Bendito destino



Baixar 179,11 Kb.
Encontro19.07.2017
Tamanho179,11 Kb.

Bendito Destino Capítulo 5 sexta-feira


BENDITO DESTINO

Novela de Patrick Marques

Escrita por

Patrick Marques



Supervisão de texto

Rafael Carrara



Direção

(indisponível)



Núcleo

(indisponível)



Personagens deste capítulo

ANTERO

BRUNA


CRISTINA

CYBELE


DI

GABI


GLENDA

GLÓRIA


KAMILLA

LAURA


MANU

MARILENA


NEWTON

NILMAR


ODAIR

PAULINHO


PEDRO

RAFA


RITINHA

THAÍS


THIAGO

TRICK’S


VENINA

WANESSA


Participações especiais

BOMBEIRO; CATO; GERENTE; MULHER; POLICIAL.



CENA 1. ESCRITÓRIO THIAGO. INTERIOR. NOITE.

Continuação da última cena do capítulo antecedente. Laura escondida. Venina estranha. Olha com uma cara séria. Laura tensa. Venina senta na cadeira de Thiago. Pega o telefone e disca. Mostra Laura mais uma vez. Venina está ligando para Thiago.

Espontâneo. Alternar com RUA. EXTERIOR. NOITE. O carro de Thiago estaciona numa esquina, ele atende o celular.

Thiago — (cel.) Alô!

Venina — (tel.) Oi, Thiago! Sou eu. A Venina. Desculpe te ligar, mas só quero que tu me digas uma coisa.

Thiago — (cel.) Pode falar.

Venina — (tel.) Tu deixaste a porta aqui da sala aberta?

Mostra Laura no canto, escondida.

Thiago — (off/cel.) Aberta? Como assim?

Venina — (tel.) É que quando eu voltei aqui pra pegar meu celular que eu tinha esquecido, a porta do escritório estava aberta.

Thiago — (cel.) Estranho. Eu me lembro de ter fechado, tudo direitinho. Tem alguma coisa fora do lugar? Alguma coisa estranha?

Venina — (tel.) Não, não. Está tudo normal. Só a porta que estava aberta, até estranhei. Mas está tudo bem.

Thiago — (cel.) Porra, isso acontecer logo no dia que eu falei com aquela mulher. Tá estranho. Vou ter que voltar. Tu me espera aí?

Venina — (tel.) Sim. Eu vou te esperar aqui. Tá bom.... Tchau!

Mostra Laura mais nervosa. Venina desliga o telefone. E o tempo da bomba em ‘08:34’ degredando.

Corta para:



CENA 2. AP. GLENDA E PEDRO. SALA. INTERIOR. NOITE.

Pedro acaba de entrar na sala pela porta da frente, entra vindo do quarto Glenda.

Glenda — Eu só quero saber de uma coisa, Pedro! Por que tu andas com o celular desligado?

Pedro — Acabou a bateria e eu tive que.../

Glenda — (gritando) Isso não é desculpa pra não ter me ligado! Tu sabes muito bem que vo.../

Pedro — (alto) Não grita! Eu não cheguei em casa a essa hora pra ficar aturando ataque de ciúmes!

Glenda — Onde é que tu estavas até a essa hora, Pedro? E não mente pra mim!

Pedro — Eu sai com o Jonas! Hoje de tarde nós fomos ver qual o problema da Cross dele. E resolvemos sair pra ver o...

Glenda — Só podem ter saído pra ver essas piranhas que se encontra na rua, uma hora dessas!

Pedro — (indo ao quarto) Não viaja mulher!

Glenda — (seguindo-o) Pedro, não foge! E me fala! Onde é que tu estavas a essa hora?

Corte contínuo para:



CENA 3. AP GLENDA E PEDRO. QUARTO CASAL. INT.

Glenda ainda insiste. Pedro durante as falas vai trocando de camisa. Glenda está muito nervosa.

Pedro — Será que eu não posso chegar em paz e relaxar na minha própria casa, Glenda? Eu sempre me esqueço com quem estou casado.

Glenda — O que tu não devias esquecer era a hora! Eu parei de te ligar! Tu viste o teu celular? Deve ter umas trezentas chamadas minhas, Pedro!

Pedro — Você está surda ou está se fazendo? Já disse que a bateria do meu celular...

Glenda vai cheirando ele.

Glenda — A mesma desculpa de sempre.

Pedro — O que está fazendo, mulher? Para!

Glenda — Quero ver se está com cheiro de vagabunda. A boca! Tu bebeste?

Pedro — Para!

Glenda — Tô sentindo cheiro.

Pedro — Bebi e daí?

Glenda — Aonde que tu bebeste, Pedro?

Pedro — Num bar, Glenda! (irritado) Ah, qué saber! Eu vou tomar um banho! Não vou dormir agora!

Pedro vai ao banheiro.

Glenda — Vai! Vai tirar o cheiro de puta que está no teu colarinho! Vai! Ai, que ódio! Ah...!

Corta para:

CENA 4. PORTO ALEGRE. RUAS. EXTERIOR. NOITE.

O carro de Di andando pela rua. Dentro dele está Rafa no banco de trás, ao lado de Di que está dirigindo está Trick’s. Rafa ainda bêbado passa mal.

Rafa — Ai, cara. Eu acho que eu bebi demais!

Trick’s’ — Tu achas? Eu tenho certeza!

Di — O quê que te aconteceu, cara? Pra ti beber desse jeito? Nunca foi de enfiar o pé na jaca?

Rafa — Eu não sei, eu não sei... só sei que tô mau. Louco pra vomitar de novo.

Trick’s — Putz! De novo? Já sujou o carro por fora, quer sujar por dentro também?

Rafa — Não enche meu saco! (dando o dedo) Chupa aqui pra ver se sai leite!

Trick’s — Ah, vai à merda!

Rafa — Porra, liga o som, caralho! Quero ouvir música! Dançar!

Trick’s — Mal consegue ficar de pé, vai querer dançar, Rafael?

Rafa — Bota um funk! Quero dançar um funk, eu quero dançar um funk. Cêis não vão botar um funk, pra mim dançar. Eu quero dançar um funk.

Di — Rafa, como é que tu vai dançar dentro do carro?

Rafa — Ai, esse cinto tá me apertando. Eu não quero saber, quero ouvir música! Bota um funk.

Trick’s — Tu nem gostas de funk! Chega de viajar! Tu já vomitou toda a cerveja que tu tomou, então, cara, dá um tempo! E cala essa boca!

Rafa — Trick’s... eu não acredito que tu estas levando pro pessoal. Pô, nós éramos amigos de infância. Eu te considerava, tu me considerava! Tu fala isso pra mim../ ai, esse cinto tá apertado.../ vem dizer isso. Mandar eu calar a boca? Não acredito.. o Trick’s bota um funk aí, pra mim. Por favor!

Trick’s — Não tem funk aqui, Rafael!

Rafa — Coloca qualquer coisa!

Trick’s — Não!

Di — Dá pra pararem! Porra! Parecem dois adolescentes brigando, merda!

