Círculo do Medo Robyn Anzelon



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Círculo do Medo

Robyn Anzelon
Título: Círculo do Medo
Título original: The Forever Spell
Autora: Robyn Anzelon
Serie: Super Bianca
Nº 14
Ano: 1983

Capitulo I

Depois de quase duas horas no helicóptero, Bárbara Christensen já estava cansada de ficar olhando para o mar do Norte à procura do primeiro sinal de seu destino.


Os pés e as mãos estavam gelados. A cabeça latejava com o barulho constante do motor e das hélices. Além disso, estava exausta por estar horas viajando sem dormir e se preocupando.Aliás, nem suas apreensões importavam mais àquela altura. Nada importava.
Subitamente, o piloto começou a gritar, apontando para seu lado.
- Lá está a Sithein Um!
Bárbara ficou alerta de novo e olhou pela janela. A principio, não viu nada. Então, o piloto inclinou um pouco o helicóptero e ela pôde ver uma chama queimando na imensidão escura lá embaixo.
Sabia o que era: uma chama de segurança no topo da torre de uma das mais novas e maiores plataformas de petróleo do mundo em alto-mar. Sithein Um.
Seus olhos verdes se encheram de lágrimas. Para muitos, aquela chama era um sinal bem-vindo na vastidão do mar. Para Bárbara trazia lembranças dolorosas que tinha tentado esquecer por quase dois anos.

O que estava fazendo ali, afinal? Por que se colocava numa situação como aquela? Eram perguntas que fazia pela centésima vez desde que saíra de casa.Mas eram desnecessárias. Sabia as respostas desde que concordara em vir. Estava ali por causa de dois homens: um que amava e outro que era um completo estranho chamado Garrath St. Clair.


Não podia estar mais desconfortável naquele helicóptero. O assento era duro demais, e como se não bastasse, ainda tinha um cinto de segurança e uma jaqueta salva-vidas restringindo seus movimentos. Contudo, esse desconforto físico não era nada comparado á inquietação de conhecer Garrath St. Clair.
Ficou impressionada com o nome e não conseguiu parar de imaginar como seria o homem. Tinha sentido um calafrio inexplicável na primeira vez que ouviu Richard mencionar Garrath St. Clair, naquela noite, quando voltavam para casa da Computec, a firma de computadores de Richard.
-Bárbara, quero que vá para a Escócia.
-Escócia? Por quê?
-O sistema de monitores que instalamos para a St. Clair Corporatino não está funcionando muito bem. Já interrompeu três vezes os trabalhos de perfuração sem nenhum motivo aparente. Os técnicos de lá conseguiram detectar o problema e recebi um telefonema esta tarde de St. Clair em pessoa. Estava furioso com a perda de tempo e dinheiro, exigindo alguém imediatamente na plataforma para consertar o equipamento.
- Plataforma? Richard, você não está falando de uma plataforma de petróleo, não é?
Sabe que não posso...

-Ouça, Bárbara. Não estaria pedindo este favor se não fosse muito urgente. A St. Clair Corporatino tem vários projetos de exploração no mar do Norte e é uma das empresas mais bem-sucedidas na Grã-Bretanha. Estão experimentando nosso sistema para utilizar nas futuras plataformas. Se tudo der certo, é claro, o que não está acontecendo agora. Preciso de sua ajuda.


Ele não podia pedir aquilo. Estava quebrando uma promessa, não era justo. Mas não protestou. Mais que seu patrão, Richard Perry era o homem que amava, embora ela ainda não tivesse decidido aceitar seu pedido de casamento.
Além disso, foi Richard quem a ajudou a superar a pior fase de sua vida. Foi seu ponto de apoio quando o mundo pareceu desabar sobre sua cabeça. Se precisava de sua ajuda agora, não poderia negar.
-...E temos que fazer aquele sistema funcionar direito - Richard continuava a argumentar - Garrath St. Clair não é homem de tolerar falhas.
Nesse instante, Bárbara sentiu um calafrio de apreensão e curiosidade por esse estranho, capaz de fazer Richard ignorar os sentimentos dela e até a promessa que tinha feito um dia. Sentiu mais alguma coisa também...Uma certa excitação, inexplicável.
Essa estranha sensação a perseguiu enquanto fazia os preparativos para a viagem, durante as longas horas de vôo para cruzar o Atlântico, e finalmente durante a conexão entre Londres e o aeroporto de Aberdeen.

Fazia muito frio e Bárbara tremia enquanto ia para o terminal do aeroporto. Pensava estar acostumada com as brisas geladas que vinham do mar e que castigavam a cidade de São Francisco, mas o clima no mar do Norte era bem pior. E estava apenas em setembro. Como seria quando o inverno propriamente dito chegasse?


O terminal estava lotado de pessoas esperando parentes e amigos, e Bárbara ficou um longo tempo no meio da multidão sem que ninguém se aproximasse. Será que seu contato havia se atrasado? Ou será que esperavam que fosse direto para o escritório de St. Clair?
Devia estar atrasado. Seria bem típico de um homem arrogante, egoísta e sem nenhuma consideração pelos sentimentos dos outros. Era essa a imagem que fazia de Garrath St. Clair. Uma pessoa que não podia perder tempo, mas não se incomodava em deixar os outros esperando. E agora? O que devia fazer?
Estava desorientada e exausta. Tinha viajado mais de catorze horas de avião para encontrar um homem que tanto impressionara Richard, justamente Richard, que nunca se impressionava facilmente! Com as oito horas de diferença no fuso horário era fim de tarde em Aberdeen.
E depois de uma viagem tão cansativa, só faltava não encontrar alguém à sua espera. Seria bem feito para o sr. St. Clair se fizesse uma reserva no primeiro vôo de volta para casa. Pelo visto, não estava com tanta pressa assim para que o equipamento fosse consertado.
Ainda estava remoendo a raiva quando ouviu seu nome pelo sistema de som do aeroporto:
-B. A. Christensen, favor comparecer ao balcão de informações. B.A . Christensen...
Bárbara foi correndo para o balcão, onde encontrou um rapaz usando calça jeans desbotada e botas de couro. O rosto estava parcialmente encoberto por um chapéu de cowboy!
Mas o que a impressionou não foram as roupas, e sim a postura casual: seus braços cruzados, pernas um pouco afastadas, cabelos caindo na testa . Parecia Len ! Sabia que não era ele, jamais seria possível que fosse, mas a semelhança era espantosa . E dolorosa.

Lembrou das constantes reclamações de sua mãe sobre a obsessão que seu pai e seu irmão Len, tinham pelo petróleo. Bárbara ficou paralisada, olhando o rapaz que a procurava ansiosamente no meio da multidão.


Aquele não era Garrath St. Clair, claro. Tinha sido tolice achar que o grande homem viria pessoalmente busca-la. Donos de companhiaa importantes não iam a aeroportos buscar uma simples empregada. Mandavam seus assistentes.
De repente, Bárbara teve vontade de não ser encontrada. Para começar, nem devia ter deixado que Richard a convencesse a vir. Devia ter feito valer a promessa feita quando concordou em trabalhar em sua companhia: a de que nunca seria obrigada a trabalhar em contato direto com uma plataforma de petróleo.
Não importava que Garrath St. Clair ficasse furioso ou que Richard se ressentisse com sua recusa em ajudar. Simplesmente não tinha condições de enfrentar as lembranças que aquele trabalho na plataforma de petróleo lhe trariam. Tudo que queria agora era voltar para casa.
Tarde demais: o cowboy a viu.Endireitou o corpo e se aproximou, colocando a mão no ombro dela.

-Precisa de ajuda, senhorita? - A preocupação do rapaz de rosto sardento e bigode fino parecia sincera.


-Sou Bárbara Christensen
-Como ?
Será que tinha se enganado e aquele rapaz não era representante da St. Clair?
-B. A. Christensen. Não foi você que mandou me chamar pelo sistema de som? Não foi mandado pelo sr. St. Clair?
-Sim, mas não pode ser a pessoa que vim receber! Você é ... - Não terminou a frase e tirou o chapéu desconcertado - Desculpe senhorita, mas estava esperando... Isto é, me disseram para buscar um ...
Bárbara entendeu. Era mais uma das pequenas surpresas de Richard. Na certa, tinha preferido usar apenas as iniciais de seu nome, escondendo sutilmente o fato de que se tratava de uma mulher, para evitar problemas. Uma vez que chegasse ao destino, ninguém poderia fazer mais nada.
-Você esperava encontrar um homem, não é ?
O cowboy concordou com a cabeça, mas ainda parecia incrédulo.
-Então a senhorita...é da Computec?
-Sim. E quem é você?
-Oh!, desculpe. Sou Andy Walker e me chamam de Tex na plataforma.
Só podia ser, Bárbara pensou com seus botões e sorriu.
-Muito prazer, Andy. Para onde vamos agora?
-Bem... recebi ordens para levar o técnico da Computec diretamente para o sr, St. Clair, mas talvez seja melhor ligar antes para contar que ...
-Pode parar! - Não era difícil adivinhar o que Andy ia dizer. Richard estava certo quanto ao seu cliente. Ele não ficaria nem um pouco satisfeito com a noticia inesperada de que o técnico que esperava era uma mulher.
Que ultrajante! Como se não bastasse ter sido obrigada a viajar metade do mundo para onde nem queria vir, tinha que suportar uma atitude preconceituosa e insultante.

-Ouça, Andy. Sou a pessoa mais competente que a Computec poderia ter mandado para consertar o sistema de monitores. E por acaso sou mulher. Não vejo em que esses dois fatos são incompatíveis. Se o sr. St Clair quer o equipamento consertado com a urgência que mostrou no telefonema, terá que aceitar ajuda de uma mulher. Já é hora de alguém lhe dizer que não estamos mais vivendo na era vitoriana. E é o que farei se você seguir as instruções que lhe deram. Está bem?


-Acho que não entendeu... - Andy balbuciou, mas não teve chance de continuar.
-È você que não entendeu. Quero ver o sr. St Clair. Agora! -Percebendo que Andy não tinha culpa de trabalhar para um tirano da Idade Média, abrandou a ordem com um sorriso - Por favor.
-Se é isso que deseja...Vamos pegar as malas e enfrentar a tempestade.
-Tempestade? O piloto do avião disse que não havia previsão de tempestade para esta noite.
-É verdade, embora o tempo possa virar de uma hora para outra nesta região. Mas não era sobre o tempo que estava falando.
Andy parecia prever que seu encontro com o patrão seria tempestuoso, mas Bárbara estava mais confiante do que nunca.
O sr. St. Clair era rico, poderoso e, pelo visto , um chauvinista convicto, Já tinha lidado com essa espécie de gente, e sentia-se preparada para enfrenta-lo. De fato, ansiava por esse momento.

Sua euforia, porém durou pouco. Depois de apanhar as malas, Andy não a levou ao estacionamento, como esperava. Conduziu-a de volta ao fim do terminal.


-É lindo, não? - Andy não cabia em si de orgulho - Esse bichinho agüenta qualquer parada dura.
-Vamos de helicóptero?
-È claro! É o único meio de ir até a plataforma.
-Até a plataforma...
-Bárbara sentiu calafrios no estômago. Sabia que helicópteros eram o principal meio de acesso a uma plataforma: só não sabia que enfrentaria tudo aquilo tão cedo. E ainda por cima com a roupa que estava usando.
A mala estava cheia de roupas mais quentes, desde luvas de pele, até botas com sola de borracha. Mas pensando em causar boa impressão em um cliente importante, tinha escolhido um vestido de seda turquesa que combinava com sua pele clara e os cabelos loiros. Também usava sandálias altas, que sempre lhe davam mais confiança.
A esta altura, Andy já devia ter percebido que ela esperava ser levada a um escritório e não direto para uma plataforma de perfuração. Talvez fosse isso que quisesse dizer quando o interrompeu. Como não quisesse que o rapaz percebesse que estava com medo de viajar naquele helicóptero, resolveu ficar quieta.
Respirou fundo para tomar coragem e entrou no aparelho. Mas foi difícil manter a máscara de indiferença por muito tempo. Nervosa não ergueu o olhar enquanto Andy a ajudava a colocar o cinto de segurança e a jaqueta salva-vidas.

A viagem não foi tão assustadora quanto havia imaginado. O helicóptero sobrevoava as águas azuis do oceano sem problemas, deixando-a menos apreensiva, e o frio era mais cortante ali em cima. O cenário nunca mudava, mas essa uniformidade foi, aos poucos acalmando seus temores e sua raiva.


Mal havia conseguido relaxar, o piloto gritou:
-Lá está Sithein Um!
Droga! Bárbara pensou. Maldito Garrath St. Clair.!
Capitulo II

Fechou os olhos e só abriu quando sentiu o helicóptero pousar. Segurou as mãos que Andy lhe oferecia para sair e respirou fundo antes de pisar na plataforma. O mais difícil já tinha passado. Agora, era só falar com o sr. St.Clair, saber dos problemas com o equipamento e trabalhar para conserta-lo.


Enquanto estivesse ocupada, esqueceria por um momento onde estava. A concentração no trabalho manteria as lembranças longe da cabeça, como tinha feito nos últimos dois anos. Tudo que precisava era dar o primeiro passo.
A principio não foi tão difícil assim. Não teve que olhar para a plataforma. De fato, nem podia com as hélices do helicóptero ainda girando sobre sua cabeça. Passaram pelos olhares curiosos dos trabalhadores e Bárbara olhava apenas para o chão enquanto Andy indicava o caminho.
Chegaram a um canto da plataforma. A sua frente estava a torre, uma enorme estrutura de metal, com luzes pontilhando o contorno triangular e uma chama queimando bem no topo. A sua volta, havia dois guindastes gigantescos, maquinaria pesada, escadas de metal e construções que mais pareciam caixas de fósforos.
-É impressionante! - Bárbara parou para admirar aquele cenário grandioso, esquecendo por um momento as lembranças tristes do passado.
-È preciso algum tempo para se acostumar. Vamos indo? - Andy parecia ansioso para encontrar o chefe e enfrentar de uma vez aquela situação.
O frio era terrível ali no meio do mar. As rajadas de vento, cortantes e úmidas, batiam em seu rosto , trazendo um gosto de sal e jogando seus cabelos para trás.
-Tenha cuidado para descer - Andy avisou quando chegaram a uma escada íngreme de metal.

Com aqueles saltos altos, era como andar na corda bamba. Pelas vigas perfuradas de metal dava para se ver o mar escuro embaixo. Era uma visão vertiginosa e Bárbara evitou ao máximo olhar para baixo, segurou com força no corrimão gelado.


Estava quase chegando no fim da escada quando um homem de ombros largos bloqueou sua passagem. Uma luz vinha de trás , ofuscando sua vista, mesmo assim percebeu que estava sendo observada da cabeça aos pés. Um olhar ousado percorria toda a extensão de seu corpo e de repente não sentiu mais frio.
-Espero que esteja gostando da vista tanto quanto eu - Essa palavras carregadas de malícia quebraram o encanto do momento.
Todo o calor que ela sentiu subiu para o rosto. Estava morrendo de vergonha por ter permitido que fosse observada daquela maneira e merecia aquele comentário grosseiro.
Tudo que queria agora era escapar daquele olhar insistente. Então desceu outro degrau, só que o salto da sandália ficou preso na viga e Bárbara torceu o tornozelo, caindo nos braços do homem.

O estranho a segurou com facilidade, colocando as mãos em sua cintura. Estavam cara a cara e Bárbara pôde ver de perto os olhos que tinham provocado aquela onda de calor em seu corpo. Eram castanhos e estavam cravados nela.


Lembrou de um livro que tinha ganho do irmão, num Natal. Era uma coleção ilustrada de contos de fadas. Tinha treze anos na época e ficou impressionada com a figura de um príncipe beijando uma linda princesa.
O príncipe era moreno e muito atraente, de cabelos escuros e expressivos olhos castanhos. Os traços de seu rosto revelavam arrogância, coragem e determinação, mas foi a boca que mais lhe chamou a atenção. Só alguns anos mais tarde é que percebeu por quê. Era uma boca muito sensual.
Agora, aquele rosto e aquela boca estavam a um palmo de seus olhos.Tirou os braços do pescoço do homem e tentou se afastar.
-Pode me soltar! - Como as mãos dele continuassem em sua cintura, usou um tom mais categórico: - Por favor, me solte!
Não adiantou. Aquelas mãos se moviam provocativamente emitindo uma corrente eletrizante em suas costas e sob os braços, bem perto dos seios. Estava chocada por sentir calor e excitação em vez de estar furiosa. Levou uma eternidade para que o homem finalmente a soltasse.
Quando colocou o pé machucado no chão, Bárbara sentiu uma dor aguda e caiu de novo nos braços daquele homem. Mordeu os lábios de dor e sentiu raiva quando ouviu o homem dizer:
-Que diabo está acontecendo, Tex? O que esta mulher está fazendo aqui e onde está o homem da Computec? - Sua voz era tão sensual quanto a boca, mas suas palavras implacáveis.
-Você está com suas mãos sujas sobre o “homem” da Computec - Bárbara retrucou, sem dar chance de Andy explicar. - E devo dizer que é muito rápido em tirar vantagem de uma situação inesperada como esta.
-Você não pode ser...
-Não posso ser o quê? Um homem? Não, mas sou a técnica enviada pela Computec. Agora que isso está esclarecido, quer por favor, me soltar?

Desta vez, seu pedido foi atendido. Segurou no corrimão, se equilibrando sobre o pé não machucado. Ia agradecer quando notou que o olhar do homem estava fixo em seu vestido.


A seda azul estava com manchas de óleo, onde as mãos dele tinham passado. Ela corou e chamou Andy:
-Pode me ajudar? Acho que machuquei o tornozelo.
Andy olhava perplexo para os dois, mas correu para ajudar. Bárbara se apoiou no rapaz e saiu mancando pela plataforma. Como o caminho estivesse cheio de obstáculos, ela foi perdendo as forças, e estava a ponto de engolir o orgulho e pedir que Andy a carregasse quando foi erguida por dois braços. Não de Andy.
-Ponha-me no chão! Posso andar sem sua ajuda!
-Acontece que está distraindo a atenção de meus homens do trabalho e pode acabar causando algum acidente.
Não tinha reparado nos homens de capacete amarelo, macacão e botas de borracha, que tinham parado o trabalho e sorriam maliciosamente. Achou melhor aceitar a ajuda daquele homem atrevido antes que realmente causasse algum problema.
Andy correu na frente e abriu a porta de uma construção cinza.O barulho ensurdecedor ficou isolado do lado de fora e Bárbara foi carregada por um corredor, passando por uma sala de televisão antes de chegar a um pequeno consultório médico.

-Traga o médico, Tex - o homem ordenou e Andy saiu correndo - Muito bem, mocinha, agora quero saber o que está acontecendo.


-Não tenho que explicar nada a você ou a qualquer outra pessoa, exceto ao sr. St. Clair. Ele está me esperando.
-Duvido que esteja esperando você, “srta.” Christensen. E é óbvio que não tem nada que fazer neste lugar. Olhe só com está vestida.Por acaso pensou que ia fazer um cruzeiro?Aposto como trouxe biquíni na mala para tomar sol a bordo.
Bárbara queria dar um tapa naquele homem atrevido,mas não conseguiu. Reconheceu que ele tinha uma certa razão em criticar seu modo de vestir. Nunca devia ter vindo vestida daquele jeito e a prova disso era o tornozelo torcido. Se ele não a tivesse segurado...
Sentiu arrepios só de pensar naquele toque inesperado e ficou vermelha outra vez. Tudo que queria era ficar longe daquele homem que a confundia tanto e se livrar das emoções inexplicáveis que a atormentavam.
-O conteúdo da minha mala não é da sua conta. Só quero que chame o sr. St. Clair, por favor, e volte ao seu trabalho. Acho que o doutor não vai gostar de ver seu consultório todo sujo.
-Você está quase tão suja quanto eu - Seus olhos percorriam o vestido e o sorriso era malicioso.
Bárbara perdeu o controle.
-Seu cretino...grosseiro...Farei com que pague por...
-Qual é o problema, sr.St. Clair?
Um homem baixo apareceu na porta, ao lado de Andy. Bárbara ficou chocada demais para concentrar a atenção neles. Seus olhos verdes se fixaram no homem que tinha acabado de chamar de cretino e grosseiro...e que era o dono da Sithein Um.

Lembrou então de que ele havia chamado os trabalhadores no convés de “meus homens”. Devia ter adivinhado o verdadeiro significado daquelas palavras, mas estava cega pelas emoções estranhas que o contato com aquele homem tinham causado. Aquele era Garrath St. Clair.


Ele combinava com o nome. Os traços de seu rosto eram fortes e revelavam determinação, enquanto a boca transmitia sensualidade. Mas os olhos eram ternos mesmo quando falava com rispidez. E seu toque era acariciante..Sem dúvida um homem fascinante.
O próprio deslumbramento a deixou furiosa. Agia como uma adolescente incapaz de raciocinar com clareza. E não entendi porquê. Na verdade, desprezava aquele homem. Afinal, era o responsável por ter virado seu mundo de cabeça para baixo e pela sua vinda para aquela plataforma, onde foi insultada e humilhada. De que outra maneira poderia se sentir?
Mas tinha que admitir que ele não estava tirando vantagem da situação. Em vez de se vangloriar de seu embaraço, parecia estar lhe dando uma chance para recuperar o controle, desviando a atenção para o médico.
-Está moça escorregou da escada, doutor. E parece que torceu o tornozelo. Veja se pode aliviar sua dor por esta noite. Amanhã, ela voltará para o “banco”.
Bárbara ia perguntar o que era o “banco” e recusar a intimação mas Garreth não lhe deu chance.
-Tex, quero falar com você agora. Sabia que era irresponsável como uma criança, mas não pensei que fosse um idiota. Bastava olhar para ela - Apontou com a cabeça para Bárbara - e ver que não devia ser trazida para cá. Por que não me consultou antes?
-Fui eu que insisti em vir - ela interrompeu - E acho que ele tentou me avisar que não estava adequadamente vestida, mas...bem, não dei atenção ao que dizia. A culpa não é dele, é minha. Andy foi muito gentil.

-Tenho certeza que foi. Tex tem um jeito muito especial com as mulheres não tem ?


-Ouça, sr.St. Clair, isso não é justo - Andy protestou - Sei que acha que não sirvo para Janet, mas...
-Esqueça isso! Esteja em meu escritório em meia hora. Deve ser tempo suficiente para se trocar e arrumar seu quarto. Já que é responsável por este pequeno inconveniente, tenho certeza de que não se importará em ceder suas acomodações por uma noite - Garrath lançou um olhar fulminante para Bárbar e Andy antes de sair.
-Sua previsão sobre a tempestade estava certa - cochichou no ouvido de Andy e os dois riram.
O doutor ignorou aquela confusão a sua volta e tirou a sandália com o salto quebrado para examinar o tornozelo machucado.
-Como está se sentindo?
“Confusa, furiosa e assustada”. Tudo isso passou por sua cabeça, mas resumiu a resposta numa só palavra:
-Bem.
-Acho que não quebrou nada. Foi só uma torção e embora não seja grave, tem que ser tratada. Por favor, vá até a sala ao lado e tire as meias que preciso enfaixar esse tornozelo. E poderá descansar na cama que temos lá enquanto Andy apronta o quarto.
Bárbara não se importou em seguir as instruções do médico. Afinal não foram dadas no tom autoritário de seu patrão. O tornozelo estava bem inchado e ela ficou deitada depois que o médico terminou de enfaixa-lo. Sentiu um alívio tão grande que não queria mais levantar.
Quando Andy voltou, o médico lhe entregava uma bolsa de gelo

-Use isto e não force a perna esta noite. Amanhã está nova em folha. Mande me chamar se achar que precisa de algum remédio para a dor mais tarde. Mas acho que estará bem.


