.Foi tão ruim assim?
-Não podia ter sido pior. - Resumiu os acontecimento da noite passada - E agora tenho que arrumar um meio de explicar tudo para Garrath e ainda dar uma última palavra com Richard, quando não queria ver esse homem nunca mais.
- bem, não sei se serve de consolo, mas você terá um dia ou dois para se explicar ao meu querido irmão.
- Como...como assim?
-Garrath partiu bem cedo de Glenclair.
-Partiu?Mas por quê? Para onde foi?
- Foi para Edimburgo, mas nem imagino por quê.Recebi a noticia da sra.MacGuigan e parece que Garrath não sabia ao certo quando voltaria.
- Diana... - Barbara concluiu que Garrath tinha resolvido descontar seu orgulho ferido com a bela secretária.
- Ora, não fique assim. Garrath não tem nenhum interesse nessa mulher, exceto por ser uma funcionária muito eficiente.Tenho certeza de que foi resolver algum negocio urgente.
Não acreditou, mas não disse nada.Durante todo o café, não conseguiu parar de imaginar Garrath com Diana naquela cama enorme em Rose Crescent.Quando terminaram de comer, ajudou a tirar os pratos.
- Ah, Barbara! - A sra.MacGuigan chamou quando entrou na cozinha - Tenho um bilhete de Garrath para você.
- Para mim?
-Foi o que ele disse e nao estava com uma boa cara.Aqui está.
Pegou o papel com maõ tremula e hesitava em abrir na frente de testemunhas, quando a governanta falou com Janet:
- Temos aquela lista de provisões para preparar, não é, menina?
E agora me parece uma boa hora pra isso.
Agradecendo a mulher por aquele momento de privacidade,Barbara abriu o bilhete,Era curto e objetivo.
"Barbara, por favor,faça a instalação do computador durante a minha ausência.Queo o serviço terminado o mais rápido possivel."
Um sorriso triste marcava o rosto dela.Mais uma vez,Garrath queria se ver livre dela o mais depressa possivel, tendo tirado as conclusões erradas. A diferença é que não estavam em Sithein e não era do trabalho que Garrath não a achava digna:era de seu amor.
Não era justo desta vez,como não foi da outra.Garrath a condenava sem ouvir suas explicações.Se a amasse de verdade,teria lhe dado uma chance , apesar de tudo.
Garrath não tinha dito que a amava, pelo menos não com palavras.Mas ela também naõ dissera, supondo que fosse obvio. Agora, via que estava enganada.Atração física era tudo que Garrath sentia,e seu orgulho estav ferido por ver que não era o único conquistador.
Pois se Garrath queria assim, terminaria o trabalho imediatamente e voltaria para São Francisco, onde era seu lugar.Era hora de fazer o que pretendia desde o começo, antes de ser iludida pela magia dos vales e colinas de Glenclair, acreditando em contos de fadas e principes encantados e esquecendo as razões sensatas para não amar um homem insensivel.Mas que não esqueceria nunca mais.
Capitulo XX
Foi para o quarto odiando Garrath.Sempre ouvia que o amor e o ódio era sentimentos muito proximos.agora,sabia que era verdade.Seu ódio era tão intenso quanto o amor que sentia antes.Mas ainda amava aquele homem e isso era o mais angustiante.
O coração partido e a cabeça latejando eram sintomas dolorosos,mas sabia que não seria o fim do mundo ter que viver sem Garrath.Talvez jamais se recuperasse completamente,mas sobreviveria.
Precisava se trancar no quarto pra desabafar as mágoas, antes de começar o trabalho.Com sorte, talvez conseguisse terminar e partir de Glenclair antes de Garrath voltar.A idéia da partida trouxe lagrimas aos seus olhos e estava entrando no quarto quando alguem chamou:
- Barbara,posso falar com você?
Falar com Richard era a última coisa que queria fazer naquele momento.A maior parte da culpa pelo que acontecera era dele.
- Acho que não temos nada para falar.
- Temos sim. Pelo menos, eu tenho.Preciso tentar me explicar Barbara,por favor me dê essa chance.
Uma chance! Tinha acusado Garrath de não lhe dar uma chance de explicar.Como poderia agora negar esse direito a Richard?
- Esta bem, mas não tenho muito tempo.Preciso começar a trabalhar.
Quando Barbara entrou no quarto de Richard,teve uma surpresa.Viu uma mala sobre a cama.
- Você... você está pensando em partir?
- Sim. Mas antes de ir, quero que saiba como estou me sentindo por tudo que aconteceu. Não queria magoar você,acredite.Gostaria de explicar minha atitude, mas não sei se conseguirei.
-Tente Richard! Por favor, tente - A explosão foi involuntária, mostrando o quanto queria entender e perdoar.
-Bem...acho que tudo começou quando percebi que você estava apaixonada por St.Clair.
- Como você sabia?
- Comecei a suspeitar depois de seu telefonema de Edimburgo.As coisas que você disse e o modo como disse não saíam da minha cabeça.E quando percebi já estava no avião.Quando você apareceu no hall tão feliz ontem, depois de passar uma noite nas colinas, tive a certeza.
-Mas, então ,por que...me pediu em casamento?
-Estava desesperado.Nosso relacionamento já dura algum tempo,Barbara.Pode não ser uma paixão louca, mas temos muito em comum, nosso trabalho e Len,por exemplo.Não queria perder isso.
Pensou em protestar.Trabalho e a lembrança de outra pessoa não eram motivos suficientes para justificar a união entre um homem e uma mulher.Mas de nada adiantaria dizer isso agora e deixou Richard continuar:
-Apesar das minhas suspeitas, não acreditava que pudesse perder você.Achei que era apenas um questão de reconquistar meu territorio, por assim dizer.E foi o que tentei fazer ontem,até você me colocar no devido lugar.Mesmo assim, achei que poderia segurar você com uma proposta de casamento e quando nem isso funcionou fiquei maluco.Sei que não justifica o que fiz mas´é tudo que posso dizer.Só espero que algum dia você entenda um pouco e talvez me perdoe.
Barbara o compreendeu melhor do que Richard poderia imaginar.Agora que conhecia a dor a rejeição, sabia que esse sofrimento poderia levar qualquer um a loucura.
- Bem, isso é tudo que queria dizer.Agora é melhor acabar de fazer esta mala para pegar o aviaõ para LOndres.
Barbara olhou para aqueles ombros curvados de desanimo e lembrou das vezes em que tinha se apoiado neles para chorar.De repente,percebeu que nao poderiam se separar daquele jeito,independente do que tinha acontecido.Tinham compartilhado muita coisa e por muito tempo para deixar em erro estragar tudo.
- Você ...você não precisa ir...
Richard olhou para ela por um longo instante.
- Obrigado,mas acho que será melhor assim.
- Pensei que fosse me ajudar na instalaçao.
- Você naõ precisa de ajuda, sabe disso.Não foi para isso que vim e não vejo nenhum motivo para ficar agora.Você vê?
Por um breve instante, pensou em dizer que sim e pedir que ficasse porque tinha mudado de ideía.Sabia que não poderia esperar mais nada do amor por Garrath e era tentador voltar para a segurança do amor de Richard. Afinal,tinham muito em comum e talvez fosse melhor esquecer tudo e recomeçar.
Mas a tentação não durou muito,principalmente porque gostava de Richard.Não seria justo lhe dar apenas uma pequena parte de si,já que a maior estava com Garrath, quer ele quisesse ou não.
- Não... - Barbara respondeu com lagrimas nos olhos, desejando que a resposta pudesse ser diferente.
- Ei, nada disso - Richard enxugou o rosto dela com um lenço. - Não se preocupe comigo.Vou sobreviver contanto que prometa não me deixar na mão, na companhia.isso, seria realmente uma tragédia.
