Bendito destino



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BENDITO DESTINO Capítulo 3 quarta-feira


BENDITO DESTINO

Novela de Patrick Marques



Escrita por

Patrick Marques



Direção

(indisponível)



Núcleo

(indisponível)



Personagens deste capítulo

ANYELISE

ANTOINE


BRUNA

CHELI


CRISTINA

DI

EMILY



EVA

FREDERICK

GABI

GLENDA


GLÓRIA

GUTO


JUSSARA

KIOKO


LAURA

MANU


MARILENE

NEWTON


NILMAR

ODAIR


PAULINHO

PEDRO


RAFA

THAÍS


THIAGO

TONICO


TRICK’S

VLADMIR


WESLEY

Participação Especial

PARAMÉDICO; POLICIAL; VENINA; MARCO.



CENA 1. CASA LAURA. EXTERIOR. NOITE.

A frente da casa, está chovendo e aos relâmpagos.

Corte contínuo para:

CENA 2. CASA LAURA. SALA. INT. NOITE.

Wesley caído no pé da escada. Laura no topo da escada com arma em mãos. Close em Laura com olhar psicopático, olhando o marido supostamente morto no chão.

Climão. Laura vem descendo a escada com um fundo musical aterrorizante. CAM objetiva: ela descendo, Wesley caído. Ela aproxima-se. Seu rosto está sem expressão nenhuma. Laura se senta ao pé da escada, cruza as pernas, coloca a arma ao seu lado.

Laura — Eu te falei. Eu tinha te avisado: não liga, não liga! Não quis me ouvir, acabou nisso. Palhaço. Tu és um idiota mesmo, não é? Pô, podendo entrar aqui com a polícia, me pondo na cadeia logo. Não. Tu tinhas que falar. Tinha que me dar A Lição de Moral. Tinha que aparecer. Tinha que falar bonito. Hum! Pateta. Agora olha só, tá aí. De cara virada pro chão. Ah, meu querido tu fez a maior burrice da tua vida. (tem.) Hum... eu tô aqui pensando... como é que eu vou me escapar dessa? Sim, porque agora que tu morreste não vai me querer na cadeia, não te matei de graça. Nossa Senhora... (pegando o revólver) há quanto tempo eu não apertava um gatilho. Hum... muito bom. E melhor ainda em acabar contigo. (apontando no rosto de Wesley) Eu devia te dar um bem na cara! Que é pra te desfigurar inteiro! Mas não vou querer estragar o velório. (ri) Pobre Wesley. Morrer assim. Dentro de casa pela própria mulher. Hum, é triste mesmo. Olha, eu espero que, agora aí onde tu estás, que se dê bem por aí, né?! Já que com a cagada que tu fez aqui, livrando a minha cara. Hum, foi bárbaro.

Laura deita do lado do marido.

Laura — eu tenho que te agradecer. Por tudo. Por me tirar daquela vida miserável que eu tinha. É claro que graças a mim, não é? Mas obrigado. Tu foste um bom marido. Pena que nas horas que tinha que comparecer não comparecia, né?! Seu broxa. Nem azulzinho tu queria. (acariciando seu rosto) Eu acho que tu tinhas perdido a excitação por mim. Não te preocupas com isso, eu corri atrás. Fui atrás de quem podia e queria transar comigo. E olha, meu amor, deram conta do recado. Coisa de que tu não chegaria aos pés. Aliás, quer saber de uma coisa: tu é péssimo de cama. (gargalhada) Péssimo... Não, não, não... é, não! Foi! Foi péssimo de cama! (risadas) Ai, ai... tu... tu é uma comédia. Morto então... (risada alta) mas olha, escuta, escuta amorzinho... ó! Olha pra mim! Olha... tá olhando? Nos olhos. Isso. Olha, eu tenho certeza que eu fui muito melhor que a tua mulherzinha que tu amava até ontem. Eu tenho certeza! Depois que ela morreu. Eu consegui te “conquistar”, né?! E acabei vivendo do teu lado durante esses 10, 11 anos. Tudo numa grande mentira. Depois que a tua mulher morreu, digamos que... a tua vida comigo foi tudo uma grande mentira. Só o amor! Entre tu e a tua filha, claro... que eu acredito que seja verdadeiro. Nossa! Nem me fala isso... vocês dois, hum! Eram unha e carne. Quase que gente não casou por causa dela. Guria maldita! Sempre atazanando minha vida. (aqui Laura vai se levantando) Desde quando ela tinha 7 anos, que foi na época do nosso casamento, ela sempre me infernizou a vida. Mas calma... não fica triste que tu vais ficar longe dela, não. Ela vai com contigo. Espera só um pouquinho. (firme/ódio) E ela e aquela prima horrorosa dela vão te fazer companhia no inferno!

Reação. Laura olhando pro Wesley morto.

Corta para:



CENA 3. AP. EVA E ANTOINE. SALA. INTERIOR. NOITE.

Continuação da cena 23 do capítulo anterior. Eva deixa Guto entrar. Ele está com dores, demonstra ao caminhar pela sala até o sofá.

Eva — Entra, meu filho. Olha só. O que aconteceu contigo? Tá todo machucado. Está aqui, senta!

Guto senta com dificuldade. Chega à empregada nova, Kioko correndo.

Kioko — Senhora.

Eva — Onde tu estavas sua imprestável?

Kioko — Desculpe, senhora. Estava deitada. A senhora já tinha me liberado para dormir. Disse que não ia precisar mais dos meus serviços.

Eva — tá, tá, tá. Ô... como é que é o teu nome mesmo?

Kioko — Kioko.

Eva — Pois é, Kioko, vai na cozinha e pega um copo com água e açúcar.

Kioko — Sim!

Eva — (p/ Guto) Então, meu querido, me fala: o que aconteceu?

Kioko já saiu. Guto não quer falar a verdade então dá um jeito de escapar.

Guto — Pois é, tia... eu. Eu estava com o Tonico. Daí, eu perdi ele na multidão. Sai procurando ele. Daí, a torcida organizada começou a fazer uma onda. E a senhora sabe como são essas ondas, milhares de pessoas e tal.

Eva — Tá, tá. Desenrolando!

Guto — Não, não. Eles não desenrolando eles vão pulando assim, um unido no outro e.../

Eva — (suspiro) Ai... eu disse pra ti desenrolar! Tá dando voltas, e voltas...

Guto — Tá, daí, eu caí no meio da galera. E fui pisoteado por muita gente. Perdi o Tonico de vista. Fiquei procurando ele por lá, por isso não o encontrei. Eu ia ligar pra ele, mas eu perdi meu celular. E... e ele... já chegou?

Eva faz uma cara de que não caiu muito nessa conversa não e diz:

Eva — Já... chegou sim. Está dormindo.

Guto — Graças a Deus! Bom, então eu vou indo.

Eva — Vai. Tua mãe deve estar preocupada.

Eva o acompanha até a porta. Guto sai. Eva vai até o sofá. Chega Kioko com o copo com açúcar.

Kioko — (sem graça) Ah... já foi?

Eva — Sai daqui.

Kioko — Sim, mas a senhora me desculpa...

Eva — (corta) Já disse pra sair daqui!

Kioko — É que como pode ver.../

Eva — (corta/gritando) Fora!

Kioko — (correndo) Sim, senhora!

Kioko sai apressada. Eva começa a pensar. Não conseguiu acreditar na história de Guto.

Corta para:



CENA 4. PORTO ALEGRE. RUAS. INTERIOR. NOITE.

Fundo musical tenso. Imagens da cidade: prédios; estátuas; ruas; prédios do centro; casa Laura.

Corta para:

CENA 5. CASA LAURA. SALA. INT. NOITE.

Laura ainda está com seu morto. Estava pensando num jeito de escapar. Já sabe o que fazer. Levantando-se da escada:

Laura — Ah... deixa eu me livrar desse crime.

