Antes de começar!



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Processo preparatório para o batismo de adultos.

Igreja Cristo Rei – São Vicente

Ministério de Catequese Familiar

2011

Antes de começar!

Material de Apoio indispensável aos encontros:

Bíblia Católica Edição Pastoral

Livro: Sou Católico – Vivo minha Fé

Caderno pequeno para anotações, lápis borracha e caneta.

Introdução

Os encontros a seguir visam de forma segura e comprometida preparar adultos, para receber o sacramento do Batismo. Mais todo este processo catecumenal só terá a devida eficiência se o indivíduo que se prepara estiver disposto a aceitar esta nova vida em Cristo. O batismo requer conversão, mudança de vida e atitude, pois durante este processo, a cada encontro o candidato ao batismo é introduzido na fé e pouco a pouco vai moldando sua vida a de Cristo.

Para que o processo seja completo é indispensável que o candidato, esteja consciente que a vida em comunidade, é o principal alicerce para que o sacramento do batismo traga as graças nele contida. Durante este processo os pais e padrinhos tem um papel importantíssimo tanto na oração, como também no exemplo e testemunho de vida Cristã.

Durante todo o processo, todos devem colaborar para que o novo membro da comunidade tenha a devida formação e perfeita orientação a respeito da vida cristã, principalmente através do testemunho em vida dentro e fora da comunidade.

Que o Espírito Santo conduza a você a um encontro pessoal com Cristo, e que a Sempre Virgem Maria seja sua intercessora.

Paz e Bem,

Catequista Milton Jr

O Sacramento do BATISMO

O sacramento do batismo é a porta de entrada para o reino de Deus e para toda a vida crista do indivíduo. A Igreja chama de catecúmeno a pessoa que fazendo uso da razão busca os sacramentos de iniciação cristã (Batismo, Crisma e Eucaristia) consciente do que está fazendo.



Cân. 865 § 1. Para que o adulto possa ser batizado, requer-se que tenha manifestado a vontade de receber o batismo, que esteja suficientemente instruído sobre as verdades da fé e as obrigações cristãs e que tenha sido provado, por meio de catecumenato, na vida cristã; seja também admoestado para que se arrependa de seus pecado.
O processo catecumenal é dividido em 5 grandes partes; são elas:

A – A evangelização e o pré-catecumenato

B – O Catecumenato

C – O tempo da purificação e Iluminação

D – A iniciação nos Sacramentos

E – O tempo da Mistagogia

Este processo catequético não deve de forma alguma ser feito as presas, e sem o devido acompanhamento do catecúmenos por seus introdutores, padrinhos, catequistas e comunidade.

O tempo de duração do processo catecumenal, deve ser o suficiente para que o indivíduo tenha consciência das suas responsabilidades quando for membro do corpo de Cristo.

Quanto aos padrinhos (segundo Código do Direito Canônico)
Cân. 872 Ao batizando, enquanto possível, seja dado um padrinho, a quem cabe acompanhar o batizando adulto na iniciação cristã e, junto com os pais, apresentar ao batismo o batizando criança. Cabe também a ele ajudar que o batizado leve uma vida de acordo com o batismo e cumpra com fidelidade as obrigações inerentes.

Cân. 873 Admite-se apenas um padrinho ou uma só madrinha, ou também um padrinho e uma madrinha.

Cân. 874 § 1. Para que alguém seja admitido para assumir o encargo de padrinho, é necessário que:

1° - seja designado pelo batizando, por seus pais ou por quem lhes faz as vezes, ou, na falta deles, pelo próprio pároco ou ministro, e tenha aptidão e intenção de cumprir esse encargo;

2° - Tenha completado dezesseis anos de idade, a não ser que outra idade tenha sido determinada pelo Bispo diocesano, ou pareça ao pároco ou ministro que se deva admitir uma exceção por justa causa;

3° - seja católico, confirmado, já tenha recebido o santíssimo sacramento da Eucaristia e leve uma vida de acordo com a fé e o encargo que vai assumir;

4° - não tenha sido atingido por nenhuma pena canônica legitimamente irrogada ou declarada;

5° - não seja pai ou mãe do batizando.
Para começarmos a falar sobre o Batismo seria interessante que primeiro soubéssemos o que o Catecismo da Igreja Católica nos fala a respeito deste sacramento
UMA CRIATURA NOVA

1265 O Batismo não somente purifica de todos os pecados, mas também faz do neófito “uma criatura nova”, um filho adotivo de Deus que se tornou “participante da natureza divina”, membro de Cristo e coerdeiro com ele, templo do Espírito Santo.

1266 A Santíssima Trindade dá ao batizado a graça santificante, a graça da justificação, a qual

A – torna-o capaz de crer em Deus, de esperar nele e de amá-lo por meio das virtudes teologais;

B – concede-lhe o poder de viver e agir sob a moção do Espírito Santo por seus dons;

C – permite-lhe crescer no bem pelas virtudes morais.



Assim, todo o organismo da vida sobrenatural do cristão tem sua raiz no santo Batismo.
INCORPORADOS À IGREJA, CORPO DE CRISTO

1267 O Batismo faz-nos membros do Corpo de Cristo. “Somos membros uns dos outros” (Ef 4,25). O Batismo incorpora à Igreja. Das fontes batismais nasce o único povo de Deus da nova aliança, que supera todos os limites naturais ou humanos das nações, das culturas, das raças e dos sexos: “Fomos todos batizados num só Espírito para sermos um só corpo” (1Cor 12,13).

1268 Os batizados tornaram-se “pedras vivas” para a “construção de um edifício espiritual, para um sacerdócio santo” (1 Pd 2,5). Pelo Batismo, participam do sacerdócio de Cristo, de sua missão profética e régia; “sois a raça eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo de sua particular propriedade, a fim de que proclameis as excelências daquele que vos chamou das trevas para sua luz maravilhosa” (1Pd 2,9). O Batismo faz participar do sacerdócio comum dos fiéis.

1269 Feito membro da Igreja, o batizado não pertence mais a si mesmo, mas àquele que morreu e ressuscitou por nós. Logo, é chamado a submeter-se aos outros, a servi-los na comunhão da Igreja, a ser “obediente e dócil” aos chefes da Igreja e a considerá-los com respeito e afeição. Assim como o Batismo é a fonte de responsabilidades e de deveres, o batizado também goza de direitos dentro da Igreja: de receber os sacramentos, de ser alimentado com a Palavra de Deus e de ser sustentado pelos outros auxílios espirituais da Igreja.

1270 “Tornados filhos de Deus pela regeneração batismal, (os batizados) são obrigados a professar diante dos homens a fé que pela Igreja receberam de Deus” e a participar da atividade apostólica e missionária do povo de Deus.
O VÍNCULO SACRAMENTAL DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

1271 O Batismo constitui o fundamento da comunhão entre todos os cristãos, também com os que ainda não estão em comunhão plena com a Igreja católica: “Com efeito, aqueles que creem em Cristo e foram validamente batizados acham-se em certa comunhão, embora não perfeita, com a Igreja católica. (...) Justificados pela fé no Batismo, são incorporados a Cristo e, por isso, com razão, são honrados com o nome de cristãos e merecidamente reconhecidos pelos filhos da Igreja católica como irmãos no Senhor”. “O Batismo, pois, constitui o vínculo sacramental da unidade que liga todos os que foram regenerados por ele.”

UM SINAL ESPIRITUAL INDELÉVEL...

1272 Incorporado em Cristo pelo Batismo, o batizado é configurado a Cristo. O Batismo sela o cristão com um sinal espiritual indelével (“character”) de sua pertença a Cristo. Pecado algum apaga esta marca, se bem que possa impedir o Batismo de produzir frutos de salvação. Dado uma vez por todas, o Batismo não pode ser reiterado.

1273 Incorporados à Igreja pelo Batismo, os fiéis receberam o caráter sacramental que os consagra para o culto religioso cristão. O selo batismal capacita e compromete os cristãos a servirem a Deus em uma participação viva na sagrada liturgia da Igreja e a exercerem seu sacerdócio batismal pelo testemunho de uma vida santa e de uma caridade eficaz.

1274 O “selo do Senhor” (“Dominicus character”) é o selo com o qual o Espírito Santo nos marcou “para o dia da redenção” (Ef 4,30). “O Batismo, com efeito, é o selo da vida eterna.” O fiel que tiver “guardado o selo” até o fim, isto é, que tiver permanecido fiel às exigências de seu Batismo, poderá caminhar “marcado pelo sinal da fé”, com a fé de seu Batismo, à espera da visão feliz de Deus - consumação da fé - e na esperança da ressurreição.

RESUMINDO

1275 A iniciação cristã realiza-se pelo conjunto de três sacramentos: o Batismo, que é o início da vida nova; a Confirmação, que é sua consolidação e a Eucaristia, que alimenta o discípulo com o Corpo e o Sangue de Cristo em vista de sua transformação nele.

1276 “Ide, portanto, e fazei que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28,19-20).

1277 O Batismo constitui o nascimento para a vida nova em Cristo. Segundo a vontade do Senhor, ele é necessário para a salvação, como a própria Igreja, na qual o Batismo introduz.

1278 O rito essencial do Batismo consiste em mergulhar na água o candidato ou em derramar água sobre sua cabeça, pronunciando a invocação da Santíssima Trindade, isto é, do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

1279 O fruto do Batismo ou graça batismal é uma realidade rica que comporta: a remissão do pecado original e de todos os pecados pessoais; o nascimento para a vida nova, pelo qual o homem se torna filho adotivo do Pai, membro de Cristo, templo do Espírito Santo Com isto mesmo, o batizado é incorporado à Igreja, corpo de Cristo, e se torna participante do sacerdócio de Cristo.

1280 O Batismo imprime na alma um sinal espiritual indelével, o caráter, que consagra o batizado ao culto da religião cristã. Em razão do caráter, o Batismo não pode ser reiterado.
Contudo, para trilhar bem este caminho que dá sentido à nossa vida é indispensável o uso da Bíblia Sagrada, para assim entendermos um pouco sobre a pessoa de Cristo, e sua missão salvífica.

Antes de começarmos a falar sobre Cristo é oportuno que tenhamos um conhecimento mínimo a respeito das sagradas escrituras:

A BÍBLIA

1 - Um Livro escrito em mutirão

Hoje qualquer pessoa tem acesso ao Livro mais famoso do mundo: a Bíblia Sagrada. Ela já foi traduzida para todas as línguas (aproximadamente em 1685 idiomas).

A Bíblia foi escrita por partes e em diversas etapas. Começou a ser escrita, mais ou menos, pelo ano 1250 antes de Cristo - no tempo de Moisés - quando o faraó Ramsés II governava o Egito. A última parte da Bíblia foi escrita no final da vida do evangelista e apóstolo São João, por volta do ano 100 depois de Cristo. Portanto, foram necessários 1350 anos para a Bíblia ser escrita.

O Museu Britânico e a Biblioteca do Vaticano guardam as cópias mais antigas da Bíblia.


2 - No que foi escrita a Bíblia?

No tempo que foi escrita a Bíblia não existia papel como hoje, muito menos as máquinas impressoras. A Bíblia foi escrita à mão, e em diversos materiais, como cerâmica, papiro e pergaminho.



CERÂMICA: conhecida como a arte mais antiga da humanidade. O barro servia para fazer desde vasos, até chapas, nas quais se escrevia. Muitos textos bíblicos foram escritos nesses " tijolos".

PAPIRO: planta originária do Egito. Nascia e crescia espontaneamente às margens do Rio Nilo, chegando até a altura de 4 metros. Do Egito o papiro passou para a Síria, Sicília e Palestina (onde foi escrita a Bíblia). Do papiro era feita uma espécie de folha de papel para nela se escrever. Seu caniço era aberto em tiras e prensado ainda úmido. O papiro era ainda usado na fabricação de barcos e cestos. Dizem que 3.000 a.C os egípcios já escreviam no papiro. Tais folhas eram escritas só de um lado e depois guardadas em rolos. Daí que veio a palavra BÍBLIA. A folha tirada do caule do papiro chamava-se BIBLOS.

BIBLOS  Livro (plural de Biblos = BÍBLIA)

BÍBLIA  os livros ou coleção de livros.

PERGAMINHO: feito de couro curtido de carneiro. Começou a ser usado como "papel" na cidade de Pérgamo, pelo rei Éumens II 200 a.C. Pérgamo era uma importante cidade da Ásia Menor. Os egípcios, com inveja da grande importância da biblioteca de Pérgamo, não quiseram mais vender papiro para os moradores daquela cidade. Por isso, o rei de Pérgamo se viu obrigado a usar outro material para a escrita, que foi a pele de ovelha. O pergaminho se espalhou rapidamente para outras regiões.

Os pergaminhos, assim como as folhas de papiro, não eram "encadernados" num livro como fazemos hoje. Os antigos ligavam umas folhas às outras e faziam "rolos".


3 - Como a Bíblia está dividida e em que língua foi escrita?

A Bíblia divide-se em duas (2) grandes partes: Antigo Testamento (AT) e Novo Testamento (NT).



ANTIGO TESTAMENTO: é formado por 46 livros escritos antes de Cristo. Todo o Antigo Testamento foi escrito em hebraico ou aramaico, menos o Livro da Sabedoria, I e II Macabeus e trechos dos Livros de Daniel e de Ester, que foram escritos em grego.

NOVO TESTAMENTO: formado por 27 livros que contam a vida de Jesus e a formação da Igreja. O Novo Testamento foi escrito em grego, menos o Evangelho de São Mateus que foi escrito em aramaico.

Portanto a Bíblia é formada por 73 livros. Sendo 46 Livros no AT + 27 Livros no NT

Bíblia = Livros

O hebraico era uma língua do Povo Hebreu ou Povo de Deus. Era especialmente religiosa;

O aramaico era uma língua usada no meio diplomático.

No tempo de Jesus já não se usava mais o hebraico e sim o aramaico.

Na Bíblia a palavra TESTAMENTO tem o sentido de ALIANÇA ANTIGA ALIANÇA e NOVA ALIANÇA.

Toda a Bíblia gira em torno da Aliança que Deus fez com seu povo.



ALIANÇA - é um contrato muito especial. Um pacto de amor entre as pessoas. Um compromisso de fidelidade entre Deus e os homens.

No Antigo Testamento essa Aliança foi selada com um sinal visível.

Ex: Decálogo  Dez Mandamentos.

A Aliança foi gravada na pedra e selada com o sangue dos animais.

No Novo Testamento a Nova Aliança é gravada no Espírito e selada com o Sangue de Jesus. A Nova Aliança ao contrário da Antiga Aliança que era feita somente com o Povo de Israel, é uma Aliança Universal, aberta a todos os homens que aceitam a proposta da Salvação trazida por Jesus.

A Antiga Aliança é a promessa; a Nova é a sua realização. Cristo é a plena realização da Antiga e Nova Alianças. Ele é o "Alfa" e o "Ômega" (Alfa e Ômega são a primeira e a última letra do alfabeto grego). Significa que Jesus é o começo e fim de todas as coisas.



4 - "Muitos Livros" num só Livro

A Bíblia é um livro de volume único, que reúne muitos assuntos diferentes. A cada um desses assuntos dá-se o nome de Livros. Exemplo: há um trecho da Bíblia que fala da saída do povo de Deus do Egito - Livro do Êxodo (a palavra Êxodo significa saída).



De onde é tirado o nome ou o título do livro: O nome é tirado de diversos lugares e de vários modos:

 Assunto contido no Livro. Ex: Livro da Sabedoria;

 Nome do autor do Livro. Ex: I Carta de São Pedro;

 Nome da comunidade para a qual o Livro foi escrito. Ex: Carta aos Romanos;

 Nome do personagem central em torno do Livro. Ex: Livro de Josué.
5 - Bíblia, o Livro inspirado por Deus.

O principal Autor da Bíblia é DEUS. Os escritores sagrados (homens) registraram suas experiências de fé e de vida, inspirados por Deus. Antes desses Livros serem registrados - TRADIÇÃO ESCRITA - tais experiências eram passadas oralmente de geração em geração - TRADIÇÃO ORAL.

"Toda a Escritura é inspirada por Deus
e útil para ensinar e para convencer, para corrigir
e para educar na justiça, a fim de que o homem
de Deus seja perfeito e preparado para as boas obras."

(2 Tm 3, 16-17)".



HAGIÓGRAFO: é aquele que escreve a Palavra de Deus. Ele é inspirado pelo Espírito Santo.

Quando falamos em Livros Inspirados, entendemos aqueles Livros que formam a Bíblia Sagrada. São os 73 Livros, reconhecidos oficialmente pela Igreja como tais. São chamados Livros Canônicos. Essa inspiração para escrever Livros da Bíblia já foi encerrada no tempo dos Apóstolos. Agora não se acrescenta mais nenhum Livro.



LIVROS APÓCRIFOS: São os Livros não inspirados. Também não quer dizer que sejam falsos. São até piedosos e edificantes. Seus escritos estão misturados com lendas e muita imaginação. Não fazem parte dos Livros Canônicos.
6 - Modo de falar dos hebreus

Precisamos ter bem claro que os escritores da Bíblia eram pessoas simples, diferentes dos gregos e latinos, que eram desenvolvidos na filosofia e usavam uma linguagem racional. O povo de Deus usava uma linguagem bem concreta, personificando seu pensamento.

Ex: "humanidade" = carne (Gn. 6, 12); Para dizer que a mulher tinha a mesma natureza humana do homem, Adão se expressou com esta linguagem: (Gn 2,23) - "Eis agora aqui, o osso de meus ossos e a carne da minha carne".

Quem não leva em conta essas coisas próprias da língua do povo que escreveu a Bíblia, não vai entender a Palavra de Deus.


7 - A palavra "irmão" e os hebraísmos

Os orientais gostavam muito de usar provérbios. Recorriam as hipérboles (expressões exageradas).

Ex: "É mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha, do que um rico entrar no reino dos céus".( Mt. 19, 24).

Outra coisa que precisamos entender são os "HEBRAÍSMOS", ou seja, certas expressões próprias da língua hebraica que não tem tradução em outras línguas. Ex: alguém ama uma pessoa mais que a outra - ama uma pessoa e odeia a outra (Lc. 14, 26).

Precisamos notar também a palavra "IRMÃO". No hebraico não existem as palavras "primos, tio, tia, sobrinhos, etc." Qualquer parentesco usa-se a palavra Irmão.

Ex: Mt. 13, 55-56; Mt. 12, 48; Gn. 11, 27-28; Gn. 13, 8


8 - Formas literárias da Bíblia

Para entendermos qualquer Livro da Bíblia, precisamos saber a que gênero literário pertence, ou seja, a forma de literatura usada para escrever. Forma literária é o conjunto de regras e expressões usadas para escrever tal tipo de Livro. Os gêneros literários que se encontram na Bíblia são os seguintes:



Tratados Religiosos: Com aparência de narração histórica, apresentam verdades religiosas. Não podem ser entendidos como história propriamente dita. Ex. Gn. 1 a 11.

História Popular: é quando mistura um pouco de história verdadeira com elementos de fantasia. Trata-se de um modo de ensinar a religião.

Histórias Descritivas: Possui uma finalidade religiosa, mas os personagens e os fatos são todos verdadeiros, documentados pela história.

Gênero Didático: São Livros que trazem instruções religiosas ou morais. Fazem recomendações e dão orientações de vida.

Gênero Profético: Apresentam a Palavra de Deus através dos profetas, que advertem, repreendem e encorajam o Povo de Israel diante da realidade em que vive.

Gênero Apocalíptico: São visões proféticas sobre a sorte do Povo de Deus.

Gênero Poético: Apresenta a Palavra de Deus à maneira de poesia, usando, portanto, de maior liberdade e recurso literário.

Gênero Jurídico: é a Palavra de Deus apresentada sob a forma de Lei. É um modo de escrever bem diferente daquele usado na poesia.

Gênero Epistolar: "Epistola" é uma palavra latina que significa carta. O gênero epistolar traz a Palavra de Deus à maneira de Cartas dirigidas a certas comunidades ou pessoas.
9 - O significado dos números na Bíblia

Na mentalidade dos povos antigos, os números tinham um sentido simbólico. Muitas vezes significavam qualidade e não quantidade. Os orientais não sabiam falar sem recorrer ao simbolismo dos números e dos provérbios. Assim, por exemplo, para dizer que uma pessoa era virtuosa e abençoada por Deus, a Bíblia diz que tal pessoa viveu uma grande soma de anos.

Os números ímpares eram sempre mais perfeitos que os pares. Pelo fato de serem mais facilmente divisíveis, os números pares eram inferiores, pois davam a ideia de coisa fraca. Os números simbólicos mais frequentes na Bíblia são: UM, TRÊS, SETE, DEZ e DOZE. O Dez e o Doze não são ímpares, mas tinham uma razão especial para entrar na lista dos números simbólicos.

UM: era o número perfeito por excelência, por ser o primeiro ou origem dos outros números.

TRÊS: era número perfeito por ser o primeiro composto de ímpar, e por representar o triângulo, que era uma figura perfeita, com três faces iguais.

SETE: o mais significativo na linguagem bíblica. Começa por isto: Deus fez o mundo em sete dias (Gn. 1, 1-31; 2, 1-2). Indicava perfeição e totalidade.

Quando Pedro perguntou a Jesus se deveria perdoar o irmão até sete vezes, o Senhor respondeu-lhe: - "Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete" (Mt. 18,21-22). O perdão deve ser completo - infinitamente.

DEZ: entrou na lista dos números perfeitos, apesar de não ser ímpar, porque dez são os dedos das mãos. E essa era a maneira primitiva de se contar.

DOZE: era um número simbólico porque o ano divide-se em 12 meses. Indica plenitude e perfeição. As tribos de Israel eram doze (Gn 35, 22-26). Os Apóstolos eram doze (Mt 10,1-5). O número dos eleitos era 144 mil, sendo doze mil de cada uma das tribos de Israel (Ap.7,4-8).
10 - Nome de Deus na Bíblia

Quando Jesus nasceu, foi-lhe dado um nome. Antes disso, não se encontra na Bíblia nenhum lugar onde se dê um nome a Deus. Mesmo quando Moisés perguntou a Deus qual era o Seu Nome, Deus não lhe disse qual o Seu Nome. Mas usou de expressão em lugar do nome.

Para o Povo de Deus o nome não era apenas uma palavra externa com a qual chamamos alguém. O nome possuía um conteúdo interior. Deveria significar aquilo mesmo que a pessoa era no íntimo de seu ser. Daí a dificuldade de se chamar Deus por um nome. Quem poderia penetrar o íntimo divino?

Na Bíblia encontramos certas expressões que designavam a Pessoa Divina. Eis as mais conhecidas:

 Elôhim: é o plural de "El" O SENHOR.

 ADONAI: quer dizer MEU SENHOR ou MEU DEUS.

 ELYON: significa a parte mais alta de um lugar. É usada para dizer O DEUS ALTÍSSIMO.

 SADDAI: palavra que significa O TODO PODEROSO.

 JAVÉ: (Jaheweh) quer dizer: EU SOU AQUELE QUE SOU.

 Jeová: é uma tradução errada de "Yahweh".Os judeus tinham excesso de respeito com o nome de Deus. O segundo mandamento do Decálogo (10 mandamentos) não permitia que se pronunciasse o nome de Deus em vão. Então por medo de usar indevidamente um nome tão sagrado, os judeus passaram a escrever "Javé" somente com as quatro consoantes, sem as vogais. Então ficou YHWH. Mais tarde, colocaram as vogais da palavra Adonai e surgiu " Yehowah" ( Jeová ) em lugar de Yaheweh ( Javé ). Quer dizer DEUS.



11 - Como estão agrupados os Livros na Bíblia