Di se descuida, olha para frente, leva um susto com um carro parado na frente e desvia. Fazendo uma manobra muito rápida com o carro. Fazendo o carro parar do lado do outro. CAM foca os três de olhos arregalados. Carro parado. Tempo. Estão nervosos.

Trick’s — Caralho.

Rafa — Minha vida passou diante dos meus olhos.

Di — Vocês estão bem?

Trick’s — Tô.

Rafa — Barbeiro.

Trick’s — Presta atenção nas ruas, Di!

Di — Vocês ficam atazanando a vida do cara, não deixando eu dirigir direito.

O carro ao lado arranca.

Rafa — Vamos embora.

Di engata a marcha. E arranca.

Corta para:



CENA 5. ESCRITÓRIO THIAGO. INTERIOR. NOITE.

Clima tenso. CAM na contagem regressiva da bomba, entre “5:01” e “4:57”. Laura escondida num canto. Venina continua sentada esperando Thiago. Laura está aflita, teme em não sair a tempo. Pensa. Suspira e aparece para Venina que se assusta.

Venina — (susto) Que isso? O quê?

Laura — Calma, escuta.

Venina — O quê que tu tá fazendo aqui? Como entrou aqui? (pegando o telefone) Eu vou chamar a polícia!

Laura — (finge tranquilidade) Se eu fosse tu não farias isso.

Venina — (discando) Do que está falando?

Laura pega o telefone e arranca com força das mãos de Venina e joga no chão.

Venina — (afastando-se) Que isso?! Tu invade a sala dos outros assim e quebra tudo? O quê que cê tá pensando?

Laura — Escuta aqui uma coisa! Eu disse que pra ti não ligar pra ninguém, o que eu poderia fazer?

Venina — O quê tu quer aqui? Como foi que tu entrou aqui?

Laura — Eu queria minhas provas! Eu quero o que me incrimine! Eu sei que tu sabes onde está. E eu quero que tu me dê aqui.

Venina — Foi tu que entrou aqui, deixando a porta aberta, não foi? Como cê entrou?

Laura — Chega de papagaiada! Isso não importa! Eu quero as provas!

Venina — Não sei! E mesmo se soubesse o que me faria entrega-las pra ti? Eu não tenho medo de você! Tá legal? E se tu não saíres daqui agora, eu vou chamar a polícia! Cai fora!

Laura — Ótimo. Ótimo. Tô saindo.

Venina — Vai.

Laura vai saindo. Venina respira, e fala.

Venina — Vai! Mas pode ter certeza que tu não vai ficar livre! Vamos te colocar na cadeia! E vai ser muito fácil fazer isso. Pode esperar.

Laura volta até ela. Venina enfrenta.

Laura — Quer saber de uma coisa? (T) Fica aí. Fica bem aí onde cê tá. Bem aí!

Laura vai saindo. Venina estranha, olha. E acha a bomba.

Venina — Que isso? (espanto) É uma bomba! Tu colocou uma bomba aqui!

Muito ritmo. Venina tenta sair correndo, Laura a segura. Venina e Laura começam a brigar.

Laura — Não! Você não vai sair daqui!

Venina — Me larga, sua vaca! Sai!

Laura joga Venina na mesa, que derruba algumas coisas. Venina joga alguns objetos que estão na mesa em Laura, Laura avança. Elas caem no chão. Laura por cima, se estapeiam. Venina consegue pegar Laura pelo pescoço e a joga para um lado. Venina se levanta, Laura ainda caída pega Venina pelos pés que cai. Laura volta a pular encima de Venina.

Laura — Volta aqui desgraça! Ah!

Venina — Não! Sai!

CAM na bomba, com o tempo degredando. Venina consegue empurrar Laura com as pernas, Laura voa para trás. Venina mais uma vez, tenta fugir. Laura corre e a prensa pegando-a por trás e pelos cabelos.

Venina — Ah...

Laura a joga para trás pelos cabelos, Venina cai em cima da mesa novamente. Venina volta a olhá-la e leva um tapa de Laura, e mais um chute.

Venina — Ah! Ai!

Laura a derruba no chão. Laura pega uma impressora pesada e joga encima da cabeça de Venina, que fica inconsciente. Tensão. Tempo em Laura indo para trás, ofegante. Mostrar sangue pelo chão. Laura pensa.

Laura — Merda. Merda! Não era pra ti estar aqui, sua idiota! Tenho que ir embora. Deixa eu ver se morreu.

Laura coloca dois dedos no pescoço de Venina.

Laura — Tá viva.

Laura arrasta Venina até a cadeira de Thiago. Laura com um pouco de dificuldade, coloca Venina na cadeira. Laura sai correndo. Fecha a porta. Tempo em Venina desmaiada. Clima.

Corta para:

CENA 6. PRÉDIO THIAGO. EXTERIOR. NOITE.

Laura sai do prédio. Anda até o outro lado da rua, para trás de uma árvore. Olha Thiago chegando. Thiago sai do carro.



A sala de Thiago explode. Um grande susto de quem está por perto. Um fogaréu saindo da sala. Thiago espantado, Laura do outro lado da rua. Baque. Close em Laura. Mais tenso ainda. Mostrar fogo.

Corta para:

1º INTERVALO COMERCIAL

CENA 7. PRÉDIO THIAGO. EXTERIOR. NOITE.

Continuação da cena anterior. Thiago apavorado, prédio em chamas. Muito ritmo. Pessoas gritando, correria. Thiago está perplexo sem saber o que fazer. CAM em Laura assistindo de longe.

Thiago — (perdido) Ah, meu Deus! Venina. Venina!

Thiago tenta entrar no prédio, mas a correria é tanto que ele não consegue, fica num canto só assistindo o fogo queimar. Preocupado, muito nervoso. CAM em Laura, ela indo embora.

Corta para:

CENA 8. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. NOITE.

Manu e Bruna estão na sala, Manu está fazendo as unhas de Bruna.

Manu — Essa cor ficou bonita. Olha.

Bruna — Verdade. Melhor que a outra.

Manu continua. E comenta.

Manu — Sabe que eu nem vi a Laura hoje. Achei até bom, aturar ela agora não ia me fazer bem. Sabe se lá o que ela anda fazendo?

Bruna — Uma coisa que eu acho impressionante é ela não ter ido ao enterro do seu pai por falta de força, mas ter se acordado cedinho pra dar bordejos por aí teve muita força.

Manu — Não vamos julgá-la. A gente não sabe o que ela está fazendo. Vai saber!

Bruna — Coisa boa não é! Mas tu tá certa. Não vamos ficar falando dela pelas costas. Até por que não queremos isso pra nós!

Corta para:



CENA 9. PRÉDIO THIAGO. FRENTE. EXTERIOR. NOITE.

Carros da polícia, ambulâncias e um caminhão de bombeiro estacionado frente ao prédio. Fogo controlado. Thiago está encostado num dos carros da polícia falando com um policial.

