Arranca as lágrimas dos meus lagos Confunde minha confusão



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Encontro03.07.2017
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Arranca as lágrimas dos meus lagos
Confunde minha confusão
Já não sei
Já não sou
Onde estou?
Sou areia.
Sobre ventos

Sentado na areia

Brisa que bate em meu rosto

Bate também em meu coração

Arranca as lágrimas dos meus lagos

Confunde minha confusão

Já não sei

Já não sou

Onde estou?

Sou areia.

Meus cabelos voam para trás

Eu vou junto

Vou junto encontrar uma velha amiga

Entrando em cores de Monet

Colhendo frases de Mário Quintana

Na rua dos cata-ventos.

Não há milonga mais triste

Não há choro mais belo

Não há frio mais visceral

Que o soprar de um minuano,

Rasgando as suturas das minhas feridas

Levando-me, mas não quero ir.

Dizia um velho bêbado

Que a não menos velha amiga que procuro

Não é gente, nem divindade

Mas sim um relógio sem pilhas

Que aprisiona os bons tempos

Enquanto sua irmã siamesa

Aprisiona os maus.

Vento, leve vento

Leva-me vento

Serás tu a verdade?

Ora na fugacidade do tempo,

Ora nos braços da eternidade.

De que adianta buscar a alegria?

Se ela lá no passado está

Encerrada numa jaula

Num lugar chamado de saudade

Saudade amiga

Minha velha amiga

Amiga do vento

Irmã siamesa da melancolia.

Já dizia o velho bêbado,

Vento é felicidade

Vento é agonia

Passa e vira saudade

Passa e vira melancolia.

Folhas voam como pássaros

Essa janela aberta faz tudo voar

Páginas da minha vida vão sendo folhadas

Sempre para trás

Sempre para trás.

O passado vive em mim,

Mas eu não posso vivê-lo.

Somente posso senti-lo

Em cada dia que venta.





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