Corta para:

(ATENÇÃO: Fundo musical tenso segue nas 4 cenas seguintes!)

CENA 6. QUARTO LAURA. INTERIOR. NOITE

Laura pegando tudo quando é joia e pondo numa bolsa. Vai ao armário e faz uma limpa, com joias, dinheiro... Enquanto isso Laura vai treinando o que dizer.:

Laura — (a parte) Entraram aqui... pegaram tudo. Fizeram a gente ir até o quarto me esgoelaram, me prensaram na parede. (reflexo do espelho/ frente ao espelho quebrado) deram um tiro no espelho pra nos botar medo. Confessamos onde estavam as joias e o dinheiro. (finge choro) Foi horrível.

Corta para:



CENA 7. CASA LAURA. COZINHA. INTERIOR. NOITE.

Laura começa a bagunçar tudo, a deixar tudo fora do lugar.

Laura — Eu estava cozinhando. E ouvi um barulho. Eles entraram. Me ameaçaram com a faca da cozinha, teu pai interviu. Nossa... foi horrível. Droga! Não tá bom não... (finge choro) Foi horrível...! Ah, agora sim!

Corta para:



CENA 8. CASA LAURA. GARAGEM. INT. NOITE.

Laura abre o porta-malas e coloca a bolsa com as joias e dinheiro. Laura fecha o porta-malas. E se escora no carro.

Laura — Vamos lá! O show vai começar. Tenho que ganhar o Oscar de melhor atriz.

Corta para:



CENA 9. CASA PICCOLI. QUARTO CASAL. INTERIOR. NOITE.

Odair e Glória continuam conversando. Glória está curiosa pra saber onde Odair assistiu a partida de futebol.

Glória — E então, Odair! Tu enrolou, enrolou... e não me disse onde tu olhaste o Grenal.

Odair — Mas que coisa chata isso! Que tanto quer saber onde eu assisti ao jogo? Mas barbaridade! Que coisa chata isso! Sempre querendo saber aonde vou, onde fico, de onde saiu. Ih... pode parar, viu? Não quero que fique me cercando.

Glória — Cercando, Odair?! Que cercando, homem?! Tá doido, é?! Pirou de vez?! Não, tu deve tá brincando comigo. Eu só queria saber onde tu foi assistir ao jogo. Só isso! Não perguntei com quem tu estava, quem tu foi, se tinha mulher no meio... não perguntei nada disso. Porque isso sim é estar cercando!

Odair — É. Não perguntou por que eu reclamei antes! Sempre joga na cara tudo aquilo que vocês não conseguiram fazer!

Glória — Ah! Vocês quem, Odair?!

Odair — Vocês mulheres! É sempre assim!

Glória — Tudo bem, tudo bem. A última coisa que eu quero fazer agora é brigar contigo. (ajeitando-se na cama) O que eu quero mesmo é ter uma boa noite de sono depois desse dia turbulento. Boa noite!

Odair — Boa noite!

Odair faz uma cara de “ah, contornei” e desliga o abajur.

Corta para:



CENA 10. CASA LAURA. FRENTE. EXTERIOR. NOITE.

Frente da casa, cheio de carro da polícia. Duas ambulâncias. Vem chegando Manu e Bruna. Elas chegam nervosas. Manu vai direto num paramédico.

Manu — Moço! Pelo amor de Deus! O que tá acontecendo aqui? E o meu pai?

Paramédico — Tu moras aqui?

Manu — Sim! Eu e (aponta) ela!

Paramédico — Bom, é...

Bruna — Fala moço! O que aconteceu?

Paramédico não sabe como dizer. Bruna e Manu esperando resposta.

Corte contínuo:

CENA 11. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. NOITE.

Laura sentada no sofá, roupas rasgada, um policial está falando com ela.

Laura — (mentir convincente) Eu... eu o amava tanto. É difícil de acreditar que o homem que eu amo... (chorando) está morto agora. Ai, ai... porquê, meu Deus? Por quê? Porque me tirastes ele? Por quê?

Policial — Calma. Calma.

Laura — Ele não merecia isso. Um homem honesto, trabalhador... ter um fim desses? É justo? Hein? É justo isso?

Policial — Com certeza não.

Laura — Então por quê? Por quê?

Policial — A vida é assim!

Laura — (gritando) Não! Eu não aceito isso! Não aceito essa resposta! O meu marido não morreu!

Laura se levanta e vai até Wesley caído rodeado de paramédicos.

Laura — (berrando e chorando) Levanta daí, Wesley! Levanta! Tu não morreu! Levanta... levanta!

Policial segura ela.

Laura — (cont.) porque faz isso com a minha vida senhor? Por quê?

Policial — calma, calma...

Entra Manu aos gritos e choro.

Manu — (grito agudo/longo) Pai...!

Ela corre até ele, ajoelha-se chorando. Fundo musical triste. Laura num canto chorando.

Manu — (off) pai, pai... (choro) tu não pode me deixar sozinha, pai.

Bruna entra de canto chorando. Laura começa a chorar alto, e começa a gritar:

Laura — Não! Ele não morreu! Levanta daí Wesley! Levanta! (choro)

Manu com o rosto sobre o peito do pai. Ela sente ele respirar.

Manu — Ele... está respirando. Ele tá respirando!

Laura — (surpresa) O quê?!

Reação pra Laura. Os paramédicos se agilizam. Manu se afasta.

Manu — Salvem meu pai! Ele tá vivo ainda!

Laura — (pasma) O quê, o quê, que? Vivo?

Os paramédicos vão fazendo o procedimento de ressuscitação. Bruna e Manu assistem abraçadas, Laura observa cautelosamente, com um pouco de medo. Closes alternados de Laura e Wesley. Baque.

Corta para:

1º INTERVALO COMERCIAL

CENA 12. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. NOITE.

Os paramédicos estão fazendo todo o procedimento. Laura, Manu e Bruna assistem. Um aparelho-médico faz o barulho dos batimentos cardíacos de Wesley. Laura está preocupada por ele ter uma chance dele se salvar. Bruna está amparando Manu que está chorando.

Laura — (finge) Ai, Deus... ajuda meu marido. Salvem ele! Salvem!

Manu — (abraçada) Meu pai...

O barulho do aparelho fica instável, dando o sinal de que o coração parou de bater.

Laura — Que isso?! Que.../

Um dos paramédicos levanta-se e faz sinal negativo com a cabeça.

Laura — (finge) Tu está... ai, ai. Dizendo que meu marido... ai.

Laura finge desmaio, o policial a segura. Manu e Bruna choram abraçadas. Os paramédicos vão amparar Laura.

Manu aproxima-se de Wesley, ajoelha-se. Fica com o rosto bem perto do dele.

Manu — Pai. Eu vou descobrir quem fez isso com senhor. E vou me vingar. Por o maldito na cadeia. Nem que seja a última coisa que eu faça!

Reação. Laura fingindo desmaio.

Corta para:

CENA 13. PORTO ALEGRE. RUAS. EXTERIOR. AMANHECER.

Com fundo musical a música tema da cidade: Porto Alegre é Demais. Imagem da cidade: prédios; ruas. Uma amanhecer: sol aparece entre prédios. Imagens aéreas da cidade. Mostrar o porto; o centro; parque da Redenção; ponte do Guaíba.

Um casal se beijando no Gasômetro; ciclistas na rua; remadores nas águas do Guaíba; um cara de lancha; crianças tomando banho na beira do lago; um casal tomando chimarrão em uma praça; carros nas ruas; movimentação intensa de pessoas no centro; museu; Chalé da Praça XV; uma bela imagem da cidade e o lago; Trensurb saindo da Estação Aeroporto; imagem da estátua Laçador; praça da Sé; Casa Mario Quintana; prefeitura; mercado Público; navio passando por debaixo da ponte do Guaíba; uma rua com um corredor de árvores; por fim um uma última imagem de um plano geral de toda cidade.

Essa cena deverá ter duração de 2min 45seg, tempo certo para encaixar toda a música.

Corta para:

CENA 14. TOP-STAR. SALA ANTOINE. INT. DIA.

Na sala estão presentes: Antoine ao telefone, Cristina folhando alguns papéis a espera, e Gabi lendo a agenda.

Antoine — (tel.) Porto Alegre é demais! Se tu não conheces tu tens que conhecer! Uma bela cidade, com seus monumentos fenomenais! Antigos e modernos! (tem.) Eu? Ah! Gaúcho de raça, tchê! (riso/tem.) Não. Essa questão de boiolagem é só em Pelotas mesmo. (ri) Se me ouvem falar isso já dá problema. (tem.) Tá bom. Vai preparar a viajem pra cá? (t) Opa! Beleza. Então, tá! Vou ficar aguardando a tua ligação ainda hoje. Tá ótimo? Obrigado! Tchau! (desliga) Ufa... já vou cancelar minha viajem pra São Paulo.

Cristina — Quem era?

Antoine — Felix Vertanace.

Cristina — Esse daí não é um dos donos da Agrabel?

Antoine — Ele mesmo. Nunca veio pro sul. Tava falando pra ele um pouquinho da cidade. Pelo menos só as partes boas. Ele vindo pra cá, não preciso ir pra lá. Já me livra desse tormento.

Cristina — E falando em viajem: e Canadá?

Antoine — Estou esperando a tua resposta! E aê? Vai ou não vai?

Cristina pronta pra responder. Gabi e Antoine a espera da resposta.

Corte descontínuo:

CENA 15. TOP-STAR. MESA MARILENE. INT. DIA

Gabi já fofocou para a amiga Marilene que Cristina disse que vai viajar.

Marilene — (off) Ela disse que vai?

Gabi — Disse!

Marilene — Vaca! Droga... tenho que fazer alguma coisa antes que ela viaje de uma vez. Quando ela vai?

Babi — Hoje!

Marilene — O quê?! (indignada) Aquela vaca vai viajar hoje pro Canadá?! Droga! Mas... assim não vai dar tempo pra nada! O quê que eu faço? Não sei o que eu faço, mas se eu tiver que fazer alguma coisa: tem que ser rápido!

Corte contínuo:



CENA 16. TOP-STAR. SALA ANTOINE. INT. DIA.

Antoine e Cristina.

Antoine — Tu vais pra Toronto.

Cristina — Uhum...

Antoine — Tu vais como nossa representante num novo canal que eles estão querendo montar em Toronto. Haverá uma festa com todos os representantes das melhores empresas de modelos no mundo. E é claro que a Top-Star não poderia ficar de fora.

Cristina — Perfeito. E endereços, passaportes essas coisas?

Antoine — Todas essas documentações eu vou falar com a Gabi, e ela providenciará. Então, vai pra casa, faça as malas para dois dias, se despeça da família e vai te embora!

Cristina — (ri) Obrigada.

Corte contínuo para:

CENA 17. TOP-STAR. MESA MARILENE. INT. DIA

Cristina passando. Marilene a chama.

Marilene — Cristina! Cristina!

Cristina — (para/sem ser grossa) Desculpa, Marilene, eu estou sem tempo.

Marilene — Não, não. Um minuto apenas! Só um minuto! Ok?

Corta para:



CENA 18. CASA LAURA. QUARTO LAURA. INTERIOR. DIA.

Laura está sentada na cama, escorada na guarda da cama. Está pensativa roendo as unhas. Para de roer, mão no queixo. Com a mesma mão coloca o cabelo atrás da orelha. Olha para um ponto fixo do quarto. E começa a se lembrar de Wesley. Um flashback do segundo capítulo cena 2:



Laura — O que foi que falaram pra ti? O que foi que mentiram pra ti? Conta! Qual foi a lorota? Não, só podem ter sido essas malditas vizinhas que ficam inventando histórias dos outros porque não tem o que fazer!

Wesley — Eu botei um detetive atrás de ti!

Laura — (surpresa) não, tu não vez. Tu invadiste minha privacidade, Wesley?

Wesley — Meu Deus, meu Deus... eu não sei porque isso está acontecendo comigo.

Silêncio dos dois. Wesley não aguenta e emociona—se. Laura tem quase certeza de que ele descobriu que ela o trai, e começa a chorar.

Laura — E... e o que foi que ele descobriu sobre mim?

Wesley — Com quantos homens tu saiu semana passada? Tu lembras? Acho que não, né?! Perdestes a conta. Uhum... tu é uma vagabunda. Uma prostituta. E agora eu te pergunto: até quando? Até quando ia ficar levando essa história de amante? Nosso casamento já estava uma merda. Porque continuar me traindo? Porque saber que estar com um amante ia ser mais gostoso? Tu ia gozar mais vezes? Ia ser mais prazeroso, é isso? Fala! Fala agora pra mim! Vai, fala! Fala antes que eu te meta a mão na tua cara! Fala, que eu tô louco pra te dar uma boa bifa!

Volta pra Laura. Ela está na mesma maneira que antes. Laura pensativa.

Laura — Detetive. (t) Quem será?

Corta para:



CENA 19. ESCRITÓRIO THIAGO. INTERIOR. NOITE.

A mesma tensão que a cena anterior. Thiago está olhando para o telefone, a espera da ligação de Wesley desde ontem. Com sua experiência deduz uma coisa:

Thiago — Ele não conseguiu.

Corta para:

2º INTERVALO COMERCIAL

CENA 20. TOP-STAR. MESA MARILENE. INTERIOR. NOITE.

Marilene continua aporrinhando Cristina com sua conversa.

Marilene — Olha, eu fiquei sabendo que tu vai viajar, não é?! Então, eu queria saber aonde que tu vais pra eu poder te dar um dinheiro pra ti trazer alguma coisa pra mim.

Cristina — (paciente) Ai, tá bom, Marilene. Eu vou pro Canadá. E eu acho que o teu ou a tua informante, eu não sei, deveria saber pra onde eu vou, não é mesmo?! Bom, mas tudo bem. Pode ser, pode ser. Quando eu voltar aqui eu pego o dinheiro contigo, ou eu não sei se o teu informante te avisou que eu vou viajar hoje.

Marilene — Ora, que isso, Cris! Eu soube que tu ias viajar por essas conversinhas de corredor, cê sabe como é, não é?!

Cristina — Sei. Sei sim. Até!

Marilene — Tchau...!

Cristina sai. Marilene faz uma cara de nojo.

Corta para:

CENA 21. CASA PICCOLI. QUARTO CRISTINA. INTERIOR. DIA

Cristina arrumando as malas. Glória está presente ajudando a filha.

Glória — Nunca fui pro Canadá. Mas dizem que é lindo. Frio! Leva muita roupa quente!

Cristina — Eu sei, mãe, é o que mais tenho. Mas o frio deve ser o mesmo que Gramado aqui na serra.

Glória — Não. Não. Gramado é que nem na Europa. O frio é que nem de lá. Totalmente diferente de Canadá.

Cristina — Ai, mamãe, que bobagem! Frio é frio!

Glória — Falando nisso. Pra qual cidade que tu vais?

Corta para:



CENA 22. TOP-STAR. MESA GABI. INTERIOR. NOITE.

Marilene está sentada frente à Gabi que está na sua mesa.

Marilene — Toronto! Eu que sempre me sacrifiquei por essa empresa e quem vai a essa viajem é ela? Injusto!

Gabi — E o que tu está pretendendo fazer, Marilene? Não vai ter como tu fazer nada. Muito menos ir ao lugar dela.

Marilene — Hum... não mesmo?

Gabi — Só se a Cristina não puder ir, ou por algum tipo de doença, ou até um acidente.

Marilene — É isso!

Gabi — O quê? Tu vai fazer ela se acidentar?

Marilene — Não! Que isso?! Tá doida? Eu não sou de fazer essas coisas, não!

Gabi — Ai, graças a Deus! Mas... o quê que cê tá pensando?

Marilene — (risonha) Hum... deixa. Deixa ela ir. Mas essa vai ser a última viajem dela.

Gabi — Não... tu não está pretendendo.../

Marilene — Não! Não pensa bobagem! (baixinho) Eu vou fazer ela ser presa. (ri) Lá no Canadá! (risos)

Gabi — (risada) Ai, ai... não entendi.

Marilene — Ah! Como tu é burra. Falando nisso! Eu tenho que sair! Tchau, tchau! Té logo!

Marilene sai correndo.

Gabi — Peraí, peraí! Onde é que tu vais? É maluca. (pensa) Não entendi. Como é que ela vai colocar a Cristina na cadeia? E no Canadá ainda?

Corta para:



CENA 23. AP. GLENDA E PEDRO. SALA. INT. DIA

Pedro arrumando seus materiais de trabalho. Termina, coloca a mochila nas costas. Pega a chave. Abre a porta. Vem um grito do quarto.

Glenda — (gritando/off) Pedro!!!

Pedro suspira e se vira, Glenda aparece vestida apenas com uma camiseta dele.

Glenda — (cont.) Pedro. Aonde que cê vai?

Pedro — Como aonde eu vou? Sabe que dia da semana é hoje, Glenda?

Glenda — Segunda.

Pedro — E esse é o dia internacional da volta ao trabalho. Então...

Glenda — Pedro! Tu não vais nem tomar café da manhã comigo, pelo menos?

Pedro — Amor, eu não posso. Já estou atrasado. Não dá tempo. Vou ter que comer alguma coisa lá na loja mesmo. Tá bom? Tchau...!

Glenda — Pedro!

Pedro — (impaciente) O quê é?

Glenda — nem um beijo?

Pedro suspira. E vai até Glenda e a beija.

Glenda — Eu te amo.

Pedro — Eu também. Tchau, amor!

Pedro vai saindo e Glenda o chama de novo.

Glenda — Pedro! (mãos na boca) Ai, desculpa. De novo, né?! Última vez! Prometo.

Pedro — O que?

Glenda — Vamos almoçar juntos?

Pedro — (tempo) Não sei. Não sei.

Pedro sai. Glenda fica pensativa. Ela vai virando em direção à janela. Com as pontas dos dedos nos lábios, como se tivesse adorado o beijo. Emily aparece, vindo da cozinha, em silêncio. Glenda vira-se pra ela e se assusta dando um grito, Emily se assusta também gritando.

Glenda — (grito)

Juntas — (gritos)

Glenda — ah... ai, ai... caramba!

Emily — Ui... Jesus! Ai... que susto!

Glenda — (cont.) Minha nossa... nunca mais.

Emily — Desculpe... Jesus.

Glenda — Nunca mais faça isso! Ai... quase morri.

Emily — Nossa, Dona Glenda! Eu sou tão feia assim?

Glenda — Ai... bom. Tu queres que eu seja sincera?

Emily — (faz uma cara) Não...

Glenda — Então tá bom. Tu és linda. Muito bonita mesmo.

Emily — (a parte) Quê que ela quis dizer?

Glenda — Ai! O meu Pedro!

Glenda corre pra sacada.

Emily — Quero virar pau de dar em doido.

Emily vai pra cozinha.

Corta para:

CENA 24. PORTO ALEGRE. RUAS. EXTERIOR. DIA.

Imagens da cidade. Fundo musical. Mostrar prédios; trânsito; movimentação de pessoas nas ruas do centro.

Corta para:

CENA 25. CASA PICCOLI. FRENTE. EXTERIOR. DIA.

Odair, Glória, Nilmar e Newton, estão se despedindo de Cristina. Um taxista está colocando as malas de Cris no taxi.

Odair — Pra que taxi, filha? Eu te levo no aeroporto!

Nilmar — É, Cris, daí vamos todos nos despedirmos de ti lá no aeroporto!

Newton — É verdade!

Cristina — Não gente. Eu ainda tenho que passar na Top-Star. Pegar toda a documentação. Mas obrigada! Ô, família que eu amo tanto!

Eles dão um abraço em conjunto.

Cristina — Ah... pena que Jussara não tá aqui pra mim despedir dela. Ai, eu ligo pra ela mais tarde! Ai, gente deixa eu ir se não a mamãe e eu vamos começar a chorar!

Glória — Ah... (elas se abraçam)

Cristina abraça os irmãos.

Cristina — Tchau, maninhos!

Newton — Ô, volta logo!

Nilmar — Hum, já vai tarde!

Cristina — (dando um cascudo) Ah, seu turrão!

Risadas.

Corte descontínuo: Cristina está entrando no taxi.

Cristina — Tchau, família! Vou sentir muita saudade! (brinca) Ai, eu não quero ir mais! Socorro! (risadas)

Glória — (ri) Tchau, filhota! E liga quando chegar lá! Beijo!

O taxi arranca, Cris vai mandado beijos. Cybele vem correndo, fazendo exercícios físicos. Suando.

Odair — Ih... vamos entrar! A vista aqui fora tá ruim.

Cybele faz uma careta. Os Piccoli vão entrando. Nilmar comenta com Newton.

Nilmar — Ô, essa mulher tá se achando demais, Newton! Vamos acabar com a alegria dela! Topa?

Newton — ih... não sei, não. Não é o certo a se fazer.

Nilmar — Deixa de ser cagão, rapa!

Newton — É se bem que ela merece. Tá, vamos! E o quê que tu pretendes fazer?

Nilmar — Te falo lá dentro vem.

Eles entram.

Corta para:



CENA 26. CASA LAURA. QUARTO LAURA. INTERIOR. DIA.

Laura está dormindo. Batidas na porta. Manu e Bruna que estão querendo saber se ela vai ao enterro de Wesley. Laura acorda. Batidas na porta.

Laura — (finge voz fraca) Pode entrar.

Entra Bruna em seguida Manu. Paciência. (quando Bruna começar a falar em polícia, Laura ficará um pouco nervosa, mas não demonstrará).

Bruna — Somos nós, Laura.

Laura — Ô, meninas...

Manu — Nós viemos saber se tu vai no enterro do papai.

Laura — ai... eu queria tanto. Mas eu acho que eu não vou conseguir. Eu estou fraca. Sensível demais. Meu Deus, porque faz isso com as nossas vidas?

Bruna — Nós conseguimos que o Tio Zé liberasse o corpo. E ele será velado hoje à tarde.

Manu — Laura! Eu gostaria de saber como foi?

Laura — Claro, querida. Eu vou te contar tudo o que aconteceu. Mas agora não. Agora eu não consigo. Consigo mal falar.

Manu — Tudo bem. (á Bruna) Vamos?

Bruna — Vamos. Vamos sim. Mas antes eu queria falar uma coisa pra ti, Laura. É... a polícia está querendo o teu depoimento. E eles querem apurar o quanto antes os fatos. Eles estão querendo saber o que realmente aconteceu.

Bruna e Manu vão saindo do quarto. Olhar de Laura, enigmático, close.

Corta para:

CENA 27. FRENTE CASAS PICCOLI E SCHNEIDER. EXT. DIA.

Cybele está correndo. Exercício físico. Está suada. Com fones no ouvido. Vai passando perto da casa dos Piccoli. Nilmar e Newton estão na sacada da casa com balões cheios de água dentro de uma bacia. Cybele vem passando perto.

Nilmar — É agora! Vai! Atira!

Nilmar e Newton começam atirar os balões em Cybele.

Com o primeiro balão Cybele se assusta. Começam a atirar vários. Cybele aos gritos vai desviando de todos os balões. Um ela tenta parar com as mãos e se molha, gritando.

Cybele — Ah! Ai... eu não acredito.

E continuam atirando.

Cybele — Ah! Para! Ah! Parem com isso! Ah!

Acertam um bem na cabeça dela.

Cybele — Ah...!

Eles começam a dar gargalhadas, e entram.

Cybele — Malditos Piccoli!

Corta para:

CENA 28. CASA PICCOLI. SALA. INT. DIA.

Cybele, molhada, na sala esperando a chegada de Glória. Cybele de pé, irritada. Chega Glória.

Glória — Ai, ai... quê que tu quer?

Cybele — Não tá vendo? Não tá vendo?

Glória — Olha, eu acho que tu tens que correr menos pra não suar tanto.

Cybele — Suar tanto a mão na tua cara!

Gloria — Que isso?!

Cybele — Foram os teus filhos que fizeram isso comigo, Glória! Aquelas pestes ficaram lá em cima na sacada e me jogaram balões d’água!

Glória — Ó... mais isso é uma acusação muito grave. Não acredito! Não, mas pode deixar que eu vou dar uma surra neles!

Cybele — Quer saber de uma coisa? (gritando) Vão todos vocês pro inferno! Tu! Teu marido e os demônios que são os teus filhos! Todos vocês!

Cybele sai atordoada. Glória solta um riso.

Corte contínuo:



CENA 29. CASA PICCOLI. FRENTE. EXT. DIA.

Cybele vai saindo emburrada. Ela vai passando por de baixo da sacada, Nilmar e Newton jogam um balde de água, molhando-a todinha.

Cybele — Ah...!

Eles caem na gargalhada. Cybele olha pra cima.

Cybele — Malditos... ah...

Eles batem as mãos e entram.

Cybele — Tá... tá fria... ah...

Corta para:



CENA 30. TOP-STAR. MESA MARILENE. INTERIOR. DIA.

Marilene entrega um envelope na mão de Cristina. (Gabi está ouvindo a conversa tomando um cafezinho.)

Marilene — 500 dólares. Quero algo bem canadense, por favor! Quero pagar uma nota com os familiares que...

Cristina — (não entende) Tudo bem. Eu te faço esse favor. Algo especial?

Marilene — Não, não. Eu confio no teu gosto.

Cristina — Tudo bem! Eu vou indo antes que eu perca o voo.

Marilene — Tudo bem, boa viajem!

Cristina — (saindo) Obrigada.

Marilene sorri. Gabi se aproxima, está confusa.

Gabi — Olha, Marilene, eu até agora não entendi.

Marilene — Normal. Tu nunca entendes nada. O que foi que tu não entendeste dessa vez, Gabi?

Gabi — Deixa eu pensar. Tu me falaste que ia fazer a Cristina ser presa lá no Canadá. Mas tu não vai sair daqui do Brasil. Então... como? Isso que eu não entendi. Como é que tu vai fazê-la ser presa sendo que tu não vais estar nem perto?

Marilene — (ri) Tu tens que aprender muito ainda comigo, minha querida! Eu dei alguns dólares pra Cristina. E alguns deles são dólares falsos.

Entra fundo musical de tramoia.

Gabi — Dólares falsos? Mas, mas... isso dá cadeia, Marilene!

Marilene — E o que foi que eu te falei? Eu não disse que ia fazê-la ser presa lá no Canadá? (risos) Tomara que ela fique por lá por muito tempo.

Gabi — Espera aí! Ela vai saber que foi tu quem deu os dólares pra ela!

Marilene — Ela não tem como provar, Gabi. E se caso ela consiga se livrar da cadeia, ela vai perder toda a credibilidade que ela tem com o chefo. E assim, eu estarei em maior destaque! (risada)

Gabi — Nossa... tu é fria. (brinca) Se eu falasse alguma coisa tu serias capaz de me matar.

Marilene — Não duvide disso, Gabi. É melhor não arriscar.

Gabi fica séria. Marilene ainda está contente.

Corta para:

3º INTERVALO COMERCIAL

CENA 31. PORTO ALEGRE. RUAS/AEROPORTO. EXTERIOR. DIA.

Prédios residências; museus; orla Guaíba; aeroporto Salgado Filho.

Corta para:

CENA 32. AEROPORTO SALGADO FILHO. FRENTE. EXT. DIA.

Táxi de Cristina estaciona no frente do aeroporto. Ela desce. Olha pra porta, sorridente. Ajuda o taxista a tirar as malas e colocar num carrinho. Agradece. Ela entra no aeroporto.

Corte contínuo:

CENA 33. AEROPORTO SALGADO FILHO. INT. DIA.

Cristina vem caminhando pelo aeroporto. Ela está ao celular.

Cristina — (cel.) Não. Minha primeira parada é em São Paulo. Depois se não houver nenhum imprevisto direto a Miami, daí sim, depois de Miami, só vou parar em Toronto.

Ela para, olha para o telão. E vê que seu voo está atrasado.

Cristina — Hum. Nunca muda!

Corta para:



CENA 34. CASA LAURA. QUARTO LAURA. INTERIOR. DIA.

Clima tenso. Laura está sentada na cama. Pensativa. Roendo as unhas. Olhando fixo pra algum canto do quarto. Ela se levanta. Vai indo e direção ao banheiro do quarto. Fica de frente pro espelho, se olhando. Só as vozes em off do segundo capítulo cena 2, são sobrepostas em Laura, como se estivesse se lembrando:



Laura — (off) (cont.) O que foi que falaram pra ti? O que foi que mentiram pra ti? Conta! Qual foi a lorota? Não, só pode ter sido essas malditas vizinhas que ficam inventando histórias dos outros porque não tem o que fazer!

Wesley — (off) Eu botei um detetive atrás de ti!

Laura solta um suspiro.

Volta pro quarto. Continua pensando. Olha pro espelho onde deu um tiro. Ouve o som do disparo.

Corta para:



CENA 35. CEMITÉRIO. EXTERIOR. DIA.

Túmulos; campo aberto; árvores.

Manu e Bruna estão, junto com alguns amigos e vizinhos trazendo o caixão onde está o corpo de Wesley. Fundo musical triste. Manu chora que está sendo amparada por Bruna que também chora, estão de óculos. Todos de preto.

Corte descontínuo: Manu, triste, coloca flores no túmulo de Wesley.

Corte descontínuo: Todos já estão indo embora. Manu ainda continua no mesmo lugar. Bruna a espera. Bruna se aproxima de Manu.

Bruna — Manu? Vamos?

Manu — (t/triste) Eu... não sei se tu lembras daquele pressentimento estranho que eu tive lá na ravi?

Bruna — (lembra) Verdade! Tu estava tipo que... prevendo isso que aconteceu com teu pai, Manu.

Manu — Eu não sei... e se eu tivesse ido pra casa, Bruna?

Bruna — Será que ele estaria vivo agora?

Manu — Ou pior... será que nós estaríamos mortas agora?

Reação. Bruna fica tensa. Manu ainda triste.

Corta para:

CENA 36. CASA LAURA. QUARTO LAURA. INTERIOR. DIA.

Laura está vasculhando as gavetas. Procura algo. Não acha. Vai no guarda—roupa. Procura. Nada. Acha algumas caixas. Coloca na cama. Procura. Não acha nada. Vasculha as roupas de Wesley. Mexe nos bolsos. Não acha nada. Pega um casaco e acha no bolso um cartão escrito à mão um número e em baixo escrito: “Detetive”

Laura — Hum... achei. Agora só tenho que saber onde fica.

Laura pega o telefone. Disca os números do cartão.

Corta para:

CENA 37. SALA THIAGO. INTERIOR. DIA.

Thiago no computador. Toca o telefone. Ele atente.

Thiago — (tel.) Alô!

Alternar com QUARTO LAURA. INT. Laura sentada na cama falando ao telefone.

Laura — (tel.) Alô!

Thiago — (tel.) O que gostaria?

Laura — (tel.) Oi, moço. Eu consegui o teu número com um amigo, e gostaria de saber como é que vocês trabalham aí?

Thiago — (tel.) Sim, ó, é com total discrição. Eu desvendo qualquer coisa? Descubro tudo da vida da pessoa, descubro se tem ficha na polícia, onde nasceu, descubro se o marido ou a mulher está lhe traindo ou não. Tudo! Garanto que não se arrependerá de nossos serviços.

Laura — (tel.) Bom, e onde é que fica? (tem.) Uhum... tá bom... não, não sei. ... Ah, tá. Perto do... (t) Tá bom! Brigada! Amanhã de manhã eu passo aí, tá bom?

Thiago — (tel.) Tudo bem! Como é o seu nome?

Laura — (tel.) Marta.

Thiago — (tel.) Estarei lhe aguardando. Tchau!

Thiago desliga. Volta ao computador. Entra uma amiga chamada Venina.

Venina — Fala, Thiago!

Thiago — Oi, Venina! Quê que você tá fazendo aqui?

Venina — Ai... a coisa anda feia! Não consigo trabalho de jeito nenhum. E o pior: tô ficando sem dinheiro pra pagar o apartamento aqui no prédio.

Thiago — No meu está entrando uma coisa aqui. Parece que vou conseguir mais um caso. O bom é que eu herdei um apartamento da minha tia, no centro. Só pago o aluguel desse escritório. Que me favorece muito!

Venina — É. Tu tens sorte. Já eu... tô quase na pindaíba.

Thiago — Que isso, mulher! Não desanima não, se tu quiser eu te dou um apoio no.../

Venina — Não, não, não... tu já é um baita amigão! Deixa que eu me viro sozinha.

Thiago — Não! Orgulho comigo, não cabe! Eu vou te ajudar! Já até sei como!

Corta para:



CENA 38. QUARTO LAURA. INTERIOR. DIA.

Laura está sentada na cama. Clima tenso. Passa as mãos nos cabelos. Ela levanta-se. E pega uma caixa de baixo da cama. E de dentro dela pega o revólver que ela usou para matar Wesley. Reação.

Laura — Detetive.

Close de Laura: má.

Corta para:

CENA 39. PORTO ALEGRE. RUAS. EXTERIOR. ANOITECER.

Música eletrônica. Mostra um lindo por do sol. No ritmo do inicio da música. Uma mulher rua; um avião no céu; área; caminhão. De acordo com a música. Mostra a frente de uma ravi.

Corta para:

CENA 40. RAVI. PISTA. INTERIOR. NOITE.

No mesmo ritmo da música. Mostra Anyelise dançando, muito bem essa música. Rebolando na pista, CAM passa por baixo, mostra ela dançando de vários ângulos. De longe, perto do bar. Estão Trick’s, Rafa e Di. Estão tomando energético. E no balanço da música começam a comentar sobre Anyelise que se destaca dançando.

Trick’s — Aê?! Quem vai?

Di — (ao Trick’s) Se liga, magrão! Aquilo ali só pode ser pro meu bico!

Rafa — Ah! Falou o convencido! Te liga, Di! Tá na minha! Tá no papo!

Trick’s — (risos/brinca) “Minha!” “Papo!” Ah, fica quieto! Deixa pra mim que sou canhoto.

Di — Aposto cenzinho que não consegue!

Rafa — Também!

Di — Ai, vai perder!

Trick’s — Presta atenção! Vou ganhar a mina e ainda mais 200 pila!

Di — (irônico) Uhum. Vai! Vai sim! Vai lá!

Trick’s — Já vou chegar aqui, ó! No gingado! Na dança! Tá ligado?! Prepara a grana aí com a qual vou levar ela pra jantar.

Di — (ironia) Vai, uhum, vai sim!

Rafa disfarça riso.

Trick’s — Ti liga então!

Di — vai malandro!

Trick’s — Tô, indo, povo! Peraí! Meu cabelo? Tá bom?

Rafa — Mesma merda de sempre!

Di — Tá bonito! Vai lá vai!

Trick’s — Tô indo! (suspiro) Espia só!

Trick’s vai em direção a Anyelise dançando. Rafa fala com Di.

Rafa — Tu achas que o Trick’s consegue?

Di — O Trick’s nunca pega mulher! Nunca consegue! Duvido ele conseguir ainda mais uma como aquela lá, que é... Meu Deus! Muito boa.

Risadas. Troca de música. Trick’s chega a Anyelise dançando. E começa a dançar com ela. Di e Rafa estão só observando. Trick’s já vai cochichando no ouvido dela.

Trick’s — Vem cá? Teu pai é padeiro?

Anyelise — Não. Por quê?

Trick’s — Porque tu és um sonho!

Anyelise — Nossa... não tem uma melhor, não?

Trick’s — Tu não é faixa-de-segurança, mas eu te atravesso... Perdão! É que eu estando perto de ti fico nervoso. Meu coração começa a palpitar!

Anyelise — De quanto que é a aposta?

Trick’s — (ri/sem graça) Consigo 200 reais.

Anyelise — Hum... cem pra cada?

Trick’s — Feito!

Anyelise — O que eu tenho que fazer?

Trick’s — Beijo!

Anyelise dá um beijo em Trick’s. Di e Rafa ficam boquiabertos.

Di — Filho da mãe!

Rafa — Quê que ele disse pra ela?

Eles param de se beijar. Anyelise com as mãos no rosto de Trick’s:

Anyelise — Pega o meu dinheiro e me encontra no banheiro.

Trick’s — (pasmo) Tu... tu é fogo.

Anyelise — Não, meu amigo. Eu sou esperta!

Anyelise vai saindo dançando. Deixando Trick’s ainda perplexo.

Corte descontínuo: Trick’s chega até os amigos aos pigarros se gabando.

Trick’s — Eu sei! Eu sei! Vocês tem que aprenderem muito com o pai aqui!

Rafa — Cara, o que foi que tu falou pra ela?

Trick’s — Hum! Cheguei no ouvidinho dela assim e disse: meu amor, vem que tem!

Risadas.


Di — Realmente eu vou ter que admitir. Tu se superou nessa!

Trick’s — Isso é pra vocês aprenderem que comigo o bagulho é assim! Pá e pum! Não tem frescurinha! E tem gente aí, me devendo uma graninha, né?!

Di — Hum... pois é...

Trick’s — Ih, não vem que não tem! Quero meu dinheiro!

Di — Ah! (dando o dinheiro) Tá vai! Toma aqui! Coisa chata!

Rafa — Toma aqui o meu!

Trick’s — Pensem duas vez!

Trick’s sai rindo. Rafa e Di se entre olham.

Corte contínuo:

CENA 41. RAVE. CORREDOR BANHEIROS. INT. NOITE.

Anyelise está à espera de Trick’s. Ele chega.

Trick’s — Oi...!

Anyelise — O dinheiro.

Trick’s — Ô, gatinha, calma. Vamos conversar melhor! Se entender!

Anyelise — A única coisa que eu tenho pra me entender contigo é o dinheiro.

Trick’s — Vem cá! Tu sempre faz isso?

Anyelise — Queridinho, tu é bonitinho e coisa e tal, mas... no momento eu quero a grana. Me dá!? Hum?

Trick’s — Só mais um beijo, então?

Anyelise — Não...

Trick’s — Ah... que isso. Hein, gatinha?!

Anyelise sorri.

Corta para:

CENA 42. AP. ANTOINE E EVA. SALA. INTERIOR. NOITE.

Eva e Antoine na sala conversando. Diálogo já começado. Eva está indignada com as atitudes de Tonico, e acha que Antoine tem que fazer alguma coisa.

Eva — Desde ontem ele não come direito! Eu não sei! Não sei o que tá acontecendo. Depois do jogo que ele foi ontem, ele voltou muito estranho. Alguma coisa aconteceu. E eu não sei o que é.

Antoine — Só pode ser coisa da tua cabeça! Ele tá bem. Essas coisas acontecem. Ele é adolescente. Tu já foste uma. Sabe como é.

Eva — Não meu querido. Eu nunca fui homem. Muito menos um adolescente homem. Escuta, eu acho que tu tens que falar com ele!

Antoine — Tudo bem, Eva. Eu falo. Deixa o Guto sair de lá e eu falo com ele.

Corte contínuo:

CENA 43. AP ANTOINE E EVA. QUARTO TONICO. INT. NOITE

Guto falando com Tonico sobre a confusão que rolou com eles no primeiro capítulo.

Guto — O que foi que aconteceu contigo, Tonico? Tu estava ali na minha frente, de repente, sumiu. Ninguém te viu! Desapareceu! Te procurei igual a um doido. Não te achava em lugar nenhum! O último lugar que eu vim procurar foi aqui na tua casa. Pô, maior falta de consideração.

Tonico se irrita e pega Guto e o prensa na parede.

Guto — hei!

Tonico — Não me venha pedir consideração!

Guto — Quê que é?! Pirou de vez é?!

Tonico — (gritando) Por tua causa! Tu não sabe pelo o que eu passei! Tu não sabes o que eu vi, porra! Por tua causa! Eu não queria ir! Tu me enganou! Disse que não ia fazer nada! Que aquelas coisas todas no ônibus eram só pra se defender! Se defender uma ova! Aquilo tudo lá era pra guerra mesmo!

Guto — Ah... e tu és tão santinho que não sabia! Ó! Que grande ingenuidade a sua! (empurrando) Me larga! (tem.) Eu... Eu não tô aqui pra ficar aguentando chiliquinho de guri de apartamento.

Tonico — Eu confiei em ti, Guto.

Guto — Dá pra ti me explicar o que foi que aconteceu, seu merda? Assim eu não entendo nada!

Tonico — Eu não vou te falar porque.../

Guto — (junto) Então como é que tu quer que eu entenda?

Tonico — (cont.) tu não entenderia!

Guto — Se tu me explica-se!

Tonico — (gritando) Eu testemunhei um assassinato!

Close de Guto. Reação. Tonico fica ofegante. Guto fica em silêncio. Batidas na porta. Entra Antoine.

Antoine — E aê, pessoal? Tudo bem?

Guto e Tonico se entre olham.

Antoine — (cont.) Tava ouvindo uma gritaria. Aconteceu alguma coisa? Tonico, meu filho, está suando? Peraí! O quê que tá acontecendo aqui? Vocês estavam brigando?

Tensão continua.

Corta para:

4º INTERVALO COMERCIAL

CENA 44. QUARTO TONICO. INTERIOR. NOITE.

Continuação da cena anterior. Tonico disfarça.

Tonico — Que brigando pai! Não tem ninguém brigando aqui. Ouviu mal.

Antoine — Não, eu ouvi bem. Eu estava passando aqui pelo corredor e ouvi sim vocês gritando. Estão brigando?

Guto — Não, que isso, Sr. Kausk. Nós só estávamos falando sobre a cagada que o jogador do Grêmio fez ontem. E por falar nisso, o senhor viu o jogo?

Antoine — Vi. Vi sim.

Tonico — Então, pai, era isso. Só estávamos falando do jogo de ontem.

Antoine — Tudo bem. Eu acredito em vocês. (p/ Tonico) Que foi, filho? Está suando? Tá tenso. Nervoso. Quê que foi?

Tonico — Besteira pai. (riso falso) Tô normal. (desviando olhares) Não tô, Guto?

Guto — Claro. Até eu estou com calor.

Tonico — (disfarça) É, pois é... Eu esqueci de ligar o ar-condicionado.

Antoine — Tudo bem então. Depois eu falo com você. Sua mãe acha que nós temos que conversar. Ela está te achando muito estranho. E eu estou tendo que concordar com ela. Té mais! Ah, se quiserem alguma coisa, pedem pra empregada nova da tua mãe. O nome dela é Kioko.

Tonico — Tá bom, pai. Até!

Antoine sai. Guto olha para Tonico.

Guto — Me conta essa história direito.

Tonico suspira.

Corta para:

CENA 45. AVIÃO. INTERIOR. NOITE.

Cristina sentada confortavelmente em sua poltrona no avião. Está na janela, ela olha pra fora. Não tem muita gente no voo. Senta-se um homem bem apanhado ao seu lado, com uma poltrona de distância. Ele senta no corredor. Cristina o olha. Ele aparenta estar nervoso. Ela percebe que ele é bonito, e passa a mão nos cabelos. E começa a pensar. Ele a olha e fala:

Marco — Desculpe, tem alguém nesse lugar?

Cristina — Não, não.

Marco — Você se incomoda se eu ficar aqui?

Cristina — Não. Claro que não.

Marco — Ótimo! É que o senhor que estava do meu lado estava roncando muito. E eu fiquei com medo de que ele babasse no meu ombro.

Cristina — (risinhos) Tudo bem. (t) Nervoso?

Marco — Ah, você percebeu é? Eu sempre fico aflito em viagens de aviões. Não sei como é que não consigo me acostumar. Viajo tanto. E sempre fico aflito. (t) Turbulência então, coração na garganta.

Cristina — Entendo. Já tive isso. Mas pra mim passou. Sem problemas agora. Como é seu nome?

Marco — Hã?! Ah, é Marco. E... o seu?

Cristina — Cristina.

Cristina sorri. Marco também, mas ainda tenso.

Corta para:



CENA 46. CASA PICCOLI. SALA DE JANTAR. INTERIOR. NOITE.

Glória, Odair, Nilmar e Newton estão na mesa, jantando. Estão conversando sobre Cris.

Glória — A essa hora a Cris deve estar chegando em Miami.

Odair — Eu não sei por que a Cristina ainda insiste em trabalhar. Correr atrás de independência. Acho ridículo isso.

Glória — Ridículo, Odair?

Odair — Nós somos ricos! Não precisamos trabalhar. A única coisa que nos basta é saber investir. Só isso. Sem esforço.

Glória — Tu que está sendo ridículo agora. Machista.

Odair — Eu vou ensinar esses dois à manha. Ensinar a investir. Ganhar dinheiro fácil. Sem falhas!

Glória — Chega, Odair.

Odair — Deixa de ingratidão, Glória!

Newton — Vão brigar agora?

Odair — Ninguém está brigando aqui.

Glória — É. (campainha) Mas o fato é que eu acho muito bom a Cristina sair em busca do que ela quer. Se ela quer ser feliz dessa maneira: que seja!

Odair — O que ela devia é arrumar marido. Está ficando passada.

Glória — Cala boca!

Jussara e Frederick entram no ambiente de surpresa.

Jussara — Hei! Ou, é! Eu acabei de chegar!

Glória — (levantando-se) Jussara! Minha filha!

Jussara — (abraçando) Mãe...

Frederick — Olá, pessoas!

Nilmar — E aê!?

Newton — Oi!

Jussara — Maninhos! (abraços) Pai...!

Odair — Jussara! Anda sumida.

Jussara — Ah, Frederick, que inventa essas viagens surpresa e não posso deixa-lo sozinho. Sabe o jeito, né?!

Frederick — Ah... bobagem isso daí! (ao Odair) E aê, meu sogro?! Tudo bom?

Glória — É. Com homem não se pode bobear. Se não arruma pra cabeça.

Frederick — Ô, sogrinha... sempre me defendendo.

Glória — Não, Frederick, eu sempre fico do lado da minha razão.

Frederick — Estás insinuando que eu nunca estou com a razão?

Glória — Nunca disse isso.

Frederick — Mas demonstra!

Glória — Não sei do que você tá falando.

Frederick — Sabe sim.

Jussara — Vamos parar com esse joguinho!

Odair — É já está chato. Sentem. Jantem com a gente!

Jussara — Não. Obrigada, pai. Nós já jantamos. Nós vamos esperar vocês na sala.

Corte descontínuo:



CENA 47. CASA PICCOLI. SALA. INT. NOITE.

Jussara e Frederick estão conversando.

Frederick — A tua mãe me detesta, Jussara! Eu não sei qual é o problema que ela tem comigo, caramba! É sempre assim! Eu me apresento e ela vem com quatro pedras na mão!

Jussara — Dá um desconto pra ela, Frederick!

Frederick — Ela que deveria me dar um desconto! Ela me trata como se eu fosse um bandido, um ladrão. Sempre mandando indiretas. Porra, ela poderia ter um pouco de decência e me falar na cara o que ela realmente sente por mim!

Jussara — Eu acho que ela está desconfiada.

Frederick — Desconfiada de que? Nós nunca demos motivos pra ela desconfiar.

Jussara — Não sei. Parece que a mamãe tem um sexto sentido pra essas coisas. Deve estar desconfiada sim sobre os desfalques que você anda fazendo na/

Frederick — (corta) Psiu! Fica quieta! Prometemos não falar disso nessa casa! Fica quieta!

Jussara — Desculpa!

Frederick — Aqui não.

Reação. Jussara beija os indicadores. Frederick sério.

Corta para:

CENA 48. CASA SCHNEIDER. SALA. INT. NOITE.

Estão na sala: Antero, Cybele e Cheli. Cheli está no computador. Cybele passando um creme no rosto. Antero ao telefone falando com um dos gerentes de seus hotéis.

Antero — (tel.) Não, tudo bem, esse problema nós conseguimos resolver. Eu tenho certeza que com a sua competência tu irás resolver isso pra mim. (t) Não. Faça o que tiver que ser feito, ora! (t) Não. Carta branca eu não lhe dou, não. Eu quero estar à parte de tudo que acontece por aí. Eu só não posso ir, por conta de um acidente que tive. (t) Não, não é nada muito grave não. Logo-logo estarei aí pra resolver esse abacaxi. (t) tudo bem. Qualquer coisa me liga! Me liga mesmo! Não vai querer dar uma de espertinho que tu vais acabar se estrepando, hein! Olha lá! (desliga)

Cybele — Nossa, amor, pra que tanta grossura?

Antero — Se não for assim, a coisa não anda. Cadê Paulinho?

Cybele — Não sei.

Antero — (p/ filha) Cheli! Cadê seu irmão?

Cheli — Quê?

Antero — Cadê seu irmão?

Cheli — Trancafiado no quarto. Deve estar tocando violão.

Antero — (entendeu um trocadilho) Que isso, menina?!

Cheli — Ué, pai... tocando violão. Ele comprou semana passada. Ele estava guardando dinheiro pra comprar.

Antero — Mas que bobagem é essa? Pra que violão? Ele está até ruim do braço.

Cheli — Não sei.

Corte contínuo:

CENA 49. CASA SCHNEIDER. QUARTO PAULINHO. INT. NOITE.

Paulinho está escrevendo, violão do lado.

Paulinho — (cantarola/risos) Vai ficar bom.

Batidas na porta. Paulinho se assusta e esconde a folha que estava escrevendo no meio de livros.

Antero — (off) Paulinho, abre a porta!

Paulinho — Já vou pai!

Antero — (off) Que mania é essa de se trancar dentro do quarto! (entra) Sabe que eu não gosto disso.

Paulinho — Desculpa, pai.

Antero — O que estava fazendo?

Paulinho — Nada. Só... lendo.

Antero — Lendo é? (aponto pro violão) E o que é isso?

Paulinho — Um violão.

Antero — Jura, gênio?! E pra que você quer um violão?

Paulinho — Ué! Pra tocar.

Antero — (irônico) “Pra tocar...” que mimoso. Não sabia. (rude) Arrume essa zona e livre-se disso!

Paulinho — O quê? Por quê?

Antero — Eu não quero filho meu cantarolando numa viola por aí. Não pega nem bem. Tu tens é que estudar mais pra poder me substituir.

Paulinho — Mas pai eu gosto de tocar. E se eu não quiser te substituir?

Antero — Tu não tem querer. Querendo ou não tu vai herdar tudo o que é meu. Tu, tua mãe, a Cheli e o Vladmir. Já que o Vladmir foi um que eu deixei escapar em função dele ter sido muito novinho quando eu comecei, tu que será meu substituto! E pode esquecendo essa porcaria de violão!

Antero sai, mancando como entrou. Paulinho se senta na cama, irritado. Suspira.

Corta para:

CENA 50. PORTO ALEGRE. RUAS. EXTERIOR. NOITE.

Imagens da cidade. Prédios; trânsito.

Corta para:

CENA 51. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. NOITE.

Manu e Bruna sentadas no sofá conversando. No meio da fala de Manu, Laura aparecerá ouvindo a conversa escondida lá do alto da escada.

Manu — A polícia já interrogou a Laura.

Bruna — E o que foi que ela falou pra eles?

Manu — Bom, ela disse que quando os ladrões entraram ela estava na cozinha. Renderam ela lá. Daí papai veio da sala por causa dos gritos dela. Estavam armados. (off) Levaram eles lá pra cima no quarto. Com a chance de acharem alguma coisa. (CAM objetiva de Laura) Deram um tiro no espelho pra intimidar e a Laura contou onde estavam as joias e o dinheiro. Que por sinal, nem era tanto. (cont.) Daí, ela disse que papai tentou aproveitar um minuto de distração dos bandidos e saiu correndo. Eles o viram e saíram correndo atrás dele. A Laura diz que só ouviu o barulho dos tiros. 3. Um nas costas, um no peito e outro na barriga.

Bruna — Que horror meu Deus!

Laura volta pro quarto.

Corte contínuo:



CENA 52. CALA LAURA. QUARTO LAURA. INTERIOR. NOITE.

Laura entra pensativa. Caminha até o meio do quarto. Olha pra um canto.

Laura — Eles caíram. Agora só tenho que me livrar de uma coisa!

Corta para:



CENA 53. TORONTO. RUAS. EXTERIOR. NOITE.

Algumas imagens da cidade. Baladas, prédios, locais turísticos. A noite em Toronto. Toronto Blue Jay no Roger Centre; Chinatown; Eaton Centre; Royal Ontario Museum, Art Gallery of Toronto e Ontario Science Centre.

Corta para:

CENA 54. AP. VLADMIR E THAÍS. SALA. INTERIOR. NOITE.

Vladmir e Thaís entram brigando, por causa de um desentendimento na rua.

Thaís — (irritada) Ridículo, Vladmir! Aquele ataquezinho de ciúmes seu foi ridiculous!

Vladmir — Ah, é?! Eu não ia fazer nada se tu não ficasse se enrabichando pra cima daquele canadense do olho azul!

Thaís — Que enrabichando? Eu não sou mulher de me enrabichar! You sabe que eu sou uma woman comprometida com you! Não tem cabimento eu estar olhando pra outro men, Vladmir?

Vladmir — Sei, sei... eu estava vendo para onde aqueles olhos azuis e canadense estavam olhando, tá?! E não era pra.../

Thaís — Oh, my God! Chega! Stop! Eu não vou discutir mais isso com you! Pra mim chega!

Vladmir — Claro! Não gosta de ouvir a verdade, não é?

Thaís — (saindo) Shut up!

Vladmir — Cala boca tu! Que saco!

Vladmir irritado liga televisão, e senta pra assistir.

Corta para:



CENA 55. PORTO ALEGRE. RUAS. EXTERIOR. AMANHECER.

Noite ainda... mostrar boates. Ruas. Amanhece. CAM mostra de longe o amanhecer na cidade, com a beira do lago Guaíba; ponte do Guaíba. Estádio do Arena do Grêmio, e Inter. Um dos prédios do centro.

Corta para:

CENA 56. ESCRITÓRIO THIAGO. INTERIOR. DIA.

Thiago está anotando algumas coisas. Batidas na porta. Ele se levanta e vai abrir a porta. Ele abre. É Laura. Susto dele, reação. Com os olhos arregalados. Laura só olha normal. Thiago fica tenso.



Corta.

FIM


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