Colégio Estadual João Paulo II projeto Político-Pedagógico 2017



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3.1 Diversidade dos sujeitos escolares


A complexidade observada na comunidade escolar nos faz perceber que somos diferentes uma vez que os estudantes, educadores e familiares lidam cotidianamente com as diferenças, pois historicamente

O racismo é uma produção social, ideológica e não biológica, que atinge a sociedade brasileira como um todo. Significa dizer que é um efeito intersubjetivo que cria barreiras contra o desenvolvimento pleno de pessoas e grupos, da mesma forma que justifica ações violentas esquivando seus agressores (as) do entendimento sobre a responsabilidade da ação (MÄDER, 2016, p. 15).



De acordo com levantamento realizado por Mäder (2016, p. 44), a quantidade de jovens negros que completaram o ensino fundamental entre 1987 e 2007 quase quintuplicou, conforme mostra o gráfico,

Esse crescimento pode ser considerado um grande avanço, especialmente se considerado na relação com avanço na escolarização dos brancos, que foi um pouco além de dobrar (230%), mas precisamos considerar 1) que esse avanço também se deu pelo incentivo ao acesso à escolarização das classes populares que ocorreu com o fim da ditadura militar, especialmente porque, a grande maioria da população brasileira constitui suas origens nas culturas africanas e indígenas e que portanto estavam fora dos bancos escolares e foram tomando seus lugares ao longo dessas décadas; 2) que a partir de 2003, aumentaram os incentivos tanto à autodeclaração como aos direitos civis dessas raças que até então discriminadas e excluídas da sociedade.

Nesse contexto, o ambiente escolar é, sem duvida, um espaço onde há uma grande possibilidade de compreender sobre a pluralidade cultural, racial, religiosa, social e sexual, em busca da superação do preconceito e da exclusão social, especialmente ao tratarmos de escolas públicas, que acolhe a todas essas diversidades em um mesmo local.

O termo preconceito é algo extremamente complexo, por isso a escola contribui para o ato de pensar, elaborar e praticar estudantes, visto que muitos deles não estão excluídos das inúmeras formas de discriminação. Contudo, podemos notar também que muitas escolas são reprodutoras da própria discriminação e que não desenvolvem, nem se quer tem interesse em buscar, propostas pedagógicas para se contrapõe ao preconceito que nela se apresenta.

De acordo com CRISTINE, (s/d),

O ideal é que todo educador tenha em mente a importância de propiciar ao seu aluno um ambiente que priorize e estimule o respeito à diversidade, ajudando a formar cidadãos mais educados e respeitosos que se preocupam com os outros, possuindo o espírito de coletividade3.

Em nossa realidade escolar, podemos perceber uma grande quantidade de alunos de origem negra, e o trabalho desenvolvido pela escola, à luz dos estudos da equipe multidisciplinar tem colaborado muito em dois sentidos: inicialmente, em relação à individualidade do ser negro, da autodeclararão de sua cor e consequentemente sua origem social e cultural, haja vista que de acordo como IBGE 2010, cerca de 70% da população do estado do Paraná se considera branca, precisamos muito discutir sobre o racismo.

Segundo Mäder (2016, p. 17), a autodeclaração

É oriunda de uma Política Pública iniciada em 2003, que possibilitou a implementação de ações governamentais como estímulo à preservação cultural e à manutenção da sobrevivência de comunidades tradicionais. A autodeclaração é uma atestação subjetiva de reconhecimento de si nas relações sociais e significativa quando apresentada, tendo em vista as que são tidas de forma negativa socialmente. O se declarar como negro(a) ou indígena nunca fora percebido como um signo de privilégio social, mas uma declaração de historicidade de exclusão.

Para num segundo momento a compreensão da importância do trabalho pedagógico desenvolvido em torno da desmistificação da invisibilidade da negritude desenvolvido pela escola através de vídeos, imagens, textos e reflexões do tema com ênfase na concepção de que o “racismo brasileiro foi constituído a partir da exploração de determinadas populações, que tiveram sua vida apropriada durante todo o processo colonial” (MÄDER, 2016, p. 15), buscando sempre dialogar com a experiência coletiva para o reconhecimento de saberes em busca do empoderamento dessa raça que, desconsiderando os dados estatísticos e, apenas pela observação da história da comunidade dessa escola, pertence a, no mínimo, metade das famílias.

Esse trabalho pedagógico de conscientização é importante, pois frequentemente as diferenças étnico raciais são consideradas negativas por serem identificadas como algo particular de um grupo cultural e não raro são um “aspecto de inferioridade em relação aos demais, levando alunos e alunas a um desempenho inferior à média e ao fracasso escolar” (MÄDER, 2016, p. 40).

Em momento algum realizamos uma pesquisa sistematizada para descobrir a etnia dos estudantes que reprovam ou abandonam a escola, uma vez que todos são constantemente incentivados a valorizar este espaço e a função social de ensino que ele representa em suas vidas, contudo, por tratarmos de uma escola de periferia, muitos alunos são negros e dentre esses, alguns deixam a escola para trabalhar precocemente, mudando-se para períodos noturnos em busca de melhorar o imediato da qualidade de vida de seus familiares, ou seja, as suas condições de sobrevivência imediatas.

A equipe multidisciplinar contribui enormemente no processo de construção dessa proposta de conscientização, pois é um espaço onde os professores podem estudar e discutir sobre esse tema com certificação, o que estimula muitos a participar e, nesse processo, ampliam seus horizontes e concepções sobre assuntos que não haviam refletido anteriormente, partindo do pressuposto de que “o diálogo cria uma abertura para olhar para o outro, possibilitando o aprendizado sobre o contexto cultural de cada um, propiciando a valorização da diversidade existente” (MÄDER, 2016:40).

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