Bendito destino novela de Patrick Marques Escrita por Patrick Marques Direção



Baixar 279,54 Kb.
Página2/3
Encontro28.10.2017
Tamanho279,54 Kb.
1   2   3
CENA 28. APART ANTOINE E EVA. SALA. INTERIOR. DIA.

Tonico entra em casa. Antes de ir para o quarto, ele percebe a carteira da mãe encima da mesinha. Ele olha para ver se alguém está perto, pega a carteira tira alguns notas de dinheiro; e vai para o quarto.

Corta para:

CENA 29. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. INTERIOR. DIA.

Rafa está com o marido de Kewellin, diante do Dr. Meireles.

RAFA — Qual é o estado da Kewellin?

DR. MEIRELES — Ela está lúcida, mas o caso é grave. O organismo dela esta recusando o soro, e o veneno da cobra espalhou muito rápido pelo corpo.

MARIDO — Que quer dizer doutor?

DR. MEIRELES — Ela pode... (hesitar)

MARIDO — Fala, Dr. Meireles... eu sou forte. Não me esconda nada. Por favor.

DR. MEIRELES — Cara... sinto em dizer, que a chance dela vir a óbito é muito grande.

Marido segura a emoção.

RAFA — Poxa... eu sinto muito, vamos torcer que ela saia dessa. Eu preciso falar com ela.

MARIDO — Eu... eu e meu filho já falamos com ela. Triste.., num tom de despedida. Pior coisa do mundo. Ela pediu pra falar contigo. Vai lá...

Rafa dá umas batidas nas costas do marido de Kewellin, sem muita intimidade.

Corta para:

CENA 30. HOSPITAL. QUARTO. INTERIOR. DIA.

Kewellin está deitada, lúcida, um péssimo aspecto. Fraca. Rafa entra no quarto, olhando-a. Ela o vê.

KEWELLIN — Rafa...

RAFA — Kewellin... (emociona-se) eu sinto muito por isso, eu tenho que te pedir perdão, por...

KEWELLIN — Não se sinta culpado. A culpa disso tudo é minha, talvez, eu tenha merecido isso.

RAFA — Não. Nada fala assim.

KEWELLIN — (fraca) O que eu fiz contigo, não tem perdão. Eu me calei. Mas eu tive medo. Medo de... eu, um dinheiro.

RAFA — Por favor, eu não sei do que tu tá falando.

KEWELLIN — (sentindo um mal estar tremendo) ai... ai, eu... eu não quis fazer isso contigo.

Kewellin perdendo a força, sem ar... morrendo.

RAFA — Kewellin, calma. Calma...

KEWELLIN — Eu preciso te falar... a sua avó... é ela.

RAFA — Não está conseguindo respirar?

KEWELLIN — Tu é o herdeiro! Rafa... tu é o herdeiro... herdei...

Reação em Rafa. Tensão... Kewellin agarra forte na mão dele.

KEWELLIN — (lágrimas escorrendo pelo rosto) Me perdoa...

RAFA — Herdeiro..? Kewellin! Kewellin! Eu te perdoo. Te perdoo... agora, respira! Respira... fica bem.

Kewellin morre. Climão! Rafa se desespera.

RAFA — Socorro! Socorro! Enfermeira! Enfer...

Enfermeiras, e o Dr. Meireles entram na sala para reanimar Kewellin. Rafa vai para um canto horrorizado.

Corta para:

3º INTERVALO COMERCIAL



CENA 31. HOSPITAL. CORREDOR. INTERIOR. DIA.

Rafa acabou de sair do quarto. Ele olha para o marido de Kewellin, que já espera o pior. Rafa abaixa a cabeça, significando aquilo que o marido já temia. O homem abraça o filho. Rafa aproxima-se, e apoia-os.

Corta para:

CENA 32. PORTO ALEGRE. RUA. EXTERIOR. DIA.

Imagem da cidade. Tom triste.

Corta para:

CENA 33. ÔNIBUS. RUA. EXTERIOR. DIA.

Mesmo clima das duas cenas anteriores. Rafa está sentado, cabisbaixo e pensativo. Com o olhar longe; não quer acreditar no que presenciou.

Corta para:

CENA 34. CASA TRIO. SALA. INTERIOR. DIA.

Rafa entra em casa, do mesmo jeito triste. Di vem do quarto.

DI — Ah. É tu. Eu tô esperando a Miriam chegar do hospital com o seu Roberto, o homem passou mal na rua, um tormento e já estou voando de novo pra... (percebe o jeito de Rafa) Ih... que quê foi? Alguém morreu?

RAFA — Sim.

DI — Ih, caramba... foi só jeito de falar e cabei acertando. Putz... mas quem morreu?

RAFA — Kewellin.

DI — (pasmo) Puta merda... não acredito. A Kewellin mo.../ não... por causa da picada que ela levou da cobra?

RAFA — Exatamente. Eu não sei como isso foi acontecer. Por minha causa...

DI — (corta) Não, não, não... pode tirar essa ideia da cabeça, tu não teve culpa em nada, cara! O que aconteceu foi uma fatalidade. Mas vem cá, ela não estava no hospital, com cuidados médicos?

RAFA — Estava... mas o caso era grave, tinha risco. No fim, ela acabou não resistindo e... se foi. Deixou marido e filho. Eles vão abrir um processo contra o zoológico.

DI — Ó! Não pensa que a culpa foi tua, viu? Se ela fugiu correndo de ti, loucamente, dentro daquele zoológico, é porque tem culpa no cartório.

RAFA — O que me deixou mais intrigado foi o que ela me disse antes de morrer.

DI — E o que foi?

RAFA — Disse que eu era o verdadeiro herdeiro.

DI — (tempo) Verdadeiro herdeiro...? E isso quer dizer o que exatamente?

RAFA — Eu vim pensando do hospital até aqui em casa.

DI — E concluiu o quê?

RAFA — A Kewellin trabalhava com a minha avó, ela quis me falar uma coisa, um segredo, mas sumiu, evaporou. Ela também mencionou a minha avó antes de morrer... então, eu suspeito que eu posso ter herdado alguma coisa do meu avô, não como minha avó diz. Eu vou investigar isso. E vou descobrir! (T) Tu não tá atrasado?

DI — Ih, caramba! Tô mesmo.

Entrar Miriam acompanhada com Roberto.

DI — Olha... chegaram... e aí?! Como é que está?

MIRIAM — Tá bem. Passado o susto.

ROBERTO — Tô legal.

RAFA — O que ele teve?

MIRIAM — Uma confusão. No meio da rua. Desespero!

DI — Que loucura.

MIRIAM — Bebendo escondido! Tenho que cuidar agora, fiscalizar. Que nem uma criança. Não adianta.

DI — Amor, tu não tinha combinado de ir em uma loja no shopping hoje, ver uma vaga de emprego?

MIRIAM — Ah! Nossa... tinha me esquecido! Não vou poder ir, não posso deixar ele sozinho.

ROBERTO — Que isso?! Eu não sou criança! Vai viver a tua vida.

MIRIAM — Fica quieto!

RAFA — Eu vou ficar o resto do dia em casa, pode ir Miriam. Eu fico com ele aqui. (pisca)

ROBERTO — Só o que me faltava.

DI — Vamos! Eu te levo. Rapidinho! Tô atrasado!

Eles saem. Miriam faz sinal para Rafa cuidar Roberto. Rafa sinal positivo.

MIRIAM — Até mais pai!

DI — Ó o capacete!

Corta para:



CENA 35. SPORT-EXTREME. LOJA. INTERIOR. DIA.

Miriam acabou de entregar seu currículo para Lully.

LULLY — Já preencheu a ficha?

MIRIAM — Já.

LULLY — Perfeito! Agora, a gente entra em contato.

MIRIAM — Tá ok. Muito obrigada, viu?

Trick’s vê Miriam.

TRICK’S — Miriam! Oi!

MIRIAM — (surpresa) Oi!

TRICK’S — Quê que tu tá fazendo aqui, mulher? Não vai me dizer que veio comprar um presente pro Di?! Se veio, veio ao lugar certo!

MIRIAM — (rir) Não, não. Nada disso. Eu vim deixar o meu currículo, estou procurando emprego. Eu não sabia que tu trabalhava aqui.

TRICK’S — Pois é... bom, se tu quiser mesmo, eu dou um jeitinho. Fala com o chefe aí... ele adora gente que se esforça, de pessoas assim que nem tu. Eu falo com ele, ele certamente não te desperdiçará!

MIRIAM — Muito obrigada. Eu nem sei como te agradecer, estou precisando tanto. Como tu mesmo sabe, as coisas não anda muito boa financeiramente!

TRICK — Ô se sei... mas, águas de março! Vamos seguindo em frente, que atrás vem gente!

Corta para:

CENA 36. SHOPPING. PRAÇA ALIMENTAÇÃO. INT. DIA.

Cybele vem caminhando com Paulinho e Cheli.

CYBELE — Vamos caminhando minha gente, hoje vocês estão muito lerdos.

CHELI — A senhora que está com pressa demais!

PAULINHO — Eu não vi pressa nenhuma quando a gente parou naquelas lojas e bolsas e sapatos.

CYBELE — Meus filhos, aprendem com a mamãe, o mundo é cheio de/

Cybele esbarra em um homem: gordo, negro, gay, 20 anos, de nome Oakland. Eles vão começar a discutir. Cybele está muito irritada, e Oakland nervoso.

OAKLAND — Ai, desculpa, dona.

CYBELE — Que isso? (rude) Não me viu andando aqui, não?!

OAKLAND — Já pedi desculpas, a senhora que não estava olhando para frente. Eu estava aqui, parado.

CYBELE — Que isso, palhaça? Vai discutir comigo, coisa feia? Me respeita, hein?! Olha o teu tamanho! Pessoas iguais a ti deveriam tomar mais cuidado por onde andam, porque são mais adeptas a esbarrar em qualquer um.

OAKLAND — Ah! A senhora está me ofendendo!

CYBELE — senhora é a sua avó, que eu não te dei liberdade pra falar comigo, hein?! Se eu não gosto que falem comigo, imagino que me encostem.

OAKLAND — Ih, mas o quê que tu é, monna? Cê é travesti, é?

CYBELE — Que travesti, o quê, viado?! Sou rica, linda, mulher! Te dou uma porrada agora, e não acontece nada comigo!

CHELI — (envergonhada) Mãe, para com isso, por favor!

CYBELE — Que para o quê? Culpa dessa baleia sem olhos!

OAKLAND — Olha, isso o que a madame está fazendo tem nome, viu?!

CYBELE — Claro que tem! Se chama sinceridade! Eu tenho a decência de falar o que todo mundo pensa em relações a vocês com a sociedade.

Pequenas pessoas vão se aproximando, vai formando uma discussão. Miriam aproxima-se também, assiste horrorizada.

OAKLAND — Não tô entendendo... ‘vocês’ quem?

CYBELE — vocês! Bichinhas, bibinhas... lebrizinhas, ah, não podemos esquecer que tu também tem um pé na África, né palhaça?! Nossa senhora, Deus não teve dó, juntou três minorias: preto, pobre e puto!

CHELI — Mãe!!

OAKLAND — Que absurdo. Mulher igual a tu deveria estar presa.

CYBELE — Tá maluca?? Além de boiola tem um problema na cabeça, é? Eu sou rica! Linda... branca! Agora, se alguém tem que ser presa aqui, és tu. Porque urso panda vive engaiolado, só comendo bambu! Até porque, meu amor, eu sei que bambu tu adora!

OAKLAND — Tu é louca!

CYBELE — Que louca o quê, ô javali!? Ridícula! É por isso que o Brasil não vai pra frente, a gente vem em um shopping e caba dando de cara com um proletariado.

MIRIAM — Com licença. Mas tu não pode, não teve falar desse jeito com ninguém!

CYBELE — Pronto. Chegou a pobretona! Que quê é, meu amor? Tu trabalha no IBAMA pra vir defender esse animal?

MIRIAM — Não, até mesmo porque ele não é nenhum tipo de animal. Se alguém está agindo como um animal aqui é tu!

CYBELE — Homessa!

MIRIAM — Eu tenho nojo de pessoas que nem tu.

CYBELE — Então estamos quites!

MIRIAM — Todo mundo aqui é testemunha de que essa racista ofendeu ele!

CYBELE — Eu não sei por que tu estás se entrometendo, tu nem sabe o que ele me fez!

MIRIAM — Qualquer que seja o motivo, agir com racismo é crime nesse país.

CYBELE — Qual é o teu problema, hein? Porque não vai cuidar da tua vida? Vai ajuntar latinha pra ver se consegue dinheiro pra comprar roupa decente, porque essa aí. Meu bem, não tá com nada!

MIRIAM — O que não está com nada é o teu modo de pensar e agir!

CYBELE — Eu mereço.

MIRIAM — Além de nojo, eu tenho asco. Racista! Racista! (incentiva os outros a chama-la também) Racista! Racista! Racista!

TODOS — Racista! Racista! Racista!

Cybele se sente ridicularizada, olha para os seus filhos e eles também estão chamando-a de racista.

MIRIAM — Como tu consegue ter esse pensamento mesquinho e imbecil de que tu seja superior que alguém? Achar que alguém de cor, ou por sua condição sexual pode ser inferiores a ti? Realmente, eu acho que o pior tipo de ser humano não é a gente. Racista! Racista!

Cybele se sente acuda, e sai com todos apontando para ela e a chamando de racista. Cheli e Paulinho vão atrás. Miriam é aplaudida!

OAKLAND — obrigado! Arrasou, colega!

MIRIAM — Ah, que isso... não tem de quê! Aquela perua merecia.

OAKLAND — A gente nunca imagina que esse tipo de coisa possa acontecer com a gente. Ouve sempre falar, mas quando é com a gente... sei lá, parece que a gente fica um pouco sem ação.

MIRIAM — Eu entendo.

Eles se abraçam emocionados.

OAKLAND — Obrigado. Obrigado mesmo!

Corta para:

CENA 36. CASA SCHNEIDER. SALA. INTERIOR. DIA.

Cybele entra batendo a porta e sobe correndo para o quarto, braba. Na sala está Antero e Anésio.

ANTERO — Cybele! Cadê as crianças?

Ela não lhe dá ouvidos, e sobe imediatamente ao quarto.

ANÉSIO — Xii...

ANTERO — Ai, estava bom demais pra ser verdade.

Cheli e Paulinho entram em casa pela cozinha.

CHELI — pai, pai! O senhor nem sabe o que aconteceu.

ANTERO — Problemas! O que aconteceu?

PAULINHO — A mamãe esbarrou com um gay no shopping e começou a xingar o cara.

CHELI — Mas falou um monte de coisas ruins. Estava humilhando o gordinho.

PAULINHO — O senhor conhece o jeito da mamãe!

ANTERO — Bah, até imagino o que ela tenha dito.

PAULINHO — Pois é, multiplique por dez o que imaginou!

ANTERO — Tá e aí?

CHELI — Aí, as pessoas que estavam passando chegaram mais perto. Uma mulher falou umas verdades pra mamãe e a chamou de racista, e fez com que todos chamassem a mamãe assim também.

PAULINHO — Ela saiu vaiada. Que vergonha. Eu até me arrependi de ter chamado ela também de racista.

ANTERO — (surpreso) Tu chamou a tua mãe de.../

PAULINHO — (rapidamente) A Cheli também!

CHELI — Ai, mas ela é! E de tão ruim, saiu sozinha, nos deixou lá sozinhos. A gente veio de taxi.

ANTERO — Como é que é? Ela deixou vocês lá?

PAULINHO — Falando em táxi tem que pagar o taxista, ele está aí na frente esperando!

ANTERO — Meu Deus... eu não acredito numa coisa dessas.

Corta para:



CENA 38. CASA SCHNEIDER. QUARTO CASAL. INT. DIA.

Cybele está deitada de bruxos na cama, escondendo o rosto, chorando. Antero entra devagar, vai até a cama, senta-se.

ANTERO — Pode me contar o que aconteceu?

CYBELE — (senta-se/fungando) Foi horrível, Antero. Eu fui humilhada, maltratada... eu deveria processar aquela gentalha pobre!

ANTERO — O que aconteceu?

CYBELE — (choramingando) Um gorila puto enorme do tamanho de uma jamanta se esbarrou em mim, me desconsertando toda. Eu falei com ele, a gente começou a discutir e um bando de gente tosca veio pra cima de mim, como se eu estivesse errada. Eu não acredito que isso tenha acontecido comigo!

ANTERO — Calma, tá legal? Não precisa se exceder. A culpa disso tudo é tua. Se tua língua coubesse dentro da boca, isso não teria../

CYBELE — (corta) Não! Não, eu não estou acreditando no que eu estou ouvindo! Não! Tudo! Tudo, menos isso! Tu é meu marido! Tem o dever, e deve muito ficar do meu lado!

ANTERO — Calma lá, Cybele! Não é porque estamos casados que eu tenho que concordar com tudo que tu pensa, fala e faz!

CYBELE — Ah, então é assim? Então, tu acha que eu estou errada? Tu está jogando na minha cara que eu estou errada, é isso?

ANTERO — Nada disso! Não foi isso que eu falei!

CYBELE — Foi, foi sim! Eu ouvi.

ANTERO — Não foi, não foi...

CYBELE — Foi, eu não tô louca.

ANTERO — (se irrita/gritando) Tá legal! Tá errada! Tá errada! Era isso que tu querias ouvir? Tá errada!

CYBELE — (incrédula) O quê..?

ANTERO — Tá errada por M motivos, tá legal? Não é porque tu esbarra em uma pessoa, que tu vai xingar ela até a morte! Muito menos ter algum tipo de preconceito pela cor ou qual o gênero que ela se relaciona! Tu abandonou o seus filho no shopping! Simplesmente, deixou eles lá. Deixando com que eles dessem um jeito de voltar pra casa...

CYBELE — Todos traidores... que nem tu, Antero! Eles puxaram o teu sangue, o teu jeito de ser comigo... eles me xingaram, me humilharam, como tu está fazendo agora... eu queria entender, que família é essa, meu Deus, que eu tenho? Se eu não posso ter o apoio deles, eu vou ter o apoio de quem?

ANTERO — Tu quer que a tua família apoie os teus erros, os teus preconceitos? É isso?

CYBELE — Eu quero que vocês fiquem do meu lado! Porque nós ricos somos diferentes! Classe A com classe C não devem se misturar! É errado! Tão pouco, escuta o que eu digo, tão pouco misturar as raças! Branco é branco, preto é preto! E ponto final!

ANTERO — Eu não concordo com nada eu tu falou. Nada. Tudo isso que tu acaba de dizer é merda. Não queira que a tua família pense dessa mesma forma cretina.

CYBELE — Eu nem sei por que eu estava chorando. Esse tipo de gente não merece uma lágrima minha. Ah, estava chorando de ódio, por não ter falado mais.

ANTERO — O que está acontecendo contigo? Que eu sabia que tu era preconceituosa, sim sabia. Mas tu está ao estremo. Tá demais. O mundo não é mais dessa forma como tu pensa. Tu nem sempre foi rica, as tuas reais raízes.../

CYBELE — (corta-o agressiva) Cala boca, Antero! Não quero mais saber dessa história. Quero esquecer que tudo isso aconteceu! Esquecer! Virar a página! Eu estou ótima, eu tô legal. Se veio aqui, vê se eu estou bem, eu estou bem. Fica tranquilo.

Antero sutilmente faz sinal negativo com a cabeça e sai do quarto. Cybele termina de limpar os olhos. Pega um potinho de creme facial, abre, coloca um pouco nas mãos, esfrega, e passa um pouco no rosto.

CYBELE — Tanto estresse. Não quero nada de rugas.

Corta para:

CENA 39. APART GLENDA E PEDRO. SALA. INTERIOR. DIA.

Emily entra no apartamento. Tudo escuro.

EMILY — Nossa. Que escuridão. Essas cortinas fechadas.

Emily acende a luz, e se assusta com a bagunça.

EMILY — Minha Nossa Senhora... que bagunça.

Emily abre as cortinas. Emily se assusta ao ver Glenda sentada num canto da sala. Glenda está completamente desarrumada: cabelo despenteado, sem maquiagem, usando uma camisa do Pedro, descalça...

EMILY — Que isso, Dona Glenda...? A senhora está horrível... O que aconteceu? Tá tudo bem?

GLENDA — (voz fraca) Não... não está tudo bem.

EMILY — (sentando ao lado de Glenda) Meu Deus do céu... o que aconteceu?

GLENDA — Eu perdi ele... perdi. O amor da minha vida, eu perdi... se eu vivia por ele, Emily... e hoje, eu já não tenho mais ele... eu vivo por quem?

EMILY — pela senhora, viva a sua vida pela senhora! Seja feliz, tenta ser feliz sem ele!

GLENDA — Eu não consigo... eu não consigo acordar mais e... e ver que ele não está do meu lado... que o lado onde era pra ele estar.. não tem ninguém...

EMILY — Não pense assim. Isso não lhe faz bem...

GLENDA — Eu me achava forte, Emily... mas não sou. Sem ele... eu não sou.... não sou nada!

EMILY — Meu Deus...

GLENDA — (tempo/respira) Tu está demitida.

EMILY — (susto) O quê?

GLENDA — (levantando-se) Eu não preciso dos... dos seus serviços, Emily... eu arrumo tudo aqui em casa sozinha.

EMILY — Mas dona Glenda, a senhora não sabe nem cozinhar, e eu.../

GLENDA — (corta) Deixe a chave aí encima, e pode ir para casa... eu não quero saber de mais ninguém... aqui... volte outro dia pra cobrar o que eu devo... vai.

Glenda vai para o quarto. Emily está preocupadíssima.

Corta para:



CENA 40. SPORT-EXTREME. SALA PEDRO. INT. DIA.

Emily acaba de falar com Pedro sobre Glenda.

PEDRO — Eu sinto muito, Emily. Mas eu não posso fazer nada. Nada mesmo.

EMILY — O senhor tem que ver como ela está, seu Pedro! Horrível! Não come direito, está completamente desnorteada. Ela está muito magra, está.../

PEDRO — (corta) Eu sei que tu é amiga dela e mesmo acreditando no que você me diz, eu não posso fazer nada. Acabou meu casamento, eu não aguento mais. Eu já estou me acostumando a viver sem ela.

EMILY — Eu temo! Temo por ela. Ela pode acabar fazendo uma besteira...

PEDRO — Mais uma? Ela só faz besteira, e é disso que estou cansado. Fale com os pais dela, eu sinto muito.

EMILY — Ela me demitiu?

PEDRO — O quê?

EMILY — É por isso que estou aqui. Agora, eu não posso cuidar dela, pra que ela (batendo na madeira) não acabe se matando. Ela te ama muito! Eu nunca vi uma coisa dessas na minha vida. É muito amor! Amor de mais. Eu temo uma tragédia!

PEDRO — Por que ela te demitiu? Vocês não eram amigas?

EMILY — É por isso que tenho medo, medo que ela tenha me tirado de casa pra fazer alguma coisa.

PEDRO — (tempo) O que você quer que eu faça?

Corta para:



CENA 41. TOP-STAR. ANTESSALA. INTERIOR. DIA.

Cristina entrega uns documentos para Gabi.

CRISTINA — Nesse envelope está às fichas e as fotos das modelos da campanha Sereia do Mar. É apenas um pró-labore, pra entregar para o Sr. Antoine.

GABI — Pode deixar. Quando ele chegar da reunião dos acionistas eu entrego.

CRISTINA — Perfeito. (vai sair, mas volta) Hum, Gabi!

GABI — Sim?

CRISTINA — Que fim levou a Marilene? Tá sabendo dela?

GABI — Bom... que eu saiba... Ela gastou todo o dinheiro que ela tinha em uma joia, e descobriu que foi vítima de um golpe. A joia era falsa.

CRISTINA — Nossa. Coitada.

GABI — Isso é pouco. Ela foi... foi despejada.

CRISTINA — despejada... mas/

Franciele aparece animada, cortando Cristina:

FRANCIELE — Cristina! Finalmente te encontrei! Chega aqui! Chega aqui, chega aqui....

CRISTINA — Oi... fala.

FRANCIELE — é.... eu quero saber da foto que eu te mandei. (falando baixo) Com teu cunhado e a suposta amante.

Corta para:



CENA 42. TOP-SATAR. SALA CRISTINA. INTERIOR. DIA.

CRISTINA — Não fale bobagem, Franciele! A gente não sabe se ela é amante dele.

FRANCIELE — Não vamos fingir, ok? Eu tenho certeza que tu também está muito, creio até que esteja mais que eu, desconfiada que ele estivesse se encontrando com uma amante!

CRISTINA — Como tu é maldosa.

FRANCIELE — Vai alertar a tua irmã, não é?!

CRISTINA — Ai... estive pensando nisso. Ela o ama demais.

FRANCIELE — Eu sei muito bem do que (faz sinal de dinheiro com os dedos) ela ama nele.

CRISTINA — É, não importa. O fato é que de um jeito ou de outro ela gosta dele. E vai ficar muito decepcionada de qualquer jeito.

Batidas na porta, entrar Vladmir.

VLADMIR — Oi...

CRISTINA — Oi!

FRANCIELE — opa...

VLADMIR — E aí? Vamos ou tá com medo?

CRISTINA — Vamos! Claro que vamos... aonde?

FRANCIELE — (rir)

VLADMIR — Como aonde, amor? Cabecinha avoada! O ensaio.

CRISTINA — Ah! Tá! Claro... a Franciele, que veio aqui, e me tira de orbita.

FRANCIELE — Eu? Agora, a culpe é minha? Tu que tens uma consanguínea com um cônjuge infiel, e a culpa é minha?

VLADMIR — Cônjuge infiel?

CRISTINA — (se apressando) Eu tenho que pegar minhas coisas... ai, quase caiu. Depois eu te conto essa do cônjuge infiel.

FRANCIELE — Tchauzinho, casal! Encontro com vocês mais tarde...

CRISTINA — Almoço?

FRANCIELE — (saiu) Almoço.

Vladmir puxa Cristina para um beijo.

CRISTINA — (beijo) Não, não, não! Aqui, não, Vladmir!

VLADMIR — Quê que tem? Só um beijinho!

Risos. E os dois se beijam. Entrar Antoine. Ele vê os dois se pegando, e solta um pigarro forçado. O casal leva um susto, e logo de desgrudam.

CRISTINA — (assustada) Sr. Antoine! Meu Deus!

VLADMIR — Nossa Senhora, desculpe! Bah!

ANTOINE — Olha... é bacaninha ter um afear no trabalho e tal. Mas... espero que se repita. Não em horário de expediente, tão pouco de porta aberta.

CRISTINA — O senhor tem toda razão! Peço desculpas!

ANTOINE — Acabou a minha reunião, eu vim buscar o pró-labore. Acredito eu que já deva estar pronto.

CRISTINA — Claro! Com toda certeza. Eu fui até sua sala, entregar pessoalmente. Mas, justamente, o senhor estava em reunião. Deixei com a Gabi. Ela ficou de... de passar para o senhor.

ANTOINE — (rir) É tão divertido te ver nervosa, Cristina. Taí uma coisa que não vejo todo dia. Eu não me importo nem um pouco com o envolvimento de vocês, só espero que quando vocês brigarem, isso vai acontecer é fato, que isso não interfira no profissionalismo de vocês. Se não, serei obrigado a tomar algumas atitudes. Entendidos?

VLADMIR — Perfeitamente! Não deixaremos nossos pesares interferirem no nosso trabalho.

ANTOINE — Perfeito.

VLADMIR — É. (a Cristina) então, vamos ao ensaio?

CRISTINA — Claro.

ANTOINE — Bom trabalho.

Antoine sai da sala. Cristina suspira, Vladmir ri!

Corta para:

1   2   3


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal