Bendito destino novela de Patrick Marques



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Bendito Destino Capítulo 15 quarta—feira

BENDITO DESTINO

Novela de Patrick Marques

Escrita por

Patrick Marques



Supervisão de texto

Rafael Carrara



Direção

(indisponível)



Núcleo

(indisponível)



Personagens deste capítulo


ANTERO

VLADMIR


CRISTINA

MARILENE


GABI

MOCINHA


LUCAS

EDNA


CHICA

LILIAN


GLÓRIA

ODAIR


BRUNA

MANU


LAURA

WANESSA


GLENDA

PEDRO


EVA

LOIRE


GUTO

TONICO


CHELI

MIRIAM


DI

THIAGO


Participações especiais

GERENTE; HOMEM.


CENA 1. RESTAURANTE. INTERIOR. DIA.

Continuando o capítulo anterior...: Antero acabara de presenciar Vladmir e Cristina juntos. Marilene observando tudo de longe, em outra mesa.

Vladmir — Pai, o quê que tu tá fazendo aqui?

Antero — Ligaram lá pra casa, disseram que tu estava com problemas aqui no shopping, o que realmente estava. Tentamos falar de novo com quem ligou, não conseguimos. Eu vim preocupado, chego aqui e descubro que tu está de rolo com uma Piccoli! Eu não estou entendendo mais nada.

Vladmir — Eu não queria que o senhor descobrisse assim, eu queria me sentar e conversar com calma sobre.../

Antero — O pai dela sabe disso? (a Cris) O teu pai sabe disso?

Cristina — (preocupada) Não, e nem pode ficar sabendo!

Antero — Vocês estão malucos! Até quando vocês pretendiam levar essa história adiante? Vocês não podem ficar juntos! É... é praticamente lei! Schneider não se mistura com Piccoli! É o mesmo que água e azeite! Vocês não sabem disso..?

Vladmir — Vamos parar e conversar com calma?

Antero — Eu estou tão indignado com tudo isso que está acontecendo. E entregaram vocês! (off) Esse telefonema lá de casa foi para alertas que vocês estão juntos!

Off de Antero: Marilene esconde o rosto atrás do cardápio.

Antero — (cont.) Mais alguém tá sabendo que vocês estão juntos?

Cristina — Não, não. Só o pessoal lá do escritório, mas eu acho que ninguém seria capaz de.../

Vladmir — Tá muito estranho. Quem seria capaz de fazer uma coisa dessas?

Cristina — Seu Schneider, vamos conversar com calma? Sente-se aqui.

Vladmir — É pai, vamos esclarecer tudo.

Antero — (irritado) Não quero falar nada sobre isso! Nada! Tô muito nervoso! Sou capaz de falar besteira! Melhor eu acalmar meus nervos! Mais tarde a gente conversa.

Antero dá uma rabanada e sai.

Cristina — Ah... meu Deus. Não era pra ser assim.

Vladmir — Calma, meu amor!

Vladmir abraça Cristina. Cristina vê Marilene se levantando e saindo.

Cristina — Marilene?! Quê que ela tá...?

Vladmir — Que foi?

Cristina — A Marilene. Eu vi ela.

Vladmir — Aonde?

Cristina — Ela saiu agora. Logo com seu pai. Será que ela...?

Vladmir — Tu acha que ela tem alguma coisa a ver com esse telefone que meu pai recebeu?

Cristina — (firme) Pro bem dela eu espero que ela não tenha nada a ver com isso!

Reação. Cris séria.

Corta para:


CENA 2. CASA MOCINHA. FRENTE. EXTERIOR. DIA.

A fachada da casa de Mocinha, esta as vistas de Lucas. Ele lê o endereço num papel.

Corta para:
CENA 3. CASA MOCINHA. SALA. INTERIOR. DIA.

Mocinha cortando as unhas do pé. Chica está com ela tomando chimarrão.

Mocinha — Credo, como dancei ontem. Hoje de manhã ainda estava meio mal.

Chica — Capaz?!

Mocinha — As ancas, aqui, tão tudo moída.

Chica — É o tempo.

Mocinha — Eu sei, fiquei tempo demais dançando no.../

Chica — Não, não, não. Atrapalhona. Eu digo em relação ao tempo passado, que não volta mais. Quer ser guria nova. Dá nisso. Dores nas juntas.

Mocinha — quem te falou que quero ser guria nova? Jamais! Minha experiência como mulher é ótima. Não tô a fim de me passar por menininha ingênua, essa minha fase eu prefiro até esquecer. Porque foi daí que surgiu o Trick’s. (tempo/muda de assunto) Falando em filho: e a Lilian? Sumiu no meio da festa, nem vi ela muito.

Chica — Ai! Ela não disse que não podia perder a noite, e foi trabalhar.

Mocinha — Eu não entendo como é que tu deixa essa guria se prostituir, Chica.

Chica — Quê que eu posso fazer? Ela gosta! Vou amarrar ela no pé da cama?

Mocinha — Tem que ter pulso firme, mulher! Se bem que tu sempre foi uma tonta em relação à educação dos teus filhos. O outro lá no topo da rabeira da cadeia alimentar!

Chica — odeio essa rabeira.

Mocinha — Tu tem que dar um jeito nesses teus filhos, Chica. Tá um pior que outro. Uma pode aparecer grávida sem nem ao menos saber quem é o pai, ou pior com uma doença, o outro pode aparecer morto atirado lá no rio dos Sinos. Pô... eu sei que tu não gosta de ouvir, mas põe a mão no coração. Vê se eu não estou certa. Tu deixa eles fazerem tudo que querem. Não pode! Assim como tá, não dá. Eles ainda vão te fazer sofrer muito.

Chica — (cabisbaixa) Eu sei.

Mocinha — Eu estou falando pro teu bem, e pro bem de todos, Chica.

Campainha.

Mocinha — Te preocupa não. Eu te ajudo a resolver essa/ Ai, olha aqui meu pé. Tá descascando. Pareço uma cobra trocando de pele.

Chica — A campainha tá tocando.

Mocinha — Eu ouvi. É que essas horas eu deixo a Edna atender, porque eu tenho medo que sejam os criadores.

Chica — Criadores? Que criadores?

Mocinha — Ai, deixa de ser burra. Aqueles caras que cobram a gente.

Chica — É credores! Não criadores!

Mocinha — É, esse mesmo.

Edna passando por elas.

Mocinha — Já sabe, né?! Não estou nem pra vendedor do bíblia.

Enquanto Edna vai abrir a porta, Mocinha faz sinal de silêncio para Chica. Edna abre a porta e é Lucas quem está adiante.

Lucas — Oi! É aqui a casa da Moça? Bom, o nome dela é assim, mas é mais conhecida como Mocinha.

Edna — Depende.

Lucas — (estranha) Como assim?

Edna — (risonha) Tô brincando. Ela mora aqui sim. Quê que cê quer com ela, querido?

Lucas — É que eu sou afilhado dela.

Edna — Ah. Não diga.

Lucas — Digo.

Edna — Não...

Lucas — Sim.

Edna — Não...

Lucas — sim!

Edna — Não...

Lucas — Para!

Edna — Desculpa. Então tu tá me dizendo que é afilhado dela?

Lucas — Sim!

Edna — Não...

Lucas — De novo?

Edna — (rindo) Desculpa. Peraí... tenho que confirma.

Edna entra.

Lucas — Que doideira.

Edna chega até Mocinha.

Edna — Aí, tem um rapaz aqui dizendo que é teu afilhado.

Mocinha — Ah! O Lucas? (levantando-se) Mas esse bosta disse que ia vir semana que vem.

Mocinha vai pra porta, Chica comenta com Edna.

Chica — Nem sabia que ela tinha afilhado.

Edna — Eu sabia.

Chica — Sério?

Edna — Não. Foi só pra puxar assunto.

Chica — Ah, tá.

Mocinha e Lucas.

Mocinha — Guri de Deus! Porque não me ligou peste, avisando que estava em Porto Alegre! (abraço)

Lucas — Ah, vim largadão. Conhecendo a cidade.

Mocinha — Perigo de se perder.

Lucas — Nem bola.

Mocinha — Entra, entra, entra.

Mocinha e Lucas vão entrando e se acomodando na sala.

Mocinha — Eu pensei que tu fosse aparecer só semana que vem. Tô doidona. Me esquecendo de tudo. Tô passando tempo demais com o Vinícius. Deixa eu te apresentar. Essa aqui é a Chica, minha irmã.

Chica — (cumprimentando-o) E aí?! Tudo bem?

Lucas — Tudo ótimo.

Mocinha — Essa aqui tu já falou com ela, é a Edna, empregada.

Lucas — prazer!

Edna — Já tive honra. Vou ausentar-me. Tenho um monte de coisa pra fazer, té.

Mocinha — leva a mochila dele lá pra cima, deixa no meu quarto, é que eu ainda não sei onde ele pode ficar.

Lucas — Qualquer cantinho pra mim tá ótimo, viu? Não precisa se preocupar.

Mocinha — Que isso, guri?! Olha o respeito! Aqui na casa da dinda não tem essas, não. Ninguém passa mal. Por isso que a Edna é abusada aqui. Né?! Ela sabe meu sobrenome é simpatia.

Edna — Uhum...

Edna saindo.

Mocinha — Vamos conversar.

Chica — Desculpa, mas eu não estou lembrando de ti, Lucas.

Mocinha — Ai, a Chica às vezes me diz cada uma! Como que tu não se lembra dele. Era um bebezinho. É filho da Suzanna.

Chica — Que Suzanna?

Mocinha — A Suzanna. Suzanna! Baixinha aquela, minha melhor amiga!

Chica — Ah... a Suzanna. Essa Suzanna?

Mocinha — É...

Chica — Grande Suzanna!

Lucas — Figurativamente, ela ainda é um toquinho de amarrar bode.

Mocinha — (rindo) Isso, isso... ela ainda é um toquinho... eu folgava muito nela quando ela dizia que ia bater no teu pai, e... eu: isso, pisa no pé dele. Morde o joelho! Não esquece o joelho!

Risos de todos.

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CENA 4. CASA PICCOLI. ESCRITÓRIO. INTERIOR. DIA.

Glória acabou de saber que Odair tirou Nilmar do castigo.

Glória — Como assim, Odair?! Tu disse pro Nilmar que o castigo dele acabou?

Odair — Disse sim.

Glória — Como é que tu quer que o guri aprenda alguma coisa passando a mão na cabeça dele? Por mim ele deveria ficar um bom tempo sem as regalias que ele tem aqui dentro de casa.

Odair — Ele já ficou tempo demais. Ele já aprendeu que não deve mais sair assim, daquele jeito. Depois do susto que teve, de quase ter morrido, não vai ser um castigozinho à toa que vai fazer ele mudar o que já está mudado.

Glória — Ele não mudou em nada. Continua o mesmo guri rebelde de sempre.

Odair — Olha, Glória, eu ainda tenho que resolver esses negócios aqui, essa papelada. Dá pra ti parar de me encher com coisas sem importância.

Glória — Então quer dizer que a educação dos nossos filhos não é importante?

Odair — Não foi isso que eu quis dizer.../

Glória — (corta) Chega! Só não reclama depois!

Glória sai do escritório. Odair suspira, tenso.

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CENA 5. CASA LAURA. COZINHA. INTERIOR. DIA.

Bruna fazendo um café. Entra Manu. Manu abre a geladeira, pega um suco.

Bruna — (t) Manu. Eu preciso falar contigo.

Manu — Se for pra falar sobre ontem: esquece. Não quero ouvir nada.

Bruna — Não. (off) É algo mais importante. Uma coisa que tu deveria saber faz tempo.

Laura aparece ouvindo escondida.

Manu — Do quê que cê tá falando?

Bruna — Uma arma.

Manu — O quê?! (off) Como assim? Que arma é essa?

Laura ouve apreensiva.

Bruna — A Laura tem, no quarto dela, um revolver. Um dia andei vasculhando as coisas dela, e achei lá uma.../

Manu — Peraí, peraí... tu vasculhou?!

Bruna — Escuta! Eu posso te provar! Eu vou te mostrar!

Laura vai pro quarto.

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CENA 6. CASA MOCINHA. CORREDOR. INTERIOR. NOITE.

Mocinha e Lucas chegam até a porta do quarto de hospede. A frente tem outro quarto onde na porta está escrito em placas: keepaway / fall out / do not disturb.

Mocinha — Aqui é onde cê vai dormir.

Lucas — (referindo-se ao quarto à frente) Nossa. “Do not disturb”.

Mocinha — Ah. Aí dorme o Vini. O filho da Edna. Coitadinho. Tá em depressão. Crise de identidade é foda, né?! Bom, entre! Entra aqui. Teu quarto. É grande, gostei daqui. Vai ficar nessa quarto temporariamente, depois cê vai pro quarto de Trick’s. É porque está uma bagunça lá, não sabia que tu ia chagar hoje...

Mocinha entra no quarto, Lucas segue-a olhando para quarto a frente.

Corta para:
CENA 7. APART WANESSA. SALA. INTERIOR. DIA.

Wanessa e Odair estão conversando.

Wanessa — Eu não entendi a sua ligação no meio do dia. Nunca me liga uma hora dessas. Tá sempre trabalhando.

Odair — Marquei essa hora porque quero falar algo importante.

Wanessa — Ai, meu amor. Tá me deixando nervosa. Quê que aconteceu?

Odair — Eu estou sendo chantageado pelo meu próprio filho, estou brigando adoidado com minha mulher, minha vida está uma merda. Um caos! E eu pensei, pensei, pensei e pensei bem. E cheguei a seguinte conclusão: nós temos que parar de nos ver. O nosso romance, o nosso lance, o nosso amor... acaba aqui!

Closes alternados de Odair decidido e Wanessa pasma. Baque.

Corta para:


1º INTERVALO COMERCIAL

CENA 8. APART WANESSA. SALA. INTERIOR. NOITE.

Continuação da cena anterior. Wanessa está nervosa, Odair decidido.

Wanessa — Como assim, Odair...? Tu... tu está acabando o nosso romance como se não fosse nada. Com se fosse um.../

Odair — (corta) Escuta! Escuta. Eu tô sem tempo pra ouvir qualquer asneira que tu tens pra me dizer. Tenho mais o que fazer.

Wanessa — para! Me fala o motivo disso?

Odair — Eu tô sentindo o circo fechando, eu tô ficando acuado. Não estou gostando. Meu filho já descobriu que estou traindo a mãe dele. Começou a me chantagear.

Wanessa — (nervosa) Odair, meu amor, eu te amo! Eu te quero muito! Não me importo às condições. Não estou ligando para o dinheiro. Eu só quero tu. Só quero o teu amor. Nada mais. Eu só preciso de um.../

Odair — Não, não, Wanessa! Tô cansado disso tudo. Não quero mais.

Wanessa — (chorando/trêmula) Pelo amor de Deus, Odair! Por favor! Não faz isso comigo. Não faz! Eu não mereço... fica comigo! Não faz isso comigo, Odair. Eu te amo, meu amor! Como nunca amei ninguém. Te amo mais que a Glória, isso tu sabe. Pode ter certeza. Ela não te ama como eu te amo!

Odair — (frio) Não abre essa tua boca suja para falar de minha mulher. Ela tem classe. Não é uma vadia imunda como tu. Ela me ama. Gosta muito de mim. Não trocaria uma mulher como ela com uma puta como tu. Não sabes o que fala... tu não chegaria aos pés de minha mulher. Por tanto, dobre a língua quando falar dela.

Wanessa — Odair... (chorando) não fala assim comigo.

Odair — Eu falo contigo do jeito que eu quiser. (arrogante) Por que é disso que tu não passa, Wanessa. Quando eu te conheci, morava numa quitinete menor que essa sala. Eu te dei tudo isso daqui que tu tens hoje. Sustentei teus mimos, tuas vontades, não venha me dizer como falar contigo. Eu tenho direito te falar contigo do jeito que eu quiser!

Wanessa — (chorando) Para!

Odair — (sem parar) Uma rapariga de beira de estrada. Me fala. Fala pra mim, o quê que cê era antes de me conhecer? O quê? (tripudia) Nada! Um lixinho. Um lixinho com teta e bunda. Porque foram as únicas coisas que em ti me interessaram. Mais nada. Agora... se tu achas que está a altura de falar da minha mulher, está muito engana. Precisa de muito caviar e profiterolis. Eu espero que tu volte de onde veio. Te deixo os trocados do ônibus. E some. E some mesmo. Se eu te ver por aqui de novo... não sei do que sou capaz.

Odair deixa algumas notas de dinheiro em cima do sofá. Sai. Wanessa chora mais. Alto, desesperada.

Wanessa — Desgraçado... me paga.

Corta para:
CENA 9. CASA MOCINHA. SALA. INTERIOR. DIA.

Mocinha tomando chimarrão com Chica. Lilian fazendo as unhas.

Lilian — Cêis me disseram que chegou um tal de Lucas. Cadê ele? Não vi ainda.

Mocinha — Tá lá no quarto.

Lilian — E como é que ele é? É bonitinho? Me fala. Pegável?

Chica — Não tem jeito mesmo.

Mocinha — Bonitinho ele é, mas não faz teu tipo digamos assim.

Lilian — Como assim? Não me conhece. Eu sou boa em tudo que faço, minha tia. Não tem quem não se apaixone por mim aqui, tá?!

Mocinha — (falando baixinho) Lilian, ele é meio lelé-mané. E além do mais.../

Lilian — Não me importo. Se falou que ele é bonitinho, eu tô dentro.

Mocinha — Tá, mas...

Lilian — Não adianta. Eu sei que tu vai querer encher minha cabeça de coisa. Mas eu sou mais eu. (saindo) Eu consigo. Deixa pra mim.

Chica — Tô pra ver guria mais assanhada que essa.

Mocinha — Puxou a mãe.

Chica — Que puxou a mãe o quê?!

Mocinha — Queria ver ela dar de cara na porta agora.

Corte rápido para:
CENA 10. CASA MOCINHA. QUARTO LUCAS. INTERIOR. DIA.

Lucas está ouvindo Evanescence - My Immortal. Ele acende dois incensos. Coloca em seus devidos lugares: um de cada lado da cama, em cima de bidês. Se posiciona na cama, em posição de meditação. Batidas na porta. Lucas suspira, olhando para cima levantando apenas uma sobrancelha. Levanta-se, desliga a música. E abre a porta. É Lilian, está toda sorridente.

Lilian — Olá!

Lucas — Oi!

Lilian — Quando me falaram que tu é bonitinho, não acreditei. Tive que vir dar uma conferida. E realmente, não é bonitinho. É melhor.

Lucas — (acha engraçado) Desculpa, mas quem é tu?

Lilian — Filha da irmã da dona da casa.

Lucas — Ah... tá! Vou de novo. Quem tu é?

Lilian — Lilian! Muito prazer! Nossa... que cheirinho bom.

Lucas — Ó que eu nem tomei banho ainda.

Lilian — (rindo) Eu tô falando dos incensos.

Lucas — Eu sei, tô só brincando.

Lilian — De onde cê é?

Lucas — De bem longe, bota bem longe nisso. Mostardas, pra te ser preciso.

Lilian — Ah, não é tão longe. E o que veio fazer em Porto Alegre?

Lucas — Dominar o mundo. (ri) Estudar, trabalhar. Ser alguém na vida. Daqui, viajar ao mundo!

Lilian — Tu é tão largadão.

Lucas — Isso... foi um elogio?

Lilian — De certa forma sim.

Lucas — Ah! Que bom.

Lilian — Que estava fazendo?

Lucas — Estava tentando deixar esse lugar um pouco mais a minha cara.

Lilian — (pega uma revista) Hum... Evanescence. Curto.

Lucas — Eu amo! Melhor banda que existe! Amy Lee... (suspira) Linda!

Lilian — Eu vou indo nessa. Vou te deixar em paz.

Lucas — Que isso.

Lilian — Gostei de te conhecer. Foi um prazer. (melosa) Quem sabe a gente descubra outras coisas em comum além de adorar Evanescence, né?!

Lucas — (medo) Como o quê, por exemplo?

Lilian — Sei lá...

Lucas — Eu não sei se é isso que eu estou pensando, mas... eu não curto mulheres.

Lilian — (de sorridente muda para confusa) Como assim? Tu é gay?

Lucas — Surpresa!

Lilian — Nossa... tem certeza?

Lucas — Hã?!

Lilian — Não é que... (rindo nervosa) Não parece. Tu parece tão homem... que... (rindo) Ai, desculpa! Eu estava dando em cima de ti!

Lucas — Não que isso! Tudo bem!

Lilian — E elas lá embaixo tentaram me falar. Desculpa, mesmo. Eu não sabia. É que tu não aparenta nada.

Lucas — Não, eu gosto do homem, mas eu não sou mulher. E nem pretendo parecer. Eu acho um tanto “exagerado” aquelas bichas espalhafatosas, sabe?!

Lilian — Te entendo.

Lucas — Eu acho que deviam mostrar um pouco mais de hombridade, sei lá... ter a honra de dar o cú e não sentir dor.

Lilian — (risos)

Lucas — (rindo) Claro, que agora eu tô brincando.

Lilian — Tudo bem! Adorei! Adorei mesmo te conhecer, Lucas!

Lucas — Também gostei muito de te conhecer, Lilian!

Lilian — (estende a mão) Bons amigos?

Lucas bate na mão dela e abraça-a. Beijo no rosto.

Lucas — Bons amigos!

Corta para:


CENA 11. APART GLENDA E PEDRO. SALA. INTERIOR. DIA.

Pedro entra em casa. Glenda vem do quarto, irritada.

Glenda — Posso saber onde tu tava?

Pedro — Trabalhando.

Glenda — (gritando) Não mente pra mim!

Pedro — Que isso! Tá louca? Não grita!

Glenda — Eu falo do jeito que eu quiser, seu mentiroso! Eu sei muito bem onde tu tava! Trabalhando porra nenhuma! Estava me traindo! Tava! Tava num puteiro que eu sei! Eu não sei como tu pode me olhar com essa cara deslava.

Pedro — (bravo) Hoje eu não estou com saco pra aguentar os teus chiliques! Me deixa em paz! Por favor!

Pedro vai indo pro quarto. Glenda segura-o.

Glenda — Tu não vai mentir pra mim! Fala! Quem é a vagabunda que tu anda pegando? Me fala! Quem é a vadia?

Pedro — Dá pra você me largar?

Glenda — Não vou te largar até tu me falar o que eu quero ouvir! A verdade!

Pedro vai tentando se soltar, Glenda segura-o com mais força.

Pedro — Deixa de bobagem, mulher! Me larga!

Glenda — Fica aqui, Pedro! Me fala! Me fala! (começa a estapear e gritando) Me fala! Maldito! Desgraçado!

Pedro — (falando junto) Para com isso, Glenda!

Glenda — Desgraçado! Traidor! Fala quem é a tua amante! Eu te mato!

Pedro empurra Glenda.

Pedro — (empurrando-a) Chega!!!

Glenda para, ofegante.

Pedro — (gritando) Doida varrida!

Pedro coloca a mão na boca, percebe que está sangrando. Glenda vê e começa a chorar.

Glenda — Ai, Pedro... desculpa. Desculpa, meu amor! (tenta amparar) Desculpa.

Pedro — Não encosta em mim! Não chega perto! Se você me encostar de novo eu não respondo por mim! (t) Doida!

Pedro vai pro quarto. Glenda chora.

Corta para:


CENA 12. TOP-STAR. SALA CRISTINA. INTERIOR. DIA.

Cristina pensativa. Muito nervosa. Suspira.

Cristina — E se ele falar pro meu pai, meu Deus! Ele não pode falar pro meu pai. Ai, Vladmir! Me liga...

Cristina continua tensa, olhando para o celular.

Corta para:
CENA 13. PORTO ALEGRE. RUAS. EXTERIOR. ANOITECER.

Ao som de Bruno Mars – The Lazy Song. Mostrando o pôr do sol. Imagens da cidade, bastante a parte de bares a boates. Por último a fachada da casa Schneider.

Corta para:
CENA 14. CASA SCHNEIDER. QUARTO CHELI. NOITE.

Cheli está frente ao computador. Está com uma cara hipnótica para a tela.

Cheli — (lendo) “Quero fotos mais quentes de você. Essas que você me mandou estão muito fraquinhas. Tem fotos sem blusa?” (suspira/fala digitando) Eu tenho algumas fotos intims, mas não sei se devo. Tenho vergonha.

Mostra a tela do computador de Cheli, recebeu uma mensagem assim: “Ah, para!! Te acho mt gatinha... quero vê se tu eh td aquilo q diz!”

Cheli — (off/lendo) “Ah, para! Te acho muito gatinha... quer ver se tu é tudo aquilo que diz!” (pensa/digitando) Tá bom. Vou te mandar algumas fotos que tirei só de calcinha e sutiã. Ok?!

Tempo em Cheli dando alguns comandos, mostra a tela do computador, abre uma janela: Fotos enviadas com sucesso. Cheli sorridente.

Corta para:
CENA 15. MUSEU. EXPOSIÇÃO. INTERIOR. NOITE.

Eva e Loire estão admirando algumas obras de arte. E conversando:

Eva — Eu sinto que o Tonico está muito diferente.

Loire — Diferente como? Pra melhor ou pior?

Eva — Eu não sei. Ele tá mudado. Mudou o jeito de ser. Eu estou sendo mais liberal. Mesmo não querendo ser.

Loire — Essa mudança repentina dele está te deixando como?

Eva — Sei lá, meio perdida. Sem saber o que realmente meu filho está pensando, no que está sentindo. Se não está fingindo.

Loire — Qual é teu medo?

Eva — Nenhum. Eu... só acho que ele está muito distante. Tá misterioso. Se ele esconde alguma coisa: tenho que saber o que é.

Corta para:


CENA 16. SALA DE ALGUMA CASA. FESTA. INTERIOR. NOITE.

Uma festa está rolando. Na sala tem muitas pessoas, a maioria adolescente. Bebendo e dançando. Música alta. Tonico e Guto aparecem no meio delas.

Tonico — Cara! Minha mãe não pode nem sonhar que eu tô aqui!

Guto — Não viaja! Sem noia! Nunca saberá!

Tonico — Assim espero!

Uma garota está trocando olhares com Tonico.

Tonico — (cont.) Dá uma ligada na gatinha que tá me secando.

Guto — Ah... vai lá! Cai dentro!

Tonico — Não, não...

Guto — Ih, qualé?! Vai lá maluco! Dá bocada! Deixa de ser bicha!

Tonico — Cala boca!

Guto — Qual problema? ... Ah... é tímido. Te saquei. Tenho um negócio aqui pra ti.

Tonico — Que é?

Guto tira um saquinho com cocaína. Reação.

Tonico — Ih, Guto.

Guto — Isso aqui, cara, é ouro. Com isso aqui tu não só vai pegar aquela lá... como todas as outras. Hein?! Vai?

Tonico — (pensativo) Tá bom, meu! Vai! Comé que eu uso isso!

Guto — Ah, guri! Vão ao banheiro.

Corte descontínuo para:
CENA 17. BANHEIRO DA CASA DESCONHECIDA. INT. NOITE.

Dentro do box, Guto ensina, sem áudio, Tonico a cheirar cocaína. Guto faz quatro “carreirinhas” na tampa do vaso. Usando a carteira de identidade. Com uma caneta sem a parte de dentro.

Corta para:
CENA 18. APART GLENDA PEDRO. SALA. INT. NOITE.

Glenda preparou um jantar para Pedro. Está dando uns retoques finais. Esperando Pedro aparecer. Ela está animada. Coloca a salada na mesa, enquanto Pedro entra, vindo do quarto. Pedro está sério.

Glenda — (vê Pedro) Amor! Ah... olha só o que preparei pra gente. Não tá bonito? Hum? Fiz almôndega. Eu sei que tu adora almôndega. Tudo isso pra gente se curtir. (vai para beijá-lo) Tudo isso pro meu amor.

Pedro — (virando o rosto) A gente precisa conversar sério.

Glenda — Nossa, Pedro. O que foi?

Pedro — (suspira/firme) Glenda, eu quero o divórcio!

Close de Glenda espantada, Pedro sério.

Corta para:


2º INTERVALO COMERCIAL
CENA 19. APART GLENDA E PEDRO. SALA. INTERIOR. NOITE.

Continuação da cena anterior. Glenda se atira nos pés de Pedro. Glenda está aos prantos, chorando. Desesperada.

Glenda — Não! Tu não pode fazer isso!

Pedro — Que isso!

Glenda — Meu amor! Me perdoa! Por favor!

Pedro — Para com isso, Glenda!

Glenda — (ajoelhada) Pelo amor de Deus! Tu não pode fazer isso comigo, Pedro! Me perdoa! Me perdoa! Por favor!

Pedro — Para com isso!

Glenda — Eu prometo! Eu prometo que não faço mais! Eu faço tudo o que tu quiser, mas não me deixa! Não me abandona, Pedro! Por favor!

Pedro — Para! Chega. Não dá pra conversar com você nesse estado.

Pedro sai, pro quarto. Glenda chora sentada no chão.

Corta para:


CENA 20. HOSPITAL. FRENTE. EXTERIOR. NOITE.

Miriam e Di estão saindo do hospital. Conversando simpáticos um com o outro.

Miriam — Eu queria te agradecer por tudo que tu tem feito pela gente. Se fosse outro, poderia ter fugido na hora que atropelou meu pai.

Di — Não. Não. Eu não sou esse tipo de gente que foge de sua caga... atrapalhadas.

Miriam — É... demos sorte.

Di — Sorte. Isso foi destino. Pude conhecer uma guria tão linda como tu. Depois da tragédia, é até um presente. Pra mim.

Miriam — Ah... que isso!

Di — Verdade. Eu... (clima) sei lá. É tão estranho.

Miriam — (doce) O quê?

Di — Quando eu estou perto de ti. Me sinto em paz... sabe? Tranquilo.

Miriam — (sorri sem jeito) Para com isso.

Di — Verdade. (T) É um sentimento tão bom... que quando eu olho pra ti, me dá vontade de...

Di olhando nos olhos de Miriam. Fundo musical dos dois já rolando. Di e Miriam se beijam. Tempo neles.

Corta para:


CENA 21. CASA PICCOLI. QUARTO CASAL. INTERIOR. NOITE.

Odair muito nervoso. Procura alguns papéis, mas sua maior aflição é por causa de Wanessa. Glória entra.

Glória — Que tá procurando, Odair?

Odair — Uns papéis. Uns papéis. Eu não me lembro onde deixei. Por um acaso os guris andam mexendo nas coisas lá do escritório? (off) Tá sumindo tudo.

Glória — (observando-o) Não, não. Não vejo eles entrarem lá, não. Mas esses papéis são tão importantes assim? Tu está tão tenso.

Odair — Não, não! Ai. É só problemas. É... essa dor de cabeça que me inferniza.

Glória — Calma, homem. Nessa idade cê pode ter um enfarte. Tem que cuidar mais da saúde. Não pode ficar se estressando à toa. Vou pegar um remédio pra ti.

Glória entra no banheiro do quarto. Odair senta—se ainda tenso. Suspiro.

Corta para:
CENA 22. QUARTO LAURA. INTERIOR. NOITE.

Laura deitada na cama. Bruna entra no quarto rapidamente. Manu entra junto, mas assustada. Laura não entende nada.

Laura — Mas o quê que é isso? Que isso? Que invasão é essa?

Bruna começa a mexer no armário de Laura.

Bruna — Agora, eu vou mostrar pra Manu o quê que cê guarda em casa, Laura!

Manu — Bruna! Não faz isso. Laura, me desculpa. Ela tá.../

Bruna continua mexendo nas coisas, abre algumas caixas.

Laura — Escuta aqui uma coisinha, ô Lara Croft: se tu acha que é entrar no meu quarto chutando a minha porta e mexendo no meu armário que tu vai conseguir alguma coisa, está muito engana! Ouviu?! (off) Quê que tu tá pesando?

Bruna — Aqui! É nessa caixa azul! Aqui, Manu! Pode ver! Vê!

Bruna entrega a caixa para Manu.

Bruna — Veja. Isso vai provar que tudo que eu falei sobre essa desclassificada, é verdade! Pode ver a arma que ela guarda em casa. A arma que ela usou pra matar teu pai! Olha!

Laura — (á Bruna) Tu é ridícula.

Manu — (abre a caixa/olha) Quê que é isso, Laura?

Laura — É a arma do teu pai.

Bruna — Ah! Tá bom. Agora fácil colocar a culpa em quem já morreu.

Manu — Cala boca, Bruna!

Laura — essa arma era dele caçar. Ela é tão velha, que está toda enferrujada. Não atira há muitos anos.

Bruna — Perai. Deixa eu ver.

Bruna percebe que é outra arma.

Bruna — Não... não. Não era essa arma que estava aqui.

Laura — Nem o gatilho dela não tem mais.

Bruna — Tu... tu trocou a arma. Não era essa. Eu lembro.

Laura — Olha aqui, sua lagartixa! Esse teu planinho só pode ter saído da cabeça daquele detetivizinho de meia pataca! (a Manu) Olha aí, Manu! Olha aí! Ela está junto com o suspeito pela morte do teu pai, e juntos estão querendo me incriminar por uma coisa que não fiz. Tá junto com ele!

Bruna — Laura, tu é.../

Manu — Chega, Bruna!

Bruna — Manu, ela está mentindo! Ela deu um jeito de se livrar da arma.

Manu — (alto) Bruna, sai daqui antes que eu me irrite contigo de verdade! Sai!

Bruna sai. Laura está indignado.

Laura — Isso está insustentável, Manu! Esse teatrinho todo dessa lagartixa sem rabo só me deixou mais irritada com ela. Tá na cara que ela está iludida por aquele detetive de gaveta. Não dá mais! Não dá mais, Manu! Todo dia! Todo dia ela inventa uma história! Chega! Aqui! Ó! Vou te dar o número dos pais dela. Tá aqui! Tava guardando pra te mostrar. Aqui não dá mais! Liga e diz: Sr e Sra. Lagartixas, eu sinto muito, mas a Bruna não pode morar mais aqui. Está aterrorizando. Ela vai voltar para maloca de vocês! Tchau! Pronto! Só isso. Vai, faça como quiser. Eu só quero ficar sozinha aqui. Pode ir! Pensa bem nisso que tô te falando. Aqui a Bruna não pode ficar mais. Pode fazer o que quiser, Manu. A decisão é toda tua.

Manu fica pensativa. E sai do quarto. Laura se deita. E tira debaixo do travesseiro a arma. Laura sorri.

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CENA 23. PRAÇA. EXTERIOR. NOITE.

Thiago sentado no bando. Chega Bruna, chorando. Abraçando-o.

Bruna — Não deu, Thiago! Não deu...

Thiago — Calma. Calma. Quê que aconteceu? Ela não conseguiu ver a arma?

Bruna — Não. Ela trocou! Ela descobriu de alguma forma, ela trocou de arma. Colocou uma que não funciona no lugar só pra eu passar por idiota pra Manu.

Thiago — Calma...

Bruna — Agora, mais uma vez e Manu vai achar que eu fiz alguma coisa pra Laura, por achar que... ai, meu Deus! Eu... eu vou ter que voltar para casa. E.../

Thiago — Calma, calma. Nada vai te acontecer. Tu não precisa sair daqui de Porto Alegre. Não vai embora. Fica na minha casa!

Bruna — ... O quê?

Thiago — Pode ficar na minha casa.

Bruna o olha, Thiago diz para confortá-la.

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CENA 24. TOP-STAR. SALA CRISTINA. INT. NOITE.

Cristina se levanta. Pega bolsa. E sai.

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CENA 25. TOP-STAR. CORREDOR. INTERIOR. NOITE.

Marilene e Gabi estão conversando. Cristina vem vindo vê elas e se esconde.

Gabi — E o que tu fez quando o pai dele foi embora?

Marilene — Como o quê que eu fiz? Começaram a suspeitar, e eu fui embora. Sumi, né?! Antes que aquela desprovida de inteligência me visse.

Gabi — Ai, Marilene! Tu se mete em cada uma! Quase sempre teus planos tão errado.

Marilene — Ai, Gabi! Deixa de ser bicho agourento! Eu acabei com aquela lacraia. Ela deve estar toda atrapalhada. Com isso... acaba fazendo merda aqui na Top-Star.

CAM em Cristina escondida, só observando.

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CENA 26. APART WANESSA. SALA. INTERIOR. NOITE.

Wanessa caminha pela sala, chorando. Com uma taça de vinho na mão. Fundo musical triste. Voz de Odair, como se ela estivesse se lembrando:



Odair — (off) Não abre essa tua boca suja para falar de minha mulher. Ela tem classe. Não é uma vadia imunda como tu. Ela me ama. Gosta muito de mim. Não trocaria uma mulher como ela com uma puta como tu. Não sabes o que fala... tu não chegaria aos pés de minha mulher. Por tanto, dobre a língua quando falar dela.

Wanessa chora. Se irrita e joga a taça na parede. Vai até o telefone. Disca alguns números.



Alternar com CASA PICCOLI. SALA. Glória estava para subir as escadas, toca o telefone.

Glória — Ritinha! Deixa que eu atendo!

Glória pega o telefone, atende.

Glória — (tel.) Alô?

Wanessa está ouvindo.

Glória — (tel. Off) Oi! Alô? Alô..? Que tá aí? Alô?

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CENA 27. TOP-STAR. CORREDOR. INTERIOR. NOITE.

Cristina continua ouvindo escondida a conversa de Marilene e Gabi.

Marilene — Tu tinhas que ter visto a cara de espanto da pamonha mal costurada. (imitando-a) “Pelo amor de Deus, não conta nada pro meu papai.” (risos) Uma idiota... ah... cê tinha que ver. Ah... viu? Quer se meter com quem não deve. Agora essa pateta vai ver do que sou capaz.

Cristina se enfurece e vai até Marilene.

Cristina — Como é que é, Marilene?

Marilene — (espanto) Cristina? Eu... eu não sabia que tu estava aqui ainda. Eu...

Cristina — Repete isso aí que tu falou agora.

Marilene — (nervosa) O quê? Não... eu quis dizer que.../



Cristina sem pensar dá um tapa na cara de Marilene. Reação. Marilene com a mão no rosto, Gabi assustada e afastada. Cristina irada.

Corta.
FIM


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