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BRUDER KLEIN



Textos Especiais

Registro requerido: EDA/BIBLIOTECA NACIONAL

Todos os direitos reservados por José Wladimir Klein; É proibida a reprodução por quaisquer meios sem a autorização por escrito do autor.

Pequenos trechos poderão ser citados desde que seja dado o crédito ao autor: Bruder Klein

Sempre estamos escrevendo e alguns textos ficam esquecidos e vão se acumulando até o dia que deles nos lembramos e procuramos reuni-los para compor um novo trabalho; por isso a nossa intenção seria denomina-lo “Textos Esquecidos”. Entretanto fomos autorizados a incluir dois textos que enriqueceram sobremaneira esse trabalho que são: Um testemunho de uma nossa amiga e irmã em Cristo, Da. Nair Nascimento, dando-nos exemplos de vida aos seus 96 anos de idade; o outro de minha esposa, Cleusa de Souza Klein, dando um testemunho da luta e vitória no tratamento de um câncer, reforçando a nossa fé em um Deus amoroso e misericordioso que sempre está trabalhando para que aconteça o melhor em nossas vidas. Assim já não poderíamos denominar este trabalho de “Testos Esquecidos“ e sim de “Textos Especiais”

Refletir Para Não Cair.

A nossa vida caminha como há havíamos traçado; alcançamos uma posição confortável em todos os aspectos e por isso nos sentimos seguros, considerando que, se Deus nos abençoou poderemos descansar e seguir em frente, apenas usufruirmos daquilo que conquistamos. Mas as coisas não são assim, não existe nada definitivo, senão aquilo que conquistamos com critérios sadios e quando não deixamos em nosso rastro uma quantidade enorme de contradições, imperfeições e mágoas. Por muito sólida que se apresente a nossa situação, repentinamente poderemos cair do pedestal e nos esborracharmos no chão duro das desilusões. Esse risco existe em todos os aspectos de nossa vida, quer o material, espiritual, emocional ou econômico financeiro.

Precisamos ser mais do que uma pessoa comum para podermos organizar as nossas vidas em plataformas sólidas que nos garantam a continuidade de um estado de tranquilidade tão necessário para um equilíbrio emocional.

A perda de bens materiais advinda de má administração de nossos recursos poderá acarretar-nos uma situação de frustração e abatimento, tirando-nos a capacidade de raciocínio, transformando-se em uma imensa bola de neve que nos arrastará junto.

As nossas perdas emocionais, entretanto, é que nos transportará para uma situação da qual dificilmente conseguiremos nos libertar. O relacionamento entre as pessoas é muito importante para a nossa saúde mental. Infelizmente nos apropriamos de situações que não poderemos manter independente de nossa vontade. O sentimento de amor e companheirismo, tão necessário para a nossa evolução mental, para que possamos viver esplendidamente, está sempre pendente de encaminhamentos que fogem ao nosso controle. Ninguém é de ninguém; mesmo havendo uma mutualidade no sentimento deveremos tomar cuidado para não transformarmos as pessoas em objetos dos quais nos arvoramos proprietários, matando o sentimento. O relacionamento entre as pessoas é repleto de detalhes que poderão reforçar ou prejudicar o entendimento. É necessário que respeitemos os nossos parceiros como pessoas, dando-lhes o valor que lhes é devido. Jogarmos a culpa para o nosso companheiro é uma maneira de nos isentarmos de responsabilidade, mas deteriora o que mais prezamos a vida em comum, onde o amor mútuo é desenvolvido. Corremos o risco de perdermos a pessoa amada, mesmo por não sabermos que a amamos realmente, considerando que viveremos felizes sem a sua companhia. Deteriorado o relacionamento, cada um dos parceiros irá procurar desenvolver a sua vida e constatarão que deixaram para trás a oportunidade de serem felizes. A felicidade é construída através da compreensão, de se abrir mão de muitas coisas que satisfarão, às vezes, até exigências descabidas. O tempo é que poderá preparar os espíritos para que os parceiros tomem ciência que se amam de verdade, então podendo usufruir desse bálsamo precioso que é o amor, sentimento incondicional, sem cobranças de qualquer natureza.

Jesus nos ensinou (Lucas 14:28-33) que deveremos medir as consequências de nossos atos enquanto estamos a caminho; deveremos fazer as contas e pesar as vantagens e desvantagens de qualquer decisão que venhamos a tomar, porque depois de consumada dificilmente conseguiremos voltar atrás, e isso nos transportará para um sentimento de insatisfação e infelicidade que jamais se apagará.

Porque sou assim?

“O meu coração está profundamente abatido, e por isso eu penso em Deus”. (Salmo 42:6 BLH).

Existem momentos em que nos sentimos abatidos e desalentados, as lágrimas afloram, nos parecendo que a solução para os nossos problemas não tenha jeito; é quando deveremos olhar para Deus, reconhecendo a Sua sabedoria e que Ele sempre deseja o melhor para nós (Romanos 8:28). Só assim poderemos desvencilhar-nos de nossas dificuldades e encontrar a paz e a tranquilidade para prosseguirmos a caminhada!

Esse estado interior nos obriga a reflexionarmos sobre a vida, e principalmente a nossa vida, quais as influências que ela sofreu para chegarmos ao estágio atual.

Temos que pensar inicialmente de onde viemos, qual a nossa herança genética e em que meio chegamos a este mundo, sofrendo a influência daquelas pessoas que nos cercavam.

A simplicidade do meio em que tivemos a oportunidade de evoluirmos não nos apresentava muita oportunidade, tendo de buscarmos, dentro de nós mesmo, o potencial que poderia oferecer o conhecimento de coisas que seriam úteis à nossa vida.

A época também se apresentava bastante limitada, não oferecendo oportunidade de uma formação intelectual. Como buscar, então, alcançar os sonhos que povoavam a nossa mente e coração? Tanto no campo intelectual, físico, emocional e espiritual, os obstáculos eram imensos.

Quando terminamos os quatro anos do “Grupo Escolar”, e desejosos de seguirmos os estudos para alcançarmos capacitação para a vida, deparamos com o obstáculo que cerceava essa aspiração. Órfão de pai aos dez anos de idade, a muito custo conseguimos terminar o curso primário, que seria a única formação que conseguiríamos, dado à dificuldade de continuidade, tanto pela nossa situação de família pobre, como para alcançar os centros mais distantes onde poderíamos continuar os estudos. Paramos aí e imediatamente tivemos de começar a exercer atividades com a qual pudéssemos ajudar nas despesas do lar.

Passamos por alguns lugares que não ofereciam oportunidades de evolução, até que, através do patrão de minha mãe (ela foi trabalhar de cozinheira quando ficou viúva), conseguimos um trabalho que nos garantiria oportunidade de progredirmos tão só pela nossa força de vontade. Percebemos, então, que mesmo não tendo oportunidade de estudar, deveríamos de alguma forma, conseguir conhecimentos para podermos competir em um mundo onde só vencem os mais capazes. A leitura era o caminho, pois através dos livros poderíamos, mesmo dispondo de pouco tempo, somarmos conhecimentos que nos seriam úteis através da vida. Desenvolvi essa tarefa com um prazer inigualável e foi isso que me fez descobrir um pequeno talento que ajudaria a me realizar como pessoa. A leitura me levou a desejar escrever, e mesmo sem saber, sem ter a mínima formação, “escrevendo de ouvido”, captando o estilo pelas leituras que realizava, fui produzindo alguns textos, que embora imperfeitos, exerciam alguma comunicação, porque vinham diretamente do coração. Isso passou a fazer parte de minha personalidade e aqueles textos, “os versos de pés quebrados”, passaram a representar partes de mim, verdadeiros filhos de minha sensibilidade. O que escrevia não era dirigido a alguém e sim a quem deles se apropriasse.

Aquelas joias preciosas passaram a fazer parte de mim e comecei a colecioná-los, como filhos dos quais eu dependia, correndo o risco de ser destruído através da destruição dos mesmos. Guardei-os para que algum dia, quando não estivesse mais aqui, quem os folheasse pudesse conhecer, através deles, quem fui eu, como pensava, quais as emoções que vivi em cada instante de minha vida.

Não sei se compreenderão essa minha fixação pelos meus textos, pois com eles homenageio aquelas pessoas que comigo convivem, que desejem compartilhar comigo os instantes de criação; mesmo sabendo que eles não poderão ser importantes para ninguém além de mim.

Mas para mim são como filhos, não pela razão de terem sido escritos a alguém que porventura haja passado em minha vida, mas pelo seu valor intrínseco, que se liga a mim, através da alma e do coração; amar a mim é amar aos meus textos porque estamos completamente integrados. Destruí-los será como executar a um filho ou a mim próprio.

Mas mesmo assim, talvez tenha de destruí-los porque eles ferem a suscetibilidade de quem amo e não desejo que esse amor seja destruído, embora isso se constitua em uma execução sumária de minha personalidade; como existir sem aquilo que produzi que é a única marca da personalidade que construí?

Encontro-me em um dilema, estou muito triste, sem saber o que possa fazer, mas mais importante do que eu próprio, mais importante do que a minha personalidade, de minha própria vida é o amor que consegui alcançar depois de muita busca. Esse amor, hoje, me faz feliz e desejaria conservar na lembrança esse sentimento maravilhoso; sentimento que poderá se eternizar pelo sacrifício de mim mesmo.

Como a vida é incerta! Como acabamos encontrando uma encruzilhada onde teremos de tomar decisões que poderão nos destruir! Mas temos de ser compreensivos, se desejamos que sejam compreensivos conosco. E vou abdicar de meus escritos; transformar-me-ei em uma folha em branco. A ironia será não desejarem mais ler em mim, pois serei um ser sem conteúdo!

Falar ou Calar

Ainda que possamos nos manter em silêncio, não conseguiremos abafar o ruído estrondoso que sai de nossa alma e coração, pois o amor a tudo supera, embora nos deixemos prender por pequenos pormenores que não são importantes. Existe uma força que direciona nossas almas e corações, como se fora um radar, capaz de captar sentimentos; é a percepção de uma esperança que preenche o coração. Desejamos ser amados, e como esse sentimento é tão difícil de transparecer com toda a plenitude, tomando decisões desassombradas, nos transforma em seres tristes; tristes porque a nossa capacidade não alcança o conhecimento. Como reconhecer algo que é subjetivo, mas que só pode expressar-se materialmente? Só podemos provar o que nós sentimos e ficamos em suspense esperando que se nos prove o que nunca poderá ser provado apenas pelos sentidos. O que prova, realmente é a fusão de maneira irreversível, quando nenhum obstáculo poderá desviar a trajetória. O milagre poderá acontecer!

Os cestos que carregamos

Um cesto cheio de problemas, o coração carregado de angústia, a frustração a dominar o ambiente, porque não conseguimos apreender o que se passa no íntimo das pessoas que nos cercam. O ser humano é tão complexo, pois mais que sondemos não conseguimos penetrar os segredos da alma, e a alma e o coração são como um único espaço povoado pelas incertezas da vida. O desejo do homem é amar e encontrar a contrapartida na pessoa amada para que se fundem em um único ser e realizem a plenitude da vida, a satisfação interior pela certeza dos sentimentos que alimentam os dois seres, que os faz solidários, afetuosos, e dispostos a doarem-se um ao outro. É uma busca incessante pelo equilíbrio, para que caminhem juntos, com os mesmos anseios, a mesma visualização de um vida completa e abastecida por um sentimento verdadeiro. Mas as ações das pessoas não nos dão a oportunidade de adquirirmos a certeza desse sentimento, porque, este, sempre se mistura com outros interesses desqualificando o que seria o amor sem restrições, disposto a doar-se. Como dissipar essa incerteza que nos colhe e nos desvia de acontecimentos prazerosos? A complexidade de nosso ser nos impede de raciocinarmos com clareza e deixamos de aproveitar os momentos preciosos que poderíamos gozar conjuntamente! Em que pese os nossos desejos de amor, compartilhamento, acabamos provocando o distanciamento sem uma razão concreta, e isso nos faz profundamente infelizes. Desejamos o aconchego a proximidade, mas temos receio da rejeição que seria pior que a solidão. Mas a solidão não é boa, fazendo-nos sofrer e nos deixando desesperançados, pobres órfãos abandonados à deriva. Somos adultos abandonados! A sensação de abandono cria um vazio em nós e acreditamos que nunca poderemos nos livrar desse momento de dor e prostração. Mas temos um potencial que nos obriga a lutar por aquilo que realmente nos traga a paz e felicidade, mas ela terá de ser ao lado daquela pessoa que preencheu o nosso coração e, encontrando o desinteresse, o desejo de afastamento, nos rendemos à dor que nos aniquila. Deveremos desistir de sermos felizes, ou romperemos o ciclo da dor e nos lançamos novamente na busca infinda? Uma grande pressão aperta o nosso peito e parece que o coração vai derramar-se para por fim a tudo que nos foi adverso. As lágrimas já não conseguem conter-se e derramam a dor da desilusão! Quantos cestos vazios ainda teremos de carregar pela vida!

Responsabilidade!

Primavera, Verão, Outono, Inverno; Inverno, Primavera, Verão, Outono.

Qual a ordem das estações?

Não importa! Sabemos que elas são uma criação de Deus e que há uma perfeição extraordinária. Depois de um ciclo completo, terminando com o outono, vem o inverno concedendo descanso a terra, matando a erva daninha e preparando-a para um novo ciclo.

A Primavera explode em uma profusão de flores, adocicando a vida com o seu perfume e toda a profusão de cores; o Verão esquenta e propicia o crescimento dos frutos, para que o seu amadurecimento se complete no Outono. Hoje, principalmente em nosso país que conta com dimensão continental, podemos encontrar qualquer fruto, em qualquer época contando com novas tecnologias; entretanto o fruto maduro, com todo o seu potencial o encontramos no outono que vai de Março a Junho.

Com toda a certeza os astros, também contribuem para a perfeição das estações, pois as constelações são criação de Deus para ajudar o ser humano a colher os melhores frutos em todos os aspectos de sua vida.

Isso evidencia que deveremos respeitar a natureza, colhendo os melhores frutos, mas preservando-a para que a produção seja constante e possa alimentar as pessoas através das gerações.

Será que temos feito a nossa parte, para que as novas gerações possam contar com um planeta sadio e prospero para fornecer as necessidades para uma vida de prazeres, ou estamos contribuindo para a destruição do planeta e extermínio das gerações futuras?

É uma questão de conscientização, através de princípios que poderão orientar cada um, para que todos possam almejar uma boa qualidade de vida.

Deveremos meditar muito sobre isso, assumindo a nossa responsabilidade de orientadores das pessoas que estão aos nossos cuidados. Se cada um fizer a sua parte, poderemos reverter essa situação que já é muito grave e que nos encaminha para a destruição.

Sonho Real

Eu tenho um sonho,

De realizar o possível,

E para isso usarei de toda determinação

Buscando forças até ao infinito

Desvendando o futuro

Que sempre nos promete

O encontro do amor verdadeiro.

Eu tenho um sonho

De preencher o coração

Do suave amor companheiro

Que jamais enxergará defeitos

Antes contribui para a perfeição,

Para a construção da felicidade.

Eu tenho um sonho,

E o cumprirei em minha vida,

Porque assim o Pai deseja

Para que sejamos um com Ele,

Para que sejamos um com o próximo.

Eu tenho um sonho

E para realizá-lo preciso de você

Porque entre todas as escolhas

Escolhi você para amar.

Meu nome é Cleusa de Souza Klein, sou casada com José Wladimir Klein, missionária evangélica desde 1998, e coordenadora do Projeto Casa de Mãe. Faço parte da Igreja Metodista em Rudge Ramos – São Bernardo do Campo – SP



São Bernardo do Campo, 30 de abril de 2014.

Os últimos meses foram dos mais difíceis da minha vida. O que eu aprendi me fez subir mais um degrau no meu aprendizado terreno. Fez surgir uma pessoa melhor e mais compassiva. Acima de tudo, amar mais ainda o meu próximo... Sempre lembrando que por trás dos cuidados no fim da vida, há famílias reais que lutam com decisões reais. Considero e entendo sempre ser de fundamental importância o compartilhar com todos como vivi e superei o câncer, agradecendo a Deus por me permitir viver momentos sublimes de vitória. “Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz à paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança.” Rm 5: 3.

Romanos 5:2-4

Num certo dia do mês de Maio de 2013 eu comecei a sentir uma forte dor abdominal, a dor causava falta de ar, era impossível de suportar, fui levada às pressas a UPA de Rudge Ramos. Chegando lá fui atendida com urgência porque meu nível glicêmico estava muito alto, a pressão arterial 18/10, batimentos cardíacos alterados e muita dor. Tiveram que realizar um eletrocardiograma, exames de sangue e controle glicêmico. Fui medicada com esperança que meu nível glicêmico voltasse à normalidade e as dores diminuíssem, mas não foi isso que aconteceu, tive que ficar em observação para conseguir normalizar meus sinais vitais e esperar que os resultados dos exames ficassem prontos... Os resultados indicaram uma crise pancreática que precisava ser tratada e investigada com mais cuidado... Sai com medicações e a recomendação de procurar o especialista no assunto.

Nada comentei com minha família, eu estava tratando um câncer de mama e não queria dar mais uma preocupação a eles. Marquei a consulta com um médico particular, (pelo SUS demoraria mais de seis meses) ele viu o resultado dos exames que eu tinha, solicitou outros exames complementares para concluir o diagnostico e dar continuidade ao tratamento da pancreatite, e da vesícula também. Com os resultados em mãos retornei ao especialista em gastrologia. Suas palavras não foram nada animadoras: “Cleusa, você está com um sério problema nas vias biliares.” Não podemos perder tempo... Você vai precisar de um exame chamado Eco endoscopia Aspirativa, iremos concluir seu diagnostico sem margem de erros.

EU PERGUNTEI AO MÉDICO: É câncer? E ele me respondeu que nada ainda podia ser dito, seria precipitado da parte dele afirmar isso. A dúvida me fez perder o chão, além disso, eu tinha outra preocupação... Estava ficando pesado financeiramente. Eu estava arcando com as despesas de consultas e exames. Não havia comunicado ninguém sobre minha decisão de procurar um médico particular. De acordo com a indicação dele procurei o local para fazer a Eco Endoscopia Aspirativa. Trabalhei alguns anos em hospital para ter alguma duvida... Quando peguei o resultado do exame percebi que a situação era séria.

Na noite daquele dia eu não dormi, orei, chorei e pedi do alto uma saída, uma direção. Na manhã seguinte eu tinha uma consulta com a nova médica da UBS em Rudge Ramos para dar continuidade ao tratamento da diabetes. Senti em meu coração o desejo de mostrar todos os exames que eu tinha para ela, foi de Deus essa inspiração! De imediato ela acolheu toda minha agonia, minhas duvidas e dores. Mas foi clara em suas palavras... Eu estava com câncer no pâncreas e precisava correr contra o tempo. A biopsia apresentou um nódulo de cerca de um centímetro, o tamanho de um caroço de feijão. Dra. Michela movimentou toda UBS em meu favor.

Louvo a Deus pela vida dessa mulher, seu empenho ajudou a salvar minha vida... Fui encaminhada com urgência ao setor de oncologia e cirurgiã. Ao sair dali levava comigo muitos papeis em minhas mãos, e um fardo bem grande de medos, preocupações e incertezas em minhas costas. Todos nós temos células cancerígenas em nosso organismo. Estas indesejáveis matérias vivas repousam em nós, adormecidas, mas, parece que com um olho aberto, pois, estão sempre à espreita de um descuido de nossa imunidade para se instalarem e ocuparem espaços, disputando o poder pelos domínios de nossa saúde.

Eu pensei: por que tão cedo? Por que agora? E, afinal, por que isso? Depois de ter a bagagem sobrecarregada por inúmeros acontecimentos que me levaram a fazer perguntas desta natureza, passei a ter uma resposta na ponta da língua: e porque não? A soberania está com Deus, é Ele quem sustenta o universo com as palmas de suas mãos.

Depois de muito pensar eu decide comunicar meu esposo sobre a minha real situação. No começo ele não queria acreditar, mas confiou nos desígnios e na vontade de Deus... Meu marido falou pouco, mas se expressou muito. Foi comigo até o fim. Eu tenho plena certeza que houve momentos onde ele se perdeu em seus sentimentos, sem jamais perder a fé, sempre orando e perseverando, foi meu apoio e conforto até o final. Meu esposo é uma pessoa única, sem igual, sem limites para dispor de todo o seu tempo, e querer-me ver com saúde e mais feliz. Eu devo parte dessa etapa a ele. Principalmente quando estive internada por mais de sessenta dias.

Por diversas vezes busquei socorro nas orações, não só minhas, mas da igreja e dos amigos de perto e de longe... Não foi uma nem duas vezes que o medo teve que ser repreendido de dentro de mim. Como me sinto feliz por ter recebido da família de Cristo o apoio fraternal, do contrário teria me deixado ser entregue a desolação. Por isso, eu entendo o porquê das pessoas que não tem a Jesus sofrerem tanto! Elas não têm sustento no hoje, nem esperança no amanhã. Passei por duas equipes cirúrgicas, e fui rejeitada por elas. Por duas vezes adiaram meu procedimento. Hoje eu sei que eram as mãos de Deus a guiarem aqueles médicos. Na segunda vez o medico chegou nós dizendo que não podia me operar, que minha cirurgia era complicada, de alto risco, não podia ser feita a laser, mas aberta para que um aparelho de ultrassom pudesse chegar até o pâncreas guiando o médico em toda cirurgia, e ele não tinha capacidade para fazê-la. Disse mais: Só tem um médico que pode operar a senhora, e eu não sei se ele vai aceitar opera-la. Em seguida saiu, depois de meia hora veio um membro da equipe para falar comigo.

Esse médico disse que eu teria alta para ir a minha casa e retornar no domingo às sete horas da manhã. Nova duvida tomou conta de mim... Se não querem me operar, se não sabem se o outro bam - bam ia aceitar fazer a cirurgia, porque estavam dizendo para eu voltar? É porque eu vou morrer mesmo!!! Essa foi à resposta que meu cérebro deu. Voltamos para casa... Foram horas difíceis para nós dois, eu e meu esposo. Tomei a decisão de não mais retornar para o hospital, esse tipo de cirurgia é complicada mesmo, e é raro ter êxito, ter a cura... Mas o meu esposo foi convincente quando disse que nós já tínhamos feito a nossa parte, que agora tínhamos o dever de confiar em Deus, que deveríamos ir até o fim. Fosse qual fosse a resposta de Deus, de sim ou de não, ela era perfeita e soberana. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Romanos 8.28

Voltei ao hospital no domingo... Foi um dia longo, mas decisivo... Eu tinha plena convicção que estava pronta para aceitar a vontade de Deus. O importante era tirar o mais rápido possível qualquer vestígio dessa doença do meu corpo. Às seis e dez da manhã da segunda feira uma enfermeira entrou no quarto dizendo que o meu médico estava no centro cirúrgico me esperando! Eu pensei: o meu medico? Não pode ser ele disse que não iria me operar... Perguntei a ela: como assim, meu médico? E ela foi bem rápida na resposta: vamos d. Cleusa não podemos demorar. Em seguida já foram colocando os paramentos necessários em mim e me levaram para o centro cirúrgico. Chegando lá, o médico se aproximou e disse: Bom dia d. Cleusa, sou o medico que vai lhe operar. A senhora sabe que não vamos brincar de casinha, não sabe? Afirmei que sim com a cabeça. Ele respondeu: Está tudo bem? Respondi que sim... Então ele encostou as mãos em minha mão e disse: Boa sorte e até daqui a pouco.

Minha cirurgia durou cinco horas e meia... Acordei com o médico me dizendo que estava tudo bem e que nenhum órgão estava afetado... Que houve também a retirada da vesícula. Precisei ficar mais quatro horas em observação por causa de uma queda brusca de pressão. Apesar da preparação emocional para essa nova etapa, foi muito difícil suportar tantos exames, medicamentos, enjoos, fraqueza, mal-estar. Não era fácil, mas era necessário. Seguiu-se um período de reclusão de aproximadamente cinco meses. E, para mim, o pior — talvez algumas pessoas possam ficar chocadas — foi a perda do cabelo. É difícil praticar o desapego nesse nível, e como mulher... Não basta a cirurgia, a medicação, a imunidade baixa, a clausura, e o olhar de pena das pessoas que estavam a minha volta, ainda tenho que ver o cabelo caindo? Após as primeiras semanas, antes de não sobrar nada, eu raspei o que sobrou, e lancei mão de lenços coloridos para tentar manter minimamente a autoestima. Claro que era duro me olhar no espelho! De repente me via careca, com vários quilos a mais, porque a medicação provoca inchaço, e com uma cicatriz imensa na barriga. Essa mudança deve ter sido chocante para o meu marido, mas ele só dizia que eu estava linda.

Durante quatro semanas após a cirurgia precisei de diversos medicamentos para dor... Retornei ao hospital para cuidar de alguns pontos que não queriam fechar e verificar se a pneumonia estava regredindo. Sim, eu contraí uma pneumonia no segundo dia após a cirurgia, minha imunidade estava muito baixa depois de seis semanas internada, baixou para 31 mil. Isso fez a equipe médica me dar alta do hospital antes do tempo. Disseram que eu era uma porta aberta para infecções e que se permanecesse no hospital poderia comprometer todo o meu tratamento. Sendo assim, voltei para casa no quinto dia depois do procedimento cirúrgico com 33 pontos no abdômen, um dreno interno e quatorze quilos a menos.

Esta foi à situação em que eu saí do hospital, mas eu aprendi que o segredo para a minha reabilitação era a vontade de viver e nunca deixei de ter Fé em DEUS lutando contra minha carne para acreditar no fundo do meu coração que a situação que eu estava passando era momentânea, fortalecendo assim o meu espírito. Lutei, orei, aceitei, contei minha historia nas redes sociais, expus minha cicatriz, minha calvície, sempre seguindo com muito empenho sem retroceder rumo ao impossível para os médicos, mas possível para DEUS e dentro de mim algo sempre me impulsionava para frente a caminho do meu objetivo que era falar, andar, movimentar e poder ter uma vida normal até quando Deus me permitisse.

Com o passar do tempo fui sendo completamente restaurada por DEUS através das orações da igreja, dos amigos e familiares... A minha Fé e força de vontade em querer viver e nunca desistindo da vida por mais difícil que possa ser. Hoje faço tudo, ando e anuncio a todos o quanto Deus foi misericordioso para comigo. Tenho de volta minha vida... Por quanto tempo? Isso realmente não importa, o que importa, é viver de tal maneira, que as pessoas vejam Cristo em mim. Jó 42:2 “Os planos de Deus não podem ser frustrados"

Depois do tratamento, é hora de se recuperar física e emocionalmente. O cabelo volta a crescer de mansinho, aos poucos também fui voltando a ter mais disposição para sair de meu casulo e ver o mundo, que parecia ter ficado congelado. Na realidade, posso afirmar com certeza que tudo que passei me fortaleceu como pessoa, mãe, esposa e filha. Como serva do altíssimo e como cidadã. Desde o primeiro momento que aceitei partilhar minha enfermidade, recebi ajuda psicológica e psiquiátrica, e formei um muro de apoio a minha volta. Minha família, minha filha... O meu esposo, que chorava, achando que eu não percebia, sempre esteve presente, paciente, atencioso e dedicado. Na construção desse muro, muitas coisas concorreram para o bom êxito... Os profissionais da medicina, a terapia, a fé, o amor que recebi dos amigos e de pessoas que sequer conhecia, mas que oraram por mim.

Além da rede de apoio, sem a qual acho difícil suportar essa prova, eu tive um ponto maior a meu favor... Um ponto que me dava ânimo incondicional que era a fé. Exercitava diariamente a minha fé porque sabia que Deus faria o melhor para mim e por mim. Dando-me a cura ou não, Ele faria o melhor... Essa compreensão veio logo depois das primeiras lágrimas. “Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis...” Rm 8: 26.

Durante todo o tratamento, as pessoas mais próximas perguntavam de onde eu tirava tanta força, como poderia me manter com resignação e humor. A resposta era sempre a mesma: eu simplesmente não poderia fraquejar, não adiantava ser de outro jeito, tinha de ter esperança porque eu estava viva e queria atravessar aquela tormenta.

O câncer é uma doença sorrateira, um inimigo astuto, que deve ser respeitado, mas pode ser combatido. E, para esse embate, temos de agir em várias frentes: a importância do diagnóstico precoce e do tratamento rápido; a terapia e a medicação para ansiedade e depressão se tornam imprescindível para preparar o terreno do nosso emocional, para lidar com tantas dúvidas e estresse; a fé é tão importante que até hoje não liberei meus amigos e familiares: podem continuar orando por mim. Eu agradeço a Deus todos os dias ter passado por tudo isso e ter pessoas tão especiais ao meu lado. Nem todas as famílias têm uma comunicação aberta, e os momentos de crise são difíceis para se adotar novos padrões. Eu não passei por esse tipo de problema, minha família tem experiência nessa área, eles foram um canal de benção e apoio para os momentos que atravessei.

Muitas pessoas passam a se cuidar mais e a levar uma vida mais saudável. Eu admito, o câncer serviu como um marco, provocando nova reavaliação dos meus hábitos e dando o pontapé necessário para uma rotina física e psicológica mais equilibrada. Ainda preciso melhorar e muito. É necessário cultivar a paciência. Muitas vezes, o vigor físico volta bem antes do que pensamos. Outras não.

Dar de cara com a morte faz a gente acordar para a vida. Tudo o que eu faço sempre é com o coração. Pode parecer loucura dizer isso, mas o câncer reavivou mais ainda a chama da vida em mim. Aumentou certeza do cuidado de Deus, e a esperança na vida eterna. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que também sejamos capazes de consolar os que passam por qualquer tribulação, por intermédio da consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.…”2 Coríntios 1-3

Eu sei que nem tudo serão flores para um organismo tão maltratado por exames, medicamentos e enfermidades, como foi e é o meu. Mas, até que todos os meus jardins estejam enfeitados de asas coloridas, eu convido vocês para estarem comigo transmitindo as maravilhas de nosso Deus.

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus”! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!

Por que quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?

Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?

Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

Romanos 11: 33-36

A busca de um novo caminho

Escrever é um ótimo exercício para colocarmos para fora tudo que se passa em nosso íntimo e temos dificuldade de expor. Através da escrita poderemos sondar o nosso consciente, e o inconsciente, fazendo um inventário do que sentimos em relação a coisas e pessoas. Dessa reflexão nos vem a razão para podermos agir de maneira que possamos satisfazer os nossos anseios que podem ser só nossos e não de outras pessoas que, por força do relacionamento, compartilhem o mesmo espaço. Desse exercício pode nascer a certeza do que realmente desejamos do fundo do coração e não apenas por circunstâncias outras que muitas vezes nos prende de agirmos como realmente queremos. Chegarmos a essa conclusão nos esclarece que deveremos abraçar os nossos anseios, ditados pelos sentimentos, para que possamos realizar condições de uma vida agradável; pois vez por outra agimos contrários aos nossos próprios sentimentos, simplesmente, por comodismo, por não desejarmos abrir mão de vantagens que facilitam a nossa vida material. Entretanto, quando chegamos à conclusão que estávamos caminhando em sentido contrário ao que desejamos deveremos praticar a conversão e passar a caminhar na direção que nos leve à realização de nossas aspirações. Se não tomarmos essa resolução, se acomodarmo-nos em uma situação duvidosa, fatalmente, no futuro, nos arrependeremos porque não nos sentiremos realizados. Mesmo porque embora unidos por convenções, somos pessoas independentes podendo tomar a resolução que mais nos agrade!

Quando isso se instala em nossa mente temos de nos fazer a pergunta: E agora?

Conscientizamo-nos que estamos no caminho errado e será temerário prosseguir; teremos de corrigir o rumo antes que seja tarde demais. E agora, com toda a sabedoria que conseguimos amealhar em nossa vida, encontraremos o caminho que nos leve à felicidade?

A ação deverá seguir à nossa reflexão!

Busca de um encontro

Busca Interior

Eu já escrevi sobre nostalgia, sobre solidão, sobre saudade tanto do passado como a do futuro, aquela que se encontra dentro de nós, aquilo que idealizamos, sabendo que nos traria a felicidade, mas que ficou interiorizada, deixando de nascer. E, quando sentimos esse desconforto, essa ânsia de voltarmos ao passado, ou nos enveredarmos para o futuro, sabemos que não estamos bem. É porque a solidão teima em nos acompanhar, mesmo que pudéssemos ter uma multidão ao nosso lado, o que, na realidade, não acontece. Encontramo-nos solitários, mesmo que o nosso desejo seria poder contar com alguém que preenchesse o nosso vazio existencial.

Parece-nos encontrar em momentos em que nos sentimos perdidos no universo e compusemos aqueles versos, que entre outras coisas dizia: “Às vezes nos parece termos de carregar todo o peso do mundo”.

Já temos procurado desvendar esse mistério da solidão, desse desassossego que toma conta de nosso espírito quando nos sentimos separado das pessoas que nos cercam. Será um sentimento de incapacidade de nos relacionarmos, ou isso acontece por não termos encontrado alguém que se interesse em entrar em nossos pensamentos, fazerem-nos companhia, entrelaçando-se em demonstrações de uma verdadeira parceria, onde as personalidades se diluíssem e passássemos a pertencermos um ao outro, em um perfeito equilíbrio?

Na verdade isso é o que procuramos, um sentimento que nos iguale a alguém, nos colocando em sintonia capaz de nos conduzir irmanados para uma longa caminhada. O que só encontramos foi passageiros avulsos que só desejaram viajar parte do caminho. Por isso nos encontramos novamente em uma encruzilhada, tendo de caminhar sozinho!

Os nossos anos tem se acumulado e não sabemos se teremos ainda futuro, ou o nosso tempo está terminando; embora muito termos caminhado são poucos os acontecimentos que poderiam enriquecer a nossa vida. Acabamos de ler um livro que espelha a vida de um homem que deixou, gravado na memória dos filhos, momentos inconfundíveis de realizações, capazes de perpetuar a sua memória para sempre. Olhamos para o nosso passado, para o nosso presente, e ainda para o que poderá ocorrer em nosso futuro e não encontramos lastro suficiente para ser lembrado. Talvez porque nos conservamos fechados demais em nosso interior, vivendo imaginativamente tudo aquilo que deveria ser desfrutado com outras pessoas; assim não nos ligamos convenientemente às pessoas que passaram pela nossa vida. Mas como poderíamos ter vivido de outra maneira se o nosso temperamento, a nossa riqueza encontrava-se mais em nosso interior? Talvez ainda possa alcançar essa comunicação através de coisas que escrevi, quando tentei exteriorizar o que se passava em meu interior, derramando o meu ser que almejava um encontro com os que me rodeavam. Essa é a minha esperança! Estou encerrando minha caminhada, em breve serei apenas uma lembrança entre as pessoas que me conheceram. Conheceram? Talvez não! Mas que poderão conhecer, ainda, desvendando o que procurei ser, os meus anseios de alcançar as pessoas a quem amava sem a capacidade necessária para externar os meus sentimentos.

Triste destino dos que não conseguem a comunicação com os seus semelhantes! Temos a certeza que não estamos sós nesse labirinto que transporta as pessoas para o sentimento de infelicidade; muitos companheiros sofrem comigo, sem a perspectiva de transformarem os seus destinos; a esses companheiros de jornada endereçamos esta reflexão, porque nesse infortúnio não estão solitários, porque somos solidários!

Estava Escrito nas Estrelas

Publicado em 14 de Maio 2013 Foto no final, Página 85

No Livro “Aproximando Pessoas”, em uma parceria dos Correios e do Museu da Pessoa.

Estava escrito nas estrelas! Na primavera de l947, uma jovem (Jandira Ramalho, filha de Francisco Ramalho e Victória Perassole), saiu da cidade de Mococa, interior de São Paulo, e viajou para São Paulo, em visita a parentes que residiam no bairro do Belém; no dia 31 de Agosto foi obrigada a visitar outra parenta no bairro de Santo Amaro, propiciando-nos o encontro que nos levaria a estarmos casando no dia 31 de Julho de l948, exatamente onze meses depois de nos conhecermos.

Nesses onze meses transcorreram muitos acontecimentos. A Jandira veio para visitar parentes, mas a sua intenção era ficar em São Paulo; os primos dela arranjaram-lhe um emprego e ela, com receio de que eu não aprovasse disse-me que o emprego era nas "Lojas Três Irmãos", na Rua Direita.

Várias vezes postei-me nas proximidades para tentar encontrá-la e não me foi possível, em um dos dias quando percebi ela estava perto de mim, mas vindo de outro lugar; daí ela não teve outra alternativa senão me falar a verdade, o emprego era em um bar na Rua da Quitanda (era, justamente um bar que eu costumava ir tomar café com os colegas, quando íamos fazer depósitos ou saques no Banco do Estado que era próximo); não gostei, não tanto pelo local e mais por ela ter mentido.

Como já estava gostando de fato dela e previa que consolidaríamos o nosso relacionamento, aconselhei-a a voltar para a sua cidade, ela aceitou o meu conselho e voltou para a casa dos pais em Mococa, que, soube depois, aprovaram a minha conduta. Ficamos nos relacionando por cartas ( àquele tempo o correio levava quinze dias para levar uma carta e outros quinze dias para trazer a resposta, mas esse contato foi importante para que prosperasse o nosso relacionamento) até um dia, um mês e pouco depois, quando recebi uma das cartas e fiz um suspense para abri-la.

Um meu colega, Moacir Fowler, me convidou para irmos a Campinas e aceitei; íamos no Sábado e voltaríamos no Domingo. Tomamos o trem às 20 horas na Estação da Luz; no trem abri a carta e a saudade bateu fundo; o meu colega que era tanto ou mais louco do que eu, disse: porque não vamos até Mococa?

A sugestão era o que eu desejava ouvir e imediatamente saímos à procura do guarda trem para sabermos das possibilidades. Ele nos encorajou orientando que deveríamos descer em Campinas onde faríamos conexão com o horário da Mogiana que nos levaria até Casa Branca, de lá poderíamos tomar um taxi que nos levaria até Mococa.

Tomamos esse trem e sacolejamos na Estrada de Ferro Mogiana (bitola estreita) até Casa Branca. Descemos na estação e o único taxi que havia estava a serviço de um fazendeiro pelo falecimento de um parente. O funcionário da estação nos orientou e tomamos, às carreiras, um trem que ia para Passos MG, para descermos em São José do Rio Pardo, e conseguirmos um taxi. Em São José uma família desceu na nossa frente e tomou o único taxi para leva-los a uma fazenda; falamos com o motorista e ficamos esperando a sua volta para que nos levasse à Mococa. Até que enfim!

Nós nunca havíamos saído de São Paulo e para mim deveria ser como aqui que os bares amanheciam abertos; o motorista nos dizia, para aplacar a nossa fome: Vou deixa-los em frente de um bar que faz o melhor café de Mococa. Quando chegamos lá o bar estava fechado e não adiantou nada ficarmos em frente, eram cinco horas da manhã. Ficamos próximos à praça principal, e quando as famílias começaram a abrir as portas fomos alvo de curiosidade. Sentamos em uma soleira de porta e esperamos.

Quando eram seis e meia e passava um senhor e o meu colega resmungou, oh! Cidade miserável, estamos morrendo de fome! O senhor aproximou-se e disse, vocês são de fora, porque não foram ao Hotel Terraço? E nos informou e fomos tomar o melhor café que havíamos tomado até aquela data. No hotel as pessoas também estavam curiosas, querendo saber se estávamos tratando assuntos políticos, deixamos tudo em suspense e depois das oito horas fomos procurar o endereço da Jandira.

Quando subíamos a Rua José Bonifácio (o numero era 993) o meu colega dizia, Mik, você não conhece o pai da moça, e se ele aparece com uma espingarda e passar fogo na gente? Mas a determinação e a boa intenção fizeram com que fôssemos bem recebidos. Eu estava meio constrangido, mas meu colega logo ficou a vontade, eu soube depois que havia sido porque vira a minha fotografia, em um porta retrato, em cima do rádio (eu já havia sido aceito, como declarou depois).

Saímos passear pela cidade, e quando voltamos almoçamos e um taxi já estava nos esperando para levar-nos de volta a Casa Branca, onde deveríamos tomar o trem que ali passava ao meio dia e meia. Fizemos a viajem de volta e às oito horas do Domingo, desembarcávamos novamente na Estação da Luz; em vinte e quatro horas havíamos realizado essa façanha.

Dois meses depois saí de férias e fui para lá e fiquei quase as férias todas. Voltei com o coração partido porque apegado profundamente àquela que seria a minha companheira. Passaram-se mais dois meses e a Jandira conseguiu convencer os pais de virem para São Paulo; Alugaram a sua casa lá e vieram residir próximo a parentes no bairro do Belém, mais exatamente na "Mãe do Céu.

O nosso namoro consolidou-se, embora no meio tivéssemos um desentendimento que quase acabou com tudo, mas fizemos as pazes e em 31 de Julho de l948, dançando a valsa Clube XV, realizamos o nosso sonho que tem durado até agora. Fomos morar no quintal da casa onde já residia, aonde construí um cômodo.

Após os primeiros meses em que ficamos tomando refeições em casa de minha mãe, resolvemos assumir a nossa casa, dividimos o cômodo com o guarda-roupas e um guarda-louças que compramos e transformamos o espaço em quarto e cozinha; precisávamos subir na cama pelos pés da mesma; do outro lado ficava uma pequena mesa, duas cadeiras, um fogão a querosene, em cima de uma mesa que eu mesmo construí de um caixote (quando derramava qualquer coisa exalava um terrível cheiro de querosene!).

Neste ano de l998, em 3l de Julho estaremos completando 50 anos de união. Já aperfeiçoamos o nosso relacionamento? Ainda não! Como poderíamos construir algo perfeito sendo seres imperfeitos? Mas a persistência, a compreensão de ambos os lados fizeram com que fossemos, através dos anos, superando as nossas diferenças, transpondo obstáculos para chegarmos a poder olhar para o nosso passado, contemplar os nossos filhos e netos e concluirmos que construímos algo bom e sólido. Assumindo a nossa responsabilidade criamos, também, uma responsabilidade para os nossos descendentes, qual seja a do dever de constituírem famílias que consolidem a sociedade para que possa haver segurança para os filhos, e através deles para toda a humanidade.

Quando casamos, antes fizemos uma análise da situação que deveríamos enfrentar, contando com o pequeno salário que eu recebia; entramos em acordo que a Jandira não mais trabalharia fora, dedicando-se exclusivamente ao lar. Isso talvez por insegurança minha que pode até ter impedido a ela uma ascensão profissional. Como os afazeres eram poucos ela matriculou-se, juntamente com minha mãe e minha cunhada, em um curso de pintura tendo demonstrado o seu talento. Pena que não deu continuidade (mais tarde ela voltaria a pintar) preferindo, na ocasião fazer um curso de corte e costura, que na verdade foi muito útil, pois passou a costurar para ela, para mim e para as crianças, ajudando significativamente no orçamento doméstico.

Grandes partes do patrimônio que conseguimos formar deveram à disposição para o trabalho, de minha esposa, que sempre conservou o nosso lar agradável e acolhedor, além de sua capacidade de organização e economia, aproveitando tudo de tal forma que o salário parecia multiplicar. Não digo que não passamos por dificuldades, mas dentro de uma organização, gastando com proficiência os recursos, alcançamos todos os nossos objetivos. Hoje ainda tentamos passar esses princípios aos netos, para que eles saibam administrar as suas vidas com a finalidade de caminharem para a realização de suas aspirações.

Mais uma História

Publicado em 14 de de Maio 2013 Foto no Final Página 85

No Livro “Aproximando Pessoas”, em uma parceria dos Correios e do Museu da Pessoa.

Fui casado durante 56 anos com minha primeira esposa e esse tempo terminou com o seu falecimento. Foi um convívio longo onde experimentamos muitas emoções, tivemos três filhos cujos nascimentos foram verdadeiras aventuras pelos acontecimentos que se desenrolaram. Muita luta para vencermos as nossas imperfeições, mas pelo tempo que durou a nossa união podemos dizer que o saldo foi bastante positivo e que somente a morte conseguiu nos separar. A minha primeira esposa, da qual já contei a história, faleceu em Fevereiro de 2.004. Passei a viver sozinho, com o coração amargurado, pois a minha vida havia sido exclusivamente no seio da família, quando não estava entregue ao trabalho que absorvia boa parte do tempo. Principalmente os primeiros seis meses de solidão foram bastante sofridos, principalmente porque me impus escrever sobre algumas anotações que ela havia feito nos últimos tempos de vida, onde derramava as suas mágoas por nossos desencontros. Mas o tempo é um grande remédio e os nossos corações vão se aquietando e damos sequência à vida.

15 de abril de 2.007 eu recebi um convite para participar de uma comunidade do Orkut: “Pessoas Fazendo a Diferença”; a sua proprietária era uma missionária itinerante da Assembleia de Deus, Cleusa Teixeira de Souza, que residia em Brasília. Comecei a participar e a inclui, também em minha lista de amigos e passamos a nos comunicarmos através do Orkut. Ela era uma pessoa muito comunicativa e a nossa amizade floresceu. Na verdade, no momento em que recebi o convite e vi a sua fotografia, algo falou ao meu coração, pois, estando viúvo há quase quatro anos, a solidão estava pedindo uma companhia para partilhar comigo a vida.

Dois dias depois de nos conhecermos era o seu aniversário e lhe mandei uma mensagem cumprimentando-a, mas ela, inadvertidamente a apagou e me pediu que lhe tornasse a enviar, fiz o que ela pedia e passei a acompanha-la através da rede social. Aos poucos fomos conhecendo um ao outro e nos tornando verdadeiros amigos, em que pesasse a distância em que nos encontrávamos, ela em Brasília e eu em São Paulo. Trocamos os nossos endereços e firmamos um compromisso de, na primeira oportunidade, nos conhecermos pessoalmente.

Mas antes de isso se consumar tive uma grande surpresa, recebi uma carta pelo correio o que me causou uma grande emoção. Já havia me correspondido muito através do correio em minha juventude, namorando a distância e gozando as emoções a cada recebimento de uma nova carta, mas, em tempo de Internet e de comunicação virtual, quando se tem a facilidade de enviar e receber a resposta no mesmo instante, foi uma novidade e passamos a nos corresponder através de missivas. Isso durou alguns meses, principalmente enquanto aguardávamos a oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente. A oportunidade de abrirmos o nosso coração e derramarmos as nossas emoções foi consolidando essa ligação que augurávamos que se consolidasse e nos propiciasse um compromisso permanente, pois nós dois estávamos sozinhos e carentes de uma companhia que nos alegrasse a vida.

Tenho de mencionar alguns trechos que o nosso coração inspirou para que vocês compartilhem conosco dessas emoções que, ao mesmo tempo em que alegravam os nossos corações, parece que nos reavivava e fortalecia aquele sentimento que por um pouco de tempo havia ficado inerte dentro de nosso peito; era a explosão de nossos sentimentos que nos renovava e fazia com que abandonássemos as cismas de solitários e nos embrenhássemos novamente no desejo de projetar um futuro em que poderíamos viver juntos, e caminharmos em busca do equilíbrio que nos poderia doar a felicidade. Como é bom amar, e sentirmos a correspondência desse nosso sentimento prometendo venturas mil!

A primeira carta que recebi foi assim:

Wladimir, talvez você estranhe estar recebendo uma carta quando temos a facilidade de enviarmos e recebermos mensagens em um minuto, mas acredito que uma carta, é uma comunicação que é construída partindo de dentro de nosso coração; meditamos em tudo aquilo que se passa bem dentro de nós, para externarmos um sentimento que transborda e nos propicia uma indizível felicidade.

Conhecemo-nos virtualmente, através de páginas de outros nossos amigos e nem poderíamos imaginar que este conhecimento pudesse ser diferente de tantos que temos mantido através da Internet, que mesmo nos dando momentos de prazer e alegria, nunca passarão de contatos virtuais, pois jamais teremos a ocasião de nos conhecermos pessoalmente, principalmente, quando residimos em lugares tão distantes. Entretanto, sinto que conosco poderá acontecer algo diferente, pois a impressão que tenho é que já te conheço desde sempre, fazendo parte, inclusive, de meus sonhos que ocorrem em meus momentos de solidão.

Deu-me esta vontade de fazer algo diferente, relembrar que é muito emocionante ouvirmos o carteiro bater em nossa porta para nos entregar uma correspondência de alguém que esperamos com ansiedade. Mesmo que os correios, hoje, sejam de uma rapidez incrível, ainda não concorre com os E-Mails que podem nos chegar num minuto; mas essa pequena espera nos fornece uma doce expectativa que parece, até, um tônico para o coração.

Espero que você goste desta surpresa e me responda, também pelo correio, pois o meu coração já começou a viver essa expectativa em receber noticias suas.

Com Carinho

Oi Amor, tudo bem?

Meu desejo é que ao chegar esta em suas mãos você esteja gozando das bênçãos de Deus para a sua vida.

Você deve estranhar receber carta minha pelo correio, quando a tecnologia se encontra tão avançada, as pessoas não querem mais fazer deste meio tão gostoso e romântico de comunicação.

Relembrando os melhores tempos da adolescência, senti o desejo de escrever um bic_Mail (risos) para o meu amor.

São 09,15 da manhã deste dia e ano de 2.007, uma manhã abençoada, onde tudo demonstra que teremos um lindo dia. Até porque, quando se esta amando tudo ao nosso lado se torna belo e esplendido aos nossos olhos. Depois de alguns anos sozinha, está sendo muito bom ter alguém para sonhar, planejar, esperar, e outras coisinhas mais, que somente duas pessoas que se gostam podem ter juntas.

Querido, perdoe os erros, os vícios do computador nos deixa um tanto robotizados em relação às palavras.

Vou treinar novamente e para isso vou usar minhas cartas para você (rsrs)

A esta hora você já fez a sua caminhada, deve estar pensando em mim na frente do computados. Qual vai ser o cardápio para o almoço de hoje? O meu já está pronto, meu genro veio jantar aqui, disse que queria conhecer os meus dotes culinários. Adivinha o que ele queria comer? Uma comida forte, peito de boi assado na panela, com batatas.

Amor, ele comeu tanto que passou mal (risos). Lembrei-me de nosso almoço e pensei: Se o Wladimir estivesse aqui será que ele conseguiria comer esta comida? O pessoal aqui é peso pesado quando se trata de comida, são fartos e não gostam de nada leve. (Agora ele quer que eu faça uma peixada; eu disse à minha filha que é para ele não ficar mal acostumado (risos).Estou esperando meu pai chegar para que eu possa levar uma irmã da igreja para fazer fisioterapia, Ela teve um derrame há cinco anos e só confia em mim, quando a filha não pode leva-la eu é que faço as vezes dela.

Vou deixa-lo na graça e no amor de Cristo. Reafirmo meus votos de carinho e amor. Esperando-te ver em breve, me despeço com amor. Suja querida noiva Cleusa.

Essa nossa correspondência epistolar continuou por vários meses em razão da distância que nos separava Brasília e São Paulo.

Os encontramos pela primeira vez em Agosto de 2.007 e foi um momento emocionante, ela estava me esperando no Shopping Metrópole em São Bernardo do Campo e me reconheceu quando encostei o carro, vindo ao meu encontro, e demos um abraço, bem no meio da pista de estacionamento. Aquele encontro redimia o tempo em que alimentamos esse desejo do encontro; fomos para o meu apartamento e passamos praticamente dois dias conversando, nos conhecendo e constatando aquilo que já havíamos sentido, que o nosso destino estava traçado para que seguíssemos junto o restante de nossa caminhada. Despedimo-nos já com o desejo do reencontro que só se deu em Novembro de 2.007 quando em uma reunião com minha família colocamos um anel de noivado.

Em Dezembro fui conhecer a família da Cleusa que me cumularam de atenções e resolvemos dar entrada nos papeis para nos casarmos. Voltei para São Paulo com o coração dorido pela saudade, mas necessitávamos, ainda, esperarmos mais um pouco, inclusive pelos compromissos que a Cleusa ainda tinha pendentes para a realização de trabalhos evangelísticos.

Casamo-nos no dia 19 de Fevereiro de 2.008, em Brasília e de lá realizamos a nossa viajem percorrendo o nordeste até o dia de retornarmos a São Paulo para começarmos a trilhar esse novo caminho para a realização de tudo aquilo que havíamos sonhado. Estamos na trilha, desbravando solucionando circunstâncias, nos conhecendo e, felizmente, percebendo, a cada dia, o crescimento de um sentimento maduro, que, embora experimente algumas dificuldades nos aponta para um horizonte de paz e tranquilidade.

A Cleusa, depois de ficar praticamente sozinha por dez anos, quando orava a Deus lhe dizia: “Não sei se me casarei novamente, mas se isso acontecer peço que seja com um homem comprometido com a Palavra de Deus para que juntos possamos continuar a realizar esse trabalho que me propus, de proclamar as Boas Novas do Evangelho, para que todas as pessoas que participarem de nosso convívio possam ser agraciadas pela salvação e pela vida eterna através de Jesus. Estamos firmes nesse propósito e só rogamos a Deus que nos ilumine nesse trabalho e que toque as pessoas pelo poder do Espírito Santo para que recebam essa dádiva preciosa que Deus preparou para todos nós.

Mensagem de Aniversário

Dizem alguns, que ao avançarmos em idade vamos perdendo a capacidade de raciocínio, mas o que ocorre é que a cada etapa de nossas vidas vamos somando muitas experiências que nos ajudarão a trilharmos com sabedoria o restante da caminhada.

Há tempos li um artigo sobre uma reunião de sábios que chegaram à conclusão que os jovens estavam passando muito tempo na escola e não lhes sobrava ocasião de aprenderem com a vida. A vida é uma escola por apresentar a maior variável de vivências que nos ajudarão em todas as circunstâncias de nossas vidas.

Hoje os idosos não são muito levados a sério e se perde uma enorme oportunidade de aprender sem os desgastes que poderemos sofrer com as atitudes impróprias que poderemos tomar.

Neste dia que você aflora para uma fase rica em novas experiências rogo a Deus para que continue abençoando-o e dando-lhe oportunidade de, ainda, crescer mais como pessoa humana. Feliz Aniversário

Quanto vale uma vida?

Para chegarmos a compreender o que vale uma pessoa teremos de analisar a sua vida até os mínimos detalhes; precisamos conhecer toda a trajetória evolutiva, as lutas travadas, os obstáculos transpostos para alcançar a vitória final.

Cada pessoa terá qualificações diferentes de acordo com a sua vivência; costumo dizer que é muito bom alcançarmos uma idade avançada, porque podemos olhar para trás e analisarmos tudo que nos ocorreu; teremos a possibilidade de constatar a ação de Deus em nossas vidas, pois à medida que caminhamos através das diretrizes do Senhor, gozamos de Sua assistência permanente, e, embora passemos por dificuldades constatamos que tudo que nos ocorreu, até o maior sofrimento, deveriam, de fato, fazerem parte de nossas vidas para nos retemperar a cada passo para alcançarmos a plenitude de servo fiel.

E, por que conhecermos a vida das pessoas? Qual o proveito que nos trará analisarmos os fatos ocorridos em uma determinada vida?

Em meu pequeno opúsculo “Memórias de um Cidadão Comum” alertei às pessoas sobre essa utilidade:

“Nossa vida é uma soma de acontecimentos que compõe uma história. História de experiências vividas que serão importantes para muitas pessoas, que, ao tomarem conhecimento de certos detalhes poderão usar para evitar caírem nos mesmos erros, racionalizando as ações para obterem um resultado mais satisfatório. Assim será importante que você anote os fatos de sua vida. Isso, quando menos aproveitado, poderá ser por seus próprios filhos. É claro que as experiências de cada pessoa é impar, mas aqueles que tiverem sabedoria suficiente para observar os acontecimentos à sua volta terão a tendência de errarem menos, somando maiores oportunidades de tomarem a frente dos demais.

Para exemplificar cito um pequeno detalhe: as cartas que escrevemos. Se analisarmos as nossas cartas veremos que elas compõem uma historia e nos faz revelações importantes. Agora mesmo recebi um telefonema de um amigo dizendo que uma carta que escrevi a dois anos e meio atrás, revelou-se como uma verdadeira profecia, visto que os fatos nela levantados vieram a acontecer como ela previa. Até, em razão disso, resolvi compilar as cartas para compor um novo livro; Já estava praticamente escrito era só juntar, por ordem de datas. Tive uma revelação importante, várias delas indicavam ações que deveriam ser tomadas por pessoas, influindo em acontecimentos posteriores. Não existe segredo nem mistério nisso; é uma questão de sabermos analisar as situações para que possamos saber quais serão os desdobramentos que se apresentarão em sequência.

Você, talvez, hoje, tenha uma memória privilegiada, mas com o tempo, muitas vezes, os detalhes de um determinado acontecimento desaparecem, quando seriam importantes para esclarecermos nossas dúvidas. Então escreva, você fazendo tudo por escrito terá documentos importantes em suas mãos para provar as suas teses”.

“Costumamos dizer que a nossa vida daria um livro, e de fato isso acontece; cada um de nós passou por acontecimentos que são dignos de figurar em um livro que irá à lista dos mais vendidos. Portanto escreva cartas, faça anotações, e guarde cópia de tudo isso que um dia lhe será muito útil”.

Estou escrevendo isso porque me foi dada a oportunidade de ler as anotações de uma pessoa amiga que está, no momento, com mais de noventa anos, e é uma história fascinante. À medida que for lendo farei algumas observações e mesmo transporei alguns trechos para completar esta reflexão.



A pessoa em questão é Da. Nair Nascimento, de personalidade carismática, que sempre foi participativa nas atividades sociais. Da. Nair está fazendo anotações de suas atividades durante sua longa existência e essas revelações nos emocionam.

Da. Nair

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