Antes e Depois do 25 de Abril de 1974



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Antes e Depois do 25 de Abril de 1974




Antes da revolução de 25 de Abril de 1974 e, durante um período de sensivelmente quarenta e oito anos, Portugal viveu mergulhado num regime ditatorial que se auto-denominava de “Estado Novo”, chefiado por António Oliveira Salazar. Salazar dirigiu os destinos de Portugal como Presidente do Conselho de Ministros, através do partido único designado "União Nacional" entre 1933 e 1968, sendo a esta altura, obrigado a afastar-se do poder derivado a problemas de saúde (resultantes de uma queda) que o impediram de continuar a comandar o país. Foi então substituído por Marcelo Caetano que, inicialmente, tentando refazer algumas reformas, acabou por manter os mesmos contornos governamentais Salazaristas.
António Oliveira Salazar


Este regime deixou marcas profundas na população portuguesa, uma vez que durante este período a povo português foi extremamente oprimido, perseguido e castigado consoante os seus actos, as suas acções ou mesmo só por desconfiança. Não se podia manifestar vontade própria, não havia liberdade de expressão nem sequer reunir com família ou amigos era permitido, correndo o risco de serem considerados conspiradores e sofrerem as consequências daí resultantes aplicadas pela PIDE. (Muitos foram aqueles que foram perseguidos, torturados, presos, exilados, ou até mesmo mortos).

Só o partido do poder (União Nacional e depois Acção Nacional Popular) tinha existência legal. O recenseamento eleitoral não era obrigatório e dele eram excluídos quem não oferecesse “garantias” de apoio ou estivesse domesticado ao regime.

A informação e as formas de expressão cultural eram controladas, fazia-se uma censura prévia que abrangia a imprensa, o cinema, o teatro, as artes plásticas, a música e a escrita.

A Constituição não garantia o direito dos cidadãos à educação, à saúde, ao trabalho, à habitação. Não existia o direito de reunião e de livre associação. As manifestações eram proibidas.

Portugal encontrava-se isolado do resto do Mundo. Muitos estudantes e opositores viam-se forçados a abandonar o país para escapar à guerra, à prisão e à tortura. Outros ainda emigravam derivado ao profundo estado de pobreza em que viviam, com a esperança de conseguir uma vida melhor. Também a educação não era acessível a todos, sendo um privilégio só de alguns, uma vez que era mais conveniente ao governo manter a maioria da população na ignorância.
Procedimento da PIDE

Também as mulheres eram bastante marginalizadas, não eram detentoras de direitos, não usufruíam do direito de voto, nem sequer lhes era permitido trabalhar fora de casa, também o acesso ao ensino lhes era vedado. Eram educadas para serem mães, donas de casa…basicamente para serem “servas dos maridos”, eram vistas como seres inferiores.

A guerra colonial também foi uma das "regalias" de Salazar: todos os homens a partir de uma certa idade (por volta dos 20 anos) teriam de ir para a guerra, para manter a paz e

evitar perder as até então colónias portuguesas. Adiando assim (na melhor das hipóteses), toda a sua vida civil, os seus sonhos, os seus objectivos, em função de uma guerra absurda que eles próprios não compreendiam.



O processo da revolução teve início nos finais dos anos sessenta (com as conturbações provocadas pela guerra colonial, pelo movimento estudantil, pelas questões agrárias, problemas com a censura, a repressão, a condição das mulheres na sociedade), vindo a ganhar mais adeptos, maior consistência e dinamismo, alcançou o seu momento de eclosão na revolução dos Cravos (dos Capitães de Abril), Caminhou, a seguir, num processo de repercussão e desdobramentos.

O que começou por ser um golpe militar iniciado pelo (MFA) “Movimento das Forças Armadas”, dirigido por Homens como: Otelo Saraiva de Carvalho, Salgueiro Maia, Melo Antunes, entre outros. E, que aboliu com o “Estado Novo” em Portugal no dia 25 de Abril de 1974. Derivada à sua entusiástica aceitação, depressa se transformou numa revolução popular dando origem a uma imensa onda de esperança e alegria que contagiou Portugal de norte a sul.

Foi graças a esta revolução, que ficou conhecida como a revolução dos cravos (por nesse dia serem distribuídos cravos vermelhos e os soldados os colocarem nos canos das suas armas) que os cidadãos portugueses que até então, viviam sufocados com um regime fechado e opressivo, conseguiram novamente respirar o “ar da liberdade”. É logo a partir deste momento que se começam a sentir as mudanças que a revolução do 25 de Abril trouxe para o nosso país.


Negociações para a entrega de poderes do Governo de Marcelo Caetano aos dirigentes do Movimento do 25 de Abril. 25/04/74

Entre as medidas imediatas contam-se: a extinção da polícia política (PIDE/DGS) e da Censura. Os sindicatos livres e os partidos foram legalizados. A liberdade foi restituída de imediato aos presos políticos. Os líderes políticos da oposição no exílio voltaram ao país nos dias seguintes.

No dia 26, forma-se a “Junta de Salvação Nacional”, constituída por militares, e que procederá a um governo de transição. O principal do programa do MFA é, resumido no programa dos três D: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver.

A democratização de Portugal e a independência das ex-colónias foram bem recebidas pelas organizações internacionais e abriram-nos as portas para integrarmos a União Europeia.

Todos os portugueses sem excepção (maiores de 18 anos) têm direito ao voto.

Passámos a ser um país com livre acesso à informação. Jornais, rádio e televisão dizem o que pensam e cada um tem o direito de ter opinião e de manifesta-la.

A rede viária cresceu e diminuiu o isolamento do interior. A qualidade de vida melhorou em todos os aspectos, da saúde à educação. Generalização de infra-estruturas com a rede eléctrica, o sistema de água canalizada e o saneamento básico.

O sistema de ensino expandiu-se com a escolaridade obrigatória até ao 9º ano e depois até ao 12º.



Ao nível dos comportamentos a mudança foi radical, de uma sociedade fechada e conservadora com forte influência da igreja, os portugueses passaram a respeitar a mulher. Passaram a debater-se assuntos como: a união de facto, a homossexualidade e o aborto.




Pintura a favor da Liberdade

Mas um dos aspectos mais importantes para a população em geral foi sem dúvida a Constituição – a nossa Lei Fundamental. É ela o suporte de todo o funcionamento democrático. Um funcionamento democrático que, na actualidade começa a ser mais na forma do que no conteúdo, mas, e ainda assim, há que defender com muito arreganho a nossa Constituição.






Registos da Web:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_dos_Cravos#Consequ.C3.AAncias

http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_dos_Cravos

http://porsantiago.weblog.com.pt/arquivo/101392.html

http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=Galeria&pn=9&album=OperacoesMilitares

http://lisboa.blogs.sapo.pt/46846.html



http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=histpar

Maria João Bastos CP1 – DR3


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