Richard estava brincando para amenizar uma situação dificil,mas existia um fundo de verdade naquelas palavras.Barbara suspeitava que sua falta seria mais sentida no escritorio do que fora,apesar de não ter a intenção de deixar o emprego.Era tudo que ainda lhe restava.
- É claro que naõ.
- Otimo.Então , sera que posso pedir sua ajuda com essa mala?
Você sempre foi boa nisso e, do jeito que estou, acabarei perdendo o avião.
Enquanto ela arrumava a mala, conversaram sobre a Computec e o entusiasmo de Richard mostrava que não levaria ,muito tempo para se recuperar daquele rompimento.Não enquanto tivesse trabalho a fazer.
- Obrigado,Barbara.Não posso perder esse aviaõ porque preciso passar pelo Ministério das Energias antes de voltar para casa.Talvez consiga mais alguns contratos, nunca se sabe.
- Adeus, Richard - Barbara lhe deu um beijo rápido - Eu te amo.
Ambos sabiam exatamente o sentido daquelas palavras.
Depois que Richard foi embora,mergulhou no trabalho como uma forma de bloquear seu sofrimento.Era a única maneira de sobreviver aos dois dias que levaria para terminar aquele serviço.
Janet apareceu no escritorio varias vezes, provavelmente por estar curiosa sobre o bilhete de Garrath e a partida repentina de Richard, mas Barbara não estava disposta a fazer confidências.As feridas eram muito recentes para serem cutucadas.
Não almoçou e recusou o convite de Janet para tomarem chá, apesar dos protestos do estomago.Mas na hora do jantar,a sra.MacGuigan veio chama-la pessoalmente e parecia determinada a não aceitar recusa.
- Gostaria de saber como pretende continuar a trabalhar se não tiver forças para isso. Não ´´e possivel.Vá lavar as mãos e esteja na mesa em cinco minutos. Nem um segundo a mais!
Sorriu e não esperou uma segunda ordem para sair correndo.Cinco minutos não era muito tempo e não queria nem pensar em chegar atrasada.Quando desceu,teve uma surpresa agradável.
- Andy! Não sabia que estava aqui.
-Eu...acabei de chegar.Queria...bem,verJanet e ...você também é claro.
- É claro. - Achou graça do embaraço do rapaz - Quanto tempo pretende ficar?
- Até o Sr. St...isto é, alguns dias.
Suspeitava que aquela visita não era apenas para ver Janet.Será que estava planejando enfrentar Garrath? Mas, independente dos motivos,ficou satisfeita com a presença de Andy.Assim,Janet se distrairia e não lhe faria perguntas inconvenientes.
Depois do jantar,Barbara recusou o drinque e viu o casal caminhar de braços dados para a sala, onde o fogo ardia na lareira.Virou as costas para aquela cena romântica e foi para o escritório.O amor era maravilhoso de se ver, mas não naquele momento.
O dia seguinte transcorreu sem nenhuma novidade.Trabalhou com fervor,tentando não invejar o amor de Janet e Andy.A sra. MacGuigan fez com que parasse para as refeições e para um passeio a tarde para espairecer.Fora isso,ficou trancada no escritório.
O trabalho era detalhado e complicado, e só resolveu parar tarde da noite. A sra.MacGuigan tinha deixado um bule de chá com um bilhete:"Tome antes que esfrie".
Serviu-se de uma xicara e sentou numa poltrona, calculando quanto tempo mais levaria para terminar o serviço.Não sabia quando Garrath voltaria, mas quanto mais cedo partisse de Glenclair, menor seria a chance de se encontrarem.
Partir antes de seu retorno parecia a melhor maneira de evitar mais sofrimento.O ódio passou com o tempo, e de vez em quando,Barbara desejava rever Garrath e sentir suas caricias.Chegou até a pensar se não poderia consertar a situação, apesar de tudo.
O que era ridiculo.Garrath jamais admitiria estar errado e qualquer pedido de desculpas teria que partir dela.Seria sempre assim.O seu maior medo era rever aquele homem e querer ficar ao seu lado, sob qualquer condição.Não confiava na propria resistência.
Colocou a xicara na mesa,determinada a voltar a trabalhar.Queria terminar naquela noite mesmo para pegar o avião no dia seguinte e ir para longe de Glenclair, da Escócia e de Garrath.
Sentindo a ameaça de lágrimas, fechou os olhos.Voltaria para o trabalho num momento.
O pesadelo voltou com força total.Barbara corria com mais desespero que das outras vezes e o nome que chamava repetidas vezes era o de Garrath.E quando veio a explosão, as chamas consumiam uma estranha composição de Sithein Um com Glenclair.
- Garrath! Garrath - gritava sabendo que se não o achasse logo não o acharia nunca mais e não poderia continuar vivendo.Mas as chamas cresciam, cercando-a e impedindo qualquer tentativa de fuga.
Foi então que outra voz penetrou em sua consciência, uma voz que não fazia parte do sonho.Vinha de fora,onde estava a segurança. O som a atraía para fora do pesadelo.
E para os braços de Garrath.
Por incrivel que fosse, era Garrath quem a sacudia pelos ombros para que acordasse.por um breve instante,sentiu o coração palpitar de alegria...Então, lembrou de tudo que acontecera.Na cabana, ele tinha prometido acabar com seus pesadelos, mas por ironia do destin ele mesmo era a causa daquele.
- Já estou acordada.Pode me soltar.
- Tem certeza de que está bem?Foi aquele pesadelo de novo?
- É claro que foi, se é que isso é da sua conta.E continuará acontecendo enquanto não terminar este trabalho e me afastar de você e de seu estupido negocio de petroleo, O que, graças a Deus , será logo. Agora me solte.
Garrath obedeceu e, só então, Barbara notou sua aparência cansada, quase desfigurada.O cansaço se refletia nos olhos vermelhos e na tensaõ de seus ombros. A linha dos lábios era severa, indicando preocupação.Alguma coisa estava errada e ficou arrependida por ter sido tão rude.
- Garrath, você está...- Começou a dizer, mas era tarde demais.
Garrath saiu do escritório sem dizer uma palavra, mas o estrondo de seus passo na escada dizia tudo.Não quis mais trabalhar naquela noite e foi para a cama, de roupa e tudo.
Apesar de ter deitado tarde, acordou cedo e voltou para o trabalho.Sua determinação em partir o mais cedo possivel de Glenclair era maior que nunca.Qualquer esperança vã de Garrath voltar e se atirar aos seus pés para pedir perdão tinha morrido na noite passada.
Estava testando alguns programas quando sentiu um calafrio percorrer a espinha.Apesar de estar de costas para a porta e não ouvir nenhum ruído, sabia que Garrath estava ali.Virou-se lentamente na cadeira.
Bastou um olhar para aquela figura alta recostada na porta com os braços cruzados para acelerar sua pulsação.Sua reação física não teria sido mais forte se tivesse sido tocada por aquele homem.
- Trabalhando tão cedo! Que dedicação! Ah, mas estou esquecendo que está ansiosa para se livrar de ...deixe ver como você disse...de mim e do meu estupido negócio de petroleo. Não foi isso?
- Estou muito ocupada agora. O que você quer?
- O café da manhã.A sra. MacGuigan me pediu para levar você para o café e não aceitar nenhuma desculpa para não ir.Portanto...- Fez um sinal para a porta - Vamos?
- Já estou indo - Não precisava de uma escolta e se virou pra o computador.
- Eu espero.
Garrath puxou uma cadeira e ficou espiando o que Barbara fazia.As mãos dela tremiam e cometeu vários erros até finalmente desistir. Levantou bruscamente , seguida por Garrath e ficaram cara a cara.
Não tinha como sair dali com Garrath bloqueando a passagem e, por um momento, seus olhares se cruzaram, provocando faíscas.Barbara forçou passagem, desviando o olhar e saiu do escritório. Garrath a seguia de perto.
