Aula 03 o modernismo de 1930, guerra e autoritarismo: linguagem e projeto literário e artístico



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AULA 03
O MODERNISMO DE 1930, GUERRA E AUTORITARISMO: LINGUAGEM E PROJETO LITERÁRIO E ARTÍSTICO


MÃOS DADAS
Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.

Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.

Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.

Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os

homens presentes,

a vida presente.
ANDRADE, C. D. Sentimento do mundo. São Paulo: Cia. das Letras, 2012.


  1. Escrito em 1940, o poema Mãos dadas revela um eu lírico marcado pelo contexto de opressão política no Brasil e da Segunda Guerra Mundial. Em face dessa realidade, o eu lírico




  1. considera que em sua época o mais importante é a independência dos indivíduos.

  2. desvaloriza a importância dos planos pessoais na vida em sociedade.

  3. reconhece a tendência à autodestruição em uma sociedade oprimida

  4. escolhe a realidade social e seu alcance individual como matéria poética.

  5. critica o individualismo comum aos românticos e aos excêntricos.



A ROSA DE HIROXIMA


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.


  1. Neste poema




  1. a referência a um acontecimento histórico, ao privilegiar a objetividade, suprime o teor lírico do texto.

  2. parte da força poética do texto provém da associação da imagem tradicionalmente positiva da rosa a atributos negativos, ligados à ideia de destruição.

  3. o caráter politicamente engajado do texto é responsável pela sua despreocupação com a elaboração formal.

  4. o paralelismo da construção sintática revela que o texto foi escrito originalmente como letra de canção popular.

  5. o predomínio das metonímias sobre as metáforas responde, em boa medida, pelo caráter concreto do texto e pelo vigor de sua mensagem.



  1. (ENEM)- O texto apresenta referências a um contexto histórico mundial em que




  1. busca de forma poética esclarecer os motivos que levaram a ocorrer a Primeira Guerra Mundial.

  2. faz alusão à bomba atômica atirada pelos americanos no Japão, após o término da Segunda Guerra Mundial na Europa.

  3. refere-se ao conflito na China na Guerra do Ópio, em que a Inglaterra vence e a China assina o Tratado de Nanquim.

  4. Está no contexto do imperialismo japonês iniciado com a Era Meiji

  5. deixa claro os horrores provocados pela bomba H no território chinês durante a Segunda Guerra Mundial.

AULA 04
A POESIA DO MODERNISMO DE 30: O SOCIAL, O POLÍTICO E O MÍSTICO


Tenho apenas duas mãos

o sentimento do mundo,

mas estou cheio de escravos,

minhas lembranças escorrem

e o corpo transige

na confidência do amor.


Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microcopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer


mais noite que a noite.


  1. Da leitura do texto acima, trecho de “Sentimento do mundo”, de Carlos Drummond de Andrade, só não está presente a alusão à




  1. precariedade do indivíduo.

  2. sensibilidade ao sofrimento coletivo.

  3. consciência social.

  4. isolamento social

  5. consciência do “estrar no mundo”


CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO
Alguns anos vivi em Itabira.

Principalmente nasci em Itabira.

Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.

Noventa por cento de ferro nas calçadas.

Oitenta por cento de ferro nas almas.

E esse alheamento do que na vida é porosidade e

[comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,

vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e

[sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,

é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:

esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,

este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;

este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;

este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.

Hoje sou funcionário público.

Itabira é apenas uma fotografia na parede.



Mas como dói!
ANDRADE, C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.


  1. (ENEM)- Carlos Drummond de Andrade é um dos expoentes do movimento modernista brasileiro. Com seus poemas, penetrou fundo na alma do Brasil e trabalhou poeticamente as inquietudes e os dilemas humanos. Sua poesia é feita de uma relação tensa entre o universal e o particular, como se percebe claramente na construção do poema Confidência do Itabirano. Tendo em vista os procedimentos de construção do texto literário e as concepções artísticas modernistas, conclui-se que o poema acima




  1. representa a fase heroica do modernismo, devido ao tom contestatório e à utilização de expressões e usos linguísticos típicos da oralidade.

  2. apresenta uma característica importante do gênero lírico, que é a apresentação objetiva de fatos e dados históricos.

  3. evidencia uma tensão histórica entre o “eu” e a sua comunidade, por intermédio de imagens que representam a forma como a sociedade e o mundo colaboram para a constituição do indivíduo.

  4. crítica, por meio de um discurso irônico, a posição de inutilidade do poeta e da poesia em comparação com as prendas resgatadas de Itabira.

  5. apresenta influências românticas, uma vez que trata da individualidade, da saudade da infância e do amor pela terra natal, por meio de recursos retóricos pomposos.


AULA 3
Figuras de linguagem

1.As figuras de linguagem são comumente encontradas nos textos literários, bem como em charges e tirinhas.

Nesta tirinha, a personagem faz referência a uma das mais conhecidas figuras de linguagem para 

A)condenar a prática de exercícios físicos.
B) valorizar aspectos da vida moderna.
C) desestimular o uso das bicicletas. 
D) caracterizar o diálogo entre gerações. 
E) criticar a falta de perspectiva do pai.

2.Assinale a alternativa que indica a figura de linguagem que predomina nos versos abaixo. 

Entre o bem e o mal a linha é tênue, meu bem

Entre o amor e o ódio a linha é tênue também 

A) Ironia 

B) Eufemismo 

C) Antítese 

D) Metonímia

E) Metáfora
3. A mesma figura de linguagem que se encontra no enunciado “Por ele, ponho os pés e as mãos no fogo. Nós nos conhecemos há muitos anos...” também se encontra em 
A) “Se o que move o mundo são as perguntas, por que se pratica tanta corrupção, para entender que ser honesto, leal, competente é bom para o país?” 

B) “Não é suficiente ser honesto, é preciso agir e comportar como honestos.” 

C) “As varreduras nos gabinetes, oficialmente, mediante uma solicitação de algum parlamentar. Na atual legislatura, foram realizadas trinta operações desse tipo.” 

D) “O Estado brasileiro, durante toda a sua existência, só se deparou com mazelas e danos, incluindo os prejuízos provocados pelas administrações incompetentes e desonestas.” 

E) “O grande problema dos tribunais de contas reside no fato de que a grande maioria dos conselheiros é indicada pelos chefes do Poder Executivo e pelos parlamentos, ou seja, é coisa de compadre, do tipo ‘eu te indico e você me julga! ’”
4. O AÇÚCAR

O branco açúcar que adoçará meu café


nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.
Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
[dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.
(…)
Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema. Ferreira Gullar. Toda Poesia. Rio de Janeiro:Civilização Brasileira, 1980, p. 227-8.

5. A antítese que configura uma imagem da divisão social do trabalho na sociedade brasileira é expressa poeticamente na oposição entre a doçura do branco açúcar e

a) o trabalho do dono da mercearia de onde veio o açúcar.
b) o beijo de moça, a água na pele e a flor que se dissolve na boca.
c) o trabalho do dono do engenho em Pernambuco, onde se produz o açúcar.
d) a beleza dos extensos canaviais que nascem no regaço do vale.
e) o trabalho dos homens de vida amarga em usinas escuras.

 Oxímoro (ou paradoxo) é uma construção textual que agrupa significados que se excluem mutuamente. Para Garfield, a frase de saudação de Jon (tirinha abaixo) expressa o maior de todos os oxímoros.



Folha de S. Paulo. 31 de julho de 2000.

 Nas alternativas abaixo, estão transcritos versos retirados do poema “O operário em construção”. Pode-se afirmar que ocorre um oxímoro em:

a) “Era ele que erguia casas


Onde antes só havia chão.”

b) “… a casa que ele fazia


Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.”

c) “Naquela casa vazia


Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.”

d) “… o operário faz a coisa


E a coisa faz o operário.”

e) “Ele, um humilde operário


Um operário que sabia
Exercer a profissão.”

MORAES, Vinícius de. Antologia Poética. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

AULA 4

Grafia de certas Palavras



1.Assinale a alternativa em que as formas mal ou mau estão utilizadas de acordo com a norma culta:

a) Mau agradecidas, as juízas se postaram diante do procurador, a exigir recompensas.


b) Seu mal humor ultrapassa os limites do suportável.
c) Mal chegou a dizer isso, e tomou um sopapo que o lançou longe.
d) As respostas estavam mau dispostas sobre a mesa, de forma que ninguém sabia a sequência correta.
e) Então, mau ajeitada, desceu triste para o salão, sem perceber que alguém a observava.

2.Complete as lacunas, usando adequadamente mas/mais/mal/mau:

Pedro e João, -------entraram em casa, perceberam que as coisas não estavam bem, pois sua irmã caçula escolhera um momento ------- para comunicar aos pais que iria viajar nas férias; --------------seus dois irmãos deixaram os pais ------- sossegados quando disseram que a jovem iria com as primas e a tia.  

a) mau – mal – mais – mas


b) mal – mal – mais – mais
c) mal – mau – mas – mais
d) mal – mau – mas – mas
e) mau – mau – mas – mais.

3.Empregue a forma correta encontrada nos parênteses:

I. O bairro __________ moro fica há vinte minutos da região sul da cidade. (onde/aonde).

II. O seminário de literatura foi __________ apresentado pelos alunos do Ensino Médio. (mal/mau).

III. __________ de seis meses meus pais mudaram-se para o litoral paulista. (a cerca /há cerca).

IV. Eles viajariam, __________ preferiram permanecer na cidade. (contudo/com tudo).

V. Estudou muito _________ de passar no vestibular. (afim/ a fim).

a) aonde; mau; a cerca; com tudo; afim.

b) aonde; mal; há cerca; com tudo; a fim.

c) onde; mal; há cerca; contudo; a fim.

d) onde; mal; a cerca; contudo; a fim.

e) aonde; mal; há cerca; com tudo; a fim.



4..A alternativa errada quanto ao emprego do porquê é:

a) Não revelou o motivo por que não foi ao trabalho.

b) Estavam ansiosos porque o dia já havia amanhecido.
c) Eis o porquê da minha viagem.
d) Ele não veio por que estava doente.
e) Porque houve um engarrafamento, chegou atrasado ao colégio.

5 Ainda não sei _______________ gosto de música. Compro CD e gostaria de saber__________ compro sempre.

a) Porquê – por quê

b) Por que – por que
b) Porque – porque
d) Por quê – por quê
e) Por que – por que.
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