CorrupçÃo política: a colonizaçÃo do brasil



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Periódico Científico Outras Palavras, volume 13, número 1, ano 2017, 108 



 

CORRUPÇÃO POLÍTICA: A COLONIZAÇÃO DO BRASIL 

 

 

Camila Mascarenhas Leite

1

 

Marcos Francisco de Macedo



2

 

 



RESUMO  

 

O  presente  artigo se  inicia  com  uma  abordagem  etimológica  sobre  o  termo 



corrupção, trazendo como tema central a corrupção na política. Com base em 

pesquisas  bibliográficas,  e  pesquisa  investigativa, o  texto  aborda  uma  relação 

íntima entre corrupção e poder, como também faz um questionamento se o poder 

político pode caminhar aliado a moral. Ao citar importantes pensadores sobre o 

tema,  adentra  a  questão  para  desenvolver  uma importante  discussão  sobre  o 

assunto. A  pesquisa  se  encerra,  abordando  o  tema  nas  bases históricas  do 

Brasil e aponta uma conexão entre o seu processo de colonização e a influência 

que  esse  processo  exerce  no  país  atualmente,  fazendo  questionamentos  na 

busca  de  compreender  até  que  ponto  pode-se  dizer  que  as  raízes  do  Brasil 

contribuem  para  os  frutos  que  são  colhidos  hoje.  Cabe  ressaltar  ainda  que  a 

corrupção não se trata de um problema vivido somente em nosso país, mas em 

vários países do mundo. Afinal, o egoísmo, e o instinto de poder e dominação 

parecem ser características intrínsecas ao ser humano.       

 

PALAVRAS-CHAVE: Corrupção. Corrupção política. Moral. Colonização.  

 

 



ABSTRACT 

This article begins with an etymological approach about corruption, bringing as 

it

’s central theme the corruption in policy. Based on literature and investigative 



researches, the text bring a strait relationship between corruption and power, as 

                                                           

1

Aluna do curso de Direito da Faculdade Projeção 



– Unidade de Sobradinho – DF 

e-mail: camila.m.leite@hotmail.com 

2

 Professor do Centro Universitário UniProjeção 



e-mail: marcos.macedo@gmail.com 

 


 

 

Periódico Científico Outras Palavras, volume 13, número 1, ano 2017, 109 



 

also  questioning  if  the  political  power  can  walk  allied  to  moral.  When  quoting 

important  reasoners  about  the  theme,  comes  the  issue  on  developing  an 

important  discussion  about  the  subject. The survey  concludes by  abording  the 

issue on Brazil historical bases and points out a connection between colonization 

process  and  the  influence  that  this  process  actually  has  over  the  country, 

questioning, trying to understand when the roots of Brazil contribute to the fruits 

harvested today. Note that corruption is not only a real problem in this country, 

but  also  all  around  the  world.  After  all,  selfishness,  the  power  instinct  and 

domination, seems to be intrinsic characteristics of human being. 



 

KEYWORDS: Corruption. Political Corruption. Moralist. Colonization. 

1. O QUE É CORRUPÇÃO 

 

Etimologicamente,  o  termo  "corrupção"  surgiu  a  partir  do  latim 



corruptus,  que  significa  o  "ato  de  quebrar  aos  pedaços",  ou  seja,  decompor e 

deteriorar algo. Essa corrupção, dita por muitos, mas entendida na sua essência 

por poucos é o efeito ou ato de corromper alguém ou algo, com a finalidade de 

obter vantagens em relação aos outros por meios considerados ilegais ou ilícitos.  

 

A corrupção política



3

, que é o tema central do artigo apresentado, é a 

praticada  especificamente  por  agentes  políticos.  Denomina-se  corrupção  na 

política aquela que se dissemina por toda a atividade política, ou seja, é a que 

penetra o próprio sistema político. 

 

Existe  uma  ligação  íntima  entre  a  corrupção  e  o  poder.  O  poder 



político por sua vez, segundo Lord Acton

4

, citado por Ana Cristina Botelho (2008, 



p. 24): 

“é aquele que as pessoas tendem a usá-lo em benefício próprio, fazendo 

com que haja uma tendência ao surgimento da corrupção política - o poder tende 

                                                           

3

 As doações financeiras de entidades privadas para campanhas eleitorais podem ser consideradas corrupção 



política em alguns países e caracterizar crime como também podem ser consideradas legal, tal como ocorre 

nos EUA e Brasil. 

4

 Lord Acton é famoso pela frase ‘’o poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente’’. 



(BARROS, Benedicto Ferri de. O poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente. 

São Paulo

:

 Ed. Grd, 2003)



 

 

 

Periódico Científico Outras Palavras, volume 13, número 1, ano 2017, 110 



 

a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente

”. Isso significa que o 

detentor desse poder busca a sua satisfação pessoal e egoística.  

 

Na filosofia de Kant, interpretou-se profundamente a divergência entre 



os fins humanos, uns orientados para a felicidade, outros para a moralidade. No 

entanto,  diversos  questionamentos  surgiram,  como  por  exemplo,  se  a 

moralidade está afastada da felicidade o que faria com que os políticos agissem 

moralmente? 

 

Buscando  respostas  para  tal  indagação,  Kant  ao  escrever  sobre 



moral, assim se pronunciou: 

 

Duas  coisas  enchem  o  ânimo  de  crescente  admiração  e 



respeito,  veneração  sempre  renovada,  quanto  com  mais 

frequência a aplicação delas se ocupa a reflexão: por sobre 

mim  o  céu  estrelado;  em  mim  a  lei  moral.  Ambas  essas 

coisas 


não 

tenho 


necessidade 

de 


buscá-las 

simplesmente  supô-las  como  se  fossem  envoltas  de 



obscuridade  ou  se  encontrassem  no  domínio  do 

transcendente,  fora  do  meu  horizonte;  vejo-as  diante  de 

mim,  coadunando-as  de  imediato  com  a  consciência  de 

minha existência. 

 

Para Kant, a política deve caminhar lado a lado a ética para que assim 



os agentes políticos alcancem a felicidade e o prazer, entretanto para isso eles 

não  podem  estar  suscetíveis  aos  seus  desejos  internos,  chamados  de 

imperativos  categóricos

5

.  Segundo  Kant,  (2008.  p.  34)  sobre  os  imperativos 



categóricos:  “age  como  se  a  máxima  de  tua  ação  devesse  tornar-se,  por  tua 

vontade, lei universal da natureza

”.  

 

                                                           



5

  Imperativo,  porque  é  um  dever  moral.  Categórico,  porque  atinge  a  todos,  sem  exceção.  Kant  queria 

enfrentar o "relativismo moral", essa moralidade circunstancial tão generalizada hoje em dia: a noção de 

que o que é certo depende da situação ou do contexto. 

 


 

 

Periódico Científico Outras Palavras, volume 13, número 1, ano 2017, 111 



 

A  ética  eudemonista

6

  defendida  por  Aristóteles,  diz  que  agir 



moralmente torna o homem virtuoso e é uma forma de auto realização e também 

uma forma de encontrar a felicidade. 

  

Diante  de  todas  essas  afirmações  surge  a  dúvida:  Será  que  os 



políticos se baseiam em Kant ou Aristóteles? Ou será que eles agem de acordo 

com Maquiavel? 

 

Para  Maquiavel,  tendo  em  vista  conseguir  poder  pleno,  legitimo  e 



duradouro, as situações práticas faziam com que os meios justificassem os fins, 

mesmo que desconsiderando questões éticas e morais. Até mesmo atos cruéis 

poderiam ser proveitosos ou não para a política. Veja: 

 

Crueldades  proveitosas  (se  é  lícito  tecer  elogios  ao  mal) 



podem-se chamar aquelas das quais faz-se uso uma única 

vez 


– por necessidade de segurança -, um uso no qual não 

mais  se  insiste  e  cujos  efeitos  revertem  tanto  quanto 

possível  em  favor  dos  súditos.  Contraproducentes  são 

aquelas  que,  embora  pouco  profusas  nos  primeiros 

tempos,  vão  paulatinamente  avolumando-se  ao  invés  de 

minguarem.  Quanto  a  esses  dois  usos  da  crueldade, 

aqueles que se valem do primeiro podem, com a ajuda de 

Deus  e  dos  homens,  dar  alguma  vazão  às  demandas do 

seu  governo,  como  ocorreu  no  caso  de  Agátocles;  os 

outros são impossíveis que possam sustentar-se.

7

 

 



Para Maquiavel o governante deveria ser amado ou temido, porém o 

melhor era ser temido, para que não houvesse decepções ao contrariar àqueles 

a  quem  o  amavam.  Talvez  não  se  aplique  atualmente  esse  temor,  porém  um 

político deve ser respeitado pelo povo, e agir de forma a merecer esse respeito

                                                           

6

  A  ética  eudemonista  se  diferencia  da  hedonista  pelo  fato  de  que,  embora  esta  também  postule  pela 



felicidade, entende-a como prazer e não como auto realização.

  

 



7

  MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2007. p. 43-44. 



 

 

Periódico Científico Outras Palavras, volume 13, número 1, ano 2017, 112 



 

para que esse povo, que o elegeu, sinta segurança ao ver em quem depositou 

sua fé e esperança. 

 

 



2. HISTÓRIA DO BRASIL E A CORRUPÇÃO 

 

 Quando nos debruçamos no estudo sobre a corrupção, fica nítido que 



este  é  um  problema  que  vem  desde  as  raízes  de  um  país,  no  caso,  Brasil.  A 

história do Brasil possui um cenário interessante que deixa demonstrado como 

o nascimento de uma nação é fator determinante no seu futuro. 

 

"Quando  Portugal  começou a  colonização,  a  coroa não  queria  abrir 



mão do Brasil, mas também não estava disposta a viver aqui. Então, delegou a 

outras pessoas a função de ocupar a terra e de organizar as instituições aqui", 

afirma a historiadora Denise Moura.

8

  



 

Independente das divergentes opiniões, os fatos atraem a justificativa 

aos degredados enviados para o Brasil, e não somente de origem portuguesa, 

mas vale ressaltar as variadas origens como Japão, Itália e África. 

 Rita Biason

9

, retrata  que  a  pratica  corrupta  era  de  extrema 



constância no Brasil Colônia através do comercio ilegal de produtos brasileiros 

como  o  pau-brasil,  tabaco,  ouro  e  diamante.  Inúmeros  são  os  relatos  de 

episódios  de  ilegalidade  e  corrupção  durante  o  chamado  período 

colonial. Segundo Roberto Livianu

10



“os  motivos estavam  na  distância  da 



metrópole portuguesa - não ligava os homens portugueses do Brasil Colonial às 

usuais limitações jurídicas e morais.’’ 

 

                                                           



8

  BBC  BRASIL.  Disponível  em:  http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2012/11/121026_corrupcao_ 

origens_mdb.shtml. Acessado em 21 de jun. 2016.

  

9



 

 

BIASON,  Rita  de  Cássia.  Breve  História  da  Corrupção  no  Brasil.  2009.  Disponível  em:  < 



http://www.votoconsciente.org.br/site/index.php?page=breve-historia-da-corrupcao-no-brasil>. 

Acesso 


em: acessado em 29 de jun. 2016.

 

10



  

LIVIANU, Roberto. Corrupção e Direito Penal: Um diagnóstico da corrupção no Brasil. São. Paulo: 

Quartier Latin, 2006.

 


 

 

Periódico Científico Outras Palavras, volume 13, número 1, ano 2017, 113 



 

Porém  não  se  pode  ajustar  somente  como  um mau brasileiro.  Nas 

antigas legislações o juiz corrupto

11

, pela Lei Mosaica, era punido com flagelação 



e  na  Grécia  com  a  morte. Livianu argumenta,  no  direito  romano, que  a 

corrupção perturbava o funcionamento regular da Justiça. 

 

Não  podendo  afirmar  que  a  corrupção  seja  um  problema 



exclusivamente do Brasil, pelo contrário, acredita-se que o que diferencia o Brasil 

e outros países ditos “de primeiro mundo’’ não é o caráter, a moral ou a falta do 

instinto  de  exercer  o  poder  e  dominação;  a  diferença  está  nas  punições 

dispensadas àqueles que ferem as regras.  

 

Mesmo acreditando que o início desse país, alvo da colonização de 



exploração, trouxe efeitos profundos e duradouros afinal, vemos eles nos dias 

atuais, o espírito patriota não permite que a esperança se esvaia, e ao mesmo 

tempo  deixa  sempre  o  questionamento  se  realmente  pode-se  resumir  essa 

nação nos constantes crimes e atos de corrupção que são estampados todos os 

dias nos noticiários. Em um discurso inflamado Rui Barbosa disse:  

 

O Brasil não é isso 



 

Mas,  senhores  se  é  isso  o  que  eles  veem,  será  isto, 

realmente, o que nós somos? Não seria o povo brasileiro 

mais do que esse espécimen do caboclo mal desasnado, 

que não se sabe ter em pé, nem mesmo se senta, conjunto 

de todos os estigmas de calaçaria e da estupidez, cujo voto 

se compre com um rolete de fumo, uma andaina de sarjão 

e  uma  vez  d’aguardente?  Não  valerá  realmente  mais  o 

povo  brasileiro  do  que  os  conventilhos  de  advogados 

administrativos,  as  quadrilhas  de  corretores  políticos  e 

vendilhões  parlamentares,  por  cujas  mãos  corre, 

barateada,  a  representação  da  sua  soberania?  Deverão, 

com  efeito,  as  outras  nações,  a  cujo  grande  conselho 

                                                           

11

 

 



Aristóteles se dedicou em analisar as 

causas da corrupção, notadamente 

no que tange à corrupção dos 

magistrados.

 


 

 

Periódico Científico Outras Palavras, volume 13, número 1, ano 2017, 114 



 

comparecemos  medir  o  nosso  valor  pelo  dessa  troça  de 

escaladores do poder, que o julgam ter conquistado, com 

a  submissão  de  todos,  porque  em  um  lance  de  roleta 

viciada, empalmaram a sorte e varreram a mesa? 

Não. Não se engane o estrangeiro. Não nos enganaremos 

nós mesmos. Não! O Brasil não é isso. Não! O Brasil não 

é  o  sócio  de  clube  de  jogo  e  de  pândega  dos  vivedores, 

que se apoderam da sua fortuna, e o querem tratar como a 

libertinagem trata as companheiras momentâneas da sua 

luxúria. Não! O Brasil não é esse ajuntamento coletício de 

criaturas  taradas,  sobre  que  possa  correr,  sem  a  menor 

impressão, o sopro das aspirações, que nesta hora agitam 

a  humanidade  toda.  Não!  O  Brasil  não  é  essa 

nacionalidade  fria,  deliquescente,  cadaverizada,  que 

receba  na  testa,  sem  estremecer,  o  carimbo  de  uma 

camarilha, como a messalina recebe no braço a tatuagem 

do amante, ou o calceta, no dorso, a flor-de-lis do verdugo. 

Não! O Brasil não aceita a cova, que lhe estão cavando os 

cavadores do tesouro, a cova onde acabariam de o roer até 

os  ossos  os  tatus-canastras  da  politicalha.  Nada,  nada 

disso é o Brasil. 

  

O que é o Brasil 

 

O Brasil não é isso. É isto. O Brasil, senhores, sois vós. O 



Brasil é esta assembleia. O Brasil é este comício  imenso 

de almas livres. Não são os comensais do erário. Não são 

as  ratazanas  do  Tesouro.  Não  são  os  mercadores  do 

Parlamento. Não são as sanguessugas da riqueza pública. 

Não  são  os  falsificadores  de  eleições.  Não  são  os 

compradores de jornais. Não são os corruptos do sistema 

republicano.  Não são os oligarcas estaduais.  Não são os 

ministros de tarraxa. Não são os presidentes de palha. Não 

são  os  publicistas  de  aluguel.  Não  são  os  estadistas 


 

 

Periódico Científico Outras Palavras, volume 13, número 1, ano 2017, 115 



 

impostura.  Não  são  os  diplomatas  de  marca  estrangeira. 

São  as  células  ativas  da  vida  nacional.  É a multidão  que 

não  adula,  não  teme,  não  corre,  não  recua  não  deserta, 

não se vende. Não é a massa inconsistente, que oscila da 

servidão à desordem, mas a coesão orgânica das unidades 

pensantes, o oceano das consciências, a mole das vagas 

humanas,  onde  a  Providência  acumula 

reservas 

inesgotáveis de calor, de força e de luz para a renovação 

das nossas energias. É o povo, em um desses movimentos 

seus, em que se descobre toda a sua majestade.

12

 

 



 

3. METODOLOGIA 

 

O  conceito  de  corrupção  tornou-se  a  narrativa  principal  de  diversas 

discursões  abordadas  recentes,  tendo  como  foco  o  atual  cenário  político,  que 

através  de  suas  vergonhosas  ações  ocultas  da  sociedade,  mostrou  seu  lado 

nefasto através de recentes investigações. Tendo em vista esse fato, o presente 

artigo busca detalhar de modo  compreensível a complexidade que envolve tal 

assunto,  tendo  como  base  a  opinião  crítica  de  dezenas  de  entrevistados, 

avaliando o entendimento de cada um deles através de questionário específico. 

 

A presente metodologia tem como função a explicação de como ocorreu 



o  levantamento,  a  análise  dos  dados,  a  tabulação  e,  por  fim,  as  conclusões 

obtidas por meio da investigação. 

 

A  metodologia  trata-se  de  um  importante  processo  usado  por 



pesquisadores, tornando assim mais prático a maneira como irá desenvolver o 

artigo cientifico, visto que é através dela que é possível discernir sobre como o 

                                                           

12

 Discurso feito por Rui Barbosa, em 20/03/1919, sobre a questão social e política no Brasil, quando foi 



candidato à Presidência da República. Trata-se de uma das mais significativas conferências da sua segunda 

campanha  eleitoral.  Pronunciada  no  Teatro  Lírico  do  Rio  de  Janeiro,  nela  Rui  Barbosa  defende  um 

avançado plano de reforma social. [BARBOSA, Rui. Pensamento e ação de Rui Barbosa. Brasília: Senado 

Federal,  1999.  (Coleção  Biblioteca  Básica  Brasileira).  Seleção  de  textos  pela  Fundação  Casa  de  Rui 

Barbosa. 

 


 

 

Periódico Científico Outras Palavras, volume 13, número 1, ano 2017, 116 



 

processo foi realizado, e a forma como foi possível atingir os objetivos frisados 

em pauta, para que o leitor compreenda tudo do modo mais prático possível.  

 

Alguns pensadores nos trazem ideias  sobre o conceito da metodologia, 



entre eles, podemos citar Bruyne. S

egundo o qual, “a metodologia é a lógica dos 

procedimentos  científicos  em  sua  gênese  e  em  seu  desenvolvimento,  não  se 

reduz,  portanto,  a  um

a  “metrologia”  ou  tecnologia  da  medida  dos  fatos 

científicos” (BRUYNE, 1991 p. 29).  

De acordo com Strauss & Corbin (1998), o método de pesquisa trata-se 

de um conjunto de procedimentos e técnicas utilizados para se coletar e analisar 

os dados. O método fornece os meios para se alcançar o objetivo proposto, ou 

seja,  são  as  “ferramentas”  das  quais  fazemos  uso  na  pesquisa,  a  fim  de 

responder nossa questão. 

 

O presente trabalho faz parte da Escola de Ciências Jurídicas e Sociais 



da  Faculdade  Projeção,  por  meio  de  seu  Núcleo  de  Pesquisa  e  Produção 

Científica  -  NPPC.  Seu  fundamento  é  o  de  coletar  informações  sobre  um 

determinado tema, nesse caso, a corrupção nas instituições públicas, através da 

seguinte metodologia: 

 

- Questionário: A chave para a metodologia de pesquisa adotada. Através 



dele,  foi  possível  coletar  a  crítica  pessoal  de  cada  indivíduo  acerca  do  seu 

pensamento a respeito da corrupção. 

 

- Análise dos dados obtidos: Avaliação quantitativa do material adquirido 



com a pesquisa. 

 

- Tabulação: Organização sistemática, obedecendo padrões, dos dados 



obtidos.  Aqui,  os  questionários  foram  divididos  em:  gênero,  idade  e  grau  de 

instrução acadêmica. 



 

 

Periódico Científico Outras Palavras, volume 13, número 1, ano 2017, 117 



 

 

4. ANÁLISE DOS DADOS 

 

A  pesquisa  foi  realizada  pelos  acadêmicos  do  curso  de  Direito  da 

Faculdade Projeção Sobradinho, com moradores do Distrito Federal, através de 

questionário relacionado com a corrupção dentro das instituições brasileiras.  

 

Ao todo, foram entrevistados 160 pessoas, com diferentes idades, gênero, 



grau  de  instrução,  objetivando  assim  uma  expansão  concreta  a  respeito  do 

conhecimento global dos indivíduos, de modo a não colher informações apenas 

de um determinado grupamento social. 

É interessante apontar que, em  suma, as opiniões se divergem quando 

questionados se o que aumentou no país foi a corrupção ou a atuação do Estado 

para combate-lo, embora, por uma diferença supérflua, a ideia de que o Estado 

está  omisso  quanto  à  corrupção  enquanto  ela  torna-se  cada  vez  maior  é  a 

vencedora.  No  entanto,  essa  análise mostra-se  inferior  à  ideia  de  que  tanto  a 

corrupção  quanto  a  eficiência  do  Estado  em  agir  estão  trilhando  o  mesmo 

caminho, crescendo a cada dia que se passa. 

  

Subsequentemente,  os  entrevistados  foram  questionados  quando  à 



satisfação pessoal dos órgãos públicos no combate à corrupção. Aqui  há uma 

divergência, pois, de acordo com os resultados obtidos, a maioria afirma estar 

satisfeita com a atuação do estado. 

 

Outro  ponto  muito  importante  que  foi  avaliando  foi  justamente  o 



entendimento  sobre  corrupção  dos  entrevistados.  Foram  questionados  sobre 

onde a corrupção é mais ativa na sociedade brasileira, e o resultado foi que a 

metade dos entrevistados concordam que a corrupção está relacionada com as 

atividades públicas. Entretanto, a ideia de que a corrupção está enraizada dentro 

da  população  é  a  segunda  mais  votada,  e  nos  mostra  que  o  povo  tem  sim 

consciência de que a corrupção vem de cada indivíduo, de cada um de nós, que 

se torna mais evidente quando é praticada por pessoas reconhecidas no âmbito 

nacional e internacional. 



 

 

Periódico Científico Outras Palavras, volume 13, número 1, ano 2017, 118 



 

 

A parte entrevistada acredita que, mesmo com todas as investigações e 



apontamento dos culpados, as sanções não estão sendo satisfatórias para coibir 

a prática da corrupção por outros mais. Ainda segundo a opinião deles, isso se 

deve ao fato de que, ao serem presos, os corruptos possuem muitos benefícios 

e que esses são a verdadeira causa da prática ainda ser perpetuada, pois elas 

se tratam de um reforço à impunidade, e que o crime de corrupção deveria ser 

tratado como um crime hediondo. 



 

5. CONCLUSÃO  

Conclui-se 

com 



presente 



artigo, 

que 


fenômeno 

da corrupção está longe de ser um tema recente, mesmo porque vemos que o 

fato de ser tão discutido na atualidade é inversamente proporcional ao fato de 

ter raízes tão profundas, fixadas na origem do nascimento de um país, no caso 

em questão, Brasil.  

 

Percebe-se  que  os  políticos dizem agir em  nome  de seus governados e 



representados, entretanto estão agindo, na verdade, em nome próprio, visando 

apenas  a  satisfação  de  seus  interesses  egoísticos. Se  existe  algum  tipo  de 

atitude dos  governantes para  benefício  do  povo,  esse  ato  somente  é  de 

interesse para que nas eleições seguintes eles sejam novamente eleitos. 

  

Nosso país parece que está começando a entender que a corrupção não 



é uma prática saudável, e que merece punição, pois um corrupto quando age 

em nome dele, age também contra a sociedade, tirando a riqueza que poderia 

ser aplicada para aqueles que mais necessitam.  

 

Ademais,  este  é  um  tema  que  sempre  será  debatido  nas  diversas 



sociedades,  mesmo  porque  a  corrupção  muito  dificilmente  se  extinguirá,  mas 

quem sabe venha uma nova geração de políticos preocupados com o bem-estar 

social e  empenhados  a  serem bons  administradores da  ''coisa  pública'', 

representando de fato àqueles que neles depositaram a sua fé e esperança. 

 


 

 

Periódico Científico Outras Palavras, volume 13, número 1, ano 2017, 119 



 

6. REFERÊNCIA 

 

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Periódico Científico Outras Palavras, volume 13, número 1, ano 2017, 120 



 

 

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PESQUISA. 

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