-Obrigada, doutor. E desculpe o incômodo.
-Gostaria de ser incomodado mais vezes por pacientes tão atraentes quanto você.
Andy estava usando um macacão, botas mais apropriadas para trabalho e um capacete. Mas a troca de roupa não mudava seu ar de menino. Parecia jovem demais para trabalhar num lugar como aquela plataforma de petróleo.
-Qual o seu trabalho aqui? - Bárbara se interessou, imaginando que Andy não passasse de um ajudante.
-Sou chefe de perfuração do turno da noite.
A revelação foi uma surpresa. Sabia que um chefe de perfuração era responsável pelo trabalho efetivo na plataforma e subordinado apenas ao chefe geral e ao dono; no caso, Garrath St. Clair. Assim assumia a responsabilidade pelo grupo de operários e pelo compromisso de manter a perfuração em dia. Era um posto importante, que exigia experiência e autoconfiança. Andy parecia jovem e inseguro demais para exercer essa função.
-Então, como foi que acabou sendo encarregado de ir buscar o “homem” da Computec no aeroporto?
-O chefe gosta de me dar todos os...trabalhos especiais.
-Me desculpe por ter colocado você numa situação difícil. Sei que fui muito teimosa e autoritária. São dois de meus defeitos, que sempre me colocam em encrencas. Sinto muito ter causado problemas para você.

-Não se preocupe com isso. O chefe e eu temos divergências pessoais que não têm nada a ver com você. Se não tivesse me censurado por este motivo, arrumaria outro qualquer. Sabe como é.


Bárbara não sabia, mas devia ser algo relacionado com a misteriosa Janet.
-Se ele é tão desagradável e injusto, por que trabalha aqui? Não deve ser difícil encontrar emprego em outra companhia qualquer.
-Na verdade, existe muita oferta de emprego por aí, mas não numa companhia como a St.Clair. O chefe se importa realmente com seus empregados. Recebemos a melhor comida, as melhores acomodações e muitas outras vantagens. A gente tem até um plano de participação nos lucros. Mas o mais importante é que temos segurança. Na maioria das empresas deste ramo, as regras básicas de segurança são simplesmente ignoradas. Aqui, isso é considerado vital e aquele que desrespeitar as regras vai para o banco.
-O Banco?
-Para a terra, procurar um novo emprego. É para onde irei se não me apresentar imediatamente ao chefe. Está pronta para conhecer suas acomodações? Não prometo nenhum luxo, mas terá tudo de que precisar.
-Vamos tentar.
Não foi muito difícil. Principalmente porque sua mente estava ocupada demais para ligar para a dor. Pensava em Garrath St. Clair.
Estava surpresa em encontrar um ponto em comum com ele.Segurança foi o motivo pelo qual foi trabalhar na companhia de Richard, aceitando um emprego onde teria que lidar com o ramo de atividade que mais detestava. O sistema que tinham desenvolvido era um grande avanço na proteção aos trabalhadores.

Se a plataforma em que Len e seu pai estavam trabalhando tivesse um sistema de segurança parecido, talvez não tivessem morrido. O fato do sistema acelerar a produção, cortar despesas e permitir a perfuração em condições normalmente proibitivas não interessava para Bárbara. A segurança era o que contava.


Mas o sistema não estava funcionando naquela plataforma. E em meio de tanta confusão, tinha até esquecido desse fato. Era verdade que Richard poderia ter mandado outra pessoa. Afinal, tinham um quadro de técnicos especializados. Mas a partir do momento em que havia sido escalada e havia aceitado a missão, a segurança de todos os trabalhadores naquela plataforma era de sua responsabilidade.
Sinceramente, não queria ficar. Mas se fosse embora, deixando o machismo e grosseria de Garrath St. Clair prevalecer, e acontecesse algum acidente antes de o outro técnico chegar, ela se culparia.
-Seja bem-vinda! - Andy abriu a porta do aposento no final de um corredor.
.A cabine era pequena, mas muito confortável. Para começar, tinha banheiro privativo, além de uma cômoda, uma escrivaninha e uma estante de livros em madeira escura. Um tapete de pelo de carneiro separava as duas camas de solteiro.
-Andy quero lhe pedir mais um favor.
-È só pedir.
-Será que podia me esperar trocar de roupa e me levar até a unidade da Computec?
-Mas o sr.St. Clair disse que você vai embora.
-Amanhã. Ele não disse nada sobre o que devo fazer esta noite. Quero dar uma olhada no equipamento que está dando problema. Por favor!
Andy hesitou.
-Acho que o chefe não vai aprovar.
-Tenho certeza que não. Por isso, só ficará sabendo quando o serviço estiver pronto. Não sairei daqui sem consertar esse equipamento.
Andy sorriu
-Estou vendo que não vai mesmo.
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