ANÁlise das fontes primárias



Baixar 46,52 Kb.
Encontro22.12.2017
Tamanho46,52 Kb.
ANÁLISE DAS FONTES PRIMÁRIAS
O ano de 1808 é tido pela historiografia como um significativo marco cronológico que potencializa algumas das mais importantes transformações ocorridas nas colônias lusos americanas. O bloqueio continental decretado em 1806, que estabelecia o fechamento de todos os portos da Europa para os britânicos, e as invasões napoleônicas que colocaram o Império português intimamente entrelaçado com a política externa da Grã-Bretanha, doravante sua protetora, implicou na transferência da Corte e sua instalação no Rio de Janeiro, provocando profundas mudanças sentidas tanto pelos segmentos coloniais do Império quanto pela metrópole1, trazendo um reajuste na dinâmica entre ambas as partes. Deste modo, desdobramentos dessa conjuntura, tal qual a abertura dos portos do Brasil ao comércio com outras nações, permitiram ao país experiências extraordinárias em menos de duas décadas.

Tais mudanças implicaram no Novo Mundo, a presença maciça de diversos viajantes, fossem estes encarregados de negócios, a serviços formais de Estados estrangeiros, artistas ou motivados por qualquer outro pretexto que os impulsionasse a visitar o Brasil da época. A vinda da Corte, segundo Sérgio Buarque de Holanda, teria ajudado os naturais da terra a julgarem seus “dominadores” com melhor senso de realidade ao impor o convívio forçado com os estrangeiros2. Segundo o autor, “nunca nosso país parecera tão atraente aos geógrafos, aos naturalistas, aos economistas, ao simples viajante, como naqueles anos que imediatamente se seguem à instalação da Corte portuguesa no Rio e à abertura dos portos ao comércio internacional”, dotando tal cidade de considerável cosmopolitismo3.

Ao descrever os relatos viajantes oitocentistas, é importante atentar, de antemão, para as informações que norteiam essa pesquisa, ou seja, o discurso sobre o fenômeno religioso - que por sua vez, envolve diversos aspectos da sociedade como, questões culturais e religiosas, arquitetura, festas religiosas, devoções populares, procissões, dias santos, a Igreja, propriamente dita, e o Estado, assim como suas interações. Desta forma, os estudo das fontes não apontaram para o que, de fato, os viajantes buscavam tratar em suas vindas ao Brasil e, sim, para seus relatos no que diz respeito à religião.

Partindo deste contexto, a primeira fonte desse estudo é o livro de John Mawe, Viagens ao Interior do Brasil4, produzido no contexto joanino e publicado pela primeira vez em 1812. O mineralogista inglês viajou pelo Brasil entre 1809-1810. Nos capítulos: V - Descrição de São Paulo, VII - Descrição do Rio de Janeiro, XI - Origem e situação atual de Vila Rica, XVI - Particularidades dos Distritos de Minas Novas e de Paracatu e XVII - Ligeiras observações sobre as Capitanias da Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará e Goiás, trazem os principais relatos do viajante inglês no que diz respeito aos aspectos da religião, especialmente a arquitetura do espaço religioso.

Capítulo V: Descrição de São Paulo. Relata sobre a quantidade de lugares de devoção: dois conventos, três mosteiros e oito igrejas (muitas construídas de taipa). Sobre o clero e as ordens religiosas, classifica aproximadamente quinhentos indivíduos, dos quais são, em geral, bons membros da sociedade, livres do fanatismo e da de liberdade. Por fim, caracteriza os clamores da Igreja: “As procissões religiosas são suntuosas, grandes e solenes; produzem um efeito chocante, devido à profunda veneração e ao zelo entusiástico do povo. Nessas ocasiões especiais, acorrem todos os habitantes da cidade, e a multidão é, frequentemente, acrescida por numerosos lavradores vizinhos, de várias léguas ao redor. As senhoras, que consideram o dia como festa, em seus vestidos de gala, enchem as sacadas das casas, de onde se tem melhor visão do espetáculo; a noite termina, em geral, com chá e partidas de cartas ou danças” (MAWE, 1978, p. 72).

Capítulo VII: Descrição do Rio de Janeiro. Discorre sobre a arquitetura dos numerosos conventos e igrejas: “(...) são bem construídos e até bonitos; a catedral recentemente terminada, é de nobre estilo de arquitetura (...)” (MAWE, 1978, p. 81).

Capítulo XI: Origem e situação atual de Vila Rica. Em sua passagem pela Vila Rica, passou por Mariana e destacou: “ Tornou-se bispado em 1715 e a cidade recebeu o nome de Cidade de Mariana, em homenagem à rainha de Portugal, então reinante, e avó do Príncipe Regente. É uma cidade pequena, mas limpa e bem edificada, tendo de seis a sete mil habitantes. Possui um seminário. O bispo é um prelado de conduta exemplar, estimado por todos que o conhecem” (MAWE, 1978, p. 131).

Capítulo XIV: Particularidades dos Distritos de Minas Novas e de Paracatu. Em uma pequena passagem, relata certa conexão entre o clérigo e Estado em um caso de sentença: “E consultaram um eclesiástico, que os aconselhou a confiarem na clemência do Estado e os acompanhou à Vila Rica, onde obteve, para eles - os homens acusados de crimes capitais -, audiência do governador” (MAWE, 1978, p. 165).

Capítulo XVII: Ligeiras observações sobre as Capitanias da Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará e Goiás. E, por fim, sobre a Bahia, o viajante descreve, rapidamente, as igrejas como edifícios públicos mais dignos de nota - no interior, são ricamente decoradas. Então, nos diz sobre os usos e costumes do povo: “(...) pouco diferem dos habitantes da capital; mas consta que na melhor sociedade reina maior alegria e urbanidade, sendo as elites mais sociáveis do que as do Rio de Janeiro. O gosto pela música é generalizado, existindo poucas famílias que não possuam guitarra e as mais importantes, pianos fortes” (MAWE, 1978, p. 189).

A segunda fonte é o livro de Alcide D’Orbigny, Viagem Pitoresca Através do Brasil5, publicado pela primeira vez em 1836. O naturalista francês iniciou sua viagem em 1831, percorrendo diferentes localidades no norte, nordeste e sudeste do Brasil. Produzido no contexto do Primeiro Reinado e das Regências, traz, nos seguintes capítulos, relatos e descrições sobre todo o emaranhado religioso: I - Brasil Navegações no Rio Maranhão, II - Generalidades Geográficas da Região do Amazonas, III - Do Pará ao Maranhão, IV - Província do Maranhão, VI - Da Bahia à Região das Minas, VIII - Minas Gerais, IX - Rio de Janeiro, X - São Paulo e, por último, XI - Generalidades Históricas e Geográficas do Brasil.

Capítulo I: Brasil Navegações no Rio Maranhão. Disserta sobre a cerimônia e dança dos índios tecunas, dos quais vinham maiores gestos de sociabilidade: “Quando uma festa os chama as Tabatingas ali chegam, em grande número, em suas canoas, nus, enfeitados de penas nos braços, nos joelhos, nos ombros e na cabeça, além de um cinto muito bem feito de casca de árvore. Essas festas costumam durar muito tempo, às vezes até três dias, consagrados à dança e a copiosas libações de chicha” (D’ORBIGNY, 1976, p. 44). Também relata as danças e ritos dos mandrucus, que chamam atenção pela fisionomia: “Seria difícil imaginar-se coisa mais horrível do que a fisionomia de tais índios, pintados de preto e vermelho, e desfigurados por três dentes de porco, atravessados nos orifícios feitos nas narinas e nos lábios inferiores. Desde que surgiu a Lua, os índios começaram suas danças, e as palavras que as acompanham tinham algo de tão estranho quanto suas fisionomias” (D’ORBIGNY, 1976, p. 61).

Capítulo II: Generalidades Geográficas da Religião do Amazonas. Aqui, discorre rapidamente sobre a paróquia de Airão e sua igreja dedicada ao Santo Elias, a paróquia de Carvoeiro, habitada por índios manaus, paraunos e maracuacenas. D’Orbigny ainda menciona que, os manaus - povo que ocupava quase toda a região situada entre o Uariva e o Chiura - possuíam em sua religião, assim como a de todos os índios em que se descobriram noções religiosas, a crença em dois deuses (princípios): o bom, chamado Mauari, e o mau, Saraué. O idioma daquela tribo é o predominante na região.

Capítulo III: Do Pará ao Maranhão. Neste, aponta para duas belas povoações: a Vila de Conde e Beja, ambas fundadas pelos jesuítas que, por sua vez, reuniram as tribos dos tupinambás, rengaibases e mamaiamases aborígines da zona e, mais tarde, se juntaram os techiguarases, descidos do Alto Tocantins. Deste modo, estas tribos, misturadas, confundiram seus costumes e idiomas primitivos, ainda que submetidos, posteriormente, à civilização européia. O naturalista francês ainda comenta, superficialmente, sobre uma grande região, quase desconhecida, da qual aproveitaram as autoridades eclesiásticas.

Capítulo IV: Província do Maranhão. Aqui, indica problemas etnográficos que permeiam os chamados selvagens - índios livres da província - e acabam persistindo, tornando o tentativa, por parte dos homens brancos, de trazer aqueles indígenas para uma vida sedentária e social. Também relata o caráter simplório das festas para os chés: “As festas desses índios começam, ordinariamente, ao pôr do sol; continuam à luz das estrelas e duram, às vezes, até o dia seguinte”. Essas festas têm lugar por ocasião das colheitas e dos casamentos.

Capítulo VI: Da Bahia à Região das Minas. Deste, apresenta, somente, os botocudos, caracterizados pelo “horrível hábito de furar o lábio inferior e os lóbulos das orelhas para introduzirem grandes rodelas ou discos de madeira”. Estes não aparentam ser afeiçoados pela dança quanto os outros. A única manifestação consiste na formação de um semicírculo pelas mulheres e homens, no qual cantam e dançam num só tempo - simples assim. Os botocudos, segundo D’Orbigny, cultuam, apenas, aos entes benfazejos e malfazejos. Neste culto, a Lua é corpo celeste pelos qual os índios possuem grande respeito.

Capítulo VIII: Minas Gerais. Sobre os índios de Santo Antônio, o viajante relata: “(...) quases todos batizados, são casados pela cura de Pessanha; cumprem, com exatidão, seus deveres religiosos, vão à missa e ao confessionário, mas, ao que parece, apenas maquinalmente, sem uma convicção sincera e refletida” (D’ORBIGNY, 1976, p. 147). Expõe, também, os preparativos da festa na aldeia de Cipriana, habitada por coroados. Consistiam na confecção de uma espécie de licor, obtida com a decocção do milho - era cozido e fermentado, para se transformar em uma bebida espirituosa. A respeito dos puris, o Príncipe de Neuwied afirma “que eles adoram um ser forte e superior, chamado Tupã - estes possuem poucas diversões, tendo o que chamam de dança, apenas, um passeio, onde caminham uns diante dos outros. Outro grupo, os camacãs, são caracterizados por suas danças monótonas e sem graça.

Capítulo IX: Rio de Janeiro. No Rio, D’Orbigny comenta sobre a igreja de Nossa Senhora da Glória, situada em uma colina. Além disso, vemos o colégio dos jesuítas, o convento dos beneditinos, o palácio episcopal e o forte da Conceição, todos providos de aspectos imponentes. Entre as igrejas, distinguem-se as da Candelária e de São Francisco de Paula e o convento São José, construídas de acordo com projetos mais modernos elegantes.

Capítulo X: São Paulo. Em São Paulo, segundo o viajante, os mestiços, sejam eles brancos e índios ou negros e índios, são apaixonados pelo batuque - dança importada da África. Neste sentido, evidencia: “Essa dança, que reproduz, no meio da semicivilização daquele país, quadros cínicos, só autorizados pela barbárie mais completa, não deixa de ser, no Brasil, a dança favorita de todas as classes, e a única contra a qual os esforços da religião têm sido sempre vãos” (D’ORBIGNY, 1976, p. 177).

Capítulo XI: Generalidades Históricas e Geográficas do Brasil. Encerra discursando sobre sua passagem pelo Brasil multicultural e seu futuro indefinido: “O Brasil passou diante de nós, com seus costumes antigos e seus costumes novos, suas raças indígenas, que se retiram aos poucos diante da civilização, e suas raças civilizadas, que se fundem, se cruzam e se transformam. Qual será o futuro desse império transatlântico, que fórmula política e social ali prevalecerá para o progresso e bem-estar da humanidade? É bem difícil prever-se, em face dos elementos confusos que ainda se combatem e se entrechocam” (D’ORBIGNY, 1976, p. 190).

Por fim, temos o diário de Louis Agassiz, intitulado Viagem ao Brasil (1865-1866) 6, que foi produzido no contexto do Segundo Reinado e publicado pela primeira vez em 1869, pelo próprio e sua mulher Elizabeth Cary Agassiz. Nele, o geólogo e naturalista suíço relata diversos aspectos da sociedade brasileira do século XIX.



Agassiz chefiou a expedição científica norte-americana que visitou o Brasil no período de 1865-1866. Dela, composta por 15 pessoas e financiada por Nathaniel Thayer, participou, também, Elizabeth Cary Agassiz, que registrou, dia a dia, o ocorrido com todos. Os elementos para a confecção de seu registro eram fornecidos, diariamente, pelo naturalista. Assim, será realizada a descrição de trechos dos seguintes capítulos: III - Estada no Rio (Continuação); Vida de Fazenda, V: De Pará a Manaus, VIII - Volta a Manaus (Passeio Campestre no Amazonas), IX - Manaus e seus Arredores, XI - Volta a Manaus (Excursão ao Rio Negro - Partida), XII - Regresso ao Pará (Excursões no Litoral), XV - Rio de Janeiro e suas Instituições (A Serra dos Órgãos) e, por fim, o capítulo XVI - Impressões Gerais.

Capítulo III: Estado no Rio (Continuação); Vida de Fazenda. Louis Agassiz relata, em particular, a Procissão de São Jorge, onde percebe grande estranhamento: “Hoje é dia de grande festa, uma festa de que custamos a compreender a significação tanto nela o elemento religioso se acha singularmente misturado ao grotesco e ao bizarro. É o dia do Corpo de Deus. Mas, como cai na mesma data de uma antiga cerimônia em honra de São Jorge, celebrada aqui com toda a sorte de solenidades dos bons tempos antigos, as duas se confundem” (AGASSIZ, 1975, p. 75).

Capítulo V: De Pará a Manaus. Aqui, o naturalista suíço descreve, em pequenas partes, o cotidiano dos índios - sendo estes, os gentis hospedeiros -, tal qual sua intimidade adquirida para com seus “amigos rústicos”, como dizia. Ainda relata danças típicas vivenciadas por sua equipe e seu caráter especial e totalmente particular, mas, ao mesmo tempo, singular. Por fim, Agassiz expõe suas impressões sobre a religiosidade dos índios, dando aquele habitat um significado único aos clamores indígenas. As danças religiosas acompanhadas de cantos faziam parte de antigos ritos, que resguardavam à fé, um aspecto característico daquele grupo.

Capítulo VIII: Volta a Manaus (Passeio Campestre no Amazonas). Vemos, novamente, as danças. Porém, Agassiz atenta para a diferença das que presenciou outrora, pois aqui eram mais animadas e possuía um caráter mais provocante e malicioso, trazendo dessemelhança, também, as danças dos negros, vistas nos arredores do Rio de Janeiro.

Capítulo IX: Manaus e seus Arredores. Dando atenção ao cotidiano da vida indígena, o viajante expõe os traços simples que compõem a rotina dos índios, desde os pescadores aos apanhadores de tartarugas. Tal detalhamento - do qual não se faz necessário recontar aqui -, atribui ao indígena uma interpretação raramente formosa, porém, frequente aos olhos estrangeiros. Ainda vemos a descrição da Festa Campestre na “Casa dos Educandos”, como singela forma de gentileza do presidente da província em honra a Agassiz. A igreja, por sua vez, é taxada como aspecto curioso, situada na entrada do vilarejo e construída pelos próprios índios. O naturalista descreve com riqueza de detalhes os elementos estruturais do edifício religioso, do qual se percebe uma arquitetura modesta. Ainda destaca o fato tocante na ideia de que este povo inculto se empenhou em construir o templo com as próprias mãos, mesmo assim, não possuem um atendimento regular por parte da instituição. Por fim, vemos superstição dos índios no que diz respeito ao boto - espécie de golfinho -, da qual Agassiz busca explorar, além da descrição dos costumes e aspectos da lenda indígena.

Capítulo XI: Volta a Manaus (Excursão ao Rio Negro - Partida). Neste, vemos as Festas de Natal em Manaus. O viajante descreve a procissão dos índios em celebração ao Natal - de maneira encantadora, aliás. Já as igrejas da Amazônia são criticadas, pois trazem construções grosseiras e mal conservadas.

Capítulo XII: Regresso ao Pará (Excursões no Litoral). Aqui, relata uma procissão religiosa na cidade de Pará. Uma das muitas festas que estava em decadência e já perdeu muito de sua ostentação antiga. Representava uma cena da Paixão de Cristo e contava com a participação de todos. Ainda ressalta a velha igreja dos jesuítas e a importância destes no Brasil, lamentando a não continuidade dos trabalhos jesuítas. Para Agassiz, os jesuítas deviam ser, em um país tão fértil como o nosso, a grande influência civilizadora, especialmente na introdução do conhecimento aos índios.

Capítulo XV: Rio de Janeiro e suas Instituições (A Serra dos Órgãos). Sobre as instituições de caridade, discorre sobre o Hospital da Misericórdia. Sua benevolência era mais ampla, pois não só tratavam as doenças de cura possível, como aceitava velhos e enfermos no leito de morte. Destaca uma capela anexa ao hospital. Agassiz reflete sobre a atividade religiosa, indagando: “Se o serviço religioso não é realmente um sábio complemento de todas as instituições deste gênero, sejam protestantes ou católicos. Para os pobres honrados, a igreja é um grande consolo; mais de um convalescente se sentiria feliz em ouvir os cânticos dominicais, em juntar-se às preces comuns a fim de pedir saúde (...). Certamente, no nosso país, em que os credos são tão variados, em que cada enfermo talvez tenha e sua doutrina especial, haveria grande dificuldade para isso; mas aqui, onde existe uma religião de Estado, a mesma forma do culto corresponde às necessidades de todos” (AGASSIZ, 1975, p. 274).

Capítulo XVI: Impressões Gerais. Neste capítulo, Louis Agassiz completa seu relato sobre o Brasil, dando suas impressões dos diversos elementos que compõem a sociedade brasileira do período. Discursa sobre o grande obstáculo ao seu progresso: a escravidão. Ao seu lado, acrescenta o caráter do clero: “(...) quando falo do caráter do clero, não me refiro à crença que ele personifica. Seja qual for a organização da Igreja, o que importa, sobretudo, num país em que a instrução está ainda inteiramente ligada a uma religião do Estado, é que o clero se componha não só de homens de alta moralidade, mas também de pessoas de estudo e pensamento. Ele é o mestre do povo; deve, portanto, deixar, de acreditar que o espírito se possa contentar, como único alimento, com grotescas procissões de rua, cheias de círios, acesos e ramalhetes baratos. Enquanto não reclamar outro de instrução, ir-se-á deprimindo e enfraquecendo o povo” (AGASSIZ, 1975, p. 289).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGASSIZ, Louis. Viagem ao Brasil (1865-1866) [por] Luiz Agassiz e Elisabeth Cary Agassiz; tradução de João Etienne Filho, apresentação de Mário Guimarães Ferri. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. da Universidade de São Paulo, 1975.
ALEXANDRE, Valentim. Os sentidos do Império: questão nacional e questão colonial na crise do Antigo Regime português. Porto: Afrontamento, 1993, p. 175-177.
D’ORBIGNY, Alcide. Viagem Pitoresca Através do Brasil. Tradução de David Jardim; apresentação de Mário Guimarães Ferri. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. da Universidade de São Paulo 1976.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. A herança colonial - sua desagregação. História geral da civilização brasileira t. II. O Brasil monárquico. São Paulo: Difel, 1962, p. 11.

MAWE, John. Viagens ao Interior do Brasil. Tradução de Selena Benevides Viana. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. da Universidade de São Paulo, 1978.



1 Valentim Alexandre. Os sentidos do Império: questão nacional e questão colonial na crise do Antigo Regime português. Porto: Afrontamento, 1993. p. 175-177.

2 Sérgio Buarque de Holanda. A herança colonial - sua desagregação. História geral da civilização brasileira t. II. O Brasil monárquico. São Paulo: Difel, 1962. p. 11.

3 Ibidem, p. 11-12.

4 AGASSIZ, Louis. Viagem ao Brasil (1865-1866) [por] Luiz Agassiz e Elisabeth Cary Agassiz; tradução de João Etienne Filho, apresentação de Mário Guimarães Ferri. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. da Universidade de São Paulo, 1975.


5 D’ORBIGNY, Alcide. Viagem Pitoresca Através do Brasil. Tradução de David Jardim; apresentação de Mário Guimarães Ferri. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. da Universidade de São Paulo 1976.

6 AGASSIZ, Louis. Viagem ao Brasil (1865-1866) [por] Luiz Agassiz e Elisabeth Cary Agassiz; tradução de João Etienne Filho, apresentação de Mário Guimarães Ferri. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. da Universidade de São Paulo, 1975.


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal