Bendito destino novela de Patrick Marques Escrita por Patrick Marques Direção



Baixar 279,54 Kb.
Página1/3
Encontro28.10.2017
Tamanho279,54 Kb.
  1   2   3

Bendito Destino Capítulo 042 sábado


BENDITO DESTINO

Novela de Patrick Marques

Escrita por

Patrick Marques

Direção

(indisponível)

Personagens deste capítulo

ANÉSIO

ANTERO


ANTOINE

BRUNA


CATO

CHELI


CRISTINA

CYBELE


DI

DR. MEIRELES

EMILY

EVA


FRANCIELE

FREDERICK

GABI

GLENDA


GLÓRIA

GUTO


JUSSARA

KAMILLA


KEWELLIN

LAURA


LULLY

MANU


MIRIAM

NEWTON


NILMAR

NISE


PAULINHO

PEDRO


RAFA

ROMUALDO


THIAGO

TONICO


TRICK’S

ULGUIM


WANESSA


CENA 1. CASA LAURA. QUARTO LAURA. INTERIOR. NOITE.

Continuação da última cena do capítulo anterior. Laura indaga Ulguim por conseguir apenas um passaporte.

LAURA — Esqueceu o meu? Vai viajar sozinho?

ULGUIM — Não! Não viaja! É claro que não. Eu comprei só uma por que... Porque eu ia passar lá no aeroporto de novo pra comprar.../

LAURA — (corta, já nervosa) Não mente pra mim! Eu sei o quê que tá acontecendo aqui. Ia me abandonar, não é isso?! Ia me deixar aqui, sozinha?!

ULGUIM — (tenta abafar) Para com isso, Laura, eu comprei dois documentos falsos, um pra mim outro pra ti. Só na hora de comprar as passagens eu comprei só uma pra não levantar suspeitas. Tu sabe que a polícia está na tua cola.

LAURA — Nunca esquecendo que na tua também!

ULGUIM — Eu não quero correr risco nenhum! Eu pensei que seria melhor um de nós sair do país primeiro. Isso, se encontrar nas europas, sem correr risco nenhum de sermos pegos juntos. Foi só isso que eu pensei...

LAURA — (atropelando) Não. Não inventa. É... é tudo mentira. Seu traidor! Desgraçado! Maldito! Ia me abandonar! Isso! Tu ia ficar com toda a grana pra você... Ulguim... eu tive a ideia! Tu não pode fazer isso comigo. Pelo amor de Deus, cara... me tira desse país, eu não quero continuar aqui nesse inferno! Eu preciso só de.../

ULGUIM — (gritando) Ah! Chega eu cansei de mentir! Droga! A casa caiu, Laura!

LAURA — O quê? Como assim? O quê?

ULGUIM — (atropelando) A casa caiu! Pegaram o Godinho! Pegaram o Godinho com toda grana do sequestro! A gente.../

LAURA — (corta) Mentiroso descarado! Para de/

ULGUIM — (corta, explica) É verdade! É a mais pura verdade! Eu não tô mentindo, eu não tô mentindo! Eu estava... eu tinha acabado de falar contigo pelo telefone. Eu estava no local que a gente ia dividir a grana, e eu vi os caras da polícia seguindo o Godinho. Eu avisei ele por mensagem do celular. Eles se ligaram, deu correria. E acabaram pegando o miserável com toda grana!

LAURA — Eu não estou acreditando numa história dessas. Porque tu tá inventando essa história, Ulguim?

ULGUIM — Eu não estou mentindo, porra!

LAURA — Tá! E qual era o teu plano? Não ia me falar nada? Ia sair assim como se nada tivesse acontecendo?

ULGUIM — (histérico) Se eu estivesse com toda grana tu acha que eu voltaria aqui pra buscar essa merreca, sua idiota? A única coisa que restou foi o dinheiro que eu pedi pro Antero Schneider, esses míseros reais! E essa grana só dá pra um de nós dois! E sou eu, meu amor, sou eu que vou sair dessa merda! Eu sinto que eles estão nos cercando, e antes que eles nos coloquem pra lavar privada na cadeia, eu vou dar o fora!

LAURA — Ulguim! Por favor... me leva contigo! Ulguim... me leva. Eu também não posso ficar! Essa grana não é muito, mas serve pra nós dois fugirmos... é.

ULGUIM — Não dá! Não dá. Tu se virou esse tempo todo sem mim.

LAURA — As condições eram outras!

ULGUIM — Tu estava foragida, socada na casa Piccoli! Os zomi estavam na tua cola muito antes deu chegar...

LAURA — (ajoelha-se) Tu não pode me deixar, pelo amor de Deus! A gente se vira, como sempre, vamos dando outros golpes maiores. (tenta seduzir) Por favor, eu preciso de ti! Ulguim... por favor. Eu preciso que tu me leve junto.

ULGUIM — Laura... já disse que...

LAURA — (boca no pescoço) Tu não pode fazer isso comigo! Eu não mereço isso... eu dei a ideia... eu!

ULGUIM — Para, para...

LAURA — (empurra-o e vai para frente da porta) Eu mato! Eu te mato! Eu não vou deixar tu sair dessa casa!

ULGUIM — Eu estou cansado! Sou mais forte, tu não vai conseguir me impedir!

LAURA — (chorando) Ulguim, tu não pode me deixar depois de tudo que eu falei pra ti... eu fui sincera quando disse que te amava. Não faz isso comigo, por favor...

ULGUIM — (frio) Para, eu não caiu nessa conversa de amor, Laura. Tu não ama ninguém, coração de pedra. Seca por dentro. Eu não acredito que tu poça amar alguém. Muito menos a mim!

LAURA — Eu não menti sobre isso! Merda, Ulguim! O meu rabo também está na reta! Eu tenho que ir contigo! Eu não quero ser presa, maldito!

ULGUIM — Eu vou sair da tua vida do mesmo modo que entrei: num passe de mágica!

LAURA — Não! Não, eu não posso ficar sem nada! Como é que eu vou.../

ULGUIM — (corta) Se vira! Tu é grandinha o bastante pra se virar sozinha, sempre se virou! Não é depois que não deu certo o nosso plano que tu vai cair, não é?! Mas essa grana é minha. É pouco, mas eu me contento.

LAURA — (avança para cima dele) me dá aqui! Eu quero a metade disso!

Laura tenta pegar a maleta com o dinheiro de Ulguim; eles começam a se estapear; Ulguim empurra Laura na cama, que já cai chorando.

ULGUIM — Sai daqui! Não adianta...!

LAURA — (tirar os cabelos do rosto) Maldito!

ULGUIM — Eu sou mais forte! Não vai adiantar tu vir pra cima de mim!

LAURA — Me dá essa mala... eu já acabei com homens muito mais fortes do que tu, Ulguim. Me da a porra dessa mala! Me dá...!

Laura avança em Ulguim novamente, ele já emenda dois tapas na cara dela, fazendo-a voltar para cama. Ela se gruda nas roupas dele, ele tenta soltar ela.

ULGUIM — Me larga! Me larga! Me larga sua vagabunda!

LAURA — Não pode fazer isso comigo! Não...

Ulguim faz ela parar puxando-a pelos cabelos, e derrubando no chão.

LAURA — Ah... ai, ai... para... maldito!

ULGUIM — (irado) Para! Para! Para com isso se não eu encho essa tua cara de soco, vadia!

LAURA — (chorar) Ai... ai...

ULGUIM — Desgraçada... ridícula! Eu vou embora daqui, e espero que eles te peguem! (pegando a maleta) E que teu fim seja bem trágico na cadeia, criando mofo na cadeia sua vadia de beira de estrada. Nem pra piranha tu vai servir... o prazo de validade já era.

LAURA — (com sangue nos olhos) O amor que eu tinha por ti se transformou em ódio... eu vou acabar contigo... eu vou te matar!

Laura novamente tenta bater em Ulguim; ela faz com que o dinheiro se espalhe pelo chão; Ulguim dá um soco na boca de Laura que cai pra trás.

ULGUIM — Desgraçada!

Ulguim cata o dinheiro no chão, Laura pula nas costas dele com a boca toda ensanguentada; Ulguim derruba-a no chão e arrasta-a pelos cabelos até o corredor da casa.

ULGUIM — Agora, se me irritou. Vem comigo.

Ulguim fecha a porta do quarto.

ULGUIM — Fica aí fora!

Laura bate na porta, querendo entrar.

LAURA — (off) Abre essa porta, Ulguim! Abre... eu vou acabar contigo!

Corta para:



CENA 2. CASA LAURA. SALA. INT. NOITE.

Laura desce a escada, segurando-se no corrimão. Senta-se caindo em um dos degraus. Está ofegante, limpa a boca com sangue. E vai para a cozinha.

Corta para:

CENA 3. CASA LAURA. QUARTO LAURA. INT. NOITE.

Ulguim colocando o dinheiro na maleta.

Corta para:

CENA 4. CASA LAURA. COZINHA. INT. NOITE.

Laura entra na cozinha. Abra as gavetas; procura em uma, procura em outra, e acha uma baita faca. Suspira! E sai.

Corta para:

CENA 5. QUARTO LAURA. INTERIOR. NOITE.

Ulguim termina de catar o dinheiro, tudo dentro na maleta. Ele levanta-se e sai do quarto.

Corta para:

CENA 6. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. NOITE.

Laura vem da cozinha, e sobe as escadas correndo. No alto da escada se dá de frente com Ulguim.

LAURA — Eu vou acabar com a tua raça!

ULGUIM — Calma, Laura... cuidado com isso!

LAURA — Eu vou acabar contigo! Que foi? Tá com medo? Vou te matar! Não vai sair dessa casa vivo! Eu vou acabar com a tua raça!

Muito ritmo! Laura tenta dar uma facada em Ulguim; ela agilmente consegue pegar a mão com a faca dela, deixando a maleta cair; ele puxa o braço dela, eles brigam pela faca:

ULGUIM — Solta... me dá essa merda!

LAURA — Larga...! Eu vou acabar contigo... ah!

Ulguim consegue empurrar Laura escada abaixo; ele cai pra trás, ela rola a escada; cai no pé da escada desmaiada, de barriga para cima. Ulguim olha para Laura caída desacordada. Ele pega a maleta com o dinheiro... e desce a escada vagarosamente. Ele senta em um degrau, bem próximo de Laura. Ulguim verifica se Laura está morta, e constata que sim.

ULGUIM — Nada. Tá morta. Eu não sei por que eu temia tanto. Olha o que tu me fez fazer. Burra... quem disse que tu é esperta? Hum? Tinha medo de ti. Desnecessário. Olha o teu fim. Quem acabou morrendo foi tu. Eu sou mais esperto! Ganhei essa parada, porque estou vivo e com a grana que restou! Eu sou muito melhor que a Laura! (risos) Otária. Uma pena... eu não te dei um beijo de despedida. Já que me amava tanto, vou te dar esse presente. Um beijo, pra mostrar que sou muito melhor, e que não guardo nenhum tipo de rancor...

Ulguim dá um beijo em Laura. De repente, Laura abre os olhos arregalados, com a faca em mãos ela enfia a faca na barriga de Ulguim.

ULGUIM — Ah! Ah...

LAURA — Ninguém é melhor do que eu...!

Laura enfia mais a faca, Ulguim geme e vai caindo encima dela.

ULGUIM — Ahg... desgraçada...

LAURA — Isso... morre.

Ulguim fica deitado encima de Laura, já desacordado.

LAURA — Eu te amei... agora, morre.

CAM sobe e mostra eles deitados no chão, Ulguim caindo sobre Laura. E ela passando a mão nos cabelos dele.

Corta para:

1º INTERVALO COMERCIAL

CENA 7. CASA LAURA. SALA. INT. NOITE.

Continuando a cena anterior. Laura empurra Ulguim para o lado. Levanta-se. Passa as mãos na roupa suja de sangue, limpa a boca suja com seu próprio sangue, cospe.

LAURA — idiota.

Laura está com dores no corpo por ter rolado a escada. Pega a maleta, que está no chão. Ela anda mancando, curvada, até o sofá, e se senta.

LAURA — Ah... ai. Deixa eu ver isso aqui.

Laura abre a maleta, está cheia de dinheiro, precisamente 200mil reais. Os olhos de Laura brilham.

LAURA — Isso... é... eu preciso... eu preciso dar o fora.

CAM vai para Ulguim no chão.

Corta:

CENA 8. CASA PICCOLI. SALA. INTERIOR. NOITE.

Newton, Nilmar, Romualdo, Frederick, Jussara, Cristina e Glória, estão presentes. Estão conversando. Tocar a campainha. A empregada abre a porta, e é Manu e Bruna. Glória olha e vê as meninas.

MANU — Olá.

BRUNA — Boa noite!

MANU — Nós gostaríamos de falar com Glória Picc/

GLÓRIA — Gurias? Oi. Boa noite. Entrem! Entrem, por favor.

Elas entram, cumprimentam todos.

BRUNA — Oi, Glória. Desculpe a gente chegar assim, sem avisar nem nada, e há essa hora. Mas é importante.

GLÓRIA — Claro! Claro. Venham comigo. A gente conversa melhor no escritório.

CRISTINA — Até.

Elas vão para o escritório. Frederick fica muito curioso.

FREDERICK — (a Jussara) Quem são?

JUSSARA — Não faço a menor ideia.

FREDERICK — (curioso) Hum...

Corta para:

CENA 9. CASA PICCOLI. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.

Glória está curiosa em saber o motivo da visita de Manu e Bruna.

GLÓRIA — Então, gurias...

MANU — A gente resolveu vir aqui, na sua casa, por que não queríamos correr o risco daquela lacraia ouvir a nossa conversa.

BRUNA — Exatamente. A gente suspeita que a Laura, junto com o irmão/amante dela, tem haver com o sequestro do filho daquela maluca que estava contigo lá em casa.

GLÓRIA — (confessa) Eu também suspeitei dela, na hora. Mas o que faz vocês acharem isso?

BRUNA — Ela estava muito estranha, esses dias.

MANU — Certeza também que ela o irmão/amante dela, o Ulguim, está medido no rolo. Ele que deve ter executado o rapto do guri.

GLÓRIA — (confusa) Esse irmão e amante que vocês falam é uma pessoa só?

MANU — (explica) Quando meu pai estava vivo ele se apresentou como irmão, depois que meu pai morreu, ele se revelou ser o amante daquela vadia.

GLÓRIA — Que horror. Que sórdido. (pensa) Ei... espera. Espera um pouco. Esse cara que vocês estão falando...

BRUNA — O que tem?

GLÓRIA — (pensativa) claro... só pode ser.

MANU — O que foi?

GLÓRIA — (raciocinando) Enquanto a Laura estava nos mantendo reféns aqui em casa, ela estava tendo a ajuda de alguém lá fora. O cara invadiu a casa dos Schneider pra derrubar os atiradores de elite, que estavam lá. A gente nunca ficou sabendo quem era esse homem. Mas vocês me falando que eles se dão tão bem assim...

BRUNA — Com certeza! Só pode ser!

GLÓRIA — Pelo o que eu sei, a Laura está livre por causa de um erro burocrático, mas esse cara está foragido. Chegaram até a fazer o retrato falado dele.

MANU — A gente não sabia que ele estava sendo procurado.

GLÓRIA — (firme) Se a gente não consegue pegar ela, nós vamos pegar ele!

Corta para:

ATENÇÃO!! SEQUÊNCIAS DE CENAS NO MESMO RITMO E CLIMAS TENSOS. (SEMPRE QUE LAURA ANDAR: ESTARÁ MANCANDO.).:

CENA 10. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. NOITE.

CAM em Ulguim caído no chão, aos risos em off de Laura. CAM vai saindo dele, indo para Laura assistindo TV. Comendo um doce, rindo. Suspira, deixa o doce de lado. Olha para Ulguim no chão, pensa.

LAURA — E agora? Que eu faço?

Corta para:



CENA 11. CASA LAURA. QUARTO LAURA. INT. NOITE.

Laura pega o tapete de seu quarto, enrola-o.

Corta para:

CEA 12. CASA LAURA. SALA. INT. NOITE.

Laura estende o tapete no chão, ao lado de Ulguim. Ela começa a revistar ele. Encontra celular, chaves, os documentos falsos e o passaporte.

LAURA — (encontrando) celular... chaves... documentos...

Corte: A chave do carro ela coloca na boca, o resto das coisas em uma sacola. Ela larga a chave em uma mesinha, e tira a blusa suja de sangue, coloca junto dentro da sacola. Coloca outra blusa.

Corte: Laura empurra Ulguim para cima do tapete, com dificuldade. Enrola-o no tapete. Laura vai puxando ele em direção à cozinha.

Corte: Laura está de quatro limpando o sangue de Ulguim no chão, com balde, pano e luvas.

Corta para:

CENA 13. CASA LAURA. GARAGEM. INT. NOITE.

Laura estaciona o carro de Ulguim de ré; ela desce do carro, abre o porta-malas. Com dificuldade, coloca-o dentro do porta-malas. Consegue. Fecha!

Corta para:

CENA 14. PORTO ALEGRE. RUAS. EXT. NOITE.

(mostrar imagens da cidade) Laura está dirigindo pela cidade.

LAURA — Tudo errado... tudo errado!

Corta para:



CENA 15. ESTRADA ERMA. EXTERIOR. NOITE.

O carro de Laura anda pela estrada, estaciona de ré perto de um terreno baldio. Laura desce do carro, abre o porta-malas, e tira Ulguim de dentro, jogando-o em um canto.

LAURA — Não quis acreditar em mim. Agora... dane-se!

Laura vira as costas, entra no carro e vai emborra a toda com o carro.

Corta para:

CENA 16. RUA. EXTERIOR. NOITE.

Laura está dentro do carro, derrama álcool dentro da sacola, e despeja o resto do álcool pelo carro. Desce, acende o fósforo e coloca fogo no carro. Anda calmamente, como PV: o carro pegando fogo.

Corta para:

CENA 17. PONTO DE TÁXI. EXTERIOR. NOITE.

Laura bate no vidro de um taxista, ele abre o vidro.

LAURA — Tá livre?

TAXISTA — Claro! Entra aí!

Laura entra no táxi, e ele arranca. Em direção contrária passa por eles um carro dos bombeiros.

TAXISTA — Ih... acho que aconteceu alguma coisa, e foi aqui perto.

LAURA — (fria/retocando a maquiagem) Pois é. Devem ter esquecido a vela acesa. Sabe como são esses barracos de papelão, são praticamente inflamáveis. Qualquer faisquinha tá armada a fogueira de São João.

Corta para:



CENA 18. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. NOITE.

Laura entra em casa. Manu e Bruna estão na sala.

LAURA — Já em casa, marafonas? Não estavam tão bons os inferninhos assim, para terem voltado cedo?

Elas a ignoram. (Laura andar mancando, por ter rolado a escada)

MANU — (se faz) Ouviu alguma coisa, Bruna?

BRUNA — (irônica) Hum... não ouvi nada, Manu.

MANU — É. Deve ser coisa da minha cabeça.

LAURA — Danem-se!

Laura sobe as escadas.

BRUNA — Viu isso?

MANU — Vi. Ela está mancando.

Curiosas.

Corta para:

CENA 19. PORTO ALEGRE. RUAS. EXTERIOR. AMANHECER.

Amanhece em Porto Alegre. Imagens das pessoas caminhando cedo; do trânsito; e por fim da delegacia.

Corta para:

CENA 20. DELEGACIA. SALA CATO. INTERIOR. DIA.

Glória está na sala de Cato, frente a frente com ele.

GLÓRIA — Eu soube que é o senhor que está investigando o caso do sequestro dos meus vizinhos Schneider.

CATO — Sim, sou eu.

GLÓRIA — Minhas suspeitas nesse caso podem ajudar ainda mais o senhor achar os criminosos desse sequestro.

CATO — pois bem... diga elas então.

GLÓRIA — Sim, eu.../

CATO — (corta) Sim, mas dirá em depoimento. Ok?

GLÓRIA — (hesita) Claro. Tudo bem.

CATO — (para um oficial) Por favor, acompanhe-me aqui no depoimento de Glória... como é mesmo?

GLÓRIA — Piccoli! Glória Piccoli.

CATO — Glória Piccoli.

Corta para:

CENA 21. CASA LAURA. QUARTO LAURA. INTERIOR. DIA.

Laura está dormindo. Está agitada, está tendo um pesadelo. Suando, se mexe na cama, gemendo. Acorda, com um susto.

LAURA — Wesley! Wesley... meu marido Wesley...

Laura começa a chorar. Mãos na cabeça, cabelo... choro.

LAURA — Wesley... me deixa em paz. Sai dessa casa... sai essa alma penada da minha casa... eu não aguento mais... sai...

Corta para:



CENA 22. DELEGACIA. SALA CATO. INTERIOR. DIA.

Cato acaba de apurar o depoimento de Glória.

CATO — Perfeito, dona Glória! Com ênfase no seu depoimento nós vamos averiguar esse tal de Ulguim, que supostamente tenha sido o cumplice de Laura, e o próprio mentor do sequestro.

GLÓRIA — Sim! Já que vocês não podem prender a Laura, prendem-no! Já tem retrato-falado dele. Está sendo procurado.

CATO — Faremos isso. E mais... estamos aguardando o pedido de prisão para Laura. Em pouco tempo a Laura e esse tal Ulguim que a senhora falou, estarão presos.

GLÓRIA — Ótimo! Eu vou confiar e vocês! Obrigada! Essa corja tem que pagar pelos crimes que cometeram!

Glória sai. Entra um policial.

POLICIAL — Chegou o advogado do Rogério.

CATO — Ai, ai.. (ao policial) Busca lá na cela Rogério Godinho Siqueira.

Corta para:



CENA 23. DELEGACIA. SALA CATO. INTERIOR. DIA.

Godinho senta na cadeira frente de Cato. Seu advogado está sentado do lado.

CATO — Teu nome é Rogério Godinho Siqueira, mais conhecido como Godinho. Certo?

GODINHO — Certo.

CATO — Tu foste flagrado sacando e andando pela rua com o dinheiro conseguido pelo sequestro da família Schneider. Então, Godinho, quem te ajudou nesse sequestro?

GODINHO — (olha para o advogado, e diz) Um cara chegou em mim, com essa proposta, doutor. Ele disse que ia ser barbada. Eu estava passando necessidade, resolvi fazer a mão também. Uma mulher tinha planejado tudo. Mas foi só eu e o cara que fizemos tudo.

CATO — Que cara?

GODINHO — Ulguim. Não sei o sobrenome.

Reação. Cato olha para um policial que estava presente no depoimento de Glória.

CATO — E o nome da mulher?

GODINHO — É Lourdes, Leila... eu não sei. Não lembro.

CATO — Beleza...

Corta para:

CENA 24. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. DIA.

Manu descendo a escada. Quando chega no chão, ela resvala e quase cai.

MANU — Ai... que isso...? Que quê é isso?

Manu senta na escada, mostra o pé com uma mancha vermelha.

MANU — Que isso...?

Manu coloca mão, passa os dedos, e suspeita. Clima tenso. Manu suspeita que seja sangue, close horrorizada.

Corta para:

2º INTERVALO COMERCIAL



CENA 25. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. DIA.

Bruna e Manu estão curiosas.

BRUNA — Acha que sangue?

MANU — Eu não sei, é estranho isso aqui.

BRUNA — Eu vou pegar alguma coisa pra... pegar isso. A gente tem que fazer um exame, sei lá...

Bruna sai e volta com algodão.

BRUNA — Acho que isso aqui, serve.

MANU — É bem pouquinho.

Elas colhem o que supostamente seria sangue.

Corta para:



CENA 26. PORTO ALEGRE. RUAS. EXTERIOR. DIA.

Imagens da cidade.

Corta para:

CENA 27. APART EVA E ANTOINE. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

Eva e Antoine estão tomando café da manhã.

EVA — Estou suspeitosa de que ele está-me furtando, Antoine.

ANTOINE — Tu estás arrumando sarna pra se coçar.

EVA — Tu mesmo me disseste que ele te pediu dinheiro, ontem, e tu não deste!

ANTOINE — Eu não tinha.

EVA — Ou seja, ele está sem dinheiro. Agora, quero saber de onde ele tirou dinheiro para sair hoje. Hã?

ANTOINE — (suspira) Não sei.

EVA — Mas hoje eu vou descobrir.

ANTOINE — Faça o que quiseres. Eu tô indo.

Antoine se retira.

Corta para:



CENA 26. APART ANTOINE E EVA. SALA. INTERIOR. DIA.

Eva entra contando dinheiro, e coloca dentro da carteira. E deixa a carteira encima de uma mesinha da sala.

EVA — Agora, eu tiro a prova.

Corta para:



CENA 27. CASA PICCOLI. PISCINA. EXTERIOR. DIA.

Tonico se atira na piscina. Kamilla, Nise, Newton, Guto e Nilmar passando.

NILMAR — Cuidado aí feio, essa piscina já matou gente!

GUTO — Como assim? Alguém já morreu afogado aí?

KAMILLA — Não ficou sabendo? Saiu até nos jornais!

NILMAR — Nossa empregada, a Ritinha.

GUTO — Eu fiquei sabendo que a empregada de vocês morreu, mas não sabia que tinha sido na piscina. Como foi?

NEWTON — (explica) Foi assassinada, por aquela mulher que fez a gente de refém, eu não sei se tu lembra...

GUTO — (se lembrar) Sim, sim! Eu até cheguei a vir aqui...

NISE — ai, que horror aquele dia.

Romualdo chega estranhando.

ROMUALDO — Ô, vidão! Ninguém aqui trabalha, estuda?

NILMAR — Professores em greve. De novo.

ROMUALDO — Hum... que beleza. Ninguém trabalha?

Eles se olham.

ROMUALDO — Mas que barbaridade... quando eu tinha a idade de vocês estava ‘véio’ trabalhando...

NILMAR — (brinca) Não deu a mesma sorte de nascer com um pai rico, que nem a gente.

ROMAULDO — Ah, é. Azar o meu, mesmo.

NILMAR — É.

ROMUALDO — É? Mas vai te deitar o chinelão!

Risos.

NEWTON — Vô, conta como era no teu tempo.



NILMAR — É, azarava muitas gatinhas...?

ROMUALDO — Ah, enquanto eles cheiravam cocaína, eu cheirava a xereca das gurias!

NEWTON — VÔ!!

Gargalhadas!!

NISE — Seu Romualdo... que coisa...

NEWTON — Vô, não pode falar essas coisas... tem gurias aqui.

KAMILLA — (rindo)

NILMAR — Deixa, deixa... deixa ele falar, ô! Conta, conta vô... como foi a tua primeira vez?

ROMUALDO — Ah, ora... normal. Eu ‘coisei’ com... rapaz, faz tanto tempo.

GUTO — Já nem lembra.

Tonico já se aproximou.

ROMUALDO — Lembro pouco. Mas lembro.

TONICO — Que foi?

KAMILLA — Seu Romualdo vai contar como foi a primeira vez que ele... ‘coisou’.

ROMUALDO — Ora... não tem nada demais, todo mundo aqui ‘coiseia’, não ‘coiseia’?

Todos concordam.

NILMAR — É, minha primeira vez foi em uma casa de facilidades.

Risos. A partir daqui, eles se divertem aos risos:

ROMUALDO — É, mudaram o nome disso aí, sabia?

NILMAR — o Guto, o Guto tinha uma namoradinha, que trabalhava lá. Ele que me levou.

GUTO — Eu lembro, eu lembro.

ROMULDO — Eu lembro a minha primeira vez... eu lembro. Eu era do interior, né?! Do interior. Bagé. Lá pras quelas bandas. Então foi no mato, minha primeira ‘coisada’ foi no mato.

NISE — No mato?

ROMUALDO — Eu lembro... eu lembro ainda, a fala dela. Eu ainda lembro, o que ela disse. Ainda soa nos meus ouvidos.

NILMAR — O que ela disse?

ROMUALDO — Ela fez assim: bééééérééé...

Gargalhadas.

KAMILLA — Eu acho que... eu acho que essa sua namorada aí era parecida com a amiga da namorada do Newton que faz (imita uma égua)

NISE — Ah... que sem graça...

ROMUALDO — (terminando a gargalhada) Eu não sabia... eu não sabia, eu queria saber. Eu disse assim: “meu pai, quero ir num bordel.” Bordel era.../

NISE — (ajuda) Casa de facilidades...

ROMUALDO — (cont.) “Pai, eu quero casa de felicidade... mas eu não sei ‘coisar’.” (tempo aos risos) Aí, ele disse assim: “Eu vou ensinar.” Eu vou ficar em pé.

TONICO — por quê? O senhor só sabe ‘coisar’ em pé, é?

ROMUALDO — Pra mostrar o jeito que meu pai me ensinou.

NILMAR — Fique de pé!

ROMUALDO — Daí de pé eu disse: “meu pai, como é que eu faço pra coisar?” Meu pai disse assim: “tu coloca uma moeda de um real do teu lado direito e diga assim: (jogando o quadril para o lado direito) um, um, um, um! (risos) Aí, eu fiz! Peguei a moeda, fui no banheiro, na frente do espelho e fiquei: (jogando o quadril para o lado direito) um, um, um, um! “pronto, meu pai, já aprendi!” Ele falou: “não é assim, não, piá! Agora, pegue uma nota de dois e coloque do seu lado esquerdo e fique assim: (jogando o quadril para o lado direito) Um! (jogando o quadril para lado esquerdo) Dois! (sucessivamente) Um! Dois! Um! Dois!” Aí eu fiz! Fui pro banheiro e: um! Dois! Um! Dois! “pronto, meu pai, já aprendi!” E ele: “não é assim, não! Tu pega cinco reais, e coloque atrás de ti! Aí fica: um! Dois! (jogando o quadril para trás) Cinco!” Eu pus um real, dois reais e cinco reais e fique: (fazendo os gestos) “Um! Dois! Cinco! Um! Dois! Cinco!” “pronto, meu pai, aprendi!” Ele: “não, senhor! Tu bota cem reis na sua frente! Aí fica... um, dois, cinco, cem!” aí, eu fiz... eu coloquei: um real aqui, dois reais aqui, cinco aqui atrás, e cem aqui na frente. E fique: (fazendo gestos) “Um, dois, cinco, cem! Um, dois, cinco, cem!” “Pronto, meu pai! Aprendi!” Daí eu fui, né?! Eu fui pra casa de... de lazer, né?! O bordel... cheguei no bordel, eu disse: “senhora... eu quero ficar contigo, sozinho, nós dois.” A mulher disse: “tudo bem, vamos lá” Aí, nós fomos. Guri, ela ficou na posição dela lá! Ela se deitou/ eu acho que ela querida dormi, não entendia o que era aquilo! Ela deitou lá... Eu tinha ido com o dinheiro preparado. Eu coloquei um aqui... dois aqui... ela falou: “vai jogar é?!” ... daí, eu coloquei um aqui, dois aqui, cinco, e o cem aqui. Daí, eu comecei: “um, dois, cinco, cem! Um dois cinco cem!” Ela gritou: “meu filho, tire os trocados!” Ai eu fiquei: “cem, cem, cem, cem...”

Eles caem na gargalhada! Romualdo sai de cena aos risos.

NEWTON — Não tem jeito mesmo...

NISE — Bagaceiro!

NILMAR — (imita) Cem! Cem! Cem...

Continua os risos.

GUTO — Tá certo... tá certo.

KAMILLA — Depois eu quero saber desses cens aí. Vamos pra piscina!

GERAL — Vamos!!

GUTO — Ô, ô... eu quero convidar vocês para irem pra Tarumã!

TONICO — É aquele encontro de carros e motos tunados...?

GUTO — É...

NILMAR — Tô ligado...

GUTO — Eu vou conseguir um carro ‘tunadasso’ do meu primo, aqui da parada 49 de Gravataí.

NILMAR — Eu tô dentro!

TONICO — Formou! Tô nessa...

GUTO — Fechou! Mas tem que ajudar com a grana.

NILMAR — Eu sem problema, comigo sabe que não tem ruim!

TONICO — Sereno! Cortaram minha grana, mas eu dou um jeito, fica ‘sussa’!

NILMAR — O último que entrar na piscina é a biba louca!

Eles se atiram na piscina!

Corta para:

  1   2   3


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal