Conceito de loucura na atualidade



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Encontro06.02.2017
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Conceito de loucura na atualidade

“Dizem que sou louco por pensar assim. Se eu sou muito louco por eu ser feliz,mas louco é quem me diz: E não é feliz, não é feliz...” (Ney Matogrosso).


É com esse trecho da música Balada do louco, do cantor e compositor Ney Matogrosso, que gostaria, hoje, de falar para você sobre o conceito de loucura e sua percepção na atualidade, enfatizando porque é importante discutirmos esse tema que faz parte de nossas vidas, desde os tempos remotos.

Loucura exprime medo do desconhecido, insegurança, impotência. Por que tememos os “loucos”? Na atualidade, os conceitos de loucura são percebidos como um fenômeno de inflexibilidade e exclusão da vida social, em que surge uma resistência da sociedade para com o “louco”, por ele ser visto como um doente mental, que transmite perigo, medo, intimidação, por não sabermos lidar com o desconhecido, conduzindo-o a uma internação hospitalar, mesmo contra a sua vontade, com a finalidade de isolá-lo e solucionar o problema, a ameaça que traz desconforto para a sociedade.

Mesmo com a Reforma Psiquiátrica e a inserção dos Centros de Aperfeiçoamento Psicossocial – CAPS, esses sujeitos são banidos da sociedade, seja pelo encarceramento em hospitais psiquiátricos, seja com medicamentos vitalícios, ainda ocorrendo nos tempos atuais, depois de tanta luta e perspectivas de socialização desses indivíduos, a internação, que é vista como o cume da isenção social, e não um meio contrário à intransigência, fornecendo ao sujeito um rótulo social que incrementa e legitima a exclusão (pelo poder que é dado à ciência médica), principalmente se esse rótulo for a base significativa para a internação involuntária legalizada, confirmando em definitivo a estigmatização social da loucura e a explicação que autoriza a sociedade a exercer sua ofensiva àquele que considera imoral ou estranho, levando à interdição hospitalar e civil com autorização dos detentores do poder e/ou saber (médicos, políticos, sociedade), tendo como base a ideologia humanista, política, ideológica e profissional de um país.

Foucault, nos seus estudos - Doença mental e psicologia (1954) –, defende a especificidade de abordagem de uma “medicina da mente” em relação a uma “medicina do corpo”, entendendo que estas disciplinas devem aplicar métodos distintos, assim como submeter-se a diferentes critérios de cientificidade. Isto implica trabalhar com diferentes concepções – para além da problemática da saúde X doença e da consequente dicotomia normal X anormal, afirmando que a loucura vem de uma concepção social que normatiza e dita o que é normal e/ou patológico, dentro de uma sociedade onde o significado de loucura inclui tanto um fenômeno social da estigmatização quanto o que pode existir de essencialmente individual na loucura, sendo vista como uma espécie de “Alvará Científico” (Francisco Costa Júnior - Universidade de Brasília (UnB) – Dissertação de Mestrado, 2005) para a intolerância e censura social, cujas consequências são os próprios fatos alienados, como o da loucura, vista como doença, em que a sociedade intolerante, que deveria ser esclarecida sobre o fato de que tais pensamentos e comportamentos dos “loucos” se deverem a uma doença e/ou transtornos mentais e não a outros motivos, devendo, assim, ser mais solidária e humana com tais sujeitos, em vez de bani-los da sociedade dita normal, pois, se tivesse tais esclarecimentos, reduzir-se-ia o estigma e a exclusão social desses indivíduos.

Dessa forma, a percepção da loucura em que se concebe o ser humano como ser coletivo, social ou cultural, é determinada pela coletividade (sociedade), na qual o indivíduo portador de deficiência e/ou transtorno mental é controlado por técnicas químicas ou psicoterápicas como determinantes de suas ações e/ou reações em busca de sua autonomia subjetiva desautorizada pelos seus atos e pelos agentes sociais ao seu redor.


Referências:


RAGO, Maragareth (Org.); MARTINS, Adilton L. Revista Aulas. Dossiê Foucault. Nº 3.



Alguns conceitos de loucura entre a psiquiatria e a saúde mental: diálogos entre os opostos. Disponível em:< www.pepsic.bvs-psi.org.br/scielo>.


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