Conservadorismo contábil e a adoçÃo das ifrs: evidências em empresas brasileiras familiares e não familiares andré Gobette Santana



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DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

4.1 análise do conservadorismo contábil antes e após a adoção das ifrs


Para atender ao primeiro objetivo específico do estudo, que é identificar a existência do reconhecimento mais oportuno de perdas, por meio da análise dos lucros divulgados pelas empresas não financeiras integrantes da amostra, realizou-se análise por meio de dados em painel. Também chamados de dados longitudinais, são dados de diversas entidades, em que cada uma delas é observada em dois ou mais períodos de tempo.

O procedimento econométrico utilizado para tratar a heteroscedasticidade foi a correção de White, ou simplesmente chamado de regressão robusta. Por meio do teste de robustez, verificou-se a alteração dos erros de mensuração das variáveis (Robust Std. Err.) e, consequentemente, os valores das estatísticas t e os respectivos Sig. F. Constatou-se a robustez do modelo utilizado, pois a correção de White não apresentou mudanças significativas dos parâmetros das variáveis explicativas. Os resultados dos testes de robustez foram apresentados após os resultados das regressões. Por fim, o diagnóstico da ausência de autocorrelação serial foi realizado por meio do teste estatístico de Durbin-Watson.

Os resultados da regressão referente ao modelo desenvolvido por Ball e Shivakumar (2005), utilizado para estimar o reconhecimento oportuno de ganhos com relação às más e boas notícias, são apresentados na Tabela 1. A análise de regressão foi realizada para todas as empresas da amostra, incluindo 315 empresas (cross-secctions). Foram analisados 10 períodos (2003-2012) por meio de painel desbalanceado porque o número de observações não foi o mesmo para todas as empresas, totalizando 2.528 observações. Excluiu-se 1% das variáveis contábeis em cada extremo da amostra, para eliminar os problemas de dimensionamento, procedimento também utilizado por Ball e Shivakumar (2005).

A Tabela 1 apresenta o resultado da estimativa da versão do modelo de regressão (2b), modificado para apresentar diferenças entre período de pré-convergência e pós-convergência para todas as empresas da amostra. Neste modelo, IFRS é uma variável dummy que tem o valor de 1 para o período pós-convergência e 0 para o período pré-convergência.

As previsões deste estudo sobre conservadorismo antes e a após as IFRS são baseadas no raciocínio e evidências relatadas em Barth et al. (2006), os quais apontam que empresas que adotam as IFRS apresentam reconhecimento mais oportuno de perdas e mais relevância dos resultados.

Assim, levou-se em consideração o reconhecimento diferido nos ganhos econômicos, como componentes positivos “persistentes” do lucro contábil, sendo que a implicação é α2= 0. Espera-se também que as perdas econômicas sejam reconhecidas mais oportunamente do que os ganhos, como diminuição transitória dos ganhos, cuja implicação seria α3<0 e α2 + α3<0.

A hipótese H1 é que a convergência das normas brasileiras de contabilidade às normas internacionais influenciou o nível de conservadorismo contábil de empresas brasileiras. Com base no estudo de Barth et al. (2006), espera-se que antes das IFRS as empresas sejam menos propensas a reconhecer perdas econômicas em tempo hábil do que após a adoção das IFRS. Assim, a previsão deste estudo é que α7 < 0 e significativo.

A Tabela 1 apresenta os resultados da regressão calculada utilizando o modelo desenvolvido por Ball e Shivakumar (2005), já apresentado anteriormente, além do modelo ajustado pela inclusão da variável IFRS.


A Equação do modelo adaptado, incluindo a variável IFRS é a seguinte:
(12)

Tabela 1 - Resultados da equação (1a) para o período de pré-convergência (2003 a 2007) e pós convergência (2008-2012)

Variáveis

Modelo Original




Modelo IFRS

Coefficient

t-statistics

Sig




Coefficient

t-statistics

Sig

C

α0

0.103

3.459

0.030




0.085

1.797

0.047

DΔNIt-1

α1

-0.214

-5.512

0.038




-0.235

-3.919

0.060

ΔNIt-1

α2

-0.105

-0.673

0.156




-0.124

-0.464

0.268

DΔNIt-1*ΔNIt-1

α3

-1.310

-6.093

0.215




-2.078

-5.911

0.351

IFRS

α4













0.029

0.487

0.061

IFRS*DΔNIt-1

α5













0.034

0.443

0.078

IFRS*ΔNIt-1

α6













0.028

0.085

0.329

IFRS*DΔNIt-1*ΔNIt-1

α7













1.301

2.924

0.444

R² (%)




4,9




5,8

F-Statistic




44.266




22.413

Durbin-Watson statistic




1.082




1.079

Observations (firm-year)




2528




2528

Fonte: Dados da pesquisa.

De acordo com a Tabela 1, constata-se que há uma tendência das empresas brasileiras reconhecerem mais oportunamente as perdas econômicas do que os ganhos. Esta tendência de diminuição transitória dos ganhos pode ser constatada a partir da análise dos resultados do modelo original, por meio do coeficiente α3 < 0 (-1.310) e da soma dos coeficientes α2 + α3 < 0 (-0.105 + -1.310 = -1.416). No entanto, como os coeficientes α2 e α3 não foram significativos, não é possível confirmar estatisticamente tal comportamento. Estudos anteriores realizados no Brasil para calcular o conservadorismo após a vigência da Lei no. 11.638/07 não encontraram significância estatística nos coeficientes calculados (SANTOS; LIMA; FREITAS; LIMA, 2011; STERZECK, 2011).

A análise da influência das IFRS sobre o conservadorismo evidencia que após a adoção das normas do IASB, as empresas pesquisadas estão menos propensas ao reconhecimento oportuno de perdas econômicas do que antes da convergência às normas internacionais. Esta afirmação pode ser verificada a partir da análise dos resultados do modelo original por meio do coeficiente α2 + α3 (-0.105 + -1.310 = -1.416), em comparação com o modelo ajustado pela variável IFRS, por meio dos coeficientes α2 + α3 + α6 + α7 (-0.124 + -2.078 + 0,028 + 1,30 = -0.873). Este resultado sugere menor reconhecimento oportuno de perdas nas empresas brasileiras analisadas após a adoção das IFRS.

Esperava-se que a soma dos coeficientes (α2 + α3 + α6 + α7) referente ao modelo ajustado pela dummy IFRS fosse inferior à soma dos coeficientes (α2 + α3) referente ao modelo original. O R² foi igual a 4,9% e 5,8%, conforme apresentado na Tabela 9, evidenciando que o modelo apresenta um baixo poder explicativo. No entanto, esse resultado está condizente com pesquisas nacionais e internacionais sobre o tema.

Assim, os resultados encontrados sugerem que houve mudança na magnitude do conservadorismo após a adoção das IFRS, mas como os coeficientes α2 e α3 não foram significativos, não é possível confirmar estatisticamente tal comportamento. Este resultado rejeita a hipótese H1, que sugere que a convergência das normas brasileiras de contabilidade às normas contábeis internacionais influenciou o nível de conservadorismo contábil de empresas brasileiras.

Consequentemente, as seguintes hipóteses alternativas também foram rejeitadas: H1a - A convergência das normas brasileiras de contabilidade às normas contábeis internacionais elevou o nível de conservadorismo contábil de empresas brasileiras; e H1b - A convergência das normas brasileiras de contabilidade às normas contábeis internacionais diminuiu o nível de conservadorismo contábil de empresas brasileiras.



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