As fantasias luminosas do movimento das imagens



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AS FANTASIAS LUMINOSAS DO MOVIMENTO DAS IMAGENS

O desenho é uma meditação enquanto a foto é um tiro” – H. C. Bresson -1908-2004

Nada tenho a dizer. Só a mostrar” – Walter Benjamin
***

Muitos se inclinam a encontrar mais do que coincidências nos fenômenos do universo. Vêm sinais...Eu me contento em achá-las como resultado das vivências humanas.

O que tem a ver, por exemplo, o cinema, ontem cantado em imagens vibrantes do OSCAR 2010 -um conjunto de prêmios distribuídos pela Academia de Cinema de Holywood aos que se destacaram na indústria cinematográfica no último ano- , com a democracia?

Os árabes, povo rico em provérbios, já advertiam: “Uma imagem vale por mil palavras”. Imaginem , então, um conjunto de imagens em ato contínuo...? Elas se constituem num verdadeiro encantamento proporcionado pelas fantasias luminosas em movimento.E este encantamento atinge profundamente a sensibilidade humana, impactando-a duplamente, pela emoção e pela consciência.

Pois é isto o cinema: um continuum da fotografia animada, esta inventada por Joseph Nicéphore Niépce (que produziu a primeira fotografia permanente em 1825) e Louis Daguerre (em 1839 com seu daguerreotipo) , França. A fotografia representou a captura do momento, sacrificado neste ato. O cinema, sua ressurreição. Não por acaso shoot, em inglês, significa tanto atirar como fotografar e até mesmo filmar. Como dizia o grande fotógrafo H.C.Bresson (1908-20040 :

“’Fotografar ... é colocar na mesma linha de mira....a cabeça, o olho e o coração. (...) A gente pensa: Quando aperto ? Agora? Agora? Agora? Entende? A emoção vai subindo e, de repente, pronto. É como um orgasmo, tem uma hora que explode. Ou temos o instante certo, ou o perdemos...e não podemos recomeçar. O desenho é uma meditação...enquanto que a foto é um tiro. Pode apagar um desenho e fazer outro. Não está lutando contra o tempo. Tem todo o tempo pela frente, é uma meditação. Mas com a foto, há um espécie de angústia constante... pelo fato de estar presente. Mas é uma angústia muito calma”.

A fotografia, o cinema, ambos, foram estigmatizados na sua aparição, como uma arte menor, fruto mais da máquina do que do talento, sem “aura”, destinada à satisfação de gostos menos apurados. Os pintores, no início da fotografia, chegaram a fazer manifestos condenando a fotografia. E o cinema , que veio a público pelos irmãos Lumière, também na França, numa época em que Paris ainda era a capital do mundo das luzes, no subterrâneo do Grand Café, em 28 de dezembro de 1895 , teria que esperar até 1911 para ser reconhecido como a arte: a “sétima arte”. Nesse ano , o intelectual italiano Ricciotto Canudo no seu Manifesto das Sete Artes , ainda sem reconhecer a fotografia, consagra o cinema como o corolário das sete grandes artes que lhe precederam, conforme os elementos básicos de cada uma e que lhe definem a linguagem, a saber :

1. Música (som);

2. Pintura (cor);

3. Escultura (volume);

4. Arquitetura (espaço);

5. Literatura (palavra);

6. Coreografia (movimento);

7. Cinema (integra os elementos das artes anteriores).

Posteriormente, novas artes foram acrescentadas ao “Manifesto”, tais como (8ª) fotografia, (9ª) arte seqüencial (quadrinhos) e (10ª) o vídeo game. Hoje, mercê dos grandes avanços na computação eletrônica, poucos se referem a esse classificação.

Os irmãos Lumière apresentaram, sem se dar conta das potencialidades do que haviam criado, uma série de dez filmes, com duração de 40 a 50 segundos cada, pois os rolos de película tinham quinze metros de comprimento. Os filmes até hoje mais conhecidos desta primeira sessão chamavam-se "A saída dos operários da Fábrica Lumière" e "A chegada do trem à Estação Ciotat", cujos títulos sugerem a trilha do cinema documental desde esse momento inaugural até a premiação de “Cove” no OSCAR 2010, uma denúncia pesada contra a matança de golfinhos no Japão.Não obstante, um mágico chamado Georges Méliès, que se apresentava nas imediações do Gran Café, apercebeu-se da importância do cinema para o entretenimento e tentou adquirar, sem êxito, os cinematógrafos de Lumière. Não desistiu, foi para a Inglaterra e lá comprou , em seguida, um aparelho semelhante que lhe proporciona experimentações que resultam nos primeiros efeitos especiais – ilusionismo – da história do cinema e a produção de filmes de ficção com narrativas romanescas e ficcionistas. Dele é o primeiro filme sobre a lua...