Thiago — (tenso) Eu.. eu não sei o que aconteceu, eu não sei como aconteceu. Eu, eu estou muito nervoso. Eu não consigo acreditar.

Policial — Tinha alguém no momento da explosão?

Thiago — Uma amiga.. uma mulher! Estava me esperando! É a.. a Venina! Ela estava me esperando. Ela me ligou de lá. Disse que tinha voltado pra pegar o celular que esqueceu e viu que a porta tinha ficado aberta! Eu tinha certeza que não tinha deixado aberta, que fechei, está nitidamente na minha cabeça que eu fechei a porta! Ela achou estranho, me ligou, e disse que ia me esperar! E eu cheguei aqui e... ah...

Policial — Tudo bem. Calma.

Um bombeiro se aproxima.

Policial — Qual é situação?

Bombeiro — Perda total. E... (off) encontramos um corpo no escritório.

Thiago — (junto) Ah... não acredito. É a Venina! É a Venina! É ela, gente! (nervoso/chorando) Ela ficou, ficou aí! É ela! E ela morreu... e agora... ai, meu Deus! Que eu faço?

Policial — Calma. Calma!

Thiago senta-se, mãos na testa. Muito tenso. Respira forte. Tempo nele.

Corta para:

CENA 10. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. NOITE.

Ambiente vazio. Entra pela porta da frente Laura. Ela se escora na porta. Suspira. Pensa. Começa riso. Vai andando até o meio da sala aumentando a risada, até virar uma gargalhada.

Laura — (gargalhada) Bum! (gargalhada) Bum!

Laura rindo se vira, e Manu está a sua frente. Laura vai parando de rir, e olha para Manu olhando para ela séria.

Manu — (T) Qual é a graça?

Laura — Eu... eu estava me lembrando do seu pai. (ri) Das besteirinhas que ele sussurrava no meu ouvido, das piadas sem graça que entendi só agora, e dos bons momentos que passamos juntos. Com uma grande irreverência, teu pai me conquistou, Manu. Eu amei muito ele... e (finge) saber que ele não voltará mais... (finge choro) me deixa muito triste e com uma dor enorme no peito. Passei o dia inteiro com ele hoje... no túmulo, peguei tudo certinho com o tio Zé, e fiquei lá... até algumas horas, me lembrando dele. Dos momentos bons. E depois sai a procura dos lugares aonde íamos e... adorei tanto de ter lembrado tudo isso. E... cheguei em casa, com uma alegria enorme, porque eu sei, eu tenho certeza de que onde quer que ele esteja, ele quer que nós sejamos felizes! E é assim que nós temos que ser! Vamos nos unir! Se juntar! Pra enfrentar qualquer coisa que venha! Unidas! Tenho certeza que seu pai ia adorar ver isso. (t) Preciso deitar.

Manu — (emocionada) Boa noite.

Laura — Boa noite.

Clima, Laura sobe as escadas. Manu passa a mão nos cabelos, pensativa.

Corte contínuo para:



CENA 11. CASA LAURA. QUARTO LAURA. INTERIOR. NOITE.

Laura entra. Está mais calma, conseguiu escapar. Pensativa.

Laura — (inerte) Preciso fazer alguma coisa. Preciso de dinheiro. Preciso me livrar dessas gurias. O quê que eu faço? (pensa) Hum... Já sei.

Tempo nela, fazendo carinho no gato Lúcifer.

Corta para:

CENA 12. APART VLADMIR E THAÍS. INTERIOR. NOITE.

Thaís está impaciente, Vladmir percebe. Ela anda de um lado para o outro.

Vladmir — (T) Qual o problema?

Thaís — Problema?! (tom alto) Tem problema sim. Quer saber qual é o problema?

Vladmir — Não quero mais.

Thaís — Não, mas mesmo assim eu te digo qual o problema, olha aqui! Hoje! Eu não gostei nada, nada você e aquela tua amiguinha gaúcha?

Vladmir — Minha amiguinha? Que eu saiba ela era sua amiguinha.

Thaís — Não te faz de santinho não, tá?! Eu vi os olhares! Não tenta me passar a perna.

Vladmir — Não estou tentando te passar a perna! Não teve troca de olhares nenhuma. Sei lá o quê que teve. Sei lá! Pô, eu salvei a vida da mulher.

Thaís — Você beijou ela!

Vladmir — Respiração boca-boca! Primeiros socorros, não sabe o que é isso?

Thaís — E a língua?

Vladmir — Não saiu da minha boca e nem da boca dela! Pode acreditar. (T) mais uma vez estamos brigando por falta de confiança. E dessa vez por sua causa. Eu não vi maldade nenhuma, a mulher só me admirou por eu ter salvado a vida dela. Só isso, Thaís!

Thaís — Como se a vida dela não valesse nada! Olha, eu não sei por que você sempre tem que bancar o herói! Pô, deixasse que um solteiro a salvasse!

Vladmir — Quanta bobagem! Olha as asneiras que tu está dizendo! Não tem nada a vê! E se não houvesse solteiros no local? Ela ia morrer? É isso? Não sabia que tu eras tão fria assim, a ponto de pensar desse jeito.

Thaís — tudo bem! Tudo bem! Tá! Eu sei que você fez o certo em tê-la salvado. Okey? Mas pra que aquela troca de olhares?

Vladmir — Que troca de olhares...

Thaís — (falando junto) teve sim troca de.../

Vladmir — Não teve nada disso. Isso deve estar tudo na tua cabeça. Só isso! E chega! Eu vou dormir! Já me cansei dessa palhaçada. Me dá um tempo!

Vladmir sai pro quarto. Tempo em Thaís revoltada.

Corta para:

CENA 13. CASA PICCOLI. SALA. INT. NOITE.

Nilmar e Kamilla descendo as escadas. Olham para ver se não aparece ninguém, estão tramando. Cuidados para não fazer barulho, vão saindo.

Corte descontínuo para:

CENA 14. CASA PICCOLI. FRENTE. EXTERIOR. NOITE.

Plano geral da frente da casa Piccoli. A porta da garagem se abre. O carro de Odair vai saindo com os faróis desligados. Quem está dirigindo é Nilmar. Ao lado, Kamilla. Eles saem vagarosamente.

Corta para:

CENA 15. PORTO ALEGRE. RUAS. EXTERIOR. NOITE.

Muito ritmo. Fundo musical: “Os Avassaladores – Sou Foda”. CAM rápidas por algumas ruas do centro. O carro de Odair fazendo curvas arriscadas. Manobras dignadas de quem está apenas começando a dirigir. Mostrar dentro carro: Nilmar dançando partes da música que está tocando, fazendo o carro andar em ziguezague de acordo com a música. Kamilla está adorando tudo, abre o teto solar do carro. E se levanta. Nilmar canta:

Nilmar — (cantando) Sou foda! Na cama te esculacho!

Kamilla — Uh...!

O carro anda rápido, e ziguezagueando. CAM parada, carro anda até o fim de uma rua, CAM sobe ao céu.

Com o som da música corta para vinheta do intervalo:

2º INTERVALO COMERCIAL

CENA 16. PORTO ALEGRE. RUAS. INTERIOR. AMANHECER.

Amanhecer em Porto Alegre. Sol entre prédios do centro. Alguns takes da cidade. Ao som de: “Horizontes – Homenagem à Porto Alegre”. O lago Guaíba; Lami; carros de todo dia na Rua Andradas; lago da Redenção; um galderio tomando chimarrão em alguma praça; lanchas no Guaíba; alguns caras de remo; pessoas andando de bicicleta, e fazendo caminhada no Gasômetro.

Corta para:

CENA 17. CASA PICCOLI. GARAGEM. INTERIOR. DIA.

Odair aparece entrando na garagem, abre a porta do carro, para. Olha para as rodas do carro. Estão sujas de lama. Estranha. Chega mais perto, para ver melhor.

Corte descontínuo para:

CENA 18. CASA PICCOLI. SALA. INT. DIA.

Odair entra na sala já falando com Glória.

Odair — Teu carro está com algum problema?

Glória — Não. Por quê?

Odair — Se quisesse pegar meu carro, seria melhor ter me avisado antes.

Glória — Mas eu não usei teu carro.

Odair — Mentir também não é legal.

Glória — Tô falando serio! Não peguei. Por que, o que aconteceu? Mexeram no teu carro?

Odair — Se não foi tu... quem seria? Cristina está viajando.

Glória — Mas o quê que foi? Pegaram o teu carro? O que aconteceu?

Odair — Eu fui sair com o carro hoje, e vi que as rodas estão sujas e não me lembro de ter passado por nenhum... barral que tenha por aí.

Glória — Ai, Odair! Tu mesmo acaba de dizer que não se lembra. Pode ter sido isso mesmo. Tu passou por algum lugar que sujou as rodas, e nem se lembra. Não encafifa com isso não. Tá?

Odair — Sei não... tá estranho.

Corta para:



CENA 19. TORONTO. RUAS. EXTEIOR. DIA.

Fundo musical escolhido pela direção. Alguns takes da cidade. Cristina passeando pelas ruas. Frente a lojas. Ela entra.

Corta para:

CENA 20. LOJA. INTERIOR. DIA.

Cristina da uma olhada em algumas roupas, escolhe algumas, e leva ao provador. Corte: ela já está no caixa para pagar as compras. A mulher da loja pega o dinheiro. Sente algo entranho.

Mulher — One moment!

A mulher sai, Cristina não entende. A mulher volta com o gerente da loja.

Gerente — Excuse me. The money you gave is false.

Cristina — What? I. .. I was wrong. Sorry. Fooled me, giving me this money.

Gerente — Yes, We'll have to call the police.

Cristina — (T, angustiada) Tá bom... é: Okey!

Corta para:

CENA 21. DELEGACIA. INTERIOR. DIA.

Thiago falando com o delegado Cato. Ele tem quase certeza que de Laura quem explodiu seu escritório.

Thiago — Foi ela! Foi a Laura Barilare Almeida quem explodiu a minha sala! Foi ela!

Cato — Tem provas?

Thiago — (convicto) Tenho! (pensa) Tinha. Não tenho mais. Estava tudo no escritório. Mas eu posso provar que foi ela!

Cato — Como?

Thiago — Não sei! (t) Bom, mas deixa! Eu vou conseguir de novo as provas que comprovam que ela é uma assassina! Cê vai ver. Vai ser difícil, mas eu provo que foi ela a assassina da Venina! Claro! Ela queria ter as provas que incriminavam ela, como ia ser difícil de achar, colocou a bomba lá, a Venina sem saber ficou me esperando com a bomba na sala. E acabou... tendo esse fim trágico.

Cato — Se tu tens como provar tudo isso que tu estás falando, melhor ainda, conseguimos colocar ela na cadeia no ato, mas se não tiverem nada. Não podemos fazer nada.

Thiago — Sei... sei muito bem como é!

Cato — O investigador aqui é tu, vai a luta meu querido.

Thiago — Claro. Mas no meu depoimento vou citar o nome dela, e vocês serão obrigados há pelo menos interroga-la.

Cato — Faça como quiser. Só tenho a te desejar boa sorte. E agora, vou pra outro caso. Ah... brigas de vizinhas. Coisa mais peculiar aqui nessa delegacia.

Thiago — Hum, agora eu que te desejo boa sorte. Também estou de saída, vou ao velório da Venina.

Corta para:



CENA 22. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. DIA.

Manu e Bruna falando sobre Laura ter passado o dia inteiro longe de casa.

Bruna — O que ela disse?

Manu — (explica) Ah, disse que passou o dia se lembrando do papai. Que foi no chorar no túmulo dele, nos lugares que se lembrava dos momentos que eles passaram juntos.

Bruna — E tu acreditou?

Manu — Ela me pareceu tão triste, sabe, de verdade. Acho que não teria como ela encenar tão bem assim. (off) Só se ela fosse uma bela atriz.

Off de Manu, é Laura do alto da escada espiando.

Bruna — Sei não... a Laura é uma raposa. Sabe muito bem como enganar os outros. Tu mesma sabe disso. Não sei por que se deixou abalar.

Laura entra de surpresa para elas, deixando Bruna sem jeito. Manu está inerte.

Laura — Não sei por que tanta desconfiança, Bruna. Até parece que tu não acredita no meu amor pelo pai de Manu. Eu quero te deixar bem claro, que eu amei muito aquele homem. Mesmo que tu duvide disso, estou pouco me lixando. Eu sei de mim.

Bruna — Laura, eu não quis dizer que../

Laura — (corta) Eu sei muito bem o que tu quis dizer! Eu não sou boba. Se tu não acredita, tudo bem. Mas não fique colocando coisas erradas e maléficas na mente da Manu, colocando a gente uma contra a outra. Isso é feio! Não tem nada tão baixo que isso.

Bruna — Eu tenho minha opinião formada sobre ti, e quero só../

Laura — (corta) Não, não... eu sei muito bem o que tu quer! Quer colocar uma contra a outra! (para Manu) Eu só espero que tu, Manu, veja que tipo de amiga que tu tens!

Bruno — Eu, de momento algum, quis colocar a Manu contra ti, Laura! Eu só não acho que tu tenha sido assim tão sincera como ela mesmo me disse. E digo isso na sua cara mesmo!

Laura — Olha aqui, guria, eu não vou mais aturar desaforo na minha casa! Um vacilo! Um vacilinho seu, e tu está fora desta casa!

Manu — Chega! Vamos parar com isso!

Laura — Olha... eu não estou mais afim de me estressar. Só vou pedir a ti, Bruna, que pare de colocar caraminholas na cabeça da Manu. Estou saindo.

Laura sai. Bruna tenta se explicar para Manu.

Bruna — Manu, eu nunca quis que tu...

Manu — Não, não. Tudo bem, Bruna. Quem quis colocar uma contra a outra foi a Laura agora. Eu não sou tão boba assim. Já está na hora da gente abrir os olhos com a Laura.

Manu pensativa, Bruna aliviada.

Corta para:

CENA 23. DELEGACIA TORONTO. SALA. INTERIOR. DIA.

Cristina está ao telefone com sua mãe. Cris está indignada com a situação que se encontra.

Cristina — Foi aquela esdrúxula da Marilene! Fez isso só pra me prejudicar, mãe! (T) Não, eu vim parar numa delegacia. (T) Isso foi um planinho imbecil só pra me prejudicar. Sabe aquele tipinho de gente baixa, capaz de fazer das maiores idiotice pra poder ver a desgraça dos outros. Isso é a Marilene! Que mulherzinha à toa. (T) Sim, eu já expliquei toda a situação para o delegado daqui, e falta pouco para eles me liberarem. (T) Pois é, quando eu chegar ao Brasil, vou ter uma conversa muito seria com ela!

Cristina desliga o celular, e senta-se a numa cadeira muito brava.

Corta para:

CENA 24. TOP-STAR. MESA MARILENA. INTERIOR. DIA.

Marilena e Gabi conversam sobre Cristina, falas já rolando.

Marilena — Eu sei. (risonha) Já não vejo a hora das conversinhas aqui dos corredores transformarem em alvo a decência de Cristina no Canadá!

Gabi — Tem certeza de que isso vai dar certo, Marilena? Não sei, não.

Marilena — Deixa de ser negativa, Gabi! Vai dar certo! Ela está perto de se dar mal! Dessa ela não escapa!

Gabi — Tá bom, vamos ser um pouco sensatas. Esse plano de ferrar com a Cristina é muito arriscado pra ti.

Marilena — Deixa de ser boba, Gabi! Arriscado é, mas tu vai ver! Ela vai cair, e bonito! Eu só deixei o salto dela com uma falha, agora, é só ela querer andar mais do que pode, e pá! Cair bonito!

Risos de Marilena e Gabi um pouco sem entender.

Corta para:

CENA 25. CEMITÉRIO. EXTERIOR. DIA.

Tom triste, o caixão de Venina entrando cova dentro. Thiago num canto muito triste, e pensativo.

Corta para:

CENA 26. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. DIA.

Campainha. Laura vai até a porta. Abre. É Thiago. Tensão. Reação de Laura. Thiago está sério. Laura teme, sem demostrar é claro.

Corta para:

3º INTERVALO COMERCIAL



CENA 27. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. DIA.

Continuação da cena anterior. Laura e Thiago. Thiago tem quase certeza de que foi Laura quem explodiu sua sala. Laura finge não saber o motivo de sua presença.

Laura — Ai, ai... o quê que cê tá fazendo aqui? Eu não te falei que era pra ti ficar longe de mim e de minha família? Tu não tens como provar nada de mim!

Thiago — Foda-se! Eu sei muito bem dos teus crimes! E se tu pensa que vai se safar está muito enganada.

Laura — Veio na minha casa só pra dizer isso? Eu quero que você saia daqui../

Thiago — Eu não vim aqui falar contigo. Vim falar com o teu.../

Laura — Nem tente fazer qualquer especulação para o meu marido que tu vais se dar mau, eu tô avisando..

Thiago — E vai fazer o que, hein, Laura? Me explodir? Me matar, como tu fez com a Venina? Vai?

Laura — O quê? Do que.. do quê que cê tá falando? Eu não sei do que tu tá..

Thiago — (gritando) Não seja idiota! E não me faça de idiota! Eu sei muito bem o que tu fez! Foi até o meu escritório a procura de alguma coisa que te incriminasse, não achou nada, deu de cara com a...

Laura — (interrompe) Nunca ouvi tamanha bobagem!

Thiago — (cortando mais alto que ela) Deu de cara com a Venina! E deu um jeito de matar ela também! Porque tu é uma assassina! Uma psicopata!

Laura — Quê que isso? Veio até a minha casa pra me insultar é? Eu vou chamar meu marido!

Thiago — Ah! Chama! Chama, chama! Eu quero ver ele me dizer na minha cara que quer que eu vá embora, e que ainda está dormindo olhado para essa tua cara!

Laura — Olha aqui, sai da minha casa! Me deixa desobrigada, seu maluco! Eu não sou obrigado aturar esses tipos de coisa! Cai fora!

Thiago — Qual é o problema? Por que não vai chamar o teu maridinho, Laura? Vai me dizer que ela não está em casa?

Laura — Eu vou chamar a polícia! Daí sim, eu quero ver se tu ainda vai continuar...

Thiago — Chega! Chega... eu não saiu daqui antes de falar com o Wesley!

Laura — (risos) Ah, mas não vai mesmo! O Wesley foi viajar! Não está em casa! E não volta tão cedo! Agora vai embora!

Thiago — Não mente! A mim tu não engana!

Laura — Tô falando seu idiota! Ele foi pra bem longe, ajudar os carentes do Acre! E agora, some da minha casa!

Thiago — Para! Chega! Não mente! Eu vou descobrir onde está o Wesley! E vou provar pra ele tudo o que tu já fez, com as provas. E quero ver ele me dizer que ainda quer continuar casado com uma psicopata!

Laura — Chega! Faça o que tu quiser... mas fora daqui! Sai!

Thiago — Escuta bem uma coisa!

Laura — Quê que é?

Thiago — Escuta! Eu vou mostrar pra todo mundo quem tu é! E te farei apodrecer na cadeia!

Laura — Era isso? Pois agora, escute tu uma coisinha, meu querido: eu sou uma mulher honesta, idônea e sensata. Não tenho nada a temer. Nada! Nada do que tu fizer contra mim vai adiantar, sabe por quê? Porque eu sou a melhor... a melhor pessoa do mundo. Uma cidadã honesta! (gritando) Fora da minha casa!

Thiago — É o que veremos.

Laura — Vai, vai...! Vai!

Thiago sai. Laura fecha a porta.

Laura — Que merda! Ah... só pode ser brincadeira.

Laura vai para cozinha.

Corta para:

CENA 28. PORTO ALEGRE. RUAS. EXTERIOR. ANOITECER.

CAM geral de alguma parte da cidade. Alguns takes da cidade. Tocando a música Coldplay – Viva la Vida. Pessoas caminhando por parques. Prédios do centro. Por do sol na orla do Guaíba. Lindo. Um casal se beijando. Carros. Noite em Porto Alegre. CAM objetiva dentro de um carro, mostrando um ponto lindo da parte de cafés, bares e boates. Trânsito; boates; frente do prédio de Rafa, Trick’s e Di.

Corta para:

CENA 29. APART TRIO. SALA. INTERIOR. NOITE.

Rafa, Trick’s e Di estão na sala todos sentados, ao seu modo, bem à vontade. Falas vão ganhando ritmo até o final.

Rafa — Cara, a única coisa que eu me lembro é da hora que eu dei de cabeça no vidro do box. Agora... ter vomitado no carro, e tudo mais, juro a vocês que não lembro, meu!

Trick’s — Vexame! Pagou papel de bêbado.

Di — Antes fosse! Bêbado foi pouco. Duas mulheres passando e tu chamando, muito loucão!

Rafa — Puta que...

Trick’s — E do quase acidente, tu se lembra?

Rafa — Qual quase acidente?

Di — Ah! Mas a culpa não foi minha. As meninas aí estavam de ti-ti-ti, besteirinhas, de briguinhas me tirando da minha concentração no volante.

Trick’s — A desculpa do cego é a bengala.

Rafa — Capaz?! Quase bateu o carro?

Trick’s — Olha bem, se tivesse morrido nem ia saber.

Di — Bate essa boa!

Trick’s — Ah... meu! Tá chato aqui! Vamos sair?

Rafa — Aonde?

Trick’s — Sei lá! Vamos pegar umas mulheres aí! Ficar em casa não tá com nada!

Di — Tem razão.. mas a preguiça vai batendo e não dá nem vontade de.../

Trick’s — Ah, não te faz de leitão pra mamar deitado! Vamos lá! Dessa vez eu dirijo!

Di — (sério)

Trick’s — Não! Não porque eu não confio, é porque tu está com preguiça, né?! Então, melhor inda eu dirigir.

Di — Sei...

Trick’s — Ah... Di!

Di — O Trick’s é muito esperto! Sempre tentando se aproveitar.

Rafa — Mas que barbaridade...

Trick’s’ — Vamos então pegar as gurias! Mas só que desta vez: Trick’s no volante!

Corte rápido para:



CENA 30. PORTO ALEGRE. RUA. EXTERIOR. NOITE.

Tokyo Drift — Deriyaki boys tocando. Mostrar a noite em Porto Alegre.

Corte para o carro do trio. Trick’s dirigindo, Di no carona, Rafa no banco de trás. Carro correndo. Desfiando bruscamente dos carros a frentes.

Di — Vai devagar, peste!

Trick’s — Deixa comigo! O carro que tá dançando a música!

Trick’s faz o carro andar em ziguizague na pista, de acordo com a música. Dentro carro Rafa só curtido a música e saculejo do carro. Nem se ligando no risco.

Corta para:

CENA 31. CASA PICCOLI. SALA. INTERIOR. NOITE.

Música ainda continua, agora tocando no rádio da sala. Nilmar e Kamilla estão dançando. Estão tão concentrados na dança que nem percebem Glória entrar. Ela fica olhando os dois achando estranho o jeito de dançar. Ela vai até o rádio. Para. Olha para eles. E desliga. Eles sem som continuam dançando, e se dão conta que a música parou e param também.

Nilmar — Ah! Mãe... nem percebi que a senhora estava aí.

Glória — Pois é, eu percebi que vocês estavam aí por causa da barulheira, e não só eu, né? Acho que condomínio todo ouviu.

Kamilla — Desculpa, sogrinha a gente só se empolgou um pouco. Sabe? Se esquentando.

Glória — Se esquentado? Como assim “se esquentando”? O quê vocês pretendem fazer? Sair? Alguma coisa parecida?

Nilmar — (tenta consertar) Não.. não. Se esquentar pra, pra fazer outra coisa que é... melhor nem comentar.

Glória — Ah.. ah, desculpe! Desculpe a minha indiscrição, gente! Eu não sabia. Mas ó, usem camisinha! Tá bom?

Nilmar — Mãe! Mãe, a gente já sabe muito bem como fazer, muito obrigado. Mas... eu acho melhor nós irmos. Não é, Kamilla? Vamos para o meu quarto.

Kamilla — Bora! Valeu aí sogrinha!

Glória — É, é. Valeu! (a parte) Não dá pra entender essa gente!

Entra a empregada Ritinha.

Ritinha — Sra Piccoli!

Glória — Pois não, querida!

Ritinha — Eu devo servir o jantar agora, ou esperar o sr. Piccoli?

Glória — Não, não. Agora. O Sr. Piccoli me ligou e disse que vai chegar tarde. Tem uma reunião muito importantíssima. (indo para cozinha) Sabe como meu marido trabalha muito, não é?!

Corte rápido para:

CENA 32. APART WANESSA. INTERIOR. NOITE.

Música tema rolando. Odair e Wanessa transando. Na cama, clima românico. Sexo calmo. Bem sensual.

Corte: fim do sexo. Odair já está vestindo suas vestes.

Wanessa — Disso que eu não gosto sabe?

Odair — Do que meu amor?

Wanessa — Tu! Sempre tão apressado! Sempre tão corrido! Nunca tem tempo o suficiente pra me satisfazer por inteira!

Odair — Eu não estou te entendendo.

Wanessa — Eu quero tu só pra mim! Nem que seja, pelo menos um dia inteiro, entende? Quero mais horas junto contigo, Odair!

Odair — Ah.. mas tu sabes que eu não posso. Minha família...

Wanessa — Família, família, família... sempre é essa tua desculpa!

Odair — Ah, não fala assim. Eu te amo! Cê sabe disso! E pra te provar isso, amanhã eu volto! Hum? De tarde! Te preparas, fica bem gostosinha. Coisa fácil, com um corpão desses!

Wanessa — (cara amarrada) Tá. Tá bom.

Odair — Ah... não faz essa carinha que eu gamo. Não faz... hum... me dá um beijo, dá! Aqui, beijinho...

Odair beija Wanessa.

Corta para:

CENA 33. CASA PICCOLI. QUARTO NILMAR. INTERIOR. NOITE.

Nilmar e Kamilla no quarto de Nilmar conversando. Ou melhor, pensando em sua próxima fuga.

Kamilla — É só esperar todos dormirem de novo! Daí sim a gente pode pegar o carro e ó! Curtir... só curtir!

Nilmar — É isso aí. Só que desta vez, vamos pegar o carro da mamãe. Meu pai já ficou desconfiado por causa da sujeira que deixamos no carro.

Kamilla — Tá, tanto faz! Eu só estou por sair! Seja lá qual for o carro!

Nilmar — Já tá pensando numa banda pra gente ir?

Kamilla — Claro! Olha aqui: Luminus Lith! (off) Uma rave muito tri! Amor, a música de lá é bombando! Uma amiga foi, diz que é maravilhoso! Vamos ir lá hoje!

Já havia corta para:



CENA 34. LUMINUS LITH. FRENTE. EXTERIOR. NOITE.

Com o off de Kamilla, mostra a fachada da boate. Uma fila de gente na porta. O barulho de música eletrônica que vem de dentro da festa. O carro de Di, dirigido por Trick’s, estaciona na frente.

Trick’s — Chegamos, galera! Aqui é estourado de gata, meu!

Rafa — mas é justamente disso que eu tô precisando!

Di — Ah... cêis não são de nada! Tenho certeza que pego mais que vocês dois juntos!

Trick’s — Pega nada!

Rafa — Apostinha básica! Vamos ver quem pega mais mulher essa noite!

Di — Perfeito!

Trick’s — Eu só queria saber uma coisa, se vocês sabem que vão perder, porque insistem?

Di — Ah... vai te catar!

Rafa — Sempre o convencido, né?! Vamos embora... ô!

Di — Charlatão!

Eles vão saindo do carro.

Corta para:

4º INTERVALO COMERCIAL

CENA 35. TORONTO. RUAS. EXTERIOR. NOITE.

Alguns takes da cidade. Instrumental da música Paciência – Lenine. Prédios que identificam a cidade.

Corta para:

CENA 36. PRÉDIO. SALÃO DE FESTA. INTERIOR. NOITE.

Planos gerais da festa. Um grande salão de festa. Bem decorado, ambiente muito chique. Convidados sendo fotografados por paparazzo. Alguns artistas famosos. Uma grande tela num palco. O apresentador em cima falado em inglês algumas palavras. Entrando em foco, Cristina. Linda. Vestida como manda o figurino, com belo vestido violeta. Produzida no salto alto e nos cabelos perfeitos. Passa por ela um garçom, ela pega uma taça de champanhe, toma o primeiro gole. E começa a escutar o apresentador no palco. Entra agora Thaís e Vladmir. Os impecáveis também. Ainda estão brigados um com outro. Ela veio só porque não queria que ele viesse sozinho.

Thaís — Eu não sei por que você gosta tanto de vir nessas festas tão unfashionable!

Vladmir — Eu falei pra ti ficar em casa. Tu que quiseste vir. E isso aqui é um achado por meu trabalho.

Thaís — You sabe que eu não tenho jealousy, mas não gosto que you fique fotografando essas meninas aí!

Vladmir — Não sei nem porque veio.

Thaís — Dá pra you ser mais amável! Está chato demais, Vladmir!

Vladmir — Tu me dás motivos pra eu ser assim!

Thaís — Ah! Eu que faço você ficar assim comigo? I?

Vladmir — Aqui não é lugar pra se discutir isso, tá legal? Vamos pra lá que eu quero ouvir o que ele está falando!

Thaís está mais brava ainda. Vladmir quer admirar o evento. Cristina está num canto só ouvindo a apresentação.

Corta para:



CENA 37. CASA SCHNEIDER. SALA. INTERIOR. NOITE.

Cybele e Antero estão na sala. Conversando sobre seu filho no exterior.

Antero — Quando é que o Vladmir volta do Canadá, hein?!

Cybele — Ele me disse que o quanto antes. Eu não vejo a hora dele volta pra casa. Estou morrendo de saudade do meu filho.

Antero — Faz mais de 5 anos que ele não sai daquele Canadá, vindo só em datas festivas!

Cybele — Culpa daquela namoradinha dele, a Thaís. Mulher chata. Quer que ele fique lá pra enricar, pra ter futuro... fazendo ele de gato e sapato. Ele tem que deixar de ser bobo.

Antero — Pelo menos ela é bonita.

Cybele — Cara de pau! Como é que tu falas isso na minha cara?

Antero — Pior se eu falasse nas costas. Ah... Cybele cê é mais! Até parece mais jovem, o quê que foi? O quê que cê fez com a tua pele?

Cybele — Ai, tu reparou? Olha... pare um pêssego que.../ Ah! Tu não me mente! Tu tá falando isso só pra escapar, né, malandro?

Antero — Não. Não tô falando. não. Olha, não sei que a luz, mas a tua pele, meu amor...

Cybele — Ai, jura, Antero! Minha pele... (pega espelho)

Antero — Tô falando. Tá linda...

Cybele — Sério, Anterinho? Ai, eu preciso me enxergar melhor. Vou pro meu espelho do quarto! (saindo)

Antero — Vai, lá. Vai... linda! Tão gata.

Cybele sai. Antero suspira. Paulinho entra pela porta, ainda com o braço engessado. Paulinho chega mais perto, senta-se do lado. Silêncio. Pigarro de Paulinho. Antero descobre que ele quer alguma coisa. Paulinho disfarça.

Antero — Quê que foi? Quê que tá pegando?

Paulinho — Nada.

Antero — Quê que é esse (pigarro) aí?

Paulinho — Nada, ué.. tá doidão.

Antero — Ah, então tá.

Silêncio.

Antero — E essa cara de Tutancâmon?

Paulinho — ué. Nada.

Antero — Tá.

Paulinho suspira.

Antero — Suspirai porque meu filho?

Paulinho — (suspirando) Hum... nada!

Antero — Hum... menos mau.

Silêncio entre os dois. Paulinho olhando, se faz de bobo. Antero não quer dar o braço a torcer. Paulinho começa a cantarolar.

Antero — Que?

Paulinho — Nada.

Antero — Quê que tá cantarolando?

Paulinho — Nada, nada.

Antero — Tá cantarolando sim.

Paulinho — Tô sim.

Antero — Que tu quer?

Paulinho — Quero nada.

Antero — Nada?

Paulinho — Nada.

Antero — (tempo) Nada.

Paulinho — Nada.

Antero — Hum...

Paulinho quieto. Antero se fazendo. Paulinho começa a coçar a cabeça.

Antero — Vai falar ou vai ficar se fazendo de salame pra ser comido em rodela?

Paulinho — Ah, tá! Eu... eu queria saber se o senhor deixa eu tocar no colégio.

Antero — Que? Tá falando de que?

Paulinho — Tocar violão! Lá na escola!

Antero — (risada) Ai, tu é muito engraçado. Imagina se eu ia deixar um Schneider se expor ao ridículo desse jeito. Não! Nem pense numa bobagem dessas. Já falei pra ti se livrar daquilo!

Paulinho — (se revolta) Que merda! Nada dá pra fazer o que eu quero! (saindo) Estou de saco cheio disso!

Antero — Boca suja. (a parte) Eu sabia que ele queria alguma coisa.

Corta para:



CENA 38. CASA PICCOLI. SALA. INTERIOR. NOITE

Odair entrando em casa. Glória na sala a sua espera, ela está com sono.

Glória — Oi, amor. Finalmente. Achei que tu ias dormir naquele lugar.

Odair — (beijando-a) O meu amor. Nada disso. Não trocaria minha cama, e sua presença por qualquer reunião mais tarde.

Glória — Ah... lindo. Tu já jantou?

Odair — Já. Já sim. Tive que comer a caminho. Estou morto de cansaço.

Glória — Nossa. Então somos dois. Vamos pra cama. Dormir que já é tarde. E amanhã é outro dia, temos que ficar bem descansados.

Odair — Vamos.

Glória e Odair vão subindo as escadas, da cozinha vem Nilmar e Kamilla. Eles vão até o meio da sala em silêncio.

Nilmar — Será que dá pra gente sair agora?

Kamilla — Não, não. Vamos dar mais um tempo. Eles acabaram de subir. Eles iam perceber nós saindo.

Newton aparece na escada, ouvindo a conversa deles.

Nilmar — Não vejo a hora de cair na estrada de novo! (risos) Ah... cara, muito bom sentir aquela adrenalina!

Kamilla — E curtir aquele som!

Nilmar — Uhum... e também, te curtir!

Nilmar beija Kamilla. Newton, sem eles perceberem volta para o andar de cima.

Corte descontínuo para:

CENA 39. CASA PICCOLI. QUARTO NEWTON. INTERIOR. NOITE.

Newton ao celular com Nise, sua namorada. Ele quer um conselho.

Newton — (cel.) Eu não sei o que fazer, Nise! Não sei se entrego o meu irmão, ou se fico quieto na minha. (t) sei lá, eu tenho medo que ele sofra algum acidente sim. Mas... se eu contar ele nunca vai me perdoar. (t) Não, ele não sabe que eu sei. Mas... (T) Tu achas que eu devo contar? Tudo bem! Eu conto! Obrigado, amor! Beijo! Te amo!

Newton desliga o celular. Fica pensativo. Ele ouve um barulho de fora, vai até a janela. (imagem do carro de Glória saindo com os faróis apagados.)

Newton — Droga!

Newton corre pra fora do quarto.

Corta para:

CENA 40. RUA. EXTERIOR. NOITE.

Nilmar dirigindo o carro da mãe. Kamilla ao seu lado ligando o rádio.

Kamilla — Eu vou colocar uma música!

Começa a tocar a música Os Havaianos - Um Pente é um Pente. Começam a cantar.

Corta para:

CENA 41. CASA PICCOLI. SALA. INTERIOR. NOITE.

Newton acabara de contar para os pais que Nilmar saiu com o carro de Glória. Odair está indignado.

Odair — Esse guri só pode ter caído de cabeça quando era criança! Donde já se viu pegar o carro e sair assim?

Glória — Eu não estou acreditando que o Nilmar foi capaz de fazer uma coisa dessas! Liga pro celular dele, Newton! Vê se consegue falar com ele.

Newton — Já tentei mãe. Tá desligado. O dele e o dela!

Odair — Tem merda na cabeça! Mas que barbaridade! Nunca que um dia eu ia fazer isso pro meu pai! No meu tempo a gente apanhava com rabo de porco, com vara verde, mangueira. Agora... hum, agora com essa modernidade à toa, os filhos só não cagam na gente por pagamos as contas! Esse guri, olha, Glória... esse guri está se saindo um belo de uma maloqueiro! Tu já viu o tipinho de gente que ele anda? Tu já viu o tipo de música que ele ouve, as manias que ele anda de roubar o carro da própria mãe pra sair por aí com a namorada. Que não vale o que o gato enterra! Aquela lá é outra, são farinha do mesmo saco!

Glória — Ele é muito influenciado por ela!

Odair — Ele e ela não dois ordinários! São sujos, trapaceiros! Não vem querer acobertar o Nilmar, não.

Glória — Não estou acobertando ninguém, Odair! Sei que o Nilmar é não vale um ovo, mas ele estando com aquela guria, só tende a piorar! Querendo se aparecer, fazendo coisas sem pensar, coisas que ela pede! Ele é rebelde sim!

Odair — eu não entendo! Eu não entendo! Não entendo o porquê dessa rebeldia! Tem tudo! Tem uma boa família, tem pessoas que gostam dele, tem dinheiro, tem roupinha de marca, tem tudo! Não entendo o porquê, qual o motivo disso, meu Deus? Pra que ser do contra? Pra que semear o ruim, tchê? Pra quê? Dá pra me explicar?

Glória — Quando a pessoa fica querendo algum débito de atenção, ela faz coisas erradas só para que as pessoas deem a ela o que tanto quer: atenção!

Odair — Não. Não acredito que seja isso, não. Se não fazia escondido. Se não saia por aí, sem se mostrar. Sem se aparecer as pessoas que realmente interessa a ele! Não. Isso não é não! E olha, foi ele quem pegou o meu carro! Eu vi! Eu senti que tinham pego o meu carro! Estava todo sujo, e tu, Glória, disse que era coisa da cabeça! Tá aí sua explicação!

Glória — (ao filho) Newton! Tu sabes onde teu irmão costuma ir?

Odair — É! Tu sabes, tu ouviu eles dizerem onde iam quanto estavam cochichando aqui na sala?

Newton — Não, não. Não disseram nada.

Odair — Porra!

Glória — Ai...

Odair — ah, mas hoje vai ter! Eu vou esperar esse moleque aqui! Ele vai ver só. Ele não perde por esperar!

Glória — Sem agressões, Odair! Pelo amor de Deus!

Odair — Se nós tivéssemos dado uma lição nele quando devíamos nada disso estaria acontecendo agora. Mas nunca é tarde para ensinar!

Mostra Newton arrependido. Glória preocupada e Odair decidido e aflito.

Corta para:



CENA 42. LUMINUS LITH. PISTA. INTERIOR. NOITE.

Rafa, Di e Trick’s num canto da festa. Estão escorados, só patenteado as mulheres da boate.

Trick’s — Puta que pariu, cara... olha aquela ali. Gostosa pra caralho! Eu vou!

Rafa — Vai firme!

Trick’s — Se eu conseguir vou levar lá pra casa. Aquela ali vale a pena!

Di — Ah... nem me fale em levar pra casa. Tô louco pra pegar uma!

Rafa — Olha aquelas lá, naquele canto! Quer que eu faça mão?

Di — Pô! Dá pra fazer pra nós três!

Trick’s — Mas elas são 5!

Rafa — Ué.. quanto mais melhor!

Tema do trio começa. Trick’s sorri. Rafa cara de pegador. Di incrédulo. Rafa toma um gole do energético que estava tomando, dá o copo na mão de Di, e vai até as mulheres. De longe, Di e Trick’s ficam olhando para Rafa falando com as mulheres, e apontando pare eles. Eles dão um sorrisinho.

Trick’s — (disfarçado) Será que ele consegue?

Di — (entre dentes) Só torcendo. (sorri)

Rafa faz um sinal para eles iram até elas.

Trick’s — A gente não tem dinheiro pra pagar a conta delas.

Di — Depois de hoje à noite, elas vão querer pagar a gente para transar com ela!

Trick’s e Di vão até elas.

Corta para:



CENA 43. TORONTO. EXTERIOR. NOITE.

Imagem da cidade.

Corta para:

CENA 44. PRÉDIO. SALÃO DE FESTA. INTERIOR. NOITE.

Cristina está falando com algumas pessoas. Em outro canto está Vladmir e Thaís.

Thaís — Eu vou ao toalete. Onde fica?

Vladmir — Pra lá!

Thaís sai. Do grupo onde está Cristina, ela pede licença e sai. Vai passando por Vladmir e ele a reconhece.

Vladmir — Cristina!?

Cristina — Ah! (surpresa) Oi...! Vladmir!

Vladmir — Tudo bom contigo?

Cristina — Nossa. Finalmente poder falar português! (ri) Tô ótima! E contigo?

Vladmir — Muito bem!

Vladmir e Cristina começam a se olhar, sorridentes. Thaís aparece, eles não percebem ela. Ela se surpreende em ver Cristina. Cristina sorrindo.

Corta.


FIM


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal