As brasileiras



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AS REPRESENTAÇÕES DE IDENTIDADE: NACIONALIDADE E GÊNERO, NO SERIADO “AS BRASILEIRAS”.
Luana de Amorim Machado (bolsista)1

Dra. Dilma Beatriz Rocha Juliano (orientadora) 2


INTRODUÇÃO
As Brasileiras é uma série que procura retratar/representar as diferentes mulheres brasileiras de norte a sul do país. Nela as diferentes regiões do país são apresentadas através de um micro-documentário exibido na abertura de cada episódio, nele se vê as imagens dos cartões postais das cidades, fazendo ao final desta apresentação o gancho com a história da brasileira da região em questão. Porém, fora a abertura do episódio, como podemos identificar as marcas do regionalismo? Desta brasilidade estampada no título da série? Em alguns casos temos o sotaque, em outros algumas cenas gravadas em diferentes cidades em pontos turísticos facilmente identificáveis, porém com o que o público se identifica?
Palavras-Chave: Teledramaturgia; identidade de gênero; Estudos Culturais; cinema.
OBJETIVOS
O objetivo do presente estudo foi avaliar os aspectos que motivam a identificação do público com a obra audiovisual e suas reflexões em torno da questão de gênero, bem como a possibilidade de a série buscar um patriotismo perdido.

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1 Acadêmica de Cinema e Realização Audiovisual da Unisul. Bolsista do PIBIC.

2 Doutora em Teoria Literária (UFSC), Professora do Programa de Pós-graduação em Ciências da Linguagem e da Graduação em Cinema. Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Audiovisual. e-mail: dilma.juliano@unisul.br
MÉTODOS
A série As Brasileiras possui 22 episódios e foi exibida em 2012, o que implicou em um trabalho de pesquisa e resgate dos arquivos audiovisuais da série para análise específica de cada episódio.

A primeira análise dos episódios foi feita sem as leituras de referência para ter uma primeira impressão da série pelo prisma do entretenimento. Posteriormente iniciaram os estudos em torno dos conceitos dos estudos culturais como: gênero, identidade e globalização estudados nas leituras sugeridas pela orientadora do projeto.

A segunda análise dos episódios, feita após as leituras teóricas, foi mais criteriosas e permitiu a percepção das tramas que se diferenciavam da narrativa clássica patriarcal verificando as atualizações da mídia em torno do que seria o gênero feminino.

Para dar conta de tantos conceitos a serem analisados optou-se pela montagem de uma tabela com um mapeamento geral da série (anexo I). Traçou-se, então, um panorama, inserindo os dados de cada episódio com as identificações de gênero das personagens centrais de cada um dos episódios, além do aspecto de localização geográfica definido pelo próprio título dos episódios; forma levantados dados como: características físicas, psicológicas, sociais, papel social (público ou privado) e aspectos do regionalismo presentes na Direção de Arte. Esse mapeamento foi muito útil para identificar as tramas que se destacam do padrão televisivo e assim perceber melhor as nuanças estéticas entre a produção televisiva e cinematográfica.

Ainda na fase de análise, foi elaborado um resumo submetido e aprovado no Seminário Internacional Fazendo Gênero 10 – Desafios atuais dos Feminismos, na categoria pôster, que será apresentado na Exposição de Pôsteres 18/09/2013 - Hall do CCS (UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina (anexo II) no qual se aproveitou mais dos estudos em torno da série.
RESULTADOS E DISCUSSÃO


  1. ACERVO NUPA: A montagem do arquivo com os episódios da série As Brasileiras está disponível para consulta de outros acadêmicos e professores, compondo o acervo do Núcleo de Pesquisa em Audiovisual (NUPA).



  1. FAZENDO GÊNERO – O planejamento e confecção do Pôster permitiu aproveitar mais os estudos feitos e sua apresentação já servirá como preparação para o JUNIC – Jornada de Iniciação Científica da UNISUL. O Seminário Internacional Fazendo Gênero 10 - Desafios Atuais dos Feminismos reunirá diversos estudiosos da questão do gênero em diferentes áreas de formação o que proporciona um espaço para trocas de ideias em torno do tema e divulgação da pesquisa desenvolvida.


A televisão mudou a forma de contar e ouvir histórias desde a forma oral ou literárias mais antigas. Ligada ao lazer da família brasileira, as histórias das novelas estão presentes na vida de grande parte dos brasileiros. Muitas das histórias contadas nos episódios da série As Brasileiras já foram contadas em novelas, minisséries e filmes.

Os roteiros foram escritos por uma equipe composta tanto de homens como de mulheres, porém a linguagem da série nos parece como homens falando das mulheres e não de homens falando para as mulheres. Talvez esta impressão seja causada por conta da voz over que nos apresenta o capítulo, falando das belezas das cidades correlacionada a das mulheres até chegar o recorte da brasileira a ser apresentada em determinado episódio. É como se a mulher em questão fizesse parte da geografia do local (adjetivos utilizados para pontuar as belezas naturais da localidade apresentada são postos também para a mulher em questão em cada episódio).

O público acaba por não ter um estranhamento diante da representação superficial das mulheres de suas regiões. Isso se deve ao consumo de telenovelas que criou gerações de expectadores habituados ao formato da dramaturgia da TV. Produzidas em sua maioria pela Rede Globo, muitas novelas possuem os personagens de regiões distintas e do exterior, no entanto não mostram falantes característicos com sotaque marcado, um trejeito, uma caracterização de regionalismo (exceto as novelas com um enredo ligado a migração italiana que possuem um idioma ítalo-brasileiro). Isso acabou acarretando em uma unificação das extremidades do Brasil através da programação televisiva. Porém, isto acaba limitando a visão cultural do país por ofertar apenas representações do ponto de vista de quem produz algo sobre uma determinada região ou representa apenas o eixo Rio-São Paulo (pano de fundo da grande maioria das telenovelas brasileiras).

Podemos relacionar esta reflexão com a colocação de Stuart Hall (2000, p.13):

(...) As diferenças regionais e étnicas foram gradualmente sendo colocadas, de forma subordinada, sob aquilo que Gellner chama de “teto político” do estado-nação, que se tornou assim, uma fonte poderosa de significados para as identidades culturais modernas.
No caso em questão é interessante chamar atenção para o papel e influência política da televisão na vida dos brasileiros. Trata-se de uma influência direta na formação de opinião. No caso da série é interessante analisar como identidade feminina e brasileira é apresentada. Na série, as brasileiras de cada região possuem características físicas que lembram àquelas mais conhecidas, divulgadas de cada região, mas será o aspecto geográfico a única leitura de identidade feminina da série?

Apesar da série falar da mulher brasileira no plural – As Brasileiras –, as mulheres apresentadas ainda são colocadas na posição de ícones, como se ao conhecermos aquela pudessem dizer que conhecemos todas as mulheres daquela cidade, daquela região.


CONCLUSÕES
A oportunidade de desenvolvimento da pesquisa auxiliou e muito no amadurecimento da minha visão de profissional do mercado de trabalho da área do audiovisual. É muito interessante verificar as diferenças de aspectos técnicos na produção dos episódios da série que nos mostram claramente aquelas que possuem uma linguagem técnica mais cinematográfica (passagens de cenas mais fluídas, mise en scene, diferenciais na montagem, elaboração cuidadosa da arte, etc) e aquelas que possuem uma linguagem técnica mais televisiva (dinâmica de montagem de planos muito próxima das novelas).

Os estudos culturais acresceram em minha formação acadêmica permitindo que eu reflita melhor aos escrever meus futuros roteiros, projetos, ou mesmo quanto de minha atuação e outras produções. Nas palavras de Stuart Hall (2003, p.32),

[...] os pressupostos fundamentais dos Estudos Culturais são a análise da ação da mídia, atentando sobre as estruturas sociais e o contexto histórico como fatores essenciais para a compreensão da ação desses meios. Ocorre, então, o deslocamento do sentido de cultura da sua tradição elitista para as práticas cotidianas.

Estes estudos caracterizam-se pela via da interdisciplinaridade, permitindo a reflexão crítica na interface das áreas da arte, da comunicação e da cultura, permitindo pesquisas na perspectiva política das produções culturais.



REFERÊNCIAS
SADEK, José Roberto. Telenovela: um olhar do cinema. São Paulo: Summus, 2008
BENHABIB, Seyla; CORNELL, Drucilla. Feminismo como Crítica da Modernidade. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1987.
COSTA, Cristiane. Eu compro essa mulher. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.
PORTO, Ségio. As Cariocas. Rio de Janeiro: Agir, 2006.
SILVA, Tadeu; HALL Stuart; WOODWWARD, Hathryn. Identidade e Diferença. Rio de Janeiro: Vozes, 2000.

FOMENTO
O trabalho teve a concessão de Bolsa pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/UNISUL), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

ANEXO I


























Título

Atriz Protagonista

Sinopse* (Fonte: globo.com)

Classe

Características Físicas

Características Psicológicas

Localização (locações)

Papel social - público/privado

“A Justiceira de Olinda”

Juliana Paes

Apaixonada por seu namorado Anderson (Marcos Palmeira), ela é uma heroína cheia de amor para dar. Não leva desaforo para casa, por isso não pensa duas vezes em fazer justiça com as próprias mãos. 

Média

Pele clara, cabelos longos, formas bem definidas, jovem, magra

Romântica, porém ciumenta e um tanto impulsiva (corta o pênis do marido quando acredita que ele a traiu)

Arquitetura, feiras, figurino, praias

Não mostra profissão da personagem. É conhecida por sua beleza física e pela inveja que provoca nas outras mulheres. É mostrada a rotina da personagem em casa, cozinhando e visitando a feira.

“A Inocente de Brasília”

Cláudia Jimenez

Uma mulher ingênua e apaixonada por seu chefe. Funcionária padrão e muito inocente, ela repete todos os dias como é linda, forte e poderosa. Inocente, se envolve em algumas confusões com a amiga Verinha (Suely Franco) e seu lindo chefe Dantas (Edson Celulari). Augusta (Claudia Jimenez) é "A inocente de Brasília"

Média

Pele clara, cabelo curto, morena, forma física mais avantajada

Insegura, ingênua, generosa

Arquitetura

Trabalha no setor financeiro de uma empresa, não possui vínculos familiares e sua única amizade é a amiga idosa que vive lhe pedindo dinheiro. É apaixonada pelo seu chefe.

“A Selvagem de Santarém”

Suyane Moreira

Ela é índia, mas é infeliz na tribo das lendárias. Conta com o apoio de Diogo (Danton Mello) para ajudá-la a fugir e ele acaba ficando preso por tentar fazê-la escapar.

Média

Pele morena, cabelos longos e lisos (morena), magra, meia idade

1) india: inquieta, arisca, curiosa

Paisagens naturais, beleza física, traços indígenas.

1)India: mostra sua rotina na tribo com caça, cozinha, banho nos rios. 2) atriz: interpreta a india da tribo das amazonas.

“A Viúva do Maranhão”

Patrícia Pillar

Viúva, ela é jovem, bonita, rica e fiel a sua memória. Pensa em conhecer um novo amor e Edson (Marcello Antony), assessor e braço direito do falecido Justos Barreto, começa a chamar sua atenção. Ela só não pode se envolver muito e acabar se frustrando.

Alta

Pele clara, cabelos cacheados (loiros), magra, meia idade

Inteligente, determinada.

Arquitetura, paisagens, praias

Mulher rica, bem resolvida, inteligente e viúva de uma pessoa muito estimada por todos. No âmbito privado ela deseja apaixonar-se, é segura e manipula as coisas de forma que o desfecho da história é o que ela almejava. Na série é apresentada sua relação com os negócios e com a família (mãe).

“A Sexóloga de Floripa”

Leandra Leal

Romântica, sexóloga e comportamental. Jovem, escritora e apresentadora de um programa de televisão com grande audiência, o "Susexo". Com a fama ela chama atenção de alguns inimigos como o apresentador Pablo (Fábio Assunção) que trabalha na mesma emissora e, determinado em derrubá-la, se envolve com ela para descobrir mais sobre sua vida pessoal. 

Média/Alta

Pele clara, loira, cabelos curtos, magra, jovem

Inteligente, bem resolvida, romântica, determinada.

Paisagens, praias, avenidas

No âmbito público trata-se de uma mulher inteligente, bem sucedida e resolvida. No privado aparece sua insegurança com relação aos relacionamentos.

“A Culpada de BH”

Ísis Valverde

Sem sorte no amor e no jogo, ela não deixa de ser sonhadora e romântica. Com isso acredita que um dia seu príncipe encantado vai chegar. Vitório (Humberto Martins) a conhece em uma de suas situações estabanadas e logo a encanta. Com sua fama de azarada ela tem medo de algo atrapalhar a relação dos dois. 

Média

Pele clara, cabelos longos e lisos (morena), magra e jovem

Atrapalhada, e sente-se muito azarada,

Paisagens, arquitetura, pontos turísticos

Não mostra a profissão da personagem e a narrativa gira em torno do seu romance. Mostra seu vínculo de amizade com as amigas.

"A Fofoqueira de Porto Alegre”

Xuxa

Fofoqueira de plantão, de tanto ouvir a conversa dos outros acaba descobrindo uma fofoca do próprio marido, Ricardo (Rodrigo Lombardi), o que não é nada bom. Irônica, ela persegue as pessoas que espalharam a fofoca e, finalmente, chega a verdade. 

Alta

Pele clara, loira, cabelos curtos, magra, meia-idade

Inquieta, insegura, temperatura explosivo

Sotaque, Paisagens da cidade de Porto Alegre

Esposa de marido rico, vida restrita a cuidados com a beleza e a averiguação da fofoca com relação ao seu relacionamento com o marido.

“A Mascarada do ABC”

Juliana Alves

Taxista, fala pelos cotovelos. Boa esposa, linda e amiga, ela já tinha esquecido sua beleza. Para ajudar uma amiga ela acaba indo parar em cima de um palco como uma dançarina mascarada.

Baixa

Pele negra, cabelos crespos, magra, jovem

Faledeira, trabalhadora, amiga, determinada, romantica

Paisagem urbana, paisagens, rodovias

A personagem apresenta duas faces de sua personalidade: da mulher trabalhadora, que não tem tempo de se cuidar depois a vemos como uma mulher sedutora como a mascarada que dança na boate.

“A Desastrada de Salvador”

Ivete Sangalo

Ao mesmo tempo que ela é linda e doce, também é desorganizada e atrapalhada. Um caos em forma de mulher, ela consegue importunar a vida de todos a sua volta quando o assunto é se arrumar para sair. Vítima de suas próprias fraquezas, ela se esforça para mudar seu jeito atrapalhado de ser.

Média

Pele clara, cabelos longos e lisos (morena), alta, magra e jovem

Desastrada, desorganizada, esperta, incisiva

Paisagens turísticas, arquitetura da cidade

Para todos Raquel é muito atrapalhada e até mesmo a família se esquiva dela. É um dos poucos episódios que observamos a personagem no trabalho (escreve livros de auto-ajuda), familiar e romance.

“A De Menor do Amazonas”

Maria Flor

Apesar de ter um jeitinho de menina, ela precisa ser durona no trabalho, pois seu chefe, Loureiro (Otávio Augusto), não tira os olhos de suas coxas. Séria e ao mesmo tempo romântica, acredita que em algum canto tem um cara legal para conhecer. Ao se envolver em uma grande confusão acaba conhecendo Fernando (Marcos Palmeira) que poderá ser esse amor tão esperado.

Média

Pele clara, cabelos cachados curtos (morena), magra e jovem

Esperta, trabalhadora, inteligente

Paisagens naturais, Rio Amazonas

Como a trama se desenvolve em torno da confusão de Shirley em sua fuga só observamos a visão da personagem em seu local de trabalho (cobiçada por seu chefe desonesto) e depois quando ela se passa por adolescente.

“A Indomável do Ceará”

Alice Braga

Mulher linda e com uma força incrível, é uma delegada muito séria, terror dos malfeitores, desacreditada no amor e nos homens. Por ironia do destino, se apaixona por um foragido da prisão, conhecido como Carioca (Rodrigo Santoro).

Média

Pele clara, cabelos longos e ondulados, magra e jovem.

Personalidade forte, determinada,

Paisagens turísticas

A personagem só é apresentada em seu local de trabalho como delegada e em seu envolvimento com o fugitivo, não apresenta ela no âmbito familiar.

“A Apaixonada de Niterói”

Letícia Sabatella

Eternamente apaixonada pelo marido, é o tipo de mulher que acha que não será capaz de respirar sozinha sem o parceiro. Surpreendida ao saber que Marcelo (Caco Ciocler) estaria com outra, ela não mede esforços para trazer seu homem de volta, nem que isso a leve a fazer as coisas mais estranhas.

Média

Pele clara, cabelos curtos e ondulados (morena), magra e jovem

Insegura, obcecada, apaixonada

Paisagens urbanas, rodovias

A personagem é apresentada basicamente em sua busca por reconquistar o seu amor e algumas cenas em seu local de trabalho.

“A Adormecida de Foz do Iguaçu”

Mariana Ximenes

Linda, rica e bem-sucedida, ela tinha tudo para ser feliz. Esposa de um político e com a agenda atribulada, tudo o que ela queria era poder dormir.

Alta

Pele Clara, cabelos de tamanho médio, lisa, loira, magra, jovem

Inteligente, preocupada, sempre disposta a ajudar o marido, politicamente correta

Paisagens, arquitetura

A personagem é apresentada no cículo familia (relação com o esposo em casa), profissional (no auxílio do marido), e em sua outra personalidade despertada pelo remédio para dormir onde é uma mulher completamente diferente (sensual, boêmia, impulsiva)

“A Reacionária do Pantanal”

Sandy

Brava e revoltada, é uma menina metida a moderna que briga com todos. Filha de Olinda (Regina Braga), ela não admite o fato de sua mãe abandonar a viuvez e se envolver com uma mulher. Mesmo decidindo não olhar mais na cara da mãe, vai ser difícil não encontrar com alguém que circula e freqüenta os mesmos lugares numa cidade não muito grande.

Média/Alta

Pele clara, cabelos curtos e lisos (morena), magra, jovem

Brava, inquieta, mimada, preconceituosa

Paisagens naturais

Gabriela não aceita o namoro homosexual da mãe, mas é uma boa pessoa. Demonstra toda uma não-aceitação em torno desta questão (preconceituosa), mas acaba compreendendo a mãe. É uma mulher bem resolvida com seu próprio negócio.

“A Mãe da Barra”

Glória Pires

Madura e bonita, ela é uma mulher que nasceu para a maternidade. E mãe que é mãe, abre mão de qualquer coisa para proteger sua prole.

Média/Alta

Pele clara, cabelos de tamanho médio, lisos (morena), magra, meia-idade.

Inteligente, dedicada, amorosa

Paisagens urbanas, rodovias

Ângela é uma mãe super-protetora que tem que encarar as birras da filha pré-adolescente.Uma das coisas interessantes neste episódio é que a figura paterna quase não aparece. Destaca-se exclusivamente o papel da mãe. A série não mostra se Ângela Cristina trabalha ou quais seus outro interesses além da preocupações com a filha (natural visto que o enfoque do episódio é justamente a relação mãe-filha). Deduzimos que seja uma mulher bem resolvida pelo seu modo de agir e suas roupas demonstram estabilidade financeira

“A Venenosa de Sampa”

Giovanna Antonelli

Sempre de olho nas vitrines, ela cuida da beleza malhando na academia e os cabelos no salão. Mulher vaidosa, em especial quando o assunto é moda. Egocêntrica ela não vai admitir que Maria Eduarda (Viviane Pasmanter) use o mesmo vestido que o seu em uma festa e, para isso, ela pede ajuda de seu marido Edemar (Fernando Eiras)

Alta

Pele clara, cabelos lisos e de tamanho médio, magra, meia-idade (jovem)

Incisiva, personalidade forte, mimada

Paisagens urbanas, rodovias

Neste episódio conhecemos a história de Gigi, uma socialite que é capaz de tudo para ter o que quer. Até mesmo mandar fazer uma bomba para impedir que outra perua utilize o mesmo vestido que ela em uma festa. A motivação banal da personagem endossa o tom de comédia deste episódio.

“A Vidente de Diamantina”

Bruna Linzmeyer

A jovem dos olhos penetrantes é dona de uma previsão certeira, principalmente em relação aos homens com quem se envolve. Suas visões se concretizam sempre.

Média

Pele clara, cabelos curtos e ondulados (morena), magra e jovem

Romatica, temerosa, amiga

Arquitetura e paisagens naturais

Estudante universitária, não mostra núcleo familiar, mas mostra sua relação de amizade com Júlio.

“A Doméstica de Vitória”

Dira Paes

Ela é sonhadora e dedicada ao trabalho. Num certo dia, resolve dar uma de princesa e se apaixona por um "Deus grego". No dia seguinte, a cinderela volta para a realidade, mas o amor faz com que o destino mude o seu futuro. 

Média

Pele morena cabelos médios e lisos (morena), magra, meia-idade.

Romântica, inteligente, sonhadora, trabalhadora

Paisagens

A personagem Cleonice vive um conto de Cinderela. Passando-se pelo que não é ela se apaixona depois tendo que lidar com a revelação de sua farsa. Observamos ela em seu trabalho, no romance e em seu momentos solitária.

“A Perseguida de Curitiba”

Maria Fernanda Cândido

Encantadora de corações, é uma deusa que nasceu para seduzir gregos e curitibanos. Sua relação com Jorge (Daniel Boaventura) precisava de uma atenção especial, por isso resolve apimentar na comemoração de cinco anos do casamento. Ao preparar uma surpresa para o marido, ela não imagina a confusão que vai acontecer: ela vai se redescobrir. 

Média/Alta

Pele clara, cabelos longos e ondulados, magra e jovem.

Insegura, deseja reconquistar o marido como mulher e deseja mudar sua aparência física

Paisagens, arquitetura

A personagem é apresentada em torno de seu relacionamento com o esposo e sua tentativa de se modificar para salvar o casamento. Não mostra profissão.

“A Sambista da BR-116″

Sophie Charlotte

Ela nasceu no carnaval e sonha em brilhar na Avenida. A moça se envolve nas mais diversas confusões para realizar o sonho de ser passista de destaque. Esplendor (Sophie Charlotte) é "A sambista da BR116"!

Baixa

Pele clara, cabelos médios, magra, jovem

Sonhadora, incoformada com sua realidade, batalhadora, alegre

Rodovia e Sambódromo

A história gira em torno do sonho de Esplendor em ser passista. Seu único vínculo familiar é a tia desonesta.

“A Matadora do Sertão”

Cléo Pires

Com sede de justiça, ela vai fazer de tudo para eliminar os perversos do Sertão, mesmo que isso só seja resolvido com a morte. Ela é justiceira, guerreira e valente. Ana (Cléo Pires) é "A matadora do Sertão".

Média

Pele clara, cabelos longos (morena), magra, jovem

Destemida, justiceira, determinada, apaixonada

Paisagens do sertão

A protagonista é apresentada como uma heroina, com identidade secreta, missão, temores e amor. Ao final ela abidica de seu amor para cumprir seudestino. É o único episódio que não possui o clássico final feliz.

“Maria do Brasil”

Fernanda Montenegro

Diferente de algumas estrelas que já nascem com brilho, ela nunca chegou a alcançar o tão sonhado estrelado: como ela mesma sabe, não é dona de nada muito especial. Cheia de esperança, ela tem a nostalgia de uma realização que não se completou e busca por algo a mais. Volta à televisão para reviver sua carreira e acaba encontrando um novo amor.

Média

Pele clara, cabelos curtos

sonhadora, saudosa, temperamental

 

A personagem optou por não ter filhos e dedicou toda sua vida a sua carreira como atriz. Sonha com os bons tempos. Econtra uma paixão no final do episódio.



ANEXO II
Título: “As Brasileiras”: misto de linguagens na busca de uma identidade.

Resumo:

A teledramaturgia transformou a forma de contarmos e ouvirmos histórias, por tratar-se de uma das formas de lazer mais comuns da família brasileira. Realizada em parceria entre a Rede Globo e a Lereby, a minissérie “As Brasileiras” foi veiculada na televisão com a peculiaridade de ter sido produzida por uma equipe de cinema. Este estudo realiza uma reflexão em torno da influência da teledramaturgia na receptividade da estrutura narrativa da série, bem como da identificação do público com as brasileiras de cada um dos episódios e em como a linguagem cinematográfica diferencia este processo.


Palavras-chave: teledramaturgia; identidade de gênero; Estudos Culturais; cinema.
Title: "As Brasileiras": a blend of languages in a search of an identity

Abstract:

The television drama transformed the way that we tell and hear histories by being one of the most common entertainment activity of the brazilians families. Performed by the partnership between Rede Globo and Lereby, the series “As Brasileiras” has been aired on television with the particularity of being produced by a movie team. This study realizes a reflection about the influence of the teledramaturgy on the receptivity of the narrative structure of the serie as well an identification of the public with brazilian women of each episode and on how the film language distinguishes that process.


Keywords: soap operas; gender identity; Cultural Studies; cinema;


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