Comecar com perguntas dos alunos



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Encontro04.10.2017
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O alto nacionalismo e a priori negativo, mas neste caso serve pra afirmar uma identidade unica separada da europa ou EUA, entao neste momento historico, e positivo

Comecar com perguntas dos alunos

Trabalhar o Manifesto ou juntos, no quadro ou exercicio dos posters

Trabalhar com Drummond, estudo dirigido 5, em pares

Se tiver tempo video sobre Drummond

Para a professora, tb imprimir analise do manifesto

A partir de Sentimento do Mundo (1940), Carlos Drummond de Andrade parece se armar em relação a si próprio e ao mundo. E, se o individualismo evidente nos primeiros livros é mais util, não é por isso menor. O mesmo "eu-oblíquo" contempla-se a si e ao mundo; e, se muitas vezes o pronome na primeira pessoa desaparece, o poeta se desdobra em uma terceira pessoa:

- o impessoal "se": "Chega um tempo em que não se diz mais: 'Meu Deus'." (Sentimento do Mundo);


- o homem qualquer: "Ó solidão do boi no campo, / ó solidão do homem na rua!" ("O boi");
- a simples constatação do fato: "Lutar com palavras / é a luta mais vã" ("O lutador");

até chegar a um outro "eu", "José" - "E agora, José?" ("José"), que se pergunta sobre o significado da própria existência e do mundo. Mas este "José" não é outro senão o poeta. A personagem funciona, no poema, como o desdobramento da personalidade poética do autor, tanto quanto nas demais situações apontadas, atrás de quem o poeta se esconde e se desvenda.

O “não-ser” se faz presente neste poema por meio do modo verbal subjuntivo que torna a ação imprecisa:

“...Se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...”

José não dorme, não cansa, não morre, ele é duro, apenas segue. Sua dureza é o que existe e tudo mais é o “nada” no qual ele se funde. Chama-se atenção para o caráter construtivo que o Existencialismo dá à categoria “nada”, ele é o inexistente, mais traz em si o por fazer.

Escrito durante a Segunda Guerra Mundial e da ditadura de Vargas, José, apesar da dureza, ainda tem o impulso de continuar seguindo. Mesmo sem saber para onde: “...Você marcha, José! / José, para onde?

Chama-se Poema de sete faces, por ser uma composição de sete estrofes e, em cada uma delas, o eu-lírico vai revelando seus sentimentos ou jeito de ser. 

Na 1ª estrofe, o anjo torto que existe na vida dele pode simbolizar um mau conselheiro , que o encaminhou de forma errada proporcionando a ele uma existência infeliz. Este anjo o manipula a ponto de determinar-lhe o destino. Drummond se utiliza de um estrangeirismo francês a palavra "guache", que corresponde a esquerdo em português. O eu-lírico se via torto, canhestro, guache diante de si e do mundo.

Na 2ª estrofe, ele faz referência ao desejo sexual dos homens, questiona com isso o seu próprio eu. Se não tivesse essa busca sexual desenfreada, talvez não fosse tão só. Talvez tivesse conhecido o amor...

Na 3ª estrofe, o eu - lírico sente-se sozinho, apesar da multidão que o cerca, alheio, indiferente aos fatos e às pessoas que parecem incomodá-lo com tanta agitação, ele distancia-se da realidade.

Na 4ª, ele é o homem que está atrás do bigode e dos óculos, por sua seriedade e isolamento, parece esconder-se atrás desses adereços para evitar a convivência com as outras pessoas, o que o assusta.

Na 5ª, Deus é questionado pelo eu - lírico, o qual julga que o Todo- Poderoso o deixou em um caminho errante e que por isso ele é um fracassado, diante da vida.

Já na 6ª estrofe, o coração dele é mais vasto que o mundo, tal qual é a grandeza de sua solidão. A tristeza dele parece não caber no mundo , ao qual não se adapta. Ele afirma que apesar de se chamar Raimundo que significa protetor, poderoso, sábio, é uma pessoa que tende a se isolar, pois é muito rigorosa consigo mesma e supervaloriza as virtudes dos outros. Mas, quando se conscientiza da sua própria importância, torna-se capaz de dar apoio e conselhos valiosos a todo o mundo, só serviria para rimar com o mundo, não para solucionar os seus problemas.

E na última, o eu - lírico confessa que fez tais revelações sobre si mesmo devido ter-se embriagado. Isto teria o encorajado a confessar sua própria miséria, coisa que seria incapaz de fazer se estivesse em sã consciência. Nem isso... Deus o esquecera dele e ele acabara comovido como o diabo, ou seja, acabara sem nenhuma dignidade.

Assim, neste poema, Drummond, de modo metafórico , transmite uma visão negativa do homem, uma visão desesperançada em relação à vida. O eu - lírico se vê injustiçado diante do mundo e do abandono de Deus. O seu referencial é o seu próprio eu insatisfeito, buscando , desejando, retraindo-se, bebendo.... O destino é o fracasso, a concretização da previsão do anjo: " vai ser guache na vida".



A Flor e a Nausea

De início o título do poema remete a idéia de oposição, a flor indica algo que é agradável que inspira vida e a náusea expressa um sentimento de agonia, de repudia.

Na primeira estrofe, percebe-se um eu lírico em estado de depressão, de angústia e de impotência frente aos problemas causados pelos acontecimentos da época, que tornam a cidade coisificada e asfixiante.

A segunda estrofe, por meio do signo do relógio da torre retrata mais uma vez a cidade no poema. O relógio significa o "tempo" de justiça e de paz que ainda não chegou, o tempo incompleto. O poeta ao dizer que "o tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse", se coloca em comunhão com o mundo, ele não apenas vive os problemas, ou apenas vê os problemas como se não os atingissem, mas pelo contrário é a coletividade que vive o drama do momento histórico.

O poeta na estrofe seguinte, busca respostas para suas indagações, "os muros são surdos", podemos dizer que os muros significam os homens surdos, alienados. Revela ainda no verso 12 as palavras interrompidas pelo silêncio marcado pela época, na qual toda atitude de expressão era proibida durante o regime ditatorial, as cifras e códigos também podem indicar a impossibilidade de se encontrar respostas que apontem soluções.

Além disso, na quarta estrofe, a cidade revela-se um lugar impróprio para viver, um lugar estagnado, no qual não se alcança nenhuma mudança, o poeta sente-se entediado e incapacitado de fazer algo para mudar a realidade, pois não consegue relacionar-se através de sua poesia por causa da sua subjetividade alcançando assim, apenas uma pequena parcela da sociedade.

Nos versos 27 e 28, aparecem duas figuras sociais que representam o cotidiano da cidade, "os ferozes padeiros do mal"/ "os ferozes leiteiros do mal", os adjetivos utilizados pelo poeta para se dirigir aos padeiros e leiteiros "figuras aparentemente inofensivas", são indicações da banalização do mal, tão presente da vida diária da sociedade.

Na sexta estrofe, o eu - lírico encontra-se em desespero, em sua memória traz reminiscências de um passado que parece refletir no presente e trazer um ódio adormecido que renasce como símbolo de uma esperança, num mundo onde os homens se mostram "inertes" diante do caos.

No entanto, nas duas estrofes seguintes, o nascimento de uma flor ainda que feia, pálidae vulgar indica o surgimento ou o desabrochar de uma nova era, de um novo mundo, disposta a romper com a lógica a flor nasce em meio ao trânsito e rompeo asfalto, e em meio a tanto desencanto é o que mantém viva as esperanças do poeta.

Por fim, na última estrofe, o poeta vislumbra uma saída em meio a clausura existencial, e anuncia a mudança que está para ocorrer na cidade, Rio de Janeiro a capital do país na época, podendo ser percebida nos versos 45 e 46, e no último no qual a flor "fura a náusea" simbolizando assim, um novo amanhã.

Diante desta análise sucinta do poema, podemos afirmar que o poeta em meio a tantos conflitos se sente na necessidade de expressar a agonia de sua época, para isso ele retrata de maneira ainda que subjetiva o cotidiano da cidade e os fatos que ocorriam no mundo. A poesia de Drummond nessa fase, toma como tema a política, a guerra e o sofrimento do homem pela impotência e solidão, causadas pela frieza e mecanicidade de um mundo que reduz o ser humano a um objeto.

Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/a-cidade-e-o-mundo-em-039-a-flor-e-a-nausea-039-de-carlos-drummond-de-andrade/16564/#ixzz27as2MxuK



A Bruxa

Nos primeiros versos o eu-lírico Drummondiano nos situa acerca do lugar onde e sobre o qual escreve: a cidade do Rio de Janeiro; mostra-nos que, mesmo em meio a dois milhões de habitantes, sente-se sozinho, são versos do poema: “Nesta cidade do Rio / de dois milhões de habitantes / estou sozinho no quarto / estou sozinho na América”. (ANDRADE, 2004, p. 18) Dois milhões de habitantes aglomerados numa metrópole e isolados por ela. Isolados por seu afazer diário, isolados pelo relógio que não lhes permite “perder tempo” no contato com o outro, pois para o habitante da cidade “tempo é dinheiro” e não pode ser desperdiçado. O paradoxo solidão/multidão na poesia de Drummond nos remete ao que foi preconizado por Charles Baudelaire “principalmente com sua descoberta de que as multidões significam solidão” (HYDE, 1998, p.275). Após a revolução industrial, o homem do campo, o trabalhador servil, viu na cidade várias outras possibilidades de trabalho e isso significava concretamente uma espécie de libertação. Nessa busca por melhores condições de vida, no dizer de Raquel Rolnik (1995, p. 12), “a cidade aparece como um imã, um campo magnético que atrai, reúne e concentra os homens”. Contudo, ao perder o acesso à terra, às plantações, o homem perde também a subsistência, caracterizando-se numa dupla condição: livre e despossuído, para muitos, a cidade trouxe a liberdade e também a pobreza. O trabalhador precisa agora correr contra o tempo, abrir mão de toda e qualquer atividade que não fosse o trabalho. O ritmo frenético da produção isolou o homem e os avanços tecnológicos lhe trouxeram o conforto e lhe trouxeram mais isolamento, como disse Walter Benjamin (1994, p.124), “o conforto isola. Por outro lado, ele aproxima da mecanização os seus beneficiários”. É neste estado de solidão e isolamento com uma individualidade desorientada, desvinculada do grupo social mecanizado, que o poeta se encontra. Ele agora é um ser exilado em sua própria terra, se vê em dissonância com o mundo onde prevalecem valores marcadamente burgueses, como a obsessão pela acumulação de capital que acaba por gerar uma sociedade individualista.



No poema de Drummond, o eu-lírico, ao se dar conta de sua angústia solitária, questiona: “Estarei mesmo sozinho?”, demonstrando sua inquietação a respeito de se viver rodeado por dois milhões de habitantes que não lhe fazem companhia. O poeta esclarece que nem precisa de tanto, precisa apenas de um amigo, precisa apenas de uma mulher; quantos estarão como ele nesse momento, tão próximos e tão distantes, tão acompanhados e tão sós. Quantas mulheres nesse momento se olham e se perguntam sobre o tempo perdido. Buscariam nesse momento também por uma companhia? Como saber? Já é tarde e a cidade dorme para acordar para o trabalho, o poeta que não ouse perturbar as poucas horas de sossego daqueles dois milhões de habitantes, como diz os seguintes versos de Drummond: “Estou só, não tenho amigo / e a essa hora tardia como procurar um amigo? [...] Mas se tento comunicar-me / o que há é apenas a noite / e uma espantosa solidão” (ANDRADE, 2004, p. 19 - 20). O barulho das máquinas, do trânsito, das buzinas... é cessado por algumas horas, mas esse silêncio ecoa para o poeta trazendo-lhe à tona um clamor, uma revolta e um desejo de ser ouvido por alguém que possa lhe fazer companhia, como podemos observar nos últimos versos de Drummond no poema A bruxa: “Companheiros, escutai-me! / Essa presença agitada / querendo romper a noite / não é simplesmente a bruxa. / É antes a confidência / exalando-se de um homem” (ANDRADE, 2004, p. 20). Esse homem inquieto, “presença agitada” em meio à calmaria do descanso da cidade não é simplesmente a bruxa que se vale da noite para, segundo a crença, realizar seus rituais; sua inquietação é, antes de tudo, a confidência de um homem, um homem comum que, inconformado com o isolamento do de dois milhões de habitantes escreve e exterioriza sua angústia, como já foi aludido anteriormente, a angústia do poeta sozinho em meio à multidão.

A Mao Suja


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