Colégio Estadual João Paulo II projeto Político-Pedagógico 2017



Baixar 2 Mb.
Página9/21
Encontro27.09.2018
Tamanho2 Mb.
1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   ...   21

2.11 Relação entre profissionais da educação e discentes


Todo ser humano é por natureza um indivíduo dotado de potencialidades as quais se manifestam na coletividade. Assim sendo, o Colégio João Paulo II, tem grande número de alunos que valoriza os conhecimentos transmitidos nela e se esforça para desempenhar os mesmos da melhor maneira, participando e se dedicando. Sendo assim temos melhorado a participação e o desempenho a cada ano que passa nas avaliações do ENEM, bem como, a procura por universidades posterior à conclusão do Ensino Médio.

Quanto ao o relacionamento entre professores e alunos, geralmente vem sendo respeitosa, onde prevalece sempre o diálogo e a cordialidade. Sendo que o regimento interno é sempre respeitado e exigido do aluno.

No início do ano letivo são organizadas as normas regimentais internas, de acordo com o Regimento Escolar, sobre as quais são apresentadas aos pais na assembleia geral e aprovadas e executadas durante o ano letivo com o corpo discente.

Outro ponto importante a ser destacado é a participação da família, as quais sempre que solicitadas comparecem. E, mais conscientes, nem esperam serem chamados para comparecerem e acompanharem a aprendizagem dos alunos.



III FUNDAMENTOS TEÓRICOS

MARCO CONCEITUAL

A sociedade capitalista historicamente busca determinar e ajustar com precisão quais saberes históricos, políticos e culturais os estudantes das escolas públicas e particulares devem dominar para se inserirem no mercado de trabalho, onde podemos perceber cada vez mais a supremacia da máquina e a mecanização do trabalhador, que exige uma escola pública que busque a formação de sujeitos para além do local que ocuparão no processo produtivo, pois à medida que a ciência torna-se a cada dia mais sofisticada, permitindo a simplificação do processo produtivo a processos mecânicos e manuais, em detrimento do uso dos recursos intelectuais dos trabalhadores, cabe ensinar ao estudante a refletir sobre esse novo contexto, contribuindo para que não seja excluído e também não esteja alienado.

Então perguntamo-nos, em que medida este ajuste tem afetado as escolas e as políticas públicas educacionais no Brasil?

Freire (2000) cita: “O mundo não é. O mundo está sendo. Não sou apenas objeto da História, mas seu sujeito igualmente. Caminho para a inserção, que implica decisão, escolha, intervenção na realidade”, portanto, ele retrata a razão emancipatória que possibilita a visão da totalidade, pois vivemos numa sociedade em que os homens privilegiam alguns princípios e ideias que nos desafiam constantemente refletir e refazer o cotidiano. Portanto, o processo de conscientização sempre se realiza em seres humanos concretos, inseridos em estruturas sociais, políticas e econômicas. Desse modo, podemos dizer, baseados em Marx, que a história se faz a partir da realidade imediata na qual estamos inseridos, de modo que enquanto escola pública, temos cada vez mais o dever de auxiliar na formação de uma consciência crítica e emancipatória nos estudantes.

Para tanto, é necessário compreendermos como é nossa sociedade e como prospectamos sua existência futura, estabelecendo a contradição entre o que é e aquilo que gostaríamos que fosse, demarcando a importância de superação de uma sociedade capitalista, marcada pela classificação, discriminação, exclusão de muitos em detrimento de poucos, rumo a uma sociedade mais justa, igualitária, democrática e humanizada, pois se para Freire (1997), o mundo enquanto uma dimensão histórico - cultural e, portanto inacabado, encontra-se em uma relação permanente com o ser humano, igualmente inacabado, que transformando o mundo, sofre os efeitos de sua própria transformação, para nós, é possível marcar transformações na história de vida de nossos estudantes a medida que contribuímos de forma diferenciada para sua formação.

Para caminhar rumo a uma sociedade diferente, tal como desejamos, cabe à educação a problematização do mundo do trabalho, das obras, dos produtos, das ideias, das convicções, das aspirações, dos mitos, da arte, da ciência, enfim o mundo da cultura e da história que, resultando das relações ser humano, mundo, desafia o próprio ser humano a constantemente rever suas ações sobre a realidade na perspectiva de humanizá-la, é preciso desenvolver no aluno uma posição de engajamento, compromisso e participação que o sensibilize para a sua dimensão humana (Saviani, 1985).

Do mesmo modo, Freire (1987, 40), refere-se ao ser humano como um sujeito de práxis, da ação e da reflexão, portanto um sujeito cognoscente, “a práxis é ação e reflexão dos homens sobre o mundo para transformá-lo”, por tanto, a função da práxis é possibilitar o pensar e o agir sobre o mundo para transformá-lo, pois o homem é um ser inacabado e único, curioso em relação ao mundo.

Nesse sentido, a escola tem uma participação muito importante na transformação da sociedade na medida em que inclui, em seus conteúdos curriculares a dimensão humanística, técnica científica, filosófica e político-social, colaborando quando se preocupa em desenvolver no aluno uma liderança mais criativa e solidária, inserindo este aluno no mundo real e complexo, fazendo-o compreender que as mudanças estruturais também necessitam da participação dele. Pois, a construção de uma sociedade solidária, crítica e criativa, também depende do aluno, sujeito ativo na sociedade.

Contudo, transformar a sociedade não é tarefa imediata e exige extremo esforço de conscientização e produção teórica de uma sociedade ideal dentro da sociedade real. Essa tarefa envolve toda a comunidade escolar, não apenas professores e alunos, que são os atores principais desse processo, pois o professor é o condutor, que aborda junto ao conteúdo de sua disciplina conhecimentos humanísticos que relacionam-se com a reflexão e a transformação da realidade imediata dos alunos que visam essa possibilidade de transformar o espaço e o tempo onde vivem.

Para a formação de uma sociedade diferente, em que os homens e mulheres se envolvam com questões sociais, busquem a justiça e a igualdade entre todos, há a necessidade de envolver também os pais dos alunos através de um processo de formação continuada, sistematizado especialmente para esse fim, voltando a família para questões como:



  • Preservação de valores simples: amizade, respeito, honestidade, solidariedade, ética;

  • resgate e valorização dos diferentes modelos de família na sociedade capitalista;

  • Função dos pais como educadores responsáveis pelos seus filhos;

  • Enfrentamento ao consumismo como forma de sobrevivência das futuras gerações;

  • A comunidade escolar enquanto sujeitos históricos com compromissos e responsabilidades sociais;

  • Relações de poder e trabalho na comunidade e na sociedade;

É importante que tenhamos clareza de que o desafio de refletir e agir com vistas a uma nova sociedade dentro da escola não deve levar em conta o consenso como ponto de partida, mas as contradições que favorecem a diversidade numa trajetória construída coletivamente na tomada de decisões que busquem o mesmo fim: uma educação de qualidade emancipatória1 que transforme a sociedade num lugar melhor para todos.

Não é possível discutirmos sobre educação emancipatória sem refletirmos sobre uma concepção de educação que também seja crítica e caminhe no mesmo sentido da emancipação humana. Logo, entendemos que a Educação é um exercício de cidadania, uma forma de desenvolver valores e atitudes vinculados aos direitos e deveres de cada cidadão no contexto onde o mesmo está inserido, diante da realidade que se apresenta, na qual, às vezes, aparenta ser invisível, às vezes, mostra que as pessoas são quase impotentes e ainda, às vezes, aparenta ser mais perversa do que humana. Esta realidade que aqui se apresenta é a nossa, ela é resultado daquilo que foi construído com os alunos no sistema formal de ensino e que estes consequentemente agem no meio onde vivem de forma a conscientizar mais a população sobre esta sociedade que parece estar mais preocupada em dar conta das imposições materiais e financeiras e, sem clareza de paradigmas que lhe são impostos, tanto econômicos como sociais.

Com isso, surgem alguns questionamentos junto aos educadores e demais agentes escolares: Qual o papel social da escola? Segundo dados levantados junto aos professores entende-se que a Escola busca constantemente reinventar sua identidade e a clareza de sua função específica diante da sociedade. Em muitos casos, mesmo tendo a ciência de que se trata de um local onde se aprende e produz conhecimentos, valores, técnicas, comportamentos, arte, tudo enfim que podemos sintetizar como nome de saber historicamente produzido de forma sistematizada, parece ser apenas um espaço e tempo onde os filhos podem ficar enquanto os pais trabalham tranquilos para sustentar a família.

Com a ampliação do acesso da classe trabalhadora, sobretudo após o fim da ditadura militar, ocorreu um fenômeno que permanece até hoje, denominado por Algebaile (2004, p. 15-20 – grifos da autora) como um processo de robustecimento da escola, em que a “expansão da esfera escolar decorre da permanente migração de ‘tarefas’ para a escola”, causando o “esgarçamento progressivo da esfera escolar para além do ensino e em seu detrimento”, com isso a escola passou a tratar da saúde do corpo e da mente das crianças. Para a autora, “o ‘robustecimento’ da escola implica seu empobrecimento como instituição destinada à formação, à relação com o conhecimento” (p. 173), ou seja, a escola pública começou um processo de desenvolver várias atividades que não estão relacionadas especificamente ao conhecimento escolar, mas ao suprir algumas necessidades básicas dos estudantes, ou como palco de projetos, muitas vezes fragmentados e descontextualizados do contexto escolar.

Apesar de, ainda hoje, essa realidade permanecer em alguns locais, muitas escolas já conseguem vislumbrar uma luz no fim do túnel, desenvolvem um papel importante no processo de formação dos sujeitos que lhe são confiados, por seus próprios méritos e dos profissionais da educação que nela atuam, assim, percebemos a possibilidade de reverter este quadro de incapacidade diante dos ditames da sociedade, cabendo à escola emancipar-se e ao mesmo tempo emancipar os alunos que a frequentam, afinal, é neste espaço que crianças e adolescentes passam cerca de 4 horas de seu dia, de modo a refletir: o que é possível ser feito para superar a formação escolar voltada para o assistencialismo, o desrespeito a diversidade e os diferentes tempos de aprendizagem, a reprodução da sociedade com uma formação alienada para o mercado de trabalho se os objetivos buscados pela escola não são apenas diferentes, mas antagônicos aos buscados na sociedade?

O papel desempenhado pela escola pública tem apontado perspectivas de reação à ausência de saber crítico nas escolas, mas muitos ainda atrelam o status da escola ao retorno econômico que ela é capaz de produzir, ou acreditam na falácia de que as pessoas com poucos anos de escolaridade não conseguem se empregar por causa de sua pouca formação, esquecendo-se que sob o capitalismo, a necessidade de uma boa formação acadêmica sempre se restringiu a um número relativamente pequeno de pessoas, servindo cada vez mais ao capital e esquecendo-se que a escola pública, paga com os impostos da população, tem funções mais importantes do que esta.



A escola fundamental reveste-se, assim, de uma dupla responsabilidade social: por um lado, é uma mediação indispensável para a cidadania, ao prover, de modo sistemático e organizado, a educação que atualiza historicamente as novas gerações; por outro, porque não pode dar conta de todo o saber produzido historicamente, ela precisa fazer isso de modo seletivo, priorizando aquilo que é mais relevante para a formação dos cidadãos. Tudo isso empresta uma extrema seriedade àquilo que a escola se propõe a fazer e àquilo que ela de fato faz (PARO, 1999, 09).

Educação é uma forma de atualizar a história e o professor é o mediador que serve de guia para nesse processo, então, não cabe abolir da escola o assistencialismo, as políticas públicas, a formação para o mercado de trabalho, ou as diversidades, cabe sim, instrumentalizar-se intelectualmente através de estudo e discussões, com o conhecimento necessário para tratar de todos esses assuntos de forma crítica e emancipatória, pois tratando-se de uma escola de periferia, em que cerca de 60% das famílias vivem com menos de dois salários mínimos, a assistência social2 também se faz necessária, mas que possa ser feito um controle rigoroso desses benefícios fazendo com que o aluno que recebe educação, leite, bolsa, merenda, enfim, qualquer tipo de assistência social que venha a suprir carências imediatas de suas família, retribua com efetivos resultados positivos em seus estudos, através da dedicação e de uma boa aprendizagem.

Consideramos importante que a “assistência seja desvinculada do aspecto de favor às crianças carentes, e entendendo-a como o início de um processo que futuramente poderá constituir-se em direito de todas as crianças”, pois se a base da educação de nosso país foi constituída por uma proposta liberal de educação, cabe-nos assumirmos, que há “a tendência avassaladora por parte do Estado e das camadas mais ricas de realizar assistência de modo assistencialista, (e) é fundamental insistir nas estratégias emancipatórias”(DEMO, 1994, p. 31).

Dessa forma, com coerência teórica os profissionais da educação estarão menos suscetíveis a imposições de políticas governamentais, que estejam contra os ideais de educação preconizado pela escola, assim como trabalhar-se-ão as diversidades culturais, sociais, de gênero, os diferentes tempos de aprendizagem e a formação para o trabalho, de forma crítica.



1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   ...   21


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal