Capitulo 2 – generos textuais 1 Ensino da leitura por meio dos gêneros textuais



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CAPITULO 2 – GENEROS TEXTUAIS

2.1 Ensino da leitura por meio dos gêneros textuais

Antes as escolas se atentavam muito em querer vencer o conteúdo programático, em acabar o assunto do livro didático junto com o ano letivo, ao se tratar da disciplina de língua portuguesa, objetivo maior era ensinar as regras gramaticais aos alunos. Até um certo tempo, era esse o ensino oferecido pelas escolas. Entretanto, Paulatinamente foram acontecendo algumas mudanças e aparecendo outros assuntos no livro didático, entre eles o ensino dos gêneros textuais. Porém a função dos textos na sala de aula era para “ler” e responder algumas questões de acordo com o texto, não fazendo um estudo profundo em relação aos textos apresentados. Não havia um objetivo mais concreto ao trabalhar com os textos. Com o avanço da tecnologia foi surgindo novos gêneros textuais e também aprimorando os que já haviam, assim foram descobrindo novas ferramentas para aprimorar o trabalho do professor, na utilização dos gêneros textuais dando mais credito à leitura e também à escrita.

Mas para que isso aconteça, o professor precisa ir além do livro didático, fazer do livro somente um guia e não um manual com regras a seguir, pois sabemos que livros didáticos deixam muito a desejar, pois seus conteúdos principalmente quando se trata de gêneros textuais, o livro nos apresenta fragmentos, muitas das vezes apresentando somente alguns trechos e dando importância maior para o estudo da gramática, pontuação, ortografia sempre dividindo o ensino em estudo do texto, estudo da gramática e interpretação de texto, ensinando o que o aluno já conhece e passando despercebido o que eles ainda precisam conhecer, deixando lacunas principalmente a respeito dos gêneros textuais tanto na parte da leitura quanto na da escrita, sem haver aprimoramento e principalmente a importância de estudar tal gênero.

Nesse caso o professor precisa buscar além do livro didático outros tipos de material, que possa enriquecer seu trabalho, assim como a receita culinária, o gibi, livros de literatura, bula de remédio, revistas diversificadas. Enfim, buscar material que possa aprofundar o processo ensino/aprendizagem, trabalhar a leitura de forma ampla sempre abordando as competências necessárias para que o aluno seja um leitor proficiente, ressaltando que os diversos gêneros apresentam características diferentes, mas que cada um tem uma informação especifica, algo particular que pode ajudar na formação do leitor.

Ressaltando que a leitura e a escrita precisam caminhar juntas, a atividade da leitura alimenta a escrita, pois o aluno que sabe o que ler, saberá escrever com coesão e coerência. Mas para que essas habilidades cheguem a ser desenvolvidas nos alunos, algumas estratégias deverão ser seguidas para que aconteça o processo ensino/aprendizagem. Nesse sentido o estudo dos gêneros devem ser feito de forma minuciosa, extraindo o que tem de mais importante ao ensinar tal gêneros assim como além de ensinar os tipos de gêneros, as características dos gêneros as especificidades dos gêneros, as diversidades de gêneros como também a importância deles dentro e fora do ambiente escolar.

Na perspectiva de ensinar os gêneros textuais em sala de aula, mesmo os mais comuns o professor tem que ter em foco o que quer ensinar para o aluno, Dolz(2004), ao falar do gênero na escola ele nos exemplifica com alguns gêneros bastantes utilizados nas aulas que tem como objetivo permitir que o aluno conheça suas características como também a importância para o ambiente, é o caso do gênero debate que é bastante utilizado nas reuniões de conselho de classe, onde as ideias expostas e defendidas é para a melhoria do ambiente escolar. Outro gênero que ele apresenta é o jornalístico que também tem sua função dentro do ambiente escolar, principalmente quando se tem na escola os jornais mensais. Esses exemplos nos levam a refletir que cada gênero exposto ao aluno precisa apresentar o objetivo de ser ensinado e qual o valor da leitura.

Tendo como objetivo aprender a dominar o gênero e também desenvolver as capacidades que possam ir além do conhecer a leitura minuciosa e crítica dos gêneros ajuda a destacar as características e função de cada um e a respeito desse conhecimento Dolz e Schneuwly (2004) nos remete a seguinte informação:

Toda introdução de um gênero na escola é resultado de uma decisão didática que visa a objetivos precisos da aprendizagem, que são sempre de dois tipos: trata-se de aprender a dominar o gênero, primeiramente, para melhor conhecê-lo ou apreciá-lo, para melhor saber compreendê-lo, para melhor produzi-lo na escola ou fora dela; e, em segundo lugar, de desenvolver capacidades que ultrapassam o gênero e que são transferíveis para outros gêneros próximos ou distantes. Isso implica uma transformação, pelo menos parcial, do gênero para que esses objetivos sejam atingidos e atingíveis com o máximo de eficácia: simplificação do gênero, ênfase em certas dimensões etc.

Partindo dessa perspectiva apresentada pelos escritores em relação ao gêneros de conhecer e relacionar é bom que o professor sempre tenha em mente o que quer que o aluno aprenda com o ensino do gênero proposto, outro ponto a ser destacado no trecho acima é o desenvolver a capacidade que ultrapassem o gênero a transferência para outro gênero próximo, fazendo uso dessa linha de raciocínio é interessante trabalhar o gênero carta, apresentando o objetivo, a função e a importância desse gênero e fazer uma comparação com o gênero e-mail, que foi a evolução do gênero carta através das novas ferramentas apresentada com o avanço da tecnologia, onde o aluno possa fazer sua leitura e chegar à conclusão que o objetivo dos dois gêneros e passar uma mensagem, porém podendo usar recursos diferentes e também com mais praticidade.

Entretanto, cabe a escola não só apresentar, como também ensinar e trabalhar os diferentes gêneros textuais, tendo em vista a adequação de cada um conforme o nível de ensino no qual se encontra. Ressaltando que quanto mais cedo o aluno tiver contato com os textos, mais habilidade terá para utilizá-lo, deixando claro para o aluno que cada gênero tem seu objetivo ao se reproduzido, sendo de forma oral ou escrita, cada um apresenta suas características. Por exemplo quando iniciamos uma frase ‘Era uma vez’, logo vem em mente que trata de contos de fada, que por sinal tem outra característica bem peculiar que se distingue de outros, pois sabemos que terá um final feliz. Quando encontramos “O papagaio de d. Maria” já temos em mente que se trata de uma piada. Todavia, são essas características que os alunos devem observar de imediato, do que gênero trata e isso se dá no momento que o aluno consegue ler e compreender o gênero utilizando de conhecimentos prévios, fazendo uso das habilidades de leitura que já possui.

Apesar dos livros didáticos apresentarem os mais populares tais como: narração, dissertação e descrição, cabe ao professor da turma fornecer aos alunos os novos gêneros, e também trabalha-lo de acordo com a necessidade. É interessante que o aluno conheça a estrutura de um texto dissertativo, assim também como o descritivo, que ele saiba distinguir uma narração de uma descrição. Essas distinções podem ser ensinadas na escola desde do momento que o aluno compreender. Mas também é de suma importância que o aluno analise um artigo de opinião, uma crônica, uma carta e etc. Que esteja atento aos novos gêneros que vem surgindo. Pois com o avanço da tecnologia e o uso de novas ferramentas na era digital foram criando novos gêneros e velhas bases como nos apresenta Marcuschi (2005):

Nos últimos dois séculos as novas tecnologias da área e da comunicação fizeram surgir novos gêneros textuais. Isso se deveu à intensidade dos usos dessas tecnologias e suas interferências nas atividades comunicativas diárias. Assim, o rádio, a televisão, o jornal, a revista, a internet, etc. Vão proporcionando e abrigando gêneros textuais novos bastante característicos: editoriais, telemensagens, teleconferências, videoconferências, e-mails, chats, aulas virtuais, etc.

Esses novos gêneros expostos por Marcuschi com avanço da tecnologia, mesmo estando entrelaçado a outros, poderão ser utilizados em sala de aula como uma proporção ainda maior do que os anteriores. Por exemplo ao se trabalhar com o gênero e-mail, por intermédio da internet, tendo como destinatário o secretário de educação municipal, para falar sobre o transporte escolar que não está indo buscar os alunos no meio rural. Nesse momento pode apresentar para os alunos outro gênero que tem o mesmo objetivo de informar, apresentando para ele o gênero carta, fazendo uma abordagem sobre os dois gêneros. Portanto, podemos através dos gêneros textuais despertar o conhecimento dos alunos para a diversidade dos gêneros e também fornecer aos alunos quando e onde podem ser usados.

Também é importante que fique claro para o aluno que o guia de instrução de como usar o aparelho de televisão é um gênero textual, que a bula de remédio também é outro gênero, e que essas informações usadas no dia a dia caracterizam um gênero entre os diversos que existem e que tem uma função particular dentro do contexto geral. Logo, trabalhar com gêneros é despertar no aluno o entendimento das diversidades que existem, e que não surgiram por acaso, mas sim como informações precisas para o conhecimento da língua portuguesa e é de suma importância para a formação do aluno leitor.



2.2 Estudar os gêneros do narrar e suas dimensões ensináveis

É importante o professor salientar para o aluno que o gênero narrativo faz parte de sua vida, que desde sua infância já convivia com o gênero através das histórias lidas por seus parentes, pelos jogos narrados na sua adolescência, pelas invenções ao ver as imagens nos livros de historinha. Que o papel da escola nesse momento é aprofundar sobre determinado gênero, caracterizá-lo e principalmente tê-lo como objeto de leitura, onde o aluno possa não só identificar os gêneros como fazer relações com outros já conhecidos. Como veremos no trecho abaixo de Roland Barthes:

A narrativa deve ser sustentada pela linguagem articulada, oral ou escrita, pela imagem, fixa ou móvel, pelo gesto ou pela mistura ordenada de todas essas substancias; está presente no mito, na lenda, na fábula, no conto, na novela, na epopeia, na história, na tragédia, no drama e etc. (...) a narrativa está presente em todos os tempos, em todos os lugares, em todas as sociedades; a narrativa começa com a própria história da humanidade; não há, não há em parte alguma povo algum sem narrativa; todas as classes, todos os grupos humanos tem suas narrativas, e frequentemente essas narrativas são apreciadas em comum por homens de cultura diferente, e mesmo oposta(...) (Sales,2009. p19)

Barthes nos presenta a essência da narrativa de forma geral, relatando a importância de conhecê-la e vivenciá-la no dia a dia. Por esse motivo, que a escola com suas competências e habilidades voltado para o eixo temático da leitura, tem como objetivo proporcionar o estudo dos gêneros destacando o motivo pela qual estar a ensinar e o que realmente o aluno tem que aprender e qual a leitura deve fazer no âmbito escolar assim também como fora dele, ou seja, para sua formação com leitor proficiente.

Já observamos que o gênero do narrar é bastante amplo e requer bastante atenção para que seja estudado e compreendido, embora muitos estudiosos já fizeram análises e estudos a respeito dos gêneros cabe aos escritores Dolz, Schneuwly e colaboradores o agrupamento deles, em relação aos gênero do narrar ele vai do conto maravilhoso ao conto paradiado, cada um com sua estrutura, diversidade e peculiaridade. Assim como nos relata (Naspolini,2009).

“Todo texto apresenta uma determinada estrutura, que o caracteriza como sendo de um e não de outro gênero. Assim, toda narrativa traz personagens, ambientes, clímax e desfecho”

Aprimorando o que Naspolini nos emiti é importante conhecer a estrutura dos gêneros e qual a função dele na organização do texto, ao se trabalhar com o gênero do narrar, a estrutura é bem mais abrangente, abordando do enredo ao desfecho, portanto o conjunto dos fatos narrados, enredo, apresenta introdução, complicação clímax e desfecho, de um modo geral o gênero do narrar além de ser amplo cada parte de sua estrutura se decompõe em outras, assim tornando bem mais interessante o ensino.

É importante que fique claro para o aluno que não uma simples narração que ela apresenta seu valor, que cada elemento que a compõe tem um significado maior dentro do todo, e a leitura do gênero ajudará na formação do aluno, sabendo que a leitura realizada faz com que desperte no leitor alguns questionamentos, fazendo com que ele apresente uma leitura crítica e dinâmica, fazendo pergunta ao texto, interrogando e não sendo um leitor pacífico diante do texto exposto.



2.3 Trabalhando as características do gênero narrativo

Qualquer texto seja ele verbal ou não verbal, ajuda no processo ensino/aprendizagem, cabe a escola em especial ao professor o método de como explorá-lo, cada gênero tem sua função especifica a ser trabalhar, nenhum gênero foi criado por acaso e isso deve ser repassado para os alunos quando for apresentados os gêneros textuais como objeto de estudo.

De acordo com a gramática Houaiss(2014) os textos tinham uma forma de serem organizados e era a mais comum:

A narração era a sequenciacão própria da enunciação de fatos que envolvem personagens movidos por certos propósitos e respectivas ações encadeadas na linha do tempo, seja por simples sucessão cronológica, seja também por relação de causa e efeito. A descrição tipo de construção textual em que se encadeiam os traços que servem para caracterizar a composição de um ambiente, de um ser vivo, de um objeto, de um conceito, de um evento. A argumentação consiste no encadeamento de proposições com vista à defesa de uma opinião e ao convencimento do interlocutor. E a Injunção no emprego de formas da linguagem com que o enunciador explicita sua intenção de levar ao destinatário, ouvinte ou leitor, a praticar atos ou ter atitudes.(grifo nosso)

Observa-se que esses conceitos apresentados são bem resumidos, embora os gêneros possuam uma função bem maior nos textos. Não só expor, explicar, relatar e narrar, mais também de aprimorar a interpretação o conhecimento de cada um. Porém, cabe ao professor alargar esses conceitos, a explorar, a fazer uma leitura mais aprofundada, conhecendo as características e também a maneira de ser usado. Logo, cada gênero de texto necessita de um ensino especifico, pois apresenta características distintas.

Nos estudos realizados por de Dolz, Schneuwly e Colaboradores (2011), eles utilizam uma maneira onde fazem uso de agrupar os gêneros levando em consideração três critérios, como veremos a seguir:



  1. Correspondam às grandes finalidades sociais atribuídas ao ensino, cobrindo os domínios essenciais de comunicação escrita e oral em nossa sociedade;

  2. Retomem, de maneira flexível, certas distinções tipológicas, da maneira como já funcionam em vários manuais, planejamentos e currículos;

  3. Sejam relativamente homogêneos quanto ás capacidades de linguagem implicadas no domínio dos gêneros agrupados.

Depois da análise dos três critérios abordados temos a seguinte organização.


DOMINIOS SOCIAIS DE COMUNICAÇAO

CAPACIDADE DE LINGUAGEM DOMINANTE

EXEMPLO DE GENEROS ORAIS E ESCRITOS

Cultura literária ficcional

NARRAR

Mimeses da ação através da criação de intriga




Conto maravilhoso

Fábula


Lenda

Narrativa de aventura

Narrativa de ficção cientifica

Narrativa de enigma

Novela fantástica

Conto parodiado



Documentação e memorização de ações humanas

RELATAR

Representação pelo discurso de experiências vividas, situadas no tempo



Relato de experiência vivida

Relato de viagem

Testemunho

Curriculum vitae

Notícia

Reportagem



Crônica esportiva

Ensaio biográfico




Discussão de problemas sociais controversos

ARGUMENTAR

Sustentação, refutação e negociação de tomadas de posição



Texto de opinião

Diálogo argumentativo

Carta do leitor

Carta de reclamação

Deliberação informal

Debate regrado

Discurso de defesa (adv.)

Discurso de acusação (adv.)




Transmissão e construção de saberes

EXPOR

Apresentação textual de diferentes formas dos saberes




Seminário

Conferencia

Artigo ou verbete de enciclopédia Entrevista de especialista

Tomada de notas

Resumo de textos “expositivos” ou explicativos

Relatório cientifico

Relato de experiência cientifica


Instruções e prescrições

DESCREVER AÇOES

Regulação mútua de comportamentos



Instruções de montagem

Receita


Regulamento

Regras de jogo

Instruções de uso

Instruções


Com esse novo modelo de agrupamento, tem uma visão mais ampla para trabalhar com os gêneros textuais em sala de aula. Sempre tendo o professor como orientador e propositor de atividades que favoreçam a compreensão dos gêneros. Essa forma criteriosa apresentada pelos estudiosos, não só facilita como prioriza o ensino dos gêneros textuais. Porém, os matérias didáticos oferecidos pelas escolas ainda são carentes ao expor os gêneros textuais, eles ainda abordam aquela didática antiga, enfatizando os mais populares e sempre usando a mesma metodologia de décadas e décadas.

Mais uma vez o papel do professor em sala de aula vai ser de suma importância para o aprendizado no aluno, pois o professor além de ser professor tem que ser, ou agir, como pesquisador, adaptando o material de sala de aula, do livro didático com a realidade e necessidade dos alunos. Direcionando seus alunos também para o caminho da pesquisa e facilitando à vida leitores proficientes.

2.4 Como se lê esses gêneros

Para que faça uma leitura adequada dos gêneros, é importante saber primeiramente de sua especialidade, objetivos, características e função. Por isso é fundamental que apresente essas características aos alunos, sempre abordando o objetivo do estudo, da leitura, fazendo com que o aluno perceba no que aquela fábula vem lhe ajudar a respeito de conhecimento e qual a leitura mais adequada para fazê-lo. E também qual o aprendizado que quero que os alunos tirem de cada gênero, qual a leitura que o aluno aprenderá ao estudar os gêneros. Portanto ao se falar ao gênero fábula apresenta-se a seguinte informação:

“As fábulas são narrativas curtas, histórias que tomam corpo e transmite uma mensagem. As histórias são fictícias, inventadas, mas simulam verdades universais e são formas poéticas de recomendar e demonstrar algo.” (Caton,2006, p.9).

Logo essa é a primeira visão que o aluno deve ter ao ler o gênero fábula, também conhecerá a fábula como uma história engraçada e interessante, querendo logo se atentar para a moral da história.

Portanto as fábulas foram criadas, ou melhor, contadas com efeito de desmascarar, criticar e até mesmo condenar certas atitudes dos homens perante a sociedade, foi uma forma de denunciar certos atos cometidos, por isso que elas eram contadas para os homens tendo como personagens os animais. Com o passar do tempo, elas foram apresentadas às crianças já com um novo objetivo, mas não deixando de apresentar sua moral.

Isso nos leva a entender que o gênero fábula tem como objetivo despertar no aluno uma leitura sábia e crítica de como lidar com certas situações, como interpretar algumas atitudes do dia a dia. Os questionamentos levantados, as informações repassadas podendo fazer sua própria leitura. Enfatizando que a fabula é um gênero narrativo curto que tem como objetivo passar uma mensagem ao leitor. Na maioria das vezes essa mensagem torna-se uma forma de questionar alguns gestos tortos apresentados por homens. Os personagens desse gênero sempre são animais, representado força, coragem, astúcia, esperteza.

Esse gênero nos propõe um trabalho dinâmico, criativo e interpretativo com os alunos tendo sempre como objetivo a análise e a interpretação do texto, o que deve ser ensinado e aprendido, sempre tendo em foco, de como o gênero ajuda para a formação dos leitores. Já sabendo que as fábulas apresentam uma leitura rápida e prática, porém tem muito a ensinar aos alunos, muitos questionamentos poderão ser feitos ao analisar uma fábula, assim formando leitores críticos, pensantes e atuantes diante das situações apresentadas. Um leitor que consegue ultrapassar as linhas de um texto com clareza saberá ler o que está reservado nas entrelinhas, apresentando habilidades para decodificar qualquer tipo de texto, qualquer gênero literário, da pequena anedota como os grandes romances.

Logo, o papel do professor em trabalhar com o gênero fábula, vai além de (tirar o personagem principal, de perguntar o que aconteceu, quem venceu), mas sim, em despertar no aluno uma leitura dinâmica como também de ir além das entrelinhas, onde possa recontar as fábulas, transformar, analisar o papel dos personagens, enfim, fazer uma leitura crítica do que leu e aprendeu. Ressaltando que muitas são as estratégias de ensinar leitura para o aluno, ela vai da forma mais simples como nos descreve Saussure ao falar de (objeto e signo), como a apresentação dos gêneros como nos ressalta Bakhtin.

Mas ao se falar em leitura por meio de gêneros, é bom que conheça as características, para que tenha uma visão mais ampla, encontrando uma forma de facilitar o ato da leitura, podendo fazer inferências e chegando a sua própria conclusão dentro do contexto, assim como o que faz eu dizer que esse texto é um discurso, que esse outro é uma narração e o terceiro uma dissertação. Todavia são essas características que devemos ensinar aos alunos; e ao se tratar do gênero narrativo é bom que o aluno saiba ou aprenda a distinguir uma lenda de uma fábula, um romance de uma novela, uma crônica de um conto.

Essas diferenças são adquiridas no momento que o aluno entra em contato com os diversos gêneros, não só lendo, mais como também escrevendo, construindo o processo ensino/aprendizagem. Ao se tratar do gênero narrar é importante ressaltar para os alunos quais os tipos de textos que fazem parte desse gênero. Sobre o gênero do narrar Schneuwly, Dolz e colaboradores no livro gêneros orais e escritos na escola, (2010) classificam como aspectos tipológicos destacando no narrar (conto maravilhoso, fábula, lenda, narrativa de aventura, narrativa de ficção cientifica, narrativa de enigma, novela fantástica e conto paródico.

Por isso, é necessário que os alunos tenham uma visão geral, sabendo qual a característica de um e qual é de outro, dando ênfase ao processo ensino/aprendizagem, podendo ser ensinado aos alunos estratégias de leitura, escolhendo alguns gêneros. Vamos enfatizar aqui o gênero narrar, já sabendo que esse gênero tem como objetivo relatar algum acontecimento, ressalvando lugar, personagem, tempo, espaço, desfecho. E é, fazendo uso desse contexto que faz-se necessário o uso de leitura não só dinâmica como crítica. Dinâmica pelo fato de organizar a leitura em grupo, dramatizando os personagens, sendo narrador, fazendo uma leitura compartilhada e crítica ao fazer uma análise de acontecimentos. Respondendo (o como? o por que? quem foi?), exercendo esse papel, levará a despertar as estratégias de leitura. Como nos diz Moacyr Scliar (200, p.08) “ Contar e ouvir história é fundamental para os seres humanos, parte do nosso genoma” tornando o aluno mais atento e ativo ao meio letrado.

E é trabalhando esse dinamismo atento e ativo da leitura que enfatizaremos outro gênero, agora falando do gênero lenda. Neste gênero também temos muito a ensinar para o ensino da língua portuguesa.



A lenda é uma narrativa de composição simples. Exige uma ação, um desenrolar, um plano lógico. Não há lendas inúteis e desinteressadas, todas doam alguma coisa à sociedade que a constrói, seja material ou abstrata. Através de determinada história a lenda tenta explicar alguns elementos da natureza, ou apresentar uma experiência de vida, indutora de reflexões, prevalecendo uma moral ou ensinamento.

    1. Como didatizar os gêneros Fábulas e lendas

Para que o aluno tenha uma compreensão maior a respeito dos gêneros é bom que o professor utilize uma metodologia onde possa abranger tudo o que deseja ensinar em relação a determinado gênero. Logo, existe várias maneiras de didatizar um gênero, depende do objetivo que queira alcançar no processo ensino/aprendizagem. Apesar dos livros didáticos fazerem uns recortes bruscos, tirando e transformando a essência da história, omitindo fatos importantes, até deixando o texto sem seu real sentido, apresentando somente alguns fragmentos. Existe uma forma bem peculiar desenvolvida e utilizada pelo grupo genebrino, que alguns professores tem conhecimento e fazem uso, que é usar-se da sequência didática apresentada Dolz, Schneuwly e colaboradores (2011). Pois nessa sequência a todo um processo a seguir. Assim como nos demonstra a figura abaixo

Mas quem consegue usar esse método, ou melhor, essa sequência didática alcançará um resultado eficaz. No entanto, ao didatizar o gênero fábula primeiramente há apresentação do gênero de forma onde o aluno possa compreender do que se trata o gênero, assim como o objetivo do qual foi criado, o propósito de se estudar o gênero. Depois que o aluno obtiver essas informações de forma clara, pode adentrar no assunto, buscando informações do aluno a respeito do gênero, se conhecem, se já ouviram falar, se já leram alguma fábula, se conseguiram entender a mensagem repassada. Logo após, pode apresentar algumas fábulas para os alunos, fazendo leitura individual e também em grupo, onde o aluno possa compreender o sentido das palavras que constituem a fábula, os personagens e o papel que exercem dentro do texto.

Ainda numa perspectiva de fazer com que o aluno aprofunde a leitura das fábulas, é bom que peça que ele analise e façam comparação com outras que também apresente a mesma moral, o mesmo estilo, que apresente histórias parecidas, que possa buscar nas entrelinhas o que aquele texto quis repassar, qual a leitura que deve fazer ao comparar as fábula com os dias atuais. Também pode explorar no estudo do gênero fábula a situação, o contexto, uma interpretação a nível de interrogação. Por que? Como? Enfim, ensinando que a fábula não é apenas uma história, com personagens animais, mas sim, que é um gênero onde pode-se fazer uma leitura crítica e analítica dos fatos ocorridos. Como bem diz Marcuschi (2008, p. 231), “Compreender não é um simples ato de identificação de informações, mas uma construção de sentidos com base em atividades inferenciais”. Seu pensamento nos leva a refletir, para compreender melhor um texto, é preciso sair dele, inter-relacionar conhecimentos, fazer comparações, levantar hipóteses, tirar conclusões e produzir sentidos, esse é o papel fundamental do professor/orientador perante o aluno no processo ensino/aprendizagem.

Com o gênero lendas também pode seguir o mesmo procedimento, já que que as lendas tem como objetivo apresentar uma experiência de vida, um ensinamento dos mais antigos, um desenrolar misterioso, um fato que não consegue ser explicado através da razão, mas sempre prevalecendo uma moral um ensinamento, assim como as fábulas.



Entretanto, a didatizaçao desse gênero em particular é uma forma de apresentar o imaginário popular, a formação da cultura é fazer com que o aluno conheça, perceba e valorize as lendas populares, os relatos, as experiências contadas por pessoas de sua comunidade. Também é despertar no aluno que aquela história contada debaixo da mangueira tem sentido e que pode ir além da imaginação, que pode ser transformada em leitura de interação de transformar o oral no escrito, fazendo releitura do que ouviu, analisando os fatos, conhecendo os valores e compreendendo a realidade.

Portanto a didatizaçao dos gêneros fábulas e lendas têm como objetivo facilitar o conhecimento do aluno, numa perspectiva de apresentar para eles, a importância, a valorização, as propriedades, os fatos, as características. Enfim, trabalhar com uma proposta onde o aluno não só conheça, mas saiba usar os gêneros de acordo com os ambientes. Lendo, compreendendo e valorizando assim tem um bom êxito no processo ensino/aprendizagem, principalmente quando se trata de leitura.


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