As várias faces do poder – Estratégia, conflito e liderança em Game of Thrones



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Encontro02.09.2018
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As várias faces do poder – Estratégia, conflito e liderança em Game of Thrones

O 2° episódio de GoT, fenômeno que conquistou fãs no mundo todo, exibido essa semana, mostrou as ações estratégicas, alianças e conflitos entre importantes personagens

Contém spoilers!

As noites de domingo voltam a ter um ar medieval, a internet volta a ser agitada por um dos maiores zeitgeist culturais dos últimos tempos, os temidos spoilers voltam a assustar os atrasados que não assistiram o último episódio e os acontecimentos da trama voltam a atormentar a vida de quem mesmo não querendo, acaba ficando por dentro de qual icônico personagem George R. R. Martin matou desta vez. Tudo por tempo determinado, pois a 7° temporada Game of Thrones já tem data para acabar. Tão aguardada pelos fãs, a série traz de volta o fantástico universo de Westeros e os vários conflitos que os personagens vem enfrentando ao longo da série.

Considerada uma das mais bem-sucedidas produções da HBO, GoT é baseado na saga de livros As Crônicas de Gelo e Fogo, do escritor George R.R. Martin. Com o passar dos anos, a trama se transformou em um verdadeiro fenômeno de massas que conta com uma legião de fãs ao redor do mundo. Aclamada pelos críticos, a história envolve muito jogo de poder, estratégias, conflitos interpessoais, políticos e culturais e importantes perfis de liderança.

A complexidade narrativa, quantidade de personagens, subtramas e a maneira que a estrutura ficcional da história é conduzida pelos produtores, transformou a série televisiva em uma das mais famosas e lucrativas, além de entrar para a história como o programa que mais ganhou troféus no Emmy, a maior premiação da TV nos EUA.

Entre os personagens mais adorados estão Jon Snow, Sansa Stark, Tyrion Lannister, Arya Stark, Lyanna Mormont, Cersei Lannister e Daenerys Targaryen, todos com importantes perfis de liderança e características marcantes que atraem a atenção de quem acompanha a trama.

O primeiro episódio da atual temporada agitou a internet e o segundo, “Nascida da Tormenta’’, exibido no dia 23 de julho, revelou mais alguns detalhes sobre o destino dos Sete Reinos. O capítulo teve encontros entre diferentes personagens, trocas de informações e decisões importantes.

Daenerys Targaryen e Jon Snow estão próximos de se encontrar, após a Rainha dos Dragões convocar o Rei do Norte para uma suposta aliança. Cersei Lannister está decidindo os próximos passos para impedir a perda do trono e está em busca de importantes alianças para fortalecer seu exército.

Além de Westeros

Mas a forte influência de Game of Thrones excede as telas e as agitações da web e possui a capacidade de inspirar, até mesmo, sua maneira de liderar e tomar decisões. Se você lida diretamente com conflitos organizacionais, gestão de pessoas e enfrenta desafios ligados à atual realidade das empresas, você pode se atentar às táticas e estratégias usadas pelos principais personagens na hora de planejar e definir importantes ações.

Sabemos que você não lida com três dragões, não precisa conquistar e defender povos e territórios, nem está querendo comandar os Sete Reinos, mas assim como os personagens, você possui objetivos e precisar traçar planos para alcançá-los.

Quem se destaca na série e na vida real? Quem toma decisões sábias e age no momento certo. Saber tomar grandes decisões não é para os fracos. Liderar requer competências e habilidades específicas.

Como extrair de GoT importantes lições sobre liderança, tomada de decisão e planejamento estratégico?

Poder e liderança

Assim como nas empresas, é fácil perceber nos personagens a importância que um líder possui. Mas é necessário saber diferenciar os dois. Sem liderança não dá para executar uma estratégia. Não há mudanças, importantes transformações, não há o novo. Há apenas a repetição do antigo.

Saber liderar está relacionado com a capacidade de influenciar e inspirar pessoas através de suas próprias ações. Muitos acontecimentos negativos e tragédias que aconteceram em GoT, foram consequência de uma má ou ausência da liderança, ou apenas resultado da sede de coagir e ser prepotente.

Todo homem que precise dizer ‘eu sou o rei’ não é um rei de verdade” (Tywin Lannister)

Vários personagens morreram, planos deram errado, guerras foram perdidas... basta um erro para gerar vários estragos. Boa parte deles, irreversíveis.

Quem não se lembra da morte de Ned Stark, Senhor de Winterfell, Protetor do Norte e Mão do Rei Robert? Mesmo ocorrendo na 1° temporada, a morte de Ned é uma das mais lamentadas. Em cenários que possuem jogos de poder e papéis de liderança, para evitar grandes perdas e proteger o que é de sua responsabilidade é preciso, principalmente, a habilidade de ser estratégico e enxergar além do óbvio.

