Colóquio o conceito de Alma: do Antigo Egipto ao Mundo de



Baixar 15,13 Kb.
Encontro06.02.2017
Tamanho15,13 Kb.

Ministério da Educação e Ciência



Colóquio

O Conceito de Alma: do Antigo Egipto ao Mundo de Matrix

Universidade Aberta, Palácio Ceia / 9 de Novembro de 2013


Enquadramento

Em tempos de crise, que não é só económica e política, existem sempre tendências para uma reavaliação dos valores, tanto materiais como imateriais. Numa época comparável de dificuldades nos anos vinte do século passado, Bertolt Brecht declarou: “Erst kommt das Fressen, dann die Moral” (“primeiro a comida, depois a moral” / Ópera dos Três Vinténs, 1928). Apesar de estas necessidades inegáveis, temos ainda noções culturais, éticas e espirituais que questionamos e reavaliamos. Como ponto de partida, este Colóquio propõe um debate sobre aspetos da espiritualidade através de diversas abordagens complementares. Numa perspetiva intercultural e transdisciplinar pretende-se analisar vários conceitos e representações de alma desde o antigo Egipto ao Mundo de Matrix.

De acordo com a visão egípcia da natureza humana, o Homem era concebido como a combinação de vários elementos mortais e imortais, corpóreos e anímicos, que marcavam o ciclo da existência humana no Aquém e no Além. A funcionalidade ou disfuncionalidade destes elementos ou a sua separação ou justaposição explicavam todos os grandes momentos da vida do individuo: a conceção, o nascimento, a morte, a mumificação, a ressurreição, a vida eterna. Esta conceção tem, portanto, enorme impacto no estudo do imaginário do antigo povo egípcio e é indissociável das suas representações sobre a vida, sobre a morte, sobre os seus costumes fúnebres, sobre a imortalidade e sobre a sua relação com o Cosmos.

Enquanto a cultura grega antiga tinha do Homem uma visão preponderantemente dualista, a cultura bíblica sempre sustentou uma visão unitária do ser humano. Este não é um composto de elementos antagónicos, corpo e alma, mas uma criatura viva, unitária, inserida na história onde realiza o projeto de Deus.

Em culturas essencialmente orais e de cariz primordialmente xamânico, como as dos Índios norte-americanos, torna-se difícil abordar um tema que, entre nós, ocidentais, assume um pendor marcadamente filosófico e religioso, enquanto entre os indígenas daquele continente, se caracteriza por uma vivência espiritual individual, pela diversidade e aparente heterogeneidade.

Obviamente a literatura mundial do passado e do presente dá expressão a este fenómeno do imaginário coletivo: encontramos símbolos e conceitos de alma, tanto nas obras de Gogol e Giono, como na poesia contemporânea de José Agostinho Baptista: Agora E Na Hora Da Nossa Morte. No cinema, a iconografia da alma não só depende das suas várias representações nas tradições religiosas, artísticas e literárias, mas também das técnicas cinematográficas. Desde o seu surgimento, a fotografia e o filme estavam sob suspeita de captar as almas de quem representavam.



O Colóquio terminará com um olhar crítico sobre aspetos da ciência tangenciais à questão da alma: a neurologia, a física, a inteligência artificial, a matemática e lógica terão algo a sugerir acerca da existência ou não de uma alma?


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal