Apostila de literatura: Profa Soninha. GÊNeros literários



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APOSTILA DE LITERATURA: Profa Soninha.

GÊNEROS LITERÁRIOS
A literatura é arte que se manifesta pela palavra, seja ela falada ou escrita. Quanto à forma, o texto pode apresentar-se em prosa ou verso. Quanto ao conteúdo,

estrutura e, segundo os clássicos, conforme a “maneira de imitação”, podemos enquadrar as obras literárias em três gêneros:

· Lírico – é certo tipo de texto no qual o lírico (a voz que fala no poema, que nem sempre é a do autor) exprime suas emoções, idéias e impressões em face do mundo exterior. Normalmente os pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da função emotiva da linguagem.
Nada ficou no lugar

Eu quero quebrar essas chícaras

Eu vou enganar o diabo

Eu quero acordar sua família

Eu vou escrever no seu muro

E violentar o seu gosto

(Adriana Calcanhoto)
· Dramático – trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro.

Corregedor – Ó arrais dos gloriosos, passai-nos neste batel!

Anjo – Oh, pragas pera papel pera as almas odiosos!

Como vindes preciosos, sendo filhos da ciência!



Corregedor – Oh, habetatis, clemência e passai-nos como vossos!

Parvo – Hou, homem dos breviários, rapinastis coelhorum et pernis perdigotorum e mijais nos campanários!

(“Auto da barca do inferno” - Gil Vicente)


· É pico – nesse gênero há a presença de um narrador que fundamentalmente conta a história passada de terceiros. Isso implica certo distanciamento entre o narrador e o assunto tratado. São geralmente losngos e narram histórias de um povo ou uma nação, envolvendo aventuras, guerras, viagens, gestos históricos, etc. Exemplos: Ilíada, de Homero; Os Lusíadas, de Luís de Camões.
BARROCO

Contexto histórico:

· Reformas protestantes;

· Contra-Reforma;

· Inquisição;

· Ação jesuítica.
Principais características:
· Vocabulário

· gosto pelas inversões sintáticas;

· figuração excessiva, com ênfase em certas

figuras de linguagem, como a metáfora, a antítese,

a hipérbole;

· gosto por construções complexas e raras;

· conflito espiritual;

· consciência da efemeridade do tempo;

· carpe diem;

· morbidez;

· gosto por raciocínios complexos.

Principais autores:

· Gregório de Matos;

· Padre Antônio Vieira.
Alguns poemas:
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?


Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,


Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,


E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

(Gregório de Matos)



Anjo no nome, Angélica na cara

Anjo no nome, Angélica na cara
Isso é ser flor, e Anjo juntamente
Ser Angélica flor, e Anjo florente
Em quem, se não em vós se uniformara?

Quem veria uma flor, que a não cortara


De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente
Que por seu Deus, o não idolatrara?

Se como Anjo sois dos meus altares


Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólicos azares

Mas vejo, que tão bela, e tão galharda


Posto que os Anjos nunca dão pesares
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda

(Gregório de Matos)


DESCRIÇÃO DO RECIFE

Para a parte do Sul onde a pequena


Ursa se vê de guardas rodeada,
Onde o  Céu luminoso, mais serena,
Tem sua influição, e temperada,
Junto da nova Lusitânia ordena,
A natureza, mãe bem atentada,
Um porto tão quieto, e tão seguro,
Que para as curvas Naus serve de muro.

É este porto tal, por estar posta,


Uma cinta de pedra, inculta, e viva,
Ao longo da soberba, e larga costa,
Onde quebra Neptuno a fúria esquiva,
Entre a praia, e pedra descomposta,
O estranhado elemento se deriva,
Com tanta mansidão, que uma fateixa,
Basta ter à fatal Argos aneixa.

Em o meio desta obra alpestre, e dura,


Sua boca rompeu o Mar inchado,
Que na língua dos bárbaros escura,
Paranambuco, de todos é chamado
De Paraná que é Mar, Puca - rotura,
Feita em fúria desse Mar salgado,
Que sem no derivar cometer míngua,
Cova do Mar se chama em nossa língua.