Os líderes são os responsáveis por alinhar os esforços, engajar as pessoas, fazer as partes cooperarem entre si. Um líder inspira! E é justamente assim que a Daenerys Targaryen vem fortalecendo suas alianças e seu exército a cada temporada. A sinopse do próximo capítulo promete acontecimentos significativos.

"Daenerys receberá seus aliados, Cersei retornará um presente e Jaime aprenderá com seus erros".

Teorias sobre Liderança - Traços de Personalidade

As mais antigas teorias sobre liderança se preocupavam em identificar os traços de personalidade capazes de caracterizar os líderes. O pressuposto era que se poderia encontrar um número finito de características pessoais, intelectuais, emocionais e físicas que identificassem os líderes de sucesso, como:

• Habilidade de interpretar objetivos e missões;
• Habilidade de estabelecer prioridades;
• Habilidade de planejar e programar atividades da equipe;
• Facilidade em solucionar problemas e conflitos;
• Facilidade em supervisionar e orientar pessoas;
• Habilidade de delegar responsabilidades para os outros.

As críticas à teoria de traços de personalidade residem em dois aspectos principais. O primeiro é que as características de personalidade são geralmente medidas de maneira pouco precisa. O segundo é que essa teoria não considera a situação dentro da qual atua a liderança, ou seja, os elementos do ambiente que são importantes para determinar quem será um líder eficaz. Alguns traços de personalidade são importantes em certas situações, mas não em outras. Um líder de uma empresa pode ser mais introspectivo socialmente, reservado ou o último a decidir algo em casa. Muitas vezes é a situação que define um líder. Quando a situação se modifica, a liderança passa para outras mãos.



O líder energiza, faz mover. Pela fala, pela ação, pelo exemplo.

‘’ Power is Power’’ – Cersei Lannister

Já o conceito de poder está relacionado à imposição. Segundo algumas definições, poder é o direito de deliberar, agir, mandar e, dependendo do contexto, exercer sua autoridade, soberania, a posse de um domínio, da influência ou da força.

Poder é um termo que se originou a partir do latim possum, que significa “ser capaz de”, e é uma palavra que pode ser aplicada em diversas definições e áreas.

Segundo a sociologia, poder é a habilidade de impor a sua vontade sobre os outros, e existem diversos tipos de poder: poder legítimo, poder sobre recompensas, poder de coerção, poder de referência, poder de competência, entre outros.

Nem sempre deter o poder significa saber liderar. A série é repleta de exemplos de péssimos líderes em importantes cargos de poder. Como não se lembrar de Joffrey Lannister as inúmeras ações extremistas e arrogantes?

‘’O poder reside onde o homem acredita que reside. É um truque, uma sombra na parede. E um homem muito pequeno pode lançar uma sombra bem longa.’’ (Lorde Varys)

Deter o poder, trata-se da ação de mandar ou chefiar pessoas ou profissionais a realizar algo através da obrigação, principalmente relacionada à uma posição superior aos demais. Ou seja, os colaboradores de uma empresa, por exemplo, devem responder aos comandos deste tipo de líder e executar o que foram mandados, pois são inferiores a ele, o líder é autoridade máxima mesmo que eles não queriam fazer o que lhes foi imposto.

O poder até funciona por um tempo, mas apenas por um tempo. Logo depois ele gera revolta, rebeldia, indisciplina, desrespeito e insubordinação. Esta definição representa aquela velha questão: de um lado os trabalhadores – “Ou eu faço ou sou mandado embora” e do outro o líder – “Eu mando e vocês obedecem”.

Essa relação entre detenção de poder e liderança e a dificuldade de exercer certos cargos é nítida em Game of Thrones. Quantas decisões inesperadas, porém sábias, foram tomadas pelos líderes presentes na história?

Qualquer tolo com sorte pode nascer em meio ao poder, mas conquistá-lo para si dá trabalho” (Lorde Varys)

Sendo assim, a diferença entre poder e liderança é que o poder, da mesma forma que é dado, também pode ser tirado, já a liderança é reflexo de autoridade, de competência, de algo conquistado com confiança, admiração e influência.

Liderança por poder não gera respeito, pelo contrário, gera medo, temor e insubordinação. Game of Thrones deixa claro o quanto as consequências podem ser trágicas. Já a liderança por autoridade gera aceitação, submissão e apresso. A Rainha dos Dragões e o Rei do Norte que o digam.

Que tipo de liderança você tem exercido ou quer exercer?



O trono é seu!

O terceiro episódio da 7ª temporada de GoT vai ao ar no próximo domingo (30) às 22h, na HBO.


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