Brasília 2017 ministério da educação



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sociais que muito nos alimentam cotidianamente, o professor pode ajudar seus estudantes amelhor 
fazerem suas opções. Novamente o paradoxo: o menos (quantidade de informações) pode ser mais 
(densidade argumentativa). 
O livro didático pode impulsionar esse círculo virtuoso em que o educador e os estudantes fazem a 
discussão livre e argumentada dos temas propostos, inclusive, ou, sobretudo, pelo livro, sem a  pre-
tensão de se chegar a consenso ou a verdades. Ainda que o livro didático trabalhe na perspectiva da 
ciência, do conhecimento correto e balizado por fontes confiáveis, este mesmo livro pode conciliar-
-se com a ideia de que, mais do que verdades, a ciência produz novas perguntas, dúvidas, ou seja, 
expande o nosso universo de ignorância. E o mesmo livro didático vai auxiliar o professor a enfrentar 
o vasto mundo da ignorância. Este Guia tem o intuito de ajudá-lo a fazer o uso e o usufruto dos livros.
Também o livro pode estimular a autoria do professor. Ao mesmo tempo em que o livro induz temas 
e até conclusões, vai abrir janelas para novas hipóteses ou olhares. Neste Guia é apresentado um 
panorama dos livros didáticos, a fim de que você, professor, possa ter boas orientações para escolher 
da melhor maneira seu livro. E também possa voltar a este Guia, já utilizando o livro, e ver as formas 
de incrementar suas características positivas, e melhor desdobrar-se nos pontos em que ele se mos-
tra menos rico ou simplificador da vasta realidade. 
O livro pode estimular o professor a buscar e melhor explicitar a procura de relações entre o que o 
livro trata e a vida cotidiana do estudante. Essa relação livro didático e a vida/espaço do estudante 
não se dá naturalmente, não é facilmente perceptível. Cabe ao educador fazer estas pontes. Não há 
livro que abarque, nem de perto, a imensa gama de variedades que a palavra realidade evoca. Múlti-
plas são as realidades. Mundo mundo vasto mundo. Mundos mundos vastos mundos. 
É o professor quem executará o trabalho intelectual, reflexivo, de potencializar as ligações entre o 
mundo do livro e o mundo cotidiano do estudante. Acreditamos com facilidade, o que muitas vezes 
é falso, que o estudante percebe a cotidianidade e faz as relações do que falamos em sala de aula. É 
preciso uma intencionalidade maior para fazer estas relações aparecerem. Novamente aqui estamos 
falando de uma concepção autoral, intelectual do papel do professor. 
Em educação, o espontaneísmo leva à precarização da relação professor-estudante e, claro, a precari-
zação da aprendizagem. O professor que se vale demasiado da intuição, da experiência, pode incorrer, 
dado ao excesso de confiança e improvisação, no dogmatismo. Transforma suas crenças pessoais em 
certezas indo na contramão da sua intencionalidade crítica. Desenvolver essa crescente capacidade 
de abstração do estudante do Ensino Médio é um desafio para o qual a escola precisa estar atenta. 
Uma pergunta que pode orientar suas aulas e o próprio uso do Livro Didático é: você encontrou a Ge-
ografia que queria nos livros? A pergunta pode soar estranha, mas é preciso novo exercício de autoria 
intelectual para respondê-la, afinal, requer que você professor, pense qual é a Geografia que defende. 

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De novo, aqui, não há resposta única, pois os caminhos teóricos e metodológicos são variados, mas 
sim, propõe-se que você tenha minimamente suas escolhas ponderadas pela reflexão consciente, a 
fim de que o livro NÃO se transforme num manual burocrático seguido página a página numa lista 
quase infindável de temas. Risco de que o livro guie a ação educativa. Risco conjunto: desmotivar o 
interesse do estudante pela aprendizagem desta disciplina, pois, se o professor se deixa guiar pelo 
livro didático, o estudante pouco se encantará por este conhecimento.
Outras perguntas: o uso do livro didático que você escolheu contribui para a sua formação como edu-
cador? Sim, é isso, o livro ajuda a (re)educar você, educador? O professor não é um instrumento do 
livro, um seguidor apático. O professor é instigado a repensar sua prática no decorrer do ano letivo, 
pois à medida que avança o ano, com o consequente uso do livro didático, permite ao professor o 
repensar de sua docência. Como você utiliza o livro diz muito de sua maneira de ser professor. A ideia 
é que o livro possa ampliar e amparar sua margem de escolhas e interpretações. Afinal, o livro didá-
tico não é algo estático. Mesmo impresso, interage com a nossa forma de ser-estar professor. Admitir 
as muitas possibilidades de interpretar e ler os fenômenos tratados pelo livro didático, e as muitas 
possibilidades de se ler os espaços, não implica advogar o relativismo do “tudo vale”, pois “cada 
ponto de vista é/seria defensável” em nome da “democracia e da liberdade”. Para defender a nossa 
ideia, seja ela qual for, é indispensável o desenvolvimento da capacidade de ler, interpretar e opinar. 
E mais, um passo difícil, o da empatia, isto é, a capacidade de se pôr na pele e na cabeça do outro. Ser 
empático é muito mais difícil do que ser simpático ou antipático a cada ideia colocada num debate. 
Ser contra ou a favor é mais rápido do que tentar entender o outro, pois isso requer uma escuta aten-
ta e menos pressa em emitir opiniões. O papel fundamental da escola é acolher este tipo de prática 
reflexiva, a fim de que a doxa (a opinião) não seja ortodoxa, dogmática, inflexível. Tarefa magistral. 
Tarefa de mestre. E a Geografia, com seus conceitos e, claro, com seus livros, pode acompanhá-lo 
nesta travessia. 
Um alerta: admitir as divergências e até a conflitividade das ideias que circulam nas escolas não é 
para estimular divisões entre estudante. O contrário, a convivência com o diferente é suposto neces-
sário numa sociedade plural e democrática. No entanto, aceitar as diferenças não é simples. Há que 
sermos permanentemente (re)educados para tal.  
E a Geografia pode contribuir neste processo, pois a toda hora nos apresenta o diferente, seja em ou-
tros países, outros estados, outras culturas. O Outro é logo aqui! O Outro é/está do meu lado. Convivo 
com o Outro. O Outro é o não-eu, ou seja, todos! Mas a escola e a Geografia podem fazer uma virada 
epistemológica: de ameaça e desconfiança, posso ver no outro, no diferente, riqueza e curiosidade.
Também, mas não por último, e até para não ampliar por demais as potencialidades de visões, seja 
deste Guia, seja do livro didático, cabe a você, professor, pensar o que é acessório e o que é principal 
ou imprescindível no livro. 

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Há que se selecionar, escolher, na vasta prateleira de possibilidades, os temas que pautarão sua re-
lação pedagógica com os estudantes. O que excluir no livro didático e incluir de temas extras? O que 
aproveitar do livro didático e excluir dos temas imediatos? Novamente a autoria e a autonomia do pro-
fessor entram em campo. Não há livro didático que vai fazer tais opções. Elas não são ‘técnicas’, não de-
pendem ‘apenas’ do quanto você conhece Geografia. Dependem das prioridades que você, como edu-
cador e cidadão, elege. E os critérios que balizaram esta ou aquela escolha são, mais do que do campo 
da técnica, escolhas éticas, estéticas e políticas. Você, professor, ao fazer suas escolhas e supressões, 
estará, novamente, propondo discussões éticas e políticas que podem ampliar e/ou limitar a autoria 
e a autonomia dos seus estudantes. Se falamos do potencial de abstração e decisão que todos os 
estudantes têm, convém enfatizar que tal potência requer acompanhamento e estímulo do professor. 
Um esclarecimento: poucas linhas atrás citou-se o Drummond no Poema de Sete Faces: “Mundo mun-
do vasto mundo, / se eu me chamasse Raimundo / Seria uma rima, não seria uma solução. / Mundo 
mundo vasto mundo, / mais vasto é o meu coração”. 
A Geografia trata do mundo? Sim! Tudo cabe no mundo? Também sim! Mas, ou apresentamos algum 
foco e alguma direção a rumar, ou corremos o comum risco de nos perdermos na Geografia com seus 
inumeráveis temas. Temas com potenciais críticos, mas, se excessivamente dispersos, enfraquecem a 
capacidade da Geografia em ampliar o entendimento do mundo em que vivemos. 
Um desafio do professor, dentre tantos outros, é auxiliar seus estudantes a encontrar caminhos na 
vastidão do mar do desconhecimento. Para tal, o livro didático pode ser um parceiro importante.

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finalidades e critérios  
da avaliação
<
finalidades>
De acordo com o artigo 35 das Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB (Lei nº 9.394/96), o Ensino 
Médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades:
I -  a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibili-
tando o prosseguimento de estudos;
II -  a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo 
a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento pos-
teriores;
III -  o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento 
da autonomia intelectual e do pensamento crítico;
IV -  a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a te-
oria com a prática, no ensino de cada disciplina.
Neste contexto que se insere o livro didático para o Ensino Médio, constituindo-se como mais uma ferra-
menta de apoio no desenvolvimento do processo educativo, com vista a assegurar a articulação das dimen-
sões da ciência, cultura, trabalho e tecnologia no currículo dessa etapa da educação básica.
A avaliação das obras didáticas no PNLD 2018 busca garantir a qualidade do material a ser encaminhado às 
escolas públicas, incentivando a produção de materiais cada vez mais adequados, em conformidade com 
a legislação vigente. Para alcançar todos esses objetivos, a obra didática deve veicular informação correta, 
precisa, adequada e atualizada. É preciso que a obra didática contribua com o trabalho do professor no 
sentido de propiciar, aos estudantes, oportunidades de desenvolver ativamente as habilidades envolvidas 
no processo de aprendizagem. Além disso, a obra didática, como mediadora pedagógica, proporciona, ao 
lado de outros materiais pedagógicos e educativos, ambiente propício na busca pela formação cidadã, fa-
vorecendo aos estudantes estabelecer julgamentos, tomar decisões e atuar criticamente frente às questões 
que a sociedade, a ciência, a tecnologia, a cultura e a economia. Como parte integrante de suas propostas 
pedagógicas, os livros didáticos devem contribuir efetivamente para a construção de conceitos, posturas 
frente ao mundo e à realidade, favorecendo, em todos os sentidos, a compreensão de processos sociais, 
científicos, culturais e ambientais.

No âmbito do PNLD 2018 foi realizada a avaliação pedagógica de obras didáticas (Livro do Estudante e Ma-
nual do Professor) destinadas aos três anos do Ensino Médio.

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As coleções inscritas foram submetidas a um processo de avaliação pedagógica tendo por base os critérios 
eliminatórios definidos em edital. Além dos critérios eliminatórios comuns a todos os componentes curricu-
lares, o edital conta com critérios eliminatórios específicos do componente curricular Geografia. 
Os critérios eliminatórios comuns e específicos à avaliação dos livros didáticos destinados ao Ensino Médio 
são os expressos no Anexo III do Edital do PNLD 2018, tal como apresentados a seguir.

a.  respeito à legislação, às diretrizes e às normas oficiais relativas ao Ensino Médio;
b.  observância de princípios éticos e democráticos necessários à construção da cidadania e ao convívio 
social republicano;
c.  coerência e adequação da abordagem teórico-metodológica assumida pela obra no que diz respeito à 
proposta didático-pedagógica explicitada e aos objetivos visados;
d.  respeito à perspectiva interdisciplinar na abordagem dos conteúdos;
e.  correção e atualização de conceitos, informações e procedimentos;
f.  observância das características e finalidades específicas do manual do professor e adequação da obra 
à linha pedagógica nela apresentada; 
g.  adequação da estrutura editorial e do projeto gráfico aos objetivos didático- pedagógicos da obra.
Além dos critérios eliminatórios comuns a todos os componentes curriculares, foram estabelecidos requi-
sitos eliminatórios específicos para cada componente curricular, que consistem em detalhamentos dos cri-
térios comuns mencionados anteriormente.

geografia>
Além dos critérios eliminatórios gerais, já apresentados neste guia, as coleções do componente curricular 
Geografia inscritas devem atender aos seguintes critérios específicos:
a.  atividades referentes aos conteúdos e materiais geográficos que propiciem a interação professor-estu-
dante por intermédio de um diálogo em que sejam possíveis a expressão de significados pelo professor 
e a ressignificação do conhecimento pelo estudante, com a finalidade de vinculá-lo à prática social; 
b.  coerência e adequação metodológicas internas entre os livros da coleção, tanto no que se refere à 
linha de pensamento geográfico adotada, quanto à orientação pedagógica;
c.  os conteúdos e conceitos geográficos aceitos pela comunidade científica e aplicados a todas as 
regiões do país, demonstrando conhecimento atualizado dos avanços teóricos e das pesquisas pu-
blicadas na área;  
d.  conceitos a partir dos processos, dinâmicas e fenômenos, em suas relações espaço-temporais;
e.  conceitos e informações apresentados de forma errada ou confusa, dificultando os relacionamentos 
próprios da análise geográfica da realidade;
f.  informações corretas, atualizadas que demonstrem o embasamento teórico-metodológico adotado;
g.  mapas, gráficos e tabelas utilizando a linguagem cartográfica, localizando corretamente a informação 
geográfica no espaço e no tempo e articulando diferentes escalas geográficas;

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h.  isenção de qualquer tipo de doutrinação (religiosa, política), bem como de preconceitos, como os de 
origem, condição socioeconômica, etnia, gênero, religião, idade, orientação sexual ou outras formas de 
discriminação, seja nos textos, seja nas ilustrações;
i.  isenção de marcas, símbolos ou outros identificadores de corporações ou empresas, a não ser quando 
se mostrarem necessários para explicar os processos espaciais.
O Manual do Professor deve se constituir também num documento de formação continuada do docente. 
Desta forma, ao avaliá-lo, foram seguidos, além dos critérios gerais definidos pelo Edital PNLD 2018, os 
seguintes critérios::
a.  explicitar os objetivos da proposta didático-pedagógica efetivada pela obra e os pressupostos teórico-
-metodológicos por ela assumidos;  
b.  descrever a organização geral da obra, tanto no conjunto dos volumes quanto na estruturação interna 
de cada um deles; 
c.  apresentar o uso adequado dos livros, inclusive no que se refere às estratégias e aos recursos de ensi-
no a serem empregados; 
d.  indicar as possibilidades de trabalho interdisciplinar na escola, oferecendo orientação teórico-meto-
dológica e formas de articulação dos conteúdos do livro entre si e com outros componentes curricula-
res e áreas do conhecimento
e.  discutir diferentes formas, possibilidades, recursos e instrumentos de avaliação que o professor pode-
rá utilizar ao longo do processo ensino e aprendizagem; 
f.  propiciar a reflexão sobre a prática docente, favorecendo sua análise por parte do professor e sua 
interação com os demais profissionais da escola; 
g.  apresentar textos de aprofundamento e propostas de atividades complementares às do livro do 
estudante;
Especificamente para o componente curricular Geografia, a avaliação pedagógica dos livros didáticos ob-
servou os seguintes critérios, quanto ao Manual do Professor:
a.  apresenta orientações para o docente exercer suas funções em sala de aula ou fora dela (estudos 
do meio e trabalho de campo, dentre outras atividades), bem como bibliografia diversificada e 
sugestões de leitura, propostas de atividades individuais e em grupo, e sugestões de diferentes 
formas de avaliação; 
b.  contempla a relação entre as subáreas da Geografia, bem como a interdisciplinaridade para proporcio-
nar a compreensão integrada dos fenômenos naturais e sociais com outras áreas de conhecimento; 
c.  demonstra, coerentemente, o encaminhamento das questões didático-pedagógicas vinculadas aos 
processos cognitivos e ao aprendizado científico de conhecimentos e conteúdos de caráter geográfico; 
d.  contém mecanismos e proposições que auxiliem o professor nos processos de avaliação da aprendiza-
gem, contemplando atividades referentes ao conteúdo e relativas aos trabalhos práticos.

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coleções aprovadas: 
algumas considerações
A avaliação das coleções de Geografia foi realizada sob a responsabilidade da Universidade Federal do 
Rio Grande do Sul, por uma equipe de professoras e professores de várias regiões do país (Gráfico 1).
A presença de professores de diferentes regiões do Brasil, representada no Gráfico 1, qualifica o olhar 
dos avaliadores, tendo em vista que as coleções que compõem este Guia serão utilizadas por brasilei-
ros das escolas públicas da Educação Básica de todo o país. Se existe a diversidade de olhares na ava-
liação, certamente a leitura e a interpretação dos elementos que compõem o livro serão mais afinadas.
Outra preocupação evidenciada na composição da equipe avaliadora foi a participação dos professo-
res da Educação Básica e do Ensino Superior (Gráfico 2).
8% norte
21% nordeste
18% centro-oeste
sudeste 35%
sul 23%
gráfico 1: avaliadores das coleções por região do país em que atuam
ensino
superior
educação
básica municiapl
educação
básica estadual
educação
básica federal
gráfico 2: modalidade de ensino em que atuam os professores avaliadores
62%
12%
17%
9%

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A troca de experiências entre professores da Educação Básica, atuando em sala de aula, e professores 
universitários com experiências em ensino e pesquisa permite o entendimento de como o livro didático 
é traduzido no contexto da sala de aula. Todos sabem Geografia, mas qual é a Geografia de cada um? 
A avaliação realizada sobre as coleções resulta do encontro de professores para além do gênero, da 
titulação acadêmica ou da lotação institucional, mas na confluência das experiências diferenciadas 
trazidas pelo ensino e pela pesquisa, pelas suas filiações teóricas, pelas suas visões de mundo. Todas 
foram enriquecedoras para o processo avaliativo.
Embora a tentativa de resumir uma gama tão vasta de coleções avaliadas seja arriscada, tentaremos 
esboçar algumas características gerais que, sem intentar destacar uma coleção em detrimento de 
outra, ofereçam uma visão panorâmica no estado da arte da produção didática de Geografia neste 
atual momento.
Destacam-se algumas concepções e os conceitos-chave que reverberam fortemente nas coleções 
analisadas.
A busca da integração-compatibilização, no ensino da Geografia Escolar, dos aspectos naturais com 
os aspectos humanos. Atente, professor, como seu livro didático trata da questão sociedade-nature-
za. Predomina ainda a dicotomia Geografia Física (GF) – Geografia Humana (GH)? A natureza é tratada 
separadamente dos temas ligados à população? A natureza é vista integradamente ou predomina 
a fragmentação em relevo, clima, hidrografia, vegetação? Em nome da vontade de ser didático, não 
esquartejamos de forma artificial o todo? Será que algum estudante, ao sair da escola, andando pelo 
seu bairro/cidade olha o seu entorno e vê isoladamente ‘clima’, ‘relevo’, ‘vegetação’? Se criticamos, no 
discurso, a dicotomia GF e GH por que, em nome da ‘didática’, do ser ‘entendido’, fragmentamos arti-
ficialmente a natureza? Mesmo que não se tenha clara a solução destes entraves históricos, convém, 
ao menos, reparar como tais assuntos são tratados nesta ou naquela coleção.
Em termos de conceitos-chave, ficam claras algumas tendências. Por exemplo, o conceito de paisagem 
avança claramente além do seu aspecto visível, fenomênico. É clara a intencionalidade dos autores em 
incorporar os aspectos da subjetividade, isto é, ressaltar que o que observamos varia de pessoa a pes-
soa. Podemos ver a mesma coisa (um sapato, por exemplo), mas como cada um lê este sapato? É que 
a perspectiva em relação a um mesmo objeto ou fenômeno depende da identidade de quem olha. Ou 
seja, são muitos os cruzamentos possíveis ao se reparar ou analisar certo fato ou paisagem. Em certos 
momentos, minha condição social é mais importante do que minha etnia ou crença religiosa. 
Na reflexão acerca do território, destacam-se os temas/conceitos da globalização, a ideia das frontei-
ras culturais e o já claro tema do espaço como sinônimo de disputa de poder. Uma ideia subjacente 
a todos esses tópicos: a dinamicidade do espaço, em seu permanente movimento de transformação. 
Seja pela economia ou pela cultura, as sociedades humanas se conectam crescentemente gerando 
efeitos os mais variados. 

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No que diz respeito ao tema da região/regionalização, é preciso atentar nas coleções aprovadas qual 
é o critério adotado pelos autores para organizarem a leitura do mundo. Através de que critério o 
mundo é regionalizado? Se até bem pouco tempo era quase universal a divisão do mundo em conti-
nentes, hoje tal tendência se mostra minoritária, quase inexiste. Os processos econômicos sobrepu-
jam, muitas vezes, os Estados Nacionais, sem aboli-los. O importante aqui é construir a ideia de que 
o mundo não se divide naturalmente desta ou daquela forma.
A importância do Trabalho de Campo também é uma tendência clara que aparece em todas as co-
leções. A ideia de sair dos limites da sala de aula para conferir in loco os fenômenos tratados. Claro 
que, em muitas escolas públicas, há uma dificuldade de se efetivar tal movimento, mas também se 
quer realçar que, muitas vezes, no entorno da escola, há uma série de aspectos, seja da natureza ou 
da sociedade, que podem ser conferidos. Trata-se da educação do olhar, entendido aqui não apenas 
como uma mirada com mais vagar, mas que inclua o olhar interrogativo acerca do que se vê seguida 
e apressadamente sem maior atenção.
Observar, por exemplo, o estado de conservação e cuidado com as calçadas pode ajudar os estu-
dantes a perceberem que, muitas vezes, os espaços públicos são hostis à livre circulação de pessoas 
pela simples inexistência de uma calçada bem cuidada, ou a inexistência de um ônibus com elevador 
para cadeirante. Aí a escola não tem poder de mudar, mas pode ajudar os estudantes a ter uma maior 
capacidade de empatia com pessoas que não têm condições de locomoção. 
Ressalte-se nas coleções a leitura de mapas como uma atividade cognitiva de alta abstração. Não 
mais o olhar apressado e meramente de ‘localizar pontos ou lugares’, mas perceber o mapa como o 
resultado de algo histórico, um processo. Mesmo quando se mira um mapa de um fenômeno natural, 
há cada vez mais a ideia de se fortalecer o longo tempo que estes espaços levaram para se formar. O 
mapa é um texto que precisa ser lido. 
Um alerta aqui se faz necessário. Muitos destes mapas, em várias coleções, ainda apresentam legen-
das confusas, carregadas, outras vezes muito abstratas. Não há como ser apressado nesta leitura, 
senão o mapa mais do que revelar, pode esconder temas que o autor pensa ser evidentes. Também 
a questão da escala nos mapas precisa ser vista com atenção. Sabemos que um centímetro no livro 
pode equivaler a dezenas de quilômetros. 
Atente também para a riqueza, quantidade e variedade cada vez maior das imagens/fotos que os 
livros didáticos apresentam. A melhoria da qualidade e variedade das imagens é evidente, mas isso 
vai demandar um olhar pausado e interrogativo acerca desse recurso.  
Destacar a potencialidade dos gráficos e tabelas onipresentes nas coleções. Verdadeiros textos-sín-
tese requerem um olhar pausado e atento, pois não convém ter como fácil o exercício de sua leitura 
e interpretação. 

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