Conceito: é o relato de um fato atual e de interesse geral. Princípios



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NOTÍCIA

Conceito:

é o relato de um fato atual e de interesse geral.



Princípios:

objetiva, atual, verdadeira, imparcial, compreensível, concisa, linguagem correta e acessível, dirigida para o interesse público.



Estilo:

frases breves, palavras curtas, preferência pelo vocábulo usual, estilo direto, uso adequado dos adjetivos, verbos vigorosos e de ação, verbos na forma ativa, ser positivo.


Regras:



  1. Relatar

  2. Escrever na ordem direta

  3. Escrever na terceira pessoa do singular

  4. Nunca opine

  5. Respalde as afirmações com depoimentos




  1. Tenha certeza dos dados colhidos

  2. Nunca use chavões ou lugares comuns

  3. Não use frases feitas

  4. Use os verbos sempre no mesmo tempo

  5. Ouça sempre os dois lados da notícia




  1. Não seja sensacionalista

  2. Aplique os verbos corretos, adequados

  3. Tenha sempre à mão uma lista de verbos

  4. Lembre que o leitor está conhecendo a notícia pela 1ª vez: explique tudo

  5. Em caso de suíte, historie sempre




  1. Seja coloquial, sem ser formal ou vulgar

  2. Seja parcimonioso nas vírgulas

  3. Não comece o texto com gerúndio

  4. Procure evitar gerúndios

  5. Não repita palavras no texto




  1. Não comece as frases com algarismos numéricos

  2. Evite usar “ NÃO”

  3. Evite começar pelo quando

  4. Evite começar por declaração

  5. Números – zero a nove escreve-se por extenso



  1. Siglas: até três letras ou quando forma palavra escreve-se em maiúsculo

  2. Usar verbos fortes

  3. Evitar o uso de dois pontos

  4. Nunca usar ponto e vírgula

  5. Lead deve ter no máximo 25 palavras




  1. Não use abreviaturas

  2. Apresente a pessoa com nome e sobrenome

  3. A partir da primeira citação, coloque apenas o sobrenome da pessoa

  4. Cite primeiro o cargo e depois o nome da pessoa

  5. Verifique sempre a ortografia e a gramática corretas




  1. Se necessário, crie um box para explicar ou complementar uma notícia

  2. Valorize o porquê da notícia

  3. Jamais trate de assunto ou escreva algo que você não domine

  4. Se necessário, solicite explicações repetidamente para o entrevistado

  5. Se necessário, desista da notícia ( para não cometer gafes, imprecisões ou crime de imprensa)




  1. Lembre que a informação é propriedade do povo e não propriedade privada

  2. Não tenha receio de fazer perguntas incisivas

  3. Conquiste e faça uma lista de fontes, checando-as rotineiramente

  4. Não use termos como 'os mesmos' , 'cujo', 'o qual', etc

  5. Não faça literatura, faça jornalismo




  1. Não seja preconceituoso

  2. Não seja bairrista

  3. Não seja superior

  4. Não seja juiz

  5. Não seja moralista

  6. Não seja deslumbrado

  7. Não seja técnico

  8. Não seja vaidoso

  9. Não seja falso

  10. Não seja protocolar

  11. Não seja servil

  12. Lembre que o mais importante na notícia é:

1º a foto

2º o título

3º o lead

4º o texto




Mídia de massa no Brasil







TV



Jornal


Rádio


Internet


Revista
Linguagem

Eclético

Formal

Coloquial

Eclético

Formal

Papel

Entretenimento

Consumo


Informativo

Comunitário

Militar

Universitário

Rede

Comercial



Informativo

Público-alvo

Classes A, B e C

Classes A e B

Classes C e B

Classes A e B

Classes A e B

Audiência

99%

5%

80%

?

3%

Verba publicitária

60%

17%

3%

?

3%

Abrangência

Nacional

Regional

Local

Mundial

Nacional

Características

Fácil acesso Instantânea

Audiovisual



Oneroso

Elitizado




Barato

Portátil


Áudio

Eclético

Oneroso


Excludente

Oneroso

Elitizado

Segmentado


Início no Brasil

1950

TV TUPI -SP



1808

1922

Rádio Socied.- – RJ



1994




Acesso


Gratuito


Pago

Gratuito

Pago

Pago

Tecnologia


Unidirecional

Unidirecional

Unidirecional

Interativa

Unidirecional

Custo de Instalação


Alto

Baixíssimo

Baixo

Baixo

Baixo


Tendência


Estabilidade de público

Queda de público

Estabilidade de público

Crescimento de público

Queda de público

Controle


Oligopolizado

Diversificado

Diversificado

Aberto

Oligopolizado

Principais empresas



Globo

SBT


Bandeirantes

Record


REDE TV

F. de S. Paulo

Estado de SP

G. Mercantil

Globo


ZH




Terra

UOL



Veja

Isto é


Època

Cláudia


Nova

Notícia


X

Publicidade

X

Entretenimento




Notícia

x %


Publicidade x%

Entretenimento

X %


Notícia

30 %


Publicidade 70 %

Entretenimento

0 %


Notícia

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Entretenimento

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Notícia

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Entretenimento

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Notícia

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Entretenimento

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História da Imprensa

TÉCNICAS DE CODOFICAÇÃO EM JORNALISMO
MÁRIO ERBOLATO

IMPOSSÍVEL DEFINIÇÃO SOBRE O QUE SEJA A NOTICIA

Não obstante a importância da notícia, no chamado império do Jornalismo, ninguém conseguiu defini-la satisfatoriamente. Os teóricos dizem como ela deve ser, mas não o que realmente é.


A cada correspondente que nomeava, um jornal norte-americano remetia as seguintes instruções, válidas para o século passado e inicio do atual, porém desatualizadas, se fossem seguidas à risca atualmente, quando a interpretação e a explicação substituíram a simples informação: “Se alguém morreu, fugiu, casou, divorciou-se, partiu da cidade, deu um desfalque, foi vítima de incêndio, teve uma criança, quebrou uma perna, deu uma festa, vendeu uma fazenda, deu à luz gêmeos, teve reumatismo, ficou rico, foi preso, veio à cidade, comprou uma casa, roubou uma vaca, roubou a mulher do vizinho, suicidou-se, caiu de um avião, comprou um automóvel, fugiu com um belo homem — isso é notícia. E então telefone para a Redação”.
No Brasil, adotou-se uma fórmula apropriada para explicar aos focas o que interessa jornalisticamente: “Se um barril cair do Pão de Açúcar, não será noticia. Mas, se dentro dele houver um homem, isso, sim, será notícia”.
Stanley Johnson e Julian Harris citam algumas definições, mas todas elas insatisfatórias:

— Noticia é o relato de um fato recentemente ocorrido, que interessa aos leitores.

— Notícia é o relato de um acontecimento publicado por um jornal, com a esperança de, divulgando-o, obter proveito.

— Notícia é tudo quanto os leitores querem conhecer sobre um fato.



  • Qualquer coisa que muitas pessoas queiram ler é notícia, sempre que ela seja apresentada dentro dos cânones do bom gosto e das leis de imprensa.


Em todas elas, pretende-se que haja interesse por parte dos leitores sobre acontecimentos recentes, da véspera ou do próprio dia.
É bem difícil, na prática, que uma pessoa leia integralmente um jornal, ainda que passando rapidamente os olhos sobre todas as colunas. As opiniões e os gostos variam. Há muitos que separam os cadernos de esportes e nem os manuseiam, porque não acompanham os campeonatos e mal conhecem os nomes dos clubes que os disputam. O noticiário internacional nem sempre desperta interesse para alguns, a não ser que haja possibilidade da repercussão de um fato no Brasil.
Um telegrama procedente de Paris, descrevendo reunião da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), passará despercebido, mas outro, também da capital francesa, informando sobre um surto epidêmico que poderá chegar ao Brasil em poucos dias, encontrará bom número de leitores.
Se é difícil ou impossível definir a notícia, maiores são ainda as dificuldades para se dizer, em termos jornalísticos, o que seja interesse.
Turner Catledge, diretor gerente do Times, de Nova York, entende que «notícia é algo que você nâo sabia ontem». Não convence esse ponto de vista, pois não há a exigência da publicação (no jornalismo impresso) e o algo pode se referir a banalidades ou a coisas de rotina. Não sabíamos ontem que nosso vizinho estava gripado ou que seu cachorro morreu, ou ainda que existe uma goteira no prédio de nosso irmão ou cunhado. Somente hoje é que ficamos conhecendo esses fatos, que eram até ontem por nós ignorados, mas nenhum deles é publicável ou noticiável.
Nem tudo o que acontece se transforma em notícia.
A maior parte das atividades dos homens não são registradas pelos jornais. Milhares de pessoas vivem semanas, meses e anos sem tomar parte em acontecimentos noticiáveis. Diariamente trabalham, almoçam, jantam, dormem e, vez ou outra, vão ao cinema, ao teatro, a competições esportivas, sem se afastarem de seus hábi­tos. Pode acontecer até que saiam da rotina, se assistem a um desfile militar, ou se forem votar em eleições, cujos resultados provoquem alteração na política. Mas, em todas as hipóteses, são apenas participantes secundários (e não principais) desses acontecimentos que os jornais noticiam.
No entanto, algo banal pode de um momento para outro ser notícia. Um mendigo é visto todos os dias na escadaria da igreja, mal vestido e sujo, a pedir esmolas e ninguém se importa com ele. Mas, se for preso e a policia descobrir que possui milhões de cruzeiros em contas bancárias, logo será notícia.
O professor primário, modesto e humilde que dá aulas às crianças do grupo escolar do bairro nunca foi notícia. Mas, se for encontrado morto, com um tiro no coração ou na cabeça, a matéria merecerá várias colunas. Mittchel V. Charnley dá um exemplo curioso: o elevador arcaico de uma Prefeitura funcionou normalmente durante vinte anos, até que, um dia, foi substituído por outro, automático. O velho ascensorista não se acostumou com a modernização, distraiu-se e ficou com a mão direita imprensada. Ele e o elevador foram notícia no dia seguinte.
A NOTÍCIA DEVE SER RECENTE, INÉDITA, VERDADEIRA,

OBJETIVA E DE INTERESSE PÚBLICO
O leitor quer novidades. Deseja saber o que ainda desconhece, ou que sabia apenas superficialmente, por haver assistido ao jornal transmitido pelo rádio ou televisão. Se fossem publicados apenas acontecimentos antigos e irreais, os jornais estariam divulgando história e romance e não noticias.
Fatos que empolgam pela manhã, logo à tarde ficam superados ou já não despertam nenhum interesse. Boletins noticiosos, radiofônicos, logo às 7 horas chegam a desmentir ou tornam velhas as notícias dos matutinos, antes que eles cheguem a ser entregues aos assinantes.
O público deseja fatos novos e Os diários estão proibidos (para evitar efeito negativo sobre os leito­res) de informar que algo ocorreu há uma semana ou há um mês., por isso, a técnica é redigir sobre o que aconteceu ontem ou recentemente.

Hoje, excetuadas as proibições de acesso às fontes de informação, nos países totalitários, o homem dispõe de facilidades para ir a qualquer local onde haja um fato que apresente interesse jornalístico. Maiores são, ainda, as técnicas para a transmissão e divulgação.


Saint-Clair Lopes” lembra com precisão: «Vivemos o instante mesmo em que o homem podia exibir sua fabulosa façanha, sondando com o pé o solo lunar onde deveria pisar, pela primeira vez, instantes após! O momento em que, da Lua, Armstrong manteve conversações com a Terra, recebendo os cumprimentos do Presidente Nixon!»
A notícia vem pelo ar, através de impulsos eletromagnéticos e não mais como no século passado, trazida por navios que levavam meses, no trajeto entre a Europa e a América. Recorde-se, ainda, que no Brasil um mensa­geiro, a pé ou em lombo de mula, levava a boa ou a má-nova, de uma povoação a outra, com uma demora de semanas.
Pode um fato antigo, milenar, ter interesse jornalístico? Dependendo das circunstâncias, merecerá até manchetes. Se em escavações viessem a ser descobertos documentos, informando que os egípcios, ou qualquer outro povo milenar, tivessem realizado transplante de corações, a noticia teria valor hoje (quando descoberto o fato) embora se referisse a acontecimentos de épocas anteriores à Era Cristã. Outro exemplo seria o encontro de um barco-expe­dição que há 50 ou 100 anos tivesse se dirigido ao Pólo Sul e desde então fosse considerado perdido.
A própria Bíblia tornou-se notícia, ao encerrar-se em Brasília o Sétimo Encontro Nacional da Oração. O presidente Ernesto Geisel leu, no dia 15 de outubro de 1975, o Capítulo 12 da Epístola de 5. Paulo aos Romanos e, no dia seguinte, os jornais do país a publicaram na íntegra, depois de a terem recebido por telex.
A imprensa deve publicar, na categoria de informações, o que seja ver­dadeiro, pois a ficção é objeto dos romances, muito embora haja colunas jornalísticas, ou suplementos, a ela dedicados.
Outra característica da notícia é a objetividade. Deve ser publicada de forma sintética, sem rodeios e de maneira a dar a noção correta do assunto focalizado. Quem colhe dados, observando o local ou entrevistando pessoas capacitadas a proporcionar informações para a matéria, deve agir com isen­ção de ânimo.
Honestidade e imparcialidade são atributos exigidos do repór­ter. Porém o poder de síntese não impedirá a clareza. A simples notícia de que o Secretário da Fazenda irá falar, na próxima semana, no Clube dos Advogados, sobre a revisão do Código Tributário do Município não chegará a causar impacto. Mas o interesse e a objetividade poderão ser conseguidos, se o redator for ouvir pessoas bem informadas e chegar a esclarecer que os estudos feitos pela Prefeitura irão provocar, no ano seguinte, aumento de impostos e das taxas, da ordem de duzentos a trezentos por cento. A mensagem jornalística deve bombardear o receptor, despertar-lhe o interesse e provocar, conforme o tema, comentários e discussões entre grupos interes­sados. E, dentro do critério da objetividade, teria o jornal que ouvir também, com antecipação (sobre a reunião do Clube dos Advogados), o próprio Secretário da Fazenda ou alguém que, em seu nome, pudesse falar sobre o Código Tributário.

A objetividade, porém, em certos casos, é um dos pontos mais contro­vertidos e difíceis do jornalismo. Se o discurso de um deputado, governador, senador, prefeito ou presidente de autarquia, for publicado na íntegra, a imprensa estará divulgando o pronunciamento exato e preciso do orador, sem qualquer distorção. Estaria o jornal sendo objetivo e imparcial, apenas com essa publicação? Não. Dentro do espaço e do tempo disponíveis e de preferência na mesma edição, teriam que ser publicadas as opiniões de pessoas que explicassem ou comentassem o discurso. É o jornalismo inter­pretativo ou explicativo, que se impôs, depois do rádio e da televisão.
Só se considera completa uma notícia, quando ela proporciona ao leitor a idéia exata e minuciosa sobre um acontecimento, ou mesmo previsão do que vai ocorrer. O repórter cobre os fatos com toda a minúcia, ou antevê o que poderá ocorrer. Descreve o jogo de futebol, lance por lance, quando eles assumem importância. Na Redação possivelmente ocorrerão cortes, mas se o prélio se referir a uma decisão de campeonato, haverá possibilidade de a matéria ser publicada na íntegra, tal como a preparou o repórter, sujeita apenas a correções. A importância e a repercussão determinam o tamanho da notícia.
O repórter é o intérprete do público. Na sala onde se reúnem os inte­grantes da Câmara Municipal não caberia, de forma alguma, a população inteira da cidade, desejosa de assistir aos debates e à votação de um projeto que aumentasse impostos ou mandasse desapropriar vários quarteirões de prédios residenciais. Mas os jornalistas que lá comparecerem, estarão representando o povo, anotando os discursos, os apartes e a leitura de documentos. Milhares de cidadãos (dos quais ele, repórter, de forma indireta, teria uma procuração imaginária ou fictícia, para ver e sentir por eles) aguardarão, no dia seguinte, a sua notícia.
Diante da impossibilidade de se definir a notícia, os jornais procuram publicar aquelas que encontrem maior número de leitores. Conforme obser­vação de Juan Beneyto” «o jornalista sabe, ou pensa saber, o que seu público deseja. Pode atendê-lo, oferecendo-lhe o material em que está inte­ressado, ou dando o que a organização lhe facilita, de acordo com a maneira desejada pelo receptor».
O diretor, o repórter e os demais componentes da Redação, devem ter olho clínico, para evitar o desperdício de espaço, com matérias que aten­dam apenas a vaidade das pessoas nelas focalizadas, mas que irritam os compradores de jornais.
Como escolher a noticia? Os estudiosos entendem que elas devem ser selecionadas levando em conta o maior interesse que despertam. Mas seria um círculo vicioso indagar quais os assuntos que chegam a motivar o cidadão que paga alguns cruzeiros pelo exemplar, na esperança de ficar bem informado.
Não existe um critério fixo para se escolher e selecionar uma notícia que venha a ser bem aceita. Os critérios variam, conforme as empresas, e José Marques de Meio em pesquisa feita”demonstrou, com quadros esta­tísticos, a percentagem de assuntos que jornais de 5. Paulo dedicam a cada assunto, de acordo com a classe e preferência dos leitores.

Herbert Brudker, diretor do Courant, de Hartford, sustenta que a maté­ria-prima do jornalismo é, como foi no princípio, a própria vida. Segundo ele, «é necessário um corpo redacional próprio, trabalhando contra o tempo e circunstâncias e, às vezes, contra si mesmo, para impregnar o jornal de uma sensação de vida».
A diretriz básica consiste em se verificar primordiaimente qual a classe dos leitores de cada jornal. Douglas Waples, Bernard Berelson e Franklyn R. Bradsham, escrevem: «As mulheres lêem mais novelas do que os homens. Os moços preferem narrações sobre aventuras e as jovens as notícias de caráter sentimental (. . .) As mulheres estão menos interessadas em ler sobre negócios e política, do que sobre personalidades, casamentos e viagens.
Em resumo, tanto os homens como as mulheres querem, primordialmente, ler sobre si mesmos. Quanto mais um parágrafo se ajusta aos nossos proble­mas e fantasias, maior o atrativo. Assim, as mulheres desejam relatos não fictícios sobre personalidades, educação e casamentos, que tenham êxito. Os homens lêem noticias sobre leis, preparação militar e negócios (. . .). Os leitores também podem ser classificados pelas suas profissões».
Há os que gostam de colunas sobre medicina, para seguirem os conse­lhos ou, ao inverso, verificar que têm todos os sintomas de uma doença analisada pelo articulista. No Brasil, depois da loteria esportiva surgiram seções especializadas na análise das possibilidades de cada clube, jogo por jogo. E existem os que buscam diversão, decifrando as palavras cruzadas e as charadas e passando também as vistas pelas tiras cômicas.

OS CRITÉRIOS VARIAM



As notícias variam no tempo. O que ontem foi importante, hoje poderá não ser. Quando o primeiro satélite artificial russo foi lançado ao espaço, a matéria mereceu manchete na primeira página de todos os jornais. Atual­mente, qualquer outro lançamento semelhante que se faça, se chega a ser noticiado, o é no máximo em uma ou duas colunas.
Outra variação ocorre no espaço geográfico. A notícia local, que um jornal de Florianópolis divulga com destaque, nem é registrada pelos matu­tinos de S. Paulo e do Rio, desde que a importância do acontecimento não transcenda o Estado de Santa Catarina ou apenas a sua capital.
Um exemplo daria melhor idéia nessa diferença de tratamento para um mesmo fato. Suponha-se que o Prefeito da pequena cidade «X», no interior de 5. Paulo, onde se desentendeu com o seu Vice-Prefeito, vá a Piracicaba, para visitar seu filho, recém-casado, e que, ao descer por uma escada, sem corrimão, cai e fratura o braço direito. Simples ocorrência domiciliar, a queda não chega a ser noticiada pelos jornais piracicabanos.
No entanto, supondo-se que no Município «X» exista um diário ou semanário, o que aconteceu com o Prefeito (principalmente se o jornal for da oposição) será um prato cheio. Além de narrar o que houve, a Folha (ou A Comarca, ou O Vigilante) poderia explorar o assunto durante várias edições, comentando vários de seus aspectos. Por que o Prefeito abandonou por alguns dias o seu posto, quando havia problemas difíceis e importantes para solucionar? Se ele está com o braço direito engessado, como fará para promulgar as leis e assinar os despachos de rotina? Não deveria afastar-se do cargo e entregá-lo ao Vice-Prefeito? E as divergências políticas que existem entre ambos? Como a Câmara Municipal verá a atitude do Prefeito, em querer continuar no cargo mesmo com o braço fraturado?
Outra variação das notícias ocorre quanto às empresas jornalísticas. Cada uma delas tem seus critérios e preferências por determinados assuntos. Enquanto os órgãos da chamada imprensa popular ou sensacionalista noti­ciam com destaque que «Motorista de ônibus fez picadinho com 3 crianças», esse mesmo atropelamento e morte figurará em quatro ou cinco linhas no matutin& circunspecto, que prefere tratar de temas ligados à ecologia, ao desenvolvimento nuclear ou à evolução dos acontecimentos políticos.
Na mesma organização jornalística, o tratamento dado a uma notícia pode variar. Há empresas que editam vários matutinos e vespertinos e cada um deles aborda de forma diferente o mesmo assunto ou fato. Ë o caso da empresa Folha da Manhã, que além da Folha de S. Paulo publica a Folha da Tarde e Notícias Populares.
Considere-se ainda o seguinte, com referência às noticias: elas têm importância quando algo ocorre pela primeira e última vez e despertam pouco interesse durante a rotina. Um serviço público, ao ser inaugurado ou extinto, constitui boa matéria jornalística, porém poucas vezes a imprensa se preocupará em falar sobre ele, durante os anos em que funcionar, a menos que apresente irregularidades e provoque indignação dos usuários.


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