Na segunda década do século, ao tempo dos “Anos Loucos”, de grande progresso material e profundas mudanças nos costumes, sobretudo na América do Norte, o cinema se expande pelo mundo inteiro. E, junto com ele, as imagens, que suscitam desejos, tensões emocionais e, sobretudo, visões críticas dos conflitos humanos. Até 1929 o cinema era mudo, intercalado pela escrita de diálogos e musicas ao fundo. Os últimos filmes mudos de impacto foram os de Chaplin, Tempos Modernos o mais importante. Dali em diante o próprio Chaplin curvou-se aos filmes falados, nos quais não foi tão magistral quanto nos mudos.



David W. Griffith, americano, entretanto, é o primeiro e grande marco na história do cinema. Ele foi o responsável pela inserção da fantasia na realização de filmes, deslocando a produção para um lugarejo perto de Los Angeles Hollywood, onde produziu “O Nascimento de uma Nação” (1915), contando a epopéia da formação americana. Neste filme consolida uma linguagem do cinema, como arte independente. Ele foi o primeiro a criar filmes em que a montagem e os movimentos de câmera eram empregados com maestria e, com isso, estabeleceu os parâmetros do fazer cinematográfico. A partir de Griffith pode-se dizer que o cinema consistirá numa técnica, de captar e projetar imagens, numa arte, e numa indústria, consagrando a antevisão de Riccioto Canudo.

“Nesta época foram fundados os mais importantes estúdios de cinema (Fox, Universal, Paramount) controlados por judeus (Daryl Zanuck, Samuel Bronston, Samuel Goldwyn, etc.) que viam o cinema como um negócio. Lutaram entre si e as vezes para competir melhor, juntaram empresas assim nasceu a 20th Century Fox (da antiga Fox) e Metro Goldwyn Meyer (união dos estúdios de Samuel Goldwyn com Louis Meyer). Os estúdios encontraram diretores e atores e com isso nasceu o "star system", sistema de promoção de estrelas e com isso, de ideologias e pensamentos de Hollywood.

Começaram a se destacar nesta época comédias de Charlie Chaplin e Buster Keaton, aventuras de Douglas Fairbanks e romances de Clara Bow. Foi o próprio Charles Chaplin e Douglas Fairbanks junto a Mary Pickford e David Wark Griffith que acabaram criando a United Artist com o motivo de desafiar o poder dos grandes estúdios.

Em alternativa a Hollywood existiam vários outros lugares que investiam no cinema e contribuiam para seu desenvolvimento.

Na França, os cineastas entre 1919 e 1929 começaram um estilo chamado de Cinema Impressionista Francês ou cinema de vanguarda (avant garde em francês). Se destacaram nesta época o cineasta Abel Gance com seu filme épico "J’Accuse" e Jean Epstein com seu filme "A queda da casa de Usher" de 1929

Na Alemanha surgiu o expressionismo alemão donde se destacam os filmes "Das Cabinet des Dr. Caligari" ("O gabinete do doutor Caligari") de 1920 do diretor Robert Wiene, "Nosferatu", "Phantom" ambos de 1922 e do diretor Friedrich Wilhelm Murnau e Metrópolis de Fritz Lang de 1929.

Na Espanha surgiu o cinema surrealista donde se destacou o diretor Luis Buñel. "Un Perro andaluz" (ou "Um Cão Andaluz" em português) de 1928 foi o filme que mais representou o cinema surrealista de Buñel.

Na Rússia se destacou o cineasta Serguei Eisenstein que criou uma nova técnica de montagem, chamada montagem intelectual ou dialéctica. Seu filme de maior destaque foi "The Battleship Potemkin" (ou br: "O Encouraçado Potemkin", pt: "O Couraçado Potemkin") de 1925.”

Os filmes também começaram a crescer em duração. Antes um filme durava de 10 a 15 minutos. Em 1906, apareceu um filme australiano "The Story of the Kelly Gang" que é lembrado como o primeiro longa metragem do cinema. Depois dele, a Europa começou a produzir filmes até mais longos: "Queen Elizabeth" (filme francês de 1912), "Quo Vadis?" (filme italiano de 1913) e "Cabiria" (filme italiano de 1914, este último com 123 minutos de duração.”


Com isso ia se consagrando, crescentemente, o cinema, como técnica, como arte e como indústria.

A técnica cinematográfica consiste na confecção de imagens individuais chamadas fotogramas. Antes dos irmãos Lumière um conjunto de esforços preparam-lhe o terreno, como em todas as invenções científicas:

“ O cinema nasceu de várias inovações que vão desde o domínio fotográfico até a síntese do movimento utilizando a persistência da visão com a invenção de jogos ópticos. Dentre os jogos óticos inventados vale a pena destacar o thaumatrópio (inventado entre 1820 e 1825 por William Fitton), fenacistoscópio (inventado em 1829 por Joseph-Antoine Ferdinand Plateau), zootropo (em 1834 por Will George Horner) e praxinoscópio (em 1877 por Emily Reynaud). Em 1888, Emily Reynaud melhorou sua invenção e começou projectar imagens no Musée Grévin durante 10 anos

Quando essas imagens são projetadas de forma rápida e sucessiva, o espectador tem a ilusão de que está ocorrendo movimento. A cintilação entre os fotogramas não é percebida devido a um efeito conhecido como persistência da visão, pelo qual o olho humano retém uma imagem durante uma fração de segundo após a fonte ter sido removida. Os espectadores têm a ilusão de movimento devido a um efeito psicológico chamado movimento beta.” (Wikipedia)

A arte do cinema se refere à escolha dos temas, imagens e sequências narrativas ,que funcionam como um olho crítico da sensibilidade do Diretor sobre o mundo e o tempo. Este caráter artístico do cinema foi francamente estimulado na França, em 1907, pelos irmãos Laffite, os quais fizeram grandes esforços para levar a elite ao cinema, rompendo com o estigma de que era uma arte “das feiras”, para as classes menos exigentes. A “a avant garde”, nos anos 20 na França, depois secundada pela “ nouvelle vague”, “o “expressionismo” alemão, também dos anos 20, no qual se destaca F. Murnau, R. Wiener e Fritz Lang , e o “surrealismo” espanhol inaugurado, em 1928, por Luiz Buñuel, todos, marcam um salto na direção do “cinema arte” . Comparado, a rigor, com a literatura, que sempre mereceu dos filósofos grande atenção, a narrativa cinematográfica é até mais impactante, porque sintética, do que o romance. Ao final, logra sucedê-lo, com vantagens, como fundamento de uma teoria e pedagogia da existência humana. Leva-se, a rigor, uma vida para ler –apenas- os clássicos, cujo conhecimento, na verdade, sempre definiu uma elite intelectual privilegiada, mas bastam alguns meses, para, não só se ter um contato sensorial com estes clássicos, através de filmes sobre eles e suas obra, aí acrescentando melodias imortais, os mais belos quadros do mundo e grande parte da iconogrofia de cada uma das eras, inclusive vindouras, desde a “A Guerra do Fogo”, de Jean Jacques Anna (1981) ,até a última superprodução “Avatar”, de James Cameron (2009). E isto contribui para um dos objetivos do iluminismo que consiste, desde a Revolução Francesa, em , através da educação, elevar o nível cultural das grandes massas e suas consciências sobre a condição humana.

A indústria reúne, enfim, o vasto complexo que faz do cinema uma arte eminentemente coletiva e ponto de apoio da industrial cultural contemporânea. Há, certamente, mais pessoas ligadas, hoje, à industria cinematográfica, do que operários nas linhas de produção da industria automobilística .E foi, precisamente, como parte da cultura de massas que o cinema passou à consideração dos grandes filósofos de Século XX, dentre eles os que hoje chamamos como pilares da Escola de Frankfurt e, principalmente, Walter Benjamin. Só para se ter uma idéia: O custo de “Avatar” foi de US $500.000.000,00, valor maior do que o PIB de vários pequenos países com assento nas Nações Unidas...

