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Exercícios de língua portuguesa

E literatura 4º período




Nota:





Data:









Aluno(a):




N.º ___

Turma:2101

Turno: Manhã

Professor(a): Sérgio Monteiro


Os diferentes
Descobriu-se na Oceania, mais precisamente na ilha de Ossevaolep, um povo primitivo, que anda de cabeça para baixo e tem vida organizada.

É aparentemente um povo feliz, de cabeça muito sólida e mãos reforçadas. Vendo tudo ao contrário, não perde tempo, entretanto, em refutar a visão normal do mundo. E o que eles dizem com os pés dá a impressão de serem coisas aladas, cheias de sabedoria.

Uma comissão de cientistas europeus e americanos estuda a linguagem desses homens e mulheres, não tendo chegado ainda a conclusões publicáveis. Alguns professores tentaram imitar esses nativos e foram recolhidos ao hospital da ilha. Os cabecences-para-baixo, como foram denominados à falta de melhor classificação, têm vida longa e desconhecem a gripe e a depressão.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa Seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003. p. 150)
01. O nome da ilha, no texto I, sugere uma sociedade inversa àquela que tem a “visão normal do mundo” (“Ossevaolep” é “pelo avesso” ao contrário).

Estabeleça o ponto de vista do povo de Ossevaolep, que anda de cabeça para baixo, em relação à “visão normal do mundo”.
02. No texto II, há diversos sintagmas nominais – construções com núcleo substantivo acompanhado ou não de termos com função adjetiva – que caracterizam o “povo primitivo”.

a) Retire do texto dois desses sintagmas.
b) A caracterização normalmente atribuída a um povo primitivo como não evoluído não se confirma no texto I.

Justifique essa afirmativa, utilizando os sintagmas escolhidos no item a.
03. No texto I, identifica-se o povo da ilha de Ossevaolep por um neologismo: cabecences-para-baixo.

a) Identifique os processos de formação de palavras utilizados para a criação desse neologismo.

b) Considerando o conhecimento que os observadores têm do povo de Ossevaolep, responda:

por que se afirma, no texto I, que o neologismo foi criado “à falta de melhor classificação”?
TEXTO II
Como se comportar no cinema (A arte de namorar)

(Vinicius de Moraes)


Poucas atividades humanas são mais agradáveis que o ato de namorar, e é sobre a arte de praticá-lo dentro dos cinemas que queremos fazer esta crônica. Porque constitui uma arte fazê-lo bem no interior de recintos cobertos, mormente quando se dispõe da vantagem de ambiente escuro propício. A tendência geral do homem é abusar das facilidades que lhe são dadas, e nada mais errado; pois a verdade é que namorando em público, além dos limites, perturba ele aos seus circunstantes, podendo atrair sobre si a curiosidade, a inveja e mesmo a ira daqueles que vão ao cinema sozinhos e pagam pelo direito de assistir ao filme em paz de espírito.

Ora, o namoro é sabidamente uma atividade que se executa melhor a coberto da curiosidade alheia. Se todos os freqüentadores dos cinemas fossem casais de namorados, o problema não existiria, nem esta crônica, pois a discrição de todos

com relação a todos estaria na proporção direta da entrega de cada um ao seu namoro específico. [...]

De modo que, uma das coisas que os namorados não deveriam fazer é se enlaçar por sobre o ombro e juntar as cabeças. Isso atrapalha demais o campo visual dos que estão à retaguarda. [...]

Cochichar, então, é uma grande falta de educação entre namorados no cinema. Nada perturba mais que o cochicho constante e, embora eu saiba que isso é pedir muito dos namorados, é necessário que se contenham nesse ponto, porque afinal de contas aquilo não é casa deles. Um homem pode fazer milhões de coisas – massagem no braço da namorada, cosquinha no seu joelho, festinha no rostinho delazinha; enfim, a grande maioria do trabalho de “mudanças” em automóveis não hidramáticos – sem se fazer notar e, conseqüentemente, perturbar aos outros a fruição do filme na tela. Porque uma coisa é certa: entre o namoro na tela – e pode ser até Clark Gable versus Ava Gardner – e o namoro no cinema, este é que é o real e positivo, o perturbador, o autêntico.
04 - O sufixo (z)inho, empregado repetidamente na passagem “festinha no rostinho delazinha”, é de enorme vitalidade

na língua. Comprove essa vitalidade, no plano morfológico, a partir do uso do diminutivo nos vocábulos da referida passagem.

TEXTO III

Deus quer otimismo

Procópio acordava cedinho, abria a janela, exclamava:

– Que dia maravilhoso! O dia mais belo da minha vida!

Às vezes, realmente, a manhã estava lindíssima, porém outras vezes a natureza mostrava-se carrancuda. Procópio nem reparava. Sua exclamação podia variar de forma, conservando a essência:

– Estupendo! Sol glorioso! Delícia de vida!

Choveu o mês inteiro e Procópio saudou as trinta e uma cordas-d’água com a jovialidade de sempre. Para ele não havia mau tempo.

A família protestava contra a sua disposição fagueira e inalterável. A população erguia preces ao Senhor, rogando que parasse com o dilúvio. Um dia Procópio abriu a janela e foi levado pelas águas. Ia exclamando:

– Sublime! Agora é que sinto realmente a beleza do bom tempo integral! O azul é de Sèvres! Chove ouro líquido! Sou feliz!

Os outros, que não acreditavam nisto, submergiram, mas Procópio foi depositado na crista de

um pico mais alto que o da Neblina, onde faz sol para sempre. Merecia.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa seleta.

Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.)


05-Observe a seguinte afirmativa:
“ (...) Sua exclamação podia variar de forma, conservando a essência:

– Estupendo! Sol glorioso! Delícia de vida!”


Identifique a “essência” a que se refere o narrador e descreva cada uma das diferentes estruturas gramaticais que concretizam a variação “de forma”.
06-Conforme declara o narrador, para Procópio “não havia mau tempo”.

a) Considerando essa declaração, identifique a passagem em que a percepção do narrador em relação aos fatos narrados não coincide com a do personagem.


b) Levando em conta o sentido integral do texto, explicite a ambigüidade da expressão “mau tempo”.

TEXTO IV
Na contramão dos carros ela vem pela calçada, solar e musical, pára diante de um pequeno jardim, uma folhagem, na entrada de um prédio, colhe uma flor inesperada, inspira e ri, é a própria felicidade – passando a cem por hora pela janela. Ainda tento vela no espelho mas é tarde, o eterno relance. Sua imagem quase embriaga, chego no trabalho e hesito, por que não posso conhecer aquilo? – a plenitude, o perfume inusitado no meio do asfalto, oculto e óbvio. Sempre minha cena favorita.

Ela chegaria trazendo esquecimentos, a flor no cabelo. Eu estaria à espera, no jardim.

E haveria tempo.
(CASTRO, Jorge Viveiros de. De todas as únicas maneiras & outras. Rio de Janeiro: 7Letras, 2002. p.113)
QUESTÃO 7

A expressão “eterno relance” compõe-se de dois vocábulos que implicam noções diferentes acerca do tempo.


Explique o uso dos vocábulos combinados na expressão acima, em sua relação com a idéia central do texto.
08- Leia a tirinha e depois responda ao que se pede.


a) Na tirinha, há uma frase em que aparece uma locução adjetiva. Qual é essa frase?

b) Destaque a locução adjetiva e transforme-a em um adjetivo.

c) Observe as cenas apresentadas e tente substituir a locução adjetiva por outras na fala do Menino Maluquinho.
LITERATURA

1. (Unesp 1990) Leia atentamente o texto a seguir e assinale a alternativa INCORRETA.

Não permitiu o Céu que alguns influxos, que devi às águas do Mondego, se prosperassem por muito tempo; e destinado a buscar a Pátria, que por espaço de cinco anos havia deixado, aqui, entre a grosseria dos seus gênios, que menos pudera eu fazer que entregar-me ao ócio, e sepultar-me na ignorância! Que menos, do que abandonar as fingidas Ninfas destes rios, e no centro deles adorar a preciosidade daqueles metais, que têm atraído a este clima os corações de toda a Europa! Não são estas as venturosas praias da Arcádia, onde o som das águas inspirava a harmonia dos versos. Turva e feia, a corrente destes ribeiros, primeiro que arrebate as ideias de um Poeta, deixa ponderar a ambiciosa fadiga de minerar a terra, que lhes tem pervertido as cores."

(COSTA, Cláudio M. da. Fragmento do "Prólogo ao Leitor". In: CÂNDIDO, A. & CASTELLO, J. A. PRESENÇA DA LITERATURA BRASILEIRA, vol. I, S. Paulo, Difusão Europeia do Livro, 1971, p. 138)

a) o poeta estabelece uma conexão entre as diferenças ambientais e o seu reflexo na produção literária.

b) Cláudio Manuel da Costa manifesta, no texto, a sua formação intelectual europeia, mas que deseja exprimir a realidade tosca de seu país.

c) Depreende-se do texto uma forma de conflito entre o Academicismo Árcade europeu e a realidade brasileira que passaria a ser a nova matéria-prima do poeta.

d) Apesar dos índices do Arcadismo presentes no texto, há um questionamento do contexto sobre a validade de adotar esse modelo literário no Brasil.

e) O poeta sofre mediante o fato de não mais poder, na Europa, contemplar as praias da Arcádia de onde retirava suas inspirações poéticas.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:

Recreios Campestres na Companhia de Marília

Olha, Marília, as flautas dos pastores

Que bem que soam, como estão cadentes!

Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes

Os Zéfiros brincar por entre as flores?

Vê como ali beijando-se os Amores

Incitam nossos ósculos ardentes!

Ei-las de planta em planta as inocentes,

As vagas borboletas de mil cores!

Naquele arbusto o rouxinol suspira,

Ora nas folhas a abelhinha para,

Ora nos ares sussurrando gira:

Que alegre campo! Que manhã tão clara!

Mas ah! Tudo o que vêz, se eu te não vira,

Mais tristeza que a morte me causara.

(Bocage, OBRAS DE BOCAGE, Porto: Lello & Irmão Editores, 1968. p. 152)


2. (Unesp 1992) Dois versos seguidos deste poema, contrastados com outros doze, revelam que o poeta pode ter duas reações diferentes e opostas ante a paisagem que descreve, de acordo com a ocorrência ou não de um determinado fato. Partindo deste dado, responda:

a) quais os dois versos a que nos referimos?

b) o que nos revela o poeta neles?

3. (Unesp 1992) Podemos afirmar, sem exagero, que este soneto de Bocage, pelas características formais e pelo conteúdo, poderia ser assinado por poetas do neoclassicismo brasileiro. Encontra-se no poema aliás, uma palavra que remete ao título de um livro de poemas de um dos mais destacados neoclássicos do Brasil. Depois de avaliar no soneto de Bocage o dado que mencionamos,

a) aponte o nome do poeta e da obra do neoclassicismo brasileiro a que nos referimos;

b) faça um breve comentário sobre o que representa o título com relação ao conteúdo dessa obra.

4. (Unesp 1992) No soneto acima citado de Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805), verificam-se características do estilo neoclássico, de que Bocage é o máximo representante em Portugal. Indique duas dessas características, exemplificando cada uma delas com palavras, expressões ou passagens do poema.

5. (Fuvest 1993) I. "Porque não merecia o que lograva,

Deixei, como ignorante, o bem que tinha,

Vim sem considerar aonde vinha,

Deixei sem atender o que deixava."

II."Se a flauta mal cadente

Entoa agora o verso harmonioso,

Sabei, me comunica este saudoso

Influxo a dor veemente;

Não o gênio suave,

Que ouviste já no acento agudo e grave."

III."Da delirante embriaguez de bardo

Sonhos em que afoguei o ardor da vida,

Ardente orvalho de febris pranteios,

Que lucro à alma descrida?"

Cada estrofe, a seu modo, trabalha o tema de um bem, de um amor almejado e passado ou perdido. Avaliando atentamente os recursos poéticos utilizados em cada uma delas podemos dizer que os movimentos literários a que pertencem I, II e III são respectivamente:

a) barroco - arcadismo - romantismo.

b) barroco - romantismo - parnasianismo.

c) romantismo - parnasianismo - simbolismo.



d) romantismo - simbolismo - modernismo.

e) parnasianismo - simbolismo - modernismo.


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