Conservadorismo contábil e a adoçÃo das ifrs: evidências em empresas brasileiras familiares e não familiares andré Gobette Santana



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conclusões


O objetivo do presente estudo foi verificar a influência da convergência das normas brasileiras de contabilidade às normas contábeis internacionais no conservadorismo contábil de empresas brasileiras familiares e não familiares listadas na BM&FBovespa. Pesquisa descritiva, com coleta de dados documental e abordagem quantitativa foi desenvolvida para tal. A amostra pesquisada compreendeu 315 empresas brasileiras listadas na BM&FBOVESPA, sendo 180 de controle familiar e 135 não familiares. Para o cálculo do conservadorismo contábil foi utilizado o Modelo desenvolvido por Ball e Shivakumar (2005). A partir do tratamento estatístico, algumas considerações são apresentadas.

Ao analisar as características das empresas investigadas, denota-se que a amostra selecionada de 315 empresas encontra-se classificada em dezenove setores de atuação dos quais pode-se destacar sete setores devido a sua representatividade: Energia Elétrica, Têxtil, Construção, Siderurgia e Metalurgia, Alimentos e Bebidas, Comércio, e Veículos e peças. Estes setores representam 54% da amostra. O setor “têxtil” apresenta o maior número de empresas familiares (23), totalizando 85% do total das empresas deste setor. Já 79% do setor de “energia elétrica” é composto por empresas não familiares.

Quanto ao primeiro objetivo específico, que foi identificar a existência do reconhecimento mais oportuno de perdas, por meio da análise dos lucros divulgados pelas empresas não financeiras integrantes da amostra, observou-se que há uma tendência das empresas brasileiras reconhecerem mais oportunamente as perdas econômicas do que os ganhos. Depreende-se, a partir disso, que os contadores brasileiros são conservadores e que divulgam o menor dos vários valores possíveis para os ativos e receitas, e o maior dos vários valores possíveis de passivos e despesas. No entanto, como os coeficientes α2 e α3 do modelo empregado não foram significativos, não é possível confirmar estatisticamente tal comportamento.

Em relação ao segundo objetivo específico, examinar alterações no nível de conservadorismo contábil após a adoção das IFRS nas empresas da amostra, observou-se que após a convergência às normas contábeis do IASB as empresas pesquisadas se apresentaram menos propensas ao reconhecimento oportuno de perdas econômicas do que antes da convergência. No entanto, devido a não significância dos coeficientes, não é possível confirmar estatisticamente tal comportamento. Assim, os resultados encontrados indicam que houve mudança na magnitude do conservadorismo após a adoção das IFRS, embora não tenha sido possível confirmar estatisticamente tal resultado.

A respeito do terceiro objetivo específico, que consistia em comparar os efeitos da convergência sobre o conservadorismo contábil entre empresas familiares e não familiares, constatou-se que há uma tendência das empresas brasileiras não familiares reconhecerem mais oportunamente as perdas econômicas do que as empresas familiares. No entanto, após a adoção das IFRS, os resultados indicam que as empresas brasileiras familiares passaram a reconhecer mais oportunamente as perdas econômicas em comparação com as empresas não familiares. Assim, os resultados sugerem que as normas contábeis internacionais causaram diferentes impactos na divulgação de informações financeiras de empresas familiares em comparação com o grupo de empresas não familiares. Isso demonstra que a estrutura de propriedade exerce influência sobre as informações divulgadas nos relatórios contábeis. No entanto, embora os coeficientes obtidos por meio da análise da subamostra de empresas familiares registrarem significância estatística, os coeficientes das empresas não familiares não se mostraram estatisticamente significativos, impedindo uma confirmação estatística a esse respeito.

Quanto às hipóteses de pesquisa, rejeita-se a hipótese H1 - a convergência das normas brasileiras de contabilidade às normas contábeis internacionais influenciou o nível de conservadorismo contábil de empresas brasileiras, devido a não significância estatística dos coeficientes. Rejeita-se a hipótese H1a - a convergência das normas brasileiras de contabilidade às normas contábeis internacionais elevou o nível de conservadorismo contábil de empresas brasileiras, pois a análise da influência das IFRS sobre o conservadorismo indica que após a adoção das IFRS, as empresas pesquisadas se apresentaram menos propensas ao reconhecimento oportuno de perdas econômicas do que antes da convergência às normas internacionais, mas não foi possível comprovar estatisticamente tal resultado devido a não significância estatística. Também rejeita-se a hipótese H1b - a convergência das normas brasileiras de contabilidade às normas contábeis internacionais diminuiu o nível de conservadorismo contábil de empresas brasileiras.

A hipótese H2 - a influência da convergência sobre o conservadorismo contábil em empresas familiares difere da influência observada em empresas não familiares foi rejeitada, apesar dos resultados obtidos indicarem que após as IFRS, as empresas brasileiras familiares passaram a reconhecer mais oportunamente as perdas econômicas em comparação com as empresas não familiares. Destaca-se a significância dos coeficientes das empresas familiares, porém, devido a não significância dos coeficientes das empresas não familiares, não foi possível comprovar tais resultados devido a não significância estatística.

Estes resultados levaram a não rejeição da hipótese H2a - a convergência das normas brasileiras de contabilidade às normas contábeis internacionais elevou o nível de conservadorismo contábil de empresas brasileiras familiares e, consequentemente, à rejeição da hipótese H2b - a convergência das normas brasileiras de contabilidade às normas contábeis internacionais diminuiu o nível de conservadorismo contábil de empresas brasileiras familiares. Assim, os resultados encontrados sugerem que houve mudança na magnitude do conservadorismo após a adoção das IFRS em empresas familiares.

Por fim, conclui-se em relação ao objetivo geral, que há evidencias da influência da convergência das normas brasileiras de contabilidade às normas contábeis internacionais no conservadorismo contábil de empresas brasileiras familiares e não familiares, embora tenha sido possível confirmá-las estatisticamente somente para a subamostra de empresas familiares. Dessa forma, em resposta à questão de pesquisa, conclui-se que a adoção das normas contábeis do IASB contribuiu para a elevação do nível de conservadorismo contábil verificado nos relatórios de empresas brasileiras de controle familiar, sendo que efeito inverso pode ter ocorrido nas empresas não familiares, pois não foi possível confirmar estatisticamente o resultado para este grupo de empresas, o que destaca a influência do processo de convergência no nível de conservadorismo contábil praticado por empresas brasileiras familiares e a possível influência do processo de convergência no nível de conservadorismo contábil praticado por empresas brasileiras não familiares.

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