A sra.MacGuigan estava arrumando a mesa no solário para apenas duas pessoas. Ficou alarmada.Primeiro porque não conseguia comer com Garrath sentado na sua frente e também por se lembrar de Andy.
Será que Garrath já sabia do convidado de Janet? Tinha dúvidas.
E será que aqueles dois sabiam da volta de Garrath?E se não soubessem?
De certa forma,Garrath respondeu a essas perguntas:
- Janet não virá tomar café?

- Não, Garrath - a resposta da governanta foi imediata - Saiu bem cedo dizendo que ia para a cabana nas colinas e só voltaria no final da tarde.Agora, sente e coma!


A sra.MacGuigan saiu depois dessa ordem categórica, deixando Barbara surpresa, Era óbvio que a boa senhora tinha omitido o nome de Andy de proposito, mas devia ter seus motivos e Barbara os respeitaria.Certamente naõ queria ser a mensageira de tão má noticia.!
- E o seu...amado Richard! - Garrath interrompeu-lhe os pensamentos, puxando gentilmente a cadeira - Costuma acordar tarde?
Antes que pudesse responder, Garrath sentou na cadeir oposta e seus joelhos se tocaram, provocando uma reação eletrizante.Barbara sentiu um impulso de explicar por que Richard estava em seu quarto naquela noite e do que aconteceu depois, contra a sua vontade.Queria pedir desculpas, fazer o que fosse preciso para acertar os ponteiros com ele.Queria que Garrath a amasse.
As palavras já estavam se formando em seus lábios quando caiu em si.Não tinha que tentar explicar nada quando nenhuma explicação estava sendo pedida.De qualquer forma,Garrath nunca acreditaria.
- Richard partiu. Tinha um encontro urgente em Londres - Nem terminou de falar e Garrath levantou a cabeça, com os olhos arregalados.Seria de surpres ou sarcasmo? - Vamos nos encontra lá.
- Assim que terminar o serviço aqui? Não me admira que esteja tão ansiosa pra partir.
Não sabia por que tinha inventado aquela mentira, mas não respondeu aquela provocação.Começou a comer apenas para disfarçar a tensão. precisando da ajuda do chá quente para engolir.
- E quanto tempo mais acha que levará para terminar?
- Uma hora, mais ou menos. Acho que posso até fazer uma reserva de avião para esta tarde e chamar um táxi para me levar...
- Não temos serviço de taxi na ilha.Quando chegar a hora de ir, terei que levar você.Mas duvido que consiga terminar tudo até de tarde.
- Como não? Só faltam alguns testes e então...
- Então, terá que me ensinar como operar o equipamento, não é?
- Ensinar! Você deve esta cansado de saber! - em resposta Garrath apenas sacudiu a cabeça - Mas o sistema é igual aquele do escritorio de Edimburgo. Deve saber como...
- É Diana quem cuida da maior parte do serviço.Mas estarei sozinho aqui e preciso de algumas liçoes. E pelo que entendi, a computec se compromete a dar essa assistência, quando for necessário.E infelizmente para os seus planos amorosos, sou um aluno muito lerdo.
- Essas instruções não faziam parte do nosso acordo - Não sabia qual era o jogo , mas não queria participar - Se não sabe realmente como lidar com o equipamento, o que eu duvido,mandarei alguem para lhe ensinar.Mas partirei esta tarde.
- Se fizer isso, srta.Christensen, cancelarei todos os contratos com Richard Perry.E farei com que nenhuma outra companhia na Grã-Bretanha faça negócios com a computec. Uma palavra aqui e ali será o suficiente.Tenho muita influência no mundo dos negocios e não hesitarei em usa-la.
- Por que Garrath? Qual o motivo dessa ameaça? Por que quer me prender aqui?
Garrath levantou, jogando o guardanapo na mesa.
- Porque não gosto de fazer papel de idiota.E manter você aqui quando preferia estar com Richard é a única vingança que pude encontrar no momento. É só por isso.
- Não é nada disso que você está pensando! - Tentou explicar, mas estava falando sozinha. Garrath já tinha saído.
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