(Bento Teixeira)


Ecce exiit qui seminat, seminare. Diz Cristo que «saiu o pregador evangélico a semear» a

palavra divina. Bem parece este texto dos livros de Deus. Não só faz menção do semear, mas também faz caso do sair: Exiit, porque no dia da messe hão-nos de medir a semeadura e hão-nos de contar os passos. O Mundo, aos que lavrais com ele, nem vos satisfaz o que

dispendeis, nem vos paga o que andais. Deus não é assim. Para quem lavra com Deus até

o sair é semear, porque também das passadas colhe fruto. Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair, são os que se contentam com pregar na Pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a

semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura e hão lhes de contar os passos. (Sermão da Sexagésima – Padre Vieira).
ARCADISMO:
Contexto histórico:


  • Iluminismo

  • Ciclo do ouro nas Minas Gerais

  • Inconfidência Mineira 1789



Principais características:
1. Quanto ao conteúdo:

· Fugere urbem (fuga da cidade)

· Aurea mediocritas ( vida medíocre materialmente mas rica em realizações espirituais)

· Idéias iluministas

· Convencionalismo amoroso

· Carpe diem

· Pastoralismo

· Bucolismo

· Idealização amorosa

· Elementos da cultura greco


2. Quanto à forma:

· Vocabulário simples;

· Frases na ordem direta;

· Ausência quase total de figuras de linguagem;

· Manutenção do verso decassílabo, do soneto e de outras formas clássicas.
O Arcadismo no Brasil

O Arcadismo no Brasil tem seu surgimento marcado por dois aspectos centrais. De um lado, o dualismo dos escritores brasileiros do século XVIII, que, ao mesmo tempo, seguiam os modelos culturais europeus e se

interessavam pela natureza e pelos problemas específicos

da colônia brasileira; de outro a influência das idéias

iluministas sobre nossos escritores e intelectuais, que

acarretou o movimento da Inconfidência Mineira e sua

trágicas implicações: prisão, exílio, enforcamento, morte.

O Arcadismo no Brasil iniciou-se oficialmente com

a publicação das Obras poéticas, de Cláudio Manuel da

Costa.
Dentre os autores árcades destacam-se:

· Na lírica: Cláudio Manuel da Costa, Tomás

Antônio Gonzaga e Silva Alvarenga;

· Na épica: Basílio da Gama, Santa Rita

Durão e Cláudio Manuel da Costa;

· Na sátira: Tomás Antônio Gonzaga.
Alguns poemas:

1 Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,


que viva de guardar alheio gado,
de tosco trato, de expressões grosseiro,
4 dos frios gelos e dos sóis queimado.
5  Tenho próprio casal e nele assisto;
6 dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
7  das brancas ovelhinhas tiro o leite
8 e mais as finas lãs, de que me visto.
9 Graças, Mar flua bela,
10  graças à minha estrela!
11 Eu vi o meu semblante numa fonte:
12    dos anos inda não está cortado;
13    Os pastores que habitam este monte
14 respeitam o poder do meu cajado.
15    Com tal destreza toco a sanfoninha,
16    que inveja até me tem o próprio Alceste:
17    ao som dela concerto a voz celeste,
18    nem canto letra que não seja minha.
19 graças, Marília bela,
20   graças à minha estrela!

(Tomás Antônio Gonzaga)
Soneto

Estes os olhos são da minha amada,
Que belos, que gentis e que formosos!
Não são para os mortais tão preciosos
Os doces frutos da estação dourada.

Por eles a alegria derramada


Tornam-se os campos de, prazer gostosos.
Em zéfiros suaves e mimosos
Toda esta região se vê banhada.

Vinde olhos belos, vinde, e enfim trazendo


Do rosto do meu bem as prendas belas,
Dai alívio ao mal que estou gemendo.

Mas ah! delírio meu que me atropelas!


Os olhos que eu cuidei que estava vendo,
Eram (quem crera tal!) duas estrelas.

(Cláudio Manoel da Costa)


ROMANTISMO

O gosto pela cultura clássica que se inicia no século XVI,

com o Renascimento, perdura até o século XVIII. Com o

tempo ele foi se restringindo ao público aristocrático,

formado pela nobreza e pelo alto clero. Com a ascensão da burguesia ao poder na França, em 1789, surge a

necessidade de uma arte sintonizada com aquele contexto

social e com a sensibilidade do novo público que se

formava. Essa arte é o Romantismo e caberia ao mesmo a

tarefa de criar uma linguagem nova, identificada com os

padrões mais simples de vida da classe média e da

burguesia. Assim, a arte romântica põe fim à uma tradição clássica de três séculos e dá início a uma nova etapa na literatura, voltada aos assuntos contemporâneos efervescência social e política, esperança e paixão, luta e revolução e ao cotidiano do homem burguês do século XIX.
Características da linguagem romântica
1) Quanto ao conteúdo

· Subjetivismo: trata de assuntos de uma forma pessoal (de acordo com o modo como se vê o mundo; faz um recorte subjetivo porque retrata a realidade de forma idealizada e parcial.

· Idealização: essa extrema valorização da subjetividade leva muitas vezes à deformação.

· Sentimentalismo: relação entre o artista e o mundo é sempre mediada pela emoção.

· Egocentrismo: maior parte dos românticos volta-se predominantemente para o próprio eu, numa postura tipicamente narcisista.

· Medievalismo: na Europa, busca do mundo medieval e de seus valores; no Brasil, o índio cumpre esse papel.

· Indianismo: o interesse pelo índio e sua

idealização estão relacionados com o projeto nacionalista do Romantismo.

· Religiosidade: mais comum entre os

primeiros românticos, a vida espiritual é enfocada

como ponto de apoio ou válvula de escape diante

das frustrações do mundo real.

· Byronismo: foi amplamente cultivado entre

os românticos brasileiros da segunda geração (entre

os anos 50 e 60 do século XIX). Traduz estilo de vida boêmio, voltado para o vício e de uma forma particular de ver o mundo.

· Condoreirismo: ganhou repercussão entre os poetas da terceira geração (anos 70 do século XIX). Defende a justiça social e a liberdade.



  • Fusão do grotesco e do sublime: apesar de sua tendência idealizante, o Romantismo procura captar o homem em sua plenitude, enfocando também o lado feio e obscuro de cada ser humano.

2) Quanto à forma

· Maior liberdade formal

· Comparações, metáforas e adjetivações constantes

· Gosto por métricas populares

· Irregularidades estróficas

· Vocabulário e sintaxe mais simples
O Romantismo no Brasil

O Romantismo, além de seu significado primeiro uma reação à tradição clássica –, assumiu em nossa literatura a conotação de movimento anticolonialista e antilusitano. Teve ampla aceitação entre os leitores de literatura no Brasil. Isso se deve principalmente a dois fatores: a identificação imediata do público com a poesia romântica e o aparecimento de um gênero literário novo em nosso país: o romance. Tradicionalmente são apontadas três gerações de escritores românticos. Essa divisão, contudo, engloba principalmente os autores de poesia. Os romancistas não se enquadram muito bem nessa divisão, uma vez que suas obras podem apresentar traços

característicos de mais de uma geração.
Poesia

1) Primeira geração: nacionalista, regionalista e religiosa. Principais poetas: Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães.


2) Segunda geração: arcada pelo mal século, apresenta egocentrismo exacerbado, pessimismo, satanismo e atração pela morte.

Principais poetas: Álvares de Azevedo, Casimiro

de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire.
3) Terceira geração: desenvolve uma poesia

de cunho político e social. A maior expressão desse

grupo é Castro Alves.
Prosa
As origens do romance

Em meados do século XVIII, o romance tomou o sentido

que tem hoje: o de texto em prosa, em meados do século

XVIII, normalmente longo, que desenvolve vários núcleos narrativos, organizados em torno de um núcleo central; que narra fatos relacionados a personagens, numa seqüência de tempo relativamente ampla em determinado lugar ou lugares.


Esse tipo de romance está diretamente vinculado à

formação de um novo público consumidor, a burguesia.

Apesar de ter marcado ideologicamente o Arcadismo, essa nova classe social ainda carecia de uma arte capaz de exprimir seu universo, tanto na forma quanto no conteúdo. O romance, por relatar acontecimentos da vida comum e cotidiana, e por dar vazão ao gosto burguês pela fantasia e pela aventura, veio a ser o mais legítimo veículo de expressão artística dessa classe.

Tanto na Europa quanto no Brasil, o romance surgiu sob a forma de folhetim, publicação diária, em jornais, de

capítulos de determinada obra literária. O romance, muito mais do que a poesia, assumiu o papel de principal instrumento de construção da cultura brasileira. Assim, procurando “redescobrir o Brasil”, o romance brasileiro está radicalmente ligado ao reconhecimento dos espaços nacionais, identificados como a selva, o campo e a cidade, que deram origem, respectivamente, ao romance indianista e história da vida primitiva), o romance regional romance urbano (a vida citadina).
Características da prosa romântica

· Flash-back narrativo:

· O amor como redenção

· Idealização do herói

· Idealização da mulher

· Personagens planas

· Linguagem metafóric

· Impasse amoroso, com final feliz ou trágico

· Oposição aos valores sociais
1) Romance indianista: celebra tanto o estado de pureza e inocência do índio quanta a formação mestiça da raça brasileira. Principal autor: José de Alencar.
2) Romance regional: proporciona ao país uma visão de si mesmo (dos quatro cantos do Brasil); buscou compreender e valorizar as diferenças étnicas, lingüísticas, sociais e culturais que anda hoje marcam essas regiões do país.
Principais autores: José de Alencar (região Sul),

Franklin da Távora (Nordeste), Visconde de

Taunay (Centro-oeste).
3) Romance urbano: trata as particularidades da vida cotidiana da burguesia e, por isso, conquistou um enorme prestígio entre o público dessa classe.

Principais autores: Manuel Antônio de Almeida, José de Alencar e Joaquim Manuel de Macedo.


Prosa gótica: contrapondo-se aos valores racionalistas e materialistas da burguesia, certos escritores do Romantismo Cram uma literatura fantasiosa, identificada com o universo de satanismo.

Principal autor: Álvares de Azevedo.


REALISMO

Realismo é a denominação genérica da reação aos ideais

românticos que caracterizou a segunda metada do século

XIX. De fato, as profundas transformações vividas pela

sociedade européia exigiam uma nova postura diante da

realidade; não havia mais espaço para as exageradas

idealizações românticas.
Contexto histórico:

· Mecanismo social;

· Industrialização;

· Revolução científica;

· Positivismo (Augusto Comte);

· Evolucionismo (darwin);

· Determinismo (Taine).

· No Brasil: as bases da vida rural vão aos poucos, cedendo lugar à atividade urbana com o aparecimento da

classe operária assalariada. A imigração também é um fato relevante.
Principais características:
· Objetivismo;

· Narrativa lenta;

· Descrição objetiva, precisa;

· Casamento como arranjo conveniente;

· Mulher não idealizada, mostrada com defeitos e qualidades;

· Amor e outros sentimentos subordinados aos interesses sociais;

· Crítica aos valores e às instituições decadentes da sociedade burguesa;

· Introspecção psicológica.


O primeiro romance realista da literatura universal é

Madame Bovary, de Gustave Flaubert, publicado em 1857. Já no Brasil, considera-se 1881 como o ano inaugural do Realismo, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (1839-1908).
Principais romances:

· Memórias Póstumas de Brás Cubas;

· Quincas Borba (1891);

· Dom Casmurro (1899);

· Esaú e Jacó (1904);

· Memorial de Aires (1908).



Principais contos:

· O alienista;

· A Carteira;

· A Cartomante;

· O espelho;

· Missa do galo.


NATURALISMO
O Realismo e o Naturalismo apresentam semelhanças

(ambos voltados para a realidade) e diferenças entre si. O

Realismo retrata o homem interagindo com seu meio

social, enquanto o Naturalismo mostra o homem como

produto de forças “naturais”; desenvolve temas voltados

para a análise do comportamento patológico do homem, de suas taras sexuais, de seu lado animalesco. Os naturalistas acreditavam que o indivíduo é mero produto da hereditariedade e seu comportamento é fruto do meio em que vive e sobre o qual age. A perspectiva evolucionista de Charles Darwin inspirava os naturalistas, esses acreditavam ser a seleção natural que impulsionava a transformação das espécies. Assim, predomina nesse tipo de romance o instinto, o fisiológico e o natural, retratando a agressividade, a violência, o erotismo como elementos que compõe a personalidade

humana. Assim, predomina nesse tipo de romance o instinto, o fisiológico e o natural, retratando a agressividade, a violência, o erotismo como elementos que compõe a personalidade humana. Os escritores naturalistas brasileiros, com raras exceções, em vez de se dedicarem ao estudo de grupos humanos, que refletiam melhor a problemática social do Brasil de então detiveram-se mais em casos individuais de temperamento patológico. No Brasil, a prosa naturalista foi influenciada por Eça de Queirós com as obras O crime do padre Amaro e O primo Basílio, publicadas na década de 1870. Aluísio de Azevedo com a obra O mulato, publicada em 1881, marcou o início do Naturalismo brasileiro, a obra

O cortiço, de 1890, também de sua autoria, marcou essa

tendência. Nesse mesmo ano, embora despercebido, aparece também o livro de Rodolfo Teófilo, A Fome

ano seguinte surge O missionário, de Inglês de Souza;

seguido de A normalista (1892) e o Bom Criolo (1895) Adolfo Caminha.


1) Aluísio de Azevedo (1857-1913)

Com a publicação de O mulato, o autor consagrou-se como escritor naturalista. A partir daí tentou viver exclusivamente como escritor. Para isso, recorreu, como

outros, ao jornalismo, escreveu romances para publicação

em folhetins, sujeitou-se muitas vezes às exigências de um público heterogêneo, da pressa e da improvisação,

produzindo uma obra diversificada e de qualidade desigual. De um lado, romances românticos (que o autor chamava de “comerciais”) seguindo perfeitamente a receita folhetinesca; de outro, romances naturalistas (chamados pelo autor de “artísticos”). Ao primeiro grupo pertencem os romances: “Uma Lágrima de Mulher”; “Memórias de Um Condenado”; “Mistérios da Tijuca”; “Filomena Borges”; “O Esqueleto”; e “A Mortalha de Alzira”. Ao segundo, pertencem os três maiores romances de Aluísio, “ Casa de Pensão”, “O Mulato” e “O Cortiço” (já citados). É importante citar que essa divisão não constitui fases, como no caso de Machado de Assis, os romances românticos eram alternados com os naturalistas. O cortiço representa uma conquista definitiva do nosso romance, pois, pela primeira vez na literatura brasileira, um escritor dá vida e corpo a um agrupamento humano, uma habitação coletiva.
2) Raul Pompéia (1863-1895)

Estreou muito cedo na literatura, em 1860, com uma novela romanesca, Uma tragédia no Amazonas.Dedicou-se ao jornalismo, foi colaborador da Gazeta de Notícias publicando aí e em outros periódicos, a partir de 1881,

crônicas e contos, além da novela As joias da coroa uma

sátira agressiva feita à família imperial, sem valor literário.

Entretanto, notabilizou-se na literatura brasileira por causa de um único livro, O ateneu, publicado em 1888, no qual assimilou e integrou todas as tendências literárias de tempo.
PARNASIANISMO:

Movimento literário que se originou na França, Paris, representou na poesia o espírito positivista e científico da época, surgindo no século XIX (19) em oposição ao romantismo. Nasceu com a publicação de uma série de poesias, precedendo de algumas décadas o simbolismo. O seu nome vem do Monte Parnaso, a montanha que, na mitologia grega era consagrada a Apolo e às musas, uma vez que os seus autores procuravam recuperar os valores estéticos da antiguidade clássica. Caracteriza-se pela sacralidade da forma, pelo respeito às regras de versificação, pelo preciosismo rítmico e vocabular, pelas rimas raras e pela preferência por estruturas fixas, como os sonetos. O emprego da linguagem figurada é reduzido, com a valorização do exotismo e da mitologia. Os temas preferidos são os fatos históricos, objetos e paisagens. A descrição visual é o forte da poesia parnasiana, assim como para os românticos são a sonoridade das palavras e dos versos. Os autores parnasianos faziam uma "arte pela arte", pois acreditavam que a arte devia existir por si só, e não por subterfúgios, como o amor, por exemplo. O primeiro grupo de parnasianos de língua francesa reúne poetas de diversas tendências, mas com um denominador comum: a rejeição ao lirismo como credo.


Características da linguagem parnasiana
· busca da perfeição formal;

· vocabulário culto;

· gosto pelo soneto;

· rimas raras, chaves de ouro;

· gosto pelas descrições;

· objetivismo;

· racionalismo, contenção das emoções;

· universalismo;

· apego à tradição clássica;

· Presença da mitologia;

· “arte pela arte”.
Principais autores:


  • Olavo Bilac

  • Alberto de Oliveira

  • Raimundo Correia

Alguns poemas:


Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto relevo
Faz de uma flor.

Imito-o. E, pois, nem de Carrara


A pedra firo:
O alvo cristal, a pedra rara,
O ônix prefiro.

Por isso, corre, por servir-me,


Sobre o papel
A pena, como em prata firme
Corre o cinzel.

Corre; desenha, enfeita a imagem,


A idéia veste:
Cinge-lhe ao corpo a ampla roupagem
Azul-celeste.

Torce, aprimora, alteia, lima


A frase; e, enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.

Quero que a estrofe cristalina,


Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito.

(Olavo Bilac)
Esta de áureos relevos, trabalhada

De divas mãos, brilhante copa, um dia,

Já de aos deuses servir como cansada,

Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.


Era o poeta de Teos que o suspendia

Então, e, ora repleta ora esvasada,

A taça amiga aos dedos seus tinia,

Toda de roxas pétalas colmada.


Depois... Mas, o lavor da taça admira,

Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas

Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,
Ignota voz, qual se da antiga lira

Fosse a encantada música das cordas,

Qual se essa voz de Anacreonte fosse.
(Alberto de Oliveira)

SIMBOLISMO:
No final do século XIX, em reação ao espírito materialista e objetivo do Realismo, Naturalismo e Parnasianismo, surge o movimento simbolista. Sua origem é francesa e a data de seu início no Brasil é

1893, quando Cruz e Sousa publica seus livros Missal

(poemas em prosa) e Broquéis (poesias). Embora ainda continue com o preciosismo vocabular parnasiano, o poeta simbolista caminha numa outra direção, pois não pretende descrever minuciosamente a realidade através de uma atitude impessoal, mas, ao contrário, consciente do mistério do Universo, procura antes sugeri-la, por meio de uma linguagem evocadora, plena de elementos sensoriais (cores, sons, perfumes, etc.). Os temas são: os mistérios do mundo, o fascínio da morte e do desconhecido, os contrastes entre o real e o irreal, o dualismo humano (espírito e matéria), envolvendo a poesia numa aura de espiritualismo em oposição ao materialismo da época. Essa preocupação provoca uma mudança na linguagem poética, que busca então novos ritmos, mais próximos às sugestões musicais, ao contrário dos parnasianos que relacionavam a poesia à escultura.
Principais características:

· linguagem vaga, fluida, que prefere sugerir

a nomear;

· presença abundante de metáforas, comparações, aliterações, assonâncias, paranomásias, sinestesias;

· subjetivismo;

· antimaterialismo,

· misticismo, dor de existir;

· desejo de transcendência, de integração cósmica;

· interesse pelo noturno, pelo istério e pela morte;

· interesse pela exploração das zonas desconhecidas da mente humana (o inconsciente e o subconsciente) e pela loucura


Principais autores:


  • Cruz e Souza

  • Alphonsus Guimaraes.

Alguns poemas:


ANTÍFONA

 

Ó Formas alvas, brancas, Formas claras


De luares, de neves, de neblinas!
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras
Formas do Amor, constelarmante puras,
De Virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de lírios e de rosas ...

Indefiníveis músicas supremas,


Harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...
(Cruz e Sousa)
SETE DAMAS

Sete Damas por mim passaram.


E todas sete me beijaram.

E quer eu queira quer não queira.


Elas vêm cada sexta-feira.

Sei que plantaram sete ciprestes.


Nas remotas solidões agrestes.

Deixaram-me como um mendigo…


Se elas vão acabar comigo!

Todas, rezando os Ste Salmos.


No chão cavaram sete palmos.

(Alphonsus Guimaraes)


PRÉ-MODERNISMO:
O avanço científico e tecnológico no início do século XX traz novas perspectivas à humanidade. As invenções contribuem para um clima de conforto e praticidade. Afinal, o telefone, a lâmpada elétrica, o automóvel e o telégrafo começam a influenciar, definitivamente, a vida das pessoas.
Além dessas, a arte mostrou um inovado meio de comunicação, diversão e entretenimento: o cinema.
É em meio a tanto progresso que a 1ª Guerra Mundial eclode. Em meio a tantos acontecimentos, havia muito que se dizer, e por isso, a literatura é vasta nos primeiros anos do século XX. Logo, os estilos literários vão desde os poetas parnasianos e simbolistas (que ainda produziam) até os que se concentravam na política e nas peculiaridades de sua região.
Chamamos de Pré-Modernismo a essa fase de transição literária entre as escolas anteriores e a ruptura dos novos escritores com as mesmas.
Enquanto a Europa preparava-se para a guerra, o Brasil vivia a chamada política do “café-com-leite”, onde os grandes latifundiários do café dominavam a economia.
Ao passo que esta classe dominante e consumista seguia a moda europeia, as agitações sociais aconteciam, principalmente no Nordeste.
Na Bahia, ocorre a famosa “Revolta de Canudos”, que inspirava a obra “Os Sertões” do escritor Euclides da Cunha. Em 1910, a rebelião “Revolta da chibata” era liderada por João Cândido, o “Almirante Negro”, contra os maltratos vividos na Marinha.
Aos poucos, a República “café-com-leite” ficava em crise e em 1920 começam os burburinhos da Semana de Arte Moderna, que marcaria o início do Modernismo no Brasil.
Os principais escritores pré-modernistas são: Euclides da Cunha, Lima Barreto, Monteiro Lobato, Graça Aranha e Augusto dos Anjos.
Os marcos literários são, especialmente, o já citado “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, e Canaã, de Graça Aranha.
O Pré-Modernismo não chega a ser considerado uma “escola literária”, pois não há um grupo de escritores que seguem a mesma linha temática ou os mesmos traços literários.
MODERNISMO NO BRASIL:
A ARTE MODERNA
Na Europa não houve uma arte moderna uniforme. Houve, sim, um conjunto de tendências artísticas, muitas vezes provenientes de países diferentes, com propostas específicas, embora as aproximassem certos traços mais ou menos comuns, como o sentimento de liberdade criadora, o desejo de romper com o passado, a expressão da subjetividade e certo irracionalismo. As tendências, que surgiram na Europa antes, durante e depois da Primeira Guerra mundial, receberam o nome de correntes de vanguarda. São elas: Cubismo, Futurismo, Expressionismo, Dadaísmo e Surrealismo.

Pela diversidade e amplitude dos aspectos que compõem a arte e a literatura modernas, é muito difícil caracterizá-la com a mesma objetividade adotada para caracterizar os

movimentos anteriores. No Brasil, a todas essas tendências chamou-se Modernismo. Somente a partir da Semana de Arte Moderna, em 1922, é que o movimento de renovação, em nosso país, tomou rumos mais definidos, com propostas consistentes e conseqüentes.
Principais características da linguajem modernista
1) Quanto à forma:

· versos livres;

· liberdade na escolha de palavras;

· síntese na linguagem;

· fragmentação, flashes cinematográficos

· busca de uma língua brasileira;

· pontuação relativa.
2) Quanto ao conteúdo:

· nacionalismo;

· revisão do nosso passado histórico-cultural

· ironia, humor, piada;

· valorização de temas ligados ao cotidiano;

· urbanismo.


Semana de Arte Moderna

Não se conhece ao certo de quem partiu a idéia de se

realizar uma mostra de artes modernas em São Paulo.

Contudo, sabe-se que, já em 1920, Oswald de Andrade

prometera para 1922 – ano do centenário da Independência – uma ação dos artistas novos “que fizesse valer o Centenário!”. Talvez a realização de uma semana de Arte Moderna fosse a oportunidade esperada por ele.

A Semana de Arte Moderna ocorreu entre 13 e 18 de

fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, com a participação de artistas do Rio e de São Paulo.

Durante toda a semana o saguão do teatro esteve aberto ao público. Nele se encontrava uma exposição de artes

plásticas. Na noite dos dias 13, 15 e 17 realizaram-se saraus com apresentação de conferências, leituras de poemas, dança e música.
A primeira fase do Modernismo
O movimento modernista no Brasil contou com duas fase: a primeira entre 1922 e 1930, a segunda entre 1930 e 1945. a primeira fase caracterizou-se pelas tentativas de

solidificação do movimento renovador e pela divulgação de obras e idéias modernistas. De modo geral, os escritores de maior destaque dessa fase defendiam estas propostas: reconstruir a cultura brasileira sobre bases nacionais; promover uma revisão crítica de nosso passado histórico e de nossas tradições culturais; eliminar de vez o nosso complexo de colonizados, apegados a valores estrangeiros.


A segunda fase do Modernismo
A prosa de 1930 é chamada de Neo-Realismo pela retomada de alguns aspectos do Realismo- Naturalismo, contudo, com características particulares preservadas.

A literatura estava voltada para a realidade brasileira como forma de manifestar as recentes crises sociais e inquietações da implantação do Estado Novo do governo Vargas e da Primeira Guerra Mundial.


As romancistas observam com olhos críticos a realidade brasileira, as relações entre o homem e a sociedade. Pelo fato dos romancistas deste período adotar como componente o lado emocional das personagens, faz com que esta fase se diferencie do Naturalismo, onde este item foi descartado.

A produção literária desta fase pode ser dividida em três tipos de prosa:


Regionalista: tendência originada no Romantismo e adotada pelos naturalistas e pré-modernistas, na qual o tema é o regionalismo do nordeste, a miséria, a seca, o descaso dos políticos com esse estado. Esta propensão tem início com o romance A bagaceira, de José Américo de Almeida, em 1928.
Os principais autores regionalistas são: José Lins do Rego, Jorge Amado, Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos.

• Urbana: tendência na qual a temática é a vida das grandes cidades, o homem da cidade e os problemas sociais, o homem e a sociedade, o homem e o meio em que vive. O principal autor é Érico Veríssimo no início de sua carreira.

• Intimista: tendência influenciada pela teoria psicanalítica de Freud e de outras correntes da psicologia e tem como tema o mundo interior. É também chamada de prosa “de sondagem psicológica”. Os principais autores são: Lúcio Cardoso, Clarice Lispector, Cornélio Pena, Otávio de Faria e Dionélio Machado.



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