Como adverte um estudioso:

“O advento do Cinema no mundo contemporâneo, assim como o da fotografia, trouxe ao ser humano novas possibilidades de conhecimento tanto objetivo quanto subjetivo. Enquanto os primeiros relacionam-se mais ao cotidiano do indivíduo, aos modos e às atitudes que o levam à sala de cinema ou que adquire uma educação audiovisual, os segundos adquirem um sentido mais amplo se considerados junto à experiência e ao prisma sensível e perceptivo do espectador. O Cinema, a nova indústria de imagens, proporcionou e atualizou uma nova linguagem, visual e imaginária, adquirindo uma dimensão significativa nos meios de comunicação, uma vez que sua tecnologia, mais que um aparato, também é um novo organizador perceptivo, favorecendo as transformações do sensorium, ou seja, dos modos de percepção e de experiência social.” (José Rodrigo Gerace , in http://www.revistaetcetera.com.br/16/cinemasensorium/index.html )

E aqui começamos a perceber a conexão do cinema com a democracia no Século XX.

Norberto Bobbio, num clássico intitulado “A Era dos Direitos”, nos fala da revolução coperniquiana realizada no século passado nas relações da sociedade com o Estado, até então restrita aos imperativos hobbesianos do Leviatã. Desde Aristóteles, passando por Hobbes e Kant o indivíduo era visto sempre como tributário de deveres frente ao contrato social. Isto muda profundamente no Século XX, com a consolidação de direitos que culminam na Declaração dos Direitos Humanos pela Assembléia das Nações Unidos, em 1949, e a criação recente do Tribunal Internacional dos Direitos Humanos, também da ONU. O Estado, doravante, passa a ser o avalista destes direitos e instrumento de sua efetiva realização. O “Leviatã” se dissolve na sociedade civil.

Mas o Século XX é também o “Século das Imagens”, que se inicia com o cinema e culmina com a internet. Na primeira metade do século, são ainda tímidas as influências da fotografia e do cinema na cultura. Ainda assim, a fotografia passa, ao longo do século, a ser tratada cada vez mais como texto e não apenas elemento de suporte ou mero adjetivo das mensagens e fontes escritas. Quanto ao cinema, o american way of life , se difunde no mundo inteiro a partir de Hollywood, enaltecendo um estilo de vida cada vez mais identificado como “ocidental”, porém sempre em confronto com a abordagem mais complexa e existencial do cinema europeu. Mas como salienta uma estudiosa do assunto, Eugênia Maria Dantas, o poder da imagem se afirma :

“...apesar da liberação dada por (estes) novos historiadores, a imagem manteve-se

com uso relativamente pequeno tanto na primeira geração, aquela de Marc Bloch e Lucien Febvre, como na segunda, de Fernand Braudel”. (2006, p. 315) . (...) , somente em 1960, especialmente em 1968, quando os movimentos estudantil, negro, gay, feminista e operário, dão uma grande virada na historiografia, é que as imagens vão aparecer de modo mais proeminente na obra de historiadores como Jacques Le Goff, Geoges Duby e Jean Delameau”.
Uma foto como a da menina Phan Thi Kim Phuc, nua, fugindo de seu povoado que estava sofrendo um bombardeamento de napalm, no dia 8 de junho de 1972, até hoje é lembrada como uma das mais terríveis imagens da Guerra do Vietnam. Os subseqüentes filmes de denúncia dos horrores desta Guerra desmoralizaram o discurso arcaico de Richard Nixon como Presidente dos Estados Unidos, inibindo-o e forçando-o à retirada daquele país. Pouco depois, filmes como Apocalypse Now, Pecados de Guerra e Nascido a 14 de julho, acabaram sublinhando o estado de espírito anti-guerra naquele país .

A década de 70 é inflexão importante neste processo, fazendo com que sua produção, transmissão, divulgação e consumo passe a cumprir um papel verdadeiramente revolucionário sobre a cultura. Jean Baudrillard, filósofo pós-modernista francês, dirá que nesse período a imagem rompe as cadeias com seus próprios produtores e com qualquer outra amarra e se transforma num veículo de libertação da cultura, da ideologia dominante e outras formas de dominação.Curiosamente, ele parece seguir os passos de outro filósofo, Walter Benjamim, que lhe antecedeu.

Walter Benjamin, filósofo alemão, um dos mais intrigantes pensadores da Escola de Frankfurt, não conseguiu concluir sua obra. Morreu na fronteira da França com Espanha, em fuga do nazismo. Mas deixou uma percepção aguda sobre a supremacia das imagens sobre as palavras ao cunhar a expressão “imagem dialética”. E chamou a atenção sobre o “sensorium” por elas suscitado.
“Falar de Walter Benjamin, ou mais precisamente de sua obra, é ampliar as vozes dissonantes ocultadas pela história e pela filosofia. A importância desse filósofo está em sua crítica e em seu modo peculiar e alquímico em explanar uma filosofia não-convencional. (...)Então, sua obra parece ser uma filosofia contra a filosofia. Benjamin, nesse sentido, procurou fazer com que sua filosofia abrangesse a totalidade da experiência filosófica e da verdade, associando-a juntamente aos objetos da experiência cultural como a literatura, as obras de arte e o cinema. Será portanto em “A obra de arte na era de suas técnicas de reprodução” (1994) que irá mostrar como o resultado da tecnologia de reprodução na modernidade, especificamente o cinema, alterou (atualizou) as práticas culturais cotidianas, a percepção, o sensorium e a sabedoria do ser humano.” (José Rodrigo Gerace , in http://www.revistaetcetera.com.br/16/cinemasensorium/index.html )

Benjamin, que escreveu antes da reorganização da Escola de Frankfurt por Theodor Adorno, nos anos 50, e antes da criação do conceito crítico de “indústria cultural”, tinha uma visão positiva sobre o cinema e sobre ele depositava grandes esperanças de redenção cultural das classes menos privilegiadas.

“Benjamin considera ainda que a natureza vista pelos olhos difere da natureza vista pela câmara, e esta, ao substituir o espaço onde o homem age conscientemente por outro onde sua ação é inconsciente, possibilita a experiência do inconsciente visual, do mesmo modo que a prática psicanalítica possibilita a experiência do inconsciente instintivo. Exibindo, assim, a reciprocidade de ação entre a matéria e o homem, o cinema seria de grande valia para um pensamento materialista. Adaptado adequadamente ao proletariado que se prepararia para tomar o poder, o cinema tornar-se-ia, em conseqüência, portador de uma extraordinária esperança histórica. Em suma, a análise de Benjamin mostra que as técnicas de reprodução das obras de arte, provocando a queda da aura, promovem a liquidação do elemento tradicional da herança cultural; mas, por outro lado, esse processo contém um germe positivo, na medida em que possibilita I outro relacionamento das massas com a arte, dotando-as de um instrumento eficaz de renovação das estruturas sociais. Trata-se de uma postura otimista, que foi objeto de reflexão crítica por parte de Adorno.” (Olgaria F. Mattos, in http://www.culturabrasil.pro.br/frankfurt.htm)

Muito se poderia sobre Walter Benjamin e o cinema. Mas não é o propósito deste artigo que apenas se destina a sugerir uma conexão, com base no poder de imagem, entre o Século dos Direitos e o Século das Imagens, aqui relevando o papel da fotografia e do cinema, como construtos da democracia no Século XX.


Com efeito, se a aquisição dos direitos não se restringiu a uma ação do Estado, mas a um movimento efetivo da cidadania no rumo da sua emancipação, deve-se creditar às imagens um poder- senão maior -tão grande quanto o poder das palavras registradas nos manifestos que marcaram a historia do século XX.
Talvez por isto, um fato aparentemente corriqueiro como a entrega de prêmios pela Academia de Cinema de Hollywood, tenha uma audiência tão significativa no mundo inteiro. Ainda falta muito, por certo, para que consigamos transformar esta revolução da imagem num amplo mecanismo de formação de consciências humanas sobre suas próprias existências e relações com o que lhe é exterior. As cidades no Brasil, por exemplo, não dispõem de salas adequadas de projeção e áudio-visual, as escolas desdenham até mesmo do uso de uma boa produção de áudio-visuais, já disponíveis em redes públicas, os governos só pensam em imagem quando se trata da auto-louvação de suas respectivas biografias e feitos, num uso abjeto de arte com fins políticos. Mas não custa insistir: “TODOS AO CINEMA...!!”

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PAULO TIMM, 65 – Economista, Pós Graduado ESCOLATINA, Universid”ade do Chile, Ex Presidente do Conselho de Economia DF , Professor da UnB. Louco por cinema...


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